Aproveito a pausa natalícia para fazer um pequeno balanço das 13 primeiras jornadas da Liga. Apresentarei neste período algumas comparações individuais, por posição, tendo por base exclusivamente os dados recolhidos e o modelo estatístico utilizado...
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11 comentários:
Curiosamente o aspecto onde Patricio tinha mais dificuldade (saída a cruzamentos) é o que tem melhor avaliação.
Outro aspecto interessante é o um contra um. Não sei se incluiste aí as antecipações que o Patricio consegue fazer aos avançados, porque foi uma coisa que notei já há 1 ano e meio, é que ele tem uma aceleração de corrida muito grande e consegue ganhar muitas bolas, chegando primeiro que os avançados aos passes nas costas dos defesas.
Ah, esqueci-me de dizer outra coisa. Supreende-me o Artur ficar atrás do Helton, na medida em que me parece que salvou o SLB muito mais de perder pontos que propriamente o Helton, o FCP.
A avaliação específica pode ainda não ter dados suficientes para ser consistente. Porque são apenas 13 jogos e há uma grande diferença de oportunidades de intervenção para os 3 em certas áreas. Nos cruzamentos, por exemplo, o Rui Patrício teve quase o dobro de lances decisivos do que o Helton. Em termos de eficácia a esse nível, claramente o Artur foi o mais eficaz.
Sobre a percepção entre Artur/Helton, acho que ambos realizaram um inicio de época muito bom. O Artur terá dado mais nas vistas porque, e tal como os dados confirmam, teve mais intervenções decisivas. Há também a comparação com Roberto, que ajuda a salientar o seu rendimento. Mas o Helton praticamente não cometeu qualquer erro no campeonato, e é o guarda redes com menos golos sofridos entre os 3.
Tu contas os golos que o GR sofreu ou os golos que ele evitou?
É que não sofrer golos não é da responsabilidade exclusiva do GR. O FCP tem uma defesa mais solida que permite não expor tanto o Helton, por exemplo.
Conto os golos que sofre, que evita e os que não sofre mas não evita (oportunidades desperdiçadas, sem defesa). Tudo isso está contemplado na avaliação.
Mas a minha pergunta era mais no sentido se tem lógica incluir na avaliação dum GR todos os golos que sofre, mesmo não podendo intervir nos mesmos e todos os golos que não sofre porque a equipa não deixa o adversário criar oportunidades.
Exemplo:
Um GR sofreu 3 golos. Os adversários conseguiram criar 6 oportunidades. Os 3 golos sofridos foram sempre que o adversário conseguiu criar oportunidades de contra-ataque numa situação de superioridade numérica. Os 3 que não deram golos foi porque a situação não terminou bem finalizada pelo adversário ou porque o GR defendeu.
Outro GR sofreu 1 golo porque não foi tão habil a defender como deveria. Mas também só sofreu 1 porque o adversário só teve uma chance para fazer golo pois a equipa evitou que criasse mais oportunidades.
Na tua avaliação este 2º GR é melhor?
Depende. No primeiro caso, do número de intervenções do guarda redes nos lances falhados. No segundo, do quão "menos hábil" foi a sua intervenção. Mas nenhum gr tem é valorizado pelo simples facto de não sofrer golos.
De todo o modo, a ideia é que a prazo as especificidades de cada jogo se esbatem. Pode ser mais complicado comparar casos com um tipo de exposição diferente, mas no exemplo dos 3 "grandes" isso não é um grande problema, porque embora haja diferenças entre todos, o tipo de jogos e exposição é relativamente semelhante. De todo o modo, sendo equipas de pouca exposição, pode demorar mais tempo para que a análise seja conclusiva, porque há menos acções relevantes no que respeita a guarda redes deste tipo de equipa.
Sobre os golos, percebo a dúvida, mas acho que por definição, qualquer análise qualitativa tem de incluir o golo, porque é esse o único objectivo do jogo. A ideia que está por trás deste modelo é considerar o rendimento tendo em conta o trabalho a que é exposto cada gr.
Ok, obrigado pela explicação, Filipe. Então imagino que após uns 50 jogos (possivelmente no final da época) já se consiga ter dados estatisticamente mais fiaveis, certo?
No final da época, serão, no máximo, 30.
A fiabilidade é tanto maior, quanto maior forem os dados recolhidos. Depois, tudo depende 1) do indicador que estás a considerar 2) do que pretendes.
Por exemplo, para analisar a certeza em posse/distribuição, não são precisos muitos jogos. Meia dúzia chegam para teres uma ideia consistente. Se quiseres analisar a performance a defender penaltis, por exemplo, podes ter de considerar dados de várias épocas para ser minimamente fiável.
Do mesmo modo, se quiseres ter uma ideia razoável sobre o valor global dos jogadores, estes dados são suficientes. Se quiseres ter maior rigor, então tens de considerar pelo menos o dobro do tempo.
O que te posso dizer é que estes dados são bastante coerentes com aqueles que tenho dos mesmos jogadores, na última época.
Pois é, tu só avalias os jogos do campeonato, portanto não serão 50 como tinha dito.
De qualquer maneira podemos dizer que para o campeonato português, essas notas nem serão más, mas se fossem num campeonato espanhol, por exemplo, seriam medíocres, não achas?
Provavelmente. Embora, por exemplo, casos como o do Barcelona não devam ser muito diferentes. Tem tudo a ver com a exposição. Do mesmo modo que um bom avançado, tem melhor avaliação se jogar numa equipa melhor (que crie mais lances ofensivos). Um bom guarda redes terá melhor avaliação se tiver mais lances para intervir. De todo o modo, estes níveis de eficácia são muito bons e, por exemplo, duvido que algum guarda redes pudesse fazer muito melhor que o Helton nestes 13 jogos, porque para além da boa eficácia nos lances decisivos tem também uma prestação no jogo de pés que é excelente, e que não tem muitos casos de igual qualidade no mundo.
A ideia desta análise comparativa passa pelo pressuposto de que os jogadores dos 3 clubes são sujeitos ao mesmo tipo de jogos e por isso têm oportunidades idênticas. Isso verifica-se razoavelmente nos guarda redes, mas vão haver casos de jogadores com menor tempo de utilização que ficam beneficiados pelo tipo de jogos em que tiveram a oportunidade de actuar.
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