30.11.10

A qualidade táctica em transição (Sporting vs Porto)

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Na análise ao jogo contestei a "perfeição táctica" reclamada por Paulo Sérgio no final do jogo. De facto, a minha leitura do jogo leva-me a concluir que a estratégia escolhida pelo treinador foi inteligente, sim, causou alguma surpresa no adversário, também, mas esteve muito longe de ser "perfeita".

Uma estratégia de jogo tem de ser um plano de vitória, e pressupõe uma amplitude total, em termos de momentos de jogo. Aquilo que o Sporting conseguiu com algum sucesso foi defender. Provocou o erro do adversário e recuperou várias bolas com possibilidade de transição, mas... não mais do que isso. Ou seja, não conseguiu dar sequência à transição partindo para ataques rápidos que aproveitassem um momento de desorganização do adversário. Ou a bola era imediatamente perdida, ou a transição passava para ataque organizado, ou acontecia o isolamento de um jogador perante a defensiva portista. Qualquer destas situações tem em comum o facto de dar a vantagem a quem defende e nunca o contrário.

Aqui, há que dividir responsabilidades, sendo que nesta divisão está, também, boa parte da explicação da diferença de qualidade entre uma e outra equipa, em termos tácticos. O Porto esteve sempre muito forte em termos de reacção à perda da bola, quer na pressão imediata, quer no restabelecimento dos equilíbrios posicionais. O Sporting nunca teve uma saída bem preparada e foi, invariavelmente, neutralizado pelo adversário.

Talvez o lance mais sintomático desta diferença de qualidade esteja no lance que deu origem ao golo do empate. Por 2 vezes o Sporting recuperou a bola. Na primeira, Valdés não tinha linha de passe e tentou a iniciativa individual. Na segunda, Maniche ganhou o ressalto, mas não tinha nenhum jogador na zona livre que se abriu do lado direito, acabando por dominar mal e ser pressionado.

Para quem queira realmente perceber o porquê da diferença entre o rendimento das 2 equipas na temporada, talvez seja uma boa ideia começar pelo que cada uma faz nos momentos de transição. É que nada disto é circunstancial e, antes sim, o produto do trabalho que vem sendo feito ao longo da época...

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29.11.10

"manita" em Camp Nou (Breves)

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- Nos primeiros - primeirissimos! - minutos até chegou a dar a ideia de que este podia ser um dia bom para o Real. A equipa definiu bem as zonas de pressão, com a importância do posicionamento de Ozil na zona de Xavi, e conseguiu sair da transição, ainda que sem perigo, 2 vezes consecutivas. Ilusão! Depressa o jogo se começou a definir numa trajectória perfeitamente oposta. Primeiro, porque houve um diferencial de intensidade entre a abordagem dos jogadores de ambos os lados. Depois, porque o Barça não facilitou e capitalizou 2 das 3 chegadas ofensivas perigosas nos primeiros 20 minutos. Logo aí, tudo se desnivelou, tanto o resultado, como o estado emocional.

- A ressaca desses 20 minutos fez prever a goleada, mas o Barça, depois, teve um comportamento difícil de entender e que abriu uma derradeira janela de oportunidade ao Real. A sensibilidade dos catalães para com Ronaldo - que se nota a cada vez que o defrontam - provocou uma paragem no jogo desnecessária e que cortou o momento do Barça. O Real teve, logo a seguir, um breve período em que poderia ter reentrado no jogo. Não o conseguiu e o intervalo terminou com qualquer dúvida que o jogo poderia ter.

- Na segunda parte, sim, o Barça materializou o ascendente emocional que conseguira com os 2 golos inaugurais, e o que se viu foi um contraste enorme, e a todos os níveis, entre as 2 equipas. Mourinho ajudou tudo a piorar ao introduzir Lass por Ozil, a equipa perdeu organização, lucidez e confiança. O Barcelona... voou! Com a soberba qualidade que se lhe conhece, com a ajuda da confiança e com um adversário desvairado, foram 5, mas podiam ter sido bem mais.

- Há uma coisa que ressalta de forma muito clara deste clássico. Jogadores como Khedira, Ozil, Di Maria ou Benzema não perceberam a intensidade que tinham de ter num jogo destes. Concentração permanente e agressividade no limite era a única via. O Barcelona não foi só melhor com bola - como invariavelmente é - foi muito melhor também quando não a teve e por isso passou a ferro aquele que era, supostamente, o mais difícil dos adversários.

- Foi como que uma prova de força do campeão e uma lição de humildade para uma equipa que, já sendo boa, tem de perceber que é preciso mais do que isto para atingir outro patamar. Será, já agora, também uma lição para quem acha que os melhores não podem também sair goleados ou que um jogo entre valores idênticos não pode acabar em goleada sem que isso tenha de representar uma negligência profissional dos perdedores. O futebol é um jogo de homens, não de deuses ou super heróis...

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Porto - Sporting (Análise e números)

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Como balanço, dá para dizer que foi um jogo deveras interessante. Teve uma envolvente própria destes jogos, teve fases distintas que pareceram fazer o jogo pender para ambos os lados, e teve, também, variantes que obrigaram os dois treinadores a reagir. Não teve espectacularidade, muitas ocasiões de golo, nem, tão pouco, a carga de um jogo decisivo em termos pontuais. Mas teve, parece-me, o bastante para estar à altura de um jogo com estatuto de “clássico”. No final, quer Sporting, quer Porto, ficarão a pensar que poderiam ter ganho o jogo, mas também não vejo que algum dos lados guarde a sensação de que o empate foi curto ou imerecido para o balanceamento do jogo. E não foi, foi justo.

Notas colectivas: Sporting
Grande parte do interesse do jogo foi despoletado pela abordagem estratégica escolhida por Paulo Sérgio. O treinador conseguiu provocar um efeito surpresa e, na primeira parte, obrigar o Porto a jogar num cenário diferente daquele que provavelmente teria previsto. Foi eficaz e feliz o suficiente para retirar partido disso, também é verdade, mas não desmereceu a vantagem que levou para o intervalo. Com o que não posso concordar, porém, é com a exibição “tacticamente perfeita” reclamada pelo treinador leonino.

Em termos estratégicos, parece-me, a única parte que o Sporting alterou significativamente foi na forma como se posicionou sem bola, perante a organização do adversário. A estratégia passou por pressionar numa primeira fase, mas apenas com o tridente da frente. Depois, mal o Porto passasse essa barreira, o Sporting recorria a um pressing mais baixo, que esquecia a construção e se concentrava em absoluto na limitação da fase criativa portista. Com isto, Belluschi e Moutinho tiveram muito menos bola do que é costume e, tanto Varela como Hulk, nunca tiveram espaço para explodir individualmente.

Esta foi a parte que resultou, mesmo se a pressão não foi feita com especial mérito ou qualidade – Portugal, com muito menos tempo de treino, por exemplo, conseguiu um pressing muito mais bem feito frente aos espanhóis. O grande problema do Sporting esteve no momento seguinte, no desenvolvimento após ganhar a bola. O Porto errou e não poucas vezes, mas raras foram aquelas em que o Sporting conseguiu desdobrar os momentos de transição para ataques rápidos e apoiados. É certo que o Porto tem mérito pela forma como prepara e reage à perda, mas não hesito em atribuir muito mais demérito à transição do Sporting neste desaproveitamento ofensivo. Afinal, a falta de qualidade em transição é algo que é visível desde o inicio de época e isso penaliza imenso a equipa em termos ofensivos, como tantas vezes já referi. Muito mais do que o fado bolas ao poste, por exemplo.

Este problema – o da transição defesa-ataque – foi ganhando importância com o tempo. O Porto reagiu, passou a errar menos e a tornar-se mais agressivo na recuperação. O Sporting ganhava a bola no seu bloco baixo, mas não saía do aprisionamento territorial. Foi assim – em múltiplas insistências – que o Porto desenhou a jogada do empate, e seria assim, igualmente, que o Sporting se preparava para abordar os últimos 20 minutos de jogo. Valeu-lhe o pequeno “milagre” de Liedson.

Falar, por fim, de 2 aspectos. (1) O sistema, para dizer que o Sporting parece capaz de jogar em qualquer sistema, não porque seja bom em todos, mas porque não é especialista em nenhum. (2) Os minutos finais, para dizer que não dá para retirar Maniche e Pedro Mendes, colocar Vukcevic e Djalo e depois queixar-se da falta de qualidade de circulação da equipa.

Notas colectivas: Porto
Não creio, de facto, que a postura do Sporting estivesse nas primeiras previsões de Villas Boas. Talvez seja isso que justifique a dificuldade que a equipa teve para reagir às características do jogo, na primeira parte. Falou-se muito dos extremos, com Hulk à cabeça, mas mais importante parece-me ter sido a incapacidade da equipa para encontrar os seus médios no processo construtivo. Belluschi, por exemplo, tocou pela primeira vez na bola aos 9 minutos, quando isolou Falcao.

Ainda assim, a equipa voltou a mostrar, tanto a sua qualidade como a sua confiança, fruto de um trabalho continuado e consistente que vem desde o inicio de época. Viu-se isso na forma como procurou sempre jogar em apoio e como foi capaz de reagir sempre bem nos momentos sem bola. Quer imediatamente após a perda, quer no seu pressing em organização, que quase sempre obrigou o Sporting a jogar mal.

Há um aspecto que gostaria de realçar nesta equipa, que é a concentração com que está em campo. Isto vê-se, e sugiro que reparem, na velocidade com que a equipa reage, colectivamente, a todas as incidências do jogo. Por exemplo, sempre que há a posse de um guarda redes, quer de um lado quer do outro, a equipa é rapidíssima a reagir.

O Porto, e mesmo perante a surpresa que lhe foi preparada, só não terá ganho o jogo por 2 motivos. O primeiro tem a ver com alguns erros individuais em posse (provocados, diga-se). Aqui, Fernando e Maicon serão os principais réus, mas não os únicos. Depois, na resposta da dupla de centrais. A força do colectivo tem poupado grandes sobressaltos a Rolando e Maicon, mas, se esta era uma debilidade identificada na pré época, não é o bom percurso da equipa que a desfaz. Neste particular, a meu ver, o Porto está menos bem servido do que os rivais. Claramente.

Notas individuais: Sporting
João Pereira – Fez um jogo semelhante ao que conseguiu na Selecção. Excelente em termos defensivos, faltando-lhe apenas a parte ofensiva. É um grande lateral e não apenas para o futebol português. Uma ideia que defendi aquando da sua chegada ao clube, e que agora reforço.

Polga – É um jogador fortíssimo na leitura do jogo – repito-o – e Falcao sentiu-o sempre que apareceu na sua zona e tentou servir de apoio frontal. O jogo de Polga fica marcado pelo erro do golo. Já o escrevi, é inexplicável o que fez naquela situação. Um erro pouco notado mas que me parece o mais grave cometido por um central do Sporting nesta temporada. Para além disso, teve um jogo difícil em construção, muito por mérito do adversário.

Pedro Mendes – Ainda o vamos ver, assim a condição física o permita, a fazer jogos mais exuberantes. É um jogador com uma cultura posicional fantástica e uma segurança em posse igualmente rara. Já sem Maniche em campo, seria importante tê-lo nos últimos minutos para tentar um domínio mais sustentado.

André Santos – Foi muito destacado porque foi dos que mais apareceu ofensivamente, mas não foi dos que mais produziu em termos de trabalho colectivo, quer com bola, quer sem ela. Não serve isto para lhe fazer uma critica, antes para alertar para a forma como somos iludidos pelas percepções que o jogo oferece. O próprio Paulo Sérgio o pareceu não perceber ao mantê-lo em campo em vez dos outros 2 médios.

Maniche – Não fez o jogo que projectei, e terá sido mesmo um dos seus piores jogos na liga. Ainda assim, e enquanto esteve em campo, nenhum médio foi mais influente do que ele no jogo da equipa. Nunca o retiraria na fase terminal do encontro e esse parece-me ter sido o primeiro erro que impediu o Sporting de exercer maior domínio na fase terminal.

Valdés – Fantástica primeira parte! Não só pelo golo que marcou, mas por tudo aquilo que fez. Jogou quase menos meia hora do que Postiga, mas conseguiu produzir o mesmo em termos de intercepções e passes, do que o jogador que actuou numa posição simétrica. Voltou a jogar na ala, mas reforço que é um erro. Valdés deve jogar no meio e de preferência com liberdade de movimentos. Caso contrário, sou capaz de arriscar, a boa fase vai terminar.

Postiga – Fez um bom jogo, numa posição que não lhe é habitual. Lutou muito e foi útil, mesmo se essa não é de todo a sua especialidade. Deu boa sequência à maioria das jogadas, mas faltou-lhe capacidade desequilíbrio. Algo que os seus agora recorrentes remates de 30 metros raramente poderão dar.

Liedson – Incrível a sua capacidade de trabalho! Jogar isolado, numa equipa que não pressiona particularmente bem e que não solta muitos apoios em transição... a maioria dos jogadores teria feito um jogo nulo. Basta ver, por exemplo, como, jogando num sistema idêntico e com a equipa muito mais distante, foi muito mais influente do que Falcao. Liedson conseguiu uma quantidade enorme de intercepções, iniciou transições e provocou, até, uma expulsão vinda do nada. Para mais, deu quase sempre sequência às jogadas que passaram por si. À parte de uma má decisão na área, não é exagero dizer-se que valeu por 2 neste jogo.

Notas individuais: Porto
Emídio Rafael – é uma boa solução, mas, tal como defendi numa caixa de comentários recente, está longe de garantir, quer a intensidade, quer a profundidade de Álvaro Pereira. Por exemplo, o mínimo de intercepções que o uruguaio conseguiu num jogo da liga foram 12, precisamente o mesmo que Rafael na sua estreia na competição. Ainda assim, reforço, é um problema relativo – de comparação – e não absoluto.

Rolando – A sair a jogar garante uma qualidade muito elevada e dificilmente cometeria o erro de Maicon, mas Rolando tem de render mais para justificar o estatuto que lhe é atribuído. Apenas é dominador nas situações de bola parada, de resto, nem é forte em antecipação, nem agressivo nas primeiras bolas aéreas (como se viu no golo), nem sequer fica ausente de erros pontuais em situações posicionais. Na minha opinião, tem de produzir mais, até porque tem aptidões para isso.

Maicon – É muito mais agressivo e dominador do que Rolando, mas é também tecnicamente mais débil e isso custou-lhe a expulsão. No golo, como já disse, leu mal a jogada, mas divide responsabilidades com Rolando. Adivinha-se a perda da titularidade...

Fernando – Os seus erros toda a gente viu, mas há também que ver a coisa de uma perspectiva relativa. Fernando errou mais do que os outros, mas foi também aquele que, de longe, mais passes certos fez. Na segunda parte corrigiu a sua saída em posse e acabou por ser também muito influente na recuperação.

Moutinho – Terá sido um dos vencedores relativos do jogo, mas não fez uma grande exibição. Foi condicionado pelo jogo do Sporting, na primeira parte, mas acabou por estar envolvido na jogada do golo. Foi, enfim, mais uma exibição "à Moutinho". É um grande jogador, que é excepcionalmente regular, mas não regularmente excepcional. Desde que não se confunda isto, estou de acordo...

Falcao – Não se pode dizer que tenha sido muito influente ou que tenha ganho algum duelo em particular. Mas, a verdade é que as 3 grandes oportunidades do Porto são dele e é isso o que mais se pede a um jogador da sua posição. Primeiro, que “chame” o golo e depois que o marque. Foi isso o que fez Falcao.



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28.11.10

Sporting - Porto: análise de jogadas (Vídeo)

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Começo por um vídeo com as principais jogadas, um pouco ao contrário do que é norma. Mais tarde trarei a análise e a estatística, assim como, possivelmente um outro vídeo sobre um aspecto táctico que julgo interessante.

- O primeiro lance de perigo do jogo acontece quase por acaso. Ou seja, num lance em que o Porto começa por ter as linhas de passe cortadas e com a perda eminente. Ao contrário do que acontece mais tarde, no golo, não creio haver particular demérito de Polga na forma como é batido por Belluschi. A sua saída para fazer contenção justifica-se, não tendo conseguido ganhar o lance, apesar de ter pressionado correctamente.

- No lance do golo do Sporting, o descrédito foi atribuído a Maicon, mas julgo não lhe ser devida uma responsabilidade única. A primeira bola, entrando na zona dos centrais, não pode nunca bater e cabe à dupla resolver o lance. Rolando é cai sai para abordar o lance e cabia a Maicon ajustar o posicionamento nas suas costas. Maicon é surpreendido porque tarda em perceber que a bola vai passar sem ser abordada e porque, parece-me, não se apercebe da presença de Valdés. No entanto, Rolando tem de atacar a bola e não encostar-se a Liedson. Se fosse ao contrário - Maicon a atacar a bola, duvido que o lance tivesse tido a mesma sequência.

- O lance do golo do Porto surge após uma longa sequência de bolas disputadas na zona central. O Sporting tem responsabilidade colectiva porque, por várias vezes, deveria ter sido capaz de tirar a bola da zona de pressão e dar sequência à transição (falarei mais disso). Ainda assim, nada faria antecipar o que sucedeu depois. A equipa está equilibrada, com a linha de 4 e ainda André Santos em zona central. Não se percebe a decisão de Polga sair da sua zona nesta situação. Não era o jogador mais próximo da bola, não era possivel pressionar imediatamente a decisão de Moutinho, dada a distância e, talvez mais importante, a sua posição é fulcral em termos de controlo zonal, merecendo muito maior cautela numa decisão deste tipo. Ficam 3 jogadores na frente de Moutinho, mas sem capacidade para cortar a linha de passe para Hulk que, depois, tem várias opções na área.

- Finalmente, nota para mais um exemplo da excepcional capacidade de trabalho de Liedson. O demérito de Maicon é óbvio e nenhuma circunstância ou perante algum jogador se justifica perder a bola, mas, ainda assim é recorrente vermos Liedson conseguir lances destes (a última terá sido em Goodison Park), pelo que é inegável o seu mérito, quer na atitude, quer na forma como aborda o desarme. Desta vez, para mais, o seu isolamento é total. Não vale tanto, mas é mais difícil de conseguir do que um golo.

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Empate no clássico (Breves)

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- A volatilidade táctica de Paulo Sérgio tem essa particularidade: tornar-se muito fácil surpreender. E creio que desta vez, o treinador do Sporting conseguiu surpreender a generalidade das antevisões, começando pela minha mas acabando na do próprio Villas Boas. Numa coisa não me equivoquei: a atitude iria fazer parte da receita e era bom que o Porto fosse precavido, porque a diferença de valias não é tão grande como as emoções sugerem. Enfim, não me quero alongar muito porque voltarei com uma análise mais detalhada, mas não posso deixar de creditar o mérito devido ao Sporting pela primeira parte que fez. Pela sagacidade e atitude.

- Mas, se chegar à vantagem foi uma conquista, mantê-la era, para o Sporting, também um requisito. A resposta do Porto era óbvia e era preciso estabilidade e força mental para aguentar mais tempo sem errar. O Sporting sucumbiu depressa - também, e muito, por mérito do Porto, não se confunda - e provavelmente só não passou por maiores dissabores porque Liedson voltou a fazer de Liedson num clássico. O resto está à vista de todos: não foi por jogar com menos um que o Porto ficou mais longe da vitória do que o seu oponente e, bem feitas as contas, o empate será até mais reconfortante para os da casa. Porquê? Porque toda a gente esperava um Porto mais forte e vencedor e porque a conversa da distância pontual para o 1º é, há muito e para o Sporting, apenas... conversa.

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26.11.10

Sporting - Porto (Notas de antevisão)

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- São mais as dúvidas do lado do Sporting. Os jornais avançam com a possibilidade de jogarem Postiga e Liedson, e André Santos, Maniche e Pedro Mendes. Pessoalmente, acho difícil que ambas as opções se confirmem porque há uma outra que me parece mais provável: o regresso João Pereira como médio-ala. Ora, conciliar tudo isto implicaria abdicar de Valdes e Vukcevic, e não me parece que, pelo menos o chileno, seja discutível na cabeça de Paulo Sérgio. Assim, e por entre muitas dúvidas, apostaria num só avançado, Postiga, na coexistência dos 3 médios, e em João Pereira e Valdés como alas.

- Uma coisa que me parece clara, e que com certeza poderemos observar no jogo, é a utilização de um 2x1 sobre os flanqueadores, especialmente Hulk. Isto será feito com a proximidade de 1 dos médios – possivelmente, se jogar, André Santos sobre a esquerda – ao lateral. Algo que Paulo Sérgio testou sobre Sougou em Coimbra e que deverá repetir agora.

- Ainda no Sporting, já várias vezes critiquei a falta de consistência nas opções de Paulo Sérgio, na minha perspectiva uma maneira pouco produtiva de construir uma equipa. Nesta altura, e no que respeita concretamente ao jogo do Porto, não há nada a fazer. Custa-me entender como, depois das provas dadas, Valdés sai de uma posição central onde havia sido determinante, e Vukcevic não é integrado numa estrutura que aproveite as suas virtudes e compense os seus defeitos. Uma coisa seria não conseguir, outra é não tentar.

- Por fim, e sobre o Sporting, há 2 jogadores que eu não abdicaria nunca, num jogo destes. Maniche e Liedson. Maniche, porque é, de longe, o jogador de maior rendimento da equipa, ainda que isso não lhe seja unanimemente reconhecido. Mas porque, também, é um jogador de grandes jogos, onde frequentemente marca e desequilibra. Faria-o sempre jogar como 2º médio e nunca mais adiantado, mas, ainda assim... olhos nele porque, para o bem ou para o mal, pode ser a figura. Liedson, que acredito não jogará, é outro de alto rendimento nos grandes jogos. A sua veia goleadora nos grandes momentos é o mais fácil de ver, mas Liedson tem também a particularidade de ser um jogador excepcionalmente interventivo para a posição em que joga. Porque os avançados participam menos e porque nos grandes jogos, mais do que nos outros, todos são poucos, Liedson é, ou seria, uma enorme mais valia.

- No Porto, mais estabilidade e menos dúvidas. Não há qualquer indicio ou motivo para que Villas Boas se desvie muito da sua estrutura, ou mesmo que siga uma estratégia muito diferente daquela que escolheu nos jogos frente ao Benfica. É que, tal como o seu vizinho, o Sporting gosta da bola e da posse e não tem uma alternativa muito bem preparada para quando não se consegue afirmar dessa maneira. Villas Boas tem 2 alternativas, ou tenta destituir o Sporting da sua pretensão de ser o dono da bola – o que pode não ser fácil – ou opta por uma estratégia mais objectiva e pragmática, tal como frente ao Benfica. Vejo com maior probabilidade que Villas Boas prepare a equipa especialmente para esta segunda opção, até porque, se tiver de ter a bola mais tempo, o Porto também o saberá fazer sem problemas.

- Para o Porto, o problema é como o jogo, “clássico”. Ou seja, o momento antagónico entre as duas equipas faz supor uma diferença de valores maior do que a que realmente existe. Se isto se passar para os jogadores, se não houver do Porto uma elevação dos níveis de intensidade e concentração, próprios deste tipo de jogos, então a equipa está mais próxima de ser surpreendida. Essa é a principal missão de Villas Boas, até porque, desengane-se quem pensar o contrário, o Sporting vai ter uma atitude muito forte.

- Em termos de opções individuais, é para o Porto relevante não ter Álvaro Pereira. É um jogador de grande intensidade e capaz de dar total profundidade ao flanco. De resto, é no quarteto defensivo que residem as dúvidas, com Fucile e Otamendi a serem, hoje bem mais do que frente ao Benfica, candidatos ao lugar. Por questões de rendimento, mas também de morfologia. Mais Fucile do que Otamendi, parece-me. Ainda assim, calculo que Villas Boas prefira manter ao máximo uma estrutura que se tem dado bem em jogos de maior exigência. Privilegiar o todo pelas partes é algo que faz sempre sentido.

- Os elementos potencialmente decisivos, creio, são os de sempre. Hulk, Falcao, Varela e Belluschi. Mas talvez venhamos a ter alguns esquemas tácticos especialmente preparados para as bolas paradas. A fragilidade do Sporting e a opção por marcações individuais, pode sugerir uma oportunidade à equipa técnica portista...

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25.11.10

Derrocada do Benfica em Israel (Breves)

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- O resultado, como sempre e especialmente perante estes números, vai precipitar as mais gratuitas análises. A verdade, porém, é que me parece muito claro que este, mais do que qualquer outro jogo, escapa ao prisma técnico-táctico, quando se quer explicar o resultado. Porquê? Porque o Benfica teve um domínio simplesmente avassalador sobre o adversário. Desde o primeiro minuto, e nunca por ter sido concedido ou planeado pelos israelitas. A qualidade - ou falta dela - da oposição, aliás, é parte da explicação para tão grande superioridade. Agora, se o Benfica foi absolutamente superior no planto técnico-táctico, se não teve a sorte do seu lado na forma como sofreu antes de marcar, por outro lado - e este é o ponto que deve ser relevado - só perdeu por culpa própria e porque é uma equipa emocionalmente vulnerável. É-o desde o inicio de época, como sempre o afirmei, mas é-o cada vez mais com o passar do tempo.

- Que o centro dos problemas encarnados está no campo emocional, já eu escrevi desde os primeiros sinais de crise, e também fui antecipando que os sintomas não estavam a ser bem identificados e resolvidos. Desta vez, destacaria 3 pontos. O primeiro tem a ver com a estratégia. Saber como ganhar é tão fundamental como fazer os jogadores sentir que essa proposta os vai conduzir ao sucesso. Quem o consegue raramente perde, e se o Benfica perdeu é porque não o tem conseguido. O "ouro" dos israelitas estava no pressing e na forma inocente como estes saíam a jogar. O Benfica conseguiu várias recuperações, mas nunca identificou essa como a via mais fácil para o sucesso, e devia-o ter feito desde o inicio. A orientação foi sempre utilizar extremos (Gaitan e Salvio) para potenciar os "pinheiros" (Kardec e Cardozo). Como já disse, facilmente teria tido outro resultado, mas esta não era, nem a estratégia mais correcta, nem aquela que poderia trazer mais confiança aos jogadores. O segundo ponto tem a ver com Martins. Não por uma critica da opção técnica ou táctica, mas porque abdicar de um jogador super-motivado por razões de ordem física é também um sinal de como os aspectos emocionais são desvalorizados na gestão da equipa. Finalmente, fala-se muito da perda de confiança da equipa, mas eu pergunto: e a confiança de Jesus? O que sentirá o outrora super-confiante líder do processo perante uma realidade tão adversa e surpreendente? E, já agora, que motivação ou confiança poderá ele transmitir para o grupo nesta altura?

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23.11.10

Mais um feito do Braga, e a jornada 'Champions' (Breves)

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- Não vi o jogo e por isso, o meu comentário terá de ser bastante restrito. Ainda assim, visto ou não, ganhar ao Arsenal é mais um marco fantástico no trajecto europeu do Braga neste ano. Mais mérito ainda tem pelo facto de acontecer numa fase em que a equipa se procura reabilitar em termos emocionais e de confiança, tanto em relação às suas próprias capacidades individuais, como em relação à sua proposta de jogo. É um trabalho que não se resolve com esta vitória, mas que pode seguramente ter aqui uma importante ajuda. Já que falo de confiança, e embora desta vez não o tenha escrito antes, os 2-3 do Emirates no fim de semana podem ter sido a primeira boa notícia para o Braga, em relação a este jogo. Os jogos começam todos 0-0, mas nenhum começa efectivamente do zero. Enfim, Liga dos Campeões, mais 9 pontos em 5 jogos: dê qualificação ou não (não dará!), a resposta sobre a capacidade de Domingos na Europa está mais do que dada.

- No fim de semana vi o Ajax-PSV e pude de novo constatar a fragilidade defensiva da escola holandesa. Não é atacar muito, é defender mal. Especialmente o Ajax que só não perdeu por benevolência do seu rival. A goleada do Real, neste contexto, era uma previsão fácil de fazer. Outro jogo que poderia dar surpresa, pelo momento do favorito, era o Chelsea-Zilina. Não deu, esteve quase, mas também era demasiado escandaloso.

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