8.2.11

Porto - Rio Ave: Análise e números

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Tenho para mim que estes são os momentos mais difíceis de entender no futebol e, por isso também, os mais interessantes. Momentos de quebra ou superação das equipas. O Porto está a viver um desses momentos, que não é ainda suficiente para que lhe chamemos de “crise”, mas que urge ser invertido sob pena de justificar esse rótulo. A única coisa que podemos garantir é o efeito, já que a causa, essa, é bem mais difícil de identificar. Normalmente assistimos a um desdobramento de explicações que tentam estabelecer uma relação linear entre uma causa e um efeito. Não acredito nesse tipo de visão redutora para um problema que julgo ter na complexidade uma das poucas certezas em relação à sua origem. Ainda assim, acredito na importância de uma palavra em toda esta equação: confiança.


Notas colectivas
Podemos começar pela leitura do que se viu. O Porto foi sempre dominador, sim. Teve até uma % de sequência em posse bastante elevada. Tudo elementos normais e expectáveis num jogo desta natureza, e que normalmente redundam num volume bastante grande de oportunidades. Não foi o caso, e aqui começam os indicadores atípicos em relação ao jogo: poucos desequilíbrios junto da baliza contrária (2, que é um novo mínimo em jogos para o campeonato), e muitas perdas de bola em posse (10, que é um novo máximo da equipa).

Ou seja, o Porto dominou como é costume, apresentou até alguns bons momentos de fluidez na sua posse, mas não teve a mesma capacidade e rendimento em 2 áreas fundamentais do seu jogo. Primeiro, a segurança, com vários erros a serem cometidos em zona de construção, e, depois, no último terço, não encontrando a inspiração e arrojo para ultrapassar a última barreira do adversário, até onde chegou com bastante frequência.

Perante tudo isto, é muito redutor explicar a situação pelas ausências de Álvaro Pereira e Falcao. É verdade que ao Porto faz falta um lateral mais incisivo, que consiga ser uma solução de profundidade no corredor. Também é evidente que a ausência de Falcao, não só retira qualidade, como altera a dinâmica do trio da frente. Também se pode dizer que Belluschi tem uma objectividade no último terço que teria sido uma mais valia neste jogo. Mas, nada disso explica apenas 2 desequilíbrios e 10 perdas de bola num jogo destes.

Importa também falar sobre Hulk. Não é verdade que Hulk jogue estritamente na posição de Falcao. Ou seja, com Hulk nesse papel, há muito mais trocas posicionais com os 2 extremos, pelo que Hulk, e ao contrário do que acontece com Falcao, aparece frequentemente em zonas laterais. O ponto é que, se a sua influência decisiva caiu nos últimos 2 jogos, tal não terá estritamente a ver com o seu posicionamento base, como muitas análises tentam sugerir. Aliás, as primeiras adaptações de Hulk a esta dinâmica não o impediram de continuar a decidir.

Sobre o Rio Ave, também é interessante referir o tema “confiança”. É uma das equipas mais bem organizadas do campeonato e tem bons jogadores em várias posições – lança muitos portugueses! Na minha leitura, muitas das suas dificuldades no campeonato têm a ver com o impacto emocional dos maus resultados iniciais. Ou seja, perdendo a abrir a prova, a equipa teve dificuldade em estabilizar os níveis emocionais e isso ter-lhe-á custado erros e pontos. Caso contrário, não espantaria que esta mesma equipa estivesse no mesmo plano de Leiria ou Olhanense.

Notas individuais
Sapunaru e Sereno – Continuo a pensar que os laterais beneficiam da qualidade do modelo colectivo, que lhes esconde lacunas e potencia virtudes. Mas continuo a pensar, também, que o modelo colectivo beneficiaria com laterais de outra qualidade e características. Tanto vale para um como para outro.

Otamendi – Regressou, mas não teve um jogo ao nível do que se lhe pode exigir. Não tanto defensivamente, mas pelos erros que cometeu com bola.

Fernando – Foi um dos mais criticados no jogo com o Benfica, e de facto errou nessa partida. Neste jogo, porém, esteve muito mais errático do que a meio da semana. Tem uma capacidade física notável e é uma enorme mais valia em termos de recuperação, mas não pode cometer tantos erros em posse na sua zona.

Ruben Micael – Foi o primeiro a oferecer um ataque rápido ao Rio Ave e voltou a repetir o mesmo tipo de erro mais tarde. No entanto, Micael foi, durante boa parte do jogo, o jogador mais influente do meio campo, notando-se a sua disponibilidade para ter a bola e a sua boa capacidade de decisão. É pena não ter outra agressividade e explosão, porque é um jogador com uma noção excepcional do jogo, notando-se na rapidez com que define o destino que deve dar às bolas que por si passam.

Moutinho – Desta vez foi decisivo. De resto, não fez um jogo excepcional, também errou, mas manteve-se dentro do seu registo altamente fiável de rendimento. Tudo somado, parece-me justo que seja o “melhor em campo”.

Varela – Marcou, é verdade, mas foi pouco o que fez depois.

James – Desta vez não teve a clarividência que o tem caracterizado e não deu a melhor sequência a muito do jogo que por si passou. Por outro lado, continua a perceber-se que ainda não é nele que o Porto pode confiar para ser um “abre latas”.

Hulk – Um dado curioso sobre a sua exibição: muitas vezes Hulk decide mas não dá sequência a muito do jogo que por si passa. Desta vez foi ao contrário. A maioria das bolas que passaram por ele tiveram sequência colectiva, o problema é que não foi decisivo. Há dúvidas sobre o que é mais importante?
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7.2.11

Sporting - Naval: Análise e números

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Era suposto ser apenas o último jogo do goleador, mas o curso da partida teve o condão de transformar um aparentemente natural fim de ciclo, numa sensação de perda irreparável. Não que Liedson – este Liedson – não seja, de facto, uma perda para o Sporting – qualquer Sporting. Mas é também uma evidência que a prestação de Liedson só se tornou heróica porque a mediocridade do futebol da equipa assim o permitiu. Tivesse o Sporting uma equipa mais bem preparada e nenhum heroísmo seria necessário, fosse ele de Liedson ou de outro qualquer. Seja como for, o efeito até acabou por ser positivo para um clube em crise não só desportiva: afinal os clubes vivem da emoção que geram, e se há coisa que se viu no final, foi emoção.

Notas colectivas
O jogo não teve nenhuma abordagem estranha por parte das equipas. O Sporting, repetindo a fórmula que lhe deu a última vitória, na Madeira. A Naval, repetindo a abordagem que já tivera em todas as outras partidas sob o comando de Mozer. O mais curioso desta constatação é assistir ao que aconteceu com pouco menos de 30 minutos de jogo: a substituição de Salomão por Zapater, alterando o figurino táctico do Sporting.

Ora, a minha leitura perante a reacção de Paulo Sérgio é simples: nos primeiros minutos o Sporting protagonizou algumas aberturas largas para o corredor direito, onde conseguiu “quebrar” a ratoeira do fora de jogo e libertar Vukcevic. Paulo Sérgio, numa atitude aparentemente lógica, quis ter a mesma presença à esquerda, colocou Salomão e indicou, ali, que o caminho para a vitória passaria por repetir o mesmo tipo de passes para as costas dos laterais contrários.

O que é que isto tem de errado? Primeiro, e sobretudo, o facto desta reacção acontecer num jogo em que, como referi em cima, a estratégia da Naval – nomeadamente no adiantamento da sua última linha – foi exactamente a mesma de jogos anteriores. Ou seja, se era para explorar um movimento específico, Paulo Sérgio deveria tê-lo preparado antecipadamente. O resultado não foi muito diferente do que se poderia prever. Depois, o Sporting deu todas as indicações de que o que estava a fazer não tinha o mínimo de preparo, tal a forma como a Naval se adaptou e conseguiu responder com sucesso às sucessivas tentativas de exploração do espaço nas suas costas (basta ver o número de foras de jogo). Finalmente, o facto do Sporting tentar sempre esta abordagem, não só tornou o seu jogo mais previsível como foi de encontro à própria estratégia do adversário, que subia a sua linha mais recuada para não ser encurralado na sua área.

Resultado de tudo isto? Não só o Sporting não foi capaz de exercer um domínio continuado, como se sujeitou muito mais às consequências do momento de transição. É que, ganhando a bola na linha média, a Naval estava a 2 passes da área contrária.

É importante notar que nem sempre foi assim a “era Paulo Sérgio”. O treinador começou por ter uma ideia clara do que pretendia fazer em termos de ideia de jogo. Disse-o em várias oportunidades: o “seu” Sporting queria ser dominador e superiorizar-se pela por aquilo que fazia em posse. O facto é que nem as suas ideias para a implementação desse objectivo foram as melhores, nem a equipa foi capaz de evoluir na assimilação das várias rotinas. Problemas que são identificáveis desde a pré temporada, mas que o próprio treinador não parece ser capaz de reconhecer ainda hoje. E esse será o seu maior problema, porque sem consciência dos próprios erros, nunca se pode melhorar.

Sobre a Naval, muito da sua estratégia está descrita acima. Não tem grande qualidade no que faz, mas tem muita determinação e, quando a sua estratégia do fora de jogo resulta, a equipa fica imediatamente mais próxima do golo. É que subindo a linha defensiva, sobe também a sua zona de recuperação, evitando ter de trabalhar muito os seus ataques. Mozer conseguiu inverter o momento psicológico e isso é capaz de ser mesmo o mais importante para qualquer tentativa de salvação.

Notas individuais
Rui Patrício – Há 1 semana escrevia que não eram as grandes exibições que distinguiam os grandes guarda redes. É, antes sim, a regularidade e escassez de erros. Ora, Rui Patrício continua a ser uma aposta ganha do Sporting, mas é também necessário que mantenha os pés na terra.

Abel – A Naval forçou várias vezes o jogo directo para a sua zona e Abel esteve muito bem. Ganhou quase todos os duelos, quer no chão, quer no ar. No entanto, a qualquer avaliação da sua exibição não poderá esquecer os lapsos que teve em alguns momentos. 2 deles na primeira parte e, finalmente, no terceiro golo, foi inadmissível que de uma falta resultasse um cruzamento sem oposição. Embora, aqui, não seja certo que a responsabilidade fosse inteiramente sua.

Evaldo – Até estava a fazer uma das actuações mais participativas da época, mas borrou completamente a pintura no primeiro golo, dando inicio ao descalabro que se seguiu antes do intervalo. Depois, na segunda parte, voltou ao registo habitual. Tudo somado: muito mau!

Carriço – Tal como Abel, teve bastante trabalho pela tendência da Naval em investir pelo seu flanco. Tal como Abel esteve bastante bem na resposta que deu. Tal como Abel, porém, manchou a sua exibição com alguns erros, nomeadamente na forma pouco decidida como abordou uma bola dividida no segundo golo.

Pedro Mendes – Não fez um jogo fantástico – longe disso – mas à semelhança de Maniche sabe bem que terrenos pisa e tem de pisar. Não tem a mesma capacidade de passe e influência ofensiva do outro veterano, mas formaria com ele uma dupla fantástica no meio campo da equipa.

André Santos – Fez um jogo sofrível a confirmar que está em franca perda nesta fase da época. Jogou no meio campo mas, tal como na Madeira, o jogo passou-lhe à frente dos olhos. É preciso perceber que não se pode esperar de André Santos o rendimento de Maniche ou Pedro Mendes. A capacidade posicional e a qualidade de decisão crescem com a experiência e André Santos evoluirá seguramente ao longo do trajecto que tem pela frente. O que não se pode confundir – e repito a ideia – é potencial com rendimento presente.

Vukcevic – A sua reputação entre os adeptos é cada vez menor, mas eu creio que Vukcevic tem mostrado uma disponibilidade muito maior para o jogo do que em fases anteriores. Individualismo? Talvez, mas não se pode queixar de individualismo quem o fomenta, como é o caso de Paulo Sérgio e o seu "modelo de jogo". Admito poder estar errado, mas diria que a resposta de Vukcevic, face às condicionantes, é um bom indício sobre a disponibilidade do jogador para evoluir.

Postiga – Diz-se muito que trabalha bem fora da área, mas essa não é uma verdade indiscutível. Aliás, muitas vezes é mesmo mentira. Neste caso, porém, Postiga fez jus a essa reputação e ao seu potencial técnico: jogou bem e foi influente em termos ofensivos. Um bom jogo, só ofuscado pelo brilho de Liedson.

Liedson – Exceptuando os lances decisivos, não foi sequer um grande jogo para os seus parâmetros. Sem bola, trabalho acima da média, mas normal nele. Com bola, poucas oportunidades para jogar, menos do que o normal. No entanto, esteve em 4 dos 5 desequilíbrios da equipa e isso chegaria para deixar uma óptima última impressão.

João Real – Curioso voltar a acompanhar este jogador depois da exibição do Dragão. Voltou a fazer um jogo na mesma linha, confirmando que tem uma capacidade atlética notável e que, nesse plano, não haverá muitos como ele. Pena o resto.
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Porto, Benfica e a jornada (Breves)

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- No Dragão, não é difícil constatar o que toda a gente viu: o Porto fez uma das mais fracas exibições da temporada e muito se poderá valorizar a eficácia do minuto 7, porque, depois, pouca coisa se viu. Villas Boas valorizou a vitória, mas atirou a responsabilidade da quebra de rendimento para a sobrecarga de jogos. A mim, parece-me que o motivo pelo qual os 3 pontos são importantes é o mesmo pelo qual a sobrecarga de jogos não serve de explicação: a confiança. Enfim, voltarei a este jogo com mais detalhe, mas não quero deixar de comentar que o Rio Ave, e apesar do mau jogo portista, não conseguiu criar ocasiões de golo. Este dado é relevante quando comparamos o mau período portista com a fase menos boa do Benfica, onde as ocasiões dos adversários sucediam-se.

- Em Setúbal, em primeiro lugar, um elogio ao Vitória. São cada vez menos os clubes verdadeiramente populares em Portugal, mas em Setúbal mora um dos últimos resistentes. Também ao nível do jogo, o Vitória enriqueceu o interesse de que se sentou para ver a partida. Poucas equipas no campeonato serão capazes de dar tamanha réplica ao Benfica, nesta altura. Não que o trajecto do Vitória mereça grandes elogios, mas porque Manuel Fernandes tem essa particularidade de fazer as suas equipas parecem melhores do que são nos jogos "grandes". Estratégia e atitude, são os segredos desta característica. A verdade é que não chegou. Porque o Benfica foi melhor e porque o Vitória não conseguiu um elemento fundamental para o sucesso da sua proposta: a eficácia. De resto, os argentinos insistem em desconstruir muitas análises precipitadas que sobre eles foram feitas.

- No resto da jornada, nota para o super entretido e interessante Marítimo-Braga. Uma chuva de ocasiões e muita felicidade para a equipa de Domingos já na recta final. No outro duelo Minho-Madeira, um cenário bem mais pobre. O Vitória mereceu mais, mas não mereceu muito. Mais divertido é ouvir Jokanovic no final dos jogos: "Se houve equipa que merecia ganhar, foi o Nacional". Repete sempre isto, seja qual for a história do jogo. Nota ainda para o facto de Mozer continuar a ser o único protagonista de uma "chicotada" com algum efeito positivo nos resultados das equipas que trocaram de treinador - e aqui reporto-me apenas aos resultados, e não faço qualquer análise a jogos que não vi. Finalmente, em queda livre está o Leiria, desde a viragem do ano. É impossível para mim não recordar a saída de Carlão: era um jogador determinante para o Leiria, e é um desperdício que não tenha continuado a evoluir cá dentro.

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5.2.11

O invulgar Liedson (Breves)

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- O jogo, enquanto tal, serviu apenas para agudizar o estado doentio do futebol do Sporting. Mas dificilmente algum adepto terá dado por mal empregue o seu tempo. Liedson sempre teve o condão de se superar nos grandes momentos, mas talvez seja difícil encontrar paralelismo para aquilo que conseguiu no seu último jogo. Um estádio em pré-revolta, de repente, inverteu o seu estado emocional e... desatou a chorar! De resto, parece que a margem de manobra de Paulo Sérgio é cada vez menor. O treinador diz que não se demite, e é pouco provável que haja qualquer intenção directiva em forçar a sua saída. Nada disto garante, porém, que não tenha de sair antes do dia das eleições...

- Ainda sobre Liedson, o avançado deixa o Sporting como um jogador histórico. Todos falarão dos golos que marcava e da importância de muitos deles. Mas poucos conseguirão explicar bem porque o fazia tantas vezes e em momentos tão importantes. Não é um jogador forte em nenhum dos parâmetros tradicionalmente considerados e, por isso, enquanto uns se limitavam a aceitar os números sem questionar, outros duvidavam sempre do seu valor e utilidade (acontecia sempre que a eficácia baixava). Acontece que, ao fim de 350 jogos, não se é "bom porque se marca", mas "marca-se porque se é bom". Ou seja, não é por as suas virtudes serem mais invulgares que alguma vez deixaram de lá estar. Sempre estiveram.

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4.2.11

Os "alicerces" da vitória do Benfica (vídeo)

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Foram tantas as vezes em que trouxe aqui vídeos do mesmo tipo, mas para explicar derrotas do Benfica, que chega a ser algo irónico que a mais conseguida vitória encarnada tenha por base o mesmo tipo de situação, mas, agora, com prejuízo para o seu adversário. De facto, a vitória do Benfica ficou alicerçada – e que bem alicerçada! – nas dificuldades que a equipa conseguiu provocar na saída de bola adversária. Foram situações atrás de situações, quase todas nos primeiros minutos de jogo, culminando com a definição de uma vantagem que acabaria por prevalecer até ao final. A questão que vem a seguir é a de sempre: mérito de uns, ou demérito de outros?

Na resposta a essa pergunta, os treinadores pareceram concordar:

Jesus não perdeu tempo em elogiar a sua equipa e a pressão de “primeira e segunda linhas”. Fez bem, porque esse foi, de facto, o dado fulcral na definição do jogo e porque o Benfica teve, realmente, mérito na atitude e organização com que se apresentou.

Villas Boas, por seu lado, tentou aliviar a pressão sobre os seus jogadores, recusando individualizar a responsabilidade e, por outro lado, falando do “orgulho” da equipa no seu estilo. Também se compreende o discurso, porque importa reerguer os índices motivacionais e não penalizar ainda mais jogadores que, mais do que ninguém, sentem quando falham.

O facto é que não é o estilo que está em causa, mas interpretação do mesmo. E, aí, certamente que Villas Boas não sentirá orgulho pela falta de segurança da equipa na aplicação do seu próprio estilo, na abertura do jogo. Ou seja, se há mérito do Benfica, é óbvio que uma equipa como o Porto – que, importa não esquecer, vinha mostrando muita qualidade neste particular – tem de exigir muito mais de si própria.



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3.2.11

Porto - Benfica: Análise e números (Benfica)

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Notas colectivas
É mais engraçado falar-se de “vitórias tácticas” e outras coisas que tal. O facto é que os alicerces da vitória encarnada são, a meu ver, três: atitude, eficácia e qualidade. Sendo que a qualidade sempre esteve lá, só que quase sempre, e quase todos, só a vêm depois de saberem o resultado.

Quanto ao lado táctico, na verdade, não há assim tanta novidade. A equipa jogou em 4-4-2 clássico como já fizera em tantas outras ocasiões, nomeadamente nos jogos da Liga dos campeões. Mesmo frente ao Porto, no “pesadelo” do Dragão, havia apresentado uma linha de 4 no meio campo. Mas houve uma diferença, de facto.


No jogo para o campeonato, e apesar da tal aproximação de Martins a Garcia, não existiu qualquer preocupação em relação aos movimentos de Belluschi em largura. O argentino libertou-se algumas vezes e nessas ocasiões teve um impacto decisivo. Desta vez, Jesus foi precavido como já devia ter ido para o primeiro jogo. É que esse tipo de movimentos são comuns no Porto. Muito mais do que o nome do jogador, houve a preocupação de o alertar para o que teria de ser feito. O facto de ter jogado Peixoto, o que não é normal, ajuda a realçar a preocupação do treinador, mas ela podia ter existido mesmo mantendo Aimar ou Martins no meio campo.

De resto, e aproveitando a vantagem que conseguiu, o Benfica esteve sempre muito bem e ao seu nível. Conseguiu potenciar o erro do adversário e levar a melhor através da pressão e agressividade que introduziu. Depois, e com o passar do tempo, acabou por ter de assumir uma postura mais posicional, sobretudo após a expulsão. Durante muito tempo conseguiu evitar uma exposição dos centrais e quando o Porto os forçou a abrir mais pelos movimentos de Hulk, eles responderam bem, contando também com uma cobertura solidária da equipa.

É importante, finalmente, destacar o papel fundamental de Sálvio e Gaitan no desempenho táctico da equipa. Há algum tempo que venho escrevendo que os argentinos estão perfeitamente ao nível das exigências defensivas do modelo e que há uma visão tão generalizada como mal fundamentada sobre a sua utilidade táctica. Isso foi mais claro neste jogo, mas não foi novidade nenhuma.

Notas individuais
Coentrão – Espectacular actuação! De tal modo que, mesmo expulso, acho que merece o estatuto de melhor em campo. Discute-se se deve ser defesa ou médio, mas há jogos onde Coentrão parece ser defesa e médio ao mesmo tempo, tal a intensidade que coloca nas suas acções.

Luisão e Sidnei – Estiveram ambos bem. Melhor Luisão, sobretudo porque não cometeu alguns erros do seu parceiro, mas ambos estiveram bem. É certo que protegidos pela equipa, mas corresponderam bem quando foram forçados a sair da sua zona.

Javi Garcia – Marcou um golo importante e esteve bem na sua missão posicional. O facto da equipa não ter assumido um jogo com mais posse, ajuda-o porque claramente não se sente muito confortável nesse momento. Tudo somado, esteve praticamente perfeito em tudo o que fez.

Peixoto – Fez de facto um bom jogo. Cumpriu a missão específica sobre a esquerda e com bola também esteve bem.

Gaitan – As estatísticas indicam-no há muito e aquilo que aqui venho escrevendo deve começar a ser mais evidente com o passar do tempo. Mantém-se sem a intensidade (com e sem bola) que o poderia catapultar para outro rendimento, mas é um jogador de grande qualidade técnica e muito útil tacticamente, porque, simplesmente, se posiciona bem, no local certo e no tempo certo. Recuperou um número muito elevado de bolas apenas e só porque entende a sua missão táctica.

Salvio – Não teve o protagonismo de Gaitan no trabalho defensivo, mas é bom notar que também Salvio se relaciona muito bem com Maxi no corredor. Muito rápido a compensar o lateral e, mesmo que não tenha tido grande impacto no jogo, esteve bem na generalidade das oportunidades que teve para jogar.

Cardozo – A meu ver, não se justificava a sua permanência em campo depois da expulsão de Coentrão. Ainda assim, é de notar o esforço que fez na sua missão, conseguindo muitas vezes ser útil em situações muito complicadas, e quase construindo um golo praticamente sozinho. O ponto sobre Cardozo é que a sua capacidade de trabalho parece aumentar em jogos de maior grau de dificuldade. O que indicia que se lhe pode exigir noutras ocasiões onde até lhe é mais fácil fazer mais.



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Porto - Benfica: Análise e números (Porto)

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Notas colectivas
Não é apenas pela derrota que o Porto se deve preocupar com o que se viu. É certo que tudo começou com uma entrada pouco concentrada, fértil em erros perfeitamente evitáveis e que acabou por ser severamente punida pela eficácia do adversário. A este nível, é sempre um destino a esperar para quem não aborda o jogo sem a atitude indicada. Esse é o primeiro ponto a rever, mas há mais.

O que talvez mais espante na exibição portista é a incapacidade que a equipa revelou para criar oportunidades de golo. Recordando o inicio de temporada, realçava a capacidade mental desta equipa, a sua concentração e a forma como parecia perceber a importância da componente emocional no desempenho da sua proposta de jogo. Frente ao Benfica, porém, o lado emocional portista foi do pior que se poderia esperar. Primeiro, pela tal abordagem sem intensidade ao jogo. Depois, porque, em desvantagem, jogou sempre sob o efeito intenso de uma ansiedade que lhe condicionou amplamente a habitual qualidade do seu jogo em posse. Isso notou-se, quer ao nível do critério – verticalizando precipitadamente – quer ao nível do próprio desempenho individual em várias situações.


Outro ponto em que também importa reflectir e onde há algum espaço para discussão é relativamente às opções de Villas Boas. A grande novidade foi Sereno, que talvez tenha sido escolhido por alguma desconfiança em relação à fiabilidade de Fucile, demasiado ligado a erros decisivos nos jogos em que tem participado. A verdade é que o desempenho do ex-Vitória correspondeu à aposta. Não é, de resto, pelas opções individuais iniciais que o Porto terá perdido o jogo ou, sequer, deixado de o conseguir recuperar.

A verdade é que na primeira parte o Porto ainda conseguiu algum esboço da sua qualidade habitual. Não de forma continuada, é certo, mas conseguiu alguns bons movimentos de envolvimento, com jogadores a conseguirem liberdade, quer no corredor central, quer sobre os corredores. O problema da primeira parte teve muito mais a ver com a abordagem ao jogo do que com opções tácticas. Já na segunda parte, o falhanço das opções tomadas foi bastante mais flagrante.

Villas Boas trocou James por Cristian, parece-me, para tentar libertar Hulk mais vezes nos corredores – não dá para dizer que Hulk jogou numa posição central na segunda parte. Muitas vezes o Porto não criava referências de marcação ao centro, tentando, talvez, atrair os centrais contrários fora da sua zona. A verdade é que essa intenção, quer pela desinspiração de Hulk nas situações de 1x1 no flanco, quer pela incapacidade da equipa de promover maior qualidade à sua posse, nunca resultou. Nem primeiro, com Bellsuchi, nem depois com Guarin, nem sequer com a entrada de Ruben Micael. Mérito do Benfica, é certo, mas foi relamente muito pouco para não se ver uma grande dose de culpa própria no sucedido.

Finalmente, nota para as opções individuais na segunda parte. Estando em desvantagem e com mais 1 jogador, pedia-se outra característica em algumas posições. Alguma capacidade para intervir de fora. O Porto tem essa capacidade no plantel, mas abdicou dela. Como opinião pessoal, creio que se utilizou demasiado tempo laterais mais fortes posicionalmente, como Sapunaru e Sereno, e que a saída de Belluschi é altamente questionável pela intensidade que estava a colocar no jogo e pela característica que tem. Isto, claro, para além de Walter.

Notas individuais
Helton – Para perceber a forma como o Porto entrou, basta ver a exibição de Helton. Pouco decidido e aparentemente pouco concentrado. Não é novidade este tipo de situação num guarda redes que tem características fantásticas.

Rolando – Esteve bastante bem em quase todo o jogo, só que também não deixou de ter uma entrada errática em posse. Não dá para dizer que foi o responsável pelo primeiro golo, mas dá para identificar que foi ele o autor do passe que ditou a perda de bola.

Maicon – Ligado ao primeiro golo pela forma como não protegeu correctamente a sua posição. Para além disso, contribui com alguns lapsos na tal fase errática da equipa, logo a abrir o jogo. Depois acertou, mas o mal já estava feito.

Fernando – Outro que acertou, mas só depois de ter pactuado com os erros que afundaram a equipa. Também não se pode dizer que tenha sido 100% responsável por um golo que aconteceu de tão longe, mas nunca se roda, como rodou, dentro da própria área. Depois, fez um grande jogo, com muita presença em apoio e na recuperação.

Moutinho – Não cometeu os erros de outros, como é hábito, mas também não seria provável que fosse ele a dar o rasgo ofensivo de que a equipa precisava. E não foi. Cresceu muito na segunda parte quando assumiu um papel mais posicional e de apoio. Acabou com uma enorme participação nas acções da equipa o que lhe dá uma avaliação estatística elevada, mas exagerada para o rendimento que teve.

Belluschi – Grande intensidade na abordagem ao jogo, ao contrário dos companheiros. Pareceu poder ser ele o impulsionador da “revolta”, mas não o conseguiu, primeiro, e saiu, depois. Não percebi porquê.

James – Não é ainda um jogador capaz de ganhar um jogo e, desta vez, até nem o conseguiu quando tinha tudo para se tornar protagonista. Não conseguiu ter impacto, mas manteve a sua eficácia com bola e isso deve-se assinalar. Saiu, mas isso não trouxe nada de novo.

Varela – Não esteve sempre bem, mas teve o mérito de ser o protagonista dos 2 lances mais incómodos para a defesa contrária. Faltou a eficácia.

Hulk – Não é por ter jogado no centro que falhou. Até porque Hulk não jogou no centro durante grande parte do jogo. Esteve desinspirado e ansioso como ainda não tinha estado este ano. Como é um jogador que vai sempre para cima e que procura tirar partido das suas qualidades individuais, acabou por perder um número infindável de bolas.



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2.2.11

Desforra encarnada no Dragão (Breves)

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- Num primeiro comentário - uma análise mais detalhada fica para mais tarde - não posso deixar de encontrar semelhanças entre este jogo e o primeiro clássico da época, para a Supertaça. Semelhanças, mas em sentido oposto, obviamente. Não houve, da parte do Benfica, uma estratégia tão específica como a do Porto nessa ocasião, mas houve, isso sim, da parte do Porto, uma atitude idêntica à do seu rival nesse primeiro jogo. É verdade que a eficácia é fundamental e que será uma hipocrisia considerar este desfecho como inevitável ou não dependente do aproveitamento ofensivo, mas parece-me igualmente claro que a diferença de concentração e intensidade foi determinante no curso que o jogo tomou. No futebol, e particularmente entre equipas de valia tão idêntica, não há grande margem para levantar os pés da terra. Essa será, provavelmente, a conclusão mais útil que o Porto poderá tirar deste jogo.

- Como sempre, far-se-á uma correspondência linear entre o resultado e opções de ambos os treinadores. Como quase sempre, também, será uma visão intelectualmente desonesta, porque o resultado e a diferença para outros jogos explica-se por uma complexidade muito maior de factores. Ainda assim, não pode ser por critérios técnicos que Walter é preterido em favor de um leque tão redundante de opções...

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