31.1.14

5 jogadas (Bilbao - Atlético, Man City e Bayern)

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Atl.Bilbao - Atl.Madrid - Um grande jogo, na segunda mão dos quartos-de-final da Taça do Rei, entre aquelas que serão, provavelmente, as duas melhores equipas do futebol espanhol da actualidade, descontados os "gigantes" Barça e Real. É claro que há alguma diferença entre Athletic e Atlético, mas jogando-se no novo San Mamés e com várias ausências relevantes do lado madrileno, estava criado um grande teste à equipa de Simeone. Mais um! É certo que o resultado não sugere grandes complicações para uma equipa que já levava da primeira mão uma vantagem de um golo, mas a história do jogo tem para contar várias complicações criadas pelos bascos à habitual segurança defensiva do Atlético. Esse mérito do Atl.Bilbao tem por base a intensidade com encarou o jogo, mas teve também, do ponto de vista táctico, algumas nuances que me parecem ter contribuído para uma intranquilidade acrescida, relativamente ao que é costume na equipa de Simeone. Em particular, o posicionamento dos laterais, quase sempre bastante profundos, criou problemas de ajustamento posicional da linha média. A verdade é que o esforço do Bilbao acabou por ser inglório, em parte pelo mérito defensivo do seu opositor, mas também pela capacidade madrilena de aproveitar as situações ofensivas que o jogo lhe ofereceu, seja no capítulo das bolas paradas (onde é, repetidamente, muito forte), quer no aproveitamento das costas e do risco posicional que estava inerente à postura basca no jogo. Com maior foco no campeonato, diria que o Athletic será o mais forte candidato ao 4º lugar no campeonato. Já relativamente ao Atlético, continuo a não vislumbrar limites para as possibilidades nesta temporada. Não é favorito a nada, mas é candidato... a tudo!

Sobre as duas jogadas do vídeo, no primeiro lance começo por sublinhar o pressing alto do Atlético de Madrid. Aqui reside mais um dos méritos do comportamento táctico da equipa de Simeone, que é a capacidade de identificar muito correctamente a postura que deve adoptar em termos de presença pressionante. Como sabemos, não tem relutância em baixar muito o bloco, fazendo-o com grande competência e frequência, mas não raras vezes potencia igualmente o erro adversário em zonas bastante altas. Nesses casos, o Atlético forma uma espécie de 4-1-3-2, "partindo" o posicionamento dos seus dois médios, com um deles a adoptar uma postura mais pressionante e o outro permanecendo mais perto da linha defensiva. Na sequência do lance, Diego Costa acaba por, mais uma vez, demonstrar a sua apetência para explorar a profundidade, aproveitando o posicionamento exageradamente alto da linha defensiva, que acaba por se deixar apanhar numa situação em que a distância para o portador da bola é demasiado curta e não lhe permite reagir minimamente ao lance.
Na segunda jogada, está evidenciado o efeito da projecção dos laterais do Atl.Bilbao, durante o jogo. Neste caso a construção da jogada acaba por potenciar ainda mais a dificuldade dos alas do Atl.Madrid em fazer um ajustamento posicional atempado, acabando por não haver controlo sobre o 'overlap' de Balenziaga. Nota ainda para a qualidade do cruzamento, que retira a bola do primeiro poste e da acção de Courtois, e para o tempo de salto de Aduriz, que fazendo-se primeiro à bola, inviabiliza a acção de Godin.

Tottenham - Man City -  Um jogo que supostamente seria equilibrado, mas que acabou com um cenário repetido para as duas equipas: goleada! E sem surpresa, porque a qualidade que ambas mostraram foi, de facto, muito díspar. Aqui, importa mais falar do Man City, que vem revelando níveis de confiança muito elevados, conseguindo ser uma das formações mais dominadoras do futebol europeu da actualidade, pelo seu potencial técnico. A sua capacidade de circulação foi, de resto, a grande chave do sucesso neste jogo, já que o bloco defensivo do Tottenham acabou sempre por se deixar envolver pela movimentação, com bola, da equipa de Pellegrini, acabando assim desposicionada e à mercê da grande valia individual dos avançados contrários. Foi, de resto, um jogo completamente falhado em termos estratégicos por parte dos Spurs, que não só foram incapazes de controlar os espaços essenciais, defensivamente, como também não tiraram partido algum da tentativa de usar Adebayor como referência frontal para a sua construção ofensiva. O caso deste jogo, e do que sucedeu ao Tottenham, é um exemplo para a generalidade das equipas da Premier League, que perante o City actual se confrontam com a quase fatalidade de terem de passar muito tempo sem bola. Se não definirem bem as suas prioridades posicionais, nomeadamente ao nível de referências prioritárias, acabam por não só não ter bola, como se verem expostos os seus espaços essenciais. O City, pelo invulgar potencial técnico que apresenta, é, sem dúvida, um dos grandes pontos de interesse para o restante da temporada do futebol europeu. De imediato, teremos um desafio interessante frente ao Chelsea - uma das equipa que não deverá discutir a posse de bola, mas que será potencialmente muito forte numa estratégia de contra-ataque - e, mais tarde, o interesse de ver duas das equipas mais dominadoras do futebol mundial, City e Barça.

Quanto aos dois lances que escolhi para o vídeo, em ambos é notória a forma como o Tottenham sentiu dificuldades em controlar a movimentação dos jogadores do City, perante a circulação da bola. O primeiro golo da equipa de Pellegrini é simplesmente notável, com a bola a circular entre vários jogadores, com poucos toques, e percorrendo uma área muito grande do terreno. O destaque, claro, vai para o movimento de David Silva, mas também será importante notar a forma como a equipa do Tottenham permite que se abram tantos espaços entre os seus jogadores. O mesmo problema no segundo caso, sendo criada uma zona de 4x3 no corredor central e com os médios dos Spurs a focarem-se excessivamente nas referências individuais, o que perante uma situação de inferioridade numérica é sempre desaconselhável, mas que no caso tem a agravante desse posicionamento implicar a abertura do espaço entre si.

Estugarda - Bayern - Uma pequena nota sobre este jogo em que, sem Robben e Ribery (entre outros, mas sobretudo estes), o Bayern sentiu muitas dificuldades para vencer, conseguindo-o apenas nos minutos finais, através de uma fantástica finalização de Thiago Alcantara. Mas a nota principal, aqui, vai mesmo para os problemas que o Bayern sentiu em ser consequente nas suas acções ofensivas durante grande parte do jogo, acabando por consegui-lo após as alterações de Guardiola, o que nos leva até ao outro foco de interesse. Guardiola colocou, em simultâneo, duas referências ofensivas (Pizarro e Mandzukic), passando a actuar apenas com dois médios (Lahm e Alcantara). Esta maior presença física não determinou um jogo mais directo, mas acabou por tirar partido do acréscimo de presença ofensiva, sendo que a circulação na linha média não perdeu grande eficácia pela qualidade de Lahm e Alcantara. Um figurino, já agora, bastante parecido com o de Jesus no Benfica, com um médio mais baixo (Lahm) e apenas outro à sua frente (Alcantara), a quem se exigia uma boa capacidade de transporte de bola. O Bayern venceu e Guardiola terá até tirado notas positivas dos últimos 20 minutos, mas ficou também a ideia de que sem os seus principais desequilibradores, o potencial da equipa pode ser bastante afectado.

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29.1.14

Fredy Montero e a relação com o golo

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Começou por ser a grande figura do campeonato, pela facilidade com que ia marcando jogo após jogo. Recentemente, porém, tem sentido mais dificuldades em encontrar-se com o destino do golo, acumulando já 476 minutos sem marcar (em todas as provas).

Tenho escrito bastante sobre os avançados e a forma como a sua relação com o golo é, na minha visão, avaliada com demasiada focalização em ocorrências de curto-prazo, ignorando-se por outro lado alguns indicadores mais sólidos e que oferecem uma estimativa mais realista sobre o que devemos esperar do futuro. Sobre o próprio Fredy Montero, aliás, havia aqui alertado para o peso da sua elevada eficiência (golo/ocasião) no inicio da temporada, não sendo projectável que essa performance se pudesse manter ao longo do tempo. Sem surpresa, a eficiência baixou até um registo relativamente normal e Montero deixou de marcar com tanta frequência.

Quer isto dizer que o que vimos de Montero no inicio de época foi apenas um acidente e que, afinal, do colombiano não se devem esperar muitos mais golos? Sem fazer deste um exercício de futurologia, mas antes uma projecção realista em face daquilo que a sua performance evidenciou até ao momento, a resposta é: não! Ou seja, tal como não seria de esperar que a sua veia goleadora mantivesse o fulgor do inicio de época, também agora o mais provável que, mais jogo menos jogo, Montero volte a marcar. Aliás, ao seu período de "seca", deve notar-se, corresponde uma série de jogos em que a própria equipa sentiu dificuldades em se aproximar do golo, pelo que este contexto não deve ser ignorado.

É claro que esta perspectiva mais moderada não é aquela que vigora, e se da parte dos adeptos é natural que existam exageros nas expectativas geradas, a verdade é que a falta de golos parece ter já passado para o próprio Montero, que vem revelando alguma ansiedade nas suas decisões em jogos mais recentes, nomeadamente forçando finalizações em contextos pouco favoráveis. Esse é, a meu ver, o grande risco deste tipo de volatilidade em torno da apreciação dos avançados e da sua relação com o golo, transmitindo-se injustificadamente uma ansiedade que afecta depois negativamente o desempenho dos jogadores noutros capítulos do seu jogo.

Para terminar, deixo a minha a minha projecção: considerando o desempenho que manteve até agora e caso mantenha os mesmos tempos de utilização, diria que será razoável esperar de Montero mais 6-8 golos (sem penáltis) até ao final da temporada.



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28.1.14

A previsível saída de Lucho

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Desfecho previsível - Venho escrevendo pontualmente sobre a forma como, particularmente em Portugal, os jogadores são olhados após entrarem na casa dos trinta. Lucho era um dos casos mais evidentes nesta temporada, e também já me tinha referido à probabilidade desta ser a sua última época no futebol português, tanto mais que estava em final de contrato. Não era óbvio que fosse tão imediato, mas era previsível que a saída estivesse para acontecer...

Rendimento elevado, apesar do B.I. - Pessoalmente, penso que o Porto faz mal em não ficar com Lucho, e mesmo tentar prolongar-lhe o contrato. Não sei quantificar o peso da sua influência no grupo, mas sei que dentro do campo Lucho era, ainda e como sempre, uma das unidades de maior rendimento da equipa. Apenas atrás de Jackson, que a meu ver está noutro patamar. É verdade que nos últimos tempos foi recuado para uma posição que não potenciava a mais valiosa das suas características, que é a capacidade de, sem bola, encontrar espaços e linhas de passe virtuosas, dentro do bloco defensivo contrário. Lucho não era - nem nunca foi - um jogador que se evidenciasse pelo seu envolvimento na primeira fase de construção, e foi sempre quando teve liberdade para se soltar numa segunda fase ofensiva que mais se destacou, mas recentemente criou-se essa ideia e Paulo Fonseca acabou ceder, ignorando a mais-valia que o jogador vinha trazendo ao jogo entrelinhas da equipa. Seja como for, o seu rendimento era incomparavelmente superior à média da equipa, sendo que foi inclusivamente o jogador portista que mais quilómetros correu nos jogos da Champions League. Tudo somado, e considerando ainda a sua parca propensão para lesões, dá para dizer que, no caso de Lucho Gonzalez, o problema da idade é mesmo, apenas e só, um problema de preconceito, porque tudo apontava para que o jogador tivesse ainda vários anos para poder jogar ao mais algo nível.

Mudança no ADN do meio-campo - Obviamente que o Porto não deixará de ser competitivo sem Lucho, perspectivando-se agora a aposta mais continuada noutros protagonistas. O caso mais sério, e revelado recentemente, é o de Carlos Eduardo, mas também Josué e mesmo Quintero terão agora outra margem para se afirmar no onze base. Uma coisa é certa, porém, se o Porto teve como marca mais forte dos primeiros tempos de Paulo Fonseca o jogo entrelinhas, muito dificilmente na era pós-Lucho manterá essa identidade. É que, não havendo dúvidas sobre a capacidade técnica de qualquer das alternativas para jogar na frente do triângulo, nenhuma tem especial vocação para trabalhar a sua aparição no jogo sem bola e dentro do bloco contrário, como acontecia com Lucho. Mais incidência no jogo exterior, é o que se aguarda (e o que já se tem visto, de resto).

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27.1.14

A polémica na Taça da Liga

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A diferença decisiva foi de... 1 dia!- A questão da necessidade dos dois jogos finais se realizarem em simultâneo é, obviamente, relevante. O futebol - ou, de resto, qualquer outro desporto - é fortemente marcado pelo factor humano, e qualquer equipa joga em função do resultado que precisa de obter, sendo este um comportamento inclusivamente muito difícil de mudar nos jogadores, de tão instintivo que é (isto vê-se, por exemplo, na mudança de comportamento das equipas após os golos, que quase sempre acontece independentemente das instruções que lhes sejam dadas desde a parte de fora). E esta constatação serve tanto para criticar o pouco profissionalismo na organização destes 2 jogos, como para constatar que os 3-4 minutos de diferença entre os jogos de Penafiel e do Dragão não foram, na prática, um ponto especialmente relevante para o desfecho final. É que aquilo por que se bateu o Porto nos minutos finais do seu jogo foi apenas pela vitória, coisa que aconteceria em qualquer outro jogo de qualquer outra prova, não tendo havido da parte dos jogadores, sequer, a percepção da situação classificativa relativamente ao número de golos que seriam precisos marcar.
Ainda assim, e apesar da desvalorização que faço nesta minha leitura dos 3-4 minutos de diferença entre os dois jogos (que, repito, nunca deveriam ter sido permitidos), parece-me que o Porto foi, de facto, beneficiado pelo tempo em que os seus jogos foram realizados, sendo que esse benefício resulta de bem mais do que alguns minutos. Isto é, na segunda jornada os portistas jogaram quase 24 horas depois do Sporting, conhecendo já o resultado do seu adversário. Na recepção ao Penafiel, foi visível a preocupação em forçar a goleada nos minutos finais, num comportamento - esse sim! - específíco da situação classificativa e que tinha em mente o facto do Sporting ter marcado 3 golos no dia anterior, tendo havido inclusivamente tempo para consciencializar todos os jogadores sobre a necessidade da situação. E, este sim, parece-me ter sido um factor decisivo para o desfecho final das contas do grupo, e que, claramente, favoreceu as aspirações portistas.

Falta de profissionalismo habitual - Se se pode criticar a liga pela forma como negligenciou a importância dos jogos serem iniciados em simultâneo, a meu ver deve-se também criticar a forma como os clubes - particularmente, o Sporting - não souberam acompanhar com rigor a sua situação relativamente ao apuramento. Não é algo que deva ser garantido pelo treinador - que terá outras preocupações ao longo do jogo - mas este deveria ser rigorosamente informado por alguém sobre a situação que tem pela frente. Algo que no caso do Sporting claramente não aconteceu - inclusivamente, a dúvida subsistiu nos responsáveis do clube já após o final dos dois jogos. Aliás, é curioso como o 3-1 não representava para o Sporting qualquer vantagem relativamente ao 2-1, já que com ambos os resultados a equipa só se qualificaria em caso do Porto não vencer o seu jogo. Com 2-1 ou 3-1, o Sporting seria eliminado em caso de reviravolta no Dragão. Ou seja, com 3-1 o Sporting viu-se colocado numa situação em que não tinha, verdadeiramente, nada a perder em arriscar. Porque ganhava, aí sim, mais margem se conseguisse mais 1 golo, e porque ficava exactamente com as mesmas hipóteses de qualificação caso sofresse o 3-2. Mas a reacção que vimos na gestão do jogo por parte da equipa, após o 3-1, não foi de acordo com esta realidade, o que é revelador de alguma falta de noção sobre a realidade da situação da equipa naquela altura do jogo.
Já agora, se estranhamos que este tipo de lapsos aconteçam a este nível, é também bom ressalvar que se trata de uma situação tudo menos incomum. Muitos se lembrarão de Peseiro incluir-se na luta pelo título quando isso já não lhe era matematicamente possível, em 2005, mas vários outros casos vêm acontecendo pelo mundo fora. Recentemente, por exemplo, Pellegrini confessou desconhecer que lhe bastaria mais 1 golo para liderar o seu grupo da Champions, desconsiderando assim essa oportunidade nos últimos minutos do derradeiro jogo da fase de grupos.

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24.1.14

5 Jogadas (Sporting, Benfica, Man Utd, Roma)

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Arouca - Sporting - O lance do golo do Arouca tem como ponto mais evidente a forma como o Sporting perde a bola após um arremesso lateral. De facto, é incontornável que está aí a génese do desequilíbrio. O principal protagonista nesse instante, em que se dá a perda de bola, é Maurício, mas na minha interpretação haverá pouca margem para criticar o defesa-central do Sporting. Tratando-se de um lançamento lateral naquela zona do campo, o mais aconselhável é colocar a bola junto à linha, tentando apelar ao jogo aéreo de uma referência ofensiva (no caso, Wilson Eduardo). A explicação para esta opção está no desfecho deste mesmo lance, e tem a ver com o risco de exposição em que a equipa incorre em caso de perda nesta zona do campo. Actualmente, várias equipas recorrem a um lançamento mais curto, com um jogador a aproximar-se para repentinamente, e sem deixar a bola bater no solo, colocá-la nas costas da linha defensiva contrária. À margem de uma alternativa deste tipo, qualquer outra solução só se justifica quando houver total garantia de segurança no seguimento da jogada, coisa que não acontece neste caso, sendo a ameaça da presença pressionante do Arouca agravada pelo estado do relvado. Sendo assim, e focando-me ainda na origem do lance, é sobre a opção de Piris que penso que se justifica centrar a critica.
Mais à frente, e porque o lance deu, apesar de tudo, tempo para reagir defensivamente à perda, parece-me igualmente importante sublinhar a antecipação de Bruno Amaro relativamente a Adrien, criando o desequilíbrio final na zona de finalização. Um problema que tem a ver com a percepção posicional dos médios relativamente ao espaço nas suas costas, e que se vem repetindo nas análises que venho aqui deixando desde o início da época.

Benfica - Marítimo - O lance do primeiro golo do Benfica resulta de alguns ressaltos, é verdade, mas creio que justifica um sublinhado sobre 1) o mau posicionamento defensivo do Marítimo e 2) a importância da movimentação de Rodrigo, entrelinhas. Ambos os pontos já foram aqui realçados por mais do que uma vez. No caso do Marítimo, e como escrevi há dias, importa não confundir "futebol positivo" com "defender mal". A dificuldade com que a equipa madeirense ajusta o seu posicionamento ao longo da jogada determina a criação de espaços entre os jogadores e, consequentemente, a perda de condições para retirar partido da maior presença numérica com que inicialmente aborda cada lance, nomeadamente expondo-se em zonas fundamentais e facilitando a criação de situações de 1x1 com vantagem para o portador da bola. No caso de Rodrigo, primeiro solicita o passe na zona entrelinhas e, posteriormente, é de novo ele quem aproveita o espaço criado pela presença mais baixa de Gaitan, arrastando consigo um dos centrais adversários. A movimentação neste espaço é, já de si, muito útil, mas quando o Benfica consegue combinar isso com uma boa relação com o golo, seja na forma de golos marcados ou assistências, então tem no seu segundo-avançado uma das funções de maior valor para o sucesso colectivo. E é bom que não se perca isto de vista quando se sugerem alternativas tácticas que não incluem um jogador com esta função.

Chelsea - Man Utd - Quem olha para o resultado, ou mesmo para a evolução do mesmo, ficará com a ideia de que se tratou de um jogo completamente dominado pelo Chelsea. Não foi, de todo, o caso. O United conseguiu criar muitos problemas, tendo inclusivamente estado mais perto do golo nos minutos iniciais. A diferença, como tantas vezes acontece com Mourinho, esteve nos pormenores de organização. É que o Chelsea não denotou - nem denota, porque o que se passou não foi ocasional - os meus problemas de organização defensiva do seu adversário. Em particular, no caso do Man Utd, penso que se deve sublinhar a frequência com que a sua linha média é atraída para zonas e situações pouco desejáveis para o equilíbrio colectivo. A meu ver, isto tem a ver com algum excesso de valorização das referências individuais.
No caso dos dois lances que recupero, é visível a forma como os elementos da linha média não fazem o trabalho defensivo ideal, nomeadamente ao nível das coberturas. No caso do primeiro golo, parece-me que o principal visado deve ser Ashley Young, pela forma como não se integrou defensivamente num lance que acontecia no seu corredor. Embora, claro, também haja outros pontos de possível revisão, nomeadamente na resposta que é dada ao movimento vertical de Hazard.
Sem as mesmas consequências mas talvez mais interessante, é o segundo lance do vídeo sobre este jogo. Isto porque é visível a forma como os médios do Man Utd são atraídos pela circulação lateral da bola, acabando por ficar o lateral-direito demasiado exposto no duelo individual com Hazard, precisamente um dos jogadores mais fortes do Chelsea para este tipo de situação.

Roma - Juventus - Referência para o interessante duelo entre duas das melhores equipas do futebol italiano da actualidade. Não conheço bem qualquer das equipas, pelo que abordo este jogo com alguma cautela. Para quem não teve oportunidade de ver, esclarecer que este foi um jogo muito fechado, praticamente sem qualquer desequilíbrio até à abertura do marcador. A Juventus, com a sua tradicional defesa a 3, apostou quase sempre num bloco bastante baixo, denso e muito difícil de bater em situações de ataque posicional, sendo que as suas iniciativas ofensivas de maior relevo ocorreram em lançamentos para as costas da defesa romana, tentando aproveitar - sem sucesso - as poucas situações em que esta o permitiu. Do lado da Roma, um pouco mais de risco posicional, ainda que não muito, havendo sempre uma grande preocupação com a acção de Pirlo, e uma tendência para utilizar o corredor direito nas acções ofensivas.
Relativamente ao lance decisivo do jogo, acaba por acontecer numa das raras situações de ataque rápido e, curiosamente, teve no duelo entre Pirlo e Totti um ponto chave. Com o bloco subido na tentativa de pressionar uma saída de bola complicada da Roma, era fundamental que Pirlo tivesse controlado o pontapé longo no inicio da jogada. O posicionamento até foi o correcto, mas a agressividade não foi a ideal e, num duelo de veteranos, foi Totti quem levou a melhor. A partir daí, o desequilíbrio está criado, ainda que se deva sublinhar também a parte final da jogada e a forma como Bonucci perde a frente do lance, perante Gervinho. É uma situação muito difícil para o defensor, obviamente, porque tem de controlar o atacante, não perdendo o contacto visual com a bola e sendo que tudo acontece em velocidade, de todo o modo, a primeira prioridade é sempre não perder a frente do lance.

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21.1.14

Rodrigo já é o mais decisivo do Benfica

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É um jogador de quem já venho falando há algum tempo, muito pelo contributo positivo que me parece ter dado quase sempre que foi utilizado. Se alguns dos meus pontos de opinião sobre Rodrigo são motivos de discórdia, há um que não levanta grandes dúvidas e que tem a ver com a crescente influência decisiva do jogador. Com os dois golos marcados ao Marítimo, Rodrigo passou mesmo a ser o jogador mais influente em termos de contribuição directa nos golos da equipa (se excluirmos, como sempre faço, as grande-penalidades). De sublinhar ainda o facto o número de minutos que Rodrigo precisou para atingir este estatuto, sendo que é inferior a qualquer dos jogadores que o seguem nesta lista específica.

A importância da mobilidade
Olhando com um pouco mais de detalhe para este percurso de sucesso do avançado espanhol, não há dúvidas de que o seu impacto positivo foi conseguido dentro de uma função com maior apelo à mobilidade. Pessoalmente, e não é a primeira vez que o refiro, tenho a opinião de que esta é a melhor forma de potenciar as características do jogador. Rodrigo não me parece ser um jogador com características especialmente fortes para se impor como presença muito fixa, oferecendo-se como referência permanente junto dos centrais adversários. Não é um jogador especialmente forte no jogo de contacto, nem tão pouco tem características que lhe possam oferecer grande vantagem num duelo directo e constante com os centrais (como acontece com Cardozo, por exemplo). Por outro lado, é um jogador que gosta de sair da sua zona, o que lhe permite retirar referência de marcação e aparecer em zonas de finalização num contexto mais favorável. Não quer isto dizer que tenha de jogar sempre com um avançado à sua frente mas, antes sim, que o seu futebol precisa de liberdade de movimentos para ser devidamente potenciado. Para já, e numa altura em que se fala da sua eventual saída, é importante sublinhar o papel que tem tido no recente sucesso da equipa, sendo que nenhuma outra solução conseguiu oferecer produtividade minimamente equiparável ao papel que vem desempenhando. Ou seja, e caso realmente saia, existe um risco desportivo que é evidente e não pode ser desprezado para o futuro imediato.

Frequência vs Eficiência: um caso interessante
Quem lê com alguma atenção as análises que venho deixando estará já familiarizado com esta questão. Não se trata de uma certeza, mas antes de uma hipótese que venho testando e partilhando. Mais concretamente, creio que a eficiência dos avançados (isto é, o aproveitamento golo/ocasião) é sobrevalorizado no curto-prazo e que, em sentido inverso, pouca atenção se dá à frequência com que os mesmos avançados criam ou chamam a si ocasiões de golo. O caso de Rodrigo nesta temporada é interessante, porque desde as primeiras utilizações que foi sempre tendo um número muito elevado de ocasiões de golo, mantendo-se este registo pouco alterado (como documenta o gráfico abaixo). O problema é que a eficiência não foi imediatamente a melhor e a apreciação do jogador acabou por ser afectada por isso, o que lhe terá retirado espaço e tempo de utilização. Com o golo frente ao Anderlecht, porém, tudo mudou e com mais tempo de utilização, conseguiu estabilizar os níveis de eficiência, sendo que actualmente até têm sido mais elevados do que aquilo que é normal. Aliás, da mesma forma que era errado sobrevalorizar o mau aproveitamento do inicio de temporada, é também agora irrealista pensar que Rodrigo possa manter a eficiência que vem mantido nos últimos jogos.
O ponto aqui é que o caso de Rodrigo sugere que a frequência (capacidade de chamar a si ocasiões de golo) é mais estável no curto-prazo do que a eficiência, sendo por isso um indicador que deveria justificar mais importância para as decisões imediatas. Uma ideia que, porém, vai em sentido contrário daquela que é a percepção generalizada e, mesmo, da orientação decisional da generalidade dos treinadores.





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20.1.14

Notas do Arouca-Sporting

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- As condições do terreno foram, como todos viram, a grande condicionante da partida. O Arouca foi, neste sentido, quem melhor partido tirou na fase inicial, com o Sporting a parecer surpreendido e a fazer uma adaptação progressiva às circunstâncias atípicas do jogo. Destaque, nesse período, para o pontapé comprido de Cássio nas reposições longas, para a maior agressividade do meio-campo do Arouca nas bolas divididas e para a dificuldade de adaptação de algumas unidades do Sporting, com Piris em especial evidência.

- Paradoxalmente, foi com o agravar das condições do terreno que o Sporting se encontrou no jogo. A única alteração visivel - e para além da entrada de Slimani - teve a ver com uma abordagem mais directa na ligação do seu jogo, não parecendo porém ser essa a única explicação para a melhoria de panorama para o lado do Sporting. Na minha leitura, o tempo trouxe também o equilíbrio na adaptação dos jogadores de ambas as equipas, nomeadamente ao nível da agressividade e do posicionamento com que abordavam cada lance. Tacticamente, estranhei a tardia em lançar Slimani no jogo, mas a opção foi posteriormente explicada por Jardim.

- A vitória, num jogo difícil e que esteve realmente muito complicado para o Sporting, explica-se, a meu ver, pela resposta de ambas as equipas nas zonas decisivas do jogo - que é como quem diz, as duas grande-áreas. Slimani é o destaque mais evidente, tendo sido determinante pelo golo que marcou (mas não muito mais, diga-se, porque também ele teve muitas dificuldades com o estado do terreno), mas creio que é não menos importante olhar para os protagonistas defensivos das equipas. Em particular, impressionou-me o desempenho dos centrais do Sporting, que me parecem ter sido o grande pilar deste triunfo. Pela presença quase irrepreensível num jogo de grande exposição e pela forma como se tornaram protagonistas também no capítulo ofensivo de um jogo onde os lances de bola parada foram a principal fonte de perigo da equipa. Tudo somado, diria, não só que a diferença de desempenho/produtividade dos centrais do Sporting para os do Arouca foi enorme, como que foi provavelmente esse o factor mais relevante para definição da discrepância no resultado final da partida.

- Finalmente, uma nota pessoal para confessar algum saudosismo em relação a este tipo de jogos. Não que pense que o futebol passe a ser melhor quando se joga neste tipo de condições - obviamente, muito pelo contrário - mas porque cresci e aprendi a gostar de futebol num tempo em que este era um cenário recorrente e que fazia parte da regra, e não da excepção, do filme de cada campeonato. Se hoje as equipas estranham muito quando se deparam com estas condições, é interessante perceber como há não mais de 15-20 anos, este era um contexto perfeitamente normal para todas as equipas, sendo que até os melhores estádios se apresentavam com relvados pesados e irregulares durante meses a fio. Neste plano, o futebol mudou muito, havendo um favorecimento evidente da componente técnica do jogo.

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17.1.14

5 jogadas (Benfica-Porto; Sporting e Atlético-Barça)

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1 - A minha ideia inicial era trazer mais imagens sobre este aspecto do jogo, mas não tendo sido possível, recupero pelo menos 1 lance que ilustra a forma como o Benfica condicionou a construção portista em zonas mais adiantadas. Em particular, o papel da linha média, com Enzo Perez a acompanhar o comportamento do duplo-pivot adversário, que em regra baixa pelo menos 1 dos seus elementos (normalmente Fernando) para assumir a posse numa linha muito próxima da dos centrais. O risco de adiantar 3 unidades em simultâneo é, claro, o espaço que se abre nas suas costas. O Benfica tentou atenuar essa exposição com um posicionamento mais interior dos extremos, que acabou por conseguir bons resultados, com várias linhas de passe interceptadas por Markovic e Gaitan ao longo do jogo.
Em relação ao Porto, e como foi evidente, grande parte das suas aspirações no jogo ficaram condicionadas pela fraca resposta que foi capaz de oferecer ao problema que lhe foi colocado. Já escrevi sobre a dificuldade dos elementos mais criativos (Varela, Licá e Carlos Eduardo) em oferecer linhas de passe nas costas dos médios encarnados, mas sobretudo o que me parece questionável é a forma como a equipa surgiu aparentemente surpreendida pela situação que lhe foi criada, sendo que ainda recentemente havia experimentado exactamente o mesmo tipo de bloqueio na visita a Alvalade, para a Taça da Liga. É possível - e este é um ponto que não referi na análise que fiz ao jogo - que a inclusão de Otamendi tivesse a ver com esta situação, com Paulo Fonseca a ver no maior potencial técnico do argentino uma resposta para os problemas que o pressing do Benfica previsivelmente lhe causaria. Correu mal, não só porque a simples alteração individual não teve implicação na dinâmica colectiva, como também porque o critério de Otamendi é muito inconstante e, por isso, também mais propenso ao erro do que o de qualquer outra solução. Algo que vem de encontro à ideia que tenho passado em várias ocasiões, ou seja, e sobretudo para as fazes mais precoces da construção, o critério deve ser um requisito que antecede o potencial técnico.

2 - O lance do primeiro golo é interessante porque há vários aspectos a considerar. Em primeiro lugar, claro, a falta de linhas de passe oferecidas a Otamendi. Depois, a perda de bola de Lucho, na sequência de uma série de ressaltos. No entanto, e tal como já havia escrito, essa perda não deve chamar a si uma grande dose explicativa sobre o que se segue, porque no momento em que ocorre o Porto tem 6 jogadores atrás da linha da bola, havendo todas as condições para que o lance tivesse sido melhor controlado. O ponto seguinte é a forma como o duplo-pivot portista reage à perda de bola. Lucho e Fernando estão posicionados na mesma linha e ambos condicionam a possibilidade do passe interior, como que dando por adquirido que o espaço entrelinhas estaria controlado. Um instinto próprio de quem está a contar com um pivot nas suas costas, mas que neste caso não existe e que determina que a aceleração de Markovic acabe por bater, num só movimento, os dois médios azuis-e-brancos.
Mais à frente, Mangala tenta condicionar a progressão de Markovic, e o Porto continua com condições para controlar a jogada, tanto mais que Danilo ganha rapidamente o interior de Rodrigo. Esperar-se-ia que Otamendi pudesse sair em contenção sobre Markovic e que Danilo controlasse a profundidade, mas a reacção dos dois defensores é, estranhamente, outra. Otamendi perde, claramente, a melhor noção da jogada, dando continuidade ao seu movimento lateral em vez de se aproximar do portador da bola, o que determina que Markovic acaba por não ter a oposição que poderia ter. Danilo, e depois de ter ganho correctamente o interior de Rodrigo, também dificulta a sua própria acção ao colocar-se de frente para Markovic, o que limita depois a reacção quando o passe é colocado nas suas costas.
Para além de tudo isto, claro, há que sublinhar o mérito na construção da jogada, de Markovic, e na finalização, de Rodrigo.

3 - Outro lance de muito perigo por parte do Benfica, e onde a reacção da defensiva portista é bastante questionável. Em particular, qualquer equipa terá sempre de exigir mais de si própria quando um pontapé-de-baliza termina com um jogador isolado na cara do seu guarda-redes. Neste caso, e à margem da resposta à primeira bola, salta à vista a forma como, muito rapidamente, a linha defensiva fica numericamente exposta (e demasiado aberta, já agora). O principal ponto a destacar é, claro, a saída de Otamendi, que é atraído pela presença interior de Gaitan, mas que ao tentar controlar a presença entrelinhas do extremo, acaba por debilitar a linha defensiva, passando esta a estar em igualdade numérica e com muito espaço nas suas costas. Depois, Danilo perde o segundo duelo aéreo, com Lima (aconselhava-se fazer falta), o que desde logo determina que se a bola seguinte não fosse ganha por Mangala, haveria necessariamente um desequilíbrio porque para além de Rodrigo, também Gaitan surgia sem qualquer oposição sobre a esquerda.

4 - O lance mais perigoso do jogo da Amoreira acontece numa altura em que o Sporting estava à procura de resgatar ainda os três pontos. O primeiro ponto a realçar é a forma como o Sporting perde a bola, revelando novamente dificuldades em utilizar o corredor central para as suas acções ofensivas. Ainda assim, a perda de bola, na zona em que acontece, não é responsável pelo descontrolo defensivo que se segue. Apenas com dois jogadores, e em franca inferioridade numérica, o Estoril constrói uma ocasião de golo na cara de Patrício. Na minha leitura, é decisiva a perda de controlo sobre Balboa, que fica livre para progredir vários metros sem oposição. Aqui, a responsabilidade maior parece-me estar na reacção de William Carvalho, que deveria ter controlado a linha de passe para Balboa, e revela depois muitas dificuldades em acompanhar a velocidade do lance. Mais à frente, Piris acaba por não conseguir controlar o movimento de Gerso, num contexto que não era também muito fácil para o lateral. Finalmente, destaque para Rui Patrício que tem feito uma época muito boa. Se o Sporting é a melhor defesa, tal acontece em grande parte porque o seu guarda-redes tem conseguido uma eficácia decisiva bastante superior à dos rivais.

5 - Impossível não falar do Atlético - Barcelona. Não que tenha sido um jogo especialmente emotivo - obviamente não foi - mas pela qualidade das duas equipas, em estilos perfeitamente opostos. O lance que recupero é interessante porque mostra boa parte do mérito de ambas as equipas. Do lado do Atlético, nota para o posicionamento da equipa, envolvendo todos os jogadores mesmo em zonas muito recuadas e fazendo um ajustamento posicional notável, sempre privilegiando a relação espacial entre os jogadores (inter e intra sectores) e permitindo-lhe ajustar sem problema às sucessivas mudanças de corredor dos adversários. A principal referência de pressão da equipa é o posicionamento dos apoios do portador da bola, passando a haver uma atitude pressionante forte sempre que o adversário recebe de costas para a baliza (como se vê pela reacção de Tiago). No vídeo, chamo à atenção para o papel de Koke, que começa por pressionar junto à linha, depois fecha no corredor central e acaba por estar na área na altura do cruzamento, mantendo um ajustamento posicional sempre em função da situação e do equilíbrio colectivo. Outra análise interessante - que guardo para outra ocasião - será perceber como ataca a equipa do Atlético, porque para andar no topo da liga espanhola não basta defender bem.
Mas, mesmo com todo o mérito defensivo do Atlético, o lance acaba mesmo por chegar muito próximo da baliza de Courtois, o que nos leva até ao Barcelona. Já todos conhecemos a qualidade geral da equipa, que permanece em grande medida intacta independentemente de quem está no comando técnico da equipa (o que não quer dizer que a equipa não tenha perdido qualidade desde a saída de Guardiola, evidentemente), mas como a jogada documenta será ainda o factor-Messi aquele que será capaz de transportar o potencial colectivo para outro patamar. E será assim, no Barcelona ou em qualquer equipa, enquanto Messi for Messi.

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