12.12.13

A eliminação do Porto

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Parece-me interessante o paralelismo entre a eliminação do Porto e do Benfica, sobre a qual escrevi ontem. São dois casos que encontram várias semelhanças, tanto na forma como a incerteza se prolongou até ao último jogo, como na importância decisiva dos confrontos directos com a segunda equipa qualificada, num caso o Zenit e no outro o Olympiakos.
As semelhanças, porém, não devem em meu entender estender-se à avaliação qualitativa do que as equipas fizeram nos respectivos trajectos ao longo desta prova. Porque se no caso do Benfica, e pelo escrevi ontem, a eliminação não significa que a equipa tenha tido, globalmente, uma má prestação - muito pelo contrário, se nos distanciamos de uma perspectiva mais resultadista - no caso do Porto, o balanço não pode, de todo, ser o mesmo. O Porto fez apenas 5 pontos, ficando aquém das suas possibilidades em praticamente todos os patamares de avaliação. É verdade que a qualificação, e tal como aconteceu com o Benfica, ficou à distância de um outro pormenor, mas tal só se deve ao facto do Zenit ter tido uma prestação extremamente medíocre, sendo seguramente a equipa que menos justifica uma presença na fase seguinte, entre os 16 apurados.

Falando ainda de Paulo Fonseca, a sua posição fica obviamente fragilizada, sobretudo perante os adeptos. Para além das dificuldades que tem tido em manter a equipa no mesmo patamar qualitativo de épocas recentes - dificuldades que, como já escrevi, não me parecem ter na liderança técnica a principal responsabilidade - Paulo Fonseca confronta-se ainda com o problema da herança e da memória ainda muito presente do que conseguiram Mourinho e Villas Boas, o que eleva sempre a fasquia dos adeptos para um grau de exigência que vai muito para além do sucesso nas provas internas. Assim, aos olhos dos adeptos, Paulo Fonseca tenderá sempre a ser o grande responsável por tudo aquilo que a equipa não conseguiu. Uma carga negativa de que dificilmente se libertará, mesmo que venha a revalidar o título de campeão.

Em relação ao futuro próximo, e tal como escrevi para o Benfica, também me parece que o Porto poderá entrar num ciclo de maior estabilidade exibicional, especialmente após o jogo com o Rio Ave. A meu ver, e mesmo se é claro que poderia e deveria ter feito mais na Champions, o Porto 13/14 não tem potencial suficiente para aspirar a grandes voos europeus (Champions, bem entendido), sendo porém uma equipa perfeitamente à altura das exigências do 'consumo interno'. Veremos se a exclusividade doméstica dos meses que se seguem devolve à equipa o conforto e a confiança que muito claramente perdeu nos últimos tempos.

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11.12.13

Benfica - PSG: Opinião e Estatística

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A Champions e o desgaste do treinador - A moda é bater no Benfica, um pouco por tudo e mais alguma coisa. No Benfica, que é como quem diz no seu treinador, porque é nele que se centram a generalidade das atenções nesta altura. Pessoalmente, não adiro minimamente a esta tendência. Por exemplo, não em parece de todo que o Benfica tenha tido uma má prestação na Champions 13/14. A equipa foi melhor no campo do que 2 dos 3 adversários do grupo, o que normalmente dever-lhe-ia garantir a qualificação. Porque é que não a conseguiu? Essencialmente, porque o futebol é um desporto interessante. Ou seja, não é sempre o melhor que ganha e, sobretudo em provas curtas como é o caso da Champions, pequenos pormenores podem fazer toda a diferença nas classificações finais. É claro que o Benfica não fez só bons jogos neste trajecto, mas as suas exibições foram mais do que suficientes para que se justificasse a qualificação, e não me parece que sejam alguns detalhes menos controláveis a mudar radicalmente a avaliação global do que a equipa fez.
Sobre Jorge Jesus, não creio que possa recuperar mais a sua relação com os adeptos, mesmo que venha a ter sucesso no final da época. Não porque não tenha competência - tem de sobra para treinar o Benfica, ou qualquer clube português - mas simplesmente porque a cultura do futebol português não é compatível com ciclos tão longos na orientação técnica. Há um desgaste notório, e a emotividade dos adeptos (não de todos, mas seguramente da maioria) leva a uma embirração constante com a figura do treinador. Ou é o discurso, ou são as opções técnicas, ou é o sistema... qualquer coisa serve para fazer do treinador um bode expiatório permanente, e as criticas mais justas - que as há - já quase não se distinguem das outras. O tempo levou consigo grande parte desta memória colectiva, mas sobre a relação entre Benfica e Jorge Jesus é bom que fique claro que só conhecemos o 'antes' e o 'durante'. Um dia, que me parece não muito distante, saberemos qual será o 'depois'.
Num outro ponto, e antes de passar ao comentário ao jogo propriamente dito, quero referir que me parece provável que o Benfica possa entrar agora numa fase de crescimento, e sobretudo maior regularidade, na performance interna. Pelo menos, a equipa sempre me pareceu muito condicionada pelos jogos da Champions. Veremos se se confirma, ou não, esta minha leitura...

Bom jogo e nova versão táctica - O Benfica fez, de facto, um jogo muito bom contra o PSG, justificando provavelmente um resultado mais confortável. É claro que há aqui uma relativização importante a fazer, não tanto a meu ver pelas ausências do lado parisiense, mas mais pela atitude da equipa de Laurent Blanc, que não me pareceu a melhor. Do ponto de vista táctico, Jesus voltou a fazer de Perez a sua unidade fundamental para conseguir maior presença em posse, mas não recorreu exactamente à mesma fórmula de outros jogos. Desta vez, Perez não partiu do corredor direito, como aconteceu por exemplo em Bruxelas ou em Vila do Conde, mas jogou sempre no corredor central, relegando Markovic para um dos flancos. Assim, com bola, Perez baixou para a linha média intervindo constantemente na fase construção, e sem bola manteve-se perto de Lima, conservando o 4-4-2 em organização defensiva (algo que foi alterado apenas nos últimos minutos). Jesus tem variado bastante nas opções a este respeito, parecendo procurar ainda a melhor forma de acrescentar uma unidade às fases mais recuadas do jogo, sem que para isso tenha de perder a presença pressionante que tanto caracteriza a fase defensiva do seu modelo de jogo.

Individualidades (Benfica)
Artur - Teve algumas intervenções importantes, mas no golo parece-me que não terá tido a melhor abordagem. Não tanto a sua saída inicial da baliza, mas sobretudo a forma como nesse momento se lançou despropositadamente para o chão, perdendo depois capacidade para reagir a tempo e retomar o seu posto na baliza.

Maxi - Um jogo com boa envolvência ofensiva, algo que não tem sido assim tão frequente nos últimos tempos. Em particular destaque, claro, a jogada que dá origem ao segundo golo.

Sílvio - A meu ver, bastante melhor do que Maxi em termos globais, ainda que ofensivamente não tenha tido o mesmo fulgor. Bastante competente na pressão, muitas vezes impedindo que o PSG se soltasse do pressing colectivo do Benfica. Acabou por ter também uma participação importante na definição do resultado, já que foi sobre ele que foi cometida a grande penalidade.

Luisão - Não foi um jogo muito fácil para os centrais, porque o PSG saiu quase sempre curto proporcionando poucos duelos aéreos, onde Luisão e Garay costumam tirar vantagem. Por outro lado, o facto do Benfica ter sido atraído para pressionar em zonas altas proporcionava situações de grande exigência para os centrais, sempre que o PSG saía dessa primeira zona pressionante. Luisão esteve bem, com algumas intervenções vistosas e decisivas. Podia ter marcado na sequência de um livre de Gaitan.

Garay - As mesmas condições de Luisão, com intervenções menos vistosas, mas com maior volume de trabalho.

Fejsa - Mais um grande jogo a este nível. Em particular, é um jogador que confirma uma notável capacidade de trabalho, sendo muito eficaz sempre que "encosta" num adversário. Foi o jogador com mais intervenções defensivas e mais passes completados, conseguindo ainda um excelente passe para Ivan Cavaleiro, já na recta final da partida. Tem muita capacidade e tudo para ser um grande médio defensivo do Benfica nos próximos anos, sendo para isso especialmente importante que saiba gerir o critério das suas intervenções, quer com bola, quer em termos posicionais.

Matic - Defensivamente, jogou muitas vezes na mesma linha do que Fejsa, mas assumiu outras responsabilidades com bola. Matic tem capacidade para jogar em praticamente todas as posições do meio-campo, mas é óbvio que em acções criativas deixa de conseguir o mesmo grau de excelência, que está ao seu alcance como médio mais defensivo. Como nota negativa, nova perda de risco, o que nele vem sendo recorrente.

Gaitan - Normalmente é a criar oportunidades de golo que se destaca, mas neste jogo foi sobretudo como finalizador que apareceu. Aproveitou bem para marcar um golo e tornar-se, merecidamente, no principal destaque individual no jogo.

Markovic - Tem ainda muito tempo, mas não se pode dizer que esteja propriamente a dar sinais de evolução. Em particular, parece demasiado preocupado em protagonizar jogadas 'maradonianas' cada vez que se lhe oferece um pouco de espaço, e isso retira tanto critério como propósito às suas intervenções. No lance em que se lesiona tinha tudo para finalizar a jogada e era isso que deveria ter feito.

Enzo Perez - Apareceu a defender praticamente ao lado de Lima, num jogo de grande desgaste em termos de pressão alta, pela qualidade de circulação baixa do PSG. Ainda assim, conseguiu oferecer-se como unidade muito útil em termos de intervenção defensiva, aproximando-se da linha média sempre que necessário. Com bola foi dos mais interventivos, assumindo o papel de jogador mais influente na fase criativa da equipa. Esteve no segundo golo e ainda na origem de mais duas ocasiões, uma finalizada por Lima e a outra por Matic. Em suma, um grande jogo!

Lima - O penálti que marcou faz entrar o seu nome na ficha dos marcadores, mas pessoalmente isso diz-me pouco. Conseguiu um envolvimento razoável, mas não se demonstrou muito inspirado nas suas acções, acabando por desperdiçar a oportunidade para fazer uma exibição marcante num jogo importante e que lhe permitia essa possibilidade.

Ivan - Não foi deslumbrante, mas foi uma boa entrada, sobretudo pela capacidade de trabalho que apresentou. Teve ainda uma oportunidade para marcar, que no entanto não conseguiu aproveitar.

Sulejmani - Entrou numa fase difícil em que o Benfica recuou muito no terreno e teve pouco jogo. Essa é a atenuante para mais de 15 minutos de pouquíssimas intervenções.

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10.12.13

Jesus, Paulo Fonseca e os sistemas tácticos

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Nos dias que correm parece não haver maneira de abordar o futebol de Benfica ou Porto sem se ouvir falar da questão do sistema. Que o Benfica devia jogar em 4-3-3, e que o Porto devia assumir uma estrutura de apenas 1 pivot. Em ambos os casos, o sistema é dado como um factor decisivo de inibição/potenciação do rendimento colectivo, sendo que aparentemente os treinadores são precisamente as únicas pessoas que parecem não perceber aquilo que é óbvio para centenas de milhares de adeptos.
Ora, vamos assumir então que tudo isto é verdade. Que uma mudança do sistema mudaria tudo na performance qualitativa das duas equipas e que isso é evidente para uma imensidão de pessoas, mas não para os treinadores das respectivas equipas. Dando como boa a ideia e sendo consequente com ela, há uma série de conclusões que inevitavelmente lhe têm de seguir. A saber: 1) Ambos os treinadores, Jesus e Paulo Fonseca, devem ser imediatamente demitidos porque estão a ser o entrave para uma melhoria significativa e imediata das respectivas equipas. 2) O treino é muito pouco relevante para a qualidade do desempenho táctico, porque se uma equipa que anda a desenvolver há meses/anos um modelo de jogo melhoraria tanto e de forma tão repentina (praticamente sem treinar) pela simples mudança de sistema, então só se pode concluir que o treino serve de muito pouco quando comparado com a importância do sistema. 3) Dos dois pontos anteriores decorre, trivialmente, que o perfil táctico do treinador também deve ser seriamente repensado, sendo muito mais importante que o treinador seja capaz de ter a "sabedoria das massas", nomeadamente a capacidade de mudar rapidamente para o sistema certo, tal como é sugerido por todos, do que propriamente ser capaz de desenvolver um modelo de jogo de características específicas através da sistematização e do treino.

Em filosofia e em matemática há um método de prova conhecido como "Reducio ad absurdum", que em latim significa 'redução ao absurdo'. Ora, não estou aqui a tratar de filosofia ou matemática, nem tão pouco tenho a pretensão de provar seja o que for a alguém, mas o seguimento deste raciocínio encerra em conclusões que, pelo menos para mim, são bastante absurdas. E aqui convém separar situações, porque se não estranho que a emoção sugira este tipo de raciocínios simplistas e falaciosos nos adeptos, já me é mais difícil de entender como é que o mesmo equívoco se instala de forma tão generalizada em quem tem como principal ocupação tentar entender o futebol de uma forma lúcida e imparcial.

Concluindo com a minha visão sobre este tema dos sistemas, dizer que os dois casos, de Benfica e Porto, são diferentes. No caso do Benfica, existe uma lacuna que é oferecida não tanto pelo sistema, mas pela sua dinâmica e que tem a ver com o número reduzido de soluções de passe no corredor central, que decorre do recuar permanente de um médio para a linha dos centrais. Isto pode ser corrigido com a inversão dessa dinâmica, ou pela introdução de mais unidades no corredor central, o que não implica forçosamente a mudança de sistema. Por exemplo, em alguns jogos recentes Enzo tem partido da direita mas aparecido recorrentemente sobre o corredor central em vez de permanecer aberto. O problema é assim atenuado sem mudança de sistema, mas com uma dinâmica que abre também outro tipo de lacunas, nomeadamente a perda de largura.
No caso do Porto, o problema tem a ver com a ausência de dinâmicas que consigam criar desequilíbrios sobre os corredores laterais, havendo nesta altura uma dependência excessiva em torno daquilo que a equipa consegue construir através do corredor central. Ora, neste caso o foco no sistema ainda é mais equivocado, porque se no caso do Benfica podemos identificar realmente uma perda de presença numérica no corredor central, por via da tal dinâmica de recuo de um dos médios, no Porto a equipa não deixa de ter profundidade nos corredores laterais por mera falta de presença numérica. Seja qual for a ordem do triângulo de meio campo, o problema só poderá ser colmatado pela dinâmica que for introduzida, nomeadamente na capacidade de envolvimento dos médios sobre os corredores laterais, algo que pode ser conseguido tanto dentro de uma estrutura de um pivot como de dois.
Em qualquer dos casos, porém, é claro que as equipas podem melhorar pela correcção destas lacunas no seu jogo, mas é - ou deveria ser - ainda mais claro que o potencial de ambos os conjuntos é muito mais limitado do que aquilo que os seus adeptos querem crer.

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9.12.13

Gil Vicente - Sporting: Opinião e Estatística

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Oportunidade é no presente - Antes de entrar no jogo propriamente dito, aproveito para comentar sobre a oportunidade que esta equipa do Sporting está, por mérito próprio, a criar para si própria. No futebol, e repito esta ideia, quem ganha faz festas, e quem perde faz... "projectos". Talvez seja a força do hábito de um passado recente com bem mais "projectos" do que festas, mas no Sporting parece que se passou a dar mais importância ao "projecto" do que à festa (que é com quem diz, vencer). Sei bem que nem sempre tudo o que se diz espelha verdadeiramente o que se pensa ou sente (não vou falar outra vez da 'candidatura ao título'), mas mesmo assim não resisto a recentralizar aquele que é o verdadeiro contexto desta oportunidade. É que a vantagem pontual que o Sporting até agora construiu permite-lhe colocar-se numa posição pouco comum nos últimos 30 anos da sua História e perspectivar de forma realista a possibilidade de finalmente deixar de falar em "projectos". Mas esta oportunidade não vai para além desta época e deste campeonato, sendo que se o Sporting não a capitalizar, terá de voltar a construir tudo de novo e a partir estaca zero. Porque é daí - do zero - que todos campeonatos começam, ao contrário do que parecem sugerir os "projectos" sempre a prometer vantagens douradas para o futuro. Resumindo, o futebol está cansado de nos provar que nele o destino se faz do presente e do curto-prazo e que nenhum "projecto", por mais bem intencionado que seja, alguma vez resistirá à ausência de vitórias. É por isso que para o Sporting esta oportunidade e este campeonato são neste momento aquilo que verdadeiramente interessa.

Cruzamentos e especificidade - Relativamente ao jogo, e não querendo entrar em demasiados detalhes sobre o mesmo, há que dizer que foi uma boa vitória do Sporting, tendo realizado um jogo muito mais conseguido do que havia feito na sua última deslocação, em Guimarães. Especial destaque, e novamente, para a capacidade da equipa potenciar sucessivas situações de cruzamento, tanto após variações de flanco como na sequência de combinações ao longo dos corredores laterais. Leonardo Jardim está a fazer no Sporting o mesmo que havia feito em Braga, ou seja, mostrar que mais importante do que variar muito as soluções ofensivas, o importante é conseguir fazer-se as coisas com qualidade. E para a qualidade nada como ir de encontro à especificidade dos intérpretes ao seu dispor. Algo que comentei no primeiro 'post' sobre esta equipa, na pré época.
Nota também para o Gil Vicente, que sentiu muitas dificuldades para controlar o Sporting. Ainda assim, posicionalmente, não desgostei da equipa de João de Deus, embora me pareça que existiram alguns factores que estrategicamente não favoreceram muito as aspirações da equipa. Em particular, o Sporting tirou partido do posicionamento interior dos laterais para solicitar em permanência a abertura dos seus extremos, e também me parece que o Gil não teve grande sucesso no inicio de construção, tanto ofensivamente como defensivamente. Fazendo justiça a esta equipa, é preciso também referir que a expulsão de Pecks surgiu num momento em que a equipa parecia ser finalmente capaz de criar mais dificuldades ao Sporting, nomeadamente pela introdução de maior presença entrelinhas, zona onde o Sporting tem sentido repetidas dificuldades ao longo desta temporada.

Notas individuais (Sporting)
Rui Patrício - Exibição praticamente imaculada. Sem muito para fazer, é certo, mas com uma defesa potencialmente decisiva num momento chave. É para isto que servem os grandes guarda-redes.

Cedric - Um desempenho de contrastes. Em termos de presença em posse e mesmo defensivamente foi provavelmente o jogador menos inspirado da equipa. Destaque para 2 perdas de bola de algum risco e para o mau posicionamento na melhor ocasião do Gil. Por outro lado, porém, esteve em 3 ocasiões da equipa, sendo inclusivamente o protagonista do cruzamento que antecede o golo.

Jefferson - Desta vez foi ele a estar mais interventivo, relativamente a Cedric. Aliás, foi mesmo o jogador com mais passes completados da equipa, tendo igualmente conseguido uma eficácia assinalável nos duelos defensivos ao longo do seu corredor. Ofensivamente, e mesmo sem a exuberância de outros jogos, foi protagonista do primeiro susto junto da baliza de Adriano (canto) e iniciou a jogada do segundo golo. Tudo somado, fez um grande jogo.

Maurício - Mais um bom jogo. Sem riscos desnecessários e com uma eficácia importante na sua zona de intervenção e em todos os momentos de jogo. Um registo que nele encontra especial mérito pela regularidade com que é repetido. Apenas sentiu mais dificuldades na parte final, com a entrada de Simy. Faltou o capítulo ofensivo para um jogo em cheio.

Rojo - É mais volátil do que Maurício e isso nota-se mesmo num jogo em que há poucos reparos a fazer. No capítulo ofensivo, porém, Rojo foi desta vez o principal protagonista entre os centrais da equipa, com duas bolas ganhas na área do Gil, uma delas quase redundando em golo.

William - Novo jogo bem conseguido, embora não tenha atingido o brilhantismo de outras ocasiões. Boa presença na sua zona, quer com bola quer sem ela. Teve uma boa abertura para Montero, numa altura em que o jogo já aconselhava mais verticalização e, como ponto negativo, parece-me ter responsabilidades na última ocasião do Gil, concedendo demasiado espaço interior.

Adrien - Defensivamente foi, simplesmente, tremendo! Impressionante a sua capacidade de intervenção, em especial na primeira parte, atingindo um nível de contribuição defensiva invulgar seja para que médio for, e em boa parte responsável pela conservação do jogo no meio campo ofensivo do Gil. Com bola, por outro lado, voltou a ser apenas uma presença regular.

André Martins - Talvez tenha sido o jogo onde os seus movimentos encontraram melhor enquadramento, começando inclusivamente por aparecer bem entrelinhas e ajudar a equipa a ligar o jogo lateralmente e por dentro do bloco gilista. Depois, combinou sempre bem quer com os movimentos do extremo, quer com o próprio Montero, o que lhe valeu um invulgar protagonismo na zona de finalização. O problema é que o resultado de tudo isto é, na prática, algo escasso. Ou seja, a sua definição no último terço não foi suficientemente contundente para acrescentar muito à equipa em termos de proximidade real com o golo. E esse não é também um problema novo.

Wilson - Esteve bastante em jogo, mas não tão inspirado no último terço, comparativamente com o que lhe é costume. Para além de alguns cruzamentos menos conseguidos, desperdiçou ainda uma ocasião soberana que podia ter ajudado a resolver o jogo mais cedo. Sobre esse lance, dizer que me parece decisivo que a bola lhe tenha caído para o pé esquerdo porque, e como já aqui escrevi, creio ter um nível de desempenho racicalmente diferente do pé direito para o esquerdo. Foi novidade como referência para as reposições longas de Patrício, tendo conseguido um bom desempenho nesse aspecto.

Capel - Tal como Wilson, teve muito jogo, mas nem sempre com a melhor inspiração no desempenho técnico no último terço. Em termos de capacidade de aproximar a equipa do golo, acabou por salvar a face na jogada do segundo golo.

Montero - Para quem joga na sua posição, a relação com o golo é quase tudo, seja marcando, criando ou assistindo. Nesse sentido, os dois golos que marcou são suficientes para fazer dele a principal figura do jogo. Para além desses dois momentos, teve outras apariações, quer em movimentos interiores quer, mais tarde, aproveitando alguma exposição da linha defensiva do Gil Vicente. Foi num desses movimentos que proporcionou uma boa finalização a Carrillo.

Carrillo - O jogo estava bom para ele e teve uma ou outra iniciativa com algum potencial, em particular uma finalização em boa posição mas que saiu à figura. Mas acabou por não aproveitar em pleno a oportunidade que o jogo lhe oferecia, em parte também devido a algum conformismo da equipa na parte final.

Salomão - Um pouco o mesmo do que Carrillo, só que com menos tempo e muito menos protagonismo.

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6.12.13

5 Jogadas (Tottenham e Barcelona)

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Tottenham - Villas Boas arrancou mal para uma série complicada de jogos, e ficou bastante pressionado após a derrota frente ao Man City. A reacção no jogo seguinte, frente ao outro Manchester mas em casa seria, senão decisiva, pelo menos muito importante. A verdade é que o Tottenham respondeu bem, num jogo que, no entanto, foi muito diferente daquele que terminou na traumatizante goleada. E, evidentemente, não me refiro apenas ao resultado mas sobretudo à forma como o jogo foi conduzido, já que foi o United quem se assumiu mais em posse, permitindo que o Tottenham realizasse assumisse uma postura diferente daquilo que lhe é hábito, implicando nomeadamente uma maior necessidade de focalização nos momentos defensivos do jogo. Como escrevi aqui há 1 semana, a goleada no Etihad Stadium teve como origem, e para além do mérito individual do City, uma abordagem defensiva repleta de erros, com especial enfoque nas dificuldades de ajuste posicional. Desta vez, e perante a imposição em posse do United, o Tottenham beneficiou do facto de poder definir um posicionamento mais fixo e por isso menos exigente em termos de ajustamentos, acabando mesmo por ser a equipa que esteve mais próximo de vencer, complementando o bom controlo defensivo com algumas chegadas que aproveitavam a maior exposição territorial do United, com Soldado e Paulinho em destaque. O 2-2, de resto, parece-me um resultado excessivo para o número de ocasiões que as equipas construiram, especialmente o United. Enfim, Villas Boas conseguiu para já contornar o momento de maior aperto, até porque venceu também a meio da semana, mas esta época do Tottenham continua a poder parecer cair para qualquer lado.

Barcelona - Outro tema da semana foi a crise do Barça, particularmente com a derrota em Bilbao, sucedendo a uma outra em Amesterdão. No vídeo, incluo 4 jogadas do jogo de San Mamés, que me parecem resumir bem a opinião que mantenho sobre este Barça. Ou seja, que esta equipa não passa, de facto, pelo seu melhor momento, mas que continua a ser uma potência incontornável do futebol europeu, mantendo a meu ver o melhor conjunto de jogadores do planeta, não apenas pela qualidade mas também pela coerência das suas características. E, mesmo no tão criticado jogo de Bilbao, o Barça continuou a produzir jogadas de enorme qualidade e com um envolvimento colectivo que está ao alcance de muito poucos conjuntos do futebol mundial. Perdeu? É verdade que sim, mas o resultado esteve longe de ser uma inevitabilidade, como sugere a excessiva dramatização em torno do momento actual da equipa.
Então qual é o problema deste Barça? Há várias diferenças para os anos anteriores, nomeadamente para a era-Guardiola, embora o estilo e grande parte da identidade se mantenha, porque essa está enraizada na cultura dos jogadores e seria praticamente impossível fazê-la desaparecer, fosse qual fosse o treinador. Há diferenças nos momentos defensivos, na forma como a equipa pressiona e até nas bolas paradas. Mas, sem dúvida, o ponto de maior realce tem a ver com a perda de uma intencionalidade colectiva mais claramente identificada, quando em posse da bola. Ou seja, hoje o Barça continua a ser uma equipa que priveligia a posse e progressão em apoio, mas que responde aos problemas de forma mais intuitiva e espontânea e não com a lucidez colectiva que a caracterizou noutros anos. Isso vê-se, por exemplo, na forma como a equipa sai de zonas de pressão mais altas (algo que o Bilbao estrategicamente potenciou neste jogo), na perda momentânea de linhas de passe que permitam à equipa conservar a segurança na circulação, e na ausência de algumas dinâmicas no último terço, que no tempo de Guardiola eram minuciosamente trabalhadas. Paralelamente a estes pontos, parece-me que o Barça se prepara de forma algo débil para a resposta a cruzamentos, como evidencia de resto uma das jogadas no vídeo.
Finalmente, falar de uma outra diferença incontornável: Messi. Porque uma coisa é ter Messi e outra é não o ter, e isso seria uma debilidade importante para qualquer equipa, fosse ela treinada por Tata Martino, Guardiola ou qualquer outro treinador.

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5.12.13

Quaresma: 3 pontos sobre o regresso

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É a primeira novidade para Janeiro, e também o primeiro sinal da mais do que esperada incursão invernal portista a esse mercado. Aqui fica a minha opinião, divida em 3 pontos:

Um jogador especial
O meu prognóstico sobre esta segunda vida de Quaresma no Porto não é propriamente optimista, por motivos que explicarei no ponto seguinte. Ainda assim, começo por dizer que Quaresma é um caso especial e um jogador que ficará sempre na memória de quem o viu como um dos mais espectaculares executantes do futebol mundial. Se o futebol tivesse uma nota artística seguramente que Quaresma não estaria agora na situação em que se encontra. O problema é que no futebol, e por muito que por vezes se faça essa confusão, a arte não é um fim em si mesmo.

O problema da idade
Para quem lê o que escrevo, pode parecer estranho que aborde a idade como um factor negativo. De facto, várias vezes me referi ao que considero ser um preconceito perante jogadores acima dos 30 anos, frequentemente desvalorizados precipitada e erradamente apenas e só pela data que vem no seu bilhete de identidade. Mas, e como em quase tudo, cada caso é um caso...
Resumidamente, o problema que vejo em Quaresma não passa pela resistência (nem para Quaresma, nem para nenhum jogador, porque se não é um problema para um maratonista, custa-me perceber como é que para um futebolista a idade se torna tão rapidamente num problema de resistência, como é repetidamente sugerido nas análises que vejo feitas), ou por outros factores clássicos como a recorrência de lesões. Passa, isso sim, por me parecer um jogador que evoluiu pouco com o tempo, ganhando quase nada em termos de maturidade na tomada de decisão e mantendo-se excessivamente dependente de iniciativas individuais, que paralelamente se tornaram menos eficientes, em parte por não ter a mesma agilidade de outros tempos (este sim, um atributo que se perde rapidamente com a idade e que afecta vários jogadores). Foi essa a ideia com que fiquei dos últimos jogos que vi de Quaresma - e já foram há mais de 2 anos, entre Selecção e Besiktas - e é a partir dessa imagem que, infelizmente, se me levantam muitas dúvidas sobre a capacidade de Quaresma conseguir ser, neste regresso, sequer uma sombra do jogador que deixou o Dragão em 2008.

Mais um sinal de incapacidade da gestão?
Podemos escolher agrupar este regresso de Quaresma em duas categorias diferentes. Uma, comparando-a com casos como Rui Barros, Baía, Domingos, Sérgio Conceição ou mais recentemente Lucho. Ou seja, jogadores emblemáticos do clube que regressam, em parte, para ajudar a equipa, mas também muito pelo estatuto que haviam adquirido na sua anterior passagem. Outra hipótese, é integrá-lo no tipo de aquisições recentes de Liedson ou Izmailov. Ou seja, a procura de uma resposta desportiva imediata num jogador que se conhece sobretudo pelo que fez no passado, mas sobre o qual há muito poucas garantias sobre o que possa valer no presente ou futuro.
Onde definitivamente não podemos incluir a aquisição de Quaresma é no vastíssimo leque de casos que fizeram história no Dragão, e onde desde logo surge a contratação do próprio Quaresma em 2004, mas também outros nomes como Lisandro, James, Hulk, Falcao ou Jackson, só para elencar os mais recentes. Ou seja, jogadores que podem oferecer assistências, golos, vitórias e troféus durante muitos e bons anos. Um tipo de aposta que não é trivial, porque quase todos estes jogadores não eram propriamente valores seguros quando chegaram ao clube, mas que repetidamente foi conseguida com extraordinário acerto, sendo na minha leitura esse o grande alicerce do sucesso continuado que o Porto vem conseguindo ao longo de tantos e tantos anos. Ora, se esse tipo de aposta tem aparentemente perdido preponderância na gestão portista, não é certamente com Quaresma que ela será reavivada.

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4.12.13

Ocasiões de golo criadas: Jefferson chega ao topo

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Estou certo que poucos arriscariam, no inicio da época, semelhante grau de protagonismo, mas o facto é que após o jogo com o Paços, Jefferson chega mesmo ao topo da tabela dos jogadores que mais ocasiões claras de golo criaram. Embora com menos minutos jogados, Jefferson igualou o ex-companheiro de equipa, Evandro, também ele um dos grandes destaques desta liga, sendo inclusivamente o jogador que mais assistências para golo conseguiu até ao momento.

Ainda dentro desta classificação, e para além de Jefferson e Evandro, mais alguns casos justificam destaque:
- Danilo e, especialmente, Nelson Pedroso, por se tratarem de defesas laterais.

- Quintero e Avto, que conseguem este nível de protagonismo com um número reduzido de minutos, sendo que se tratam de dois jovens jogadores. No caso de Quintero, porém, há que recordar que já liderou esta tabela, acabando por perder protagonismo nas últimas jornadas, em parte pela lesão contraída.

- Destaque também para os jogadores que conseguem maior impacto em situações de bola corrida: Lucho, Gaitan, Jackson, Wilson e Fredy. Em particular, assinalar a presença de Jackson, o único ponta-de-lança nesta tabela, o que diz bem do alcance qualitativo do jogador, mas também de Wilson e Fredy, que não têm o estatuto ou reconhecimento mediático de Lucho ou Gaitan, mas que vêm conseguindo também um rendimento objectivamente muito elevado no que respeita à capacidade de construção de jogadas de elevado potencial.

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3.12.13

Paulo Fonseca e o exemplo de Vítor Pereira

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Há cerca de 2 anos, o Porto saía de Coimbra debaixo de grande contestação por parte dos adeptos, com os jogadores a serem esperados junto ao autocarro e o treinador, Vítor Pereira, a ser acompanhado pelo Presidente. A situação era quase gémea da actual, com o Porto a ver uma vantagem pontual anulada no campeonato, com a Liga dos Campeões praticamente comprometida e com a saída da Taça de Portugal após um terrível 3-0 em Coimbra.

Ora, talvez seja interessante, hoje, rever o que fez Vítor Pereira num contexto tão semelhante ao que tem hoje Paulo Fonseca (curiosamente, o jogo seguinte para o campeonato também era uma recepção ao Braga, embora pelo meio o Porto tivesse uma deslocação para fazer a Donetsk). Há dois pontos que saltam imediatamente à vista:

- Estabilização de um onze, apostando nomeadamente em Maicon na direita, Djalma como extremo e Hulk como referência central do ataque.
- Alteração do triângulo de meio-campo, colocando Defour mais entrelinhas e fixando um duplo-pivot, composto por Fernando e Moutinho.

Foi após estas alterações que o Porto venceu em Donetsk e frente ao Braga, não evitando depois a despromoção para a Liga Europa, mas conseguindo pelo menos aliviar a pressão que na altura existia sobre o seu treinador, ganhando tempo para mudar depois muita coisa no mercado de Inverno.

Que lição podemos então retirar? Analisando retrospectivamente, a verdade é que nenhuma das mudanças se afigura como brilhante. Maicon não vingou à direita, Djalma não vingou como extremo, Hulk regressaria mais tarde à ala e a opção de inverter o triângulo do meio-campo também acabaria mais tarde por ser revertida pelo próprio Vítor Pereira.

Esta é uma situação interessante, do meu ponto de vista, porque espelha como tantas coisas são sobrestimadas no futebol, especialmente no que toca ao curto prazo. O mais importante, tanto para Vítor Pereira em Novembro de 2011 como para Paulo Fonseca em Dezembro de 2013, é ganhar e recuperar a confiança dos jogadores. Talvez para tal seja favorável dar um sinal interno de mudança, o que tem a ver muito mais com o aspecto motivacional do que propriamente com a qualidade de opções técnicas ou tácticas.

Esta crise hipotecará certamente as hipóteses de que Paulo Fonseca caia alguma vez nas graças dos adeptos. Tal como Vítor Pereira, se o Porto voltar a ganhar, para a maioria será sempre mais uma vitória da estrutura. Uma vitória 'apesar' do treinador. E, já agora, um tremendo equívoco, na minha opinião.

O caso de Vitor Pereira em 2011, mesmo com todas as suas semelhanças, nada nos diz sobre o destino imediato do Porto de Paulo Fonseca, e seria um disparate concluir o contrário. Tudo pode acontecer. De todo o modo, é um exemplo de como o acerto das opções tácticas ou técnicas poderão contar muito pouco para a forma como esta história acabará. Uma ideia que contrasta radicalmente com o fatalismo que nos é vendido pelas análises de segunda-feira, mas que me parece ser a que mais se aproxima sobre a verdade deste jogo.

Porque no futebol só no longo-prazo se distingue verdadeiramente a competência da sorte.

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