15.4.14

Desequilibradores portugueses na Liga 13/14

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Em ano de Mundial, é normal que se olhe mais às soluções nacionais a jogar no campeonato. No caso do actual momento da Selecção, o exercício tornar-se-ia ainda mais pertinente, tanto devido aos problemas físicos de vários dos jogadores que à partida seriam convocáveis, como à necessidade de encontrar novos valores que no médio prazo possam substituir as principais figuras do actual elenco. Acima, utilizei o tempo verbal "tornar-se-ia", porque a principal conclusão desta análise é, precisamente, que há muito poucas soluções a emergir da principal competição interna. Indo mais concretamente ao exercício proposto, seleccionei os 5 jogadores portugueses de posições mais ofensivas com mais presença ocasiões de golo das respectivas equipas.

Extremos/Alas: Comparativamente com as restantes posições analisadas, é aqui que existe mais aposta em jogadores portugueses, numa posição onde o futebol português é tradicionalmente forte e terá também mais qualidade para oferecer aos seus clubes. No topo surge sem surpresa Varela, que a meu ver continuará a ser a solução mais evidente para a Selecção. Segue-se Rafa, uma das grandes novidades do campeonato, e um dos poucos casos onde se pode perspectivar a possibilidade de um grande futuro. Neste top5, o caso a suscitar maior discussão relativamente a uma inclusão na Selecção será o de Bebé. O seu aproveitamento concretizador recente tem sido muito bom, sendo um jogador ainda jovem e com uma capacidade individual assinalável. Bebé tem a vantagem de poder jogar como extremo ou avançado mais móvel (onde tem, inclusivamente, actuado), mas tem também a enorme desvantagem das suas características serem demasiadamente centradas em acções individuais, o que dificulta a sua inserção num modelo de jogo para competir num patamar qualitativo superior, e onde a capacidade de desequilíbrio individual não fará tanta diferença. Um problema muito semelhante ao de outro extremo que não está presente nesta lista por ter entrado nas contas do campeonato apenas em Janeiro, Ricardo Quaresma. São dois casos que suscitarão grande reconhecimento mediático (sobretudo Quaresma, claro) pela visibilidade das suas principais jogadas, o que levará muita gente a sugerir a sua presença no Brasil.

Avançados: É quase assustadora a falta de aposta em jogadores portugueses para esta posição, sendo que os poucos que têm merecido essa oportunidade têm estado muito longe de se exibirem ao nível que a Selecção exige. Os casos de Eder e Edinho, ambos no Braga, serão aqueles que mais probabilidade terão de estar no Mundial. Edinho é o caso mais interessante, porque conseguiu muitas ocasiões no pouco tempo que lhe foi dado, mas não teve felicidade na concretização, o que valeu a sua dispensa. A meu ver, uma gestão equivocada por parte do clube minhoto e que mais uma evidencia como a eficácia no curto prazo continua a ser francamente sobrestimada no futebol, com Edinho a rumar à Turquia e a viver um período completamente oposto àquele que viveu em Braga. Também no Braga, Eder vinha sendo uma presença mais normal nos eleitos de Paulo Bento antes das lesões que o afectaram. É um jogador de perfil completamente diferente do de Edinho, menos forte na área (e a meu ver com muitas dificuldades em duelos mais físicos), mas com bons movimentos para fora da zona de finalização. O facto é que o rendimento de Eder, mesmo considerando o tempo jogado, foi bastante modesto, destacando-se mais pela capacidade de proporcionar lances de finalização a outros jogadores do que propriamente a chamar a si muitas ocasiões de golo, o que vai de encontro às características que lhe identifiquei. Referência ainda para Tomané, uma das boas revelações do campeonato.

Médios interiores: Esta é outra posição onde não abundam soluções para Paulo Bento. Aqui, porém, há alguns candidatos a emergir do campeonato português, embora me pareça discutível até que ponto oferecerão garantias para a actual exigência da Selecção, numa posição que é nuclear e muito exigente. A especificidade de cada caso, nesta posição, é também maior. Por exemplo, Miguel Rosa e Josué jogaram também como extremos, e André Martins actua também ele numa posição mais ofensiva do que Adrien, o que influencia a probabilidade de cada um destes jogadores conseguirem ser protagonistas nas principais jogadas de golo das respectivas equipas. Aqui, pessoalmente, parece-me que o Josué será o jogador com mais para oferecer à Selecção, tendo mais capacidade criativa do que Adrien e André Martins, por exemplo, e sendo um jogador com boa capacidade de trabalho. Ainda assim, parece-me que precisará ainda de alguma evolução, nomeadamente na capacidade para ter bola no corredor central, mas tem idade e margem de progressão para justificar essa aposta. Adrien, que tem sido o caso mais contestado pela ausência das contas do seleccionador, tem feito uma época muito sólida em termos defensivos, mas sem grande complemento em termos de capacidade de afirmação com bola, o que se reflecte no baixo número de ocasiões criadas em jogo corrido, apesar do elevado número de minutos jogados. O mesmo poder-se-á dizer de André Martins, que tem tido uma época a meu ver algo agridoce, por um lado acumulando muitos minutos de jogo, mas por outro actuando numa posição que não parece ser a ideal para as suas características (e que não existe no actual modelo da Selecção, já agora). No topo desta lista surge Miguel Rosa, a fazer uma temporada notável se considerarmos todas as condicionantes, o que vem evidenciar o potencial do jogador e a péssima gestão que fez da sua carreira, prestando provas no principal campeonato apenas aos 25 anos. Fora desta lista (ainda que não por muito), há ainda o caso de Ruben Micael, com uma época de muitas lesões, poucos minutos e também sem a preponderância que dele se esperava.

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14.4.14

Jogo Directo na Rádio Nova ("A bola é nossa")

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Para quem estiver interessado em ouvir, pode fazê-lo aqui:

O meu agradecimento em particular ao Ivo Costa pelo interesse e destaque.

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12.4.14

Sevilha - Porto: Estatística e opinião

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Já com alguns dias de atraso - não me foi possível fazê-lo mais cedo - deixo alguns pontos de opinião e a análise estatística ao jogo de Sevilha, que determinou a eliminação portista da Liga Europa.

- Na sequência do jogo da 2ª mão da eliminatória com o Nápoles havia escrito sobre a importância da eficácia no apuramento da equipa, numa exibição que facilmente poderia ter culminado num desfecho radicalmente diferente. Desta vez, em Sevilha, a equipa viu o capricho da eficácia vestir as cores do seu adversário, e mesmo estando longe de ter tido o volume ofensivo do Nápoles naquela ocasião, o Sevilha conseguiu fazer o que os italianos já haviam ameaçado: não só colocar o Porto fora das contas europeias, mas fazê-lo com um resultado volumoso.

- Na verdade, e mantendo-me dentro deste registo comparativo com o jogo de Nápoles, creio até que o Porto seja hoje uma equipa com menos fragilidades do que era nessa altura. Nomeadamente, a equipa parece hoje menos vulnerável no controlo das costas da sua defesa, relativamente ao que acontecia há umas semanas a esta parte. Mas há outros aspectos na ideia de jogo portista que continuam a ter uma eficácia bastante questionável, com especial evidência para o risco em posse, na primeira fase de construção. A equipa tenta forçar a saída, quase a todo custo, em apoio a partir de trás, mas frequentemente não se revela capaz de apresentar soluções para as dificuldades que o pressing contrário coloca, assumindo um nível de risco nada aconselhável, o que resulta na sucessão de sobressaltos a que todos podemos assistir. Há, aqui, um aspecto que acrescenta algum interesse - pelo menos, para mim - a este problema, e que tem a ver com o efeito aparente do factor casa, com claro prejuízo para o desempenho em jogos fora de portas, onde a equipa tem sentido muito mais problemas neste particular. É claro que poderá haver aqui diversas explicações para esta diferença de desempenho, desde a tradicional aleatoriedade do jogo, à própria diferença de postura dos adversários quando jogam no seu reduto. Seja como for, é mais um alerta a ter e conta, e um que terá novo teste naquele que se configura agora no grande desafio da equipa para o pouco que já resta da temporada: a 2ª mão da meia-final da Taça, a jogar no estádio da Luz.

- Ainda do ponto de vista das opções colectivas, parece-me interessante explorar a estratégia da equipa enquanto em vantagem numérica, condição de que usufruiu durante um dilatado período de tempo, mas da qual não foi capaz de retirar partido, criando muito poucas ocasiões de golo. Parecem-me questionáveis as alterações feitas na equipa, que incidiram no reforço da criatividade individual a partir de zonas exteriores e negligenciaram por completo a possibilidade de aumentar a presença na área. Por exemplo, não creio que ofensivamente a equipa tivesse ganho muito em retirar Danilo para ter Ricardo como lateral-direito, deixando no banco Licá, que na ausência de Jackson era o recurso mais óbvio para acrescentar presença junto de Ghilas. O Porto tentou forçar a criação de espaços numa zona muito densa, e abdicou por completo de cruzar. Mais uma vez, e tal como no capítulo da construção, a equipa pareceu querer agarrar-se à ideologia de evitar a todo custo uma abordagem mais directa, mas também aqui não revelou qualquer eficácia no caminho alternativo. O resultado foi que, em vez de cruzar, o Porto acabou a tentar sucessivas finalizações exteriores, também elas de probabilidade de sucesso muito reduzida (isto, apesar do golo ter acontecido precisamente por essa via).

- Passsando para o domínio das prestações individuais, o caso mais interessante é, de novo, Quaresma. É curioso como as suas exibições são tão idênticas e pouco dependentes do desempenho colectivo. Quaresma cria invariavelmente ocasiões de golo, sendo regularmente bem sucedido no objectivo de marcar ou assistir, e fazendo-o frequentemente através de lances de grande grau de dificuldade, o que lhe acrescenta uma boa dose de mérito, concordo, mas não numa dimensão proporcional ao impacto mediático que essas acções lhe conferem. Negar o valor dessa capacidade é, do meu ponto de vista, tão injusto como ignorar a quase nulidade do seu contributo em tudo o resto. Quer ao nível das suas decisões em situações menos favoráveis para o desequilíbrio individual, quer ao nível do desempenho defensivo. Já seria muito difícil encontrar jogadores com características tão extraordinárias, quer num sentido quer noutro, mas no caso de Quaresma todo este contraste fica reunido num só jogador, o que faz dele um caso quase único. E daí que não surpreenda toda a pluridade de opiniões sobre o jogador.

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10.4.14

Champions, quartos-de-final (IV)

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Atl.Madrid - Barcelona
No seu mais recente livro, Malcolm Gladwell oferece uma perspectiva diferente ao episódio bíblico do combate entre David e Golias. A ideia é que, embora de uma perspectiva simplista o duelo pareça profundamente desigual tal a desproporcionalidade de forças entre os dois intervenientes, um olhar mais atento aos pormenores de cada um competidores pode oferecer uma explicação bem mais lógica para o surpreendente desenlace final. Aliás, torna-o até bastante previsível, segundo o autor. Ora, recorrendo a esta analogia, eu não irei ao exagero de afirmar que era previsível que o Atlético eliminasse o Barcelona (até porque estaria a contradizer-me, relativamente a outros escritos recentes). O Barça era o favorito, e sê-lo-ia de novo se a eliminatória se voltasse jogar agora. O ponto aqui, porém, é que se este poderia ser um desfecho inimaginável se comparássemos, apenas e linearmente, o potencial de cada uma das equipas, certamente que o deixaria de ser quando consideramos a qualidade colectiva que o Atlético há muito revela. Aliás, na primeira vez que escrevi sobre a equipa de Simeone, em outubro passado, já a havia projectado como uma das 5 melhores do futebol europeu, pelo que, para mim como para muitos outros, existirá alguma previsibilidade por detrás desta surpresa.

Como se não bastasse a qualidade do Atlético, creio que há aqui alguma felicidade no ajustamento específico às características do Barcelona. Em particular, o Atlético é especialmente forte no controlo dos espaços interiores, que é precisamente o foco de todo jogo do catalão. A maior vulnerabilidade da equipa de Simeone, aliás, esteve sempre nos cruzamentos, onde o Barça não é tão forte, mas sendo um ponto onde os 'colchoneros' poderão encontrar outras dificuldades se enfrentarem equipas como o Real Madrid ou Bayern. A este respeito, queria abordar o papel dos alas do Atlético, que me parece ser dos pontos mais interessantes do ponto de vista táctico, tanto ofensivamente como defensivamente. Ao contrário da generalidade das equipas que defendem neste sistema (4-4-2), o Atlético apela a que a referência posicional dos seus alas seja o médio interior mais próximo, fechando nas suas costas ao invés de se manter aberto e em função da projecção ofensiva laterais contrários. Este parece-me um aspecto decisivo para que a equipa mantenha a capacidade de controlo de espaços interiores, jogando apenas com 2 médios no corredor central. Por outro lado, é também esse pormenor que faz com que exista frequentemente espaço para cruzar quando a bola circula à largura e encontra o ala a fechar por dentro. São opções, mas pessoalmente parece-me bem mais razoável tentar controlar um cruzamento largo do que correr o risco de exposição no corredor central. Ofensivamente, os alas também se apresentam por dentro, residindo neste comportamento um factor essencial para que o Atlético consiga ter quase sempre boa presença numérica na zona da bola. A largura é oferecida pelos laterais, frequentemente projectados ofensivamente, com o papel de equilíbrio posicional a depender muito dos médios interiores e, claro, dos centrais. Finalmente, e no que respeita ao Atlético, comentar o paradoxo a que assistimos em quase todas as transmissões da equipa, com os comentadores, ora a sublinhar o pressing sufocante que a equipa faz a todo o campo, ora a questionarem-se se não estaremos perante um "autocarro" defensivo, tal a profundidade e densidade numérica que a equipa apresenta em certos momentos. Se estivermos distraídos, poderemos até pensar que não se está a falar da mesma equipa. Evito, propositadamente, usar o termo "inteligência" nos meus comentários, porque me parece que se tornou moda fazê-lo para falar de futebol, o que acaba por vulgarizar e esvaziar grande parte do valor que o adjectivo deveria ter. Ainda assim, inteligência, para mim, é isto: ser capaz de reconhecer e reagir de forma adequada a diferentes contextos. As ideias e os comportamentos até podem ter sentido e algum interesse, mas se forem aplicados de forma repetitiva, dogmática e sem ter em conta o contexto, na minha interpretação, não têm absolutamente nada de inteligente. Muito do carácter excepcional do sucesso deste Atlético deve-se a esta inteligência colectiva, que é rara, mas que pode ser encontrada, ainda que de formas diferentes, em conjuntos como o Chelsea ou o Bayern. E daí o meu apreço especial por qualquer destas 3 equipas ainda em prova.

Quanto ao Barça, não retiro nada do que escrevi sobre o potencial individual desta equipa, para mim sem paralelo. Neste sentido, é impossível não ficar um sentimento de perda quando a competição perde, de uma assentada e com a eliminação de uma só equipa, tantos jogadores extraordinários, mas essa é uma consequência da natureza e do formato da prova. Aliás, e sem por em causa todo o mérito que o Atlético teve, ninguém estranharia se o Barça tivesse conseguido outro desfecho com um pouco mais de felicidade do seu lado. Interessante abordar a prestação de Messi nesta eliminatória, que praticamente só conseguiu desequilibrar em situações de finalização e dentro da área. Podemos especular sobre as razões do eclipse do astro argentino num período tão dilatado como 180 minutos de jogo, falando do momento físico ou psicológico do jogador. Pessoalmente, e não terei todas as certezas comigo, fica-me a convicção de que o problema tem muito mais a ver com o comportamento táctico do Atlético e com a competência com que a equipa de Simeone consegue controlar os espaços interiores, por onde Messi aparece preferencialmente. Messi é o jogador de maior rendimento no mundo - e muito possivelmente na história do jogo - nos últimos anos, mas para isso contribuiu também decisivamente a qualidade colectiva da equipa onde joga, e que nos dias de hoje não é a mesma. Mais uma vez, parece-me decisivo abordar o contexto para abordar a questão.

Bayern - Man United
Tenho de começar por sublinhar algum desapontamento pela prestação do Bayern na eliminatória. Já o havia escrito na primeira mão e o sentimento é o mesmo: não se trata de justiça ou injustiça no apuramento, mas de um nível de expectativas que é muito elevado e que, no meu caso, não foi completamente correspondido pelas exibições bávaras.

Se defensivamente, não haverá equipa que me desperte mais interesse do que o Atlético, na vertente ofensiva, Guardiola permanece sem paralelo na alta roda do futebol mundial. Nos últimos jogos, comentei aqui sobre o papel interior dos extremos, o foco no espaço entrelinhas, e na projecção ofensiva dos laterais, responsáveis por oferecer largura à equipa. Desta vez, e como se fosse a coisa mais normal do mundo, o Bayern inverteu tudo. Os extremos colados à linha, laterais interiores e mais posicionais, quase como médios interiores quando a equipa tinha a bola. Depois, nuns jogos alinha com um falso 9, sem qualquer apelo à construção longa ou jogo aéreo, e noutros lança Mandzukic para pedir à equipa um tipo de abordagem completamente diferente. Nem nos seus tempos do Barça me lembro de ter assistido a tanta versatilidade táctica por parte de Guardiola, o que torna este Bayern num enigma táctico para qualquer adversário, que pode passar uma semana inteira a preparar-se para um determinado cenário para depois chegar ao jogo e encontrar uma realidade completamente oposta àquela para que se preparou. Aqui, convém realçar dois pontos: o primeiro, é que só é possível fazer isto com um plantel com a qualidade que tem o Bayern, já que não é fácil pedir aos jogadores comportamentos completamente distintos, de um jogo para o outro, e não perspectivar simultaneamente uma perda significativa de eficácia no desempenho; a segunda, é que em qualquer das duas mãos a capacidade de desequilíbrio do Bayern foi inferior àquilo que o seu domínio territorial faria supor, o que abriu inclusivamente uma margem real de possibilidades - ainda que não muito grandes, é verdade - para que o United pudesse provocar a surpresa. A ideia desta vez terá sido potenciar as características dos extremos - Ribery e Robben - nomeadamente nos duelos individuais nos corredores laterais, tendo depois Mandzukic como referência na área, mas também os movimentos de rotura de Gotze e Muller. O posicionamento dos laterais, muito interiores, poderia atrair os alas do United para o corredor central, inviabilizando a sua chegada a tempo de efectuar a cobertura aos laterais, isolando-os no tal duelo individual em que Ribery e Robben são fortíssimos. Esta, pelo menos, foi a minha leitura da estratégia apresentada por Guardiola. Os resultados são contrastantes: por um lado, nem sempre foi fácil potenciar os tais duelos individuais dos extremos - por mérito do United - o que resultou na tal capacidade de desequilíbrio relativamente baixa; por outro, objectivamente foi pela acção dos seus extremos que o Bayern conseguiu os 3 golos que definiram o jogo e a eliminatória.

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9.4.14

Champions, quartos-de-final (III)

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Chelsea - Paris SG
Mourinho e o Chelsea conseguiram resgatar a difícil reviravolta, mantendo viva a esperança de uma grande época para o Chelsea. O mais provável continua a ser que os 'blues' acabem 2013/14 de mãos vazias, mas o facto é que continuam com possibilidades reais de conquistar os dois mais apetecíveis troféus ao seu dispor. E isso, só por si, já deve ser visto como um pequeno feito. Quanto ao PSG, mais uma vez foi eliminado pela regra dos golos fora, ficando perto das meias-finais, é certo, mas novamente longe do feito europeu tão ambicionado. Para o futebol francês, as competições europeias - Champions, em particular - continuam a ser uma espécie de adamastor futebolístico, e não foi ainda desta vez que as tormentas se transformaram em boa esperança.

Relativamente aos pontos de interesse que havia levantado na semana passada a respeito deste jogo, há vários aspectos a sublinhar. Primeiro, a forma como o Chelsea abordou estrategicamente o jogo. Havia a hipótese de Mourinho arriscar mais de início, nomeadamente na presença pressionante perante a circulação baixa do PSG. A verdade é que o Chelsea se apresentou da mesma forma que habitualmente faz, ou seja, oferecendo prioridade máxima ao posicionamento e aos espaços esseciais e não se precipitando nas acções pressionantes. A ideia era esperar, pacientemente, pelas oportunidades que o jogo lhe fosse oferecendo, correndo o risco de que isso não fosse suficiente para a desvantagem com que partia, mas evitando também que o PSG pudesse tirar partido do espaço para sentenciar a eliminatória. É verdade que o Chelsea apenas chegou ao resultado que queria já muito perto do final, e numa altura em que a sua postura no jogo era já completamente diferente, mas também me parece claro que esta abordagem mais prudente acabou por se revelar bastante acertada. Primeiro, porque o PSG pareceu sempre acreditar que teria no relógio um aliado incondicional, acabando por revelar muito pouco arrojo ofensivo, apesar de ter tido tempo de posse de bola para o fazer. Depois, porque o próprio Chelsea conseguiu a eficácia necessária nos momentos certos, sendo verdade que enviou 2 bolas ao poste, mas também parecendo claro que qualquer dos seus golos aconteceu no tempo certo (o primeiro a relançar a crença, e o segundo a dar muito pouca margem de reacção ao PSG) e em alturas em que o PSG parecia relativamente confortável em termos defensivos. Nesta, como em quase todas as histórias deste género, a eficácia foi um elemento decisivo.

Do ponto de vista do PSG, é interessante notar a ironia da equipa ter iniciado o jogo com 3 unidades muito fortes para o aproveitamento da profundidade, mas ter passado a generalidade do jogo com essa oportunidade castrada pela postura do Chelsea. Mais tarde - e a ironia dá-se aqui - Blanc trocou Lavezzi por Pastore, invertendo as características dos protagonistas mas em sentido contrário daquilo que o jogo estava a pedir. No que respeita a características e individualidades, de resto, nenhuma ausência terá pesado tanto como a de Ibrahimovic, em especial num jogo que acabou por ter um Chelsea mais fechado do que inicialmente se poderia supor.

Dortumund - Real Madrid 
Se na semana passada escrevia sobre o desapontamento da exibição do Borussia, hoje tenho de manifestar o completo contraste em relação a esse sentimento. De facto, foi muito bom o jogo do Dortmund, que só por manifesto desacerto no último toque (holófotes sobre Mkhitaryan, neste particular) não foi mais além nesta sua tentativa de desafiar o impossível.

Na equipa de Klopp, o meu destaque vai para a forma como a equipa pressionou o Real, conseguindo a difícil tarefa - onde, por exemplo, o Schalke falhou redondamente - de provocar o erro na construção do Real sem que isso implicasse grande exposição para o seu sector mais recuado. Em particular, sublinharia o papel da primeira linha de pressão, formada por Lewandowski e Reus, que foi capaz de condicionar muito bem o espaço e as linhas de passe, criando condições favoráveis para que todo o bloco subisse e pressionasse. Como quase sempre acontece, a eficácia neste aspecto não surgiu de uma pressão impulsiva e sem critério, mas antes de uma boa preparação e identificação dos momentos de pressão. Aqui, Reus merece-me ainda maior destaque, porque mesmo quando a bola ultrapassava a primeira fase de pressão, o seu papel continuou a ser determinante, baixando com muito propósito para uma linha entre Lewandowski e os médios, e conseguindo ter uma acção inibidora sobre a circulação exterior do Real. Frequentemente tende-se a valorizar apenas agressividade como factor determinante na capacidade pressionante dos jogadores, mas na minha visão, a eficiência neste particular depende também muito da capacidade de leitura do jogo dos jogadores, e é por isso que jogadores como Lucho ou Aimar - só para falar de exemplos do futebol português - foram também dos jogadores que mais utilidade criavam para a acção pressionante das suas equipas.

Do lado do Real, o ponto que me parece mais preocupante - por ser uma constatação que se repete, nomeadamente do jogo frente ao Barça - é a aparente má preparação específica para o desafio que a equipa tinha pela frente. Em particular, era previsível que o Dortmund surgisse no jogo a pressionar a todo o campo, sendo perfeitamente conhecida a forma como o faz. Ainda assim, o Real acabou aparentemente surpreendido por esta especificidade do seu adversário, acumulando uma série de erros comprometedores na primeira parte. Depois do intervalo, é verdade que corrigiu o risco da sua circulação baixa, nomeadamente fazendo melhor uso da largura com a presença de Isco, mas também se tornaram mais evidentes os problemas de controlo sobre a organização ofensiva do Dortmund, com a linha média a sentir muitos problemas em controlar o elevado número de jogadores que os alemães colocavam à frente da linha da bola. Mais uma vez, esta era uma situação previsível, mas nem por isso a linha média do Real se mostrou especialmente precavida (isto, note-se, apesar dos médios interiores terem permanecido mais posicionais do que é hábito). É verdade que o Real foi quem teve a primeira e as últimas ocasiões do jogo, e que um golo bastaria para reduzir a missão do Dortumund a um domínio utópico, mas o que se passou entre esses dois momentos foi também suficiente para que a vantagem da primeira mão se tivesse esfumado por completo. E isso é certamente muito pouco para aquelas que eram as expectativas da equipa.

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7.4.14

O melhor da Liga 13/14? (5 candidatos)

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Jackson - Pode ter sido um Porto muito distante do rendimento dos últimos anos, mas certamente que não foi por causa do seu avançado que tal sucedeu. Por entre a tempestade dos resultados colectivos, Jackson manteve-se - com grande distância - como o jogador com maior participação directa em ocasiões de golo no campeonato, marcando 17 dos 40 golos que a equipa conseguiu sem recurso à marca dos 11 metros. É fácil de perceber este protagonismo decisivo do avançado colombiano, sendo um jogador muito forte em praticamente todas as situações de jogo, tanto ao nível das combinações pelo corredor central, como na resposta a cruzamentos, onde foi inclusivamente uma figura também ao nível das bolas paradas.

Rodrigo - Demorou algum tempo a conseguir espaço na equipa titular, tendo sido penalizado por alguma infelicidade no capítulo da finalização, nas primeiras aparições que teve. Por outro lado, pouca gente acreditava em Rodrigo num papel mais móvel. A verdade é que o avançado espanhol acabou mesmo por confirmar a ideia que deixei aqui há uns meses, provando a todos a sua enorme utilidade nessa função, e superando mesmo as melhores expectativas ao tornar-se na unidade com maior presença em ocasiões e golos da equipa. Aliás, se em termos absolutos Jackson é líder sem discussão, quando consideramos o tempo de utilização, Rodrigo rivaliza com o colombiano tanto ao nível de ocasiões, como na participação directa em golos, num registo fantástico e que diz bem da preponderância do jogador no sucesso colectivo que da sua equipa.

Gaitan - Não pode rivalizar com Jackson e Rodrigo no que respeita à participação directa em golos, mas Gaitan não actua em zonas tão próximas da baliza e pode argumentar-se que teve também um desempenho muito bom para um jogador a quem se pede outra envolvência em todas as fases do jogo. Gaitan será o jogador com maior capacidade criativa no campeonato, o que se reflecte sobretudo no elevado número de ocasiões criadas, mas a sua importância só pode realmente ser percebida quando se considera a sua prestação em todos os momentos tácticos do jogo. Aqui, saliência para o papel defensivo, onde consegue emprestar à equipa muito boa intensidade e disciplina táctica.

William - Sem dúvida a revelação do campeonato, sendo a figura central da boa campanha que o Sporting está a fazer na prova. Em especial evidência, a capacidade extraordinária para ter bola e fazer a equipa sair de forma útil das zonas de pressão criadas pelos adversários. No plano defensivo, não terá tido um desempenho tão extraordinário (considerando, aqui, que a sua função já pressupõe que seja um protagonista nesse capítulo), mas também aí fez um campeonato em crescendo, o que é um bom sinal para o futuro. Como complemento, foi ainda um jogador com boa presença na zona decisiva, conseguindo um número considerável de golos.

Garay - Será praticamente impossível fazer uma comparação directa entre todos estes jogadores, dadas as diferenças entre as funções de cada um, mas parece-me incontornável o carácter excepcional do campeonato que Garay está a realizar. Com Luisão, forma uma dupla fortíssima que contabilizou muito poucos erros e que contribuiu decisivamente para o facto de o Benfica ser a equipa do campeonato com menos golos sofridos e menos ocasiões consentidas. Na construção, assume também ele um papel fundamental para a saída de bola da equipa, emprestando grande qualidade neste particular, em especial pela sua capacidade passe. Finalmente, em termos ofensivos é o terceiro melhor marcador da equipa, tendo conseguido até agora 6 golos (nenhum de penálti), o que é absolutamente notável para um defesa.

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4.4.14

AZ - Benfica: Estatística e opinião

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Não foi nada que fugisse às expectativas, mas ainda assim o Benfica realizou um bom jogo na Holanda, onde à margem dos primeiros minutos conseguiu exerceu um domínio quase completo. Não teve um grande ascendente ou uma grande proximidade com o golo, é verdade, mas foi o suficiente para que ficasse justificado em campo o favoritismo que à partida se atribuía à equipa de Jesus no lançamento da eliminatória.

O AZ apresentou alguns sinais interessantes, apresentando um futebol sempre apoiado e com boas movimentações ofensivas, que nos primeiros minutos causaram alguns problemas ao Benfica. O problema, num perfil que é um espelho fiel daquilo que é o futebol holandês, esteve sobretudo no comportamento defensivo. A equipa de Advocaat optou por não ser muito agressiva na primeira linha do seu pressing e não se expôs também muito à exposição do espaço nas costas da sua linha defensiva, mas acabou por revelar muitas fragilidades no comportamento da linha média, facilmente atraída pela circulação exterior, e abrindo espaços dentro do bloco defensivo. A consequência foi que o Benfica conseguiu, quase sempre, ter bola sem grandes problemas, com muito poucos erros a serem potenciados pelo AZ. A isto juntou-se um ajuste progressivamente mais adequado do pressing encarnado sobre a fase de construção holandesa, que passou rapidamente a acusar alguma falta de ideias para contornar uma pressão que passara a ser mais alta. Acrescentando o acréscimo de qualidade individual, fica explicado o tal domínio encarnado que caracterizou a partida.

Do ponto de vista individual, e para não passar por todos, evidenciaria os centrais, Garay e Luisão, que voltaram a fazer uma boa exibição, e os extremos, Salvio e Gaitan, que oferecem a esta equipa uma grande qualidade, patente não apenas na sua veia criativa, mas na forma extremamente competente como interpretam todos os momentos do jogo. Neste particular, de sublinhar a exibição de Salvio que, como já escrevi, tenho como um dos jogadores de maior rendimento do futebol português, e que conseguiu uma exibição, não exuberante (até porque não é esse o seu estilo), mas extremamente completa e objectiva. Depois, por outros motivos, referenciar: Artur, que voltou a estar bem, embora com um erro na parte final; André Gomes, que cometeu poucos erros, é certo, mas também revelou muito pouco, e em todos os momentos tácticos, para que se possa imaginar que a sua afirmação a este nível possa estar para breve; André Almeida, que entrou bastante bem e que a confirmar-se a lesão de Amorim e Fejsa poderá ter neste período final da época, uma oportunidade de ouro para se relançar nas contas do treinador, o que até agora parecia muito improvável. 

Com esta vitória, o Benfica fica muito perto de nova meia-final europeia e do sonho que no ano passado deixou escapar entre os dedos. Com o título cada vez mais perto, os jogos a meio da semana poderão rapidamente a assumir o estatuto prioritário na gestão de Jesus.


Não me foi possível ainda analisar o Porto-Sevilha, mas fá-lo-ei nos próximos dias, sendo porém incerto que publique alguma coisa sobre o jogo.

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3.4.14

Champions, quartos-de-final (II)

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Paris SG - Chelsea
O 'Conto de duas cidades' dos quartos-de-final era também um teste para ambos os conjuntos, que tendo capacidade para ir até ao fim, correm claramente por fora relativamente a outras potências ainda em prova. O PSG precisa de conquistar na Champions uma dimensão que a liga francesa nunca lhe poderá oferecer, e o Chelsea de provar que pode ser uma equipa consistente em grandes desafios, nomeadamente quando estes acontecem numa fase de grande intensidade e pressão competitiva, como é o caso. O estatuto sugeria algum favoritismo para os londrinos, o que me parece injustificado naquela que, a meu ver, era a mais equilibrada das eliminatórias desta fase.

Não surpreendeu que fosse o PSG a chamar a si maior iniciativa de jogo e presença em posse. Aliás, a maior surpresa foi mesmo ver o Chelsea dividir tanto o jogo neste particular, no primeiro tempo. Em parte, isto deveu-se à postura francesa em organização defensiva, baixando muito as linhas e não fazendo da recuperação rápida da bola a sua primeira prioridade. Mas, para abordar a diferença entre as duas metades do jogo, e o porquê do Chelsea ter tido mais bola na primeira parte, é preciso abordar aquele que foi, na minha perspectiva, o momento táctico mais marcante do jogo, a organização ofensiva parisiense, em particular a sua circulação baixa. O PSG assume o jogo de uma forma muito característica, projectando muito os laterais e colocando os extremos igualmente muito profundos, o que cria muito espaço no corredor central, por onde a equipa tenta construir jogo, primeiro através do baixar dos 3 médios, e depois tendo Ibrahimovic como elemento fundamental para a ligação no corredor central. Para que tudo isto funcione é, obviamente, decisivo que a circulação baixa consiga fluidez e segurança. Foi assim, por exemplo, que o PSG encurralou o Benfica no primeiro jogo da fase de grupos, e foi também por isso que o Chelsea teve mais problemas na segunda parte deste jogo, quando a sua primeira linha pressionante deixou de conseguir a mesma eficácia que havia tido até ao intervalo.

Apesar do domínio do PSG na segunda parte, é justo também referir que o resultado é bastante feliz para equipa de Laurent Blanc, que conseguiu um aproveitamento muito elevado das ocasiões criadas - que não foram muitas, tanto de um lado como do outro. Mourinho lamentou-se da forma como a equipa sofreu os golos, e parece-me ter toda a razão para o fazer, porque em qualquer dos 3 lances (especialmente no terceiro, claro), era perfeitamente possível ter feito mais. O mesmo poderá dizer Blanc da abordagem de Thiago Silva, no lance do penálti. O facto é que o Chelsea leva na bagagem uma desvantagem difícil de anular na segunda mão, especialmente se considerarmos as dificuldades que a equipa tem para jogar num registo de maior afirmação em posse. Para esse jogo, levantar-se-ão alguns aspectos interessantes a observar: Do lado do Chelsea, e desde logo, a capacidade para ter bola, mas também a forma como a equipa irá reagir à posse do PSG (irá arriscar mais em termos posicionais?). Do lado do PSG, a estratégia de Blanc neste contexto (irá manter a sua identidade e assumir o risco em posse perante um pressing previsivelmente mais agressivo?), e a forma como a eventual ausência de Ibrahimovic poderá afectar a equipa, já que é uma função chave no modelo de jogo da equipa, não havendo nenhum jogador com as mesmas características (e qualidade, claro) do sueco.

Do ponto de vista de Mourinho, há muito que o cenário de uma época frustrante está bem presente no horizonte, mas com este resultado ele torna-se numa evidência ainda mais clara. Mourinho pode estar a fazer um bom trabalho em Stamford Bridge, e racionalmente não tem sentido exigir-se grandes conquistas neste momento. Mas, o futebol é como é, e se ficar sem títulos e arredado das grandes decisões, esta será inevitavelmente uma época com sabor a frustração, com todas as consequências mediáticas que isso acarreta. O próprio, aliás, parece bem ciente da probabilidade deste desfecho, e o seu discurso, repetidamente humilde e quase catastrofista, soa muito a uma espécie de profilaxia para eventuais dores de alma que possam surgir.

Real Madrid - Dortmund
Este não era, de todo, um desfecho improvável, mas confesso que esperava outra réplica por parte do Dortmund, a quem atribuía hipóteses reais de qualificação (ainda que tivessem sido bastante hipotecadas logo à partida, pela ausência de Lewandowski). O Real, claro, tem outro potencial, mas creio que também terá pesado muito o contexto para fragilizar as hipóteses do Borussia. Para ser bem sucedido, Klopp, precisava de contar com um bom jogo defensivo - já que era quase inevitável que passasse mais tempo sem bola do que com ela - e também com uma boa capacidade para aproveitar o espaço e eventuais fragilidades defensivas do Real, particularmente em transição. Por um lado, entrar a perder foi um enorme revés para as aspirações da equipa, tanto porque ofereceu ao Real mais confiança e tranquilidade, como porque estar a perder implicou ter inevitavelmente de assumir mais riscos, expondo-se ainda mais a uma linha avançada já de si difícil de controlar. Por outro, a ausência de Lewandowski retirou grande parte do potencial da equipa para ligar ofensivamente o seu jogo, e mesmo quando conseguiu chegar ao último terço, esta não foi feliz na definição das suas jogadas. Um golo teria feito toda a diferença e oferecido outra esperança para a segunda mão. Assim, não sendo impossível, fica com certeza muito improvável.

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