17.1.11

Sporting - Paços: Análise e números

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O jogo abriu com uma ocasião, logo na primeira jogada, e esse acabou por revelar-se um pronuncio do entretenimento que a partida viria a oferecer. Os efeitos da estratégia do Paços já haviam sido explicados no jogo que fizera na Luz, onde conseguiu um elevado número de remates. Desta vez, porém, os “castores” foram mais longe e acabaram por juntar a sua própria eficácia com a complacência do adversário. É que se a estratégia do Paços estava anunciada, o Sporting nunca se mostrou preparado para ela, agravando a situação com a péssima reacção que foi tendo ao longo do jogo. Ao intervalo ainda dava para reconhecer que a desvantagem era penalizadora para o Sporting, mas o mesmo não se pode dizer do segundo tempo. Tudo somado: sem desculpas!

Notas colectivas
A intenção do Paços era óbvia: quando o Sporting tinha a bola, provocar o erro e, se possível, impedir a saída em futebol apoiado, através de uma primeira linha de pressão mais alta. Quando conseguia ganhar a bola, utilizar sempre um futebol rectilíneo, seja através de saídas verticais em ataque rápido ou, caso tal não fosse possível, uma abordagem mais directa em ataque posicional.

Perante este cenário, o Sporting tinha um papel muito fácil de entender. O segredo estaria na qualidade em organização e em ataque posicional. Ter a inteligência para perceber o perigo de errar em zonas baixas, e a audácia para ultrapassar, com bola, a primeira linha de pressing do Paços. Se isso fosse conseguido, o Sporting poderia aproveitar o maior espaço dentro do bloco pacense e empurrar o adversário para um posicionamento mais baixo, que não lhe permitiria impor as características do seu jogo.

O problema é que, não só o Sporting fez um dos jogos mais erráticos da temporada (também por mérito do Paços), como a sua circulação nunca foi capaz de fazer a bola chegar com eficácia à zona de criação. O problema, aqui, está nas dinâmicas que a equipa não tem para o que sobra da primeira fase de construção. Com Maniche (e Pedro Mendes, quando está disponível), a bola circula sempre bem, com segurança e velocidade, mas o que vem depois é um enorme deserto de ideias. Os extremos não fazem movimentos interiores, e quando aparecem é sempre para resolver individualmente nos corredores. Os laterais, só aparecem ofensivamente em situações pontuais e circunstanciais do jogo. O avançado parece ter como única função esperar por uma situação de finalização na área. Sobra o improviso do 10, e – repito a ideia – Paulo Sérgio bem pode agradecer à sorte a lesão de Matías Fernandez.

Com todos estes problemas, o Sporting não estava a fazer um bom jogo, mas também é facto que foi criando oportunidades em bom número através das inspirações de Valdés. A agravante surge depois, ironicamente entre os 2 golos da segunda parte. Aos 61’ o Sporting empatou, mas essa foi a sua derradeira ocasião clara no jogo. Culpa principal do seu treinador que forçou uma alteração, de todo, absurda. Não só alterou a estrutura, perdendo presença num meio campo já de si mal ligado, como retirou a sua unidade de maior influência no jogo. É óbvio que existe um preconceito geral em relação a Maniche e que isso impede adeptos e muita comunicação social de lhe fazer uma análise justa do seu óptimo rendimento. O que não é aceitável é que o próprio treinador não seja capaz de ir além deste registo. Não é aceitável, e isso paga-se.

Por fim, nota sobre o Paços. Já elogiei a prestação dos “castores”, pelo arrojo da sua estratégia que dá aos jogos uma característica pouco comum neste tipo de confrontos. Se é a melhor maneira? Parece-me discutível, mas o Paços tem-se dado bem. Há também alguns jogadores interessantes nesta equipa. Os laterais, digo eu, merecem uma revisão por parte de clubes de maior dimensão. São ofensivos e agressivos, ficando por averiguar a sua consistência e fiabilidade defensiva (coisa que ainda não fiz). Numa altura em que se procuram tantos laterais, se calhar vale a pena dar uma olhada. Depois, destaque para os centrais e para a dinâmica do meio campo ofensivo, com Pizzi e David Simão em destaque também pela sua juventude.

Notas individuais
Evaldo – O mesmo problema já realçado noutras ocasiões. Está lá sempre, mas sempre em níveis mínimos. Raramente compromete, mas não tem capacidade interventiva que se permita afirmar ser uma mais valia, ou sequer que lá chegue perto. Obviamente que esta constatação não justifica a sua troca por Grimi na altura em que aconteceu...

Polga – Erra com alguma – por vezes demasiada! – frequência, mas volto a fazer um elogio à sua capacidade de ler o jogo e de antecipação. Por isso, e mesmo não sendo forte fisicamente, é o jogador que mais intercepções faz entre os 3 “grandes". É uma característica que não lhe é muito reconhecida, mas com a qual a equipa ganha muito. Não foi por ele que o Sporting perdeu, seguramente.

Carriço – Carriço distingue-se, entre os subaproveitados centrais do Sporting, por ser aquele que menos erros comete. Desta vez foi mais humano e esteve, por culpa própria, bem na origem da derrota.

André Santos – Continuo a fazer notar que, sendo um bom jogador, se está a exagerar sobre as suas capacidades actuais e que isso pode não ser benéfico na sua evolução. Em relação a Zapater, ainda é discutível a sua mais valia, mas com o regresso de Maniche voltou a ser apenas uma sombra do seu parceiro de sector. Claro, quando lhe tiraram Maniche, a coisa complicou-se.

Maniche – É espantoso o que joga e o que dele se diz. Grande primeira parte, sendo, outra vez, a unidade mais influente, quer em termos de circulação, quer em termos de trabalho defensivo. É certo que estava a aparecer menos na segunda parte, mas nada justifica a sua saída, quando, por exemplo, o seu rendimento era, a anos luz, superior ao de André Santos. A incompetência da decisão pagou-se com aquilo que se viu depois do 2-2.

Salomão – É curioso porque apareceu melhor na pior fase da equipa. É possível que seja um jogador mais forte se não estiver tão isolado na linha. Tem boa capacidade de decisão, mas muitas vezes faltam-lhe apoios. Tem boa capacidade de trabalho, mas está muitas vezes muito longe das jogadas. Tudo somado, fez um bom jogo, mas esse é o principal destaque que lhe vi nesta partida, quando jogou mais por dentro: talvez ainda exista um melhor Salomão do que aquele que já vimos. Mas, para ter a certeza, teremos de esperar por outro Sporting.

Vukcevic – Voltou a ser pouco produtivo em termos de trabalho e uma espécie de ilha amarrada à direita. É claro que pode sempre decidir com o seu talento, mas quando, como foi o caso, isso não acontece, fica difícil de perceber para serviu no jogo...

Valdes – Voltou a fazer um jogo espantoso em termos de proximidade com o golo. A sua liberdade em zona criativa é uma enorme fonte de problemas para os adversários, mas convém não confundir as zonas em que deve ser potenciado. Se o objectivo é potenciar Valdes, é preciso dar-lhe mais jogo na zona criativa e não fazer baixar o jogador para a construção, onde o seu perfil de decisão é inadequado. A sua não planeada adaptação a 10 tornou-o num dos melhores reforços do Sporting nos últimos anos. Isto, ao mesmo tempo que se continua a dizer que a equipa não luta pelo título porque não tem jogadores para isso.

David Simão – Já observara este médio emprestado pelo Benfica na Selecção de esperanças e fiquei com melhor impressão do que o crédito que lhe foi dado na altura. É um jogador com grande qualidade técnica, que dá boa sequência a grande parte das bolas que por si passam e que tem, também, uma boa capacidade de trabalho. No entanto, não lhe vejo, para já, nenhuma característica extraordinária, sendo que joga numa posição muito exigente e de difícil afirmação. Fez um grande jogo, mas preciso de ver mais...



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16.1.11

A última derrota de Bettencourt e a luta pelo 3º lugar (Breves)

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- É inevitável começar pela consequência. Sócios e Bettencourt andavam há muito de costas voltadas, mas, desta vez, ambos tiveram a mesma ideia: aproveitar a surpreendente derrota para libertar o stress. Os sócios mostraram a sua indignação, Bettencourt demitiu-se. Todos ficaram mais aliviados. Afinal, bem vistas as coisas, a derrota pouco ou nada decide no destino desportivo da equipa que, nesta época, já estava comprometido. Saber escolher foi o que Bettencourt não soube fazer, e, saber escolher, era, é, e será sempre o que mais importa na gestão de um clube. O futuro do Sporting é, nesta altura, mais incerto do que nunca...

- Em relação ao jogo - e antecipando-me um pouca à análise que farei - vale a pena elogiar o Paços que tem sido das equipas mais interessantes de ver contra os "grandes". A sua estratégia passa sempre por provocar o erro e não apenas esperar por ele. Foi mais eficaz, foi feliz, mas teve mérito no que conseguiu. No que diz respeita ao Sporting, salientar os erros individuais altamente penalizantes, mas, também, a má leitura que veio do banco. Retirar um médio para colocar um avançado é um instinto natural de quem vê da bancada, mas não deve ser de um treinador. Especialmente quando isso implica perder presença no meio campo e jogar numa estrutura improvisada. Não admira, pois, que depois do 2-2 o Sporting se tenha distanciado muito mais do golo e, mesmo, perdido o controlo do jogo. Paulo Sérgio acabou por, implicitamente, confessar o seu próprio erro nas 2 alterações finais, mas, aí, o mal já estava feito...

- A luta pelo terceiro lugar, com a derrota do Sporting, ganhou novo interesse. Um dia antes, o Braga ganhava pela primeira vez fora de portas, num jogo onde espantou a incrível falta de organização do Portimonense depois do primeiro golo. Azenha diz que espera por novos reforços, mas dificilmente chegará qualidade suficiente para superar o contra relógio que a equipa tem pela frente. Em Guimarães, também o regresso às vitórias da equipa de Manuel Machado. O Vitória, de uma perspectiva pragmática, justificou os 3 pontos porque foi, de facto, a equipa que mais se aproximou do golo. A verdade, porém, é que também se viram sinais preocupantes, particularmente na forma como a equipa sofreu depois do golo, acumulando vários erros, quer com bola, quer sem ela.

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14.1.11

Comportamento defensivo do Benfica (II): Transição

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Se ontem trouxe aqui alguns elogios à capacidade organizacional do Benfica, nomeadamente em termos posicionais, hoje trago outro momento do jogo onde a equipa tem sentido algumas dificuldades: a transição ataque-defesa. Sintetizando, não creio que os problemas que o Benfica sentiu neste aspecto resultem de algum problema de resposta à perda de bola – como tantas vezes é, a meu ver, confundido – mas, antes sim, com a perda de bola em si mesmo. E aqui, é importante separar o tipo de transições a que a equipa é sujeita.

Defender mal... com bola
A teoria que vigora nos tempos que correm distingue 4 momentos de jogo, em bola corrida. 2 ditos defensivos e 2 ditos ofensivos. “Ditos” porque na verdade o que os distingue é a posse da bola. Como o futebol é jogado em acto contínuo, é fundamental não ser demasiado ortodoxo na interpretação da separação dos momentos do jogo. Ou seja, o que uma equipa faz num dado momento, a sua qualidade, começa no momento anterior, e isso é sobretudo relevante para os momentos de transição.

O ponto de tudo isto é que é completamente diferente estarmos a avaliar a resposta de uma equipa à perda de bola quando esta acontece numa fase precoce de construção ou, ao invés, quando esta acontece numa fase de criação. E isto, no Benfica, é perfeitamente evidente.

No vídeo estão seleccionadas 6 perdas de bola da equipa encarnada no jogo de Leiria. Nenhuma delas originou lances eminentes de golo, mas todas elas ofereceram ao adversário boas condições para o fazer. Noutros casos – e quem acompanha este blogue não terá dificuldade em enumerar muitos – o resultado foi diferente e a equipa foi severamente penalizada por isso.

Quer isto dizer que o Benfica seja uma equipa fraca na resposta à perda de bola? Não. Na verdade é uma equipa muito forte a fazê-lo, como aliás tantas vezes foi realçado no ano anterior. Pressiona com prontidão e eficácia e tem uma excelente capacidade de manter a sua organização em recuperação. Em vários aspectos, mesmo notável. O problema está na perda de bola em si mesmo, sendo que é absolutamente impossível pedir-se a uma equipa – seja ela qual for – que seja eficaz a responder a perdas de bola em zonas tão comprometedoras como frequentemente acontece no Benfica. Ou seja, o Benfica não defende mal sem bola, mas, pode dizer-se, defende mal... com bola.

Javia Garcia e a importância do “pivot”
Começo por uma estatística colectiva antes de ir ao pormenor individual:
Em matéria de perdas de bola, do mesmo tipo das que estão ilustradas no vídeo, o Benfica tem 6,1 por jogo, sendo que Porto e Sporting apresentam valores muito mais baixos do que o dos encarnados: 4,7 para ambos. Ou seja, há uma tendência claramente superior do Benfica para este tipo de erros comprometedores.

Se há posição importante em termos da resposta em transição é a do “pivot”. É uma posição que tem uma forte característica posicional, sendo responsável pelo equilíbrio da equipa na sua zona mais recuada, quando um dos defesas sai da sua posição, mas também pela contenção que é feita no corredor central, no inicio de transição do adversário, tendo a possibilidade de "matar" a transição ou, se tal não for possível, de atrasar o ataque rápido contrário, permitindo o reequilíbrio posicional dos restantes jogadores. Não é, portanto, difícil de perceber a importância desta função para a eficácia da resposta em transição.

Esta posição funciona em termos posicionais muito bem no Benfica, com Javi Garcia a interpretar perfeitamente os seus ajustes posicionais. Mas, noutros aspectos, há alguns problemas que penalizam fortemente a equipa.

Primeiro, com bola, há uma grande falta de segurança nas acções de Garcia. Em média, a posição de médio defensivo é responsável por 1,5 perdas por jogo em zona de construção, comprometendo a equipa com grande regularidade. Mas, mesmo descontando este relevante aspecto, há também um défice de presença em termos de posse por parte desta posição, invariavelmente interpretada por Garcia. Ou seja, para que haja maior segurança em zona de construção seria importante ter uma maior presença do elemento que joga à frente da defesa, mas, também aqui, a participação em posse do médio defensivo é muito menor no Benfica do que nos seus rivais.

Já agora, e a título de curiosidade, assinale-se que é no corredor central que o Benfica mais erra em posse em relação aos rivais. Para além do "pivot", também a posição 10 comete um número elevado de perdas, com Aimar em principal destaque neste aspecto.

Outro problema que afecta o equilíbrio posicional é a frequente saída em construção dos centrais, normalmente David Luiz. À primeira vista, este tipo de situação parece não originar grandes problemas, precisamente pelo papel de Javi Garcia: o médio baixa para a posição de central e restabelece o equilíbrio na zona mais recuada. O problema, aqui, é que este tipo de subidas dos centrais não são meras trocas posicionais com Garcia, e assumem uma postura muito mais arriscada. O que acontece, na prática, é que a equipa perde a presença do “pivot” e quando perde a bola deixa de ter um elemento de contenção à frente dos centrais. A dificuldade de resposta a um transição nestas condições é, como é óbvio, muito mais difícil.



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13.1.11

Comportamento defensivo do Benfica (I): Organização

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Recorro ao caso de Gaitan, porque creio que muita gente não percebe o porquê das minhas afirmações em relação ao seu desempenho defensivo, mas o caso de Gaitan é apenas um exemplo da forte característica posicional do Benfica e das equipas de Jesus, em geral. Ou seja, o texto refere-se ao comportamento defensivo do Benfica em organização, para explicar a sua qualidade neste plano, mas também para dar a minha explicação das diferenças de aproveitamento do “pressing” em relação ao ano anterior. Para depois, fica o caso de Javi Garcia e da transição ataque-defesa.

O caso de Gaitan e a disciplina de Jesus
De facto, Gaitan tem tudo para ser um jogador improdutivo defensivamente. Não é agressivo, não é reactivo, nem, tão pouco, é forte nos duelos que trava. Porquê, então, Gaitan ter um bom aproveitamento defensivo, como tão fielmente retratam os seus números a cada jogo? A resposta é simples: capacidade posicional.

Não se trata de um virtude individual, mas, tão simplesmente, de uma compreensão do que tem de fazer no plano do posicionamento táctico. O vídeo – que utiliza apenas o jogo de Leiria – tenta fazer perceber isso mesmo. Ou seja, que Gaitan se posiciona adequadamente dentro do que está previsto no modelo táctico do seu treinador e que isso, por si só, lhe permite estar bem preparado para ser útil defensivamente, relacionando-se bem com o posicionamento de Coentrão, a sua principal referência em termos de ajustes e compensações posicionais. Isto - repito para que não se confundam as coisas - não implica que Gaitan seja, por si só, um jogador forte defensivamente.

Aqui, o papel de Jesus é fundamental. É que se há aspecto em que Jesus é meticuloso e implacável é no posicionamento base dos seus jogadores. É normalmente por isso que gesticula e salta tanto na linha lateral. Ora, alguém acha que Jesus manteria a aposta num jogador tacticamente indisciplinado ou que não tivesse um comportamento posicional correcto?!

A reactividade e o problema do “pressing”
Com o rigor e qualidade posicional da equipa se explica a qualidade do Benfica em organização defensiva e o porquê de aguentar muito bem fases em que não consegue ter tanto domínio territorial sem que isso belisque o seu controlo do jogo. Mas há outro problema que, particularmente, tem marcado a diferença entre o Benfica da época passada e o desta: o pressing alto em organização.

Já defini várias vezes que entendo por “qualidade táctica” a capacidade da equipa reagir e se ajustar às várias incidências do jogo. Ora, se o Benfica está bem posicionado – como está – porque não consegue os mesmos resultados na pressão que faz sobre a construção adversária?

A resposta está, a meu ver, na reactividade dos jogadores. Ou seja, na rapidez e eficácia com que os jogadores passam de uma postura mais posicional para uma postura mais pressionante. E essa perda de eficácia, embora não tenha a ver com aspectos posicionais, implica também uma perda de “qualidade táctica”.

Jogadores como Ramires e Di Maria, por exemplo, tinham uma reactividade e agressividade muito superior do que acontece hoje com Salvio e, especialmente, Gaitan, Peixoto ou Martins. Passavam de uma postura posicional para uma postura pressionante com muito maior eficácia do que hoje se observa. Mas há mais. Também na posição 10 está um elemento fundamental no encurtamento dos espaços. Aliás, provavelmente a mais importante. Aqui, não há comparação entre Aimar e Carlos Martins, com o português a perder claramente na capacidade e qualidade de antecipação e reacção nas jogadas – mais uma vez, não é o posicionamento base que está em causa. O problema é que, estranhamente, também o argentino não parece tão bem como no ano anterior e, embora ofereça maior capacidade do que Martins neste plano, não tem conseguido a mesma eficácia na pressão que é feita sobre a saída de bola contrária.

Finalmente, importa também falar dos avançados, porque me parece que o Benfica não beneficia muito da sua característica em termos defensivos. De Cardozo nem é preciso falar muito, mas também Saviola não tem conseguido provocar muitos erros nos defensores adversários. Algo que, como é evidente, não tem apenas a ver com o seu desempenho individual mas que prejudica a equipa em termos de performance global.



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Vitórias de Benfica e Porto na taça (Breves)

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- Na Luz, o Benfica até falhou antes de marcar, mas, depois, conseguiu uma eficácia enorme nos 5 golos obtidos. Um domínio completo, jogo resolvido, e, sem necessidade de acelerar muito, a goleada foi sendo naturalmente concretizada. O Benfica confirmou e reforçou a confiança e, até, errou bem menos do que em jogos anteriores. O resultado foi uma goleada que denuncia também uma enorme impotência de uma das equipas mais fortes no plano interno actual. Mas esse é outro problema...

- No Dragão, um atraso inesperado na resolução de uma eliminatória que parecia completamente resolvida logo no sorteio. É verdade que o Porto foi uma equipa absolutamente dominadora, que rematou muito e que poderia, facilmente, ter encontrado o caminho do golo bem mais cedo. O facto, também, é que não fez uma grande exibição dentro das expectativas que se poderiam ter, que não conseguiu grandes situações de finalização dentro da área e que deixou perigosamente o jogo arrastar-se para uma fase em que tudo já era possível. No Porto, já comentei que me parece clara a aposta em James, mas também me parece estranho a súbito esquecimento de Walter. Afinal, estamos a falar de um jogador jovem, recentemente contratado e com uma notável relação golos/minutos nas oportunidades que lhe foram dadas.

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12.1.11

Leiria - Benfica: Análise e números

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Dizer que foi um jogo muito confortável é sempre um exagero para uma partida que passou a maior parte do seu tempo num resultado tangencial. A verdade, porém, é que entre Benfica e Leiria houve sempre um grande diferença no que respeita à proximidade com o golo. E esse, a meu ver, é sempre o indicador mais importante em qualquer jogo de futebol: a proximidade com o golo. Tudo somado, é Jesus quem tem motivos para sorrir.

Notas colectivas
Na verdade, a superioridade do Benfica, facilmente observável, não resultou de um domínio territorial avassalador, nem, tão pouco, de uma exibição soberba em termos técnicos. Resultou, isso sim, de uma mais competente ocupação dos espaços, para além, claro, das evidentes mais valias individuais que a equipa possui. Ou seja, a União conseguiu dividir o jogo territorialmente em diversos momentos, mas teve muita dificuldade em controlar todos os espaços do campo, especialmente quando a bola viajava rapidamente de uma zona para a outra.

De notar, por exemplo, que várias das mais perigosas jogadas encarnadas resultam do mesmo tipo de lance. Com a bola a ser colocada rapidamente nas costas do meio campo leiriense e a causar muitos problemas de equilíbrio no extremo reduto contrário. Isto, porque o Leiria ficava com pouca gente atrás da linha da bola e incapaz de controlar a largura do campo. Por isso vimos tantas vezes Gaitan aparecer solto na esquerda a partir de jogadas deste tipo.

Ainda assim, nem sempre o jogo foi igual. Na segunda parte, por exemplo, observou-se uma reacção positiva do Leiria, com maior agressividade e maior proximidade entre os jogadores nas zonas de pressão. O Benfica teve mais dificuldades em dominar o jogo – essencialmente porque foi ineficaz no momento em que ganhava a bola – mas é curioso observar-se que não foi nesse período que o Leiria foi mais perigoso. Aliás, à parte de um pontapé de canto, não teve qualquer chegada sequer ameaçadora à área encarnada, ao contrário do primeiro tempo.
Porquê, então, ter o Leiria chegado com mais condições à área contrária no período em que menos conseguiu dividir o jogo? A resposta é óbvia e recorrente no Benfica 10/11: porque na primeira parte o Benfica perdeu 6 bolas em zonas recuadas e na segunda não perdeu nenhuma. O problema da transição defensiva do Benfica não é, nem nunca foi, a recuperação em si mesmo. Foi, isso sim, a zona de perda de bola. Foi, e é.

Outra constatação que foi tirada no final do jogo teve a ver com associação da entrada de Ruben Amorim com um melhor período do Benfica. É verdade que coincidiram, é verdade que Ruben entrou bem e que era uma aposta que se justificava, mas, até pelo que escrevi antes, não entendo que o problema do Benfica na segunda parte tivesse a ver com o que fazia sem bola. Aliás, se o Leiria nunca se aproximou com perigo da área do Benfica, acho difícil sustentar essa tese. Teve, isso sim, muito mais a ver com aquilo que o Benfica não conseguira fazer com bola depois do intervalo. E, aí, não se pode dissociar as oportunidades na recta final do jogo com o risco táctico assumido por Caixinha. Tal como a entrada de Amorim, coincide com o melhor período do Benfica no final do jogo, só que, parece-me, tem um correlação muito maior com a alteração de tendência observada.

Em relação ao Leiria, é uma equipa que vejo cometer muitos erros posicionais nos jogos com os grandes. Está a fazer um excelente campeonato e continua a ter bons jogadores, mesmo depois da saída de Carlão e Silas, mas não tenho a certeza de que terá o mesmo andamento depois destas perdas. Falando de Carlão, aliás, é uma perda importante para o futebol português. Estava a ser um dos melhores avançados do campeonato e, não tenho grandes dúvidas, tinha condições para merecer a aposta de um “grande”. Apesar de ter ido para muito longe, tem ainda tempo para que possamos ouvir falar dele...

Notas individuais
Coentrão – Voltou a fazer um grande jogo, sendo apenas de se lamentar 2 más entregas no primeiro tempo que colocaram em risco a equipa. De resto, muito bom, quer a defender quer a atacar. É um dos melhores defesas esquerdos do mundo.

Javi Garcia – É como um relógio, tanto em relação à sua compreensão dos equilíbrios tácticos, como em relação às perdas de bola que acumula em todos os jogos. Francamente, custa-me a entender como continua a ser dono inquestionável do lugar quando revela tantas dificuldades com bola.

Carlos Martins – Não conseguiu ser um jogador determinante em termos ofensivos – frequentemente é – mas foi, com alguma distância, o mais participativo em termos de posse. Fez, em termos de eficácia em posse, um jogo ao nível da equipa, perdendo 1 bola comprometedora na primeira parte. Defensivamente, é o habitual: não tem grande capacidade de trabalho mas mantém, tal como todos, um posicionamento base correcto.

Gaitan – Foi fácil este jogo. Devagar, sem grande agressividade nem grande inspiração e, mesmo assim, cumpriu posicionalmente e foi determinante ofensivamente. Porquê? Porque Gaitan compreende bem onde tem de estar, quer com bola, quer sem ela, e porque tem um pé esquerdo que cruza como poucos (provavelmente o melhor da liga como já venho alertando há algum tempo). Apareceu no espaço certo, a bola ia-lhe sendo colocada e ele cruzava. O resto, todos viram...

Salvio – Não foi uma exibição eufórica como frente ao Rio Ave, mas Salvio vem confirmando a característica que lhe venho descrevendo: ou seja que é um extremo forte em zonas de finalização e que por isso se encontra facilmente com o golo. Fez uma assistência, criou a jogada do segundo golo e ainda perdeu mais 2. Não dá para pedir mais...

Saviola – Começou por ser o grande destaque do jogo pela frequência com que apareceu a desequilibrar. A sua invulgar qualidade de movimentos sem bola continua a fazer mossa com uma regularidade incrível e se Saviola tivesse outro nível de aproveitamento seria um destaque ainda maior. Na segunda parte não apareceu tanto e decidiu pior, com a equipa a ressentir-se. Nota para a pouca eficiência em termos defensivos.

Cardozo – Foi, durante muito tempo, muito discreto e, pessoalmente, gosto pouco de ver jogadores a passar tanto tempo longe do jogo. No entanto, e ao contrário do que muitas vezes acontece, manteve sempre uma participação positiva a cada intervenção, acabando por emergir em grande plano na recta final do jogo.

Ruben Amorim – Como escrevi atrás, a sua entrada justificava-se e justificou-se. Ruben é um jogador muito completo e que dava, em relação a Gaitan, maior agressividade e presença ao jogo. Mesmo, se não tem o mesmo talento. Numa altura em que se aguarda para ver José Luis Fernandez, arrisco que Ruben será o único jogador com capacidade para discutir, realmente, um lugar no meio campo com Gaitan, Salvio e Martins, até porque tem mais valias diferentes.



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11.1.11

Porto - Marítimo (Análise e números)

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Não se pode dizer que a resposta foi brusca, mas foi seguramente uma boa reacção à primeira derrota da época, numa exibição que foi ganhando qualidade e consistência, acabando por se saldar como muito positiva. Na verdade, jogando em casa, era um cenário que, como já havia escrito, se adivinhava. É que o Marítimo, tendo alguns bons jogadores, não tem andamento para repetir o prato do seu rival insular. Por mérito próprio e falta de competitividade interna, é de facto muito difícil uma equipa com a qualidade do Porto tropeçar 2 vezes seguidas.

Notas colectivas
Começando pelas opções de Villas Boas, houve alguma surpresa na adaptação de Hulk a uma posição central. Uma solução que, creio, tem muito mais a ver com a intenção de dar continuidade à aposta em James, mas que implicava algum risco. Não que Hulk não possa jogar a partir de posições centrais – já o fez no passado e com sucesso – mas porque o seu tipo de movimentação tem de ser muito diferente daquilo que acontece com Falcao, por exemplo. Implica não só maior mobilidade no trio ofensivo, mas sobretudo um relacionamento posicional diferente dos extremos, que habitualmente ligam muito mais os seus movimentos com laterais e médios mais próximos do que com o elemento mais central do ataque.

Não foi apenas por isto que o Porto sentiu algumas dificuldades numa etapa inicial, embora o crescimento da equipa tenha também coincidido com uma melhor relação de movimentos do trio ofensivo. Essencialmente, houve uma fase em que o Porto não conseguiu manter o jogo no meio campo adversário, como tanto gosta. Algo que resultou de uma qualidade e velocidade de circulação menos intensa, mas também de uma intenção do Marítimo de condicionar a saída de bola portista, obrigando a que se jogassem mais segundas bolas e tornando mais físico o jogo. Por incapacidade próprio ou por mérito portista, o facto é que o sucesso dessa intenção durou pouco.

Há um elogio que, não sendo novo, deve ser feito a esta equipa portista: a sua qualidade em organização ofensiva. A maior parte das equipas precisa de situações de ataque rápido e transição para atingir um grande número de jogadas de golo, mas o Porto parece ser capaz de jogar sempre perante adversários posicionados e organizados. O segredo, parece-me, está na combinação de 2 elementos: a qualidade de circulação e a tranquilidade com que aborda esse momento. Qualidade de circulação, pela velocidade e boa movimentação dos jogadores e da bola. Tranquilidade, pela forma como raramente se precipita neste processo, não caindo na tentação de uma verticalização imediata, mas procurando o melhor “timing” de entrada no bloco contrário. Este último aspecto talvez seja o mais raro em equipas que sentem muito a pressão de ter de chegar rapidamente ao golo.

Ainda dentro da qualidade de circulação, uma nota para o peso de Moutinho no inicio da construção. O Porto ganha muito mais quando é ele o protagonista do primeiro passe. Garante mais certeza e segurança do que Guarin, Belluschi ou Fernando, por exemplo.

Notas individuais
 Sapunaru – Normalmente gosto pouco de laterais ditos “defensivos”. Porque esse rótulo geralmente não resulta de um significativo acréscimo de fiabilidade defensiva, mas, antes sim, de uma substancial incapacidade para dar profundidade ao flanco onde jogam. O facto é que Sapunaru, dito “defensivo”, tem-no sido realmente. Muito certo nas suas acções com bola – sem grande capacidade de dar profundidade, é certo – e sobretudo muito forte no domínio que impõe na sua zona. Uma boa surpresa nesta temporada.

Emídio Rafael – Não repetiu, desta vez, a exibição errática frente ao Setúbal. Pode dizer-se que cumpriu, é verdade, mas também é um facto que foi tudo menos deslumbrante num jogo onde tinha boas condições para ser mais protagonista em termos ofensivos. Tem tido a sorte de ter boas oportunidades, mas ainda não se mostrou uma alternativa à altura de Álvaro Pereira.

Guarin – Foi o homem do jogo, conseguindo um protagonismo ofensivo raro para quem joga como “pivot”. Pode ter aumentado a dúvida sobre o titular do lugar nos próximos jogos, mas, se Guarin tem muito maior aptidão ofensiva do que Fernando, é também muito claro que não domina tão bem a posição como o seu rival pelo lugar.

Moutinho – Ao contrário do que muitas vezes se diz, não é sempre o jogador mais influente em termos quantitativos do meio campo portista. Mantém sempre uma bitola elevada e uma grande importância, mas não é sempre o mais influente. Desta vez, porém, foi-o claramente, protagonizando provavelmente a sua melhor exibição no campeonato. A única que rivalizará com esta será a que conseguiu na Madeira, frente ao Nacional. Foi o verdadeiro “dono do jogo” portista, batendo o seu recorde de passes e intercepções, e sendo ainda determinante em alguns lances ofensivos. Não marcou, nem assistiu, mas com este rendimento também não é preciso...

James – Percebe-se, pela idade e rendimento, tão declarada aposta. James correspondeu, aproveitando sobretudo bem a fase de maior exposição do Marítimo e acabou como um dos destaques do jogo. O seu rendimento, porém, não me parece ainda suficiente para que se possa esperar dele uma presença determinante sobretudo nas fases de definição do jogo. Veremos que tipo de confiança lhe trará o golo que marcou...

Hulk – Jogou a partir de posições mais centrais e teve dificuldade em ser tão influente como é hábito. Apareceu menos e com mais dificuldade de dar sequência às suas acções. Hulk, porém, está mesmo imparável e, mesmo assim, marcou um grande golo e fez uma assistência. Entre golos marcados e assistências, valeu 1,7 golos por jogo, em metade do campeonato. A equipa inteira do Sporting, por exemplo, só conseguiu 1,5!

Djalma – É um jogador a quem se projecta capacidade para mais altos voos. Correu muito e foi muitas vezes útil, mas foi, também, demasiadas vezes inconsequente com a bola nos pés. Para jogar a um nível mais elevado não são só precisas explosões, é preciso também critério nas decisões.



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10.1.11

Sporting - Braga: Análise e números

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Esperava um bom jogo, muito melhor do que aquilo que foi. Houve emoção numa parte inicial e a margem tangencial do marcador fez com que a incerteza durasse até ao fim. Durou a incerteza, mas não a qualidade. Aliás, acho que a qualidade nem chegou a aparecer em Alvalade para este jogo. Em relação ao resultado, enfim, como sempre vale mais a pena compreende-lo do que averiguar da sua justiça. Neste caso, o Sporting ganhou por se ter superiorizado em 2 aspectos: eficácia e concentração.

Notas colectivas
Paulo Sérgio seguramente que não se importará com a tendência, porque dela resultaram 2 importantes vitórias. O facto é que, frente ao Braga, o Sporting voltou a atingir alguns mínimos de campeonato. Mínimo em passes completados e mínimo na % de sequência dada à posse de bola. Mínimos, que já haviam sido renovados precisamente na última jornada, em Setúbal.

O facto é que, se o Sporting teve menos qualidade na sequência que deu à sua posse, também acabou por experimentar muito menos erros do que noutros jogos. Ou seja, a equipa procurou – tal como o Braga, aliás – iniciar as suas jogadas sem forçar a saída em apoio, mas com solicitações mais directas, feitas pelos centrais, Carriço e Polga. Não é um costume da “era Paulo Sérgio”, mas aconteceu. Ofensivamente, não colheu grandes frutos, mas como o Braga se encarregou de “entregar o ouro” no seu próprio período negro, isso acabou por interessar pouco. Defensivamente, sim, a opção acabou por beneficiar a equipa, já que as perdas de bola aconteceram quase sempre em zonas seguras, impossibilitando o Braga de actuar em ataque rápido a partir dos momentos de transição.

Relativamente às opções, Paulo Sérgio teve bastantes contra tempos e penso que boa parte da baixa qualidade em circulação deriva do facto de Maniche e Pedro Mendes estarem ausentes neste jogo. Raramente vemos, quer um quer outro, errar o número de entregas de Zapater ou André Santos. Não sendo isto, note-se, uma critica aos 2 médios, mas muito mais um elogio – que repito – à capacidade invulgar de Maniche e Pedro Mendes. De resto, a ironia talvez esteja no facto de ter sido na última baixa, a de Postiga, que Paulo Sérgio terá começado a ganhar o jogo. De facto, parece-me um equívoco tremendo optar por Postiga para jogar como 10 nesta estrutura. Como 10 ou como ala, de resto. Há soluções que garantem muito mais rendimento e uma delas – Valdés – já fez mais do que suficiente para que se questionasse a sua utilização na posição em que mais rende.

Relativamente ao Braga, e depois de alguns bons jogos, tinha tudo para dar sequência ao seu crescimento em Alvalade. Infelizmente para Domingos, a equipa voltou a denotar tendências suicidas e pagou caro por isso. Arrisco-me a dizer que teve mais qualidade de circulação e, até, não menos oportunidades de golo do que o Sporting. Mas, claro, não pode errar como errou em alguns momentos.

Notas individuais
Evaldo – Joga 90 sobre 90 minutos e para o Sporting já é uma boa notícia ter um jogador fiável e regular nessa posição. O seu rendimento, porém, roça os mínimos. É forte fisicamente, mas não lê bem o jogo e por isso consegue poucas antecipações e intercepções. Com bola, falhou demasiados passes.

André Santos – É sempre o mais elogiado e é inegável que tem qualidade. Muitos desses elogios resultam da sua disponibilidade física, que lhe permite dar mais nas vistas em determinados lances. Em certos casos, mesmo, isso pode ser muito útil, como no corte que fez à beira do intervalo, depois de uma grande recuperação. O facto é que André Santos raramente é o jogador mais eficaz do meio campo do Sporting, jogue com quem jogue. Ou seja, deve aprender, especialmente olhando para Maniche e Pedro Mendes o valor do posicionamento e da antecipação do primeiro passe de transição. Se o fizer, sim, tornar-se-á num grande médio.

Zapater – Tudo somado, parece-me justo cataloga-lo de melhor em campo. Foi o jogador mais interventivo no jogo, tendo-se destacado mais pela sua capacidade posicional do que pela qualidade na entrega. A assistência acaba por ser outro dado relevante a favor da sua exibição.

Vukcevic – Começou por se manter longe do jogo, mas acabou por fazer uma partida muito válida e atípica. Vukcevic é normalmente um jogador pouco trabalhador e muito desequilibrador. Desta vez foi o contrário. Juntou-se aos companheiros na luta de meio campo e desequilibrou pouco.

Valdes – Foi o jogador com maior percentagem de sequência em posse, o que, para um jogador de último terço, é notável. Aliás, a sua qualidade técnica é mesmo extraordinária, sendo muito difícil de ser desarmado, seja onde for. Não esteve sempre dentro do jogo, mas foi um elemento muito presente nos momentos de transição e na leitura das segundas bolas, ganhando muitas. A jogar solto, é um craque!

Liedson – Não fez um bom jogo em termos técnicos, mas foi decisivo e, como sempre, trabalhou muito bem sem bola. Aliás, sendo óbvio que o seu rendimento ofensivo não tem sido o mesmo de outras épocas, já a sua capacidade trabalho continua em níveis verdadeiramente extraordinários para um avançado e isso, a meu ver, tem muito valor em termos colectivos.

Salomão – Marcou e foi um destaque óbvio no final pelo impacto que teve. Mesmo tendo feito quase tudo bem, porém, não fez uma grande exibição. Porquê? Porque esteve demasiado ausente do jogo, quer em termos ofensivos, quer em termos defensivos. Ainda assim, creio que merece uma aposta mais contínua.

Alan – Foi, com Paulo César, o melhor do Braga. Tem uma qualidade em posse como poucos jogadores nesta Liga e movimenta-se muito bem sem bola, também. Quase dá vontade de recuperar os seus jogos no Porto para perceber porque falhou num “grande”. Tem 31 anos, mas o seu futebol ainda deve durar. É que Alan não alicerça as suas virtudes na potência física, mas na técnica e inteligência com que aborda cada posse. Espero que não abandone o futebol português nos próximos anos, porque seria uma perda.



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