16.1.15

5 jogadas (Benfica, Porto, Sporting, Barcelona e Roma)

ver comentários...

Jogada 1 - Lance de contra ataque do Benfica, numa primeira parte muito bem conseguida pela equipa de Jesus, construindo um número impressionante de ocasiões de golo. O meu sublinhado vai para o desempenho individual dos três protagonistas do lance, em especial para Jonas, não apenas pelo movimento final da jogada, mas também pelo pormenor técnico com que dá inicio à transição. Restam cada vez menos dúvidas de que o brasileiro se veio constituir como uma das principais mais valias do campeonato, tendo sido uma das mais acertadas aquisições da temporada e um jogador que justifica as mais optimistas esperanças por parte dos adeptos encarnados.

Jogada 2 - Este não é o ciclo de jogos ideal para testar a evolução da equipa, mas não me deixa de parecer que o Porto de Lopetegui tem dado sinais positivos nos tempos mais recentes. Ao nível da organização defensiva, já confessei as minhas elevadas expectativas a partir do que a equipa vem mostrando, mas surgem também alguns sinais positivos relativamente à dinâmica ofensiva, que durante muito tempo estiveram ausentes. O lance do primeiro golo na recepção ao Belenenses, com uma movimentação muito bem conseguida pelos dois médios sobre o corredor central, e que não foi caso isolado no jogo. O favoritismo não está claramente do lado portista no que respeita à corrida pelo título, mas a julgar pelo rendimento recente, o Benfica terá mesmo de manter a bitola elevada se quiser valer os 6 pontos de vantagem que conseguiu.

Jogada 3 - Vitória importante do Sporting em Braga, que foi justificada sobretudo pelo que a equipa conseguiu produzir no primeiro quarto de hora da segunda parte. Este lance, parece-me, reflecte bem como a equipa de Marco Silva conseguiu criar tantos lances de golo eminente num curto espaço de tempo. Decisivo o meio campo e as bolas divididas nessa zona do terreno, como ponto de partida. Depois, a incidência sobre os corredores laterais na fase criativa, coisa que também o Braga procurou fazer (e com algum sucesso, especialmente através de Pardo). Finalmente, a importância de ter boa presença na zona de finalização para dar sequência aos cruzamentos, sendo que aqui a acção de João Mário merece-me especial destaque. Não é a primeira vez que refiro à importância de ter um jogador capaz de ser, simultaneamente, um elemento extra na linha média e uma presença recorrente na zona de finalização. João Mário tem-no conseguido fazer com sucesso, e mesmo se neste jogo perdeu algumas oportunidades flagrantes, a dar continuidade a este tipo de prestação, certamente que ainda virá a festejar muitos golos até final da temporada.

Jogada 4 - Não há nada de surpreendente na vitória do Barça, frente ao Atlético de Madrid. A diferença de forças é enorme, e não se pode esperar que o Atlético repita sucessivamente os milagres que vem protagonizando sob o comando de Simeone. Mérito para o Barça, sobretudo pela inspiração na primeira parte, mas isso não pode afectar o reconhecimento de nova época notável que o Atlético vem realizando, se tivermos em conta o desnível entre os seus recursos e os dos rivais. Enfim, haverá mais para falar sobre Barça e Atlético até final da época... Sobre o lance do segundo golo, o meu destaque vai para o posicionamento estrategicamente aberto dos dois alas do Barça, que retiveram os laterais do Atlético, aumentando o espaço nas costas da primeira linha de pressão. O ajustamento posicional do Atlético vai ser circunstancialmente imperfeito e permite que Bravo encontre uma linha de passe dentro do bloco contrário. O desequilíbrio propriamente dito, porém, surge na má abordagem de Juanfran, que perde o tempo de antecipação sobre Messi e permite que o Barça parta para a área numa situação de 4x3. Depois, é igualmente interessante o movimento cruzado de Suarez e Neymar, com o brasileiro a arrastar o lateral e a abrir o espaço onde Suarez irá finalizar. Um comportamento defensivo que pode ser questionado, sem dúvida, mas como escrevi o desequilíbrio surge à priori.

Jogada 5 - Sublinhado para o primeiro dos dois golos de Totti no derbi de Roma. A Lazio opta por defender com uma linha defensiva muito próxima da linha da bola, sendo essa uma opção comportamental normal. À partida, esta é uma situação pouco favorável para que a Roma crie um desequilíbrio através de um cruzamento, tendo apenas um jogador na área, e por sinal atrás de toda a linha defensiva. O ponto aqui tem a ver com a oportunidade que este tipo de posicionamento defensivo abre perante bolas que atravessem quase paralelamente a linha defensiva. Ao estar colocado atrás de toda a linha defensiva, Totti tem uma dupla vantagem. Primeiro, relativamente ao controlo da legalidade do seu posicionamento, porque tem todos os defensores no seu campo de visão. Depois, o tempo de reacção à trajectória da bola, que é maior para ele do que para qualquer outro defensor, pelo facto de ser ele quem está mais afastado. E é precisamente a combinação destes dois factores que permite que Totti tire partido de uma vantagem improvável neste lance, sendo que grande parte do mérito vai para a lucidez de Strootman, que efectua o cruzamento com toda a intenção. Um exemplo de como diferentes soluções ofensivas podem ter um potencial de sucesso completamente diferente, em função dos princípios defensivos do adversário. Mais uma vez, uma constatação que valoriza a especificidade e reduz a hipótese de certos comportamentos e princípios tácticos serem, per se, amplamente superiores a outros.

ler tudo >>

13.1.15

Ballon d'Or 2014

ver comentários...
Melhor jogador - Estes prémios têm a particularidade de combinar uma importância mediática crescente com uma imutável subjectividade para os critérios de escolha. A importância mediática é crescente, não só pelas características da sociedade actual, mas também porque com a centralização deste prémio na FIFA, e abrangendo todos os jogadores do planeta, esta passa a ser a referência máxima para encontrarmos os melhores da História do jogo. Basicamente, com o passar do tempo será sobretudo para esta lista que as gerações seguintes irão olhar quando quiserem saber quem foram os melhores do tempo dos seus antepassados. E aqui reside uma primeira distinção entre aquilo que é hoje o "FIFA Ballon d'Or", e o que foi noutros tempos o "Ballon d'Or" do France Football, apenas circunscrito a jogadores europeus. Por exemplo, é impossível comparar Pelé com Maradona à luz destes prémios, mas ninguém duvidará que o balanço histórico entre Messi e Ronaldo se fará em grande medida pelo número de bolas douradas que ambos conseguirem conquistar até ao final das respectivas carreiras. A outra distinção tem a ver com o facto de hoje, e ao contrário de tempos que não são assim tão remotos (ou se calhar já são, e eu é que estou a ficar velho), hoje a apreciação do desempenho dos principais jogadores mundiais pode ser feita de forma global e ao longo de toda a época. E isto, parece-me claro, faz com que eventos super mediáticos, como fases finais de campeonatos do mundo ou da europa, deixem de ter um peso tão avassalador na eleição, como acontecia no passado.

Quanto à escolha de 2014, ela parece ser bastante consensual, tendo em conta os resultados da votação. No entanto, e voltando a pegar nesta ideia, o facto de não existirem critérios claros para a eleição torna a escolha subjectiva, tornando possíveis e igualmente válidas as mais diferentes opiniões. Pessoalmente, penso que a escolha deve recair no jogador que mais potenciou (em termos absolutos e não relativos, como é evidente) as hipóteses de sucesso das respectivas equipas através do seu contributo individual, independentemente dos títulos que conquistou colectivamente. E, na minha opinião, só há dois jogadores que actualmente podem discutir esse estatuto, Ronaldo e Messi. A diferença entre ambos, hoje, não me parece tão grande quanto a votação sugere, assim como não me parece que o tivesse sido em edições passadas, quando Messi venceu de forma igualmente inquestionada. Na minha análise, tem muito que ver com o contexto colectivo em que cada um se insere, sendo que Messi teve durante muito tempo uma vantagem a esse nível (nomeadamente na era Guardiola), e hoje será Ronaldo a usufruir do lado favorável desse handicap. Em 2015, e salvo qualquer lesão indesejada, a luta deverá ser novamente entre os dois, com a eventual introdução de uma terceira figura, caso nem Real, nem Barça conquistem a Champions, ainda que eu discorde de que os títulos colectivos devam ter um grande peso numa eleição que supostamente é centrada na performance individual.

Melhor treinador - Também aqui está omisso um critério claro para a escolha, o que torna também válida qualquer opinião. Outra questão será perceber qual é o critério que norteia a eleição, e olhando para o histórico de distinções fica evidente que é condição necessária que o candidato tenha conquistado uma grande competição ao nível de Selecções, ou a Champions League, especialmente em anos em que não há europeus ou mundiais. Ora, se assim for, diria que este é um prémio essencialmente estéril e redundante, porque mais não faz do que replicar para a personalidade dos treinadores os desfechos colectivos que já conhecemos desde o Verão. E esta ideia não podia ter ficado mais clara para mim do que na edição deste ano.
A meu ver, este prémio deveria distinguir o treinador que, ao mais alto nível do futebol mundial, mais conseguiu potenciar os recursos individuais com vista a atingir o ambicionado sucesso colectivo. E, a este respeito, 2014 foi um ano histórico relativamente à performance do Atlético de Madrid de Simeone. Barcelona e Real Madrid são, mais do que nunca, pólos agregadores das principais figuras do futebol mundial. Não são apenas capazes de contratar a primeira linha de jogadores para cada posição, contratam a primeira, a segunda e a terceira. O Atlético, pelo contrário, não só não pode competir com os rivais no mercado, como ainda se vê praticamente forçado a vender a sua principal figura todos os anos. São dimensões radicalmente diferentes, e se vencer uma taça do rei neste contexto seria já de si um feito notável, superar Barça e Real numa prova de regularidade como é o campeonato, chegando paralelamente à final da Champions é algo que até 2014 parecia apenas ser possível no domínio da ficção. Se tudo isto não chega para um treinador vencer este prémio, só porque não ganhou a Champions ou o Mundial, então tenho realmente muita dificuldade em perceber o alcance desta distinção.
Relativamente a Low, creio que de facto tem feito um bom trabalho na selecção alemã, que foi indiscutivelmente a mais forte do último Mundial. Mas, o mérito de Low nesse feito parece-me ser mais ou menos o mesmo aquele que teve Del Bosque nas suas conquistas de 2010 e 2012. Aliás, parece-me que hoje Low justificará até menos esta distinção do que em anos anteriores, nomeadamente quando renovou uma Selecção com um conjunto de jovens jogadores ainda pouco reputados, compondo uma equipa de grande qualidade. Hoje, o contexto é-lhe incomparavelmente mais favorável.
Há um nome que penso que devia estar nesta lista, que é o de Guardiola. Não apenas pelos títulos e domínio que conseguiu internamente, mas sobretudo pelo facto de ser um treinador que, ao mais alto nível, tem uma abordagem diferente de todos os outros. Aqui, porém, parece-me que Guardiola é vitima da escolha confortável que fez ao eleger o Bayern como destino para esta fase da sua carreira. O Bayern reforça-se com as principais figuras dos rivais internos, pelo que dominar a Bundesliga mais não é do que uma obrigação para quem dirige a equipa, e por isso um objectivo muito curto para um treinador com a qualidade de Guardiola. Seria, permitam-me a analogia, como colocar o mítico Sergey Bubka a saltar fasquias de 5 metros. Um desperdício para todos nós, que queremos ver os melhores a disputar os melhores títulos até ao limite, e creio que também um desperdicio para o próprio Guardiola, que vê a afirmação das suas ideias, no alcance que elas pretendem ter, ser resumida à performance da equipa na Champions. Aliás, suspeito até que a falta de competitividade possa não permitir que certos comportamentos de maior risco possam ser testados num nível superior, pelo menos foi a ideia que ficou pela forma como a equipa foi surpreendida perante a transição do Real. Enfim, apesar de tudo não hesitaria em incluir Guardiola na lista de 3 finalistas para este prémio, em detrimento de Ancelotti.

ler tudo >>

9.1.15

Os finalizadores das principais ligas europeias

ver comentários...

Partilho uma análise com os jogadores que mais ocasiões de golo tiveram até ao momento em 5 das principais ligas europeias. Aqui ficam alguns destaques breves:

Espanha - O destaque óbvio vai para o paralelismo entre os dois principais jogadores do futebol actual, Ronaldo e Messi. De facto, vemos que não há muito a separar os dois a este nível e que a sua propensão goleadora extraordinária resulta essencialmente do facto de usufruirem de mais ocasiões do que os outros jogadores e não de um aproveitamento extraordinário dessas ocasiões, como por vezes se confunde. Aqui, importa sublinhar o contexto colectivo, porque Real e Barça são das equipas que mais ocasiões criam, o que obviamente facilita o destaque individual dos seus jogadores, sendo que o grande mérito de Ronaldo e Messi é a sua capacidade de se distinguirem entre tantos jogadores de excelência que actuam ao seu lado. Benzema, Bale, Neymar ou Suarez, e apesar da sua enorme e reconhecida qualidade, simplesmente não conseguem atingir o mesmo patamar de protagonismo. Nota nesta lista para a presença de Luciano Vietto, um jovem que promete muito no Villarreal.

Alemanha - Nota incontornável para o improvável destaque que Alexander Meier conseguiu nesta primeira metade da temporada. Surpreendente, de facto! O mais expectável, obviamente, seria termos um jogador do Bayern a liderar esta lista, dada a superioridade da equipa na prova. Na minha leitura, o facto de assim não ser revela sobretudo que não há nenhum jogador que seja capaz de se distinguir dos demais no papel de finalizador, o que não impede a equipa de Guardiola de ser aquela que mais se aproxima do golo internamente. Incomparavelmente!

Inglaterra - Surpreendente, sem dúvida, o destaque que Charlie Austin assumiu. É um facto que o tempo de análise não é muito, e que o QPR terá uma forma de jogar que beneficia muito as características do jogador, mas ainda assim não deixa de ser um registo notável e que justifica alguma atenção à evolução do jogador. Nota ainda para Diego Costa, que conseguiu um aproveitamento excepcional das ocasiões de que usufruiu até ao momento, mas que dificilmente poderá manter os mesmos níveis de eficiência até ao final da competição. Para se manter no topo dos marcadores, portanto, terá de conseguir ser protagonista com mais frequência em lances chave, tanto mais que o seu peso relativo nas principais finalizações da equipa não é tão elevada como à partida se poderia supor. A este propósito, e entre as principais equipas da Premier League, Aguero é o jogador que aparece com um registo mais impressionante, pelo peso relativo que conseguiu ter no Man City.

Itália - A ideia de que o Calcio não tem hoje protagonistas com o destaque individual de outros tempos é confirmada por esta tabela (ao nível dos finalizadores, claro). O destaque de Callejon e Higuain resulta naturalmente do facto do Napoles ser a equipa com mais ocasiões na prova até ao momento, e não de um protagonismo excepcional de qualquer dos dois. Aliás, esse protagonismo não é conseguido por nenhum jogador, entre as principais formações da Serie A. Nota para o bom desempenho de dois jovens argentinos, Paulo Dybala e Mauro Icardi.

Portugal - Os números do campeonato português confirmam, sem surpresa, o protagonismo de Jackson e Slimani como principais finalizadores da Liga, beneficiando o colombiano do facto de ter mais minutos jogados e de ter conseguido um melhor aproveitamento percentual das ocasiões de que usufruiu, para ter uma vantagem importante ao nível dos melhores marcadores. Ainda relativamente ao Sporting, Montero aparece também entre os jogadores com mais ocasiões, o que pode ser aparentemente um bom sinal, tendo em conta a ausência de Slimani nos próximos meses. No entanto, é importante notar que o colombiano actuou muito mais minutos em casa do que fora, sendo que o seu protagonismo foi muito mais baixo nos minutos em que actuou fora de Alvalade. Olhando por este prisma, a ausência de Slimani já se afigura como um problema potencial de maior relevância para o Sporting. A confirmar nos próximos jogos... Nota para os desempenhos de Kuca e Deyverson, o primeiro pelo facto de ser um extremo e o segundo pelo peso específico que conseguiu no Belenenses. Finalmente, referência para o caso atípico de Rondon, um dos jogadores com mais ocasiões na prova, mas ainda sem qualquer golo.

ler tudo >>

6.1.15

Notas da jornada 15

ver comentários...
Sporting - Estoril
Um jogo muito confortável para o Sporting, ao contrário do que vinha sendo regra nos jogos para o campeonato em Alvalade. E este é o primeiro ponto que gostaria de abordar, porque, e muito embora o resultado o possa sugerir, eu não creio que o Sporting tenha tido uma exibição especialmente mais bem conseguida, relativamente a outras que, nesta época e no mesmo estádio, terminaram em perdas pontuais ou vitórias sofridas. A diferença fundamental está na eficiência, e no aproveitamento ofensivo das ocasiões criadas, que desta vez permitiu ao Sporting ganhar uma vantagem desde cedo, ao contrário de outras ocasiões. Aliás, sobre isto é interessante notar que a eficiência é precisamente a explicação para o facto do Sporting ter menos golos marcados em casa do que fora, já que ao nível de ocasiões claras de golo (e à luz da análise que venho mantendo e partilhando) a equipa tem sido bastante mais produtiva nos jogos domésticos. Ou seja, o problema da falta de golos será apenas circunstancial e a probabilidade é que o tempo o acabe por mostrar.
O segundo ponto tem a ver com o desempenho defensivo, que na minha análise é, claramente e a par de alguma má fortuna em alguns jogos, a grande explicação para o facto do Sporting estar nesta altura praticamente arredado da discussão do título. É incontornável que o Estoril não criou grandes ocasiões para marcar, mas sobretudo na primeira parte teve situações para se aproximar desse objectivo. Ou seja, é inegável que a equipa tem estado mais estável nos últimos jogos (parece-me importante que tenha afastado o enorme equívoco que foram algumas apostas, nomeadamente em Sarr e Esgaio), mas é cedo ainda para retirar conclusões relativamente à solidez do processo defensivo, e nesse sentido os próximos jogos poderão oferecer pistas mais concretas.
Finalmente, nota para o facto de o Sporting ter dado continuidade a uma série de vitórias no meio de tanta agitação nos bastidores. Se a equipa não tivesse sido bem sucedida neste ciclo, certamente não faltariam teorias a estabelecer um nexo de causalidade, muito estreito, entre o que se passou no plano mediático e no terreno de jogo. É um caso que, mesmo não podendo servir de prova, não deixa de ser um exemplo de como o impacto das variáveis externas na performance desportiva está longe de ter o efeito que geralmente se pensa poder ter. O futebol tem uma característica que o distingue de outras áreas igualmente mediáticas (nomeadamente a política), e que confesso me agrada muito. É que o futebol é essencialmente um jogo, onde a competência dos intervenientes e a sorte são os factores que, de forma avassaladora, mais definem o sucesso e insucesso dos diversos protagonistas. Para se chegar à presidência de um clube - nomeadamente de um clube grande - podem ser indispensáveis as capas de jornais, as entrevistas e, agora também, as redes sociais. Mas, uma vez atingida essa função, tudo isso passa a ser perfeitamente acessório, por muito que haja muita gente que goste de acreditar no contrário. No futebol nada interessa mais do que o jogo, e essa parece-me ser uma boa lição a retirar de todo este frenesim.

Gil Vicente - Porto
A forma como o jogo começou, nomeadamente com um número surpreendente de ocasiões para o Gil Vicente poderá ter atenuado a percepção positiva que a exibição portista me parece justificar. É claro que o grau de dificuldade, já de si muito baixo e ainda mais acentuado pela expulsão, não permitem que se possa valorizar muito os índicios positivos deixados, mas não se pode também deixar de assinalar o impressionante volume ofensivo que o Porto conseguiu, nomeadamente acumulando um registo avassalador de ocasiões claras de golo, o mais elevado na prova até agora (repito, segundo os meus critérios de análise), e certamente muito difícil de igualar no que ainda falta jogar. Individualmente, haverá vários nomes a destacar, mas creio que nenhum o justificará tanto como Oliver.
Há duas ideias que gostaria de partilhar, relativamente ao futebol do Porto, e que de resto não são novas. A primeira, relativamente ao papel do pivot na construção, que me continua a parecer demasiado inconsistente e que não só afecta o desenvolvimento ofensivo da equipa como também a própria segurança defensiva, uma vez que as perdas de bola continuam a ser uma das principais causas para os desequilíbrios defensivos consentidos. A segunda, tem a ver com o controlo defensivo, sendo verdade que neste jogo o Gil conseguiu um número relevante de ocasiões claras para marcar, mas sem que isso tivesse correspondido no entanto a uma grande capacidade de estender o jogo até ao último terço portista. Aliás, a equipa continua a parecer-me bastante sólida em organização defensiva, e tenho inclusivamente curiosidade para ver o seu desempenho frente a adversários mais fortes, uma oportunidade que se poderá abrir caso o Porto confirme o seu favoritismo frente ao Basileia e marque presença nos quartos de final da Champions. Teremos, por isso, de esperar até lá, mas na minha leitura as perspectivas são bastante boas.

Penafiel - Benfica
Jesus falou numa nova equipa a ser criada, e de facto o Benfica actual mais se parece com aquele que vemos no inicio das pré temporadas. Pelos jogadores que faltam, pelas dificuldades de rendimento das novas soluções e, já agora, pela forma como as aspirações da equipa permanecem intactas apesar de todos estes problemas. Aqui, parece-me importante contextualizar a análise, nomeadamente no que diz respeito ao grau de dificuldade do adversário. É que poucas ligas têm nesta altura uma discrepância tão grande entre as equipas de topo e fundo da tabela, como acontece em Portugal, e em face disso espera-se que, para se manter na frente até ao fim, seja preciso que o Benfica consiga manter um aproveitamento pontual muito elevado até ao fim. Ora, não é a justiça do triunfo em Penafiel que está em causa, antes sim as dificuldades que o Benfica sentiu para se impor de forma mais clara, e enquanto esteve em igualdade numérica, perante um dos adversários mais débeis da competição. Um registo que, de resto, repete depois do jogo com o Gil Vicente. Se é preciso perder poucos pontos até ao fim, a jogar como vem fazendo, o Benfica pode perdê-los a qualquer momento, e se o cenário actual se parece muito com o de uma pré época, então é bom que rapidamente deixe de parecer, porque o grau de dificuldade irá aumentar já no ciclo de jogos seguinte.
É claro que o Benfica guarda para si ainda alguns trunfos, para além da importante vantagem pontual de 6 pontos. Nomeadamente, a organização defensiva, muito por mérito do seu treinador, e o potencial ofensivo de quem pode ter ao mesmo tempo 4 unidades como Gaitan, Salvio, Lima e Jonas. Mas, para ter uma equipa capaz de lhe oferecer as garantias que precisa, Jesus continua a ter de resolver o problema da sua fase de construção, que não lhe consegue oferecer a fluidez de outros tempos, sendo que hoje o Benfica não consegue sair com a mesma qualidade pelo corredor central (nomeadamente através dos centrais) e não tem por outro lado a dinâmica exterior de outros tempos. Sobre isto, de resto, creio que não ajuda colocar André Almeida como lateral esquerdo quando o corredor central oferece tantas dúvidas, sendo hoje mais necessário recorrer ao papel dos laterais para fazer a equipa chegar até fases mais ofensivas do terreno. É evidente que as recuperações de Fejsa, Amorim e Eliseu poderão ajudar muito a equipa a evoluir neste particular, mas reforço que o Benfica me parece correr muitos riscos caso não melhore, rápida e consideravelmente, o seu rendimento actual.

ler tudo >>

31.12.14

Destaques individuais do campeonato argentino 2014

ver comentários...

Para concluir o ano partilho alguns dados individuais sobre o recente Torneo Transicion argentino, numa análise com contornos e critérios idênticos aos que já apresentara para as duas principais ligas brasileiras. Convém esclarecer, até porque é importante para efeitos de interpretação da análise, que o tempo de observação neste caso é bastante inferior ao que foi considerado para as ligas brasileiras (cerca de metade), o que torna os resultados menos conclusivos e mais susceptíveis a efeitos de aleatoriedade.

A realidade do primeiro escalão argentino actualmente (e o seu formato irá mudar consideravelmente em 2015), e quando comparamos com as principais ligas europeias, é de um grande equilíbrio. Há, nestas listas, alguns nomes improváveis e de muito pouca projecção mediática, mas que ainda assim tiveram um rendimento de grande destaque dentro dos parâmetros da liga, o que os torna particularmente interessantes de seguir. Em particular, destacaria a quantidade de avançados móveis e com boa qualidade que existe actualmente no futebol deste país. Para destacar alguns, começaria por Silvio Romero, um avançado paraguaio, com muito boa qualidade de movimentos, que actuou sobretudo a partir do corredor direito. Depois, Maxi Rodriguez, o conhecido internacional argentino que no Newells desempenhou um papel mais ofensivo, e que terá sido na minha opinião o jogador com mais qualidade neste campeonato. Entre as revelações, destaque para Gustavo Bou e Lucas Albertengo. O primeiro, um avançado de muita potência, que foi dispensado pelo River e que surpreendeu toda a gente pela frequência com que desequilibrou nesta prova. O segundo, um jogador de uma equipa menor (Atl Rafaela), mas que provavelmente rumará a um clube de maior dimensão, dada a qualidade do seu envolvimento, nomeadamente procurando muito a mobilidade pelas alas e espaços interiores. Outros casos interessantes são os dos uruguaios Washington Camacho e Brahian Aleman, ambos médios ala esquerdinos. O caso de Aleman é bastante mais mediatizado, pelos golos que marcou e pela qualidade do seu pé esquerdo, tendo atraído o interesse de vários clubes de maior dimensão. Camacho é um caso mais discreto mas nem por isso menos eficiente, fazendo-se valer de características menos vistosas como a capacidade para aparecer com propósito em zonas de finalização. Nota ainda para os casos dos jogadores mais criativos, Mancuello e Zelarrayan, que também estarão numa fase ascensional da sua carreira e poderão merecer oportunidades noutros patamares.

Entre os guarda redes, a primeira nota vai para o facto de me parecer que a qualidade não é tão grande como no Brasil, relativamente a esta posição específica. Ainda assim, uma nota incontornável para o desempenho extraordinário de Monetti, mais um caso de um jogador muito pouco mediatizado mas cujo rendimento (à luz desta análise, claro) provavelmente justificará uma atenção especial.



ler tudo >>

27.12.14

Destaques individuais do Brasileirão Serie A

ver comentários...

Tal como havia anunciado, deixo aqui os destaques individuais da análise feita para o campeonato brasileiro Série A, depois de já o ter também feito para a Série B. Nos próximos dias, conto também apresentar o mesmo exercício para o campeonato argentino, que também terminou neste mês de Dezembro.

Relativamente aos destaques, e indo para além daquilo que a lista já apresenta, gostaria de fazer dois destaques. Primeiro, os jogadores mais jovens a conseguir entrar nesta lista, começando pelo caso de Gabriel, que é notável dado ter apenas 18 anos, mas também Erik, que para além da juventude conseguiu teve ainda o handicap de ter actuado num clube de menor dimensão, e Luciano, que conseguiu uma notável produção apesar dos poucos minutos a que teve direito. Num outro foco, destacaria os jogadores com mais ocasiões criadas, sendo que no topo dessa lista aparece Everton Ribeiro, figura incontornável do campeão Cruzeiro. Aqui detectar-se-á também alguma diferença do futebol brasileiro para o europeu, já que a generalidade dos jogadores com mais ocasiões criadas são médios criativos e com uma acção móvel, enquanto que na generalidade dos campeonatos europeus, a tendência é para que encontremos extremos a assumir maior protagonismo ao nível das ocasiões criadas.


Talvez a grande surpresa nos destaques entre os guarda redes seja a ausência daquele que é, nos dias que correm, o mais reputado dos candidatos, Jefferson. Na verdade, não há muitos reparos a fazer ao desempenho do actual titular do 'escrete', mas o facto é, que segundo esta análise, haverá outros jogadores com um desempenho bem mais determinante ao longo da época, onde de resto o Botafogo acabou por descer de divisão. De resto, na minha opinião a liga brasileira conta com um número assinalável guarda redes de elevada qualidade.

ler tudo >>

23.12.14

Bruno de Carvalho vs Marco Silva

ver comentários...
O jogo frente ao Nacional
Começando pelo jogo da Choupana, diria que o Sporting fez uma exibição globalmente conseguida, acima até das expectativas, em especial na segunda parte. No primeiro tempo, as dificuldades foram maiores sobretudo pela estratégia do Nacional, que assentava em dois pilares fundamentais. O primeiro, as reposições longas, que tinham Suk como referência para a primeira bola, mas que contavam depois com a verticalidade de Marco Matias e Rondon, quase sempre bem preparados para tirar dividendos imediatos das segundas bolas. O segundo, vinha do momento de transição, onde de novo a verticalidade dos extremos era a consequência prevista para as bolas que o Sporting perdesse nas suas primeiras fases ofensivas. As dificuldades do Sporting resultaram fundamentalmente deste segundo ponto, com a fase de construção a não ter a segurança ideal, sublinhando-se as dificuldades dos médios para se impor a esse nível. No entanto, ofensivamente o Sporting foi sempre perigoso e o golo, que apareceu cedo na segunda parte, mudou boa parte das coordenadas do jogo, nomeadamente forçando o Nacional a assumir mais o jogo, o que contribuiu para um melhor controlo defensivo do Sporting até à expulsão, período onde teve boas condições para conseguir duplicar a vantagem.

Há um último ponto que me merece um comentário, servindo também para entrar na novela que têm protagonizado presidente e treinador do clube. Refiro-me à ideia, deixada por Marco Silva, de que a equipa teria jogado sobre pressão, ficando supostamente afectada por isso. Este é um tema que entra num domínio conjectural e por isso a opinião de cada um valerá apenas isso, mas ainda assim parece-me muito pouco provável que o desempenho dos jogadores fique especialmente afectado por desavenças de terceiros. Se assim fosse, que efeitos devastadores não poderiam ter aspectos que afectassem directamente os jogadores, nomeadamente de ordem pessoal? Enfim, se é indiscutível (e factual) que há aspectos de ordem psicológica que afectam significativamente jogadores e equipas, parece-me abusiva e inverosímil a hipótese de que o  seu rendimento seja assim tão sensível a tudo o que se passa em seu redor.

Bruno de Carvalho vs Marco Silva
Passando então ao choque entre Bruno de Carvalho e Marco Silva, começo por comentar as expectativas do presidente do clube. A minha leitura é que o primeiro erro da gestão do Sporting 14/15 terá passado pelas conclusões retiradas da época anterior, nomeadamente caindo no comum equívoco de estabelecer uma relação linear entre resultados e competências. Este é um ponto sobre o qual escrevi expressamente no final da época passada, já que este era um erro anunciado, pelo menos entre adeptos e generalidade da imprensa. Ou seja, o facto de uma equipa terminar num determinado lugar não significa, ao contrário do que quase sempre se faz crer, que essa equipa seja pior do que todas as que terminaram à sua frente e melhor do que todas as que terminaram atrás de si. O futebol tem uma componente aleatória muito forte e com um peso muito mais largo do que o intervalo que separa o sucesso e insucesso das equipas.

No entanto, à luz deste raciocínio linear, que concluía que o Sporting era a segunda melhor equipa em Portugal, é fácil de perceber as expectativas de Bruno de Carvalho e sua gestão. Mantendo a equipa, o Sporting aspiraria pelo menos a repetir o desempenho do ano anterior, contando ainda com o facto do Benfica ter perdido um número importante de jogadores titulares no defeso, o que aproximaria significativamente o Sporting da ambicionada luta pelo título. Para mais, o Sporting beneficiou ainda com o improvável bónus de poder contar com Nani, numa troca com Rojo que desportivamente foi indiscutivelmente muito favorável ao clube. É fácil, portanto, perceber a insatisfação de Bruno de Carvalho em face das expectativas que, na minha leitura e equivocadamente, poderá ter criado. Mas há mais. É que para além do desempenho pontual abaixo do esperado, o esforço de não vender poderá ter tido custos ainda mais acentuados e que afectam directamente as contas da SAD. É que, de repente, vários jogadores têm tido um rendimento individual muito abaixo do ano anterior, quando a expectativa seria que estivessem numa trajectória ascendente e não descendente. O caso mais claro será o de William Carvalho, o activo mais valioso do clube no Verão, mas com um rendimento muito inferior desde então, o que influenciará certamente o preço que o Sporting poderá vir a pedir por ele, caso necessite de encaixar algum dinheiro num futuro próximo. E aqui é onde penso que poderá fazer mais sentido a insatisfação de Bruno de Carvalho, já que não me parece lógico que aceite de braços cruzados a muito mediatizada teoria de que o Sporting é vitima de uma insuficiência qualitativa no seu sector defensivo, quando apenas saiu um jogador (entretanto muito bem substituído por Paulo Oliveira, note-se) e muitos outros vêm tendo um rendimento individual claramente inferior ao que tinham no passado. E aqui, sem dúvida, tem lógica que as explicações do treinador precedam a requisição de reforços.

Mas, se os desencontros entre treinador e presidente serão normais, o que torna esta situação verdadeiramente sui generis nos tempos actuais é a forma como ela foi passada para a praça pública. Se em termos de conteúdo, o presidente não estará isento de equívocos, terá sido na forma que Bruno de Carvalho mais terá errado neste processo. Ao tornar públicos os seus argumentos, inclusivamente aventurando-se em considerações técnicas que deveriam ultrapassar as suas competências, o presidente passa uma imagem de uma gestão anacrónica e pouco profissional, nomeadamente pela celeridade com que desfez a confiança num treinador com quem apenas há 6 meses havia assinado um contrato de 4 épocas, e pela facilidade com que aparentemente se imiscui nos domínios técnicos da gestão da equipa. Ora, se há 20-30 anos isto era relativamente normal no futebol português, hoje não o é, e mais do grave do que perder o treinador actual é a hipótese de que Bruno de Carvalho tenha denegrido a sua própria imagem enquanto gestor desportivo com esta rábula, nomeadamente servindo de aviso para futuros candidatos ao cargo de treinador principal da equipa do Sporting. Atrair os melhores poderá passar a ser ainda mais difícil para o Sporting, e a não ser que Bruno de Carvalho pense assumir, ele próprio, o cargo de treinador, isso será um problema incontornável tanto para o futuro próximo do Sporting, como para a sua longevidade enquanto presidente do clube.

ler tudo >>

19.12.14

Notas do Benfica-Braga

ver comentários...
Diz o ditado que "com quem ferro mata, com ferro morre!". Em boa verdade será abusivo aplicá-lo aos dois últimos jogos do Benfica, no sentido em que ao contrário do que sugere o ditado não há qualquer nexo de causalidade entre uma partida e outra, mas não se pode deixar de notar a ironia naquilo que foi o contraste entre o curso e o desfecho de ambos os jogos. Isto é, primeiro o Benfica vence um importante jogo beneficiando de um improvável e acentuado desnível de eficácia, e alguns dias depois a equipa torna-se ela própria vitima do mesmo tipo de fatalidade, ficando afastada da taça. Pode parecer uma espécie de justiça poética, mas na realidade não acredito que seja mais do que um capricho da aleatoriedade, e um bom exemplo da influência que esta pode ter no desfecho dos jogos.

No Benfica, e olhando mais para o futuro do que para este jogo, há alguns temas que me parecem importantes de abordar. Primeiro, a consequência da eliminação, que atribui ainda mais peso ao campeonato. Resumidamente, ou a época será um sucesso (porque conquistar o campeonato determina sempre que o seja), ou será um enorme fracasso, com eliminações precoces quer na Europa, quer na Taça. Não haverá meio termo ou atenuante, e o campeonato tudo. Depois, o tema do primeiro médio. É estranho que o Benfica se tenha dado sucessivamente bem com um determinado perfil, desde Javi Garcia até Fejsa, e que de repente tenha apostado tudo em dois jogadores com características muito diferentes para essa posição, Samaris e Cristante. Há um raciocínio que me parece importante e que gostaria de partilhar, e que tem a ver com a ideia da evolução táctica dos jogadores com Jesus. Essa é uma expectativa legítima a ter, já que têm sido vários os exemplos de progressão positiva e rápida nesse sentido. No entanto, não se pode partir do princípio de que isso seja suficiente para que os jogadores tenham um rendimento óptimo no desempenho das suas funções. Concretamente no que respeita aos aspectos defensivos, o posicionamento e trabalho táctico é obviamente fundamental, mas está longe de ser tudo, parecendo-me ser relativamente fácil desconstruir esse sofisma. É que se a noção táctica e posicional fosse tudo para um defensor, então encontraríamos vários candidatos improváveis ao desempenho óptimo dessas funções. Desde jogadores mais veteranos, que têm uma noção posicional mais apurada, até aos próprios treinadores, que devem saber melhor do que ninguém qual o posicionamento a ter em cada situação, já para não falar no crescente conjunto de curiosos que a partir de fora não se cansam de analisar e rectificar minuciosamente o posicionamento de equipas e jogadores. Ora, o problema é que de facto o posicionamento e trabalho táctico, sendo fundamentais para optimizar o rendimento dos jogadores, estão longe de definir em absoluto o seu rendimento defensivo, e no caso do Benfica 14/15 isto tem sido muito claro relativamente aos seus médios mais defensivos. Se estes continuarem a não ter capacidade de intervenção e agressividade para vencer os duelos na sua zona de acção, o trabalho táctico não deixará de continuar a ser importante, mas apenas servirá para atenuar a inevitável permeabilidade da equipa naquela zona.
Depois, para o Benfica abre-se também a incerteza do mercado e a importância decisiva de alguns jogadores. A perda de Salvio, ainda que apenas por tempo determinado, é um primeiro revés, e pode seguir-se também a de Enzo Perez, essa sim definitiva. A propósito disso, gostaria de escrever sobre Joaquin Correa, que foi dado como certo no Benfica até há alguns dias, mas que entretanto foi confirmado na Sampdoria. Conheço razoavelmente o jogador, e tinha uma grande expectativa para o ver evoluir em Portugal e no Benfica. Trata-se de um jogador jovem, com uma capacidade técnica excepcional, que combina com uma maturidade decisional muito acima daquilo que é comum na sua idade. Na Argentina jogava como ala, mas o seu perfil tinha tudo para que pudesse evoluir favoravelmente na posição que hoje é de Enzo Perez no Benfica, já que a sua vocação passa muito mais pelo envolvimento na construção do que na criação de desequilíbrios no último terço (ainda que tenha também essa capacidade). Não posso estar certo do seu impacto, como é evidente, mas é minha convicção de que o seu potencial seria suficiente para vingar no curto prazo no futebol português, e até para chegar rapidamente à selecção argentina, onde não abundam hoje jogadores com o seu perfil. A sua não vinda para o Benfica parece-me ter sido uma perda para todos...

ler tudo >>

AddThis