15.12.10

O melhor do mundo, "ceteris paribus"

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- A discussão é subjectiva e as opiniões várias. “Quem é o melhor do mundo?” Se calhar a pergunta é mais fácil de responder se for feita na forma colectiva: “Qual é a melhor equipa do mundo?” Aí o consenso, não digo que seja total, mas será seguramente muito maior. O problema é que não é essa a pergunta inicial, a pergunta inicial é: “Quem é o melhor do mundo?”

- Não fica difícil de perceber em que bases estou a situar a problemática. Separar o efeito colectivo do individual. Será possível fazê-lo? Talvez não em absoluto, mas creio que é isso que está subentendido na pergunta “Quem é o melhor do mundo?”. Um foco individual, distanciado dos efeitos que o colectivo pode trazer. O melhor do mundo, “ceteris paribus”.

- Messi é o jogador mais encantador do planeta e não tenho dúvidas que poucos discordarão desta avaliação. O problema é isolá-lo. Será que isolado da “máquina Barcelona”, Messi é Messi? Não sabemos. Sabemos que Messi não é tão Messi na Argentina, mas não sabemos se Messi seria igualmente Messi no Real Madrid, Inter ou Manchester United. Fica-me tanto a dúvida, como a suspeita.

- Temos Ronaldo. Jogou em Inglaterra e agora em Madrid. Ronaldo não é Messi, com a bola colada ao pé. Mas, é bom que se diga porque também conta, Messi nem sequer rima com Ronaldo quando a bola está parada ou vem pelo ar. A grande vantagem de Ronaldo, porém, é que é mais fácil de isolar. Jogou em Manchester e Madrid e não é por isso que Ronaldo deixou de ser Ronaldo. Pelo contrário, Ronaldo está cada vez mais Ronaldo. Ou seja, Messi do Barcelona parece-me melhor do que Ronaldo do Real Madrid. Mas não aposto as minhas fichas que Messi seja melhor do que Ronaldo. “ceteris paribus”, isto é.

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14.12.10

O meio campo portista (Moutinho, Belluschi e Micael)

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Há algum tempo que me venho referindo às qualidades e especificidades dos médios portistas – sobretudo Moutinho e Belluschi – e creio que, de facto, há lugar para uma análise comparativa mais alargada. Não só ao perfil destes 2, mas também ao do outro concorrente: Ruben Micael. São, antes de mais, 3 opções de qualidade, sendo até de lamentar que só 2 dos 3 possam jogar com mais regularidade. Mais curioso, porém, é verificar que Villas Boas tem, para além de qualidade, alguma diversidade nas soluções que lhe são oferecidas por estes 3 elementos.

Belluschi – Conheço-o desde os tempos do River, mas só há pouco tempo me apercebi de algumas das suas qualidades. Belluschi, está fácil de ver, é um jogador fortíssimo na definição no último terço. Mesmo genial, em vários momentos. O que Belluschi tem escondido é uma capacidade de trabalho fora do vulgar. Agressividade e reactividade fantásticas que fazem dele um elemento valioso no “pressing” e um improvável recuperador de bolas. Aliás, não tendo o mesmo sentido táctico no que respeita aos equilíbrios posicionais, Belluschi é mesmo substancialmente mais eficiente no trabalho sem bola do que o próprio Moutinho. O que não diz mal do português, mas bem do argentino.

O ponto fraco de Belluschi está no critério com bola em zona de construção. Nem sempre revela a concentração devida e muitas vezes força em demasia a jogada vertical, acabando por retirar segurança e continuidade à posse. É um problema que tem sido atenuado pelo trabalho colectivo, mas que emerge sobretudo nos jogos de maior carga emocional, onde a displicência também aumenta.

Moutinho – Já tenho falado muito do que entendo ser o seu perfil e os dados estatísticos ajudam, a meu ver, a explicar essa opinião. Ou seja, Moutinho é um jogador de consistência absoluta, de grande qualidade técnica, com grande atitude e lucidez táctica, mas também sem uma característica que o torne um notável desequilibrador ou um feroz recuperador. A virtude mais excepcional de Moutinho, porém, será mesmo a fiabilidade que oferece à equipa e a quem a comanda. É que quando Moutinho entra em campo, seja com o melhor ou pior dos adversários, o seu rendimento é garantido. Com rendimento elevado e sem oscilações só espantaria se abdicassem dele.

Ruben Micael – Micael será aquele que em condições menos favoráveis parte para esta análise porque, obviamente, o tempo de observação é muito menor. Ainda assim, há dados que não enganam. A virtude de Micael é a visão. Raramente lhe vemos uma opção errada e frequentemente parece antecipar o melhor destino que deve dar à jogada, seja coma bola nos pés ou em movimentos sem bola. Por isso tem uma sequência de posse tão elevada e por isso, creio, seria também um jogador mais desequilibrador caso tivesse jogado mais tempo.

O outro lado de Micael, aquele onde inegavelmente perde para Moutinho e Belluschi, está na capacidade de trabalho. A sua agressividade não é minimamente semelhante à dos seus 2 companheiros e Ruben não consegue, nem de perto, os mesmos níveis de eficiência de Moutinho e Belluschi em termos de trabalho defensivo.



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13.12.10

Sporting: mais 2 maus exemplos defensivos

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Não tenho prevista qualquer análise aprofundada aos jogos da Taça, mas, ainda assim, não posso deixar passar em claro os 2 golos que o Sporting sofreu em Setúbal. O motivo é simples: ambos revelam grande parte das debilidades defensivas do Sporting, não apenas num aspecto, mas em vários. É comum procurar o erro individual, a responsabilização directa mas, se é verdade que se todos os golos têm de surgir de erros, também não o é menos que nenhum jogador, por muito bom que seja, é suficiente para garantir qualidade defensiva. A qualidade colectiva é, sobretudo defensivamente, o factor dominante. O Sporting é apenas mais um exemplo disso mesmo...

Pressing – Referi-o na primeira análise que fiz à equipa, na pré temporada e, se a equipa poderia ter melhorado, a verdade é que não o conseguiu fazer com o tempo. O “pressing” é um aspecto fundamental em qualquer equipa e, muito mais, nas equipas que querem ser dominadoras. No Sporting, o “pressing” é improdutivo e, à parte de alguns feitos individuais (Liedson é um destaque óbvio), pouco se tem visto a este respeito. No primeiro golo, a equipa tem oportunidade de pressionar, mas não o faz correctamente. O resultado? Não só a recuperação de bola não é feita, como o flanco de saída não é condicionado, dificultando a vida a quem está mais atrás.

Agressividade/Organização – Um dado comum nos 2 lances: variação de flanco, com a bola a percorrer, em zona muito baixa, a largura do campo, até encontrar uma situação de cruzamento. Isto é proibitivo para qualquer defesa, e por motivos tão simples como óbvios: primeiro, porque se torna muito difícil evitar o cruzamento, já que a equipa está balanceada para um dos lados do campo e dificilmente terá capacidade para pressionar o jogador que recebe à largura. Segundo, porque quem defende o cruzamento tem de rectificar o posicionamento dentro da área, sendo muito mais provável que se abram espaços entre jogadores ou que se perca total controlo sobre a zona. É por isso que várias equipas têm essa intenção, de mudar o flanco de jogo, e o Setúbal é uma delas: não é por acaso que aconteceu, está previsto e trabalhado por Manuel Fernandes. No caso do Sporting, a equipa não consegue evitar essas 2 variações de flanco por um encadeamento de factores: não consegue evitar a circulação, porque não consegue ser agressiva. Não consegue ser agressiva, porque não está bem posicionada. Não está bem posicionada, porque está a corrigir uma acção mal conseguida na raiz do lance (no 1º caso, o pressing, no 2º o fora de jogo).

Fora de jogo – É outro aspecto que já venho falando desde o inicio de época. Hoje, porém, o Sporting arrisca menos no adiantamento da sua última linha, sendo menos punida por esse aspecto. Pontualmente, porém, continua a ver-se a debilidade da equipa na sintonia entre os seus jogadores. No caso, o primeiro golo – que tem muito mérito no cruzamento de Pitbul – surge com Polga mais baixo do que todos os companheiros e, em última análise, a colocar Jailson em jogo. No segundo golo, a jogada só acontece porque a linha defensiva não é capaz de antecipar um passe altamente previsível na sequência de um lançamento lateral, sendo, depois, obrigada a recuar e a reajustar o posicionamento antes de poder pressionar a zona e o portador da bola.

Centrais – Calculo que uma das opiniões menos populares que tenho diz respeito à qualidade que entendo existir nas soluções para o centro da defesa leonina. E é fácil de perceber porquê quando vemos a equipa a ser batida na sua zona central como nestes 2 lances. O que digo, porém, é que o condicionamento da acção individual é muito grande, quando se verificam tantas debilidades colectivas. Um exemplo são estes lances. Para além de terem de lidar com as tais variações de flanco e ajustar o posicionamento, os 2 centrais são ainda obrigados a sair da sua zona. No caso, Carriço é, em ambos os casos, obrigado a sair e pressionar, acabando por se verificar que ambas as finalizações acontecem precisamente na zona onde Carriço estaria, caso não tivesse sido obrigado às tais saídas...


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12.12.10

Benfica em frente, Domingos e a Argentina (Breves)

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- Ganhou o Benfica, e a surpresa é apenas a facilidade com que o conseguiu. O Braga foi aquilo que não era há muito: vulgar. Não teve qualidade, não teve intensidade, nem confiança. O Benfica, dentro daquilo que chamo "qualidade natural", foi mais do que suficiente e o 2ºgolo apenas tardou tanto porque a equipa, de facto, não vive um bom momento de confiança.

- Sinais distintos, novos e distintos estavam reservados para a conferência de imprensa dos treinadores. No Benfica, e pela primeira vez, Jesus colocou o foco na confiança como problema fundamental da equipa e aspecto condicionante das vertentes técnico-tácticas. Cá estaremos para ver se o diagnóstico terá consequências, mas este não pode deixar de ser um ponto positivo na análise do treinador.

- No Braga, Domingos, tal como Jesus, vem de encontro a uma ideia que venho defendendo desde o inicio de época. O Braga não é, não pode ser e, sobretudo, não se pode assumir como um "grande", como um candidato. O momento é mau. Desportivamente, perderam-se demasiados jogadores e, sobretudo, estes perderam confiança nas suas próprias capacidades e na força da sua proposta. Nenhum jogo terá sido tão claro como este. A outro nível, as posições de treinador e presidente dão sinais de uma divergência preocupante. Será que a candidatura ao título foi uma estratégia da direcção? Será que a não renovação de Domingos, por opção, está a ser equacionada como o melhor caminho? Numa coisa continuo acreditar: Domingos é o melhor e mais valioso activo do Braga, merece um "grande", maior do que o Braga, e duvido que falhe uma vez lhe seja concedida essa oportunidade, seja lá onde for. Veremos...

- Na Argentina: "Estudiantes Campeón!" Sem surpresa, venceu na linha de meta o Velez. Os de La Plata são mais consistentes e isso foi decisivo. Desabato, o comandante. Rojo, a revelação. Braña, o trabalhador. Verón, o carimbo. Gaston Fernandez, o talento. Perez, a ligação. No Velez, porém, mora a melhor linha da frente. "Tanque" Silva (ex-Beira Mar) é um guerreiro e finalizador notável. Cristaldo, um jovem que já destaquei. A revelação, porém, está-me a encantar aos 25 anos (por onde andou?!): Juan Manuel Martinez, um avançado móvel, de estilo pouco apelativo ("burrito") mas que tem uma capacidade técnica rara, pela forma como domina e foge à marcação. Raro, muito raro. É um exagero, obviamente, mas vejam só o golo que marcou esta noite:


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11.12.10

Sporting fora da Taça (Breves)

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- Começando pelo que mais interessa: o efeito da eliminação. Parece-me muito provável que a possibilidade de substituição do treinador nem sequer seja equacionada. Ao contrário do que aconteceu durante anos a fio, é esse o dogma que hoje é respeitado por grande parte dos gestores desportivos. Mas faz mal, o Sporting. A hipótese de substituição do treinador deve ser discutida e contemplada de forma racional. É verdade que só faz sentido avaliar a utilidade dessa hipótese, perante o nome de um eventual substituto - importa melhorar o futuro e não punir o passado - mas no caso do Sporting, este é potencialmente um bom 'timing' para renovar energias e rectificar objectivos. Nesse aspecto, a questão parece-me simples: se Paulo Sérgio não tem condições para continuar em 11/12, então ambas as partes poderiam ficar melhor com o romper de ligação. Isto, claro, encontrando o Sporting um sucessor à altura...

- Sobre o jogo, não há muito a dizer. As dificuldades seriam esperadas para o Sporting, que encontrava uma equipa muito forte em jogos deste tipo. Pela atitude e estratégia que emprega. Para piorar - e, no caso, sentenciar - ainda houve um abrupto desnível de eficácia na primeira parte. O Sporting falhou, e o Vitória não: 2 oportunidades, 2 golos! Mas as lamentações de Paulo Sérgio não podem ir mais além. Para o que criou, o golo de Liedson - uma improvisação individual - foi tudo menos pouco para o que o Sporting efectivamente conseguiu produzir. Para terminar, ficam 2 perguntas: Zeca já havia estado muito bem no Dragão e parece ter clara qualidade para ser titular. Terá sido estratégia deixá-lo para uma fase mais adiantada no jogo, ou mera opção técnica? Será que o Sporting treinou para jogar sem Evaldo, como tentou Paulo Sérgio na 2ªparte?

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9.12.10

5 Sul Americanos ligados ao Benfica

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Não costumo falar muito de reforços potenciais, daqueles que aparecem e desaparecem nas páginas dos jornais, mas vou abrir aqui um parêntesis sobre alguns nomes sul americanos que apareceram ligados ao Benfica. Entendo que a prospecção internacional dos grandes clubes tem dado sinais de maior arrojo nos últimos anos, mas, ainda assim, há coisas que me continuam a fazer alguma confusão. Alguns perfis e muitos "timings". Ainda assim, volto a fazer notar, que a solução de uma ida brusca mercado dificilmente resolverá verdadeiramente o problema do Benfica 10/11.

Elias - Já está garantido para o Atlético de Madrid. Na verdade, não posso dizer que o conhecia quando era um desconhecido, mas há muito que lhe reconheço qualidades técnicas e tácticas muito acima da média e não era preciso ter esperado pela Selecção para que fosse gerado tanto entusiasmo em seu redor. Em Julho de 2009, referi-me às suas qualidades numa análise que fiz à final da Copa do Brasil desse ano. Não seria, na altura, um alvo fácil, mas estaria, seguramente, muito menos inflacionado do que hoje...

Jucilei - Vi-o num jogo pelo J.Malucelli, pelo campeonato paranaense. Fez um jogo tremendo e marcou um grande golo. Estávamos em Março de 2009, tinha 20 anos, e fiz essa referência aqui. Agora, que joga no Corinthians e até já foi à Selecção, é capaz de ser um pouco difícil fazer um bom negócio...

José L. Fernandez - Este ala do Racing é um bom jogador, não me entendam mal, mas parece-me tão questionável que o seu nível chegue para o Benfica, que até nem acredito muito que estivesse mesmo na agenda dos encarnados. Enfim, tudo é possível, porque também já ouvi/li comentários favoráveis à sua contratação. A gente logo vê...

Enzo Perez - À parte dos brasileiros, é o jogador mais interessante. Não deve ser acessível porque é, há muito, um dos destaques da melhor equipa argentina nos últimos anos. É um ala, que pode jogar em zonas interiores ou mais aberto. É forte tecnicamente, criativo e tem também boa capacidade de trabalho. Não é um talento para ser estrela mundial, mas tem o perfil adequado para jogar como ala no modelo de Jesus.

Funes Mori
- Inclui-o na lista de 20 (na verdade foram 30) talentos do campeonato argentino, faz agora 1 ano - 6 deles vieram para Portugal meio ano depois! Na altura não era óbvio, porque tinha apenas alguns minutos na equipa principal do River. Entretanto, começou a jogar regularmente e hoje é, provavelmente, o jovem mais mediatizado do campeonato. Ou seja, não é fácil contrata-lo. É um jogador realmente interessante, um ponta de lança típico, como normalmente se imagina. Alto, boa presença aérea, bom a jogar de costas e forte nos movimentos em zona frontal. Também não admira que Jesus aprecie este jogador, porque é jovem e tem todas as características a que dá primazia para o seu '9'.

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8.12.10

Porto - Setúbal (Análise e números)

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Saber ganhar. Esse é o grande desafio do Porto para a segunda metade da temporada e a importância do desafio foi bem espelhada nesta partida. Obviamente que quando falo em “saber ganhar” não me estou a referir a um qualquer concurso de foliões, mas, antes sim, à importância de manter os níveis de intensidade e concentração em todos os jogos. Porquê que este desafio é especialmente importante? Porque é assim que terminam os ciclos de vitórias. Ou seja, começasse por relaxar, erra-se mais e, de repente, está-se a lidar com a frustração, sendo muito mais difícil voltar a ganhar. Um exemplo? O Benfica, claro.

Notas colectivas
De facto, entendo que o grande problema do rendimento da equipa esteve na atitude dos jogadores. Não que ao falar-se de “atitude” – e isto normalmente confunde-se – se esteja a sugerir uma negligência consciente dos jogadores, não é disso que se trata. Trata-se, isso sim, de uma perda de intensidade normal em competição, mas que deve ser combatida conscientemente por todos, pelo perigo que pode representar.

É verdade que a primeira parte mostrou um Porto muito dominador e que criou, até, boas oportunidades para o golo. Mas nunca mostrou um “bom Porto”, dentro dos parâmetros de outros jogos. Beneficiou de uma postura mais expectante do Vitória para exercer domínio e acabou por, naturalmente, encontrar o caminho do golo, mesmo que as situações não tenham sido muitas. Mas, os erros técnicos foram sempre uma constante e isso acabou por ser determinante na forma como o Vitória cresceu emocionalmente no jogo.

Se a primeira parte não foi boa, a segunda foi mesmo má. O Vitória tentou outra abordagem e aquilo que mais caracteriza a má resposta portista é o facto da equipa não ter conseguido aproveitar o maior espaço que lhe passou a ser concedido para criar 1 ocasião clara de golo que fosse. O Vitória acreditou, cresceu e aproveitou também erros pontuais para se aproximar do golo, chegando bem próximo de o conseguir. Um castigo que, diga-se, o Porto fez por merecer.

A intensidade e desgaste do jogo de Viena serve de atenuante, sim, mas não de desculpa. Ou seja, é normal que a equipa não conseguisse uma exibição extremamente conseguida, mas não é de todo suficiente para justificar a falta de intensidade que a equipa demonstrou.

Notas individuais
Fucile – Esteve geralmente bem, mas pontualmente mal e esse vem sendo um problema constante na sua carreira. Ou seja, Fucile consegue ser um jogador agressivo, intenso e com uma presença muito positiva no jogo, quer em termos ofensivos, quer defensivos. Depois, porém, tem abordagens completamente desajustadas, correndo o risco de comprometer a equipa. Neste caso, arriscou em demasia no lance que deu origem ao penalti e, mais cedo, havia sido displicente numa abertura larga para as suas costas, em tudo idêntica ao golo que a equipa sofreu em Guimarães, também com responsabilidade sua. E, não fosse isso, teria sido talvez o melhor em campo...

E.Rafael – Não se pode queixar da sorte. O Vitória forçou o jogo pelo seu flanco e permitiu-lhe sempre que tivesse uma presença constante no jogo, e em boas condições para ser bem sucedido. E Rafa foi-o em termos defensivos. Depois, nenhum jogador teve tantas vezes a bola como ele enquanto esteve em campo, e quase sempre com boas condições para decidir bem. Rafa não o fez. Errou demasiados passes e não aproveitou nenhuma das várias situações de cruzamento que lhe foram proporcionadas. Na segunda parte a coisa piorou. Acumulou 2 perdas perfeitamente evitáveis e a segunda acabou com Zeca na frente Hélton. Foi a gota de água para Villas Boas que o retirou do campo e, provavelmente, terá sido também um sério passo atrás nas suas possibilidades de afirmação a curto prazo.

Rolando – A equipa sofreu, mas não foi por ele (nem por Otamendi). O lance em que recupera perante Zeca mostra bem o potencial que tem em todos os aspectos. Pena não ser mais arrojado em termos de antecipação.

Guarin – Foi outro dos jogadores que menos bem esteve e que melhor podia ter estado.
Moutinho – Aqui está um exemplo do que é a grande mais valia de Moutinho, a regularidade. Ao contrário da generalidade, manteve a intensidade e fez até uma das suas melhores exibições em termos estatísticos. Com ele todos os jogos são iguais, sempre numa intensidade elevada, e sempre dando garantias totais à equipa, e em todos os momentos do jogo.

Belluschi – Ao contrário de Moutinho, Belluschi mostrou a sua outra face. Foi dos jogadores que mais abaixo esteve das suas potencialidades. Decidiu muitas vezes mal e não foi, sequer, eficiente ao nível do trabalho sem bola, como costuma ser. Melhorou na segunda parte e mandou uma bola ao ferro, mas, para o que pode fazer, foi pouco...

Rodriguez – Foi o único que se pode queixar da sorte. Teve uma atitude boa no jogo, ainda que nem sempre bem sucedido e tinha, até, tudo para ter marcado, não fosse a inspiração de Diego. Manteve-se sempre num nível de intensidade acima da média, mas... saiu lesionado.

Hulk – Talvez seja o melhor espelho da exibição colectiva. A nota sobre Hulk vai para o penalti. No seguimento de algo que escrevi depois do jogo da Académica, parece-me importante que, mesmo jogando mal, seja Hulk a marcar. Se há jogador em que é importante manter os níveis de confiança, é ele.



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7.12.10

Benfica a roçar o escândalo (Breves)

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- Não custou a eliminação, mas foi mais um sinal de fraqueza do Benfica, versão 10/11. Continua o mistério em torno do porquê de tanta diferença entre o rendimento da equipa de uma época para a outra. O que eu desconfio é que a época vai terminar sem ninguém conseguir encontrar a resposta. Da minha perspectiva, continua-se a procurar pela agulha, mas no palheiro errado. Isto é, continua-se à procura da resposta nos aspectos técnicos e tácticos, quando não é aí que está a fonte do problema. O exemplo disto é a inclusão de César Peixoto. É que para além de não garantir nada em relação a Gaitan (aqui a discordância é apenas técnico táctica), seria o jogador com menos condições psicológicas para encarar um jogo com estas características. Ao Benfica vale de muito a baixa qualidade da generalidade das equipas da liga. O que eu pergunto é em que posição poderia estar esta equipa, neste mesmo momento psicológico, se estivesse numa liga alemã ou francesa?

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