29.12.10

As 2 faces de Jaime Valdés

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Não é muito difícil perceber a sua qualidade técnica. No entanto, apreciar-se a estética do seu futebol é uma coisa, outra, bem mais relevante, é atestar-se da utilidade do mesmo. Nesse particular, confesso, não fui um grande entusiasta de Jaime Valdés. Não só nos primeiros jogos de leão ao peito, mas nos outros, que observei enquanto jogador da Atalanta. O perfume do seu futebol estava lá, mas sempre demasiado isolado do jogo e da própria equipa para que pudesse, realmente, influenciar o destino dos acontecimentos. E assim foi, sempre, até à lesão de Matias Fernandez. O "remendo" Valdés, escolhido para tapar o buraco da posição 10, acabou por se revelar na grande aquisição que o outro Valdés, aquele que jogava amarrado à ala, nunca mostrara ser. É bem possível que a lesão de Matías Fernandez tenha sido a melhor notícia da sua carreira.

Porquê da diferença?Como explicar a diferença de rendimento? Bom, terá a ver com o enquadramento colectivo, mas sobretudo com as características do próprio jogador. Quando chegou, classifiquei Valdés de "driblador nato", pela sua facilidade de sair da marcação em drible curto. O problema de Valdés é que este recurso não é um fim em si mesmo. Ou seja, dá-lhe tempo e espaço para criar uma situação de passe ou de cruzamento, mas essa vantagem de pouco lhe servia na ala. Porquê? Porque, primeiro, Valdés não tem uma grande capacidade de cruzamento ou de remate e, depois, porque a própria equipa cria poucos apoios no corredor para poder retirar proveitos colectivos desta característica individual.

Ao aparecer no meio, Valdés passou a poder aplicar a sua capacidade técnica em zonas muito mais próximas da baliza, tornando cada drible curto num acontecimento muito mais gravoso para a defensiva contrária. Mas não é só. Para se jogar em posições centrais, não basta habilidade: é preciso cultura de movimentos. E é aqui que surge a aptidão escondida de Valdés. O seu critério de movimentação tem sido muito bom, oscilando a sua presença no centro, na ala ou em profundidade. Valdés não é um 10 de construção - como Matías, por exemplo - mas tem-se revelado um jogador muito mais determinante no último terço.

Mais uma solução de qualidade

O rendimento de Valdés nesta posição tem sido de tal forma elevado que é até irrealista esperar a manutenção dos mesmos níveis de desempenho. Ainda assim, diria que dificilmente Valdés deixará de ser - com alguma distância - a melhor solução para o lugar e, igualmente, uma mais valia para a equipa. Valdés aparece nesta fase como mais uma solução individual de elevado rendimento, numa equipa de quem, muito se diz e escreve, não ter qualidade individual para lutar pelo título. Esta é uma ideia que não partilho, em absoluto. Não digo que o Sporting tenha melhores recursos individuais do que Benfica e Porto, mas tem-nos suficientes para exigir bem mais do seu rendimento colectivo. Tem, por exemplo, um plantel muito melhor do que anos anteriores. É só uma opinião...



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28.12.10

Os melhores treinadores da década (Liga Portuguesa)

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A forma de avaliação não é nova e, desta vez, o exercício que proponho é apenas aplica-la à última década da liga portuguesa. Ou seja, a classificação dos treinadores é feita por comparação do seu rendimento pontual com a expectativa pontual inferida dos valores oferecidos pelas casas de apostas. Mesmo dentro desta abordagem, haveria algumas formas diferentes de classificação. Uma delas seria, simplesmente, fazer um somatório bruto dos pontos conquistados e compara-los com o somatório das respectivas expectativas. Aí, o vencedor seria obviamente Jesualdo Ferreira, porque beneficiaria, para além do bom desempenho, de um número muito mais elevado de jogos. Assim, a opção que escolhi passa por considerar apenas os treinadores com mais de 100 jogos e avaliar o seu aproveitamento percentual relativamente às expectativas. O motivo é simples: os 100 jogos evitam o enviesamento de uma boa/má fase e a avaliação percentual "normaliza" a comparação, não permitindo benefícios/prejuízos pelo número de jogos de cada um.

Em relação aos resultados, não há grandes dúvidas quanto ao vencedor. Leiria, Benfica e, sobretudo, Porto, marcaram a rampa de lançamento do mais bem sucedido treinador do futebol mundial e esta classificação não deixa de reconhecer a qualidade que desde cedo indicou. De resto, fora desta lista, estão alguns nomes merecedores de menção pelo desempenho positivo que tiveram, ainda que sem o número suficiente de jogos para uma avaliação mais sólida. São eles: Fernando Santos (99 jogos, +13% de aproveitamento), Camacho (77 jogos, +14%), Manuel José (58 jogos, +20%) ou Marinho Peres (89 jogos, +10%).

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27.12.10

A vida difícil de José L. Fernandez

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Faz as páginas dos jornais e ajuda a alimentar ilusões nos adeptos, mas a verdade é que, observando detalhadamente o jogador, não consigo chegar nem perto de tamanho optimismo sobre o impacto que o jogador possa vir a ter. É verdade que José Luis Fernandez será um negócio bem mais barato do que muitos recentemente realizados, mas, do ponto de vista desportivo, dificilmente será dos melhores que o Benfica fez no passado recente. Falta o grande teste, que só acontecerá quando jogar, mas o futuro parece difícil...

Pontos fortes e fracos
O vídeo não pretende ser uma compilação dos melhores momentos, mas um resumo mais transparente do que foi a exibição do jogador frente ao Independiente. Um exemplo do que podem ser, verdadeiramente, os pontos fortes e fracos do jogador.

Fernandez ganhou a titularidade no flanco esquerdo do Racing ao longo do ‘Torneo Apertura’, recentemente terminado. É um jogador que tem na agressividade, reactividade e capacidade de trabalho, as principais virtudes. Tecnicamente, é um bom executante mas está longe de ser especialmente dotado, sendo que é no plano ofensivo que estará o seu mais do que provável 'handicap' em relação às opções actualmente ao dispor de Jesus. É veloz, mas não é, nem driblador, nem invulgarmente forte no cruzamento, nem, tão pouco, um destaque pela criatividade. É verdade que Fernandez, joga no Racing e não no Benfica, que conhecerá na Luz outro enquadramento táctico e colectivo e que aí outras virtudes poderão emergir. Uma coisa parece-me certa, porém: Fernandez terá de ter, realmente, algum talento escondido para que venha a ser uma primeira solução de Jesus.

Porque não lateral?
Se no que respeita à posição de médio-ala, realmente duvido da capacidade de afirmação de Fernandez, creio que pode haver uma janela de oportunidade para o jogador. Fernandez é um daqueles médios alas que têm as características ideais para uma adaptação a lateral. Um jogador agressivo e disponível defensivamente, mas que precisa de metros para poder ser mais útil ofensivamente. Fernandez não será um Coentrão, porque lhe faltam algumas características, mas pelos mesmos motivos que antecipei o amplo sucesso de Coentrão numa posição mais recuada, considero também possível que Fernandez venha a conhecer outro potencial como lateral. Resta saber, primeiro, se essa hipótese será tentada, e, segundo, se o próprio Fernandez terá a capacidade para compreender e assimilar alguns conceitos posicionais e de gestão do risco com bola em zonas mais recuadas. Veremos...



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23.12.10

Setúbal - Sporting: Análise e números

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O rebentar de uma “bolha”. Ao analisar este jogo não pude deixar de me lembrar da filosofia de Georges Soros sobre a reflexividade nos mercados financeiros. É que se, à partida, o valor das equipas em nada ficaria influenciado pelo resultado do último jogo, a verdade é que o seu desempenho foi claramente condicionado pelo efeito que esse acontecimento teve nos jogadores de ambas as equipas. De um lado, um Vitória iludido e com uma imagem sobrevalorizada de si próprio. Do outro, um Sporting consciente de que só com esforço máximo poderia sair vencedor. Como o valor potencial – e ao contrário do que até chegou a ser sugerido – não é comparável, o resultado foi um desnível acentuado e uma das mais fáceis vitórias do Sporting na temporada.

Notas colectivas
Um dado que mais do que provavelmente terá escapado à maioria é que este foi o jogo da Liga em que o Sporting completou menos passes e aquele em que menor sequência percentual deu às suas posses de bola. Como se explica? Na verdade, parece-me muito simples. Tendo mais capacidade de recuperação (muito por culpa do Vitória) e possibilidade de sair em ataque rápido, o Sporting ganhou verticalidade e objectividade, algo que lhe faltou na maioria dos jogos. A gestão da posse e da bola é um meio e não um fim do jogo. Ou seja, a sua qualidade mede-se não por uma comparação quantitativa mas pela utilidade da sua consequência.

No Sporting, há que falar do regresso a uma estrutura já utilizada numa fase anterior. Como sempre, far-se-á uma ligação umbilical entre a mudança de sistema e o sucesso, mas, como sempre também, sou completamente contrário a essa ideia. Primeiro, porque não é um sistema ou uma estrutura que, por si só, define qualidade. Depois, porque o próprio Sporting não tem especial qualidade colectiva dentro desta versão.

Dito isto, importa também referir que, sem grande qualidade colectiva, talvez seja esta uma das fórmulas que mais ajuda a atenuar as dificuldades colectivas da equipa. Não tanto pelo sistema, mas mais pelas unidades que foram escolhidas. Liedson e João Pereira dão uma capacidade de trabalho incomparavelmente maior à equipa, garantindo muito mais recuperação e intensidade em todos os momentos (ajudando a disfarçar o problema do "pressing"). Valdes tem um nível de rendimento radicalmente díspar jogando a ala ou numa posição mais livre. A qualidade e intensidade dos médios não obriga à utilização de 3 jogadores nessa zona. Seja como for, o ideal seria, e continua a ser, que Paulo Sérgio estabilize numa estrutura e que a tente fazer evoluir, corrigindo defeitos e potenciando virtudes. Enquanto isso não acontecer, não haverá qualquer hipótese de melhorias significativas. Digo eu...

Notas individuais
Abel – É pena não ser um jogador com mais capacidade no plano físico e técnico, porque, de resto, entende muito bem o jogo. Tanto a nível ofensivo como defensivo, interpreta e antecipa muito bem o seu tempo de abordagem nas acções e isso valeu-lhe, por exemplo, um jogo muito interventivo ao longo do corredor.

Evaldo – É um pouco a antítese de Abel. Tem aptidões físicas e técnicas muito mais fortes, mas não consegue ser um jogador dominador na sua zona porque não antecipa devidamente os lances. É uma tendência que se repete há muito: Evaldo é um jogador válido porque é regular e consistente (algo que o Sporting não tinha há muito nesta posição), mas está muito longe de ser uma mais valia.

Carriço – Voltou a fazer um jogo excelente, provando que está numa fase ascendente de forma. Apesar de nunca ter cometido os mesmos erros que os seus companheiros de sector, digo para ele o mesmo que para os outros: numa equipa melhor organizada defensivamente, o seu valor seria muito mais reconhecido.

Maniche – A renovação, o bilhete de identidade e, até, a aparência física, trazem-lhe muitas antipatias. O facto é que Maniche continua a ter um rendimento excepcional no Sporting. Por exemplo, André Santos, que tem merecido muito mais elogios não tem, nem de perto, um rendimento semelhante. E isto não é nenhuma critica a André Santos.

Valdes – Não fez um jogo tão bom como noutras ocasiões em que jogou na mesma posição, mas voltou a estar muito melhor do que quando joga na ala. Isto, ainda que tenha perdido muito fulgor na segunda parte. Neste momento, e a jogar nesta posição, é uma mais valia incontornável para Paulo Sérgio.

Djalo – É um jogador estranho, Yannick. Tantas vezes aparenta fragilidades técnicas e, de repente, consegue golos de notável execução. Foi o caso do primeiro que marcou, e está longe de ser exemplo raro. Não consigo explicar o fenómeno, mas sei que fora os golos o seu rendimento não foi dos melhores.

Liedson – Volto a reforçar a importância que tem no jogo da equipa, sobretudo quando não o prendem à frente. Em Setúbal não fez golos e nem sequer andou lá muito perto, mas foi um elemento altamente relevante pelo trabalho que desempenhou em todas as zonas do campo. Quem joga na sua posição está, normalmente, dependente do jogo que a si chega e pouca produtividade consegue para além do que se passa na sua zona. Liedson não é assim e seria útil para Paulo Sérgio perceber a mais valia que isso representa.

Zeca – Voltei a acompanhá-lo de forma detalhada, tal como na segunda parte no Dragão. Não percebo como não é titular indiscutível desta equipa. São poucos minutos de análise, mas julgo não me vir a enganar se disser que tem qualidade mais do que suficiente para jogar no top 5 do futebol português. Nível de “grande”? Não posso jurar com tão pouco tempo, mas é bem capaz...



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21.12.10

Paços - Porto: Análise e números

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Tinha tudo para ser um teste difícil, e acabou por sê-lo, mesmo se começou por não parecer. A Mata Real é um marco especial do trajecto das equipas, especialmente das “grandes”. Porque na Mata Real há menos espaço e porque, na Mata Real, mora habitualmente uma equipa que sabe transportar o jogo para uma dimensão mais mais física e menos técnica do que habitualmente acontece. A Mata Real é um campo de futebol directo, e esse é um estilo pouco do agrado de quem tem na técnica uma vantagem competitiva. O problema é que, na Mata Real, quem não se adapta ao estilo, normalmente dá-se mal. Foi isso que quase aconteceu ao Porto. Não porque não se tenha tentado adaptar ao estilo, combatendo-o, mas porque, mesmo assim, teve dificuldades. Valeu-lhe, sobretudo, a madrugada do jogo.

Notas colectivas
Começo pela pergunta que provavelmente mais intrigará quem viu o jogo: porquê que as 2 partes foram tão diferentes? Como sempre, entendo que a complexidade do jogo relega a resposta para uma combinação de vários factores e não para o isolamento de alguns. Ou seja, a atitude do Paços foi diferente, com Rondon mais isolado na primeira parte, e a equipa menos bem posicionada para abordar as segundas bolas. Depois, porque a sua própria pressão foi mais baixa e menos agressiva sobre a primeira fase de construção portista. Ou seja, o Porto, com a sua qualidade em posse, fazia o jogo instalar-se no meio campo adversário e, mesmo quando perdia a bola, podia pressionar imediatamente, impedindo o Paços de subir no terreno – destaco aqui a diferença no primeiro passe de transição do Paços, na primeira parte sempre para trás, na segunda, muitas vezes para a frente.

A estes aspectos, mais de ordem táctica, há que juntar outros, de ordem emocional. Ou seja, o Porto abriu o jogo com uma ocasião a partir de uma bola parada. Isso pode ter condicionado a atitude dos pacenses, encolhendo-se mais perante as dificuldades. O mesmo se pode dizer do Porto da segunda parte. Ou seja, perante os primeiros sinais de reacção do Paços, a equipa não terá tido a resposta mais autoritária, encolhendo-se mais para proteger a zona à frente da sua defesa e sendo cada vez menos capaz de fazer subir o epicentro do jogo.

Talvez esse seja o aspecto que mais mereça reflexão por parte dos portistas: porquê tanto encolhimento? Gostaria de falar de 2 pontos a este respeito: o primeiro tem a ver com a entrada de Souza. A estratégia foi proteger a zona à frente dos centrais, particularmente à esquerda. Compreende-se, dados os primeiros sinais do Paços, com o posicionamento de Di Paula mais próximo de Rondon, mas terá também sido um sinal de recuo lançado à própria equipa, a colocação de um jogador com uma missão estritamente posicional, e com tanto tempo por jogar. O Porto tem jogadores cultos tacticamente e poderia ter mantido a estrutura, pedindo apenas um posicionamento mais prudente à sua linha de 3 médios. Por exemplo, fazendo Moutinho – que tem melhor sentido posicional – jogar pela esquerda e mais próximo de Guarin. Isto leva-me ao segundo ponto, que tem a ver com a saída em transição e com a profundidade da mesma. Ou seja, perdendo um extremo – e contando também com algumas más decisões individuais – o Porto esteve demasiado tempo sem capacidade de se fazer sentir junto da baliza contrária. Isto, aparentemente, pouco terá a ver com as dificuldades de controlo continuado, mas a verdade é que, regra geral, quando uma equipa se sente ameaçada também tem menos confiança nas acções ofensivas posteriores. Era importante que o Porto tivesse conseguido de forma mais regular o aproveitamento do espaço em transição, e isso não aconteceu.

Uma nota sobre o Paços que teve, de facto, muito mérito naquilo que aconteceu na segunda parte. Atitude, agressividade e, em alguns momentos, qualidade. Destaco o trabalho de Rondon, que não sendo um jogador alto, conseguiu servir de referência às primeiras bolas, e também Leonel Olímpio, que é um jogador forte, tanto tecnicamente como em agressividade: um jogador, talvez, a merecer uma análise de clubes de outra dimensão, mesmo tendo em conta a idade.

Notas individuais
Sapunaru – Está, de facto, a fazer uma boa época. Surpreendentemente. Não creio que mereça o estatuto de “titular”, como Álvaro Pereira merece à esquerda, por exemplo, já que Fucile, apesar de alguns erros que recorrentemente repete, é muito mais forte em vários aspectos. Ainda assim, num jogo destas características, não havia dúvidas quanto à maior adequação do perfil de Sapunaru.

Otamendi – Não esteve isento de erros, mas estes foram apenas sombras na exibição que conseguiu. Jogos de luta, a pedir intervenções constantes, são o que mais gosta. Ganhou um número imenso de bolas e deu boa sequência a grande parte do jogo que por si passou - muitas vezes, diga-se, em situações nada fáceis. É curioso comparar-se o nível de intervenção dos 2 centrais. Parece que jogaram jogos distintos, mas não, é sobretudo uma questão de perfil. Algo que, de resto, já venho alertando há bastante tempo.

Guarin – Esteve sempre na “luta” do meio campo, com entrega e carácter. Ganhou muitos duelos, mas teve também alguns erros – demasiados – com potencial prejuízo para a equipa. Não aconteceu, mas quem joga na sua posição tem de garantir mais segurança.

Belluschi – Não fez um jogo extraordinário, sobretudo porque não desequilibrou. Mas, no que respeita à capacidade de trabalho e qualidade, foi mais uma prova de que é muito mais do que um simples criativo. Voltou a não ser tão certo no passe como Moutinho, mas voltou também a mostrar a sua maior capacidade interventiva. Algo que já não pode surpreender quem anda minimamente atento...

Hulk – Voltou a ser o elemento mais determinante nos desequilíbrios ofensivos. A sua capacidade individual é enorme, como facilmente se percebe, e tem também uma boa atitude defensiva. O problema dele continua a ser algum deslumbramento em certas fases do jogo. Por vezes pede-se mais lucidez e objectividade na entrega e se Hulk tivesse sido mais capaz nesse aspecto em algumas transições da segunda parte, talvez o jogo não tivesse sido tão difícil.

James Rodriguez – Teve um enorme aproveitamento do jogo que por si passou e até colocou uma bola soberba, que isolou Falcao – mais uma vez, o seu pé esquerdo é a sua arma. Mas passou demasiado tempo longe do jogo, não sendo muito prestável sem bola, nem muito presente com ela. Este era um jogo em que era preciso mais luta e ele até tem essa capacidade de trabalho. Tem tempo, repito...

Walter – Apenas uma nota para referir que me parece totalmente errado fazer uma associação linear entre a sua presença em campo na segunda parte e as maiores dificuldades sentidas pela equipa. Não que tivesse feito um grande jogo, ou que Falcao não pudesse ter dado mais à equipa. Não é isso. Simplesmente, não foi por ele. Marcou, é verdade, mas continuo à espera das suas “bombas”. Parece retraído, demasiado preocupado em ser generoso, mas quando se tem o seu poder de remate, a meu ver, há que incentivar um pouco mais a sua utilização...



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20.12.10

A revolta do Sporting em Setúbal (Breves)

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- Estava tudo tão preparado para um funeral anunciado que até a equipa foi de preto. O resultado, porém, foi uma das mais estáveis e bem conseguidas vitórias do Sporting para o campeonato. Porquê? Bom, haverá uma série de factores que podem ser mencionados. Desde a lunática postura do Vitória, passando pela recuperação da estrutura que mais rendimento havia assegurado, até à importantíssima agressividade dada pela característica dos jogadores escolhidos. No entanto, creio que o elogio deve ser dado também ao treinador. Obviamente que não pelas suas mais do que questionáveis opções tácticas, mas pela determinação que denota, tendo a capacidade de reerguer a equipa numa momento onde baixar os braços seria a opção mais fácil. Afinal, e apesar da vitória, a situação traz tudo menos esperança para o ano que se vai iniciar.

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Benfica - Rio Ave: Análise e números

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“A melhor exibição da época”. Jesus não hesitou, a maioria concordou, e eu partilho em parte da ideia. Em parte, sublinho. Não há dúvidas que o Benfica termina o ano num pico de confiança e que, sendo essa a origem fundamental do problema, também este se evaporou em grande medida com o melhor desempenho individual de cada um dos seus jogadores. Mas, como referi, há um lado avesso na avaliação que tenho a fazer. É que, do outro lado da goleada, está também uma exibição plena de erros perfeitamente evitáveis e que explicam a réplica do Rio Ave, com 2 golos e um número incomum de oportunidades.

Notas colectivas
Comecemos então pelo que há de bom: o crescimento de confiança. Não posso assegurar que não seja um acaso, mas é um facto que o discurso voltado para este factor coincide com uma melhoria global da equipa nesse plano. Ter confiança implica que se decida e execute melhor individualmente e, assim, se projecte também o colectivo para níveis de performance mais elevados. É por isso que a confiança é o bem mais precioso de uma equipa, sendo possível dizer que, no limite, um treinador não é mais do que um gestor dos níveis de confiança da sua equipa. Os seus recursos – táctica, treino e liderança – servem para transmitir confiança à equipa e é quando esta é maximizada que o seu rendimento é óptimo. Isso, e vice versa, claro.

Sendo o modelo táctico bom – como é – e os jogadores capazes – como são – não há porque duvidar das próprias capacidades. É por isso que é importante que se interiorize a mensagem de que o rumo é bom e que se os jogadores confiarem nele encontrarão, de novo, o sucesso. Reforçar a série de vitórias e não a diferença pontual é o único caminho que pode devolver esperança à época encarnada.

Dito isto, convém também dizer que quem lidera o processo deve manter uma atitude permanentemente critica e, nesse sentido, há bastantes coisas a melhorar. Primeiro, o número de erros em fase de construção é – e continua a ser – demasiado elevado. Em particular, Sidnei e Javi Garcia estiveram desastrados neste plano. Outra vez, aliás. Depois, há que saber gerir os ritmos e momentos do jogo. Neste ponto, a critica maior vai para as iniciativas de David Luiz que, podendo ser pontualmente úteis ofensivamente, são, defensivamente, quase sempre um risco. Um risco que, em vantagem e com o jogo controlado, deve ser evitado. Finalmente, o “pressing”. Foi o primeiro pilar do Benfica 09/10, e era aí que começavam as dificuldades tremendas dos adversários. Hoje, a realidade não é a mesma e as equipas dividem muito mais o jogo no campo todo, quer em organização, quer em transição. Responsabilidade colectiva ou individual? Não tenho a certeza, mas convinha rever.

Sobre o Rio Ave, assinalar que também o “agridoce” da sua exibição foi condimento essencial para o tipo de jogo que pudemos ver. Mal, esteve apenas defensivamente e muito em particular na primeira parte. Começou por lidar de forma péssima com as movimentações do ataque posicional encarnado, confundindo-se e perdendo harmonia na ocupação dos espaços defensivos sempre que um movimento inesperado acontecia. Depois, e um pouco à imagem da época que está a fazer, reagiu bem e mostrou-se capaz de discutir o jogo no campo todo, ameaçando sucessivamente em transições muito bem preparadas que tinham no cruzamento, e em João Tomás, o objectivo final. Marcou 2 e não foi surpresa nenhuma.

Notas individuais
Coentrão – A nota estatística penaliza-o pelo penalti e expulsão, mas é bom de assinalar que Coentrão voltou a ser ele próprio. Ou seja, foi um jogador cheio de intensidade, agressividade e qualidade em todos os momentos do jogo. Aliás, a sua capacidade de recuperação foi mesmo determinante na fase mais errática da equipa.

David Luiz – O único reparo que lhe faço está escrito acima e diz respeito à frequência com que tenta sair a jogar. O problema não é a sua posição, porque a equipa protege-a com o recuo de Javi Garcia. O problema é o próprio Javi Garcia, que deixa de estar onde está, tornando a transição muito mais difícil de controlar.

Sidnei – Está desacreditado mas penso que tem mais potencial do que lhe é reconhecido nesta altura. O problema é que Sidnei precisa de jogar. E precisa de o fazer por 2 motivos: o primeiro é porque claramente precisa de ritmo e entrosamento colectivo. O segundo é porque só jogando erra, e só errando – como erra quando joga – pode perceber onde tem de melhorar. Até pode ser que nunca o faça, mas só jogando poderá lá chegar.

Javi Garcia
– Teve um dos jogos mais participativos em termos de posse. Não determinante, mas participativo. Javi Garcia, porém, continua a ser a fonte de demasiadas perdas em construção, e um potencial trunfo para os adversários. Não é o número de passes que falha, é o tipo de passes que falha. E todos os jogos é assim...

Aimar – Num jogo em que a equipa conseguiu um mar de desequilíbrios, Aimar esteve apenas em 1, por sinal, para finalizar. Em termos de “pressing”, algo em que se notabilizava no ano anterior pelo número de recuperações que conseguia no meio campo adversário, também continua inexistente. Aimar é sempre Aimar, e tem sempre qualidade, quer com bola, quer sem ela, mas a camisola que trás e aquilo que ela simboliza para o modelo de jogo requer dele mais influência do que a que tem tido. Perante este rendimento, Carlos Martins vale mais.

Gaitan – Jesus facilita-lhe a vida com a definição de que é ao segundo poste que a bola tem de entrar, mas continuo a chamar a atenção para a sua capacidade de cruzamento – para mim, a melhor do campeonato. O recurso valeu-lhe mais 2 assistências e, tudo somado, é um dos 5 jogadores que mais desequilibra na liga (entre os 3 “grandes”), valendo mais de meio golo por jogo completo, somando golos e assistências. Já muito escrevi sobre ele e provavelmente voltarei a fazê-lo, mas não evito o desabafo: meio ano a vê-lo jogar e ainda se repete que é um jogador de corredor central (vá lá que já ninguém diz que é avançado)?!

Salvio – Provavelmente, e em termos estatísticos, a melhor exibição de um jogador no campeonato, até agora. A qualidade de Salvio nunca esteve em dúvida – pelo menos para mim! – mas o seu perfil continua a não ser o ideal para este modelo. Ou, de outro modo, o modelo não é ideal para o seu perfil. Não tem nada a ver com as aspectos defensivos, como quase sempre se confunde (passa-se o mesmo com Gaitan). Tem, isso sim, a ver com aquilo que acontece com bola. Mas deixo mais detalhes sobre esta opinião para outro dia...

Saviola – Está ali na barra lateral: Saviola é o jogador que participa em mais desequilíbrios na liga. E, outra vez, foi assim: só Salvio esteve em tantos como ele. Porque é que isto acontece? Normalmente lê-se e ouve-se falar da sua qualidade técnica... poesias, digo eu! Saviola é um jogador forte tecnicamente, claro, mas só é excepcional por aquilo que faz sem bola. Dentro e fora da área percebe sempre onde deve estar e isso, com esta qualidade, é tão raro que me atrevo a dizer que será quase impossível o Benfica encontrar – acessível, isto é – uma alternativa fiel àquilo que o “Conejo” representa.

João Tomás – Para separar as águas: uma coisa é a sua sapiência de área, realmente invulgar. Outra, é confundir esse atributo com uma envolvência extraordinária no jogo da equipa. João Tomás marcou 2 golos e teve um aproveitamento fantástico na zona de finalização, mas terá sido provavelmente o jogador menos participativo da sua equipa. E isto não é sequer uma critica.

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Vitórias de Porto e Real (Breves)

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- O futebol, como desporto, distingue-se por vários aspectos, mas nenhum pesa tanto nessa diferenciação como a raridade do golo. Momentos melhores e piores, durante um jogo, todas as equipas têm, a diferença é que, em futebol, torna-se especialmente importante a forma como as equipas capitalizam essas fases. É que, no futebol e ao contrário de outros desportos, uma boa fase pode não ter tradução no marcador. Tudo isto a propósito do último teste portista em 2010. Primeiro, foi o Porto a perdoar o segundo golo. Depois, foi a vez do Paços, que não materializou a sua melhor fase com o empate. Da história não constarão as fases do jogo, mas apenas 3 golos e 3 pontos, todos para o mesmo lado. Um marco importante na caminhada portista, até para, precisamente, não deixar quem vem atrás capitalizar uma fase que parece agora ser melhor.

- Em Espanha, outro exemplo do porquê de algumas equipas, particularmente as de Mourinho, ganharem mais do que as outras. Má exibição, oportunidades perdidas pelo adversário, mas foi no climax da adversidade (expulsão de Carvalho), onde outros colapsam, que emergiu o carácter da equipa. O Real manteve a lucidez emocional e a ambição de vencer, percebeu o que tinha de fazer para se manter na rota do seu objectivo. O Sevilha? Ficou sem saber se devia manter-se fiel à sua missão ou se deveria procurar algo mais, perdeu concentração, qualidade e, finalmente, o jogo. Cortesia de Di Maria, claro.

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