15.3.11

Champions, Sporting e Porto (Breves)

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- Na Baviera, aconteceu seguramente um dos jogos do ano. Surpresa? Não se pode falar de tal coisa a este nível, mas é verdade que o Bayern sempre pareceu mais capaz de levar a melhor. Aliás, o grande ponto de interesse deste jogo é, precisamente, a forma como os alemães deixaram fugir uma eliminatória que tiveram no bolso. Falta de confiança pelo momento interno? É verdade que, noutro contexto emocional, o Bayern teria tudo para “matar” a questão, primeiro, e não tremer tanto, depois. Mas – e não é a primeira vez que noto – há várias equipas de topo no futebol europeu que revelam dificuldades em jogar com situações e resultados favoráveis, por serem incapazes de ajustar ritmos e critérios na sua abordagem. Curioso, porque deveria haver maior capacidade nesse plano...

- Entretanto, não se podia pedir mais animação do que aquela que o processo eleitoral do Sporting nos tem oferecido. É curioso: nem o sucesso continuado do Porto, nem a recente melhoria do Benfica resultam de um “click” de investimento ou capacidade aquisitiva. Qualquer análise lúcida teria de concluir que o orçamento é uma condição necessária, sim, mas que está também muito longe de ser suficiente para ser melhor do que os outros. O que se vê, porém, é uma quase obsessão dos candidatos por milhões e tubarões. E – não me interpretem mal! – eles saberão bem o que lhes valerá mais votos e simpatia. O ponto é que se a democracia é, seguramente, a menos errada das soluções, está também longe de ser um sistema perfeito no que respeita à lucidez das orientações. A pior notícia, claro, é que não são precisas as eleições do Sporting para que tenhamos essa realidade bem presente.

- Por falta de tempo, não deixei aqui a análise ao jogo do Porto em Leiria. Fica prometida uma análise mais abrangente nas próximas horas sobre o trajecto da equipa, mas deixo também alguns pontos sobre o jogo.
  • Lamentável abordagem estratégica do Leiria. Não por ser muito defensiva, mas por revelar uma interpretação demasiado limitada.
  • Grande qualidade – outra vez! – do jogo do Porto em posse. Tanto na circulação, como na reacção à perda.
  • Individualmente, destaques para Belluschi, Moutinho, Guarin, Fucile e James. Por esta ordem.
  • Alguns dados estatísticos, algo diferentes do que é comum, mas que dizem bem da matriz, tanto deste jogo, como daquilo que idealiza a filosofia de jogo deste Porto de Villas Boas: representatividade do ataque posicional – 86% dos passes; 14 das 23 finalizações; 5 dos 6 desequilíbrios ofensivos.

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14.3.11

Rio Ave - Sporting: Análise e números

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Os indícios negativos que, ainda que brevemente, comentara a propósito da exibição frente ao Beira Mar, confirmaram-se em Vila do Conde. Juntou-se-lhes a maior qualidade do adversário e o Sporting deve ter feito, muito provavelmente, a exibição mais incapaz deste campeonato. Será discutível, mas considerando todos os elementos de análise, eu arriscaria o "prémio": a pior exibição! Há que considerar, obviamente, o bom jogo do Rio Ave – uma das melhores equipas da liga, neste momento. Mas nem isso, nem a situação presente do Sporting, são suficientes para que se perca alcance critico ao que vai sendo feito com esta equipa do Sporting. E, nesse plano, há alguns pontos merecedores de atenção...

Notas colectivas
Começando por um aspecto que me parece importante: o discurso e atitude de Couceiro. As “chicotadas psicológicas”, como já tentei demonstrar no passado, podem ter um efeito prático útil. A explicação não está num “milagre táctico”, mas numa inversão do estado de espírito de equipas emocionalmente arrasadas. Ora, no caso do Sporting, esse efeito arrisca-se a ser particularmente reduzido. É que para que o “chicote” seja útil convém que a nova liderança tenha, pelo menos (já nem falo da capacidade!), determinação e energia para renovar esperanças e atitudes. Couceiro parece não ver nesta sua tarefa uma oportunidade, mas uma espécie de obrigação que cumprirá apenas por não lhe restar alternativa. Talvez Couceiro se ache com muita falta de sorte, mas, vistas bem as coisas, fica a pergunta: quantos serão os treinadores portugueses que não trocariam épocas inteiras por este final de época no Sporting?

A influência deste aspecto no que se passe dentro do campo é algo que, com exactidão, não se consegue medir. O facto, é que o Sporting de Couceiro parece mais uma equipa feita por sondagem do que o produto de um trabalho com ideias e determinação própria. Porquê? Porque as escolhas são consensuais mas nem sempre lúcidas, porque a preparação colectiva da equipa é, até agora, reduzidíssima e, finalmente, porque a própria atitude dos jogadores parece ser hoje bem menor do que antes.

Em particular, e entrando mais propriamente no jogo, continua a ver-se uma equipa sem saber o que deve fazer em cada um dos seus momentos tácticos. Por isso, o meio campo é tão vulnerável à circulação do adversário, perdendo equilíbrio e coerência posicional. Por isso, também, a própria posse tem uma sequência muito limitada, não se vislumbrando movimentos preparados para fazer a bola progredir com lógica e critério. Depois, a questão da agressividade. É que se a equipa está frequentemente mal posicionada e longe dos lances, também permitiu que o adversário saia de zonas em que está em desvantagem numérica - particularmente nos corredores, aconteceu muito. Outro aspecto onde falta de agressividade e má preparação se confundem é na resposta às primeiras bolas aéreas: raramente o Sporting fica com a bola e isso, parecendo que não, tem um peso relevante no balanceamento do jogo.

Falando do Rio Ave, de facto, óptima performance da equipa de Carlos Brito. Especialmente em termos ofensivos, foi uma equipa com boa circulação em ambos os corredores e conseguiu, através dessas jogadas, as suas principais ocasiões de golo. Note-se a importância desta constatação: foi nos momentos de organização que o Rio Ave se superiorizou no jogo. Não a partir do momento de transição ou sequer nas bolas paradas. De resto, em termos individuais, algumas notas igualmente interessantes que deixo abaixo.

Notas individuais
Evaldo – De novo, incrível a forma como está na zona dos lances mas não tem capacidade para se impor.

Polga – Para mim, de longe, o melhor do Sporting e mesmo o melhor em campo. Normalmente só se repara nos seus erros e passes errados – que de facto acontecem – mas Polga tem uma capacidade posicional e de leitura do jogo verdadeiramente fantástica. Por isso foi tão interventivo, acabando, até, por estar perto de dar a vitória à equipa

André Santos – Corrigiu um pouco na recta final do jogo, quando a tendência mudou, mas o seu jogo numa posição que não a de “pivot”, voltou a ser penoso. Pouca capacidade posicional e pouca utilidade em posse, acabando até por perder algumas bolas comprometedoras. A incapacidade dos treinadores também se vê aqui, quando, ao fim de tanto tempo, ainda não perceberam as limitações e virtudes dos seus recursos.

Zapater – Couceiro deu-lhe a missão mais posicional. Zapater não comprometeu, mas também pouco acrescentou à equipa. Ganharia mais a equipa se trocasse com André Santos.

Matias – Muitas dificuldades. Em alguns momentos por culpa própria – perdas de bola – noutras, por culpa da má preparação colectiva – posse e posicionamento. Ofensivamente, tentou alguns desequilíbrios mas que, desta vez, não tiveram consequência.

Valdés – Outro caso. Brilhou numa missão livre, como poucos jogadores brilharam neste campeonato, mas nem isso faz com que possa ser pensado um modelo que se retire o melhor do que tem para oferecer.

Djalo – Um pouco à semelhança de Matias – ainda que noutro estilo – foi dos que tentou desequilibrar com acções individuais, mas igualmente sem consequências. De resto, Djalo teve o mérito de ser útil, como poucos, na recuperação.

Postiga – De novo, critica para alguma displicência em diversos tipos de lances. Por exemplo, um avançado que joga sobretudo em apoio não pode ser apanhado tantas vezes em fora de jogo.

Tiago Pinto – Não o acompanho com regularidade e detalhe, e, por isso, corro o risco de estar a sobrevalorizar a sua exibição. Ainda assim, diria que teria lugar no Braga e até no Sporting. Há poucos laterais de raiz em quem acredito. Tiago Pinto é um deles. Não para uma carreira excepcional, mas para uma boa carreira.

Júlio Alves – Foi a estreia a titular, e apenas 1 jogo. Se a amostra for representativa, porém, pode ter uma ascensão meteórica no futebol nacional nos próximos anos. Tem de trabalhar o critério em posse porque perdeu algumas bolas que tem de evitar, mas tem qualidade técnica suficiente para vingar e ainda uma notável capacidade física, nomeadamente na resposta às primeiras bolas aéreas (não fosse ele irmão de quem é).

Yazalde – Não é a primeira vez que recolho este tipo de indicações: Yazalde teve grande consequência nas suas acções – a um nível acima do vulgar – e uma grande capacidade de trabalho. Interessante, e mais um que faria jeito ao Braga nesta temporada.

Bruno Gama – Foi, provavelmente, o melhor do Rio Ave no jogo. Isso não quer dizer, porém, que possa ter uma evolução fácil na sua carreira.


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Empate na Luz e a jornada (Breves)

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- O resultado é surpreendente, claro. Mas pouco, se tivermos em conta as condicionantes da partida. O desfecho, sendo irrelevante para o Benfica, tem o condão de fazer emergir algumas questões sobre a gestão que Jesus fez neste ciclo da época. Talvez o treinador pudesse ter antecipado a rotatividade de certos elementos em jogos anteriores. Talvez, assim, os tivesse em melhores condições nesta altura. Talvez... Mas o grande problema da gestão de recursos do Benfica deu-se, a meu ver, no mercado de Inverno. Com a lesão de Amorim e os condicionalismos de Aimar, tudo se agravou, mas, indo ao mercado, como foi, o Benfica devia ter conseguido melhores alternativas para os lugares de Salvio e Gaitan. Aqui, não posso deixar de lembrar a opção por Fernandez. Não que esperasse muito desta aquisição - como antecipei, não esperava! - mas a sua inutilidade tem superado até o meu pessimismo.

- Uma nota sobre Azenha, que - note-se - não pretende fazer qualquer avaliação qualitativa sobre o treinador: correlacionar resultados e competências, no que respeita a treinadores, só faz sentido ao fim de largas dezenas de jogos. Pode-se "medir" características, ideias e capacidade de implementação em poucos jogos, mas nunca uma série de resultados pode servir para explicar ou justificar o nível de competência de um treinador. Nunca, apenas pelos resultados, isto é. É que a competência é uma tendência e não um ruído...

- No que respeita à restante jornada, a luta europeia parece mesmo ser o único ponto de interesse restante. Nesse aspecto, abriu-se uma oportunidade para o Braga que, sem jogar, pode ter já ganho muito nesta ronda. Sobre o Sporting falarei com mais detalhe em breve. O Guimarães continua a fazer da eficácia um poço de ironias: Criou pouco para marcar, e, depois, criou demasiado para não selar o jogo, antes que a ansiedade lhe retirasse 2 dos 3 pontos que parecia ter no bolso. Um dia antes, em Aveiro, o Paços desceu à terra. Alguns bons momentos, mas pouca consistência e demasiados erros para justificar outro resultado. Aliás, as aspirações europeias dos pacenses podem ter sofrido mesmo um revés importante neste jogo. A confirmar...

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11.3.11

Liga Europa e o tempo de passe (Breves)

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- Em Moscovo, nova vitória portista numa campanha europeia, até ao momento, fantástica. A verdade é que - e apesar de ser melhor equipa - foi preciso também uma boa dose de felicidade, especialmente na primeira parte, onde houve grande dificuldade em controlar o jogo. O CSKA - que tem qualidade, em quantidade não inferior aos nossos "grandes" - forçou um jogo que apelidaria de impulsivo. As suas verticalizações não tinham grande ordem aparente, mas o caos, subitamente, pareceu fazer sistematicamente para os russos. O Porto estava equilibrado tacticamente, não perdeu o espaço, mas perdeu o tempo. E o tempo é tão importante como o espaço. Por isso, e por várias vezes, acabou exposto nas costas da sua linha defensiva. Por não controlar o momento de passe. Correcções na segunda parte, um pouco de eficácia e... mais uma vitória. A eliminatória, porém, não está resolvida. Se mais fosse preciso, o jogo com o Sevilha chega para essa conclusão. E, estou em crer, o CSKA não precisará de tanta sorte como os andaluzes. Convém que o Porto não "folgue", porque, numa competição como esta, tudo se desfaz num instante.

- Na Luz, de repente, a equipa voltou ao inicio de época. Subitamente, voltaram as teorias das lacunas tácticas, da necessidade de trocar este por aquele e, agora, do desgaste físico. Sim, desgaste físico numa equipa que parece viciada em ganhar os jogos ao 'sprint'! Seria interessante, não fosse um filme já demasiado visto e rodado. O Benfica entrou mal, essencialmente, porque perdeu o último jogo. Porque isso lhe afectou a confiança, e, tal como no inicio de época, errou demasiadas vezes em situações proibitivas. Claro que não ajuda a qualidade individual do PSG, assim como não fica fácil ter Sidnei em vez de David Luiz, ou muitos jogadores efectivamente limitados. Mas o problema, hoje como antes, não é essencialmente físico, técnico ou táctico. É mental, e por isso afecta tudo. Ainda assim, recuperou a tempo, fez valer o seu maior valor, e venceu. O Benfica é melhor equipa, sim, mas o PSG também tem o que é preciso para punir severamente um Benfica sem os níveis adequados de confiança. Convém manter os pés na terra e, já agora, a cabeça no sitio.

- No Minho, confirmou-se a ameaça do Braga. É uma época notável em termos europeus e ainda pode ter maior brilhantismo se as estrelas estiverem alinhadas na noite de Anfield. Domingos não tem um modelo com a qualidade táctica de Jesus, nem, tão pouco, a riqueza filosófica de Villas Boas. Mas as suas equipas - não só o Braga - têm, para além de competência, uma grande força mental. Invulgar, mesmo. É isso que explica (e deverá continuar a explicar) o seu sucesso. É que o futebol não é - nem de perto! - só técnica e táctica...

- Uma nota de opinião sobre as restantes equipas: O Villareal é o meu palpite para fazer frente às equipas portuguesas. Vi alguns jogos e têm momentos avassaladores. Os holandeses têm pouquíssimos hipóteses, essencialmente por terem enormes lacunas ao nível táctico. Parecem sobrar apenas os soviéticos, que conheço menos bem no plano colectivo...

- Uma nota final sobre o tipo de lances que identifiquei acima, para o caso do Porto, e o golo sofrido pelo Benfica. Ambos resultam de passes de rotura, que exploram as costas da linha defensiva. Mas há uma diferença. Enquanto que no caso do Porto, os centrais raramente estavam fora de posição e era a linha média que não conseguia pressionar o tempo de passe, no caso do Benfica é aos centrais que se pede essa pressão. É uma situação recorrente no Benfica e que normalmente é bem resolvida. Porquê? Porque os centrais adoptam grande agressividade na saída ao portador da bola, forçam o tempo de passe e a linha defensiva (fora de jogo) faz o resto. Desta vez, não houve essa agressividade (sobretudo Sidnei, incrivelmente expectante), dando tempo para que fosse Nené a decidir o tempo de passe.


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10.3.11

Sporting: análise comparativa dos médios

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A volatilidade táctica do Sporting na temporada, não torna fácil a análise. A ideia é comparar o rendimento dos diferentes médios utilizados, sendo que, para isso, é importante separar a estrutura em que alinharam. Aos quadros – sustentados por dados estatísticos na Liga – junto alguns comentários sobre cada um dos 4 casos. Alerto, porém, que a consistência das tendências estatísticas é tanto maior quanto o tempo de observação, havendo aqui algumas discrepâncias nos tempos de utilização de cada jogador.

André Santos: definitivamente, “pivot”
É o caso mais consistente em termos de análise, porque é aquele que tem mais tempo de análise. O curioso de André Santos é a discrepância do seu rendimento. Nas actuações em missões mais posicionais, tem um desempenho muito mais útil para a equipa, parecendo perder-se à medida que se vai dando mais liberdade ofensiva. Há 2 aspectos que, a meu ver, explicam bastante bem esta tendência...


O primeiro, tem a ver com a sua característica em posse. André Santos é um jogador seguro em posse, mas que está muito longe de ser um jogador forte, quer em termos de criatividade, quer em termos de precisão.

O outro aspecto, tem a ver com a sua cultura posicional e as suas referências. Jogando à frente da defesa, percebe bem a sua missão e é forte tanto no posicionamento, como em termos de agressividade e reacção. Jogando em espaços mais adiantados, tem muita dificuldade em encontrar as melhores referências posicionais e acaba por tornar-se muito pouco útil à equipa, passando muito longe do jogo, quer defensivamente, quer ofensivamente.

Note-se – e este é um ponto para que venho alertando – que a idade e maturidade conta muito, sobretudo em missões mais posicionais. André Santos tem, por isso, boas possibilidades de evoluir.

Maniche: Presença e qualidade
Começa a ser para mim algo difícil continuar a falar sobre Maniche. A diferença entre a opinião generalizada e a minha é tão grande que poderá até dar a ideia de que tenho alguma preferência particular pelo jogador. Não é, de forma nenhuma, o caso. Apenas me limito a constatar o seu rendimento desportivo.

É o médio com mais presença em posse, com melhor capacidade de decisão e com melhor capacidade de passe. Mesmo na Liga, não há muitos que se lhe comparem nestes parâmetros. Depois, em termos posicionais, tem também uma capacidade assinalável, tanto defensivamente, como nos seus tempos de abordagem às zonas de finalização. Em termos físicos poderá já não ter a reactividade e agressividade no espaço de outros tempos, mas isso ainda não é suficiente para que deixe de ser uma mais valia.

O caso de Maniche, não sendo único entre os que vou observando, é, para mim, também uma evidência de como o rendimento desportivo dos jogadores pode ser tão mal avaliado.

Pedro Mendes: a idade ainda é um posto
É um caso semelhante a Maniche, embora com algumas diferenças.

Não é tão forte ao nível do passe e joga, claramente, numa área mais restrita do que o seu veterano companheiro. Mas tem uma notável capacidade posicional, dominando na perfeição os espaços que pisa e sabendo muito bem que destino dar a cada bola que por ele passa. É pena, apenas, que esteja tantas vezes indisponível.

Zapater: Entre o posicionamento e a vulnerabilidade em posse
Os 2 golos na Madeira dão-lhe, estatisticamente um rendimento ofensivo que é desfasado da sua real valia. Ainda assim, a meu ver, Zapater dá-se melhor a jogar com outro médio ainda mais posicional.

O principal problema do espanhol está na sua fiabilidade em posse. Não é um jogador que decida mal na maioria dos casos, mas é um jogador que tem a vulnerabilidade de perder segurança em zonas mais recuadas. Tem um número relevante de perdas – mais do que qualquer outro médio – e esse é uma aspecto que fragiliza a equipa.
Em termos posicionais, está o seu ponto forte. É um jogador “pesado”, sem grande tempo de reacção mas antecipa muito bem o seu posicionamento, quer com bola, quer sem ela e isso é uma mais valia.
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9.3.11

Estatística ofensiva na Liga: uma outra visão

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Um dos motivos - provavelmente o principal - pelo qual a estatística é tão ignorada no futebol, é porque é mal utilizada. Usam-se indicadores errados para explicar tendências e, como estes obviamente falham nesse objectivo, cria-se o mito de que a "estatística não se aplica ao futebol". Como se o futebol fosse diferente de tudo o resto que se passa na Terra. Um perfeito disparate, claro.

Desequilíbrios ofensivos: um indicador explicativo
Em relação aos aspectos ofensivos, normalmente o erro habitual é recorrer às finalizações como métrica fundamental. O problema é que esse é um indicador pouco explicativo, estando demasiado dependente do estilo de jogo de cada e equipa e não tanto da proximidade real com o golo. Nesse aspecto, não há nenhum indicador "standard", utilizado de forma comum, que explique as tendências dos jogos.

Pessoalmente, e nas centenas de jogos que tenho analisado, utilizo aquilo que chamo de "desequilíbrios ofensivos", tentando distinguir o número de vezes em que as equipas se aproximam com o golo.

Comparando a evolução dos 3 "grandes" na liga, é possível identificar as diferenças de rendimento entre as equipas, nomeadamente as fases de maior fulgor de cada um deles. Note-se, porém, que este indicador apenas nos dá a parte ofensiva das equipas.

Eficácia: os sofismas de Benfica e Sporting
Uma das lapsos mais sistemáticos tem a ver com a forma como é percepcionada a eficácia das equipas, tanto pela critica, como pelos próprio intervenientes do jogo. E, nesse campo, deixo 2 exemplos desta temporada:

- Sporting e as bolas ao poste: Foi a primeira desculpa da "era Paulo Sérgio". Que o Sporting enviava muitas bolas ao poste, e que isso explicava a diferença para a concorrência. Ora, como se pode ver, o número de desequilíbrios ofensivos do Sporting foi sempre inferior aos de Benfica e Porto, pelo que a equipa andou sempre mais longe do golo do que os seus rivais. Talvez o Sporting tivesse, sim, uma eficácia invulgar de acerto nos postes, mas isso não quer dizer que tivesse criado mais oportunidades do que os outros.

- Benfica e a eficácia: é uma estatística recente. "O Benfica é a equipa mais eficaz"! Não é. Aliás, o Porto arrancou na liga com uma eficácia tremenda de aproveitamento em relação às ocasiões criadas, e se há aspecto em que ofensivamente a equipa de Villas Boas é marcadamente superior à concorrência, é na eficácia.

Porque se concluiu então que o Benfica é mais eficaz? Não foi nenhum erro de cálculo, mas, de novo, a sobrevalorização das finalizações. O que se passa é que o Benfica finaliza menos de fora e, por isso, tem menos finalizações tentadas do que Porto e Sporting, fazendo subir a sua eficácia em relação às finalizações. Se contarmos a eficácia em relação aos desequilíbrios criados, aí sim, compreendemos melhor a história deste campeonato.

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Notas do Barcelona-Arsenal

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- O resultado demorou a traduzi-lo, mas para quem viu não ficam mínimas dúvidas de que a estratégia do Arsenal falhou por completo. Ou, melhor dito, foi completamente insuficiente.

- Para ter bola, o Arsenal tinha de a recuperar em zona mais alta, porque perdendo-a à saída da sua área, é quase impossível evitar o pressing do Barcelona sem assumir riscos extremos. Foi assim, aliás, que nasceu o primeiro golo. Por muito mais interessante e divertido que seja olharmos para a posse do Barça, o seu sucesso e extrema qualidade nunca pode ser explicado sem a qualidade dos seus momentos defensivos, nomeadamente a reacção à perda. Um sufoco... fantástico!

- Não querendo fazer parecer fácil a tarefa Hercúlea que representa jogar em Camp Nou, era preciso muito maior agressividade sobre o portador da bola na estratégia defensiva do Arsenal. Uma zona expectante serve apenas para adiar os estragos que jogadores como Xavi e Iniesta inevitavelmente causarão. Para além do espaço, é preciso condicionar o tempo de decisão. Óptimo exemplo disso? O Portugal-Espanha.

- Vulnerabilidade do Barça? O jogo aéreo, com presença menos forte do que é hábito. Com Bendtner no banco, Wenger hipotecou a possibilidade de iniciar as suas jogadas com uma referência forte nas primeiras bolas. Seria uma possibilidade para fazer aquilo que raramente conseguiu: ganhar a bola no meio campo adversário. Estranha-se, porque o Arsenal tem essa solução prevista no seu modelo.

- Um pormenor interessante esteve na forma como ambas as equipas lideram com a linha defensiva e a armadilha do fora de jogo. Muito mais forte o Barcelona, que tem previstas várias situações para tirar partido desse risco. Muito menos preparado o Arsenal, tanto no capítulo ofensivo como defensivo. A cultura táctica dos próprios países não inocente, neste detalhe. É que em Espanha, e ao contrário de Inglaterra, a generalidade das equipas recorrem muito à última linha e ao fora de jogo como arma defensiva.

- Outra curiosidade tem a ver com a reacção do Barcelona após o 3-1. A equipa estava completamente "por cima" e aproximava-se do golo literalmente a cada minuto. Com a vantagem na eliminatória, e apesar dessa superioridade, a pressão para marcar evaporou-se, e o Barça pareceu privilegiar a gestão do jogo, quando tinha tudo para "matar" o adversário. Consciente ou inconscientemente, as equipas jogam para o resultado que precisam...

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8.3.11

Braga - Benfica: Análise e números

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Não se previa um embate fácil para nenhum dos lados e, de facto, não foi. Particularmente, no caso do Benfica, foram muitas as condicionantes. Desde aquelas que se conheciam de antemão – desgaste e ausências – às outras que apareceram com o decorrer da partida – inferioridade numérica. Mas nenhuma dessas contingências retira ponta de mérito à réplica do Braga. Não só porque o próprio Braga teve a sua dose de infelicidade no jogo – lesões e ineficácia inicial – mas, sobretudo, porque a sua proposta de discussão do domínio foi implementada com sucesso na totalidade dos 90 minutos. Aliás, se o equilíbrio foi a nota dominante na partida, também não me parece que existam dúvidas de que foi o Braga quem esteve sempre melhor.

Notas colectivas
Começando pelo Braga, importa dizer que aquilo que a equipa fez é raro em Portugal. Tão raro, que o próprio Sporting não o ousou fazer de igual forma nos embates recentes com o Benfica. Ou seja, a proposta de jogo passou sempre por discutir o domínio territorial e não apenas jogar com o espaço, numa postura mais expectante. O elogio não passa, obviamente, pelo arrojo da ideia, mas pela capacidade de implementação da mesma. É que, não apenas o Braga tentou dominar, como que foi, de facto, a equipa que mais o conseguiu fazer em todas fases do jogo.

Domingos introduziu Paulo César no lugar de Mossoró e a equipa jogou em 4-4-2 clássico em praticamente todos os momentos. A ideia passava por ter uma presença forte em termos de pressing sobre a primeira fase de construção encarnada, forçando a verticalização do jogo e tentando rapidamente conquistar a bola. Aqui, o risco da estratégia é o habitual para quem tenta subir o bloco numa estrutura de apenas 3 linhas: o espaço entre sectores. Proximidade de linhas e agressividade táctica eram as respostas ao problema, e o Braga tentou servir-se delas.

O resultado desta estratégia foi uma supremacia mais continuada do Braga, mas, também, um Benfica a encontrar episodicamente os seus momentos de liberdade. Particularmente, sempre que superava a “barreira” dos 2 médios, Custódio e Viana. O que sobra é o aproveitamento e eficácia, e, aqui, há alguma ironia. Primeiro, porque o Benfica marcou na primeira verdadeira oportunidade criada. Segundo, porque o Braga, depois de ter desperdiçado alguns bons lances, acabou por ver o seu golo “oferecido” por um erro de Roberto.

Na segunda parte, e com a desigualdade numérica, o jogo mudou. O Braga deixou de ter de se impor para conseguir um domínio territorial que, agora, lhe era naturalmente cedido pelo adversário. A verdade, porém, é que o Braga esteve menos bem frente a 10 do que frente a 11. A sua posse recorreu demasiadas vezes às aberturas largas de Viana e muito menos a uma circulação mais dinâmica. Para mais, a equipa viu-se forçada, com as lesões, a mudar muitas posições e isso descaracterizou bastante a sua performance. O jogo acabou por lhe sorrir numa inspiração de Mossoró, mas não foi pela segunda parte que o Braga mais mereceu elogios.

Em relação ao Benfica, não dá para dizer que a equipa tenha feito um mau jogo. Nomeadamente, não acumulou um grande número de perdas em posse, apesar da pressão do Braga: um tipo de problema em que foi reincidente na pior fase da época. Mas dá também para assinalar, e de novo, a falta que o critério em posse faz a esta equipa. Especialmente, como foi o caso, em jogos onde a sua primeira fase de construção é condicionada. Algo que pode ser preocupante se tivermos em conta que, na Liga Europa, encontrará seguramente adversários mais dispostos a causar este tipo de problemas.

Notas individuais
Roberto – Salvou a equipa em algumas ocasiões, mas o golo é absolutamente imperdoável – bem mais do que aquele que sofrera frente ao Sporting. Sabe-se que os guarda redes vivem muito de estados de confiança e, por isso, é importante que Roberto recupere rapidamente desta fase, porque avizinham-se jogos decisivos e perante adversários com muitas armas no jogo aéreo.

Coentrão – Grande jogo do lateral. Impressionante a sua presença no jogo, vencendo um número infindável de duelos e ainda estando disponível para dar profundidade ao corredor. Obviamente que ganhou com a entrada de Gaitan, com quem se entende muito melhor.

Luisão – Não é novidade que seja ele o “patrão” do sector, mas, desta vez, esteve mesmo a grande distância daquilo que fez Sidnei.

Javi Garcia – Depois do brilharete frente ao Sporting, estava a fazer um jogo útil para equipa. Ou seja, não estava a ser suficiente para evitar o domínio do Braga, mas estava a manter um bom apoio posicional à zona central e sem erros comprometedores em posse, até à expulsão.

Carlos Martins – Não decidiu sempre bem, mas teve um papel difícil e que exerceu com bastante sucesso no jogo. Ou seja, frequentemente foi forçado a jogar sob grande pressão, à saída da zona de construção, dependendo do sucesso das suas acções, ou a perda de bola em zonas proibitivas, ou a possibilidade de explorar o espaço entre linhas do adversário. A verdade é que Martins não teve qualquer perda comprometedora e esteve na génese da maioria dos ataques rápidos da equipa. A equipa perdeu com a sua saída e não apenas por motivos de ordem táctica.

Menezes – O pensamento indutivo, tem-no sob mira. Far-se-á, sempre, uma relação directa entre a derrota e a sua utilização. A verdade é que Menezes, longe de ter feito um jogo fantástico, cumpriu perfeitamente o que dele se exigia, trabalhando bem defensivamente e participando também com correcção em termos ofensivos.

Jara – Esforçado, sim, mas com pouca utilidade para a equipa. Especialmente na segunda parte, onde a possibilidade de dar profundidade foi menor. Não dá para fazer grande critica, dada a sua utilização fora de posição. Não me espanta que Fernandez fique na bancada – referi-o antecipadamente – mas continua-me a espantar como é que o Benfica o foi buscar no mercado de Inverno!

Hugo Viana e Mossoró – Não apenas pelos golos, os melhores em campo. Viana exagerou demasiado no passe longo, na segunda parte. Uma opção que, prevista ou não, acabou por impedir que os movimentos envolventes de Mossoró dessem sequência ao que prometeram, logo após a sua entrada.

Silvio – Fala-se na sua transferência para o Porto. É jogador útil, pela sua versatilidade e, sobretudo, pela sua capacidade de antecipação e leitura defensiva (ainda que tenha de corrigir alguns aspectos posicionais). Não tem, porém, capacidade ofensiva para poder ser uma mais valia numa equipa como o Porto.

Lima – Outro que se fala poder mudar-se para o Dragão. Lima é um jogador muito difícil de neutralizar, porque tem uma boa capacidade de movimentação – joga muito bem com a última linha – e, sobretudo, porque é um temível finalizador. O seu lado menos forte é o jogo interior, onde não é um jogador muito consistente. Mas pode encontrar o seu espaço numa equipa como o Porto, mesmo que não seja como primeira opção.

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