23.11.10

Ranking de treinadores (Liga 2010/11)

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Ainda é cedo para balanços definitivos, dado que nem 1 volta está completa. Fica, no entanto, o alinhamento do aproveitamento do trabalho dos treinadores, em relação às expectativas criadas pelas casas de apostas. Sem surpresas no topo da tabela, é de assinalar o último lugar de Domingos neste "ranking" parcial. Ele, que pulverizou a mesma classificação do ano anterior. O calendário pode ajudar a explicar, mas houve claramente um excesso de expectativa em relação ao rendimento dos bracarenses.

Entretanto, e neste mesmo âmbito, talvez fosse interessante analisar objectivamente se as "chicotadas psicológicas" têm, ou não, um efeito prático real e consistente. Algo que trarei noutra altura, para já fica a pergunta: será que vale a pena o "chicote"?

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22.11.10

Triunfos magros de Porto e Sporting (Breves)

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- Duvido que alguém esperasse tantas dificuldades do Porto para passar em Moreira de Cónegos. A verdade é que, se o Moreirense poderia ser um adversário como outro qualquer no Dragão, em casa torna-se muito mais difícil de ser batido. E não é preciso muito para perceber isto: basta ver que a equipa ainda não sofreu qualquer golo em casa em jogos para a liga! Ainda assim, não dá para retirar algum peso da responsabilidade à equipa portista, que face à capacidade e diferença de valores, bem pode exigir mais de si própria. Sobre o Porto, há 2 aspectos a realçar: O primeiro é, de novo, a gestão de Villas Boas, nunca prescindindo do seu núcleo duro e da sua estrutura. O segundo, para o facto de, no pós-Benfica, o Porto ter tido 2 exibições com um fulgor bem distante do esperado. Finalmente, sobre o Moreirense, uma pergunta: que impacto emocional pode ter uma derrota como esta? Será interessante acompanhar o percurso imediato da equipa de Casquilha...

- Em Alvalade, não dá para dizer que o Sporting não foi quem mais mereceu a vitória, mas dá para questionar a exibição da equipa. Primeiro, não entendo como Paulo Sérgio pretende construir uma equipa se continuamente altera estrutura e protagonistas - em certos casos, abdicando de elementos em óptimo momento. Face a isto, só seria de espantar se a equipa tivesse uma grande resposta. Depois, referir que esta até pode ser vista como uma das mais confortáveis vitórias da equipa, dado que passou por muito menos sobressaltos do que é costume. O problema é que "controlar" não é algo que este Sporting faça voluntária e conscientemente. Pode acontecer - como aconteceu - mas não resulta de nenhuma estratégia preparada. Se melhor prova faltasse, basta atentar ao último lance do jogo. Aquele que poderia ter complicado de forma dramática a continuidade da equipa na Taça. Uma equipa que quer e sabe controlar o jogo, não pode nunca permitir, nunca, uma transição como a que aconteceu. Nem que, do outro lado, tivessem estado 2 contra o guarda redes! O equilíbrio seria sempre a prioridade. Enfim, importa em tudo isto destacar o demérito do Paços, que fez muito pouco durante 90 minutos. Sobre esse dado, relembro o excelente jogo da equipa na Luz. De lá para cá, e com algumas lesões à mistura, a equipa perdeu claramente o seu momento. A Rui Vitória de nada adiantará as boas exibições numa dada fase se, depois, não for capaz de manter os índices emocionais. Ou as coisas mudam, ou esta equipa arrisca-se a servir de luz ao fundo do túnel para Naval e Portimonense, os fortíssimos candidatos à descida, se nada for feito em contrário.

- Nos restantes jogos, destaco a vitória do Guimarães. Não por ser inesperada - que não foi - mas porque é a terceira consecutiva, que resulta de uma reviravolta. Aliás, das 6 que conseguiu na Liga, a equipa de Machado teve de virar 3. Um número, que embora curto, é raro, importando perceber até que ponto se trata de um acaso...

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19.11.10

Portugal - Espanha: Análise e números

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Um pouco às avessas com aquilo que é normal, a análise do jogo ficou relegada para o fecho do “capítulo Selecção”. Já fui amplamente elogioso em relação à exibição e, por isso, talvez seja melhor começar por salientar outro aspecto. É que, se o jogo descambou para um goleada, nada o fazia supor nos primeiros 35 minutos. Ao contrário do que é muitas vezes sugerido, não me parece que tivesse havido especial demérito da Espanha na primeira parte. A equipa foi igual a si própria, lidando bem com uma pressão fortíssima do meio campo português, quer em termos de circulação, quer em termos de reacção à perda da bola. Na segunda parte, sim, a história é um pouco diferente. Quanto à primeira, o mérito vai 100% para Portugal que acabou por vencer um autêntico duelo de nervos entre a posse espanhola e o pressing português. Aliás, sendo um exercício obviamente especulativo, parece-me improvável que, em Lisboa ou na África do Sul, a resposta dos espanhóis pudesse ser muito diferente daquela que foi dada na primeira parte.

Notas colectivas
A estratégia portuguesa foi completamente diferente daquela que a maioria das equipas optam por escolher frente ao “tiki taka” e, seguramente, muito diferente daquela utilizada por Queiroz no mundial. Um "pressing" colectivo muito forte e feito em toda a área do campo – comprimento e largura. O segredo, e única via para o sucesso, estava em estar sempre junto e em ter uma grande capacidade de reacção ao movimento da bola. Sim, porque a Espanha não iria perder a bola facilmente. Um desafio enorme em termos de concentração e união colectiva e que, repetindo a ideia, forçou um jogo de nervos entre a posse espanhola e o "pressing" luso. Quem iria fraquejar primeiro? A qualidade de circulação espanhola, perante o pressing permanente? Ou a qualidade de ajuste posicional do pressing, perante a óptima e constante circulação?

Não há suspense, todos sabemos qual o resultado, mas importa também dizer que não foi a pouco custo que Portugal o conseguiu. Os espanhóis tentaram de tudo, circulação apoiada, bolas na profundidade (ainda que poucas) e variações de flanco. Portugal foi notável na reacção, conseguindo manter quase sempre uma grande concentração na zona da bola, mesmo quando esta mudava rapidamente a sua posição. “Quase”! É que a Espanha também encontrou os seus buracos, especialmente quando conseguiu levar o jogo até às alas, com a subida dos laterais, encontrou espaços e por pouco não chegou ao golo.

Entendo, por tudo isto, que o demérito espanhol é muito pouco e seguramente muito menor do que aquilo que agora se quer fazer crer. Pelo menos na definição do jogo. A Espanha jogou com o seu melhor 11 e as suas individualidades não estão propriamente num momento de descompressão ou precoce em termos de preparação. É uma equipa que joga junta há anos, muitos deles todos os dias, e que está numa altura de alto rendimento em termos de temporada. A sua resposta, aliás, foi boa, e duvido que qualquer outra equipa tivesse durado tanto tempo perante a qualidade do "pressing" da Selecção portuguesa. A critica que pode ser feita é em termos de reacção à adversidade, quando esta apareceu. Na segunda parte, de facto, houve uma perda de qualidade no jogo colectivo espanhol, sobretudo na qualidade de circulação e reacção à perda, a que não são alheias as substituições. Uma coisa é ter Xavi e Iniesta, outra é não ter. Mas também do lado português houve uma perda de qualidade. Perda de qualidade pelas alterações individuais, e também porque seria impossível manter a intensidade que a equipa revelou nos primeiros 45 minutos.

Como balanço, importa voltar a sublinhar o impacto da entrada de Paulo Bento. Impacto nos níveis de confiança da equipa, que são explicados pelo habitual efeito da “chicotada”, e que foram depois catapultados pelos primeiros resultados positivos. Porque uma coisa é os jogadores acreditarem nas ideias de uma nova liderança, outra é sentirem realmente que essas ideias têm reflexo prático nos seus resultados. E impacto, também, ao nível da qualidade táctica da equipa, porque aquilo que se vê hoje a Selecção fazer está bem a cima do nível geral das Selecções mundiais, não tem nada a ver com a banalidade das estratégias (muitas vezes auto destrutivas) de Queiroz, ou sequer com a “era Scolari”, onde simplesmente não existia estratégia a este nível. O que não dá para afirmar é que Portugal está hoje mais motivado do que no mundial, ou que são os jogadores que estão a marcar a diferença entre Queiroz e Bento. É simplesmente absurdo supor que um jogador se sente mais motivado num particular do que numa fase final de uma campeonato do mundo, apenas por questões de simpatia com o seleccionador. Pelos para mim, é absurdo.

Um potencial problema que pode emergir reside no facto de Portugal ter atingido um pico demasiado cedo. Isto é, o nível que Portugal atingiu frente à Espanha não é superável. Não há adversários mais fortes do que a Espanha e não é possível realisticamente obter melhores resultados do que aquele que tivemos. Ou seja, com tudo ainda por jogar, convém não deixar que este resultado sirva para desactivar níveis de intensidade e ambição.

Notas individuais
João Pereira – Fez um jogo fantástico em termos de intensidade e qualidade. Seria, à partida um dos casos que mais problemáticos, dada a movimentação típica de Villa, mas a forma como a equipa jogou e a sua própria concentração e intensidade fizeram dele um dos jogadores mais assertivos no terreno. Só lhe faltou a parte ofensiva.

Bosingwa – Jogou adaptado e não se pode dizer que se tenha dado mal. Afinal, a Bosingwa não lhe falta experiência no que respeita a adaptações. Ainda assim, é um jogador que oscila entre uma excepcional capacidade física e técnica, com alguns momentos menos prudentes em termos de opção. Nesse aspecto, jogando com o pé direito, à esquerda, pode potenciar alguns passes interiores menos aconselháveis. E isso chegou a acontecer. É uma nota a tirar.

Centrais – O destaque vai para os números de Bruno Alves. Jogou os 90 minutos mas teve um nível de participação baixíssimo. Neste caso, porém, não lhe é devida uma critica especial. Em relação a Pepe e, sobretudo, Carvalho, foi um jogador mais posicional e menos agressivo a jogar em antecipação. Essa característica, combinada com o mérito colectivo que impediu a Espanha de accionar muito poucas vezes a zona dos centrais, fez com que estivesse muito tempo fora do jogo. De resto, cada um ao seu estilo e cada um no seu tempo, Carvalho e Pepe, estiveram esplêndidos (destacando ainda assim o papel de Carvalho na primeira parte, importante no papel táctico de cortar o espaço entre linhas).

Meireles – Um jogo fantástico do “pivot”. Teve uma missão especialmente próxima dos médios, formando um bloco intermédio que bloqueava a zona central. Muitas vezes formou mesmo uma linha com Moutinho e Martins, mas pôde também ler o jogo de trás, ajustar posicionamentos, antecipar, preparar o momento da perda... Enfim, um jogo tacticamente excelente, com a particularidade de ter dado, com bola, uma certeza fundamental na sua zona.

Moutinho – Será um dos maiores destaques do jogo, pelo papel táctico que teve, e por ter sido, desta vez, determinante ofensivamente. Já muito se falou dele e da sua cultura táctica e, de facto, não há muito a acrescentar a cada exbição que faz. O rigor é sempre o mesmo, a fiabilidade também, o que varia é a inspiração - e a oportunidade para tal - ofensiva.

Martins – Este era um bom teste para ele. Isto porque é um jogador que tem alguma dificuldade em termos defensivos. Não parece gostar muito de defender e, sobretudo, não tem uma grande percepção táctica em termos defensivos, o que faz com que a sua reacção posicional nem sempre seja tão rápida como devia. Neste desafio, de correr mais sem bola do que com ela, esteve muito bem e acabou por ser o protagonista de algumas intercepções decisivas.

Nani – Fica marcado pelo lance de Ronaldo e é óbvio que deve ser censurado pela opção que tomou. A questão é que a reacção não é tão anormal quanto isso em ambiente de jogo, e talvez o próprio Ronaldo fizesse o mesmo. De resto, e à parte de outro chapéu displicente que tentou, fez um grande jogo, provando de novo que é um dos melhores extremos do futebol mundial.

Ronaldo – A sua utilidade táctica e técnica combinam agora para que seja, quase sempre e enquanto está em campo, o maior dos destaques. Porque é que Ronaldo não chuta agora de 40 metros? Porque é que parece um jogador muito mais útil em todos os momentos? Porque é que não está tão ansioso em fazer tudo sozinho? O que mudou não foi Ronaldo, o que mudou foi a Selecção. Afinal, aquilo que sempre foi óbvio e que sempre fui escrevendo. O problema nunca foi Ronaldo, mas sim a envolvente...

Postiga – Fez um jogo importante em termos tácticos, orientando o “pressing”. Não é um jogador muito agressivo nessa tarefa, mas quando a equipa tem um propósito colectivo, torna-se também ele um jogador integrado e útil sem bola. De resto, os golos fazem-lhe bem. A ele, como a qualquer avançado, mas ele especialmente.

Manuel Fernandes – Acho-o um jogador de tremendo potencial e havia feito bons jogos no ciclo terrível que terminou com a saída de Queiroz. O problema de Manuel Fernandes é o risco que assume no meio campo e alguma displicência em que cai com facilidade. Sempre foi e provavelmente sempre será o seu pecado. Por alguma coisa perdeu um passe que deu transição para ataque rápido, na fase dos “olés”. Gostaria de o ver numa fase de outra organização e intensidade colectiva como aquela a que assistimos na primeira parte.



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18.11.10

Portugal - Espanha: O mérito devido de uma lição táctica

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Irei regressar com outros pontos de análise, inclusive a componente individual, mas julgo ser de inteira justiça começar por aqui, porque é aqui que reside a enorme e súbita diferença entre o passado e o presente da Selecção.

Nos primeiros triunfos da “era Bento”, o diagnóstico foi consensual. Salientou-se o demérito do seu antecessor, porque Paulo Bento apenas simplificara as coisas, criou empatia com os jogadores e escolheu os melhores. Simples, não é? Pois é, mas ninguém dá um “correctivo” destes numa equipa com a qualidade da Selecção espanhola, apenas por “dar moral” e “escolher os melhores”. Lamento.

O outro motivo a que ninguém – por ignorância ou negação – parece querer dar crédito a esta equipa é de ordem táctica, e vem na sequência daquilo que já se vira logo no jogo com a Dinamarca – e como me esforcei para o salientar! Ontem, de novo, uma lição táctica perante aquele que era, provavelmente o mais difícil dos adversários para o fazer. O resultado foi quase perfeito, soberbo!

Será interessante, para quem queira perceber, ver a forma como Portugal pressionou em todo o campo, como desafiou colectivamente o “tiki-taka” e, com organização, atitude e perseverança, acabou por aniquila-lo em 45 minutos. Será interessante comparar isso com o banal “ferrolho” do Mundial, ou mesmo com qualquer uma das “eras” anteriores.

Ontem, foi provavelmente a melhor exibição que vi a Selecção fazer. Porque teve a inspiração de grandes jogadores, mas porque teve também teve uma enorme liderança por trás. No plano motivacional e táctico. Foi a Selecção com que há muito sonhava e só espero que não acabe aqui. "Don't stop", portanto.

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17.11.10

Portugal de brilho e história (Breves)

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Pensava - e escrevi-o antes - que éramos favoritos para este jogo. Agora, nunca esperava 4-0 e, obviamente, será muito difícil alguma vez tal resultado se repetir. Mas não foi só o resultado. Esta foi uma das melhores exibições da história da Selecção, havendo muito bem mais do que os 4 golos marcados. Voltarei ao tema com uma análise mais detalhada, mas não quero deixar de expressar a minha enorme satisfação por aquilo a que assistimos. Porque acredito - e sempre o afirmei - que Portugal tem um potencial extraordinário e ao nível das melhores selecções do mundo, e porque acreditei - afirmando-o também - que o impacto de Paulo Bento iria servir para aproximar, talvez como nunca, a equipa desse valor. Pena é que esta vitória histórica não dê pontos, porque o apuramento está tudo menos garantido.

já agora, relembro este vídeo:

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16.11.10

Benfica - Naval: Análise e números

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“Foi um bom espectáculo”. A frase é empregue frequentemente mas nem sempre com a justiça com que este jogo a mereceu. Um “bom espectáculo” não quer dizer forçosamente que tenha sido um “bom jogo”, ou que o seu interesse tenha sido por aí além. Enfim, será mais uma questão de gosto do que outra coisa. A mim, pessoalmente, interessa-me mais o critério, a estratégia e racionalidade colectiva. Também gosto mais do espectáculo, claro, mas quando este resulta do mérito e não tanto de algum desleixo na abordagem que é feita ao jogo. E esse foi, a meu ver, um pouco o caso deste Benfica-Naval. Um “bom espectáculo”, muito mais do que um “bom jogo”. No fim, ganhou o Benfica e por larga diferença. Uma diferença que se justifica pelo volume ofensivo, mas que poderia ter sido atenuada com um golo que a Naval também não deixou de justificar.

Notas colectivas
Como se explica então o ritmo de parada e resposta que se viu durante muito tempo, nomeadamente na primeira parte? Sem tirar mérito – que o houve – às acções ofensivas, há que falar daquilo que as defensas não fizeram. Isto porque, se a Naval tem aspirações de retirar pontos a um “grande”, não pode cometer tantos erros na sua linha mais recuada e, por outro lado, o próprio Benfica não pode esperar deixar de passar por sobressaltos se não se acautelar melhor defensivamente.

Em relação ao Benfica, já acontecera a mesma situação com o Paços, que também conseguira um número de finalizações elevadíssimo na Luz. Desta vez a origem não é exactamente a mesma, porque o Paços conseguira impedir o Benfica de sair a jogar através de um pressing mais alto que forçou o Benfica a bater bolas longas e a disputar um jogo mais físico no meio campo. Desta vez, a origem não se repetiu mas o “meio” foi o mesmo.

Ou seja, o Benfica foi, é e continuará a ser uma tacticamente forte. Muito forte, mesmo. Posiciona-se muito bem em todos os momentos e reage rapidamente a todas as mudanças de situação no jogo. O problema é que o modelo de Jesus é bastante exigente porque arrisca sempre muito quando em posse da bola. Opta por uma circulação muito vertical e não hesita em colocar muita gente nos processos ofensivos. Neste sentido, o maior problema desta época – como várias, e várias vezes tentei explicar – está na segurança do passe na zona de construção. Ou seja, perdendo a bola em zona não muito alta, torna-se muito difícil lidar com a transição ataque-defesa, mesmo se a reacção colectiva me parece francamente boa após a perda. Foi isso que custou derrotas como as da Supertaça, de Guimarães, frente a Schalke ou Lyon.

Contra a Naval isso não aconteceu com especial frequência ou gravidade, mas houve alguma displicência na forma como a equipa defendeu, empregando pouca agressividade em duelos individuais que, sendo sucessivamente perdidos, abriram caminho às ocasiões que todos observamos na primeira parte do jogo.

Quanto à Naval, para além de ter permitido muitas ocasiões por parte do Benfica – normalmente uma goleada resulta de uma eficácia assinalável, mas este nem foi um desses casos – permitiu também que essas ocasiões fossem bastante claras. Para comprová-lo basta atentar a este dado: enquanto que no campeonato, o Benfica leva apenas, e média, 40% das suas finalizações à baliza, neste jogo 15 em 20 (75%) tiveram esse desfecho. De assinalar os inúmeros erros que a equipa cometeu no seu último terço, em particular na sua última linha defensiva.

Notas individuais
Coentrão – Não se pode dizer que tenha jogado mal, mas foi uma actuação francamente modesta e discreta para as suas potencialidades, e num jogo que tinha tudo para conseguir outro protagonismo. Pode ser coincidência, mas é impossível deixar de constatar que tal acontece no primeiro jogo após a hecatombe do Dragão.

David Luiz – Ao contrário do que aconteceu no Dragão, creio que a sua actuação deve ser censurada. A forma como abordou os duelos com Fábio Junior foi displicente e custou-lhe a perda de algumas situações proibidas e desnecessárias. Parece desleixo, e parece também estranho porque o aviso sobre a qualidade de Fábio Júnior já vinha do ano anterior.

Airton – Foi o jogador com mais passes completados, com mais intercepções e com maior % de passe da equipa. Um feito que Javi Garcia, nas 10 utilizações como titular nunca havia conseguido. Aliás, Garcia só por 2 vezes fez mais passes do que Airton neste jogo, e em nenhuma ocasião conseguiu tantas intercepções. O espanhol entenderá melhor o modelo e terá uma melhor noção posicional, mas não é, nem tão reactivo, nem tão forte nos duelos individuais, nem tão pouco tão certo no passe como Airton (apesar deste ter cometido 2 erros a este nível). Não digo que Airton só tenha vantagens, ou que o Benfica esteja mal servido com Javi, mas creio – já de há algum tempo, e com sucessivo reforço dessa ideia – que é o brasileiro quem garante melhor rendimento no desempenho do lugar.

Aimar – Fez provavelmente o seu melhor jogo no campeonato. Isto, porque o número de desequilíbrios que criou é incomparável com qualquer outra actuação na prova, ficando a dever a si próprio pelo menos 1 golo, que só por manifesta infelicidade não aconteceu. Ainda assim tenho uma critica a apontar-lhe. 60% de sequência em todas as posses que teve é muito pouco para quem joga ao longo de todo o corredor central. Aimar pode e deve trabalhar melhor o critério quando baixa para zonas onde o risco deve ser menor. E isso, assinale-se, já lhe custou, a ele e à equipa, alguns dissabores esta época.

Gaitan – Tivesse Gaitan outro nome e outra reputação e teria feito todas as manchetes do dia seguinte. Isto porque a sua exibição foi simplesmente estrondosa. Marcou 2 excelentes golos e ainda participou num total de 6(!) desequilíbrios da equipa. Para além disso, evitou erros que vinha comentendo em posse e teve um desempenho defensivo bastante bom, o melhor dos 5 jogadores mais ofensivos. Aliás, sobre isto importa dizer que Gaitan não é um jogador especialmente agressivo e, por exemplo, não consegue ser muito útil num pressing mais alto. Mas, por outro lado, é um jogador que se posiciona bem tacticamente e que tem esse sentido de responsabilidade colectivo. O seu maior problema, a meu ver, é a decisão em posse em zonas mais atrasadas, onde ainda arrisca demasiado e onde já perdeu demasiadas bolas nesta temporada.

Salvio – É mais agressivo do que Gaitan, está a melhorar claramente, mas sente mais dificuldades em termos tácticos. Porquê? Porque Salvio sempre foi um jogador de último terço, mais avançado do que médio, com menos responsabilidades tácticas e sem a necessidade de decidir com frequência a 50 metros da baliza. Nem na Argentina, nem no pouco tempo em que esteve no Atlético. Mas – repito – dê-se-lhe tempo...

Kardec – Marcou um golo e, mesmo se continuou ausente das dinâmicas da equipa, foi muito útil nas primeiras bolas, onde a Naval sentiu dificuldades. Para fazer o que Cardozo fez no campeonato até à lesão (derbi à parte) chega e sobra. Mas isso também não é propriamente um elogio...



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15.11.10

Académica - Sporting: análise e números

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Porque ganhou o Sporting em Coimbra? Será seguramente uma análise redutora, mas escolheria 3 tópicos para a resposta. Porque a sua maior qualidade individual marcou a diferença. Porque teve espírito de sacrifício para se bater pela vantagem. Porque, finalmente, não lhe faltou a ponta de sorte que é sempre essencial em jogos equilibrados como este. Enfim, foi uma vitória que considero “normal”, mas nem altamente provável, nem propriamente justa. Digo-o sobretudo pela Académica que me parece ter feito um excelente jogo.

Notas colectivas
Emocionalmente, o jogo teve períodos obviamente dispares. Na primeira parte, o Sporting conseguiu vantagem e foi sempre a equipa mais confiante e que esteve mais perto do golo. Na segunda, o contrário. Há, no entanto, um denominador que esteve sempre em bases comuns durante os 90 minutos. Nunca, em nenhum momento, o Sporting foi uma equipa dominadora. Ou seja, nunca – como fez em tantos outros jogos – conseguiu ter posse continuada, relegando a Académica para um jogo de expectativa. Nunca, por incapacidade própria, mas também por mérito da Briosa.

É-me difícil quantificar o peso de certos factores na explicação desta inesperada tendência – como a ausência de Maniche, por exemplo – mas há outros que ficaram bem claros durante o jogo. Primeiro, o “pressing” sobre a primeira fase de construção. Não é de hoje que o digo, mas o Sporting tem este aspecto muito mal trabalhado em termos colectivos e em Coimbra isso foi bastante claro. A Académica conseguiu quase sempre sair a jogar em apoio, e a recuperação alta do Sporting produziu efeitos quase nulos. É curioso observar que, do outro lado, o mesmo não se passou. Ou seja, Carriço e Polga tiveram de bater mais vezes a bola por falta de apoios do que os centrais da Académica (Orlando e Berger fizeram mais passes e com muito maior % de sucesso do que Polga e Carriço). Portanto, nem o Sporting pressionou com qualidade suficiente, nem conseguiu uma circulação na primeira fase que lhe permitisse sair com mais qualidade a jogar. E isto desde o 1º minuto de jogo.

Houve no jogo uma 'nuance' curiosa, introduzida por Paulo Sérgio. Numa semana em que se falou muito da marcação individualizada movida a Hulk pelo Benfica, houve uma intenção estratégica de colocar 1 dos médios defensivos – normalmente Zapater – a jogar muito próximo de Evaldo, criando situações de 2x1 sobre Sougou, a grande ameaça em termos individuais na Académica. Ora, mesmo nem sempre revelando um posicionamento colectivo muito correcto, esta preocupação acabou por se revelar muito importante durante boa parte do jogo. Isto, porque a Académica insistiu quase sempre nesse flanco para atacar. Seria, mais tarde, quando apostou também no flanco esquerdo que os “estudantes” encontrariam situações de maior perigo para a baliza do Sporting. Aliás, exacerbando alguns detalhes decisivos do jogo, pode até dizer-se que o Sporting ganhou o jogo no corredor esquerdo.

Nota também sobre a Académica. É impressionante como as equipas espelham tão fielmente a mentalidade dos seus líderes e, nesse aspecto, há poucas lideranças tão características como a de Jorge Costa. As suas equipas nunca dão os jogos por perdidos, mas, por vezes, também os perdem quando os pareciam ter ganho. 2-2 é um empate característico de Jorge Costa e por pouco não acontecia de novo. Fora esta peculiaridade, importa dizer que a Académica fez um excelente jogo, impressionando especialmente (e surpreendendo-me, confesso) pela qualidade que revelou na sua circulação.

Notas individuais
Patrício – Fez uma defesa fantástica, esteticamente deliciosa. Não costumo comentar muito os guarda redes, porque há sempre grandes exageros na avaliação que é geralmente feita, ou pela positiva, ou pela negativa. Ou seja, não é pela exibição mas pela carreira que faço esta referência. Faço-o para dizer, fundamentalmente, que o Sporting fez uma aposta continuada e sólida num jovem e que tem hoje tudo para dar certo. Não há muitos guarda redes no mundo que na sua geração sejam melhores do que ele e se o Sporting o souber valorizar, poderá tirar frutos durante vários anos desta aposta.

Polga – É um aspecto que se tornou claro quando comecei a fazer estatísticas individuais. Polga ganha mais bolas pelo seu posicionamento do que qualquer outro central no futebol português. De cabeça ou pelo ar. Importa também dizer que era ele quem marcava Miguel Fidalgo no lance do golo (ainda que não tenha sido o único a sentir dificuldades nesse lance).

Zapater – Fez provavelmente o melhor jogo desde que chegou ao Sporting. Não combina a qualidade e a intensidade de Maniche – mas isso, em Portugal, ninguém faz – mas apresentou um rendimento excelente, sendo o jogador da equipa que mais passes completou e o médio que mais recuperações conseguiu. O seu maior problema, a meu ver, é alguma vulnerabilidade em construção, o que o leva a ter perdas de bola perigosas com demasiada frequência. Mas, neste jogo, isso também não foi um problema.

Valdés – É impressionante a viragem deste jogador desde que começou a jogar no meio. Não é uma questão estética, mas objectiva. De rendimento. Valdés agradava mas em desequilíbrios concretos tinha uma participação quase nula. Agora, mais solto, desequilibra (esteve nos 4 da equipa!), assiste e marca. A lesão de Matias pode até ter sido a melhor coisa que lhe aconteceu na carreira...



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As esperadas vitórias de Porto e Benfica (Breves)

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- Na Luz, o risco era a hipótese de uma contrariedade no jogo. A Naval conseguir um golo antes do Benfica, por exemplo. Não aconteceu e, sendo assim, nem o Benfica teve de superar essa prova mental, nem o jogo teve alguma surpresa no seu desfecho. Em relação ao jogo, é de destacar, sem dúvida, o elevado número de remates, sendo, ainda para mais, que as 36 finalizações ao longo dos 90 minutos tiveram uma divisão perfeitamente repartida. Divertido bem mais para quem viu do que para quem viveu o jogo por dentro. Ou seja, os treinadores. Porquê? Porque nem a Naval pode pensar em levar pontos da Luz defendendo como defendeu, nem o Benfica pode pensar em deixar de perder pontos se não conseguir controlar melhor o jogo e o adversário - lembro que não é situação nova, já com o Paços de Ferreira foram permitidas inúmeras finalizações. Finalmente, nota para Gaitan e Salvio. Vou aproveitar o momento para reafirmar algo que venho dizendo: são 2 jogadores de talento raro para a sua idade. Queira e saiba o Benfica dar-lhes tempo (no caso de Salvio, implica investimento) e terá, mais tarde ou mais cedo, uma dupla de desequilibradores de respeito.

- No Dragão, ainda deu para saltar da cadeira no inicio da segunda parte, quando o Portimonense ameaçou o empate. É claro que os níveis de motivação não podem ser os mesmos perante todos os adversários e, se é óbvio que ninguém relaxa voluntariamente com um resultado tangencial, não menos óbvio será que o subconsciente se encarregará de boa parte desse trabalho. No fundo, é o desafio que tinha antecipado depois do clássico: a necessidade de manter níveis de intensidade sem a ajuda preciosa que traz a pressão, dita, positiva.

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