11.6.14

Antevisão Mundial #16 Costa Rica

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Sistema táctico
5-2-3

Orientações defensivas
Talvez seja o modelo de jogo mais atípico deste Mundial, se atentarmos apenas à sua definição estrutural. A equipa costarriquenha opta pelo reforço da sua linha defensiva, com a inclusão de mais um central. No entanto, há alguns comportamentos que me parecem pouco conseguidos e até incoerentes com este reforço da zona mais recuada. Desde logo, começo pela forma como a equipa pressiona, já que aparentemente o objectivo é subir o bloco para fazer um condicionamento em toda a extensão do terreno. Ora, parece-me que subir o bloco para pressionar e reforçar numericamente a última linha são duas medidas que divergem em termos de consequências práticas. Porque o objectivo é condicionar o adversário em zonas mais adiantadas, e o reforço da última linha vem precisamente retirar presença numérica dessa zona. Depois, igualmente paradoxal é o comportamento da equipa quando defende em zonas mais recuadas. Tem elevada presença na linha defensiva, mas os três elementos da frente raramente se envolvem defensivamente nos últimos 25 metros, logo apesar de ter uma defesa a 5, a Costa Rica acaba por defender com apenas 7 jogadores no seu último terço, menos do que acontece com a generalidade das equipas. Nota ainda para as dificuldades comportamentais dos centrais, que saem muito da sua zona e acabam por abrir espaços que aparentemente não seriam fáceis de explorar numa defesa com 3 centrais. Finalmente, referência positiva para Keylor Navas, que segundo os meus dados (puramente estatísticos) terá sido um dos melhores guarda redes das principais ligas, na temporada que passou.

Orientações ofensivas
O grande potencial da equipa está, claramente, nas suas três unidades mais ofensivas. Os movimentos interiores de Ruiz e Bolaños e a própria mobilidade de Campbell determinam que a equipa, em organização, acabe por procurar mais o corredor central como via de progressão. A verdade, porém, é que a natureza dos jogadores acaba por tornar inevitável que esta seja uma equipa especialmente forte em transição.

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Antevisão Mundial #15 Uruguai

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Sistema táctico
4-4-2

Orientações defensivas
Equipa muito vocacionada para defender em zonas baixas, com um bloco bastante prudente no seu posicionamento, e com boa capacidade de intervenção no espaço defensivo que se propõe proteger. Se se confirmar a dificuldade das equipas mais aventureiras em termos de propensão pressionante, em função das condições atmosféricas, então o Uruguai pode ser uma das selecções mais beneficiadas da prova. O outro lado desta abordagem, claro, é a possibilidade de passar muito tempo sem bola...

Orientações ofensivas
A grande força desta equipa reside na qualidade das suas soluções mais ofensivas, capazes de oferecer um bom aproveitamento, mesmo em jogos de baixo volume ofensivo. Nota para alguma vocação interior dos extremos, com os laterais a projectarem-se mais ofensivamente ao longo da linha. No entanto, e se esta equipa pode ser bastante contundente assim chegue perto da baliza, também deve ser dito que não se identifica grande capacidade criativa para poder face a situações de maior concentração defensiva por parte dos adversários.

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Antevisão Mundial #14 Chile

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Sistema táctico
3-4-3

Orientações defensivas
Não tive muitas oportunidades de ver esta equipa, mas pela curta amostra esta poderá ser das formações com maior risco na sua abordagem táctica. Desde logo, pela acção pressionante, que descreveria como muito agressiva, mas muito impulsiva e nem sempre criteriosa. Depois, talvez o detalhe que mais estragos poderá causar seja o comportamento da linha defensiva que me fez lembrar os anos 80, onde o fora de jogo de posição ainda não existia. Enfim, se a equipa chilena replicar esta abordagem no Mundial, então teremos jogos certamente entretidos…

Orientações ofensivas
O seu sistema táctico quase que implica uma disposição bastante interessante dos jogadores, sendo difícil de contrariar na primeira fase de construção devido à presença de 3 jogadores e fazendo incidir muito a sua progressão pelo corredor central. Aqui, nota para a qualidade de algumas das suas soluções ofensivas (destaque evidente para Alexis Sanchez), que com bastante mobilidade aparecem entrelinhas, para depois tentar criar soluções de rotura a partir desse espaço. E aparentam ter boa capacidade para o fazer!

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Antevisão Mundial #13 Inglaterra

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Sistema táctico
4-2-3-1

Orientações defensivas
Confesso-me mal impressionado com a equipa inglesa (não serei o único, certamente). Defensivamente, o ponto que mais destacaria, e pela negativa, é o comportamento da equipa na primeira fase de pressão, já que não se vislumbra grande agressividade no condicionamento que é feito, sendo que por outro lado a equipa não guarda um posicionamento prudente. Ou seja, parece ser definido um posicionamento para pressionar, mas efectivamente isso acaba por não acontecer, resultando que, com alguma facilidade, a posse contrária entre bloco defensivo, complicando desde logo a eficácia neste momento táctico. Veremos até que ponto isto poderá fazer moça no Mundial.

Orientações ofensivas
Duplo pivot bastante baixo, tentando ser o motor da construção, mas com algumas dificuldades em implementar uma dinâmica realmente forte. No mesmo sentido, há bastante mobilidade nas unidades ofensivas, sendo que no entanto estas não parecem muito vocacionadas para criar em zonas interiores, perante blocos mais densos, o que retira grande parte do potencial a esta ideia de jogo. Dadas as características dos seus jogadores, parece-me que esta equipa inglesa ganharia outra capacidade caso fosse capaz de potenciar situações de transição e ataque rápido, mas pelo que foi visto é muito duvidoso que seja capaz de o fazer.

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Antevisão Mundial #12 Alemanha

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Sistema táctico
4-2-3-1

Orientações defensivas
Dentro das características que lhe são conhecidas de há algum tempo a esta parte, a equipa alemã procura rapidamente ganhar a bola através de um pressing normalmente agressivo sobre a construção adversária. A equipa é bastante competente neste propósito, nomeadamente devido à boa cultura posicional e de interpretação do jogo dos seus jogadores mais ofensivos, que definem bem os tempos e decisões de pressão. Mais atrás, a eficácia defensiva não me parece ser tão boa. Nota para o momento de transição defensiva, que me parece ser o ponto onde existirá mais risco para a equipa germânica, até pelo facto de ser normalmente uma equipa dominadora em termos de presença em posse. O acentuar da tendência para a circulação, no comportamento com bola, vem acrescentar algum risco a este nível.

Orientações ofensivas
O ponto principal a destacar na equipa alemã neste Mundial, e relativamente a outras competições recentes, tem a ver com a ausência de uma referência mais fixa na frente. A primeira implicação negativa, e mais óbvia, tem a ver com a perda de uma solução mais eficaz para as situações de cruzamento, que foram um ponto forte da equipa no passado recente, com Klose ou Gomez. A equipa ganhará, por outro lado, maior capacidade de envolvimento em zonas perto da área, sem dúvida. Pessoalmente, tenho algumas dúvidas que a equipa possa ficar a ganhar com esta nova abordagem, e por 2 motivos: primeiro, porque fica demasiado confinada ao que consegue construir ao longo do corredor central (tanto mais que se prevê a possibilidade de Lahm não actuar como lateral), acrescentando o nível de exigência à capacidade de circulação curta da equipa, que apesar de muito competente me parece ainda distante do patamar apresentado pela Espanha, que obteve grande sucesso dentro destes pressupostos. O segundo motivo, que está ligado com o primeiro, tem a ver com o acentuar do risco de perda em posse, porque a equipa terá forçosamente de ter períodos de posse mais prolongados, sendo que se não for capaz de o fazer com grande eficácia, acabará por se expor a situações de transição com maior frequência. Por exemplo, este foi um ponto que acabou por penalizar a equipa no empate frente aos Camarões. Estes são pontos de interrgação que me parecem fazer sentido nesta altura, sendo igualmente importante notar que, nos jogos de preparação, a equipa foi extremamente bem sucedida no que diz respeito à criação de ocasiões claras de golo, talvez mesmo a selecção com um registo mais expressivo a este nível.

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Antevisão Mundial #11 Bósnia

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Sistema táctico
4-2-3-1

Orientações defensivas
Devo começar por dizer que se tivesse de eleger a equipa que mais me impressionou positivamente nestes jogos de preparação – relativamente às expectativas já existentes, sublinho – essa equipa seria a Bósnia. A sua proposta de jogo implica algum risco táctico, mas no caso da equipa bósnia a qualidade revelada pareceu-me bastante elevada e capaz de interpretar os pressupostos do seu arrojado modelo. Defensivamente, a equipa pressiona em toda a extensão do campo, com destaque para o adiantamento dos extremos, que se aproximam muito da primeira linha de pressão. Aqui, nota também para o papel de Misimovic – um jogador fulcral em toda a dinâmica da equipa – que oscila entre a presença na primeira linha de pressão, junto de Dzeko, ou mais próximo da linha média. A equipa conseguiu um bom condicionamento pressionante dos adversários com quem jogou, mas existe um risco implícito nesta abordagem, e que pode depois conduzir a algum desequilíbrio posicional em zonas mais recuadas, uma vez batida a primeira fase de pressão. Este risco pode ser ainda mais potenciado se esta estratégia for aplicada em condições de temperatura e humidade elevadas, devido ao desgaste que se prevê. Uma nota final para o equilíbrio posicional da equipa, quando em posse de bola, com a linha defensiva muito próxima da linha da bola, o que determina uma grande capacidade de reactividade imediata à perda, mas também um risco elevado no caso dessa primeira reacção ser batida.

Orientações ofensivas
A meu ver, o grande mérito da equipa e a grande melhoria relativamente à equipa que defrontou Portugal há 2 anos, reside nas mudanças encetadas no corredor central, onde está o ponto forte desta versão actual. Pjanic é um jogador de grande qualidade e capacidade para ter bola, e passa agora a integrar o duplo pivot, ao contrário do que sucedia no passado, quando jogava encostado a um corredor. Ao seu lado tem jogado Besic, que vem sendo um parceiro bastante competente do médio da Roma, na dinâmica de circulação baixa (Besic é ainda muito jovem e se a equipa bósnia tiver o realce que penso estar ao seu alcance, pelo menos na primeira fase, então muito provavelmente será dos nomes a ganhar bastante projecção com este Mundial). À sua frente, Misimovic, que tem uma missão nuclear nesta equipa, partindo de posições mais profundas, mas aparecendo invariavelmente na zona da bola, para formar com Besic e Pjanic um trio que tem garantido uma notável capacidade de circulação à equipa – a primeira parte contra o México foi excelente! De referir ainda algumas características do jogo ofensivo bósnio, nomeadamente a projecção em profunidade dos 2 extremos, que faz com que a equipa tenha quase sempre muito boa presença sobre a última linha contrária. Uma situação que poderia retirar alguma presença na zona da bola e debilitar o jogo em apoio, mas que face à qualidade revelada pelo trio acima mencionado, não tem representado qualquer limitação. Enfim, confesso a expectativa para ver esta equipa em acção no Mundial…

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Antevisão Mundial #10 Nigéria

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Sistema táctico
4-2-3-1

Orientações defensivas
Em termos de princípios, não se identifica um grande risco relativamente à postura defensiva nigeriana. A equipa aparenta querer estar compacta e até algo conservadora relativamente à sua zona inicial de pressão. O problema, porém, surge na resposta dinâmica que a equipa vem revelando, nomeadamente com o bloco a parecer facilmente atraível pela circulação contrária, o que conjugado com alguma falta de reactividade, potencia a criação de situações de desequilíbrio e descontrolo defensivo. Pegando neste último ponto, da reactividade defensiva, a confirmar-se a ideia com que fiquei nos jogos de preparação, esta será também uma equipa vulnerável às situações de transição, tanto mais que a segurança em posse não parece ser a melhor para este nível.

Orientações ofensivas
Há vários jogadores com características interessantes nesta equipa nigeriana, mas quase todos com propensão para a velocidade em transporte de bola. Ou seja, em organização será difícil de retirar o melhor dessas características, sendo que em termos de estratégia colectiva, a equipa não parece muito sensível a esta especificidade. De resto, a equipa nigeriana tenta protagonizar um jogo apoiado, com grande protagonismo (a meu ver, excessivo) a ser dado a Mikel, que actua numa posição mais livre relativamente a Onazi. Destaque, no jogador do Chelsea, para o tempo de retenção de bola, frequentemente sem dinâmica, o que proporciona uma oportunidade para a pressão adversária ganhar tempo e espaço defensivo. Nota ainda para o elevado número de jogadores com problemas físicos, nos tempos recentes.

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Antevisão Mundial #9: Equador

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Sistema táctico
4-2-3-1

Orientações defensivas
De acordo com a sua abordagem de baixo risco, a equipa equatoriana defende-se geralmente em zonas muito recuadas, apostando muito na densidade defensiva para conseguir manter o controlo sobre as iniciativas adversárias. Não que a equipa não possa pressionar em zonas mais altas, mas fá-lo apenas circunstancialmente. Esta forma de defender, com bastante densidade e proximidade entre os jogadores acaba por atenuar as dificuldades defensivas que no meu entender existem na generalidade dos seus jogadores. Em particular, a relação intersectorial e o timing de intervenção dos centrais quando são solicitados a fazê-lo fora da sua zona.

Orientações ofensivas
Dentro da sua abordagem de baixo risco, o Equador encara o seu momento de organização ofensiva de forma pouco apoiada, o que reduz a possibilidade de perda de bola em zonas mais baixas, retirando-lhe paralelamente potencial ofensivo. Assim, a alternativa é sair directamente de forma mais longa, através do pontapé do guarda redes, ou fazendo uma ligação directa a partir dos centrais (que abrem muito na circulação baixa), ao longo dos corredores laterais. O próprio posicionamento do duplo pivot na fase de construção, que baixa pouco para criar soluções de passe, sugere que esta forma de jogar é completamente intencional, havendo maior preocupação com o posicionamento para a segunda bola, por parte dos médios. De resto, o Equador tem como ponto forte a velocidade dos seus jogadores mais adiantados, que são incomparavelmente mais perigosos em situações de espaços amplos. Daí que a orientação do modelo de jogo definido, claramente à procura de explorar o momento de transição, vá de encontro aos pontos fortes de unidades como Caicedo, Valencia ou Montero.

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