11.6.14

Antevisão Mundial #12 Alemanha

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Sistema táctico
4-2-3-1

Orientações defensivas
Dentro das características que lhe são conhecidas de há algum tempo a esta parte, a equipa alemã procura rapidamente ganhar a bola através de um pressing normalmente agressivo sobre a construção adversária. A equipa é bastante competente neste propósito, nomeadamente devido à boa cultura posicional e de interpretação do jogo dos seus jogadores mais ofensivos, que definem bem os tempos e decisões de pressão. Mais atrás, a eficácia defensiva não me parece ser tão boa. Nota para o momento de transição defensiva, que me parece ser o ponto onde existirá mais risco para a equipa germânica, até pelo facto de ser normalmente uma equipa dominadora em termos de presença em posse. O acentuar da tendência para a circulação, no comportamento com bola, vem acrescentar algum risco a este nível.

Orientações ofensivas
O ponto principal a destacar na equipa alemã neste Mundial, e relativamente a outras competições recentes, tem a ver com a ausência de uma referência mais fixa na frente. A primeira implicação negativa, e mais óbvia, tem a ver com a perda de uma solução mais eficaz para as situações de cruzamento, que foram um ponto forte da equipa no passado recente, com Klose ou Gomez. A equipa ganhará, por outro lado, maior capacidade de envolvimento em zonas perto da área, sem dúvida. Pessoalmente, tenho algumas dúvidas que a equipa possa ficar a ganhar com esta nova abordagem, e por 2 motivos: primeiro, porque fica demasiado confinada ao que consegue construir ao longo do corredor central (tanto mais que se prevê a possibilidade de Lahm não actuar como lateral), acrescentando o nível de exigência à capacidade de circulação curta da equipa, que apesar de muito competente me parece ainda distante do patamar apresentado pela Espanha, que obteve grande sucesso dentro destes pressupostos. O segundo motivo, que está ligado com o primeiro, tem a ver com o acentuar do risco de perda em posse, porque a equipa terá forçosamente de ter períodos de posse mais prolongados, sendo que se não for capaz de o fazer com grande eficácia, acabará por se expor a situações de transição com maior frequência. Por exemplo, este foi um ponto que acabou por penalizar a equipa no empate frente aos Camarões. Estes são pontos de interrgação que me parecem fazer sentido nesta altura, sendo igualmente importante notar que, nos jogos de preparação, a equipa foi extremamente bem sucedida no que diz respeito à criação de ocasiões claras de golo, talvez mesmo a selecção com um registo mais expressivo a este nível.

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Antevisão Mundial #11 Bósnia

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Sistema táctico
4-2-3-1

Orientações defensivas
Devo começar por dizer que se tivesse de eleger a equipa que mais me impressionou positivamente nestes jogos de preparação – relativamente às expectativas já existentes, sublinho – essa equipa seria a Bósnia. A sua proposta de jogo implica algum risco táctico, mas no caso da equipa bósnia a qualidade revelada pareceu-me bastante elevada e capaz de interpretar os pressupostos do seu arrojado modelo. Defensivamente, a equipa pressiona em toda a extensão do campo, com destaque para o adiantamento dos extremos, que se aproximam muito da primeira linha de pressão. Aqui, nota também para o papel de Misimovic – um jogador fulcral em toda a dinâmica da equipa – que oscila entre a presença na primeira linha de pressão, junto de Dzeko, ou mais próximo da linha média. A equipa conseguiu um bom condicionamento pressionante dos adversários com quem jogou, mas existe um risco implícito nesta abordagem, e que pode depois conduzir a algum desequilíbrio posicional em zonas mais recuadas, uma vez batida a primeira fase de pressão. Este risco pode ser ainda mais potenciado se esta estratégia for aplicada em condições de temperatura e humidade elevadas, devido ao desgaste que se prevê. Uma nota final para o equilíbrio posicional da equipa, quando em posse de bola, com a linha defensiva muito próxima da linha da bola, o que determina uma grande capacidade de reactividade imediata à perda, mas também um risco elevado no caso dessa primeira reacção ser batida.

Orientações ofensivas
A meu ver, o grande mérito da equipa e a grande melhoria relativamente à equipa que defrontou Portugal há 2 anos, reside nas mudanças encetadas no corredor central, onde está o ponto forte desta versão actual. Pjanic é um jogador de grande qualidade e capacidade para ter bola, e passa agora a integrar o duplo pivot, ao contrário do que sucedia no passado, quando jogava encostado a um corredor. Ao seu lado tem jogado Besic, que vem sendo um parceiro bastante competente do médio da Roma, na dinâmica de circulação baixa (Besic é ainda muito jovem e se a equipa bósnia tiver o realce que penso estar ao seu alcance, pelo menos na primeira fase, então muito provavelmente será dos nomes a ganhar bastante projecção com este Mundial). À sua frente, Misimovic, que tem uma missão nuclear nesta equipa, partindo de posições mais profundas, mas aparecendo invariavelmente na zona da bola, para formar com Besic e Pjanic um trio que tem garantido uma notável capacidade de circulação à equipa – a primeira parte contra o México foi excelente! De referir ainda algumas características do jogo ofensivo bósnio, nomeadamente a projecção em profunidade dos 2 extremos, que faz com que a equipa tenha quase sempre muito boa presença sobre a última linha contrária. Uma situação que poderia retirar alguma presença na zona da bola e debilitar o jogo em apoio, mas que face à qualidade revelada pelo trio acima mencionado, não tem representado qualquer limitação. Enfim, confesso a expectativa para ver esta equipa em acção no Mundial…

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Antevisão Mundial #10 Nigéria

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Sistema táctico
4-2-3-1

Orientações defensivas
Em termos de princípios, não se identifica um grande risco relativamente à postura defensiva nigeriana. A equipa aparenta querer estar compacta e até algo conservadora relativamente à sua zona inicial de pressão. O problema, porém, surge na resposta dinâmica que a equipa vem revelando, nomeadamente com o bloco a parecer facilmente atraível pela circulação contrária, o que conjugado com alguma falta de reactividade, potencia a criação de situações de desequilíbrio e descontrolo defensivo. Pegando neste último ponto, da reactividade defensiva, a confirmar-se a ideia com que fiquei nos jogos de preparação, esta será também uma equipa vulnerável às situações de transição, tanto mais que a segurança em posse não parece ser a melhor para este nível.

Orientações ofensivas
Há vários jogadores com características interessantes nesta equipa nigeriana, mas quase todos com propensão para a velocidade em transporte de bola. Ou seja, em organização será difícil de retirar o melhor dessas características, sendo que em termos de estratégia colectiva, a equipa não parece muito sensível a esta especificidade. De resto, a equipa nigeriana tenta protagonizar um jogo apoiado, com grande protagonismo (a meu ver, excessivo) a ser dado a Mikel, que actua numa posição mais livre relativamente a Onazi. Destaque, no jogador do Chelsea, para o tempo de retenção de bola, frequentemente sem dinâmica, o que proporciona uma oportunidade para a pressão adversária ganhar tempo e espaço defensivo. Nota ainda para o elevado número de jogadores com problemas físicos, nos tempos recentes.

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Antevisão Mundial #9: Equador

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Sistema táctico
4-2-3-1

Orientações defensivas
De acordo com a sua abordagem de baixo risco, a equipa equatoriana defende-se geralmente em zonas muito recuadas, apostando muito na densidade defensiva para conseguir manter o controlo sobre as iniciativas adversárias. Não que a equipa não possa pressionar em zonas mais altas, mas fá-lo apenas circunstancialmente. Esta forma de defender, com bastante densidade e proximidade entre os jogadores acaba por atenuar as dificuldades defensivas que no meu entender existem na generalidade dos seus jogadores. Em particular, a relação intersectorial e o timing de intervenção dos centrais quando são solicitados a fazê-lo fora da sua zona.

Orientações ofensivas
Dentro da sua abordagem de baixo risco, o Equador encara o seu momento de organização ofensiva de forma pouco apoiada, o que reduz a possibilidade de perda de bola em zonas mais baixas, retirando-lhe paralelamente potencial ofensivo. Assim, a alternativa é sair directamente de forma mais longa, através do pontapé do guarda redes, ou fazendo uma ligação directa a partir dos centrais (que abrem muito na circulação baixa), ao longo dos corredores laterais. O próprio posicionamento do duplo pivot na fase de construção, que baixa pouco para criar soluções de passe, sugere que esta forma de jogar é completamente intencional, havendo maior preocupação com o posicionamento para a segunda bola, por parte dos médios. De resto, o Equador tem como ponto forte a velocidade dos seus jogadores mais adiantados, que são incomparavelmente mais perigosos em situações de espaços amplos. Daí que a orientação do modelo de jogo definido, claramente à procura de explorar o momento de transição, vá de encontro aos pontos fortes de unidades como Caicedo, Valencia ou Montero.

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Antevisão Mundial #8: México

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Sistema táctico 
5-3-2

Orientações defensivas 
Uma equipa com características muito próprias e pouco comuns no futebol actual. Pode adiantar-se para tentar pressionar em toda a extensão do campo, mas tem muitas dificuldades em fazê-lo com eficácia devido ao facto de não subir o bloco de forma compacta, preferindo manter a linha defensiva sempre muito baixa. Notar, nos 3 médios, o papel mais posicional do elemento central, que raramente se aproxima da primeira linha de pressão, ao contrário dos outros dois. Mais atrás, as implicações da utilização de 5 defesas são, obviamente, a boa presença numérica na zona mais recuada, mas também as dificuldades dos 3 médios para controlar o espaço interior e a largura do terreno, em situações em que a circulação consegue ser mais célere. Em termos de dinâmica, e para responder a esta especificidade, é exigida uma maior capacidade de intervenção dos centrais no espaço à sua frente, havendo muito menos relutância em sair da sua zona para sair em contenção, relativamente ao que acontece em sistemas de 4 defesas. São princípios comportamentais diferentes, que resultam das implicações lógicas do posicionamento base.

Orientações ofensivas 
O primeira implicação do sistema de jogo utilizado, no que respeita à dinâmica ofensiva, é a largura da primeira linha de construção, com bastante protagonismo a ser naturalmente oferecido aos centrais, quase todos eles confiantes na presença com bola. Ainda neste sector, destaque para o papel de Rafa Marquez, tanto na liberdade para se adiantar posicionalmente, como na propensão para tentar passes de maior distância. Depois, o foco da equipa passa muito pelo corredor central, já que apesar da mobilidade dos médios interiores, não se vislumbraram muitas combinações de grande potencial junto das laterais, onde os laterais são sobretudo solicitados após variações de corredor. Na linha da frente, nota para a assimetria nas características dos avançados. Giovani dos Santos tem grande propensão para abrir sobre os corredores (não me pareceu muito bem integrado na dinâmica colectiva), e à sua frente jogará sempre um jogador mais central, havendo a dúvida se Peralta ou Hernandez. Pessoalmente, parece-me que o ‘Chicharito’ acrescenta mais em termos de movimentações de rotura, acreditando ser provável que acabe por ganhar um lugar na equipa. Finalmente, nota para os pontapés de canto, já que o México arrisca mais do que a generalidade das equipas, ao envolver habitualmente 6 jogadores neste tipo de acções, para além do próprio marcador do canto.

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9.6.14

Notas da Selecção #2: Coentrão, Almeida e... Antunes!

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- Relativamente ao jogo com o México, ficam algumas indicações menos positivas, mas que poderão ter a ver com algum défice de preparação específica para este adversário, que tem uma abordagem táctica bastante peculiar. Aqui, destacar as dificuldades portuguesas no ajuste posicional, sendo ineficaz no condicionamento pressionante sobre a construção mexicana (dando-se sempre mal com a presença de 3 unidades na primeira linha), e revelando também alguns problemas em zonas mais recuadas. Como disse, pode ter sobretudo a ver com uma preparação especifica menos cuidada, em face da menor importância do resultado... esperemos que assim seja!

- No capítulo das opções individuais, a baliza começa a constituir-se como uma surpresa possível nas opções de Paulo Bento. Pessoalmente, e como quase todos, estranho esta aposta repentina em Eduardo, tendo eu discordado inclusivamente da sua convocatória, e discordando ainda mais se a decisão tiver por base elementos de 1 ou 2 jogos de preparação, que me parecem sempre demasiado influenciáveis por factores aleatórios. Noutras posições, Veloso parece confirmar ascendente sobre William, e Eder sobre a restante concorrência.

- O ponto mais interessante, porém, resulta da utilização de Coentrão como médio interior esquerdo. À primeira vista, e salvaguardando aqui que poucas foram as vezes que o vi actuar nesta posição, parece-me ser a alternativa mais forte a Meireles, e até eventualmente capaz de oferecer mais do que o próprio médio do Fenerbahce, nesta altura. Portugal tem uma dinâmica ofensiva muito dependente do que consegue extrair das combinações sobre os corredores laterais, nomeadamente com o envolvimento de médios interiores. Aqui, as características de Coentrão encaixam na perfeição neste perfil, tanto mais que com a propensão interior de Ronaldo é o próprio médio a oferecer largura à esquerda, como tantas vezes se viu Meireles fazer. O problema, porém, é... André Almeida. A sua falta de vocação ofensiva, especialmente à esquerda, tornam-no num candidato de perfil completamente desajustado para esta função e nesta equipa. Portugal precisa de um lateral capaz de oferecer profundidade nas suas acções sobre o corredor, e certamente que essa não é uma competência que poderá esperar do polivalente jogador do Benfica. Posso obviamente estar errado, mas não creio que Paulo Bento tenha um entendimento muito diferente desta situação, e arriscaria que a opção por Coentrão como médio não foi equacionada antes desta fase preparatória, caso contrário a convocatória seria outra. Aliás, suspeito que se tivesse essa oportunidade, hoje Paulo Bento de trocaria praticamente qualquer dos seus não-titulares pela presença de Antunes no grupo dos 23.

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7.6.14

Antevisão Mundial #7: Irão

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Sistema táctico
4-2-3-1

Orientações defensivas
Se tivesse de eleger uma equipa com maior aversão ao risco na definição do seu modelo de jogo, dentro de todas as selecções que vão estar presentes no Mundial, escolheria o Irão. Sem bola, a equipa baixa muito as suas linhas, não se expondo na profundidade, e tentando fazer uma boa ocupação dos espaços, sempre muito com recurso à densidade de jogadores. Ainda assim, são identificáveis algumas dificuldades no ajustamento posicional, especialmente quando as jogadas ganham mais velocidade, causando incerteza no posicionamento de alguns jogadores, com destaque para os que têm menor vocação defensiva, como é o caso dos extremos.

Orientações ofensivas
Dentro do perfil de risco mínimo do modelo de Queiroz, o Irão facilmente recorre ao jogo directo para a construção das suas jogadas, o que lhe retira potencial ofensivo, obviamente, mas que lhe reduz também o risco de exposição a partir de erros cometidos na fase de construção. Parece haver alguma capacidade técnica em determinados jogadores, em quem certamente apostará tudo para conseguir chegar a jogadas de maior potencial ofensivo. Nos jogos que observei, destacaria Shojaei, Dejagah e Ghoochannejhad, sendo que estes dois últimos são as grandes referências para o momento de transição (que, note-se, também não é fácil de explorar devido ao facto da equipa recuperar a bola invariavelmente em zonas muito recuadas). Em suma, Queiroz escolheu uma abordagem muito conservadora, mas que no fundo até acaba por ir ao encontro daquilo que seria o destino quase fatal da equipa nesta competição, onde certamente passará bem mais tempo sem bola do que com ela.

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Antevisão Mundial #6: Grécia

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Sistema táctico
4-1-4-1

Orientações defensivas
Na minha leitura, grande parte da boa eficácia defensiva da Grécia resulta do bom condicionamento que a equipa faz do corredor central, em particular pela acção defensiva dos dois médios interiores. Numa primeira fase, aproximam-se bastante do avançado, baixando depois para manter uma grande densidade na frente da linha defensiva. Para isto, é importante o facto da Grécia não fazer um pressing muito alto, o que permite que os médios sejam capazes de fazer este ajustamento. De resto, de sublinhar o equilíbrio posicional em organização ofensiva, o que permite à equipa reduzir o risco de exposição no momento de transição defensiva.

Orientações ofensivas
Apesar do risco do modelo ser muito baixo, a Grécia parece procurar normalmente sair a jogar em apoio, sem que isso implique porém que a equipa coloque em causa a sua prioridade, que é a segurança. Em termos de potencial técnico, é uma equipa mediana, para o nível do Mundial, pelo que não será com certeza nos jogos da Grécia que veremos uma grande riqueza na elaboração de jogadas colectivas. As aspirações da equipa estão fundamentalmente reservadas para jogadas de maior simplicidade, com destaque para a propensão dos extremos em procurar diagonais de rotura, nas costas da defensiva contrária.

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