31.3.11

Selecção: notas individuais da preparação

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Laterais - Provavelmente como nunca, a Selecção está carregada de boas soluções para as laterais. A situação tem, na minha opinião, muito que ver com uma aposta em características de maior agressividade, maior reactividade e profundidade. Características que dão outra vida ao corredor. O que ganha a equipa com este perfil? Qualidade técnica, profundidade e presença em transição. O que perde? Essencialmente, alguma dificuldade posicional de jogadores normalmente adaptados à função. Isso, porém, não chega para que se peça outro perfil, especialmente num modelo que faz do pressing e da reactividade as suas traves mestras no capítulo defensivo. E as soluções, como referi, são óptimas e em quantidade: Coentrão, Duda, João Pereira, Bosingwa, Sílvio, Nelson, etc...

Centrais - Outro sector que, com laterais e extremos, poucas Selecções no mundo conseguem rivalizar. São tantas as escolhas, que o mais importante é haver algum cuidado com os ajustes individuais de cada solução. Isto porque, se é possível jogar com várias duplas de enorme qualidade, é preciso ter em atenção às diferenças de características de alguns jogadores. Por exemplo, entre Pepe e Bruno Alves - duas excelentes opções - há algumas diferenças na forma de abordar o posicionamento e o jogo em antecipação. O mais importante, por isso, é garantir a coerência colectiva, independentemente das opções escolhidas em cada momento.

Médios - Aqui surge o primeiro problema, mas talvez seja melhor começar por abordar a característica colectiva desta "era Paulo Bento". Como sempre, pede-se qualidade técnica, quer na circulação, quer na ligação com a zona de finalização. A grande característica, porém, é (e de novo!) a reactividade, a intensidade e lucidez posicional. Para interpretar este modelo, é preciso reagir rápido, agressivo e bem, em cada momento. Aí, há dois jogadores que estão a dar muito a esta equipa: Meireles e Moutinho. Meireles, porque tem uma excelente noção posicional e uma orientação decisional muito vertical. É uma espécie de libero da linha média e da primeira zona de pressão e a equipa ganha imenso com a sua presença nesse papel, porque invariavelmente lê e decide bem onde tem de estar, quando tem de estar. Depois Moutinho, com algumas diferenças em relação a Meireles: mais seguro em posse e menos vertical. Mas, com idêntica intensidade, reactividade e cultura posicional. Sobra um jogador, e Paulo Bento tem tentado introduzir uma característica mais criativa e mais virada para o último passe. Martins ou, agora, Micael. O problema destas soluções é a tal intensidade sem bola de que a equipa tanto depende. Não há muito melhores alternativas. Ou se opta por este perfil, ou se tenta algo diferente, com opções de menor orientação criativa, mas mais "nervo" e intensidade. Entre todas, há um nome que entendo ter enorme potencial, mas que precisa de ser testado em relação à sua evolução no capítulo da segurança em posse: Manuel Fernandes.

Extremos - O problema existe sempre que faltar Ronaldo ou Nani. Não é um problema de falta de qualidade, mas, antes de desnível. Um problema que vem da qualidade excepcional de Ronaldo e Nani. É que Danny, Varela ou Quaresma são óptimas opções, apenas não atingem o patamar dos outros dois. Entre as opções, a que mais me agrada é Danny. Ainda que tenha um perfil diferente dos outros, mais móvel e menos forte em situações de corredor. Ainda nestas opções, um caso interessante é Quaresma. Um talento puro e facilmente detectável, mas cujo rendimento frequentemente é confundido com a exuberância estética do seu jogo.

Avançados - O outro problema. Nenhuma das soluções para já testadas (Almeida e Postiga) está ao nível da restante equipa. São boas soluções, sim, mas não do nível da restante equipa, na minha opinião. Entre os dois, em termos defensivos não há grandes diferenças (fora o jogo aéreo nas bolas paradas, evidentemente). Em termos ofensivos, há, a meu ver, algum exagero em algumas avaliações e comparações entre os dois. Nem Hugo Almeida é um jogador muito mais forte do que Postiga na finalização, nem Postiga faz tanta diferença no jogo exterior, como se diz. Almeida é sobretudo uma mais valia nas primeiras bolas, onde é muito forte como "pivot" (desde logo, uma vantagem pouco contemplada, mas importante, no jogo exterior). De resto, na área, tira, evidentemente, partido da sua estatura, mas não tem movimentos muito fortes na resposta a cruzamentos. Falta-lhe, até, alguma cultura nesse aspecto, porque um jogador com a sua capacidade física deveria ser mais fortes a fugir nas costas dos centrais e em movimentos ao segundo poste, coisa que não se vê muito em Hugo Almeida. Quanto a Postiga, é, de facto, um jogador bastante forte tecnicamente, mas tem algumas dificuldades no choque e perante marcações mais físicas, o que lhe faz perder capacidade em muitas situações de jogo exterior. A zona onde é mais forte, a meu ver, é nos movimentos sobre os corredores, situação que Portugal pode tirar partido pela complementaridade que Ronaldo oferece na zona de finalização. Nesta equação, é claro, falta Liedson. Para já fora das contas de Paulo Bento, não me são sugeridas grandes dúvidas de que seria a mais valia que poderia representar. Não no jogo em apoio, mas na capacidade de pressão e na dificuldade acrescida que oferece à marcação, quer fora, quer dentro da área. Seria interessante que fosse experimentado antes do Europeu...
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30.3.11

Selecção: notas colectivas da preparação

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Deixo alguns comentários sobre as indicações colectivas deixadas por Portugal neste duplo confronto. São ideias que confirmam a filosofia do próprio Paulo Bento e que já haviam sido vistas nos jogos anteriores. Foram 2 jogos diferentes da Selecção. O Chile é muito melhor equipa que e a Finlândia e daí as dificuldades maiores nesse primeiro jogo. De destacar, porém, que em ambos os casos foram bem potenciados os erros dos adversários, sendo que, quer num caso, quer noutro o aproveitamento desse tipo de situações (em ataque rápido) não foi tão bom como pode e deve ser. Deixo, para já os dados do jogo com o Chile, reservando os do jogo com a Finlândia para quando fizer uma apreciação às exibições individuais nestes 2 jogos.

Ataque posicional: o ponto fraco
Nunca foi a “arte” de Paulo Bento, e não o é de novo na Selecção. Sobretudo em termos de construção, a equipa não há grandes elogios a fazer do ponto de vista da movimentação e trabalho de posse. A prioridade, porém, está bem definida. É fundamental não cometer erros comprometedores. Nem que, para isso, seja preciso um recurso mais directo para dar inicio às jogadas.

Pressing: o grande pilar
Não é novidade e viu-se logo nos primeiros minutos da “era Bento”. O “pressing” e a busca do erro é o grande enfoque colectivo. Quer em situação de organização, quer em situação de transição, a equipa procura rapidamente organizar-se de forma agressiva perante a zona da bola e retirar tempo e espaço de decisão. Com elementos fortes no 1x1 como Nani e Ronaldo, recuperar alto pode ser absolutamente “mortal”, e é muito por esta capacidade de pressionar que Portugal será um dos mais fortes candidatos à conquista do próximo Euro. Pelo menos, na minha visão.

Momentos de transição: foco na reactividade
Falando do pressing em organização, e da importância que lhe é atribuída, diz tudo da noção que Paulo Bento tem de como os momentos de transição podem ser decisivos. Em fase defesa-ataque, não é difícil perceber a ordem: tirar a bola da zona de pressão e soltar o extremo em situações em que o espaço é um aliado. No momento inverso (ataque-defesa), importância para a reactividade e organização. De preferência pressionar e tentar imediatamente a recuperação, mas percebe-se que o equilíbrio é uma prioridade que precede esse objectivo. Importante a característica individual dos jogadores, sobretudo dos médios, mas disso falarei mais tarde...

Bolas paradas: a potenciar...
É uma área onde Portugal está bem servido, quer em termos ofensivos, quer em termos defensivos. Marcou um golo frente ao Chile, mas percebe-se que poderá fazer mais do que o que actualmente apresenta.

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A preparação de Portugal (breves)

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Está algo atrasada a análise dos jogos da Selecção. É um assunto que fica prometido para os próximos dias. Ainda assim, e em jeito de comentário breve, após o último dos 2 jogos agendados para esta etapa, começo por reafirmar o óbvio, ou seja, que não foram jogos especialmente empolgantes. Não foram, mas o que se viu é suficiente para perceber que há um mundo a separar "esta" Selecção das suas versões anteriores. Hoje, uma equipa não é um "onze e uma táctica" (entenda-se, um sistema). Hoje, há uma ideia colectiva clara, bem visível no campo e capaz de garantir uma grande consistência de resultados. Por isso, e mesmo sabendo que no futebol a bola é por vezes demasiado redonda para estas projecções, arrisco que muito tem de acontecer para que a Noruega não seja atropelada quando nos visitar em Junho. Esperemos para ver...

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28.3.11

Eleições do Sporting: o meu balanço

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A campanha: superficialidade característica do momento
A História da democracia clubistica, sugere a generalização... Foi assim com o Sporting no final dos anos 80 e com o Benfica, uma década mais tarde. O choque da crise gera muitos candidatos, muita discussão e muita participação. Um sinal de vitalidade? Talvez, mas seguramente não um sinal de lucidez e progressão na vida dos clubes. Não é por acaso que dos dois “sinais de vitalidade” que referi anteriormente, saíram, respectivamente, Jorge Gonçalves e Vale e Azevedo.

5 candidatos, mas uma “oferta” absolutamente superficial e com muito pouca profundidade de propostas e argumentos. Quase chocante, para quem viu alguns debates, a forma como se procurou tanto o “soundbyte”, numa altura que, como todos concordavam, era decisiva para o clube.

O rótulo: “rotura” ou “continuidade”
Grande parte das discussões e argumentos andaram à volta disto: a definição dos rótulos. Todos queriam ser a “rotura”, nenhum a “continuidade”. Uma discussão absolutamente estéril do ponto vista argumentativo, mas que, bem vistas as coisas, poderia fazer toda a diferença no posicionamento dos candidatos na corrida eleitoral. E fez.


Os momentos de crise são os mais intensos do ponto de vista emocional. A emoção sobrepõe-se facilmente à razão e, em democracia, quem conseguir tocar na emoção, estará sempre mais próximo de vencer. Muito mais próximo! “Rotura” era a palavra que mais dominava no sentimento dos sócios, nesta como noutras situações idênticas, e quem ficou com esse rótulo ganhou imenso.

Futebol: “projecto”? Qual “projecto”!
A palavra repetiu-se várias vezes na boca dos diversos candidatos: “projecto”. Salvo melhor definição do termo, porém, não houve nenhum “projecto” nas propostas dos candidatos. Soluções, sim, ensaios, no máximo.

O futebol – particularmente nos países latinos – tem uma particularidade: o peso dos resultados. Os resultados, se não forem continuadamente bons, provocam sucessivas roturas e inversões na orientação de gestão. Ou seja, “projectos” só são possíveis em condições invulgares de sucesso, ou com bases que não estejam alicerçadas nos resultados da 1ª equipa.

Para além da óbvia questão do “tempo” que um “projecto” pressupõe – será sempre mais extenso do que um simples mandato – anunciar treinadores e directores desportivos como base de uma nova idiossincrasia, não é um “projecto”, é um acto de fé.

Finanças: Banca vs. Fundos... é uma opção?!
Se a discussão em torno do futebol foi superficial, o que dizer daquilo que se discutiu sobre o financiamento e sustentabilidade do clube?

Primeiro, choca a divergência de diagnósticos sobre a situação actual. Entre a precisão de uns e a contabilidade aérea de outros, oscilam mais 100 milhões de passivo. O pior, porém, é que este tema pareceu não preocupar muito. Seria mais ou menos o mesmo que as próximas eleições do país fossem discutidas tendo a divida do estado como questão secundária.

Depois, os fundos. Como se o problema do Sporting fosse o investimento nos activos. Não é. O problema dos “grandes” em Portugal são as contas correntes e a incapacidade de ter níveis salariais enquadrados com aquilo que acontece com os principais clubes dos 5 mais importantes campeonatos europeus. Mas discutiu-se fundos como se de feijões mágicos se tratassem. Como se fundos fossem garantia de maior competência ou qualidade. Não são.

Por cima de tudo isto, só faltava o debate Fundos vs. Banca. Como se fosse para algum dos candidatos uma opção a “parceria” com a banca, como se o Sporting ou qualquer outro “grande” português pudesse, de um dia para o outro, ignorar centenas de milhões de divida que tem por pagar. Não é mesma coisa financiar liquidez e investir em activos, mas mesmo que fosse...

Tudo isto é especialmente irresponsável – incrível, mesmo! – numa altura em que países inteiros têm a falência à vista.

O futuro: entre o carisma e as soluções
Todas as candidaturas falaram de “projectos” e prometeram o milagre da multiplicação dos peixes – entenda-se, ser campeão, como se isso fosse fácil de conseguir. Todas. A única coisa que apresentaram, porém, foram soluções. Soluções para isto e soluções para aquilo. Remédios e protagonistas.

Aí, a meu ver, houve uma diferença. Godinho Lopes mostrou-se incomparavelmente mais consistente. Aparentemente mais consciente da situação do clube e com a única equipa que, à partida, tem alguma probabilidade de fazer o futebol melhorar. Não que dê para a tal multiplicação dos peixes, claro. A ironia, porém, vem depois. É que Godinho Lopes, tendo a menos má das soluções, revelou também o pior dos carismas, e a pior das capacidades argumentativas. Por isso foi “espancado” em todos os debates e não se livrou que os outros lhe tivessem colado o indesejado rótulo da “continuidade”, em letras bem gordas, e bem no centro da sua testa, para que não escapasse a ninguém. Mesmo havendo candidatos com uma ligação bem maior ao passado recente e mesmo tendo o anterior rosto da “oposição” na sua lista.

Do outro lado, bem nos antípodas de Godinho, emergiu Bruno de Carvalho. Falou-se do Fundo dos russos e da apresentação de Van Basten, mas a grande vitória de Carvalho foi a sua própria capacidade oratória e a forma como cedo garantiu o rótulo da “rotura”. Isso, só por si, fez com que Carvalho fosse um sério candidato. Mesmo sendo um desconhecido, mesmo não tendo qualquer solução que realisticamente garantisse um aumento de competência para o futebol.

Entre a falta de carisma e a falta de soluções, e com muita polémica à mistura, ganhou a falta de carisma. Não sei quem é Bruno de Carvalho nem o que se poderia revelar depois de “aberto” – alguém sabe?? – mas, sem saber também o que o futuro reserva, diria que o Sporting vive melhor sem o carisma do que com o risco da falta de soluções que se perspectivavam. Porque a História está farta de mostrar que é na sede de “roturas” que se cometem os maiores erros. Se o Sporting deseja tanto uma “rotura”, é bom que prepare melhor esse momento, até porque os tempos não estão para brincadeiras.

Resta falar da hipotética divisão do clube – porque não vou falar de uma polémica que pouco me interessa e muito me escapa. A divisão/união faz-se, como quase tudo no futebol, pelos resultados desportivos. Tal como Bettencourt durou 2 anos com 90%, Godinho pode durar uma eternidade com 35%. “Basta” o mais difícil: ganhar.
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24.3.11

Treinadores (Sporting): Mais nomes do que soluções

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Missão (quase) impossível
Primeiro ponto: dentro do actual contexto do futebol português, com o rendimento actual de Porto e Benfica, ganhar no imediato é um objectivo muitíssimo complicado de atingir ou exigir. Porquê? A resposta teria de ser longa, mas recorro a apenas um dado factual: quantos pontos perdeu o líder do presente campeonato? Exigir melhor é exigir, quase, a perfeição.

Populismo: Mais valia não apresentar nomes!
Por várias vezes defendi que poucas coisas têm mais relevo no sucesso dos clubes do que o ajuste das escolhas dos seus técnicos: um bom treinador pode valer bem mais do que uma mão cheia de bons jogadores, e uma mão cheia de bons jogadores pode valer pouco sem um bom treinador.

Dito isto, talvez faça pouco sentido dizer que o Sporting estava melhor servido se a questão do treinador não entrasse nos debates pré eleitorais. Mas, a meu ver, essa teria sido a melhor solução para o clube. Talvez aumentasse a incerteza sobre o que aconteceria no dia seguinte, mas evitaria, pelo menos, o populismo óbvio das escolhas apresentadas.

Repare-se no perfil que parece ter recolhido maior consenso: Nome sonante, estrangeiro, mas com reputação conseguida muito mais como jogador do que como treinador.

Nenhuma surpresa e nenhum arrojo para além do que qualquer mero adepto poderia sugerir.

Rijkaard, Van Basten e Zico: as ilusões
Concretamente, e sendo muito directo, não vejo grandes possibilidades de qualquer dos nomes estrangeiros sugeridos poder lutar pelo título (ou mesmo sequer sonhar com tal coisa), caso Benfica e Porto não mudem muito.

Porquê? Há alguns motivos, mas começo pelo principal: as competências. É que – e talvez seja desapontante afirmá-lo para quem gosta de certo tipo de ilusões – há poucos treinadores no mundo com a capacidade de Villas Boas e Jesus e, nem Rijkaard, nem Van Basten, nem (sobretudo!) Zico se aproximam desse nível. Seguramente!

Aqui, talvez seja interessante falar um pouco dos dois holandeses, que têm uma filosofia praticamente gémea. É entretido falar-se da nobreza do seu jogo de posse, mas a realidade é que, nem um modelo de jogo se esgota num momento táctico, nem a qualidade de um momento táctico se define pelo enfoque que é dado a um certo estilo. E aqui é que reside o problema: confunde-se estilo com qualidade e o facto é que há bem mais estilo do que qualidade nas propostas de jogo de Rijkaard e Van Basten.

Domingos: uma rara esperança
Porque Domingos tem mais hipóteses do que os outros?
Primeiro, pela competência. Já o afirmei várias vezes: não tem um modelo de jogo entusiasmante, como Villas Boas ou Jesus, mas a sua proposta de jogo é bem mais lúcida e completa do que qualquer dos outros nomes sugeridos, e por aí também se começa a explicar o porquê de Domingos ter tido o que nenhum dos outros teve como treinador: sucesso continuado.

Lucidez, qualidade e força mental, são as virtudes das equipas de Domingos, que fazem dele uma excelente solução para o Sporting ou qualquer outro clube “grande”. Resta, nesta comparação, destacar também o facto de Domingos ter a vantagem do seu enquadramento no futebol português. Quer no que respeita ao conhecimento das competições, quer na percepção do valor que deve ser dado a um desafio deste tipo. A nacionalidade não é uma condicionante, mas o enquadramento cultural, é-o concerteza.

Outras soluções: Como escolher?
Se critico o que orientou as escolhas dos treinadores (Domingos, à parte) nesta corrida eleitoral, passo também a explicar o que, na minha opinião, deve ser feito.

Sugiro um método de 2 etapas, que, a meu ver, é o mais rentável em termos de tempo:

- Comece-se pelos resultados. Ou seja, identifiquem-se os treinadores com sucesso continuado ao longo de várias épocas (3, no mínimo) e preferencialmente em clubes diferentes.

- Em seguida, partimos para o específico. Ou seja, parte-se para a compreensão dos resultados, procurando confirmar-se, ou não, a qualidade no modelo de jogo por trás do sucesso. Se o modelo for, de facto, forte, e se tiver enquadramento no tipo de jogo pretendido, então é altamente provável que o sucesso não tenha sido um acaso e que o treinador o possa repetir noutras paragens...

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23.3.11

Paços - Benfica (Análise e números)

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- Eficácia, sim, mas não só. O Paços falhou a sua abordagem ao jogo porque falhou completamente no “pressing” alto – o primeiro alicerce da sua proposta. Bem o Benfica a ligar corredores em zona baixa, aumentando os espaços e dificultando a tarefa dos “castores” de chegar a tempo para pressionar. O resultado? Com o Paços a arriscar no “pressing” e a falhar completamente o condicionamento na primeira fase de construção do Benfica, abriram-se os espaços e o Benfica, com a sua qualidade... “cavalgou-os”.

- Rui Vitória deverá retirar as suas conclusões. À primeira vista, parece que as alterações prejudicaram a equipa. Que Rondon foi um fracasso absoluto à direita, que a sua agressividade fez falta na frente, que Manuel José não teve intensidade para ser agressivo na zona da bola (2ºgolo), que Olímpio e Leão terão feito falta... Talvez... mas uma equipa não pode ter uma percepção “cega” do pressing e tem de garantir, primeiro, a coerência espacial e colectiva antes de “atacar” a bola.

- Curioso como o jogo foi mais controlado pelo Paços, com 10. Curioso, mas não estranho, por tudo o que escrevi atrás. Com menos 1 unidade, a atitude posicional do Paços foi mais prudente e criteriosa. Não discutiu o jogo territorialmente, mas capitalizou vários erros em posse dos encarnados. Aliás, sobre o Benfica, importa dizer que, apesar do conforto do resultado, esta não foi uma exibição isenta de erros. Pelo contrário, em posse, foi raro o jogador que não comprometeu pelo menos 1 vez.

- O Benfica é, realmente, fortíssimo nas bolas paradas, e Jardel vem acrescentar ainda mais capacidade nesse particular. O ex-Olhanense não tem, obviamente, o potencial ou as mais valias de David Luiz, mas pode bem ser competição para Sidnei. Ser central é, hoje em dia, muito “fácil” no Benfica!

- Individualmente, e no Benfica, Aimar foi o melhor. O espaço que o Paços abriu foi um regalo para ele. De resto, é ainda cedo para considerações sobre Carole. A Gaitan, valeu o golo (e que golo!), porque confundiu novamente competição com descompressão, assim que o jogo lhe pareceu resolvido. Já Jara, para além de 1 ou 2 verticalizações (2ºgolo), não valeu quase nada.

- Sobre o Paços, o destaque vai, muito claramente, para o seu lado esquerdo. Aliás, a dinâmica dos corredores laterais é um dos segredos do sucesso desta equipa. Maycon joga como lateral, mas não é bem um defesa. Se conseguirem fazer dele um defesa – e vale a pena tentar – pode ser que dê um lateral para voos bem mais altos. À sua frente, Pizzi, pode nunca chegar a um “grande” mas tem tudo para fazer carreira em boas equipas, e com um papel de relevo...

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Porto - Académica (Análise e números)

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- O que falhou na “entrada” portista? Essencialmente, a equipa fraquejou onde é mais forte: no critério em posse. Acumulou alguns erros em fase de construção e definiu precipitadamente algumas jogadas no último terço. O problema, como tantas vezes, tem origem ofensiva, mas impactos globais. Ou seja, o facto da equipa estar mal preparada posicionalmente para a perda, comprometeu a eficácia na reacção ataque-defesa. Foi assim que aconteceu o primeiro golo...

- Na verdade, e apesar desse mau período inicial, o Porto nunca se viu realmente ameaçado para além da jogada do golo. Porém, demorou muito tempo a conseguir dar consequência ao seu domínio territorial e de posse. Demorou, mas quando o conseguiu, foi verdadeiramente avassalador.

- Em relação ao melhor período da equipa, nota para 2 aspectos: a reacção à perda e as bolas paradas. O domínio foi sempre uma constante, mas durante muito tempo a Académica conseguiu manter o adversário longe do golo. Perdeu esse controlo – e de que forma! – quando começou permitir recuperações em zona alta e deixou de ser dominador nas bolas paradas que o Porto conseguiu. O Porto virou o jogo por estas vias, e não foi por acaso.

- Individualmente, nota para o grande jogo de Belluschi. Em particular pela sua intensidade (já destacada noutros jogos) na reacção à perda que foi imensamente útil e decisiva no crescimento da equipa.

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22.3.11

Triunfos de Benfica e Braga (Breves)

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- Foi à custa de uma eficácia assinalável, é certo, mas não se estranha muito o atropelo do Paços. A carreira dos "castores" é notável, mas, para quem acompanha com atenção o trajecto da equipa, é fácil constatar que a equipa sente muito a falta de algumas unidades base. Com as ausências que tinha - e mesmo contra um Benfica sem muito pelo que jogar - o previsível era que sentisse muitas dificuldades. Assim foi. Uma nota para a equipa do Paços, para assinalar que, antes do treinador, é melhor olhar para algumas individualidades. Outra nota para Nuno Gomes: sem que isso lhe retire mérito, é conveniente não confundir veia goleadora nas fases terminais de jogos, com alto rendimento...

- Um nota sobre o jogo e o festim de golos: diz-se frequentemente que "se o futebol fosse sempre assim os estádios estariam sempre cheios". Será mesmo? Não há algo de estranho aqui? É que, se o futebol é o desporto mais popular do mundo, conquistou esse estatuto sendo sempre, e precisamente, aquele que menor pontuação (menos "golos") tinha para oferecer. Os adeptos podem dizer que gostam muito de golos, mas as evidências não mostram que, neste aspecto, quantidade é tudo menos qualidade...

- Um pouco antes, em Braga, um jogo muito interessante, envolvendo 2 das melhores equipas do momento, no futebol português. E provaram-no. Venceu o Braga, com dificuldade, mas também com alguma justiça. Pena que o Rio Ave tenha tido tão mau arranque de temporada, porque estaria, nesta altura, ao nível da competição pela Europa. Quanto ao Braga, e se não tiver nova ronda de lesões e adversidades, vai acabar por confirmar o meu prognóstico inicial: ou seja, não é - nem nunca poderia ser - um candidato ao título, mas seria sempre um candidato a ter em conta para o 3ºlugar...

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