16.1.14

A substituição de Matic

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A saída estava anunciada e vem, até, com algum atraso se considerarmos o que todos pensaram ser inevitável acontecer no passado Verão. Que implicações terá a saída de Matic? Aqui fica a minha ideia:

Pivot: importância da função vs excelência da interpretação
O primeiro ponto que quero abordar, porque ajuda a explicar a minha perspectiva, tem a ver com a função específica do "pivot". É quase regra geral que todas as equipas que recorrem à utilização de um "pivot" (uma opção muito popular na última década do futebol português) fazem desta uma função central no seu modelo táctico. Com uma forte componente posicional, este jogador é, quase sempre, o mais influente em posse e aquele que mais intervenções defensivas realiza. Por isso, frequentemente ouvimos e lemos a referência à importância dos jogadores que desempenham esta função nas respectivas equipas. Ora, eu não discordo dessa observação, mas parece-me que não raras vezes se confunde a importância do papel com a excelência da sua interpretação.

O exemplo de Javi e outros casos bem sucedidos
A consequência do equívoco que identifico no ponto anterior é que normalmente se sobrevaloriza o peso individual do jogador que interpreta esta função. Já aconteceu noutras ocasiões, como foi o caso de Paulo Assunção no Porto, mas é no próprio Benfica que surgirá o exemplo mais recente: Javi Garcia. De facto, parece que já lá vai muito tempo mas foi apenas há pouco mais de um ano que o Benfica perdeu Javi Garcia e poucos foram aqueles que, nessa altura, não anteciparam grandes problemas para o futuro imediato da equipa, em face dessa perda (agravada por ter acontecido em simultâneo com a de Witsel). Não estou com isto, note-se, a equiparar Javi a Matic, porque se no caso do espanhol - e como fui aqui escrevendo durante muito tempo - havia muito pouco de extraordinário para além do jogo aéreo, o mesmo não se pode dizer de Matic que revelou uma qualidade muito mais abrangente do que o seu antecessor.
De resto, é interessante observar o número de jogadores que, nos últimos anos, deu nas vistas no desempenho desta função no futebol português, sem que tenha sido preciso um grande investimento para o conseguir. Paulo Assunção, Fernando, Veloso, Matic e William, são os casos que me vêm à memória, todos eles com elevado rendimento apesar do baixo investimento, numa frequência muito elevada e que a meu ver não acontece por acaso. Desta constatação resulta mais um bom indício para o Benfica e para este processo de substituição de Matic.

Fejsa e Amorim, as alternativas
Considerados os pontos acima, e mesmo reconhecendo que algumas das qualidades de Matic não serão substituíveis no imediato, a verdade é que não consigo ver grande drama para o Benfica com a saída de Matic. A função de "pivot" tem grandes restrições tácticas e precisa sobretudo de uma interpretação lúcida e segura, onde o critério e segurança são sempre a principal prioridade, ao contrário da criatividade e capacidade de desequilíbrio. A solução mais óbvia é Fejsa, que já revelou uma capacidade de trabalho assinalável e parece ter todos os requisitos para cumprir bem o papel de "pivot", tal qual definido por Jesus. A grande dúvida em relação ao ex-Olympiakos é a sua segurança em posse, sendo esse um ponto a meu ver muito importante nesta função (e, já agora, onde Matic não esteve bem nesta temporada) e onde ainda não percebi bem que garantias pode dar, ou não, Fejsa. Outra solução é Ruben Amorim, cujo perfil não é tão ajustado a esta função específica, por ter qualidade para oferecer um envolvimento com mais dinâmica e não ter também a mesma capacidade de intervenção defensiva de Fejsa. Ainda assim, e mesmo parecendo-me mais vocacionado para funções de maior liberdade táctica, é sem dúvida uma alternativa. Sem Matic, o Benfica perderá presença no jogo aéreo (sobretudo se comparado com Amorim) e criatividade (sobretudo se comparado com Fejsa), mas não prevejo que perca aquilo que é mais essencial nesta função.

Matic no Chelsea
O Chelsea é das equipas que mais tenho acompanhado além fronteiras, pelo será com interesse que acompanharei também o outro lado desta mudança. Já aqui tinha escrito que o Chelsea tinha alguns problemas nas soluções para o seu "duplo-pivot", e Matic deverá acrescentar qualidade às opções de José Mourinho para essa zona, nomeadamente a mais-valia que trará em termos de presença aérea e capacidade de trabalho. Ainda assim, a utilização de Matic em funções mais adiantadas nos últimos tempos de Benfica veio mostrar algumas dificuldades na sua movimentação dentro do bloco contrário. Ou seja, parece-me provável que combine melhor actuando ao lado de um jogador de maior capacidade de envolvência em posse, como Lampard, do que com jogadores mais posicionais como será o caso de Obi Mikel.

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15.1.14

Notas sobre o Sporting

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Problemas e soluções repetidas, no Estoril - O empate na Amoreira (deixo os dados estatísticos abaixo) não deve ser encarado com muita preocupação. Estamos a falar de uma dos 2 jogos teoricamente mais difíceis do calendário, excluindo o confronto com os "grandes". Ainda assim, o Sporting deixou alguns sinais de dificuldade, que se repetem de outras ocasiões e que voltaram a não ter a melhor resposta.

Em particular, sempre que a dinâmica pelos corredores laterais não sai, seja por mérito do adversário ou desinspiração própria, a equipa reage da mesma maneira, mecânica, introduzindo o seu "plano B" na meia-hora final. Já aqui escrevi sobre isto, inclusivamente nas ocasiões em que fazer entrar Slimani parecia produzir resultados milagrosos. Não faz grande sentido aplicar um "plano B" por defeito, quando se entende que o "plano A" é aquele que mais hipóteses de sucesso oferece à equipa. Muito menos, fazê-lo é uma fonte de imprevisibilidade para os adversários, pois toda a gente sabe o que vai acontecer entre o minuto 60 e 70, caso o Sporting não esteja em vantagem. Sem contexto especifico que o justifique, uma mudança deste género a 30 minutos do final do jogo é, sobretudo, um acto de fé.

A resposta que, a meu ver, o Sporting deveria procurar tem a ver com a procura de dinâmicas alternativas, nomeadamente acrescentando alguns movimentos de exploração do espaço no corredor central, de onde o Sporting continua com muitas dificuldades em extrair grande produtividade. Não é algo fácil de conseguir, nem tão pouco esta minha critica sugere que o problema é evidente para quem o tem de resolver - muito pelo contrário! - mas não vejo saídas fáceis.

Mané e outro contexto, frente ao Marítimo - Se o Sporting praticamente não teve ocasiões claras de golo no Estoril, entretanto já conseguiu uma série delas na recepção ao Marítimo. Ou seja, o problema da falta de golos tem sobretudo a ver com o contexto, e com a qualidade da oposição, porque a equipa continua a mostrar-se lúcida e eficaz na implementação da sua ideia de jogo.

Sobre este jogo, a principal nota vem da exibição de Carlos Mané. Pessoalmente, não conheço bem o jogador, e apenas o tinha podido ver em aparições fugazes no final dos jogos. Desta vez, num contexto de maior estabilidade e com mais tempo, a ideia foi deixada foi muito melhor. Surpreendentemente, melhor. Se este é a capacidade que se reconhece ao Mané do presente, e tendo ele apenas 19 anos, parece-me evidente que o jogador deve entrar nas contas da titularidade, no mínimo alternando com as outras soluções. É duvidoso que o Sporting perca alguma coisa no imediato - a julgar por este jogo, não perderá - e poderá paralelamente fazer desenvolver um jogador numa posição chave e onde é mais difícil encontrar grande qualidade a baixo preço no mercado.

Uma nota final sobre o Marítimo, que apesar da derrota pesada voltou a recolher elogios pelo seu "futebol positivo". Constato frequentemente a confusão que é feita entre uma equipa que "defende mal" e uma equipa que pratica "futebol positivo". Porque não há nada de positivo em defender mal. O que se passa com o Marítimo é que apesar de ter uma das melhores linhas avançadas da Liga, está sempre habilitada a perder qualquer jogo. A equipa perdeu muitas unidades da sua zona defensiva (Roberge, João Guilherme, Rafael Miranda) e não conseguiu ainda recuperar dessas perdas, perdendo muita eficácia em organização defensiva. É, aliás, minha convicção de que esse é o problema que tira o sono ao próprio Pedro Martins, e que este não o vê, de forma alguma, como algo "positivo".

Tinha anunciado e era minha intenção trazer hoje aqui algumas jogadas do Benfica - Porto, mas por motivos técnicos não me é possível fazer vídeos. Se, como espero, o problema for resolvido a tempo, ainda recuperarei essa análise até ao final da semana...


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14.1.14

Benfica - Porto (II): Análise individual

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Benfica
Oblak - Mais um jogo sem sofrer golos e sem reparos à sua actuação que, diga-se, voltou a não ser especialmente exigente. O facto da eficácia de Artur ter sido, como já mostrei, assustadoramente baixa nestes primeiros meses de temporada, não implica que Oblak seja o outro lado da moeda. A avaliação dos guarda-redes, para ser conclusiva, requer muito mais tempo de avaliação. Uma coisa é certa, porém, como venho escrevendo há algum tempo, e ao contrário da ideia que se generalizou em termos mediáticos, o nível de exposição defensiva do Benfica não justificava o número de golos que a equipa vinha sofrendo internamente. O facto do Benfica ter vindo a sofrer menos golos é, por isso, algo que está em linha com o que era expectável, e não o contrário.

Maxi - Foi, sobretudo, um jogo de muita luta. Travou inúmeros duelos no seu corredor, o que explica o facto de ter sido um dos jogadores com mais intervenções defensivas no jogo. Por outro lado, do ponto de vista técnico sentiu sempre muitas dificuldades em conseguir dar boa sequência às suas intervenções, um problema extensível à generalidade da equipa e que se explica pela natureza do próprio jogo, mas que acabou por se reflectir especialmente na sua exibição.

Siqueira - Em sentido inverso de Maxi, teve um jogo discreto e até relativamente pouco conseguido em termos defensivos, sendo que pelo contrário foi um jogador muito lúcido quase sempre que teve a bola nos pés. Uma exibição que reforça a ideia que Siqueira me vem dando desde a sua chegada à Luz. Ou seja, com ele o Benfica ganha mais ofensivamente do que defensivamente.

Luisão - Garay foi o centro das atenções entre os centrais do Benfica, tanto pelo golo, como por algumas intervenções mais vistosas. Se em termos de impacto ofensivo a diferença entre os dois é óbvia, no que respeita à utilidade defensiva a presença de Luisão não fica em nada a dever à de Garay, tendo tido uma prestação mais sóbria, é verdade, mas bastante eficaz nos duelos que travou na sua zona, nomeadamente no confronto com Jackson Martinez.

Garay - Tem muito mérito no golo que marcou, pela forma como atacou a bola. Aliás, parece-me haver mais mérito seu do que demérito alheio. De resto, fez uma primeira parte vistosa, com alguns cortes importantes e intervindo mais no espaço do que Luisão. Com bola, onde costuma ser também uma mais valia para a equipa, este não foi dos seus melhores jogos.

Matic - Se este foi o seu último jogo de águia ao peito, pode dizer-se que se despediu em beleza. Foi, de facto, uma figura chave no jogo. Primeiro, porque actuou nas costas de uma zona pressionante que foi a grande arma estratégica da equipa. Depois, porque nas reposições longas foi também muito importante, servindo quer de referência para Oblak, quer de bloqueio para Hélton, numa acção importante para inviabilizar que o Porto utilizasse a boa presença aérea do seu avançado como referência para as primeiras bolas. Tudo somado, foi com grande distância de todos os outros, o jogador mais interventivo em termos defensivos, um autêntico muro à frente da defesa e que esteve na origem de várias transições com elevado potencial. Ofensivamente, poderia ter até tido outro protagonismo com algumas chegadas muito perigosas à área contrária, em lances de bola parada.

Enzo Perez - Estrategicamente, teve uma missão importante, porque coube-lhe pressionar em zonas muito adiantadas, para tentar condicionar a acção do duplo-pivot portista, na fase de construção. Um papel importante para o pressing da equipa, mesmo se em termos de intervenção directa acabou por não assumir grande protagonismo. Em posse, foi o jogador mais interventivo da equipa, ainda que este não fosse propriamente um jogo onde a presença em posse tivesse sido uma das armas essenciais da equipa. Referência habitual nas bolas paradas, apontou o canto que esteve na origem do segundo golo.

Gaitan - É verdade que foi disciplinado tacticamente, mas isso, e ao contrário da ideia generalizada, nem sequer é uma novidade nas suas exibições. A meu ver, porém, a exibição de Gaitan esteve bem abaixo do que pode oferecer, revelando-se bastante ineficaz nas suas intervenções com bola (com destaque para o momento de transição, onde foi o jogador que mais passes perdeu), e não oferecendo à equipa o seu habitual contributo criativo.

Markovic - A jogada do golo é tremenda, quer pela capacidade de arranque, quer pela notável definição no último passe. Um lance que Markovic andava a tentar há muito, e que acabou por lhe sair no jogo ideal. Depois, e ainda no campo dos elogios, de referenciar a sua missão defensiva, em especial no ajuste posicional interior, que lhe valeu várias intercepções importantes e ainda dentro do meio-campo contrário. Uma exibição que volta a revelar de forma bem clara o potencial que tem, mas que a meu ver não chega para esconder o caminho que ainda lhe falta percorrer.

Rodrigo - Mais um grande jogo num papel mais móvel. Parte do protagonismo, claro, resulta do golo que marcou, mas há outros capítulos onde a sua exibição justifica elogios. Em transição, por exemplo, foi o jogador com melhor eficácia, ligando bem a equipa após recuperação da bola, e mesmo no capítulo defensivo foi também ele uma presença relevante no condicionamento do jogo ofensivo do adversário. Entre ele e Matic, tenho muita dificuldade em eleger o melhor-em-campo. Aliás, desde que foi lançado neste papel de avançado mais móvel, Rodrigo tem-se tornado numa unidade de elevada utilidade para a equipa, num papel em que o Benfica vinha tendo muitas dificuldades em encontrar soluções nos primeiros meses da temporada e que, como já expliquei, me parece ter um enorme valor para a equipa. Uma ideia que, percebo, não é partilhada por muitos mas que imagino que vá ganhando alguns adeptos dada a repetitiva influência decisiva que Rodrigo vem conseguindo nesta função. Caso saia, será interessante perceber até que ponto esta posição voltará a ser um problema para Jesus. Pessoalmente, e face ao rendimento que tem tido nos últimos meses, não tenho dúvidas de que é, no mínimo, um risco para o curto-prazo.

 Lima - Parecia poder regressar a um melhor momento de confiança quando os golos começaram a surgir, mas a verdade é que isso ainda não aconteceu. Lutou, tal como a generalidade da equipa, e deu o seu contributo, mas esteve longe do protagonismo que pode assumir. Nota para a forma como isolou Rodrigo, ganhando no ar, num lance que poderia ter terminado no 3-0.

Porto
Hélton - Não fugiu à mediocridade colectiva e contribuiu também ele com alguns erros. Já lhe tem acontecido errar num lance isolado em alguns jogos, mas raramente terá errado tanto como neste jogo, com um passe comprometedor e duas saídas mal calculadas, uma delas no lance segundo golo. Ainda assim, na minha opinião, nesse lance há muito mérito de Garay.

Danilo - Foi um dos protagonistas óbvios do jogo, não conseguindo controlar Rodrigo no lance do primeiro golo e sendo expulso mais tarde. Não estava a fazer um jogo especialmente exuberante, mas também não vinha sendo dos jogadores com uma exibição mais comprometedora.

Alex Sandro - Bastante em jogo e evidenciando-se, como sempre, pela forma como transporta a bola ao longo do seu corredor. Em termos de eficácia, diria que foi um jogo dividido, onde ganhou e perdeu duelos.

Otamendi - Regressou à equipa e Paulo Fonseca bem se deve ter arrependido dessa decisão. Em posse, foi o jogador que mais perdas de risco acumulou, sendo que se em parte a responsabilidade deriva da ausência de linhas de passe que lhe foram oferecidas, por outro lado Otamendi voltou a revelar a sua imprudência ao nível do risco em posse. Mas também no capítulo defensivo comprometeu, parecendo-me ter abordado mal o lance do primeiro golo e também saindo algo precipitadamente da sua zona no lance que termina com o isolamento de Rodrigo, já na segunda parte. Provavelmente, o pior da equipa e do jogo.

Mangala - Muitos lhe apontarão o dedo no lance do segundo golo, mas na minha leitura deve ser sobretudo creditado mérito a Garay pela forma como atacou a bola. Mangala também o fez, mas partindo de um posicionamento necessariamente mais estático não era fácil controlar a entrada de rompante do central argentino. À margem desse lance, foi o jogador com mais presença em posse e aquele que, de longe, mais conseguiu intervir defensivamente, destacando-se o seu papel no momento de transição defensiva, a grande arma do Benfica no jogo. Na minha opinião, e a grande distância, a melhor exibição individual entre os portistas.

Fernando - Um jogo discreto, o que pode ter duas interpretações. Primeiro, e pela positiva, foi dos jogadores com mais presença em posse e dos que menos comprometeu nesse plano. Depois, defensivamente, o jogo passou-lhe bastante ao lado, com muito poucas intervenções defensivas relativamente ao que dele se espera, não conseguindo ser muito útil no momento de transição ataque-defesa e não sendo também uma presença discreta nos duelos aéreos travados na sua zona. Não é a primeira vez que tal sucede esta época, parecendo-me que sente algumas dificuldades em impor as suas qualidades jogando com um jogador ao seu lado.

Lucho - É outro dos mais óbvios focos de crítica, por ter perdido a bola para Markovic no lance do primeiro golo. Pessoalmente, parece-me excessivo valorizar esse erro, porque no momento em que ele acontece, a equipa tem 6 jogadores atrás da linha da bola, estando por isso perfeitamente capacitada para reagir com segurança à perda. Será mais criticável a forma como os dois médios protegem o mesmo passe interior e abrem o espaço entrelinhas para onde "explode" Markovic. Aliás, acção do sérvio justifica muito crédito na distribuição de responsabilidades da jogada. De resto, parece-me um equívoco enorme utilizá-lo nesta posição (e sei que, mais uma vez, esta não é a opinião mais comum), porque Lucho é sobretudo um jogador forte nas movimentações sem bola e na forma como cria espaços com acções simples, e não tanto um jogador de transporte de bola. Num jogo onde era fundamental aproveitar as costas dos médios do Benfica, não deixo de pensar como tudo poderia ter sido diferente caso Lucho tivesse sido utilizado nesse papel. Paulo Fonseca cedeu aos apelos exteriores e aparentemente recuou Lucho em definitivo. Se o Porto até aqui era fraco nas alas e forte no espaço entrelinhas, com o recuo de Lucho apenas ficamos a saber que perdeu um dos pontos fortes do seu jogo.

Carlos Eduardo - Voltou a realizar um jogo pouco conseguido, especialmente enquanto esteve no papel de médio mais ofensivo, destacando-se a dificuldade que teve em aparecer em jogo. Um problema que se repetiu desde o jogo de Alvalade e que ajuda a explicar o, também repetido, bloqueio da primeira fase de construção do Porto. Ainda assim, destaca-se a sua boa entrega e capacidade de trabalho, parecendo mais confortável na parte final, quando baixou para o lado de Fernando. É um bom executante e poderá ter um futuro interessante na equipa, mas não se lhe pode pedir que seja um elemento muito forte nas movimentações sem bola e no espaço entrelinhas, estando mais vocacionado para procurar espaços laterais e o transporte de bola. Cabe a Paulo Fonseca ser capaz de o integrar, de forma a que as suas características façam sentido para a missão colectiva, algo que claramente não aconteceu neste jogo.

Varela - Muitas dificuldades ao longo de todo o jogo, praticamente sem criar nada de relevante em termos ofensivos, mas também com muito poucas condições para o fazer. Depois da lesão de Danilo, foi ala-direito.

Licá - Foi o protagonista da principal ocasião de golo da equipa, ainda que num lance irregular, e esse é o ponto mais alto da sua exibição. De resto, só se pode estranhar como é que Paulo Fonseca lhe voltou a dar a titularidade depois das dificuldades que revelou no jogo frente ao Sporting. Sem surpresa, voltou a sentir os mesmos problemas para aparecer em jogo, não contribuindo em praticamente nada para ajudar a equipa a encontrar linhas de passe verticais. Ou seja, mais difícil do que entender a sua exibição, é entender a sua utilização.

Jackson - Jogo obviamente difícil em face do bloqueio da equipa em zonas mais atrasadas. Ainda assim, quase sempre que a equipa conseguiu chegar à zona de finalização, Jackson apareceu e esse é um mérito que lhe deve ser creditado, ainda que como sempre o primeiro instinto será para criticar o facto de não ter marcado quando o podia ter feito. Um ponto potencialmente importante neste jogo, passava por utilizar Jackson como referência para a construção longa, onde o colombiano é bastante forte. O facto é que, apesar da luta que deu, Jackson também não conseguiu grande impacto a este nível, sendo igualmente verdade que a equipa não terá explorado da melhor maneira esse recurso, nomeadamente por não ter retirado a bola da zona de Matic.

Quaresma - Os primeiros minutos de jogo neste regresso mostram bem o que dele se pode e deve esperar. Ou seja, risco permanente e assumido a cada posse, o que na maioria dos casos resulta na perda da bola e descontinuidade da acção ofensiva, mas que poderá resultar também em algumas excepções de elevado potencial. Este é o perfil que Quaresma tem e certamente terá, restando saber quantas excepções conseguirá Quaresma extrair daquela que será a regra das suas intervenções.

Josué - Uma nota sobre a sua utilização, que não tem a ver com o seu rendimento no jogo. É que depois de ter sido utilizado durante meses como segundo-pivot ou ala, Josué aparece agora como primeira prioridade para função de médio-ofensivo, nas contas de Paulo Fonseca. Foi aí que jogou frente ao Atlético, tendo para isso recuado Lucho (que foi sempre primeira opção para médio-ofensivo até há pouco tempo), e foi aí que jogou também agora, tendo para isso recuado Carlos Eduardo. Paulo Fonseca continua a trocar as opções individuais no seu meio-campo e eu não sei exactamente quais as suas motivações, mas continuo a pensar que está, não só a escolher o foco errado, como a procurar a forma errada de resolver o problema que tem pela frente, ou seja, centrando-se em absoluto nas valências individuais em vez de desenvolver dinâmicas colectivas que, inevitavelmente, precisarão de mais estabilidade para ser optimizadas.

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13.1.14

Benfica - Porto (I): Aspectos tácticos (colectivos)

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Jogo tecnicamente pobre e desfecho justo
O ambiente e carga emocional envolvente garante o interesse do espectáculo, mas do ponto de vista estritamente técnico, este foi um mau jogo. O Benfica venceu com justiça, porque foi quem mais próximo do golo esteve e também quem retirou melhor partido da abordagem estratégica que trazia para a partida, mas não creio que o sucesso encarnado seja suficiente para que se veja grande brilhantismo na sua exibição. Foi, essencialmente, a melhor (ou, muito melhor) de duas exibições não muito conseguidas.

Porto: a responsabilidade de Paulo Fonseca
Já aqui tenho discordado várias vezes da ideia de que Paulo Fonseca é o principal responsável pelas dificuldades em que a equipa mergulhou na presente temporada. Em particular, discordo completamente da focalização das criticas nos aspectos fundamentais do seu modelo de jogo, nomeadamente no sistema. Há, no entanto, outros pontos onde o treinador atrai a minha crítica e, nesse sentido, este jogo será um dos capítulos mais flagrantes no ainda curto tempo que ainda leva como treinador azul-e-branco.
De facto, penso que Paulo Fonseca é o grande responsável pela forma como o Porto perdeu. Não que o Porto não pudesse ter perdido o jogo se tivesse jogado de outra maneira, mas porque a surpreendente previsibilidade da sua abordagem estratégica facilitou enormemente a tarefa do Benfica. E, para explicar este meu ponto de vista é fundamental olhar à leitura que fiz da recente visita portista a Alvalade. Nesse jogo, o Porto conseguiu até mais presença em posse, mas acabou por se ver refém da sua incapacidade para progredir com bola, não só chegando com muito pouca frequência ao derradeiro terço ofensivo, como expondo-se também ao enorme risco das perdas de bola que foi acumulando perante o pressing do Sporting. Ainda nessa partida, ficaram claras as dificuldades da equipa em encontrar linhas de passe que tivessem como destino as costas dos médios sportinguistas, aproveitando o adiantamento destes. Nomeadamente, sobressaiu de forma flagrante a incapacidade de unidades como Carlos Eduardo e Licá em se movimentarem no espaço entrelinhas.
Para o jogo da Luz, e após essa análise, tinha duas convicções: 1) O Porto dificilmente sobreviveria ao destino da derrota caso se se voltasse a expor da mesma maneira; 2) Paulo Fonseca dificilmente repetiria a mesma abordagem, com os mesmos protagonistas. Acertei na primeira, errei na segunda. Paulo Fonseca introduziu Lucho e Jackson, que é certo fazem bastante diferença, mas no essencial repetiu a mesma abordagem, nomeadamente apostando nos mesmos protagonistas para procurar linhas de passe dentro do bloco adversário: Varela, Carlos Eduardo e Licá.
Como Jesus também viu esse jogo da Taça da Liga, imagino que terá tido a primeira sensação de vitória bem antes do primeiro golo de Rodrigo...

(Há outros pontos a criticar na abordagem de Paulo Fonseca sobre os quais não me vou alongar aqui, como a não-preocupação de retirar as reposições longas da zona de Matic, ou a volatilidade com que vem gerindo o papel dos diversos protagonistas do seu meio-campo)

Benfica: estratégia bem sucedida e liderança após tantas críticas
Jesus preparou-se estrategicamente para o adversário, com um pressing muito agressivo sobre a fase de construção portista, que exigia, não só duas unidades na primeira linha de pressão (Lima e Rodrigo), como o adiantamento constante de um outro elemento no corredor central (Enzo) para garantir presença pressionante numa zona onde, para além dos centrais, o Porto fazia baixar o seu duplo-pivot (Fernando e Lucho). Para isto, parece-me, houve uma preocupação especial em Matic para guardar posição e nos alas (Markovic e Gaitan) em aproximar-se do corredor central perante o adiantamento de Enzo. Uma abordagem estratégica que poderei ilustrar com mais detalhe quando trouxer algumas jogadas do jogo, mas que claramente conseguiu grande propósito na sua aplicação prática, acabando por ser o grande alicerce do sucesso da equipa. Aliás, à margem desta 'nuance' táctica decisiva, o Benfica fez até uma exibição relativamente medíocre, não conseguindo grande eficácia nas suas iniciativas em ataque-posicional (também com alguns erros em posse) e perdendo até várias das oportunidades que se lhe abriram em situações de contra-ataque.

Se tenho discordado de algumas críticas feitas a Paulo Fonseca, o mesmo posso dizer da crucificação que vendo sendo feita às opções de Jorge Jesus, praticamente desde a pré-temporada. Aliás, parece-me que os efeitos do desgaste mediático do treinador são tais, que a certo ponto tudo o que o treinador fazia, fosse num sentido ou noutro, era motivo para as mais contundentes críticas. É natural, portanto, que a liderança do Benfica seja agora encarada com alguma surpresa, mas isso terá sobretudo a ver com a perspectiva excessivamente pessimista com que a equipa vem sendo olhada há muito tempo a esta parte. Não vou dizer que o Benfica seja, claramente, a melhor equipa de uma prova que tem sido pautada por muito equilíbrio na performance dos seus principais competidores, mas parece-me clara essa subvalorização da equipa do Benfica. Talvez agora passe a haver maior razoabilidade na apreciação nas análises ao seu desempenho e, já agora, também uma perspectiva menos dogmática e maniqueista em torno das opções do seu treinador (nomeadamente na célebre questão do 4-4-2 vs 4-3-3, a meu ver muito mal tratada).



Nos próximos 2 dias darei seguimento à análise deste jogo, primeiro com a opinão (e dados estatísticos) às exibições individuais e, depois, com a análise táctica de algumas jogadas relevantes do jogo (vídeo).

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10.1.14

Sporting: Análise principais jogos

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Para concluir este ciclo de análises, deixo os dados relativamente aos jogos do Sporting que analisei mais detalhadamente. A primeira ressalva tem a ver com a diferença em relação ao que sucede com Benfica e Porto, já que no caso do Sporting não houve neste ano presença europeia, havendo por isso uma centralização total nas competições internas. Este facto torna mais difícil a comparação com os rivais, já que o grau de dificuldade não é tão elevado. Ainda assim, assinale-se, foi o Sporting quem teve até agora mais confrontos directos com os outros "grandes". Aqui ficam algumas notas de opinião pessoal, primeiro sobre dados colectivos e depois relativamente a alguns casos individuais:

Segurança e objectividade - No final da pré-época deixei uma análise semelhante a esta e se recordarmos os pontos levantados nessa altura, facilmente constatamos que grande parte da imagem do Sporting pré-competição se confirmou nesta primeira metade da temporada. Em particular, o pouco risco assumido com bola, preferindo a progressão pelos corredores laterais e expondo-se pouco a perdas de risco que pudessem dificultar o controlo sobre o momento de transição ataque-defesa. Para além disso, o Sporting denota um aproveitamento muito bom das ocasiões criadas, uma constatação que se repete na análise que deixei sobre os primeiros 14 jogos do campeonato. Como ponto menos positivo fica a prestação frente aos mais directos rivais, não se podendo dizer que tenha existido uma grande diferença entre as equipas, mas constatando-se também que, em 4 jogos, apenas por uma vez o Sporting se superiorizou na capacidade de criar ocasiões claras de golo (mais precisamente, no recente embate com o Porto, para a Taça da Liga).

Cedric - Terá sido, sem grandes dúvidas, um dos jogadores de maior rendimento neste conjunto de jogos de maior grande de dificuldade (segundo o ranking estatístico apresentado, foi mesmo aquele que teve melhor produção). A sua evolução tem sido, de facto, muito boa, estando a meu ver a realizar uma época em crescendo. Tem uma capacidade de definição muito boa no último terço e uma capacidade intervenção defensiva igualmente capaz, sendo estes os dois aspectos que mais têm valorizado as suas exibições. Há outros pontos onde já mostrou debilidades - nomeadamente no posicionamento defensivo - mas com um melhor enquadramento colectivo tem tido um grau de exposição muito inferior a esse tipo de situações. Um caso que serve também de exemplo sobre a importância decisiva do enquadramento colectivo para potenciar as qualidades individuais, especialmente em jogadores de funções mais defensivas.

William - A grande revelação da equipa confirma nesta análise a boa prestação, surgindo como um dos principais destaques individuais. Em particular, e também sem surpresa, é de sublinhar a utilidade da sua presença em posse.

Zona criativa - Constatar que os laterais, Cedric e Jefferson, foram os jogadores que mais ocasiões de golo criaram neste conjunto de jogos oferece-nos duas perspectivas de análise. A primeira, claro, tem a ver com o mérito dos laterais e com a sua importância na dinâmica ofensiva da equipa. A segunda, por outro lado, tem a ver com a baixa capacidade criativa de extremos e médio-ofensivos da equipa. Um ponto que também já havia destacado na análise aos jogos do campeonato e que se parece acentuar quando o grau de dificuldade aumenta.

Linha defensiva - Uma nota positiva para a regularidade dos elementos utilizados na linha defensiva (com excepção de Dier), todos eles com uma presença bastante segura até agora. Este destaque justifica-se sobretudo pela menor reputação de praticamente todos estes jogadores, que no inicio foi a base de um cepticismo quase generalizado em torno das suas capacidades, uma ideia entretanto invertida pela resposta dada dentro de campo. Aqui, e recuperando a ideia que deixei acima para o caso específico de Cedric, há que realçar a importância do contexto colectivo para que o rendimento individual fosse potenciado.

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9.1.14

Porto: Análise principais jogos

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Depois do Benfica, o Porto, sendo que no caso dos portistas analisei detalhadamente menos 2 jogos, num total de 9. Como notas, vou deixar primeiro uma comparação com os dados do Benfica - comparação que, alerto, não serve para tirar conclusões lineares - e depois algumas notas sobre casos individuais.

Porto vs Benfica
- Porto com maior volume de posse de bola, mas com um número de perdas de risco muito superior e com menos ocasiões de golo criadas. Dados que sugerem menor objectividade e, sobretudo, reforçam a ideia de que a equipa foi bastante penalizada em termos de erros evitáveis.
- Porto com bastante mais intervenções defensivas, o que mais uma vez sugere que a quantidade de posse de bola não reflecte qualidade. Tendo maior volume de posse de bola, seria de esperar que a equipa fosse sujeita a menos trabalho defensivo, o que não acontece.
- Porto com mais finalizações, mas menos objectividade, tanto em termos de enquadramento com a baliza como em termos de ocasiões criadas.
- Porto com menos ocasiões criadas e mais ocasiões consentidas, o que se reflecte num saldo de golos negativo nos jogos analisados. A explicação deverá passar, pelo menos em parte, pelos indícios deixados nos pontos anteriores.
- É interessante constatar que nos jogos do campeonato o Porto consegue, de uma forma geral, melhores indicadores do que o Benfica, invertendo-se claramente essa tendência nos jogos de maior grau de dificuldade. Uma comparação curiosa e interessante, em vésperas de um Benfica-Porto.

Lucho - Já tenho escrito bastante sobre ele, em particular da forma como, na apreciação mediática, o B.I. se consegue sobrepor a tudo o que faz no terreno de jogo. De facto, neste conjunto de jogos de maior grau de dificuldade, Lucho foi com alguma distância o jogador de melhor rendimento da equipa azul-e-branca, retirando sobretudo partido da sua notável leitura do jogo e dos espaços. Para mais, e não sendo esta uma estatística que valorize particularmente, foi o jogador da equipa que mais quilómetros correu na Champions, segundo os dados da Uefa (mesmo não fazendo todos os minutos). Face a tudo isto, e repito a ideia, quando se invoca os quase 33 anos que leva completados como um facto limitativo, está-se sobretudo a mostrar como o B.I. é um forte preconceito na nossa cultura futebolística. O que não é novidade, diga-se...

Varela e Licá - A perda de qualidade nos extremos é um tema que já venho comentando desde a pré-época, sendo nesta altura praticamente consensual que reside aí um dos principais problemas da equipa. Ainda assim, convém fazer uma distinção entre Varela e Licá, porque se no caso do primeiro podemos falar de inconsistência, nomeadamente na capacidade de aproximar a equipa do golo, no caso de Licá os problemas são bem maiores, sendo provavelmente a unidade de menor rendimento neste conjunto de jogos, considerando apenas os jogadores mais utilizados.

Otamendi e Mangala - São dois centrais de grande projecção internacional, podendo até dar-se o caso de estarem os dois no próximo Mundial, e em duas das principais equipas da competição. A pergunta, porém, é de que serve todo este mediatismo, ou mesmo o potencial que se lhes reconhece, se no terreno de jogo erram com tanta frequência? A resposta é, naturalmente, que serve para mesmo muito pouco, e esta época tem sido, nesse aspecto, um exemplo. Ainda assim, a meu ver são dois casos diferentes. Otamendi tem uma capacidade de participação no jogo tremenda, tanto em termos defensivos como ofensivos. É dominador na sua zona de acção e com bola assume com grande facilidade a iniciativa do jogo. O problema é que acumulou um número inaceitável de erros comprometedores, com destaque para as perdas de risco, em posse. Mangala é um caso diferente, sendo muito mais imponente fisicamente, mas não tendo a mesma capacidade de intervenção defensiva que Otamendi fruto, parece-me, de uma capacidade de leitura do jogo bastante limitada. O problema dos erros individuais, onde também se devem incluir Danilo e Alex Sandro, tem sido um problema importante da equipa, e dentro do campo não há reputação, valorização de mercado ou estatuto mediático que possa valer.

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8.1.14

Benfica: Análise principais jogos

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Concluindo o ciclo de balanço que tenho estado a fazer nos últimos dias, apresento os dados dos jogos que fui analisando com mais detalhe, começando com o Benfica e seguindo depois com Porto e Sporting, nos próximos 2 dias. O critério para selecção de jogos a analisar tem a ver com o grau de dificuldade esperado (à priori) para cada desafio. No caso do Benfica, analisei até ao momento 11 jogos. Nota para referir que só são apresentados os dados de jogadores com uma utilização superior a 200 minutos. Aqui ficam algumas notas, relativamente aos jogadores.

Gaitan - Será provavelmente o jogador a justificar maior destaque positivo nesta análise, tendo em conta o rendimento e o tempo de utilização. A característica que mais sobressai é, claro, a capacidade criativa, com um volume de ocasiões criadas muito superior à de qualquer outro jogador. Mas Gaitan consegue também uma abrangência por outros capítulos de acção, com destaque para a sua capacidade de intervenção defensiva, um capítulo onde o seu contributo é extremamente subestimado em termos mediáticos, mas onde continua a revelar (e a constatação vem de outras épocas) um contributo muito positivo e acima da média para um jogador da sua posição.

Matic - Fui escrevendo que o seu rendimento objectivo tem estado regularmente aquém do potencial que tem e estes dado ajudam a explicar o problema. Não tem a ver com a capacidade de trabalho, nem com o potencial técnico, que são extraordinários para um jogador da sua posição, como aliás facilmente se reconhece. Tem, isso sim, a ver com o número de erros que vem acumulando em posse, sendo que a zona onde actua determina que cada passe perdido representa um risco importante para a reacção defensiva da equipa. Matic é o jogador com maior número de perdas de risco da equipa, e é bom salientar a importância de algumas dessas jogadas para as aspirações da equipa, como foram os casos dos jogos com o Marítimo e Olympiakos (casa). Na minha leitura, é um problema que tem muito que ver com o critério e com o assumir de um risco pouco aconselhável para a fase de jogo onde actua. Portanto, algo que pode ser facilmente corrigível.

Fejsa e Rodrigo - Surgem como dois dos nomes mais destacados nesta análise, mas é bom ter em conta o tempo de jogo, que não é muito e por isso torna menos conclusiva a análise. Ainda assim, são dois casos que deixaram boas indicações em jogos de maior grau de dificuldade. No caso de Fejsa, a sua capacidade de trabalho é o grande motivo de destaque, sendo que não tem mantido sempre a mesma sobriedade com bola noutras aparições que entretanto teve. Já Rodrigo tem mantido a mesma capacidade de desequilíbrio nos jogos recentes, sendo protagonista recorrente nas principais jogadas ofensivas da equipa. Algo que também já aqui abordei.

Markovic - Não é difícil perceber o seu potencial, tendo começado por deixar água na boca dos adeptos no começo da temporada, com algumas jogadas muito vistosas. A verdade é que o sérvio não foi capaz de dar sequência a esses sinais positivos, e apesar do elevado tempo de utilização, o facto é que raramente conseguiu ser uma figura verdadeiramente determinante, revelando por um lado, dificuldade em integrar os seus movimentos na dinâmica colectiva e, por outro, mostrando-se anormalmente ansioso em desequilibrar sempre que a bola lhe passa pelos pés, o que retirou propósito e eficácia às suas acções.


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7.1.14

Os mais desequilibradores da liga, análise (Jorn. 14)

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Actualizo a análise individual, centrada nas ocasiões de golo na Liga 13/14 até à 14ªjornada. Aqui ficam as minhas notas:

Porto, Jackson avassalador
Não é a primeira vez que o destaco e a verdade é que a sua influência continua a ser tremenda e sem paralelo em qualquer outro jogador. A boa campanha de Montero vem-lhe fazer alguma sombra em termos mediáticos, mas se olharmos os números com um pouco mais de detalhe, rapidamente constatamos as diferenças entre Jackson e qualquer outro jogador. Nomeadamente, ao nível de ocasiões de golo em que é interveniente, seja em termos de criação ou finalização, os números de Jackson são avassaladores, tendo participado em 44 jogadas de grande probabilidade de golo, mais 17 do que Montero, o segundo nesta lista. De facto, se o Porto é a equipa que mais ocasiões de golo construiu até agora, fica a ideia de que muito desse feito se deve ao seu ponta-de-lança, já que para além do volume, Jackson é também - e com muita distância - o jogador que consegue maior percentagem de participação nas ocasiões da sua equipa. Já agora, os segundos jogadores mais influentes nas ocasiões das respectivas equipas, são Dionisi (Olhanense) e Derley (Marítimo), ambos com 45% de influência e muito longe dos 58% que Jackson consegue na equipa portista. Num outro plano, nota para a influência recente de Carlos Eduardo, num caso algo parecido com o de Quintero no inicio da prova, ou seja conseguindo uma enorme influência criativa num curto espaço de tempo (e com forte influência das bolas paradas). Como comprova o exemplo de Quintero, não é lógico esperar-se que esse rendimento se mantenha com o mesmo ritmo ao longo do tempo, sendo que no caso do colombiano o entusiasmo inicial contrasta com a eclipse recente do jogador.

Benfica com protagonismo dividido
Lima é o mais influente na participação directa, quer em ocasiões quer nos golos marcados pela equipa. A outro nível, Gaitan destaca-se como o jogador com mais ocasiões criadas em toda a prova, sendo também o jogador com mais assistências do clube. Os outros dois nomes em destaque são Rodrigo e Cardozo, ambos com um volume de utilização muito inferior a Lima e Gaitan, mas em qualquer dos casos com uma influência assinalável, sendo que no caso de Cardozo se destaca mais o bom período de acerto em termos de concretização, enquanto que Rodrigo justifica destaque sobretudo pelo número de ocasiões em que conseguiu ser interveniente.

Sporting, Montero e os laterais
Montero é, de longe, o jogador mais determinante na equipa e um dos destaques da prova. Como aqui escrevi, a sua eficiência nas primeiras jornadas foi extraordinária e seria muito improvável que se mantivesse com o tempo, sendo que nesta altura os seus níveis de aproveitamento golo/ocasião já estão num patamar mais normal. Num outro plano, nota para o papel dos laterais, sobretudo por comparação com extremos e médios. Jefferson e Cedric têm sido presença constante nas jogadas de maior potencial da equipa, e se Jefferson é quem tem mais ocasiões criadas, é justo destacar Cedric porque o lateral-direito é, em bola corrida, o 2º jogador que mais ocasiões claras de golo criou, apenas sendo superado por Gaitan. Em perda parece estar o contributo do extremos do Sporting, sendo que a influência criativa dos médios também continua em níveis relativamente modestos.

Outros casos
Nota para Alan, no Braga, que continua a ser um dos jogadores mais determinantes do campeonato. Ainda no Braga, Rafa é o nome do momento, pela juventude e pela facilidade com que tem chamado a si ocasiões de golo. No Estoril, Evandro é um nome já destacado, ainda que o médio criativo conte com o facto de ser também o protagonista das bolas paradas da equipa. Num outro plano, surge Seba, um jogador jovem e que tem dado um contributo bastante importante para a assinalável capacidade desequilibradora do Estoril. O Marítimo é outra equipa onde se justifica destacar duas individualidades pela sua influência criativa: Heldon e Derley, dois dos destaques deste campeonato. No Rio Ave, Ukra tem também um peso criativo assinalável, sendo sem surpresa um destaque a este nível. Em Setúbal, fala-se da saída de Cardozo, o que se adivinha como uma perda relevante se tivermos em conta a influência que o paraguaio teve nesta primeira metade da época. Nota final nestes destaques para o Olhanense, que apesar da modéstia na performance colectiva tem tido em Dionisi um elemento de elevada produção ofensiva.

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