13.11.13

Guimarães - Porto: Estatística e opinião

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Promessa não cumprida - A primeira parte prometeu uma exibição de outro nível do Porto. Com o Vitória a ter muitas dificuldades em controlar alguns espaços fundamentais e também com alguma exposição no momento de transição, todos os sinais apontavam para que tudo culminasse numa das exibições mais expressivas do Porto em termos de domínio e proximidade com o golo. Surpreendentemente não foi isso que aconteceu, e a primeira parte serviu apenas para resolver o jogo e a eliminatória. Um "apenas" que, obviamente, era o mais importante, mas que acaba por saber a pouco face à expectativa criada. Na segunda parte, o Vitória apareceu com maior agressividade, mas também com mais risco em termos de exposição dos espaços. O Porto, estranhamente, encolheu-se, deixando de se impor pela posse, perdendo ligação no seu jogo e recorrendo cada vez mais a uma construção directa, o que favoreceu claramente o Vitória.

Sinais repetidos na dinâmica com bola - Já o havia referido a partir do jogo de São Petersburgo e o Porto repetiu sinais de uma tendência para alicerçar o seu jogo na projecção dos laterais, com Josué mais claramente numa posição interior, próximo de Lucho, e sem complexos na afirmação do duplo-pivot, algo que pareceu ser um problema para Paulo Fonseca até aqui. É uma dinâmica que, como já escrevi, me parece ajustada ao perfil das características individuais dos jogadores ao dispor do treinador, restando saber como tudo evolui, até porque não é hoje em dia uma solução muito comum. Outra expectativa passa por ver Quintero no lugar de Josué, numa missão marcadamente mais interior, mas sem que isso implique abdicar da mais valia que representa Lucho naquela zona.

Desajuste táctico do Vitória - A meu ver, a forma como o Vitória abordou o jogo não favoreceu muito os seus objectivos. Fundamentalmente, pelo comportamento do seu meio campo. O Porto fez baixar Defour e Fernando para a fase de construção, e exacerbou a presença entrelinhas, com Josué a juntar-se a Lucho. Ora, o Vitória apresentou-se com três médios, com um mais recuado, mas com os outros dois muito adiantados, atraídos pelo tal baixar do duplo pivot portista, e aumentando assim a distância para o pivot, que ficava sozinho numa zona onde repetidamente apareciam duas unidades, Lucho e Josué. Foi uma situação que penalizou muito a equipa na primeira parte, acabando por ser esse período suficiente para que a eliminatória ficasse resolvida.

Individualidades (Porto)
Fabiano - Um jogo diz sempre pouco, e se for sobre um guarda redes, diz ainda menos. Ainda assim, foi uma exibição muito boa de Fabiano, sempre bem em praticamente todos os lances que teve para resolver e também bastante eficiente nas reposições longas do jogo, algo que nem sempre é fácil para os guarda redes.

Danilo - Está normalmente dependente do seu impacto no último terço, porque no resto raramente ultrapassa a modéstia. E assim se explica o menor fulgor relativamente a exibições recentes.

Alex Sandro - Ao contrário de Danilo, costuma ser impressionante em praticamente todos os capítulos do jogo. Nesse sentido, e sobretudo na gestão da posse onde esteve desconcentrado e pouco consequente, esta foi uma das exibições mais vulgares de que tenho memória.

Otamendi - Pelo menos não repetiu as perdas de bola dos últimos jogos, e isso já é um factor muito positivo. Mas ainda assim, não escondeu a fase de alguma instabilidade em alguns momentos, nomeadamente no lance que perdeu para Maazou.

Mangala - Acabou expulso, mas não creio até que tivesse sido das suas exibições menos conseguidas do passado recente. Aliás, até estava a ser o mais interventivo defensivamente quando saiu, o que ao contrário da imagem que passa não é assim tão comum nele.

Fernando - Sem dúvida o melhor em campo, e provavelmente a exibição globalmente mais conseguida em toda a temporada. Foi o jogador mais presente em posse, onde fez jogar a equipa com segurança. Foi, como sempre, uma presença importante em termos de capacidade de intervenção defensiva na linha média. E foi, finalmente, uma das unidades mais influentes também em termos ofensivos, estando presente em 2 das 4 ocasiões da equipa, uma das quais resultou em golo (acidental, mas que também conta).

Defour - Não teve a exuberância de Fernando, mas esteve também ele muito bem no papel que lhe foi confiado. Voltando a mostrar, aliás, que é um dos valores seguros do plantel e que colocar os holofotes na sua posição, face a outros problemas da equipa, é algo que não faz sentido algum. Muito boa a presença defensiva, e muito bom o passe para Lucho no segundo golo.

Lucho - O habitual, sem destoar em nenhum sentido e mantendo a bitola alta. Muito forte na movimentação entrelinhas e muito competente nas tarefas defensivas, fruto do notável sentido posicional que tem, tanto a defender como atacar.

Josué - É evidente a sua qualidade técnica e teoricamente a liberdade que lhe é dada para aparecer no corredor central poderia beneficiá-lo. O facto é que é para que a ideia de ter maior presença entrelinhas tenha verdadeira utilidade, é preciso que os jogadores tenham a capacidade de ser consequentes no último terço, aproximando a equipa do golo. E neste particular, Josué ainda não deu mostras de ser uma solução consistente.

Varela - Nem a equipa o procurou, nem ele próprio se mostrou suficientemente inspirado para representar uma mais-valia em termos ofensivos. Também é verdade que saiu muito cedo e numa fase em que o jogo prometia oferecer mais espaço.

Jackson - Voltou aos golos - a meu ver um disparate estar a fazer disso um tema, perante o rendimento que tem tido - voltou a dar sinais da mais valia excepcional que representa em praticamente todos os capítulos do jogo, mas nem por isso foi uma exibição inspirada. Aliás, pelo contrário.

Kelvin - Paulo Fonseca deu-lhe minutos e face ao actual panorama entre os extremos do plantel, é bem provável que Kelvin não volte a ter uma oportunidade de afirmação como tem pelo menos até ao mercado de Janeiro. Nesse particular, foram 31 minutos desperdiçados.

Carlos Eduardo - Face ao que fez na pré época e às soluções do plantel, é até questionável se justifica a presença no plantel. Não vai ser fácil inverter o cenário, porque teria de mostrar muito no pouco tempo que previsivelmente lhe será concedido.

Maicon - A meu ver faria todo o sentido ter-lhe sido dada uma oportunidade. Não é difícil perceber que, para além do capítulo técnico, há um interesse em valorizar duas unidades que ambicionarão estar presentes no Mundial e duas selecções tão importantes como a Argentina e a França. E é fundamentalmente por isso que dificilmente terá muito tempo de utilização nas principais competições. A primeira excepção está aberta com a expulsão de Mangala.


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12.11.13

7 lances decisivos do derbi

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10' - Ao primeiro lance de algum desequilíbrio no jogo corresponde a jogada que antecede o livre que dá origem ao 1º golo. O lance é interessante porque aproveita o espaço criado pela presença interior de Markovic, muito próximo de Cardozo, o que atrai Jefferson para junto da última linha. Este comportamento cria um espaço no corredor direito e sabia-se de antemão que seria importante para o Sporting controlar a acção de André Almeida neste tipo de situação. O que sucede é que Capel arrisca uma intercepção interior e acaba por desguarnecer o tal espaço criado pela dinâmica da estrutura do Benfica. De notar, finalmente, que este foi um caso excepcional porque enquanto o Benfica manteve Markovic com este comportamento, o jogo raramente se disputou no corredor direito.

14' - Já em vantagem, o Benfica cria uma boa situação de finalização onde se realçam três pontos: 1) a capacidade de Cardozo nos duelos com os centrais; 2) a boa presença de Enzo Perez no aproveitamento dos espaços; 3) a excepcional qualidade do pé esquerdo de Cardozo. 3 pontos que não foram apenas importantes neste lance, mas também decisivos na definição do jogo.

37' - No lance do 1º golo do Sporting sobressai o movimento interior de Montero. A indefinição de Luisão é decisiva porque permite ao avançado virar-se, o que seria desde logo indesejável para quem defende. Esta hesitação tem a ver sobretudo com o facto de Garay estar também fora da sua posição, o que abriria um buraco importante na zona central (provavelmente, Sílvio deveria ter fechado mais por dentro perante a saída de Garay). Depois, há uma grande indefinição na linha média do Benfica, o que resulta numa passividade perante a acção de Montero. Finalmente, e mais uma vez, não há preocupação da linha média em compensar a saída de Luisão, o que acaba por condicionar a resposta ao cruzamento. Isto, mesmo sendo complicado afirmar que se essa compensação tivesse existido, o lance seria posteriormente controlado, porque o cruzamento sai para uma zona muito perto da baliza, sendo inclusivamente finalizado já dentro da pequena área, por Capel. E, desta última constatação surge a dúvida se Artur não poderia ter interceptado o cruzamento?

41' - O lance do 2º golo do Benfica também me parece ser interessante, porque mostra um pouco daquilo que foi o jogo, sobretudo na primeira parte. Boa presença pressionante do Sporting, a dificultar muito a capacidade do Benfica em ter bola e construir o seu jogo através da circulação. A bola acaba por ser recuada para Artur que recorre depois ao pontapé longo, sempre em busca de Cardozo. E aqui começa a fragilidade da estratégia do Sporting. Markovic junta-se a Cardozo, criando uma boa presença junto dos centrais e com alguma distância para os dois médios mais defensivos do Sporting (Adrien e William), "encaixados" no meio campo do Benfica. Depois, o já várias vezes destacado mérito de Cardozo neste tipo de duelos e, finalmente, também a antecipação de Enzo sobre Adrien no ataque à 2ª bola. Quando Enzo ganha a bola, o desequilíbrio já está praticamente criado, porque o Sporting fica com a sua linha defensiva muito exposta. No entanto, ainda seria possível controlar o cruzamento, o que não acontece porque toda a gente se esqueceu de Cardozo, que fica para trás por ter caído no inicio do lance. Maurício tem de sair sobre Enzo, num primeiro momento, e fica fora da zona central, com Rojo e Jefferson a preencher esse espaço. Jefferson é atraído pela presença de Markovic, e como este ataca o primeiro poste, onde está Rojo, o lateral acaba praticamente encostado ao central. Nas suas costas, entretanto, sobra Cardozo, que passou em claro quer a Jefferson, quer a Adrien. E aqui, novamente um caso em que perante a saída de um elemento da última linha, os médios se revelam completamente indiferentes ao equilíbrio na zona fundamental da sua defesa. O Sporting aborda o cruzamento com 2 unidades na primeira linha à frente de Patrício, e nem William nem Adrien revelam em algum momento qualquer preocupação com o que se passa no sector mais atrasado. Uma insensibilidade intersectorial dos médios que não é exclusiva do Sporting e que já tem sido comentada em vários casos aqui abordados.

44' - O 3º golo do Benfica resulta da exploração do momento de transição. A origem do desequilíbrio é óbvia e não tem tanto a ver com o primeiro passe perdido por William, que acontece numa zona já adiantada do terreno e sendo inclusivamente interceptada pela última linha do Benfica. O que sucede, em primeiro lugar, é que o Sporting se encontra demasiado exposto em termos posicionais para reagir a uma eventual perda. O lateral (Piris) está envolvido ofensivamente, assim como os dois médios interiores (Adrien e A.Martins), ambos à frente da linha da bola. Sobrando apenas William e os dois centrais, já que o próprio Jefferson está muito aberto. Normalmente, com a posse nesta zona do terreno, as equipas devem ter a preocupação de manter no mínimo 4 a 5 jogadores em condições de recuperar em caso de perda, até para que se possam garantir também linhas de passe na zona da bola e não obrigar o portador da bola a verticalizar o jogo, que é o que sucede. Ainda assim, o erro de William surge na sua incapacidade de interceptar o passe vertical para Gaitan, o que estava ao seu alcance. A partir desse momento, e mesmo com tanta distância para a baliza, esta seria sempre uma situação difícil de controlar, face à exposição numérica do Sporting. Sobra ainda sublinhar 3 aspectos decisivos no desfecho da jogada: 1) A dificuldade de recuperação de William, que parte na mesma linha de Amorim (que nem é um jogador particularmente rápido), mas não consegue ser útil no remedeio da situação; 2) o bom movimento ofensivo do Benfica, especialmente de Ruben Amorim, que imediatamente abre a sua trajectória de forma a potenciar a exposição de uma linha defensiva já reduzida a apenas 2 unidades, mas também de Gaitan, a conduzir de forma a obrigar que um dos elementos da linha defensiva saísse sobre si para depois soltar a bola; 3) mais uma vez, a finalização de Cardozo, que sendo em boa posição está longe de ser um lance evidente, já que a progressão da jogada foi bem condicionada pela última linha do Sporting, que aguentou até ao limite da área e não caiu em tentação de sair precipitadamente em contenção.

84' - Uma soberana oportunidade para o Sporting empatar, já na recta final do período regulamentar. O que sobressai deste lance é alguma desorganização na linha média do Benfica, em termos de ajuste posicional. A equipa é atraída para o lado direito, revelando depois alguma dificuldade em ajustar o posicionamento à circulação lateral do Sporting e verificando-se também alguma falta de coerência no comportamento dos diferentes jogadores. Por exemplo, Gaitan faz um acompanhamento individual a Piris, enquanto que o outro extremo, Ivan Cavaleiro, acaba no corredor central, inclusivamente atrás dos restantes médios. Algo que terá muito de circunstancial, mas que terá também a ver com alguma ausência de coordenação da equipa dentro de uma estrutura de 3 médios. O que resulta é que apesar do Sporting ter nesta altura desvantagem teórica no meio campo, William fica livre para receber, virar e solicitar a boa presença numérica da equipa junto dos centrais contrários, com Montero e Slimani nesta altura em simultâneo. Depois, mérito para Montero, sobretudo, e também para Mané no movimento interior. Demérito, novamente, para a linha média do Benfica que depois de perder controlo sobre William, também não chega a tempo de auxiliar os centrais no controlo da jogada.

112' - Provavelmente a ocasião mais flagrante dos 120' de jogo. O lance tem origem num lançamento lateral, ainda muito distante da baliza de Patrício, mas que vai ser muito mal abordado pelo Sporting. Primeiro, a acção de Cardozo, que tira partido da diferença de estatura com Jefferson (provavelmente, o Sporting deveria ter feito uma troca com Rojo para a abordagem a este lance). Depois, o mérito de Lima e o demérito de Rojo. Começando pelo central do Sporting, que se deixa antecipar num primeiro momento e que depois aborda mal o lance, acabando por ver a sua equipa exposta. Quanto a Lima, toda a sua acção é muito bem conseguida, saindo da marcação a Rojo e fazendo depois um passe também ele excelente para a entrada de Ivan Cavaleiro. Vale ao Sporting a igualmente notável reacção de Patrício e o desacerto posterior de André Gomes.

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11.11.13

Benfica - Sporting: Estatística e opinião

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Bom e justo - Começando com uma apreciação mais geral, o derbi foi bom e justo. Bom - ou mais do que isso - pelos trambolhões emocionais, que nos fazem recordar a verdadeira razão deste jogo ser tão cativante para tanta gente. Mas também, bom, porque foi bem jogado, tendo o volume de golos mais a ver com o mérito de quem ataca do que com o demérito de quem defende. Isto, apesar dos dedos se estenderem sempre no mesmo sentido acusatório. Justo, porque foi o Benfica quem mereceu mais ficar com os louros finais. Mais sobre isso em seguida...

Benfica mais objectivo, mas sem repetir o Pireu - De facto, na minha opinião, o Benfica justificou o triunfo, mas justificou-o fundamentalmente pela maior proximidade com o golo. Aqui, há que destacar evidentemente uma unidade, Cardozo. Pelos golos, claro, pelas oportunidades que chamou a si, mas também por ter sido importante num aspecto específico do jogo - as primeiras bolas aéreas - que se revelou muito importante para que o Benfica contornasse os problemas que o Sporting causou à sua circulação baixa. E, aqui, entro na apreciação ao balanceamento do jogo, onde o Sporting não foi inferior ao Benfica. Antes pelo contrário, o Sporting conseguiu lidar sempre muito melhor com o pressing do Benfica do que o contrário, acabando por promover mais circulação, sobretudo durante o tempo regulamentar.

Aqui, duas notas importantes de ambos os lados. Do lado do Benfica, a dificuldade da equipa em ser mais agressiva sobre a primeira fase de construção do Sporting quando perde presença junto de Cardozo. Jesus tentou aproximar Markovic do corredor central para o fazer, mas rapidamente isso deixou de ser possível, acabando o sérvio por ter de se fixar mais na ala. É uma situação que denota alguma falta de ajustamento da dinâmica pretendida (pressing alto) à nova estrutura implementada (4-3-3). Do lado do Sporting, a capacidade de condicionar o jogo em posse do Benfica - tal e qual havia feito no jogo do campeonato - mas depois dificuldades em lidar com a primeira bola na construção longa do Benfica, algo que já havia sucedido frente ao Porto e que voltou a acontecer agora, mesmo se o Benfica nem sempre explorou devidamente essa alternativa.

Em suma, o Benfica foi melhor essencialmente por ter conseguido maior objectividade no seu jogo, retirando partido do papel de Cardozo e também do momento de transição. Mas não se repetiu, de maneira nenhuma, o filme do Pireu. Aliás, nem era de esperar...

Bolas paradas - Uma nota para o problema das bolas paradas do Benfica. É evidente que a equipa tem sido demasiado batida neste tipo de lances e que isso justifica obviamente uma revisão do estado de coisas. Mas há a meu ver algum exagero na forma como se aborda o tema. Aqui ficam dois pontos de opinião sobre o tema: 1) não há nenhuma equipa que seja imune a este tipo de situação, e o factor aleatório também conta muito na percepção que é tida, porque bastam 2 ou 3 lances menos conseguidos para que se questione tudo (o que não invalida, repito, que o Benfica deva de facto rever o problema). 2) o tema de zona vs hxh é abordado de forma absurda pelos defensores de ambos os métodos. Ninguém concretiza uma análise que mostre objectivamente que um método é mais eficaz do que o outro, e o que fazem é esgrimir argumentos que servem, ora a uns, ora a outros, em função da situação. O Benfica defende à zona, tem condições (estatura) para o fazer, e não vejo nenhum motivo para que mude Aliás, muito pelo contrário.

Individualidades (Benfica)
Artur - Continua a não ter responsabilidades nos golos. Continua com uma eficácia horrível nas ocasiões de golo que vão à baliza.

André Almeida - A forma como o Benfica começou o jogo, sem um jogador fixo sobre a direita, dava-lhe alguma responsabilidade e exposição. Paradoxalmente, foi nesse período que esteve melhor. Porque começou por ser ele a causar o desequilíbrio que deu origem ao livre do 1 golo, e porque na primeira parte o jogo se inclinou exageradamente para o outro corredor. Na segunda parte, e quando o Sporting passou a forçar a saída pela esquerda, aí sim, teve mais problemas, não estando isento de alguns erros.

Sílvio - Ao contrário do A.Almeida, foi na 1 parte que teve mais trabalho. Mas é precisamente nesse registo que se torna mais útil e deu-se bem. Ofensivamente, tem dificuldades naturais em dar profundidade ao corredor.

Luisão - Houve uma grande assimetria no protagonismo com Garay. Luisão teve muito menos bola (estratégico?), sentindo nesse aspecto muitas dificuldades perante a pressão do Sporting. A defender, interveio sobretudo em organização, estando bem sobretudo em trajectórias mais largas, mas tendo algumas dificuldades perante os movimentos interiores de Montero. Se não fosse o golo, seria um jogo modesto.

Garay - Bem mais interventivo do que Luisão com bola e também com mais trabalho, sobretudo pela forma como o jogo se instalou no seu lado na primeira parte. Acabou por fazer um jogo regular em quase todos os planos, embora também ele tenha tido dificuldades perante a presença interior de Montero.

Matic - Foi provavelmente o melhor jogo que lhe vi esta temporada naquilo que deve ser o seu papel. É muito forte a intervir à frente da defesa e tem qualidade para acrescentar algo com bola. O problema de Matic tem sido a perda de critério, talvez deslumbrado pela sua própria capacidade, e acabando por perder eficácia naquilo que realmente é a sua missão. Não foi dos mais vistosos, mas a meu ver foi dos mais importantes no sucesso da equipa.

Ruben Amorim - De novo, tal como frente ao Olympiakos, com excelente critério com bola, acrescentando a simplicidade que tantas vezes falta às primeiras fases ofensivas da equipa. Ainda complementou com 1 assistência, uma exibição que do ponto de vista defensivo não conseguiu grande eficácia em termos de intervenção directa.

Enzo Perez - Jogo de grande entrega, como sempre, correndo muito o que nem sempre é algo positivo. O grande mérito da sua presença foi a transversalidade das suas acções, conseguindo ser útil e eficaz em praticamente todos os capítulos. Defensivamente, em posse e em termos de influência criativa.

Gaitan - Fantástico! A capacidade criativa já é esperada, tendo estado em 4 ocasiões da equipa. Depois, passou por vários papeis, emprestando sempre a sua qualidade com bola. Defensivamente, o lado do seu jogo onde é francamente subestimado, apenas foi superado em termos de intervenções defensivas por Matic e André Almeida, o que para um extremo é tremendo. Apenas peca por algum deslumbramento com bola, especialmente em fases mais adiantadas dos jogos, onde o excesso de confiança, e provavelmente o cansaço, o faz procurar lances para a plateia mas que objectivamente tendem a prejudicar a equipa.

Markovic - Pensei que pudesse ter outro impacto, mas não o teve. A ideia de o projectar na profundidade, como frente ao Olympiakos, não poderia resultar perante uma defesa mais baixa como é a do Sporting. Tem um potencial tremendo, mas ainda não sabe como explorá-lo, perdendo-se várias vezes nos jogos. É um desafio para ele e para Jesus e que fará toda a diferença na sua carreira.

Cardozo - Já escrevi muito sobre ele. Foi o jogador decisivo do jogo, com uma importância que vai para além dos golos e que tem a ver com a forma como cria problemas nos duelos com os centrais adversários. Depois, é verdade que a sua influência em termos de envolvimento no jogo (quantidade) é baixa, e que isso é um ponto negativo.

Ivan - A sua oportunidade está aí, com minutos em praticamente todos os jogos. A sua intermitência sugere que possa não ser fácil agarrar o estatuto.

André Gomes - Tem um óptimo critério, mas faltam-lhe outras características para o levar até patamares mais elevados. Cumpre quase sempre, mas apenas isso, e o tempo dirá se será capaz ou não de evoluir para outro nível.

Lima - Continuo a sublinhar que se valoriza excessivamente o aproveitamento em termos de finalização. Não que esse aproveitamento não seja relevante, mas porque no curto prazo não é conclusivo sobre o valor do jogador. Mais uma vez, Lima precisou de pouco tempo para causar estragos, e é um valor seguríssimo desta equipa.

Individualidades (Sporting)
Patrício - Fez um grande jogo, manchado pelo golo decisivo. Este será dos erros mais embaraçosos em termos mediáticos, mas parece-me ser dos que mais atenuantes têm para o guarda redes. Podia, e provavelmente devia, ter feito melhor, mas é um lance totalmente imprevisível, com um ressalto improvável a uma distância muito curta. Já cometei erros bem mais censuráveis, a meu ver...

Piris - Grande jogo do lateral, repetindo uma grande eficácia defensiva, quer nos duelos, quer em termos posicionais. E não era um jogo fácil, porque tinha Gaitan pela sua frente. Ofensivamente não deu para mostrar mais, mas fica claramente reforçada a sua candidatura à titularidade.

Jefferson - Perante um extremo falso, teve dificuldades em ser útil defensivamente, e realizou um jogo modesto a esse nível. A partir da segunda parte passou a ter outra utilidade em termos de envolvimento ofensivo, que é afinal o seu ponto forte. Mas desta vez não conseguiu ser determinante.

Maurício - Teve dificuldades perante Cardozo, ganhando uns duelos e perdendo também vários. Mas aí o mérito é mais do avançado, tendo Maurício feito um jogo em crescendo nesse particular. Como sempre, o dedo está virado para os centrais quando se sofrem tantos golos, mas não concordo em nada com essa responsabilização no caso do Sporting. Com bola, manteve um critério sóbrio, ajustado ao seu perfil e à sua função, o que é sempre o mais importante. Com o golo que marcou, parece-me que fica composta uma exibição bastante positiva.

Rojo - Em grande parte a análise é semelhante à de Maurício, embora no caso de Rojo tenha havido alguns lances onde me parece que a sua abordagem não terá sido a melhor, o que num jogo de pormenores faz muita diferença. Mas, repito a ideia, não foi pelos centrais que o Sporting perdeu.

William - Um dos jogos menos conseguidos que lhe vi. Mais dificuldades em posse, embora tenha mantido uma presença globalmente bastante positiva. E dificuldades também em termos defensivos, o que não é tanto uma novidade. Particularmente, e para além das suas limitações mais naturais, tem de ser mais contundente nas primeira bolas aéreas, onde perdeu alguns duelos onde tinha vantagem. Esteve no inicio da transição que dá origem ao terceiro golo.

Adrien - Jogo de grande entrega, conseguindo ser protagonista no livre que dá o 3-3. Aparece no jogo com uns pormenores que lhe dão muito destaque, mas era preferível que tivesse uma presença mais constante em termos de qualidade e influência em posse, coisa que não tem e que o impede de ser realmente uma mais valia para a equipa.

André Martins - O seu trabalho sem bola, nomeadamente na 1 linha do pressing é meritório, mas tem muitas dificuldades em ser uma presença mais influente no jogo da equipa a partir desta posição. Na primeira parte, com o jogo a ser canalisado muito pelo seu lado, não foi capaz de se afirmar, e na segunda passou a intervir em zonas mais baixas, o que o fez finalmente aparecer com mais frequência. Foi, no entanto, precisamente nessa altura que saiu.

Capel - Marcou o golo e pouco mais vezes tocou na bola na primeira parte, com o jogo muito concentrado no flanco oposto. Na segunda trocou de lado, mas o Sporting também passou a jogar mais pela esquerda, o que de novo lhe retirou protagonismo. A ideia, parece-me, era inclui-lo em posições mais interiores, baixando Martins para intervir mais na construção. Uma solução que não estava a desagradar, mas que foi testada durante pouco tempo.

Wilson - Mantém uma presença muito boa em termos de desequilíbrios ofensivos, com mais uma assistência. Em parte isso deve-se ao facto de Wilson ser um bom executante, especialmente com o seu pé direito. O problema é que não é Wilson que leva a equipa para essas situações e, ao invés, tem de ser a equipa a leva-lo a ele. E isso às vezes não chega.

Montero - Na comparação com Cardozo fica a perder e não apenas com os golos. Tal como no Dragão, fez falta ao Sporting uma referência mais forte para as primeiras bolas, num jogo onde às vezes não é fácil progredir de forma apoiada desde trás. Quando a bola lhe chega pelo chão, aí sim, Montero torna-se útil, e foi-o novamente neste jogo apesar de não ter marcado.

Carrillo - Deu outra dinâmica à esquerda, voltando a revelar que é o extremo que melhor se entende com Jefferson. O envolvimento foi bom, mas não o suficiente para provocar estragos na defesa do Benfica, e isso é sempre o mais importante.

Slimani - Novamente, parece-me que a sua entrada no jogo aconteceu cedo demais, numa fase em que a equipa estava por cima no jogo e com Slimani a ter dificuldades previsíveis em se envolver no jogo. O facto é que, também novamente, Jardim ganhou a aposta, com Slimani a ter uma presença muito importante nos lances decisivos e num curto espaço de tempo.

Mané - Um pouco à imagem de Slimani teve um impacto positivo no jogo. O que, no entanto, ainda quer dizer pouco relativamente ao seu potencial.

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8.11.13

5 jogadas (Sporting, Benfica e Porto)

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Jogada 1 - O primeiro golo do Sporting na recepção ao Marítimo. O mérito principal vai, claro, para a acção de Capel, mas ainda antes do rasgo individual do extremo espanhol há alguns pontos de interesse a destacar na jogada. Primeiro, o facto do Sporting progredir em direcção ao corredor central, algo que não acontece com muita frequência no jogo ofensivo da equipa de Leonardo Jardim. Depois, o comportamento do Marítimo, que no fundo acaba por ser também parte da explicação para esta súbita propensão interior. Como referi no comentário ao jogo, há bastante a rever no desempenho defensivo da equipa de Pedro Martins, sendo neste caso visível a estratégia por um bloco baixo e expectante, sem assumir grandes riscos em termos de pressão mais alta, mas nem por isso conseguindo manter uma protecção óptima dos espaços mais próximos da sua área. Em particular, neste lance é perceptível o equivoco do posicionamento da linha média, fortemente atraída por referências individuais, mas sem que tenha um enquadramento colectivo para o fazer com sucesso, terminando por potenciar o espaço por onde Jefferson acaba por entrar. Nota também para a passividade da dupla de centrais, cortando na profundidade, mas mantendo-se sem capacidade de intervenção no espaço à sua frente, o que permitiu a finalização de Capel em zona frontal. Ainda na jogada, nota para o papel de Montero, que aproveita bem o espaço entrelinhas para se apresentar como um presença extra nessa zona, sendo decisivo para abrir o espaço por onde depois entra Jefferson.

Jogada 2 - O lado mais preocupante do Sporting continua a ser a meu ver o capítulo defensivo, em particular na capacidade de resposta de algumas das suas unidades. A equipa protege-se bem, com bola, da exposição do momento de transição, fazendo uma boa gestão da posse, mas depois continua a sentir dificuldades na resposta em algumas situações e quase sempre pelo corredor central. No lance que termina no penálti que dá origem ao segundo golo, uma transição simples do Marítimo consegue levar a bola de uma ponta à outra do campo e precisando apenas de envolver dois jogadores para o conseguir. Em particular, nota para a incapacidade de Jefferson e William em controlar a jogada. Uma espécie de aviso em vésperas de defrontar o Benfica, onde as acções de Gaitan ou Markovic se adivinham como sérias ameaças para este problema da equipa de Leonardo Jardim.

Jogada 3 - Foram várias as ocasiões do Benfica no infeliz jogo do Pireu, mas provavelmente nenhuma será tão explicativa do que foi o jogo com esta, finalizada por Sílvio no inicio da segunda parte. Primeiro, o bom critério de construção do Benfica, fazendo o seu jogo progredir com paciência e segurança (algo que com frequência faltou ao Benfica noutros jogos). Estruturalmente, o destaque para o menor protagonismo de Matic em fases mais adiantadas do jogo ofensivo, aparecendo Amorim e Perez no papel de ligação do jogo ofensivo, com o a equipa a dispor-se muitas vezes em 3-4-3 com bola, onde também se evidencia a propensão interior dos extremos, Gaitan (mais entrelinhas) e Markovic (mais na profundidade). Ao mérito do Benfica, porém, há que juntar o demérito grego no desempenho defensivo, porque a equipa de Michel não conseguiu ser competente em praticamente nenhuma das fases do seu processo defensivo. Sempre com problemas no controlo do espaço entre sectores, e como documenta a jogada, o Olympiakos teve muitas vezes presença suficiente para ser mais contundente na zona da bola, mas frequentemente não conseguiu tirar partido dessa situação, acabando por lhe valer apenas a extraordinária eficácia de Roberto.

Jogada 4 - A primeira parte do jogo de São Petersburgo começou por mostrar um Porto mais autoritário em posse, conseguindo alguns momentos de boa circulação e domínio do jogo. Neste caso, o destaque vai para o jogo entrelinhas da equipa, e novamente para a qualidade da movimentação de Lucho nesse particular. Outro elemento que se manteve em permanência sobre o corredor central foi Josué. Esta presença interior de um dos extremos parece-me fazer todo o sentido na equipa do Porto, tendo em conta a qualidade que os laterais oferecem em termos de envolvimento ofensivo. Para potenciar esta dinâmica, provavelmente Paulo Fonseca terá de pedir mais arrojo ofensivo a Danilo, usando os médios para garantir maior equilíbrio posicional. Do outro lado, a especificidade de Alex Sandro parece-me diferente, já que se apresenta mais forte quando intervém na fase de construção, não sendo por outro lado tão forte como Danilo na definição no último terço. Na minha leitura, a potenciação dos laterais afigura-se como o caminho mais óbvio para que o Porto possa finalmente potenciar melhor o seu jogo ofensivo, o que no entanto exigirá algum ajustamento nas dinâmicas do modelo actual. Resta esperar para ver como a equipa evolui.

Jogada 5 - Provavelmente a jogada mais bem construída pelo Zenit em termos ofensivos, mas nem por isso fugindo à regra da transição. Noutros casos, a origem da perda de controlo defensivo do Porto tem origem num mau desempenho em posse e numa perda de bola a condicionar a reacção defensiva imediata, mas nesta situação não é isso que acontece. A jogada tem origem num livre ofensivo favorável ao Porto, e embora a equipa esteja normalmente posicionada para este tipo de situação, acaba por ser batida pela qualidade e maior velocidade de reacção da equipa russa. E aqui parece-me justo assinalar a facilidade com que o Zenit faz as suas unidades progredir no terreno, superando claramente a reacção defensiva do Porto. Uma propensão para o momento de transição que contrasta com o perfil do jogo portista e, como escrevi ontem, explica as dificuldades que o Porto sentiu na segunda parte, quando o Zenit potenciou esse tipo de jogo.

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7.11.13

Porto: também um problema de autoconhecimento?

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Do jogo resultam dois sentimentos, separados pela fronteira temporal do intervalo. Primeiro, o domínio territorial portista, assente numa maior presença em posse e na enfatização dos momentos de organização. Depois, na segunda parte, o descontrolo sobre as ofensivas adversárias, sucumbindo à vertigem de um jogo partido e marcado pelos momentos de transição.

Podemos valorizar a estratégia do Zenit, porque da primeira para a segunda parte houve de facto uma mudança de abordagem por parte da equipa russa, passando a ser mais agressiva no pressing mais alto, e também a deixar mais gente na frente, partindo deliberadamente o jogo. Mas o meu ponto vai naturalmente para a reacção do Porto e da resposta que teve perante esta mudança de circunstâncias. Em particular parece-me questionável a forma como a equipa se deixou levar para um jogo de descontrolo e transição quando claramente era na organização que mais vantagem poderia retirar, tal como a primeira parte havia mostrado. E a critica incide precisamente aqui, porque para o Porto seria muito mais aconselhável privilegiar os equilíbrios e, sobretudo, subir os índices de segurança no critério em posse.

Mas não foi isso que aconteceu. Da segunda parte resulta uma evidente perda de controlo defensivo, e se revermos todos esses instantes facilmente percebemos que têm como ponto comum o momento de transição, uma perda de bola e um rápido desdobramento ofensivo da equipa russa. E aqui sobressai a segunda grande preocupação que vai emergindo na equipa de Paulo Fonseca, logo a seguir à já abordada dificuldade em ser consequente no último terço de campo. Refiro-me à gritante propensão para o erro em que o sector recuado da equipa mergulhou recentemente. Pagou esse preço tanto neste jogo como no Restelo, mas o problema parece-me vir de trás, porque tanto na recepção ao Zenit como frente ao Sporting já se havia repetido um número censurável de perdas de bola em zona de construção. Não faz sentido, por isso, lamentar-se da sorte ou da eficácia dos adversários, porque face ao tipo de erros cometidos a factura tem até sido generosa.

Em suma, e para além das limitações identificadas no actual momento da equipa portista, parece-me que a partir do jogo de São Petersburgo resulta também a ideia de uma equipa ainda não totalmente consciente de quais são as bases para onde deve conduzir o jogo. Porque se o Porto é uma equipa mais forte em posse e nos momentos de organização, será importante que seja também capaz de manter o jogo no registo que mais lhe convém, e não como aconteceu, permitir que seja o adversário a tomar essa iniciativa.




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6.11.13

Benfica - Vitórias morais e sofismas tácticos

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Do 8 ao 80 - Há duas semanas escrevia que o Benfica havia feito possivelmente a sua pior exibição da época. Desta vez, frente ao mesmo adversário e num cenário adverso, parece-me claro que terá saltado para o extremo oposto e realizado a mais bem conseguida performance da temporada. A mim como a praticamente toda a gente. Algo que me surpreende, porque o confronto entre as duas equipas na primeira parte do jogo da Luz, e enquanto o relvado esteve jogável, não havia deixado grandes motivos para optimismo para as aspirações benfiquistas.
Na minha leitura, há bastante mérito do Benfica naquilo que sucedeu. A equipa apresentou-se com uma estrutura diferente - diferente, mas não nova como abordarei mais à frente - que lhe permitiu ter mais presença no corredor central. Aliás, é no corredor central que me parece residir a grande vantagem do Benfica no jogo, porque a equipa colocou sempre aí muita gente, apelando aos movimentos interiores dos extremos, para além da maior presença já oferecida por Perez e Amorim na frente do trio que normalmente dava inicio à construção (Garay, Luisão e Matic). É claro que nada se explica apenas pelo encaixe estrutural das equipas, e há também muito mérito no critério que o Benfica revelou em posse, notando-se aqui uma diferença enorme para aquilo que havíamos visto no jogo da Luz, onde a equipa foi muito penalizada pelas precipitações que repetiu enquanto em posse da bola. Correndo o risco de ser excessivamente critico em relação ao jogador, parece-me que ter diminuído a dependência de Matic terá favorecido a equipa, já que o sérvio continua a revelar algum desprezo pelo risco de perda em zonas fulcrais, algo que Perez e sobretudo Amorim souberam gerir com muito mais qualidade.
Nota, finalmente, para o Olympiakos, que esteve também bastante abaixo das expectativas geradas pela tal primeira parte realizada na Luz. Fundamentalmente pareceu frágil na zona central da sua defesa, sendo várias superada em situações onde tinha presença numérica suficiente para ter resolvido melhor os lances. Ainda assim, surpreenderam-me as suas dificuldades de gestão do jogo com bola, porque o Benfica tem sentido muitas dificuldades nesse particular nos jogos da Champions, nomeadamente pela exposição do corredor central através da atracção dos extremos para zonas mais laterais. Algo que os gregos potenciaram na Luz, mas não desta vez. Enfim, aos gregos valeu apenas Roberto, cuja exibição é de tal forma exuberante que dispensa até grandes comentários.

Vitórias morais - Seria absurdo dizer que, perdendo, é preferível ter jogado mal do que bem. Não vou tão longe, mas parece-me que também não há muito a ganhar com vitórias morais. Basicamente, porque a única coisa positiva que pode existir numa derrota é a oportunidade de melhorar, servindo o sentimento de frustração para enfatizar o que há para melhorar. Perder jogando bem, oferece indicações positivas, mas induz também um sentimento de conformismo perante o insucesso, o que me parece perigoso. É verdade que o Benfica jogou bem, muito bem mesmo, mas não partilho da convicção de que isso possa ser um indicador tão claramente conclusivo em relação ao futuro próximo da equipa. Um jogo de cada vez, e da Grécia sobra apenas uma certeza: a derrota.

Sistema, o eterno sofisma táctico - A vitória moral no Pireu trará um outro efeito secundário característico. A ideia de que na mudança táctica promovida por Jesus se esconde o elixir do sucesso para o futuro equipa. Nomeadamente, claro, a mudança de sistema, utilizando 3 médios. Em primeiro lugar, estamos perante uma situação isolada, um jogo, e cada jogo tem o seu contexto único e irrepetível, sendo sempre muito pouco para que se retirem conclusões absolutas seja do que for. Depois, não foi a primeira vez que o Benfica jogou com 3 médios. Fê-lo, por exemplo, frente ao Marítimo e frente ao PSG, possivelmente duas das menos conseguidas exibições da equipa nesta temporada. Porque é que se haveria de concluir agora sobre as maravilhas de uma alteração estrutural, quando noutras ocasiões os resultados foram tão diversos? Parece-me, no mínimo, uma análise forçada.
Enfim, na minha perspectiva, estabelecer relações causais e simplistas entre sistemas tácticos e performance qualitativa só pode redundar em sofismas. No caso do Benfica, é verdade que a equipa tem uma forma particular de jogar, com bola incluindo pouca gente no corredor central, e sem bola arriscando muito em termos de presença pressionante. Algo que a expõe bastante especialmente perante adversários de maior valia técnica. Mas isso não tem a ver com o sistema, mas sobretudo com a dinâmica idealizada para os processos nas diferentes fases do jogo. E essa é que é verdadeiramente a questão...

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5.11.13

Porto: apatia ofensiva

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Em face da situação classificativa, seria de todo exagerado entrar em alarmismos em torno do empate cedido no Restelo. Ainda assim, os sinais deixados no jogo vêm reforçar a ideia de um problema que, não só teima em não ser ultrapassado, como ainda por cima parece ter vindo a acentuar-se com o tempo. Refiro-me às dificuldades ofensivas, aquilo que realmente desaconselha as hostes portistas a confiarem em demasiado no amortecimento do conforto pontual.

De facto, olhando ao percurso da equipa na Liga, é possível verificar uma dificuldade crescente na criação de ocasiões claras de golo, não tendo o Porto conseguido repetir os bons registos dos primeiros jogos. Há aqui uma atenuante importante para a maioria dos jogos e que tem a ver com o facto da equipa ter estado em vantagem durante grande parte do tempo, o que retira obviamente a necessidade de ser mais contundente em termos ofensivos. E é precisamente neste ponto que o jogo do Restelo deverá justificar mais apreensão, porque ao contrário de outras ocasiões, o Porto esteve muito pouco tempo em vantagem, sendo que a essa necessidade não correspondeu a produção ofensiva que se esperaria.

Há aqui que fazer novo destaque ao Belenenses, equipa cuja trajectória já havia destacado recentemente, aquando da apresentação dos dados estatísticos das equipas. De facto, e depois de também já ter realizado um bom jogo na Luz, a equipa do Restelo tem confirmado que o seu crescimento pontual é sustentado e não apenas fruto de uma fase mais feliz. E esta é, desta vez, a única atenuante para apatia do ataque azul e branco...

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4.11.13

Notas do Sporting - Marítimo

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Melhor a atacar do que a defender - Perante a volumetria do resultado, é quase uma redundância escrever que o Sporting terá estado melhor a atacar do que a defender. "Quase", porque no futebol há excepções mais do que suficientes para que se desfaça a linearidade desse tipo de raciocínio. Aqui, no entanto, não é o caso, com o resultado a parecer-me reflectir o que de melhor e pior o Sporting fez. Melhor a atacar, porque para além dos golos construiu um número muito elevado de ocasiões, alicerçando o seu jogo nas habituais dinâmicas pelos corredores (com muitos cruzamentos), mas desta vez também explorando as dinâmicas interiores, algo que é menos comum na equipa. Pior a defender, não porque me pareça que o Sporting se organize mal, mas antes porque a equipa tem algum défice de capacidade de resposta em algumas das suas individualidades. Uma opinião que já fundamentei noutras ocasiões, mas que neste jogo se pode vincar ainda mais. Seja como for, nem tudo, quer de positivo quer de negativo, tem a ver apenas com o Sporting... há que enquadrar com as características do adversário.

Marítimo a ajudar na tendência - De facto, penso que Sporting e Marítimo contribuíram mutuamente para o tipo de jogo a que assistimos. Provavelmente contra outro opositor, nem o Sporting teria sofrido tanto atrás, nem conseguido tanto à frente. Ofensivamente, o Marítimo apostou sempre numa construção longa (bom aproveitamento de Derley neste plano) por forma a tentar saltar etapas do jogo ofensivo e potenciar mais rapidamente a principal característica do seu ataque, que é a velocidade de unidades como Heldon e Sami. A verdade é que várias vezes esta intenção foi bem sucedida, causando dificuldades de resposta directa em algumas unidades do Sporting. Assim, e juntando alguma dose da sempre indispensável felicidade, se explicam os dois golos ao intervalo. Defensivamente, porém, esta é uma equipa bastante permissiva, e isso foi bem explorado pelo Sporting. Destaque para a forma como a equipa baixa o bloco, mas depois tem dificuldades em fazer um ajustamento posicional ideal, o que juntando a algum défice de capacidade de resposta individual, ajuda a explicar os sucessivos problemas de controlo sobre o jogo ofensivo do Sporting. Em particular, na linha média a equipa procura socorrer-se das referências individuais como bussola posicional, mas fá-lo sem ter atenção ao contexto, inclusivamente quando não existe sequer presença numérica suficiente para garantir o ambicionado "encaixe" nas unidades do Sporting. Mas também existem dificuldades ao nível da linha defensiva, com muitos espaços entre os jogadores, e com dificuldades na definição do posicionamento por parte dos centrais, que sempre que o Sporting expôs o corredor central não revelaram capacidade de reacção, seja saindo em contenção, seja controlando a exposição nas suas costas. Enfim, os sinais não vêm deste jogo, mas há ainda muito trabalho para Pedro Martins.

Destaques individuais
Dier - Se a pré época me trouxe dúvidas sobre a sua capacidade de resposta, os jogos a valer têm servido apenas para agudizar essas reticências. A cada aparição renova sinais de preocupação em relação aos mais variados aspectos do jogo e não foi certamente frente ao Marítimo que essa tendência se inverteu. É verdade que as suas características físicas lhe permitem ter, para a idade, uma capacidade de choque invulgar, mas também o é que lhe conferem muitas dificuldades de mobilidade e de resposta perante adversários mais ágeis. E essa é, a meu ver, a sua principal limitação, e não a velocidade, mais facilmente corrigível pelo lado posicional. Depois, ao nível da presença em posse não revela qualquer mais valia em relação à dupla Maurício-Rojo. Aliás, muito pelo contrário. Não tem a ver apenas com a falta de precisão que tem tido no passe, mas sobretudo com o critério muitas vezes desajustado, assumindo riscos absolutamente desaconselháveis e que expõem muito a equipa. Enfim, é claro que Dier pode melhorar em muitos destes aspectos e tempo não lhe faltará para que o consiga. O ponto aqui tem a ver com a sua capacidade de resposta actual e nesse particular os sinais que vem dando são francamente insuficientes, a meu ver inclusivamente para ser a terceira opção de um clube como o Sporting.

Vitor - Não o conheço suficientemente para ter grandes convicções sobre a sua capacidade de resposta, e por isso esperava por esta oportunidade de o poder ver mais tempo. A exibição não foi exuberante, mas teve a meu ver muitos sinais positivos, comparativamente com o que vinha fazendo André Martins. Mais presença em posse (boa movimentação), com melhor capacidade de sequência, e defensivamente também me pareceu mais próximo dos outros dois médios, quando a bola entrou em zonas mais baixas. Por outro lado, não ofereceu a mesma dinâmica de Martins sobre o corredor lateral, mas também talvez seja cedo para que se exija demasiada especificidade no reconhecimento colectivo dos seus movimentos. Será interessante se tiver a oportunidade de iniciar o derby.

Capel - Terá sido a melhor exibição pelo Sporting? É possível. Foi certamente uma das melhores e também uma das melhores deste campeonato. Em particular, foi muito por ele que o Sporting conseguiu explorar o corredor central, o que até nem é a sua especialidade. Enfim, seria uma excelente novidade para Jardim se Capel pudesse oferecer sempre este rendimento, mas também já o conhecemos o suficiente para saber que o mais provável é que a sua intensidade nem sempre consiga repetir este nível de efectividade.

Montero - Tinha aqui escrito que seria de todo improvável que a sua eficiência se mantivesse, e rapidamente esses índices baixaram. Como tenho repetidamente assinalado, há uma sobrevalorização da eficiência nos avançados, sendo esta tratada como se de uma fatalidade se tratasse. Até aqui, Montero era infalível. Agora, qual Sansão de cabelo rapado, parece que terá perdido irremediavelmente toda a sua força. A verdade, como quase sempre, estará algures no meio e Montero continuará tanto a marcar como a falhar golos, como qualquer outro avançado no mundo. Para já, e entre os golos perdidos, há muitos outros sinais positivos deixados pelo jogador, porque a sua movimentação foi notável em diversas ocasiões e quem se movimenta assim continuará certamente a chamar a si muitas ocasiões e, consequentemente, também muitos golos.

Slimani - Não vou comentar o jogador, porque foi muito pouco tempo para que se justifiquem conclusões. Apenas um sublinhado para o opção de colocar uma "torre" a 30 minutos do final. Deu resultado porque marcou, mas é uma solução que me levanta sempre grandes dúvidas, porque me parece que as equipas tendem a perder fluidez no jogo, e na ânsia de ter mais presença na área, acabam geralmente é por chegar lá menos vezes. A não ser que se tenha grande facilidade nas restantes fases ofensivas - o que até poderia ser o caso - parece-me uma solução que apenas faz sentido para um jogo mais directo e que normalmente apenas surge nos últimos 5-10 minutos.

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