Benfica e Olimpiacos são equipas quase gémeas. Ambas têm treinadores espanhóis, ambas utilizam um 4-4-2 clássico algo rígido, ambas têm na qualidade individual dos seus jogadores da frente a sua grande virtude e ambas têm dificuldades colectivas para controlar os espaços defensivos. Neste último aspecto, eu diria, o Olimpiacos ainda terá uma dificuldade mais gritante pois desequilibra-se mais em posse de bola e tem laterais que comprometem muito pelo seu fraco posicionamento defensivo. A pergunta evidente é, então, para além do tal (relevante) aspecto da eficácia, onde esteve a diferença entre as equipas?
A resposta pode ser encontrada, na minha opinião, nos lances decisivos do jogo, em particular, nos golos que o Benfica sofreu. Aí vamos encontrar, por um lado, a excelente exibição dos jogadores da frente do Olimpiacos, Galletti, Diogo e Belluschi, e, por outro, a incapacidade que os jogadores do Benfica tiveram para, individualmente, contornar os problemas colectivos que há muito são identificáveis no modelo de Quique. Aqui volto a falar da tal dificuldade que a última linha defensiva tem em posicionar-se perante a subida do meio campo para pressionar. Ou sobem para encurtar o espaço entre linhas e ficam vulneráveis nas costas, como aconteceu no primeiro golo, ou permanecem mais baixos e expõem o espaço entre linhas, como aconteceu nos lances do segundo e terceiro golos.
Juntando a referida eficácia para punir estes problemas colectivos que foram sendo cometidos, construiu-se rapidamente a derrota. Com a quebra emocional, a goleada veio por acréscimo.
Um problema individual!? – Depois de uma derrota destas vêm imensos dedos a apontar em diversas direcções, acusando os jogadores do Benfica de responsabilidades individuais em cada um dos golos. É evidente que essa análise individual pode ser feita, assim como é para mim claro que Katsouranis teria dado outra inteligência à cobertura do espaço à frente dos centrais, completamente ignorado por Binya e Yebda (já referi anteriormente que é o único jogador que ajuda a colmatar essa lacuna do modelo). O problema, no entanto, é que ao falar-se de insuficiências individuais está-se a desvirtuar aquela que é, realmente, a génese da questão. O problema é colectivo e vem-se arrastando com o tempo. Os bons jogadores são apenas a forma mais fácil de o esconder.
Uma nota final para os centrais. Sei que vão ser os réus principais da opinião pública. A minha opinião é que eles são mais vitimas que réus, tal é o espaço que lhes é pedido para cobrir.
Taça Uefa – Só por milagre o Benfica vai continuar na Europa este ano – o que é mais incrível é como é que é possível ter ainda hipóteses, tal tem sido o descalabro nesta prova. Tive oportunidade de ver os adversários do Benfica, na maioria dos casos, mais do que 1 vez. Olimpiacos e Galatasaray são equipas com excelentes individualidades (ao nível do Benfica) mas algo (no caso do Galatasaray, muito) vulneráveis colectivamente, o Metalist é claramente a mais modesta das equipas e o Hertha aquela que mais gostei de ver colectivamente, não tendo os mesmos argumentos individuais das 2 primeiras. Era um grupo perfeitamente ao alcance do Benfica...
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