18.11.10

Portugal - Espanha: O mérito devido de uma lição táctica

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Irei regressar com outros pontos de análise, inclusive a componente individual, mas julgo ser de inteira justiça começar por aqui, porque é aqui que reside a enorme e súbita diferença entre o passado e o presente da Selecção.

Nos primeiros triunfos da “era Bento”, o diagnóstico foi consensual. Salientou-se o demérito do seu antecessor, porque Paulo Bento apenas simplificara as coisas, criou empatia com os jogadores e escolheu os melhores. Simples, não é? Pois é, mas ninguém dá um “correctivo” destes numa equipa com a qualidade da Selecção espanhola, apenas por “dar moral” e “escolher os melhores”. Lamento.

O outro motivo a que ninguém – por ignorância ou negação – parece querer dar crédito a esta equipa é de ordem táctica, e vem na sequência daquilo que já se vira logo no jogo com a Dinamarca – e como me esforcei para o salientar! Ontem, de novo, uma lição táctica perante aquele que era, provavelmente o mais difícil dos adversários para o fazer. O resultado foi quase perfeito, soberbo!

Será interessante, para quem queira perceber, ver a forma como Portugal pressionou em todo o campo, como desafiou colectivamente o “tiki-taka” e, com organização, atitude e perseverança, acabou por aniquila-lo em 45 minutos. Será interessante comparar isso com o banal “ferrolho” do Mundial, ou mesmo com qualquer uma das “eras” anteriores.

Ontem, foi provavelmente a melhor exibição que vi a Selecção fazer. Porque teve a inspiração de grandes jogadores, mas porque teve também teve uma enorme liderança por trás. No plano motivacional e táctico. Foi a Selecção com que há muito sonhava e só espero que não acabe aqui. "Don't stop", portanto.

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17.11.10

Portugal de brilho e história (Breves)

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Pensava - e escrevi-o antes - que éramos favoritos para este jogo. Agora, nunca esperava 4-0 e, obviamente, será muito difícil alguma vez tal resultado se repetir. Mas não foi só o resultado. Esta foi uma das melhores exibições da história da Selecção, havendo muito bem mais do que os 4 golos marcados. Voltarei ao tema com uma análise mais detalhada, mas não quero deixar de expressar a minha enorme satisfação por aquilo a que assistimos. Porque acredito - e sempre o afirmei - que Portugal tem um potencial extraordinário e ao nível das melhores selecções do mundo, e porque acreditei - afirmando-o também - que o impacto de Paulo Bento iria servir para aproximar, talvez como nunca, a equipa desse valor. Pena é que esta vitória histórica não dê pontos, porque o apuramento está tudo menos garantido.

já agora, relembro este vídeo:

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16.11.10

Benfica - Naval: Análise e números

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“Foi um bom espectáculo”. A frase é empregue frequentemente mas nem sempre com a justiça com que este jogo a mereceu. Um “bom espectáculo” não quer dizer forçosamente que tenha sido um “bom jogo”, ou que o seu interesse tenha sido por aí além. Enfim, será mais uma questão de gosto do que outra coisa. A mim, pessoalmente, interessa-me mais o critério, a estratégia e racionalidade colectiva. Também gosto mais do espectáculo, claro, mas quando este resulta do mérito e não tanto de algum desleixo na abordagem que é feita ao jogo. E esse foi, a meu ver, um pouco o caso deste Benfica-Naval. Um “bom espectáculo”, muito mais do que um “bom jogo”. No fim, ganhou o Benfica e por larga diferença. Uma diferença que se justifica pelo volume ofensivo, mas que poderia ter sido atenuada com um golo que a Naval também não deixou de justificar.

Notas colectivas
Como se explica então o ritmo de parada e resposta que se viu durante muito tempo, nomeadamente na primeira parte? Sem tirar mérito – que o houve – às acções ofensivas, há que falar daquilo que as defensas não fizeram. Isto porque, se a Naval tem aspirações de retirar pontos a um “grande”, não pode cometer tantos erros na sua linha mais recuada e, por outro lado, o próprio Benfica não pode esperar deixar de passar por sobressaltos se não se acautelar melhor defensivamente.

Em relação ao Benfica, já acontecera a mesma situação com o Paços, que também conseguira um número de finalizações elevadíssimo na Luz. Desta vez a origem não é exactamente a mesma, porque o Paços conseguira impedir o Benfica de sair a jogar através de um pressing mais alto que forçou o Benfica a bater bolas longas e a disputar um jogo mais físico no meio campo. Desta vez, a origem não se repetiu mas o “meio” foi o mesmo.

Ou seja, o Benfica foi, é e continuará a ser uma tacticamente forte. Muito forte, mesmo. Posiciona-se muito bem em todos os momentos e reage rapidamente a todas as mudanças de situação no jogo. O problema é que o modelo de Jesus é bastante exigente porque arrisca sempre muito quando em posse da bola. Opta por uma circulação muito vertical e não hesita em colocar muita gente nos processos ofensivos. Neste sentido, o maior problema desta época – como várias, e várias vezes tentei explicar – está na segurança do passe na zona de construção. Ou seja, perdendo a bola em zona não muito alta, torna-se muito difícil lidar com a transição ataque-defesa, mesmo se a reacção colectiva me parece francamente boa após a perda. Foi isso que custou derrotas como as da Supertaça, de Guimarães, frente a Schalke ou Lyon.

Contra a Naval isso não aconteceu com especial frequência ou gravidade, mas houve alguma displicência na forma como a equipa defendeu, empregando pouca agressividade em duelos individuais que, sendo sucessivamente perdidos, abriram caminho às ocasiões que todos observamos na primeira parte do jogo.

Quanto à Naval, para além de ter permitido muitas ocasiões por parte do Benfica – normalmente uma goleada resulta de uma eficácia assinalável, mas este nem foi um desses casos – permitiu também que essas ocasiões fossem bastante claras. Para comprová-lo basta atentar a este dado: enquanto que no campeonato, o Benfica leva apenas, e média, 40% das suas finalizações à baliza, neste jogo 15 em 20 (75%) tiveram esse desfecho. De assinalar os inúmeros erros que a equipa cometeu no seu último terço, em particular na sua última linha defensiva.

Notas individuais
Coentrão – Não se pode dizer que tenha jogado mal, mas foi uma actuação francamente modesta e discreta para as suas potencialidades, e num jogo que tinha tudo para conseguir outro protagonismo. Pode ser coincidência, mas é impossível deixar de constatar que tal acontece no primeiro jogo após a hecatombe do Dragão.

David Luiz – Ao contrário do que aconteceu no Dragão, creio que a sua actuação deve ser censurada. A forma como abordou os duelos com Fábio Junior foi displicente e custou-lhe a perda de algumas situações proibidas e desnecessárias. Parece desleixo, e parece também estranho porque o aviso sobre a qualidade de Fábio Júnior já vinha do ano anterior.

Airton – Foi o jogador com mais passes completados, com mais intercepções e com maior % de passe da equipa. Um feito que Javi Garcia, nas 10 utilizações como titular nunca havia conseguido. Aliás, Garcia só por 2 vezes fez mais passes do que Airton neste jogo, e em nenhuma ocasião conseguiu tantas intercepções. O espanhol entenderá melhor o modelo e terá uma melhor noção posicional, mas não é, nem tão reactivo, nem tão forte nos duelos individuais, nem tão pouco tão certo no passe como Airton (apesar deste ter cometido 2 erros a este nível). Não digo que Airton só tenha vantagens, ou que o Benfica esteja mal servido com Javi, mas creio – já de há algum tempo, e com sucessivo reforço dessa ideia – que é o brasileiro quem garante melhor rendimento no desempenho do lugar.

Aimar – Fez provavelmente o seu melhor jogo no campeonato. Isto, porque o número de desequilíbrios que criou é incomparável com qualquer outra actuação na prova, ficando a dever a si próprio pelo menos 1 golo, que só por manifesta infelicidade não aconteceu. Ainda assim tenho uma critica a apontar-lhe. 60% de sequência em todas as posses que teve é muito pouco para quem joga ao longo de todo o corredor central. Aimar pode e deve trabalhar melhor o critério quando baixa para zonas onde o risco deve ser menor. E isso, assinale-se, já lhe custou, a ele e à equipa, alguns dissabores esta época.

Gaitan – Tivesse Gaitan outro nome e outra reputação e teria feito todas as manchetes do dia seguinte. Isto porque a sua exibição foi simplesmente estrondosa. Marcou 2 excelentes golos e ainda participou num total de 6(!) desequilíbrios da equipa. Para além disso, evitou erros que vinha comentendo em posse e teve um desempenho defensivo bastante bom, o melhor dos 5 jogadores mais ofensivos. Aliás, sobre isto importa dizer que Gaitan não é um jogador especialmente agressivo e, por exemplo, não consegue ser muito útil num pressing mais alto. Mas, por outro lado, é um jogador que se posiciona bem tacticamente e que tem esse sentido de responsabilidade colectivo. O seu maior problema, a meu ver, é a decisão em posse em zonas mais atrasadas, onde ainda arrisca demasiado e onde já perdeu demasiadas bolas nesta temporada.

Salvio – É mais agressivo do que Gaitan, está a melhorar claramente, mas sente mais dificuldades em termos tácticos. Porquê? Porque Salvio sempre foi um jogador de último terço, mais avançado do que médio, com menos responsabilidades tácticas e sem a necessidade de decidir com frequência a 50 metros da baliza. Nem na Argentina, nem no pouco tempo em que esteve no Atlético. Mas – repito – dê-se-lhe tempo...

Kardec – Marcou um golo e, mesmo se continuou ausente das dinâmicas da equipa, foi muito útil nas primeiras bolas, onde a Naval sentiu dificuldades. Para fazer o que Cardozo fez no campeonato até à lesão (derbi à parte) chega e sobra. Mas isso também não é propriamente um elogio...



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15.11.10

Académica - Sporting: análise e números

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Porque ganhou o Sporting em Coimbra? Será seguramente uma análise redutora, mas escolheria 3 tópicos para a resposta. Porque a sua maior qualidade individual marcou a diferença. Porque teve espírito de sacrifício para se bater pela vantagem. Porque, finalmente, não lhe faltou a ponta de sorte que é sempre essencial em jogos equilibrados como este. Enfim, foi uma vitória que considero “normal”, mas nem altamente provável, nem propriamente justa. Digo-o sobretudo pela Académica que me parece ter feito um excelente jogo.

Notas colectivas
Emocionalmente, o jogo teve períodos obviamente dispares. Na primeira parte, o Sporting conseguiu vantagem e foi sempre a equipa mais confiante e que esteve mais perto do golo. Na segunda, o contrário. Há, no entanto, um denominador que esteve sempre em bases comuns durante os 90 minutos. Nunca, em nenhum momento, o Sporting foi uma equipa dominadora. Ou seja, nunca – como fez em tantos outros jogos – conseguiu ter posse continuada, relegando a Académica para um jogo de expectativa. Nunca, por incapacidade própria, mas também por mérito da Briosa.

É-me difícil quantificar o peso de certos factores na explicação desta inesperada tendência – como a ausência de Maniche, por exemplo – mas há outros que ficaram bem claros durante o jogo. Primeiro, o “pressing” sobre a primeira fase de construção. Não é de hoje que o digo, mas o Sporting tem este aspecto muito mal trabalhado em termos colectivos e em Coimbra isso foi bastante claro. A Académica conseguiu quase sempre sair a jogar em apoio, e a recuperação alta do Sporting produziu efeitos quase nulos. É curioso observar que, do outro lado, o mesmo não se passou. Ou seja, Carriço e Polga tiveram de bater mais vezes a bola por falta de apoios do que os centrais da Académica (Orlando e Berger fizeram mais passes e com muito maior % de sucesso do que Polga e Carriço). Portanto, nem o Sporting pressionou com qualidade suficiente, nem conseguiu uma circulação na primeira fase que lhe permitisse sair com mais qualidade a jogar. E isto desde o 1º minuto de jogo.

Houve no jogo uma 'nuance' curiosa, introduzida por Paulo Sérgio. Numa semana em que se falou muito da marcação individualizada movida a Hulk pelo Benfica, houve uma intenção estratégica de colocar 1 dos médios defensivos – normalmente Zapater – a jogar muito próximo de Evaldo, criando situações de 2x1 sobre Sougou, a grande ameaça em termos individuais na Académica. Ora, mesmo nem sempre revelando um posicionamento colectivo muito correcto, esta preocupação acabou por se revelar muito importante durante boa parte do jogo. Isto, porque a Académica insistiu quase sempre nesse flanco para atacar. Seria, mais tarde, quando apostou também no flanco esquerdo que os “estudantes” encontrariam situações de maior perigo para a baliza do Sporting. Aliás, exacerbando alguns detalhes decisivos do jogo, pode até dizer-se que o Sporting ganhou o jogo no corredor esquerdo.

Nota também sobre a Académica. É impressionante como as equipas espelham tão fielmente a mentalidade dos seus líderes e, nesse aspecto, há poucas lideranças tão características como a de Jorge Costa. As suas equipas nunca dão os jogos por perdidos, mas, por vezes, também os perdem quando os pareciam ter ganho. 2-2 é um empate característico de Jorge Costa e por pouco não acontecia de novo. Fora esta peculiaridade, importa dizer que a Académica fez um excelente jogo, impressionando especialmente (e surpreendendo-me, confesso) pela qualidade que revelou na sua circulação.

Notas individuais
Patrício – Fez uma defesa fantástica, esteticamente deliciosa. Não costumo comentar muito os guarda redes, porque há sempre grandes exageros na avaliação que é geralmente feita, ou pela positiva, ou pela negativa. Ou seja, não é pela exibição mas pela carreira que faço esta referência. Faço-o para dizer, fundamentalmente, que o Sporting fez uma aposta continuada e sólida num jovem e que tem hoje tudo para dar certo. Não há muitos guarda redes no mundo que na sua geração sejam melhores do que ele e se o Sporting o souber valorizar, poderá tirar frutos durante vários anos desta aposta.

Polga – É um aspecto que se tornou claro quando comecei a fazer estatísticas individuais. Polga ganha mais bolas pelo seu posicionamento do que qualquer outro central no futebol português. De cabeça ou pelo ar. Importa também dizer que era ele quem marcava Miguel Fidalgo no lance do golo (ainda que não tenha sido o único a sentir dificuldades nesse lance).

Zapater – Fez provavelmente o melhor jogo desde que chegou ao Sporting. Não combina a qualidade e a intensidade de Maniche – mas isso, em Portugal, ninguém faz – mas apresentou um rendimento excelente, sendo o jogador da equipa que mais passes completou e o médio que mais recuperações conseguiu. O seu maior problema, a meu ver, é alguma vulnerabilidade em construção, o que o leva a ter perdas de bola perigosas com demasiada frequência. Mas, neste jogo, isso também não foi um problema.

Valdés – É impressionante a viragem deste jogador desde que começou a jogar no meio. Não é uma questão estética, mas objectiva. De rendimento. Valdés agradava mas em desequilíbrios concretos tinha uma participação quase nula. Agora, mais solto, desequilibra (esteve nos 4 da equipa!), assiste e marca. A lesão de Matias pode até ter sido a melhor coisa que lhe aconteceu na carreira...



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As esperadas vitórias de Porto e Benfica (Breves)

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- Na Luz, o risco era a hipótese de uma contrariedade no jogo. A Naval conseguir um golo antes do Benfica, por exemplo. Não aconteceu e, sendo assim, nem o Benfica teve de superar essa prova mental, nem o jogo teve alguma surpresa no seu desfecho. Em relação ao jogo, é de destacar, sem dúvida, o elevado número de remates, sendo, ainda para mais, que as 36 finalizações ao longo dos 90 minutos tiveram uma divisão perfeitamente repartida. Divertido bem mais para quem viu do que para quem viveu o jogo por dentro. Ou seja, os treinadores. Porquê? Porque nem a Naval pode pensar em levar pontos da Luz defendendo como defendeu, nem o Benfica pode pensar em deixar de perder pontos se não conseguir controlar melhor o jogo e o adversário - lembro que não é situação nova, já com o Paços de Ferreira foram permitidas inúmeras finalizações. Finalmente, nota para Gaitan e Salvio. Vou aproveitar o momento para reafirmar algo que venho dizendo: são 2 jogadores de talento raro para a sua idade. Queira e saiba o Benfica dar-lhes tempo (no caso de Salvio, implica investimento) e terá, mais tarde ou mais cedo, uma dupla de desequilibradores de respeito.

- No Dragão, ainda deu para saltar da cadeira no inicio da segunda parte, quando o Portimonense ameaçou o empate. É claro que os níveis de motivação não podem ser os mesmos perante todos os adversários e, se é óbvio que ninguém relaxa voluntariamente com um resultado tangencial, não menos óbvio será que o subconsciente se encarregará de boa parte desse trabalho. No fundo, é o desafio que tinha antecipado depois do clássico: a necessidade de manter níveis de intensidade sem a ajuda preciosa que traz a pressão, dita, positiva.

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14.11.10

O triunfo leonino em Coimbra e o derbi minhoto (Breves)

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- Foi uma vitória importante para o Sporting e, muito especialmente, para Paulo Sérgio. Não é minimamente liquido, em face da tabela e do calendário, em que posição a equipa vai estar no final da 1ªvolta mas, pelo menos, estes pontos prolongam a esperança de uma posição mais condigna com as metas definidas. Quanto ao jogo, o Sporting começou de "smoking" e acabou em trapos. Há vários pontos a abordar: a própria réplica da Académica, a rara dificuldade do meio campo na segunda parte, o efeito desequilibrador de Vukcevic-Valdes ou questionável manutenção de Postiga, pela segunda vez consecutiva, quando o jogo nada tem a ver com as suas características. Tudo coisas que guardo para depois de uma análise mais detalhada...

- Sou um fã do derbi minhoto e aproveito para fazer um desvio ao essencial para dizer que o futebol português precisa desta vida "extra grandes", mais do que 2 fim de semanas por ano. O que acontece é que o jogo teve tanto de intensidade emocional como de pouca proximidade com o golo. É quase um feito um jogo como este ter tido 3 golos, tão poucas oportunidades foram criadas. Venceu o Vitória, num desfecho que entendia ser o mais provável. Porquê? Momento. No futebol, e dentro de um determinado patamar competitivo, o momento é quase tudo na definição dos vencedores. As equipas que o encontram dificilmente fazem más épocas e o contrário acontece com aquelas que não o conseguem encontrar. Haveria inúmeros exemplos que poderia citar, mas prefiro deixar 1 pergunta que, sendo 100% especulativa, creio responder bem à questão que quero abordar: Quais as hipóteses do Braga do ano anterior perder uma vantagem como aquela que desta vez conseguiu conquistar no Afonso Henriques?

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13.11.10

O "Rivaldo colombiano" (Giovanni Moreno)

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Não é a primeira vez que o referencio, mas agora dou-lhe outro destaque, depois de o ter observado mais cautelosamente. É um talento raro pelas suas características. Fisicamente tem todas as semelhanças com Oscar Cardozo, mas, na realidade, é um criativo, canhoto e muito forte tecnicamente. Fala-se muito de jovens revelações do futebol argentino, mas o mais entusiasmante jogador do Torneo Apertura, tem 24 anos, é colombiano e, segundo consta, foi oferecido aos "grandes" portugueses no Verão (já deve custar o dobro). Chama-se Giovanni Moreno.

Já agora, nos 3 jogos que observei, destacou-se pela invulgar criatividade e capacidade de desequilíbrio, mas também pela boa % posse que teve, numa liga onde é raro vermos jogadas com mais de 5 passes. O problema de Moreno é que para vingar na Europa precisa de alguma adaptação táctica e, estranhamente, só saiu da Colombia com 24 anos. Se vai triunfar ao mais alto nível, não é certo, mas... que é "craque", isso não há dúvidas.


Jogos observados: 3
Minutos: 258
Passes Completados p/jogo: 29
% posse: 70%
Intercepções p/jogo: 10
Perdas p/jogo: 0,7
Desequilíbrios ofensivos p/jogo: 2,4
Remates p/jogo: 5,6
Assistências p/jogo: -
Golos p/jogo: 1,0
Classificação média: 7,3

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11.11.10

Sporting - Guimarães: Análise e números

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O jogo tem 90 minutos mas, neste caso, tudo se torna irrelevante perante aquilo a que assistimos no derradeiro quarto de hora. Para se ter uma noção, a probabilidade teórica de acontecer uma reviravolta como aquela que o Vitória protagonizou – mesmo considerando a inferioridade numérica do Sporting – seria de qualquer coisa como 0,3%. É cerca de 1 em mais de 300 jogos, 3 vezes menos provável do que o Porto bater o Benfica por 5 golos. É aquilo que Taleb apelidou de “Black Swan” (cisne preto), no seu livro com o mesmo nome. A pergunta que fica é se se tratou apenas de uma estranha coincidência ou se, como identifica o próprio Taleb na sua teoria, mais uma vez o factor humano deitou por terra os padrões expectáveis da “normalidade”. Adivinhem para qual das hipóteses eu me inclino mais...

Notas colectivas
De facto, e como referi no comentário “breve” que deixei depois do jogo, o curso da partida surpreendeu-me. Esperava um Vitória muito melhor e capaz de potenciar muito mais problemas. Esperava um bloco defensivo mais fechado e difícil de ultrapassar e uma transição defesa-ataque pronta a soltar muita gente em ataque rápido. O jogo típico das equipas de Machado neste tipo de embates.

Mas não aconteceu. O Sporting esteve bem, embora não começando de forma esplêndida. Teve Vukcevic e Valdés muito inspirados e um João Pereira eléctrico, acabando por conseguir um golo que começou a inclinar muito a balança do jogo. O Vitória sentiu o golpe, começou a decidir mal com bola e, sem ela, tornou-se estranhamente permeável às cavalgadas dos jogadores do Sporting que iam furando o bloco defensivo contrário. Com o 2-0 a coisa ainda se agravou mais e entendo que o pior momento do Vitória terá sido mesmo no quarto de hora final da primeira parte. A equipa ficou à deriva perante um Sporting muito confiante, mas que acabou por, também ele, ser benévolo. Isto é, não é que o Sporting tenha criado muitas oportunidades claras nesse período, mas teve um volume de jogo enorme, encontrando permanentes facilidades em chegar ao último terço. Justificava-se um pouco mais de acutilância para chegar a um golo que não aconteceu.

Depois, a segunda parte. Não era preciso muito para o Sporting confirmar os 3 pontos. Obviamente. Mas foi também nesse momento que se viu a pouca lucidez e capacidade da equipa para reagir de acordo com as diferentes situações com o jogo lhe oferece. Não que tivesse havido uma grande reacção do Vitória. A equipa de Machado apenas se recompôs emocionalmente ao intervalo, corrigindo o desnorte com que havia finalizado a primeira parte. O golo nunca esteve especialmente eminente por parte do Vitória, mas o Sporting permitiu sempre um jogo esticado e a um ritmo que só interessaria a quem precisava de ver mais golos no jogo. Isto, até ao tal quarto de hora final.

A expulsão de Maniche é apenas um dado a acrescentar àquele que considero ter sido verdadeiramente o catalisador do deslize leonino: o primeiro golo. Foi realmente a partir daí que o Sporting se perdeu por completo como equipa, permitindo logo de seguida o empate e ainda o impensável terceiro golo, numa transição, essa sim característica das equipas de Machado.

Sobre o Sporting, há 2 coisas a concluir da segunda parte. A primeira, em termos tácticos, é que esta equipa parece apenas preparada para jogar quando precisa de golos. Quando está numa situação favorável, não sabe gerir o jogo, não sabe utilizar o espaço em transição ou uma posse mais especulativa, baixando ritmos e tempos de jogo. A segunda conclusão é mais grave. Qualquer equipa precisa de ser forte psicologicamente, de ter confiança na sua proposta e nas suas potencialidades. É isso – não canso de repetir – que distingue as equipas de grande sucesso, das outras. O que aconteceu nos últimos 15 minutos foi a evidência de que a confiança desta equipa é tão sólida como qualquer castelo de cartas.

Sobre o Vitória, importa dizer que, embora continue sem deslumbrar ninguém, Machado está a fazer um excelente campeonato em termos pontuais e prepara-se realmente para discutir um lugar com o Sporting, possivelmente mesmo até ao fim da prova. O jogo com o Braga será mais uma etapa importante na afirmação do estatuto da equipa na tabela. Importa dizer que, se o Vitória não teve um grande desempenho na primeira parte e contou também com grande eficácia na parte final, também não lhe pode ser retirado qualquer mérito na reviravolta. É que, ao contrário do Sporting, o Vitória – por mérito de Machado – sabe bem interpretar as diferentes fases do jogo e reagir de acordo com aquilo que elas pedem à equipa. E isso é meio caminho andado.

Notas individuais
Centrais – A nota que quero deixar não tanto a ver com o rendimento dos 2 jogadores neste jogo, mas com a gestão que entendo dever ser feita. Ou seja, nesta altura já devia estar claro que os problemas do Sporting não passam por questões individuais. Mais importante do que descobrir quem é melhor do que quem, é potenciar o rendimento colectivo dos jogadores e para isso é preciso dar-lhes confiança. Paulo Sérgio, em minha opinião, ganharia em eleger 1 dupla de centrais e dar-lhe tempo. Tem um bom exemplo no Porto, onde a qualidade individual nesta posição não é, em meu entender, superior à do Sporting.

André Santos – Também não vou comentar especificamente este jogo, que não foi um dos seus melhores – embora tenha sido vitima do jogo pouco pensado da equipa, sendo que o Sporting fez muito menos passes do que normalmente faz. O ponto serve apenas para referir que André Santos, embora com alguns pontos onde pode e deve melhorar, é já uma aposta ganha do Sporting. Um jogador que garante melhor rendimento do que Zapater, por exemplo.

Maniche – Para além da expulsão estava a fazer um jogo abaixo do que lhe é habitual – com as mesmas atenuantes que André Santos. Ainda assim estava tudo menos a jogar mal. Maniche é agora o novo responsável pelos problemas do Sporting. O seu excesso de agressividade não é de hoje e não será no Sporting que ele se vai corrigir. Queira o Sporting que esse seja o seu único mal e que o seu rendimento se mantenha como até aqui. Queira, já agora, também que não se cometa o erro de agravar ainda mais o mal que está feito. Ou seja, se o Sporting decidir penalizar desportivamente Maniche poderá pagar caro por isso. Repito que Maniche é o melhor jogador do Sporting nesta época e com alguma distância e não tenho a certeza até que ponto a sua ausência pode mesmo ser decisiva. Vamos ver já em Coimbra.

João Pereira – Fez um jogo pleno de intensidade, correu quilómetros a uma intensidade tremenda, criou lances de golo, recuperou e deu quase sempre boa sequência às jogadas que passaram por ele. O problema é o “quase”. É que as (poucas) bolas que perdeu tiveram consequências...

Valdés – Paulo Sérgio pode ter aberto uma nova era na carreira de Valdés. E não me refiro apenas à sua passagem no Sporting. A sua capacidade técnica é invulgar, como é fácil de ver. O que aconteceu tantas vezes foi que o chileno, jogando na ala, pouca ou nenhuma consequência dava ao seu futebol. Jogando mais perto da baliza parece tornar-se muito mais perigoso. Primeiro, porque sendo difícil de lhe tirar a bola, quando a tem perto da baliza, o problema torna-se muito maior para quem defende. Depois, porque ao contrário do que acontece com a maioria dos extremos, Valdés revela uma notável capacidade para se mover ao longo de toda a largura do campo.



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