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Lances do Braga-Sporting

Aqui ficam alguns lances do jogo de Domingo, com a minha leitura em relação a eles. Apenas acrescentar os seguintes comentários...

- É interessante o papel desestabilizador de Salino. Não directamente, mas aquilo que as suas acções acabaram por provocar em termos de dificuldades de controlo do espaço "entrelinhas" por parte do duplo pivot. Mérito do Braga, porque não é evidente que se criem este tipo de desequilíbrios a partir de uma vantagem criada pelo lateral. Demérito, a meu ver, especialmente de Insua, que não pareceu ter a devida intensidade na reacção a alguns lances na sua zona...

- No primeiro golo, tudo se parece resumir a um problema de comunicação no final da jogada, mas há muito mais para contar. Começando no pontapé de Patrício, mais do que provavelmente um equívoco do guarda redes, já que tudo indicava que a bola fosse lançada para a esquerda, onde já se concentrava a generalidade dos jogadores, e em especial Ribas, que era a referência do Sporting para este tipo de bolas (já agora, Patrício esteve bastante irregular neste tipo de reposições ao longo do jogo). Depois, o excesso de distanciamento de Rodriguez, que baixa demasiado perante a ameaça de Lima no ataque à profundidade. Esta distância acaba por dificultar a recuperação dos restantes defensores, em particular Onyewu, que parte de uma posição mais atrasada. Depois, finalmente, alguma estranheza no que acontece à resposta ao cruzamento: há uma troca posicional correcta de João Pereira, perante a dificuldade de Onyewu em recuperar a tempo de se posicionar na frente do lance. O que devia acontecer era que os dois jogadores não terminassem na mesma linha, não sendo perceptível o porquê de Onyewu não ter ajustado o seu movimento para uma zona um pouco mais atrasada do que João Pereira. O posicionamento final dos dois jogadores não é o desejável, mas o que aconteceu entre os dois, só eles poderão saber...

- Finalmente, o segundo golo bracarense tem a génese num erro em posse de Rodriguez, que expõe a linha defensiva do Sporting. Não há qualquer possibilidade de inviabilizar Lima no fora de jogo, pelo que depois se torna uma aparente questão de velocidade entre Lima e João Pereira. No entanto, perante um passe que é feito na linha divisória do campo e com esta exposição nas costas da defesa, o lance seria muito facilmente evitado por Rui Patrício. Aliás, a bola só é tocada por Lima já dentro da área do Sporting, o que diz bem da oportunidade que Patrício perdeu para inviabilizar o lance. Assim, e como o "sprint" se pode prolongar durante tantos metros, ficamos a saber que Lima é mais veloz do que João Pereira...

6 comentários:

Mike Portugal disse...

Só não concordo no ultimo lance. Não há forma do Patricio poder cobrir aquela distancia toda, nem com a velocidade dele. Teria que estar quase à saída da grande area e arriscar levar uma chapelada.

RG disse...

um bom gr tinha mandado a bola para o mato.

Anónimo disse...

Filipe, há um aspeto que as imagens não permitem ver no que respeita ao segundo golo. Eu estava no estádio, "no enfiamento do lance", e pude aperceber-me de que o João Pereira perde a disputa com o Lima em velocidade, porque o Rui Patrício começa por sair e depois hesita (esse seu movimento está fora da imagem). Por isso, o lateral travou o passo ligeiramente, o que se revelou mais do que suficiente para o Lima, que é rápido, ganhar a jogada.

Uma nota solta: nas reposições de bola, o Ribas posicionava-se sempre sobre a esquerda, mas o Rui Patrício - estranhamente - colocava a bola sempre no meio, no Matias Fernandez.

Gostava ainda de saber a tua opinião em relação ao primeiro momento de contrução de jogo do Sporting - o das já muito faladas saídas dos centrais a jogar. Estranho que essa não seja uma opção do treinador, tal a frequência com que acontece. Schaars, mais recuado neste jogo, foi "buscar jogo" algumas vezes, mas os laterais e Elias, por exemplo, claramente não participam nessa fase.

RC

filipe disse...

RC,

Exacto, é pena que não tenha havido um plano que apanhasse toda a reacção do Patrício, porque é muito estranho que não tenha saído. Provavelmente não teve a melhor leitura, mas visto de onde a bola parte e onde é jogada, era extremamente fácil ter-se antecipado aos 2 jogadores...

Sobre as reposições, é habitual o ponta de lança ser referência e descair para um dos lados do campo, que é precisamente para evitar que em caso de perda da segunda bola, a equipa seja exposta no corredor central. É por isso que é altamente provável que as reposições de Patrício que não chegaram a Ribas, apenas não o tenham conseguido por má precisão do pontapé...

Sobre a fase de construção, há que distinguir algumas situações, nomeadamente (1) o que é intencional, (2) o que é condicionado pelas próprias características dos jogadores, e o (3) que é condicionado pela oposição. Não tendo acesso aos treinos ou ao pensamento do treinador, a melhor maneira de distinguir é por comparação entre as diferentes fases da equipa:

Sobre o que é intencional (1), parece-me que há a intenção de usar o pivot e os centrais na zona central e fazer a ligação sobretudo pelos corredores laterais, usando extremos e laterais, e mantendo os 2 médios (neste jogo a estrutura foi diferente, por isso não me estou a referir a ele especificamente) . Foi assim, com esse tipo de dinâmicas, que a equipa foi crescendo.

Depois, o condicionalismo das características individuais (2): Começando pelo pivot, com Rinaudo ou mesmo com André Santos, o Sporting não tinha a mesma dependência dos centrais, porque os 2 (sobretudo Rinaudo), assumem bastante o jogo e se for preciso vão buscar a bola até à linha dos centrais, o que é um convite ao bloco contrário para sair de zonas tão baixas. Com Carriço e Neto, isso não aconteceu. Depois, a característica dos centrais, porque o Sporting tem uma grande limitação em Onyewu e mesmo Polga, sendo um jogador relativamente forte na precisão de passe, tem grande dificuldade em penetrar com bola quando é convidado a fazê-lo. Mesmo os laterais, são diferentes, porque Insua é mais propenso a aparecer num segundo momento, enquanto que João Pereira se mostra disponível para ser solução a partir de linhas mais baixas, praticamente vindo até aos centrais para recolher a bola (o que é uma solução importante, dadas as limitações de Onyewu).

Depois (3) o condicionalismo estratégico, que previsivelmente decorre das duas anteriores. Ou seja, as equipas, percebendo as limitações dos centrais e a dependência da dinâmica nos corredores, passaram praticamente a bloquear as linhas de passe para os corredores laterais, libertando 2 jogadores da presença junto dos centrais. O Sporting fica com 2 jogadores livres (os centrais), mas com 8x10 no restante bloco contrário. Ou seja, depende muito daquilo que os centrais possam extrair da liberdade que lhes é dada.

Ou seja, hoje há uma enfatização do papel dos centrais na fase de construção, e concordo que isso tem demorado muito a ser resolvido, mas acho que isso resulta da conjugação destes 3 factores.

Mike Portugal disse...

Filipe,

Estive a ver melhor o lance e dá para ver que o Patricio faz mal em não sair, portanto retiro o que disse no 1º comentário. Possivelmente ele calculou mal a velocidade a que a bola vinha e teve medo que Lima chegasse 1º do que ele à mesma. Como viu o João Pereira a disputar o lance preferiu que o seu defesa tentasse atrapalhar o Lima e manteve o seu posto na baliza. O que ele não contava era que o Lima fosse tão rápido.

filipe disse...

Exacto, Mike. Não teve a melhor leitura do lance e só próprio poderá explicar o porquê.

Não é fácil decidir em fracções de segundo, pelo que mais do que uma má avaliação do lance, creio que é importante realçar o principio. Ou seja, neste tipo de situações, com esta distância da baliza e esta exposição nas costas da defesa, é importante que o guarda redes esteja preparado para intervir no espaço, porque é muito difícil algum jogador conseguir fazer um bom remate daquela posição e naquela situação (desde logo, é improvável que algum tente...).