5.12.10

Vitória do Sporting e Fluminense campeão (breves)

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- Parece-me interessante ver este jogo tendo como foco a situação de ambos os treinadores. Paulo Sérgio, ganhando, ficou com um pouco mais de folga. A expectativa real, parece-me, exige-lhe apenas a posição que atingiu com a obtenção dos 3 pontos. Enquanto mantiver o Sporting na "pole position" para o 3ºlugar e dentro das outras competições, o treinador não deverá ver o seu posto ser muito contestado. Isto até final da época, porque 11/12 será outra história. As coisas, a este respeito, estão mais aliviadas, mas a dupla deslocação a Setúbal terá igualmente um peso importante. Especialmente a primeira, que é a eliminar.

- Litos, que começou a perder este jogo na segunda parte do jogo de 2 dias que teve com o Leiria, pode ter ficado em piores lençóis. O Portimonense precisa de algo que produza um efeito psicologicamente positivo para poder, sequer, sonhar com a manutenção. Aliás, a vulnerabilidade desta equipa explica boa parte da facilidade que o Sporting teve para resolver, de repente, um jogo que acabara de se complicar. Litos agarra-se ao "Pai Natal", que é como quem diz a um regresso a Portimão e a 1 ou 2 reforços que possam dar nova energia à equipa. Para mim, a única via passa por interromper imediatamente o momento actual, e depositar esperanças nessa renovação emocional. Isto é, trocar de treinador. É um tema que conto abordar num futuro próximo: não tem a ver com competências técnicas ou tácticas, mas com a complexidade do futebol.

- Entretanto, no Brasil, terminou aquele que já apelidei de "melhor campeonato do Mundo". Uma ideia que mantenho. Há um ano o "time de guerreiros" do Fluminense, comandado por Cuca sobrevivia à despromoção na última jornada. Hoje, muitos desses jogadores festejaram o título, batendo Cuca, que terminou a época levando o Cruzeiro ao segundo lugar. É apenas uma das ironias do passado recente de um competição marcada pela supremacia da emoção sobre a razão. Ainda no âmbito dos cânticos mais popularizados no Brasil, "O campeão voltou!" é uma moda recente. Pena que Muricy Ramalho não tenha a sua própria torcida, porque ele é, nos tempos que correm, o maior "campeão" do futebol brasileiro...

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4.12.10

Benfica vence Olhanense (Breves)

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- É tão fácil reconhecer a justiça do resultado, como a importância do erro de Moretto na definição do mesmo. Isto porque, por um lado, o Olhanense nunca deu sinais de poder recuperar o empate e, por outro, o Benfica também não havia feito muito pela vantagem que lhe foi "oferecida", pouco antes do intervalo. Mas esse é, também, o primeiro requisito de quem quer sobreviver a este tipo de jogos. A eficácia. O Olhanense não a teve e, sendo assim, poucas esperanças lhe restavam. Para o Benfica, e tal como fez ver Jesus, esta poderia ser uma vitória importante. Por ser mais uma na liga, e por não ter golos sofridos. O problema é que há feridas demasiado profundas para que este tipo de vitórias representem muito em termos de confiança. Sem ter ainda analisado o jogo com detalhe, referencio a importância que as bolas paradas continuam a ter para o Benfica. São a equipa mais forte nesse plano no futebol português e esse é, hoje em dia, o seu principal "abre latas". Mérito de quem trabalha.

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2.12.10

Vitória portista na neve (Breves)

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- O Porto aproveitou o regresso a Viena (onde também esteve na caminhada para a conquista da Taça Uefa em 2003) para relembrar a conquista de 87. O cenário, porém, terá dado a todos uma recordação diferente, bem mais ligada à vitória em Tóquio, na intercontinental. Do ponto de vista da presente caminhada, sem dúvida, o jogo que mais se poderia aproximar a este era o de Coimbra. Seja como for, foi mais uma resposta tremenda em termos mentais. Primeiro, voltar a referir que a equipa mantém o núcleo duro, num jogo de pesos distintos: desportivamente, pouco. Fisicamente, muito. Vejo pouca gente a fazer este tipo de gestão, como também já abordei. A resposta foi óptima do ponto de vista mental e daí sobrou mais uma vitória que traz energias do ponto de vista mental. A adversidade era evidente e estar a perder, naquele ambiente, e num jogo que contava pouco, poderia precipitar uma reacção menos positiva. Não foi assim, e isso diz muito sobre o carácter que a equipa ganhou nestes meses...

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Entrevista...

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O Pedro Telles, do portal.Zwame.pt, teve a simpatia de me convidar recentemente para participar no seu programa de Podcasts. Ao Pedro, agradeço o interesse e destaque dado ao trabalho que venho fazendo. A quem esteja interessado em ouvir, deixo o link:

http://podcast.zwame.pt/967/podcast/showcasept/showcase_pt-10-filipe-vieira-de-sa/

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1.12.10

Vitória do Sporting frente ao Lille (Breves)

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- A "era Paulo Sérgio" tem a vantagem de ser tudo menos monótona, em termos de estrutura. Agora, temos a fase do 4-3-3, com um "triângulo de ferro" no meio campo. Sou, confesso, um apreciador destes 3 médios, cada um à sua escala, e parece-me claro que com os 3 dispostos desta forma, a capacidade de recuperação da linha média fica muito reforçada. Aliás, na minha opinião, o Sporting não fica a perder com Pedro Mendes e Maniche em relação ao que ofereciam Veloso e Moutinho, por exemplo. Enfim, a capacidade individual e a estrutura, já se sabe, não chegam, e ao Sporting faltará ligar melhor o seu jogo e trabalhar melhor os seus momentos tácticos em termos colectivos. A nota - outra vez - vai para a transição ofensiva, nomeadamente na segunda parte, quando o Lille se dispôs mais à exposição territorial. De resto, foi bom ganhar, foi bom garantir o apuramento e foi bom não sofrer golos. Missão plenamente cumprida, e, se há alguma coisa a rever, o foco deverá de ser sempre na qualidade do jogo e nunca na sua estética.

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30.11.10

A qualidade táctica em transição (Sporting vs Porto)

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Na análise ao jogo contestei a "perfeição táctica" reclamada por Paulo Sérgio no final do jogo. De facto, a minha leitura do jogo leva-me a concluir que a estratégia escolhida pelo treinador foi inteligente, sim, causou alguma surpresa no adversário, também, mas esteve muito longe de ser "perfeita".

Uma estratégia de jogo tem de ser um plano de vitória, e pressupõe uma amplitude total, em termos de momentos de jogo. Aquilo que o Sporting conseguiu com algum sucesso foi defender. Provocou o erro do adversário e recuperou várias bolas com possibilidade de transição, mas... não mais do que isso. Ou seja, não conseguiu dar sequência à transição partindo para ataques rápidos que aproveitassem um momento de desorganização do adversário. Ou a bola era imediatamente perdida, ou a transição passava para ataque organizado, ou acontecia o isolamento de um jogador perante a defensiva portista. Qualquer destas situações tem em comum o facto de dar a vantagem a quem defende e nunca o contrário.

Aqui, há que dividir responsabilidades, sendo que nesta divisão está, também, boa parte da explicação da diferença de qualidade entre uma e outra equipa, em termos tácticos. O Porto esteve sempre muito forte em termos de reacção à perda da bola, quer na pressão imediata, quer no restabelecimento dos equilíbrios posicionais. O Sporting nunca teve uma saída bem preparada e foi, invariavelmente, neutralizado pelo adversário.

Talvez o lance mais sintomático desta diferença de qualidade esteja no lance que deu origem ao golo do empate. Por 2 vezes o Sporting recuperou a bola. Na primeira, Valdés não tinha linha de passe e tentou a iniciativa individual. Na segunda, Maniche ganhou o ressalto, mas não tinha nenhum jogador na zona livre que se abriu do lado direito, acabando por dominar mal e ser pressionado.

Para quem queira realmente perceber o porquê da diferença entre o rendimento das 2 equipas na temporada, talvez seja uma boa ideia começar pelo que cada uma faz nos momentos de transição. É que nada disto é circunstancial e, antes sim, o produto do trabalho que vem sendo feito ao longo da época...

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29.11.10

"manita" em Camp Nou (Breves)

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- Nos primeiros - primeirissimos! - minutos até chegou a dar a ideia de que este podia ser um dia bom para o Real. A equipa definiu bem as zonas de pressão, com a importância do posicionamento de Ozil na zona de Xavi, e conseguiu sair da transição, ainda que sem perigo, 2 vezes consecutivas. Ilusão! Depressa o jogo se começou a definir numa trajectória perfeitamente oposta. Primeiro, porque houve um diferencial de intensidade entre a abordagem dos jogadores de ambos os lados. Depois, porque o Barça não facilitou e capitalizou 2 das 3 chegadas ofensivas perigosas nos primeiros 20 minutos. Logo aí, tudo se desnivelou, tanto o resultado, como o estado emocional.

- A ressaca desses 20 minutos fez prever a goleada, mas o Barça, depois, teve um comportamento difícil de entender e que abriu uma derradeira janela de oportunidade ao Real. A sensibilidade dos catalães para com Ronaldo - que se nota a cada vez que o defrontam - provocou uma paragem no jogo desnecessária e que cortou o momento do Barça. O Real teve, logo a seguir, um breve período em que poderia ter reentrado no jogo. Não o conseguiu e o intervalo terminou com qualquer dúvida que o jogo poderia ter.

- Na segunda parte, sim, o Barça materializou o ascendente emocional que conseguira com os 2 golos inaugurais, e o que se viu foi um contraste enorme, e a todos os níveis, entre as 2 equipas. Mourinho ajudou tudo a piorar ao introduzir Lass por Ozil, a equipa perdeu organização, lucidez e confiança. O Barcelona... voou! Com a soberba qualidade que se lhe conhece, com a ajuda da confiança e com um adversário desvairado, foram 5, mas podiam ter sido bem mais.

- Há uma coisa que ressalta de forma muito clara deste clássico. Jogadores como Khedira, Ozil, Di Maria ou Benzema não perceberam a intensidade que tinham de ter num jogo destes. Concentração permanente e agressividade no limite era a única via. O Barcelona não foi só melhor com bola - como invariavelmente é - foi muito melhor também quando não a teve e por isso passou a ferro aquele que era, supostamente, o mais difícil dos adversários.

- Foi como que uma prova de força do campeão e uma lição de humildade para uma equipa que, já sendo boa, tem de perceber que é preciso mais do que isto para atingir outro patamar. Será, já agora, também uma lição para quem acha que os melhores não podem também sair goleados ou que um jogo entre valores idênticos não pode acabar em goleada sem que isso tenha de representar uma negligência profissional dos perdedores. O futebol é um jogo de homens, não de deuses ou super heróis...

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Porto - Sporting (Análise e números)

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Como balanço, dá para dizer que foi um jogo deveras interessante. Teve uma envolvente própria destes jogos, teve fases distintas que pareceram fazer o jogo pender para ambos os lados, e teve, também, variantes que obrigaram os dois treinadores a reagir. Não teve espectacularidade, muitas ocasiões de golo, nem, tão pouco, a carga de um jogo decisivo em termos pontuais. Mas teve, parece-me, o bastante para estar à altura de um jogo com estatuto de “clássico”. No final, quer Sporting, quer Porto, ficarão a pensar que poderiam ter ganho o jogo, mas também não vejo que algum dos lados guarde a sensação de que o empate foi curto ou imerecido para o balanceamento do jogo. E não foi, foi justo.

Notas colectivas: Sporting
Grande parte do interesse do jogo foi despoletado pela abordagem estratégica escolhida por Paulo Sérgio. O treinador conseguiu provocar um efeito surpresa e, na primeira parte, obrigar o Porto a jogar num cenário diferente daquele que provavelmente teria previsto. Foi eficaz e feliz o suficiente para retirar partido disso, também é verdade, mas não desmereceu a vantagem que levou para o intervalo. Com o que não posso concordar, porém, é com a exibição “tacticamente perfeita” reclamada pelo treinador leonino.

Em termos estratégicos, parece-me, a única parte que o Sporting alterou significativamente foi na forma como se posicionou sem bola, perante a organização do adversário. A estratégia passou por pressionar numa primeira fase, mas apenas com o tridente da frente. Depois, mal o Porto passasse essa barreira, o Sporting recorria a um pressing mais baixo, que esquecia a construção e se concentrava em absoluto na limitação da fase criativa portista. Com isto, Belluschi e Moutinho tiveram muito menos bola do que é costume e, tanto Varela como Hulk, nunca tiveram espaço para explodir individualmente.

Esta foi a parte que resultou, mesmo se a pressão não foi feita com especial mérito ou qualidade – Portugal, com muito menos tempo de treino, por exemplo, conseguiu um pressing muito mais bem feito frente aos espanhóis. O grande problema do Sporting esteve no momento seguinte, no desenvolvimento após ganhar a bola. O Porto errou e não poucas vezes, mas raras foram aquelas em que o Sporting conseguiu desdobrar os momentos de transição para ataques rápidos e apoiados. É certo que o Porto tem mérito pela forma como prepara e reage à perda, mas não hesito em atribuir muito mais demérito à transição do Sporting neste desaproveitamento ofensivo. Afinal, a falta de qualidade em transição é algo que é visível desde o inicio de época e isso penaliza imenso a equipa em termos ofensivos, como tantas vezes já referi. Muito mais do que o fado bolas ao poste, por exemplo.

Este problema – o da transição defesa-ataque – foi ganhando importância com o tempo. O Porto reagiu, passou a errar menos e a tornar-se mais agressivo na recuperação. O Sporting ganhava a bola no seu bloco baixo, mas não saía do aprisionamento territorial. Foi assim – em múltiplas insistências – que o Porto desenhou a jogada do empate, e seria assim, igualmente, que o Sporting se preparava para abordar os últimos 20 minutos de jogo. Valeu-lhe o pequeno “milagre” de Liedson.

Falar, por fim, de 2 aspectos. (1) O sistema, para dizer que o Sporting parece capaz de jogar em qualquer sistema, não porque seja bom em todos, mas porque não é especialista em nenhum. (2) Os minutos finais, para dizer que não dá para retirar Maniche e Pedro Mendes, colocar Vukcevic e Djalo e depois queixar-se da falta de qualidade de circulação da equipa.

Notas colectivas: Porto
Não creio, de facto, que a postura do Sporting estivesse nas primeiras previsões de Villas Boas. Talvez seja isso que justifique a dificuldade que a equipa teve para reagir às características do jogo, na primeira parte. Falou-se muito dos extremos, com Hulk à cabeça, mas mais importante parece-me ter sido a incapacidade da equipa para encontrar os seus médios no processo construtivo. Belluschi, por exemplo, tocou pela primeira vez na bola aos 9 minutos, quando isolou Falcao.

Ainda assim, a equipa voltou a mostrar, tanto a sua qualidade como a sua confiança, fruto de um trabalho continuado e consistente que vem desde o inicio de época. Viu-se isso na forma como procurou sempre jogar em apoio e como foi capaz de reagir sempre bem nos momentos sem bola. Quer imediatamente após a perda, quer no seu pressing em organização, que quase sempre obrigou o Sporting a jogar mal.

Há um aspecto que gostaria de realçar nesta equipa, que é a concentração com que está em campo. Isto vê-se, e sugiro que reparem, na velocidade com que a equipa reage, colectivamente, a todas as incidências do jogo. Por exemplo, sempre que há a posse de um guarda redes, quer de um lado quer do outro, a equipa é rapidíssima a reagir.

O Porto, e mesmo perante a surpresa que lhe foi preparada, só não terá ganho o jogo por 2 motivos. O primeiro tem a ver com alguns erros individuais em posse (provocados, diga-se). Aqui, Fernando e Maicon serão os principais réus, mas não os únicos. Depois, na resposta da dupla de centrais. A força do colectivo tem poupado grandes sobressaltos a Rolando e Maicon, mas, se esta era uma debilidade identificada na pré época, não é o bom percurso da equipa que a desfaz. Neste particular, a meu ver, o Porto está menos bem servido do que os rivais. Claramente.

Notas individuais: Sporting
João Pereira – Fez um jogo semelhante ao que conseguiu na Selecção. Excelente em termos defensivos, faltando-lhe apenas a parte ofensiva. É um grande lateral e não apenas para o futebol português. Uma ideia que defendi aquando da sua chegada ao clube, e que agora reforço.

Polga – É um jogador fortíssimo na leitura do jogo – repito-o – e Falcao sentiu-o sempre que apareceu na sua zona e tentou servir de apoio frontal. O jogo de Polga fica marcado pelo erro do golo. Já o escrevi, é inexplicável o que fez naquela situação. Um erro pouco notado mas que me parece o mais grave cometido por um central do Sporting nesta temporada. Para além disso, teve um jogo difícil em construção, muito por mérito do adversário.

Pedro Mendes – Ainda o vamos ver, assim a condição física o permita, a fazer jogos mais exuberantes. É um jogador com uma cultura posicional fantástica e uma segurança em posse igualmente rara. Já sem Maniche em campo, seria importante tê-lo nos últimos minutos para tentar um domínio mais sustentado.

André Santos – Foi muito destacado porque foi dos que mais apareceu ofensivamente, mas não foi dos que mais produziu em termos de trabalho colectivo, quer com bola, quer sem ela. Não serve isto para lhe fazer uma critica, antes para alertar para a forma como somos iludidos pelas percepções que o jogo oferece. O próprio Paulo Sérgio o pareceu não perceber ao mantê-lo em campo em vez dos outros 2 médios.

Maniche – Não fez o jogo que projectei, e terá sido mesmo um dos seus piores jogos na liga. Ainda assim, e enquanto esteve em campo, nenhum médio foi mais influente do que ele no jogo da equipa. Nunca o retiraria na fase terminal do encontro e esse parece-me ter sido o primeiro erro que impediu o Sporting de exercer maior domínio na fase terminal.

Valdés – Fantástica primeira parte! Não só pelo golo que marcou, mas por tudo aquilo que fez. Jogou quase menos meia hora do que Postiga, mas conseguiu produzir o mesmo em termos de intercepções e passes, do que o jogador que actuou numa posição simétrica. Voltou a jogar na ala, mas reforço que é um erro. Valdés deve jogar no meio e de preferência com liberdade de movimentos. Caso contrário, sou capaz de arriscar, a boa fase vai terminar.

Postiga – Fez um bom jogo, numa posição que não lhe é habitual. Lutou muito e foi útil, mesmo se essa não é de todo a sua especialidade. Deu boa sequência à maioria das jogadas, mas faltou-lhe capacidade desequilíbrio. Algo que os seus agora recorrentes remates de 30 metros raramente poderão dar.

Liedson – Incrível a sua capacidade de trabalho! Jogar isolado, numa equipa que não pressiona particularmente bem e que não solta muitos apoios em transição... a maioria dos jogadores teria feito um jogo nulo. Basta ver, por exemplo, como, jogando num sistema idêntico e com a equipa muito mais distante, foi muito mais influente do que Falcao. Liedson conseguiu uma quantidade enorme de intercepções, iniciou transições e provocou, até, uma expulsão vinda do nada. Para mais, deu quase sempre sequência às jogadas que passaram por si. À parte de uma má decisão na área, não é exagero dizer-se que valeu por 2 neste jogo.

Notas individuais: Porto
Emídio Rafael – é uma boa solução, mas, tal como defendi numa caixa de comentários recente, está longe de garantir, quer a intensidade, quer a profundidade de Álvaro Pereira. Por exemplo, o mínimo de intercepções que o uruguaio conseguiu num jogo da liga foram 12, precisamente o mesmo que Rafael na sua estreia na competição. Ainda assim, reforço, é um problema relativo – de comparação – e não absoluto.

Rolando – A sair a jogar garante uma qualidade muito elevada e dificilmente cometeria o erro de Maicon, mas Rolando tem de render mais para justificar o estatuto que lhe é atribuído. Apenas é dominador nas situações de bola parada, de resto, nem é forte em antecipação, nem agressivo nas primeiras bolas aéreas (como se viu no golo), nem sequer fica ausente de erros pontuais em situações posicionais. Na minha opinião, tem de produzir mais, até porque tem aptidões para isso.

Maicon – É muito mais agressivo e dominador do que Rolando, mas é também tecnicamente mais débil e isso custou-lhe a expulsão. No golo, como já disse, leu mal a jogada, mas divide responsabilidades com Rolando. Adivinha-se a perda da titularidade...

Fernando – Os seus erros toda a gente viu, mas há também que ver a coisa de uma perspectiva relativa. Fernando errou mais do que os outros, mas foi também aquele que, de longe, mais passes certos fez. Na segunda parte corrigiu a sua saída em posse e acabou por ser também muito influente na recuperação.

Moutinho – Terá sido um dos vencedores relativos do jogo, mas não fez uma grande exibição. Foi condicionado pelo jogo do Sporting, na primeira parte, mas acabou por estar envolvido na jogada do golo. Foi, enfim, mais uma exibição "à Moutinho". É um grande jogador, que é excepcionalmente regular, mas não regularmente excepcional. Desde que não se confunda isto, estou de acordo...

Falcao – Não se pode dizer que tenha sido muito influente ou que tenha ganho algum duelo em particular. Mas, a verdade é que as 3 grandes oportunidades do Porto são dele e é isso o que mais se pede a um jogador da sua posição. Primeiro, que “chame” o golo e depois que o marque. Foi isso o que fez Falcao.



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