14.11.10

O triunfo leonino em Coimbra e o derbi minhoto (Breves)

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- Foi uma vitória importante para o Sporting e, muito especialmente, para Paulo Sérgio. Não é minimamente liquido, em face da tabela e do calendário, em que posição a equipa vai estar no final da 1ªvolta mas, pelo menos, estes pontos prolongam a esperança de uma posição mais condigna com as metas definidas. Quanto ao jogo, o Sporting começou de "smoking" e acabou em trapos. Há vários pontos a abordar: a própria réplica da Académica, a rara dificuldade do meio campo na segunda parte, o efeito desequilibrador de Vukcevic-Valdes ou questionável manutenção de Postiga, pela segunda vez consecutiva, quando o jogo nada tem a ver com as suas características. Tudo coisas que guardo para depois de uma análise mais detalhada...

- Sou um fã do derbi minhoto e aproveito para fazer um desvio ao essencial para dizer que o futebol português precisa desta vida "extra grandes", mais do que 2 fim de semanas por ano. O que acontece é que o jogo teve tanto de intensidade emocional como de pouca proximidade com o golo. É quase um feito um jogo como este ter tido 3 golos, tão poucas oportunidades foram criadas. Venceu o Vitória, num desfecho que entendia ser o mais provável. Porquê? Momento. No futebol, e dentro de um determinado patamar competitivo, o momento é quase tudo na definição dos vencedores. As equipas que o encontram dificilmente fazem más épocas e o contrário acontece com aquelas que não o conseguem encontrar. Haveria inúmeros exemplos que poderia citar, mas prefiro deixar 1 pergunta que, sendo 100% especulativa, creio responder bem à questão que quero abordar: Quais as hipóteses do Braga do ano anterior perder uma vantagem como aquela que desta vez conseguiu conquistar no Afonso Henriques?

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13.11.10

O "Rivaldo colombiano" (Giovanni Moreno)

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Não é a primeira vez que o referencio, mas agora dou-lhe outro destaque, depois de o ter observado mais cautelosamente. É um talento raro pelas suas características. Fisicamente tem todas as semelhanças com Oscar Cardozo, mas, na realidade, é um criativo, canhoto e muito forte tecnicamente. Fala-se muito de jovens revelações do futebol argentino, mas o mais entusiasmante jogador do Torneo Apertura, tem 24 anos, é colombiano e, segundo consta, foi oferecido aos "grandes" portugueses no Verão (já deve custar o dobro). Chama-se Giovanni Moreno.

Já agora, nos 3 jogos que observei, destacou-se pela invulgar criatividade e capacidade de desequilíbrio, mas também pela boa % posse que teve, numa liga onde é raro vermos jogadas com mais de 5 passes. O problema de Moreno é que para vingar na Europa precisa de alguma adaptação táctica e, estranhamente, só saiu da Colombia com 24 anos. Se vai triunfar ao mais alto nível, não é certo, mas... que é "craque", isso não há dúvidas.


Jogos observados: 3
Minutos: 258
Passes Completados p/jogo: 29
% posse: 70%
Intercepções p/jogo: 10
Perdas p/jogo: 0,7
Desequilíbrios ofensivos p/jogo: 2,4
Remates p/jogo: 5,6
Assistências p/jogo: -
Golos p/jogo: 1,0
Classificação média: 7,3

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11.11.10

Sporting - Guimarães: Análise e números

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O jogo tem 90 minutos mas, neste caso, tudo se torna irrelevante perante aquilo a que assistimos no derradeiro quarto de hora. Para se ter uma noção, a probabilidade teórica de acontecer uma reviravolta como aquela que o Vitória protagonizou – mesmo considerando a inferioridade numérica do Sporting – seria de qualquer coisa como 0,3%. É cerca de 1 em mais de 300 jogos, 3 vezes menos provável do que o Porto bater o Benfica por 5 golos. É aquilo que Taleb apelidou de “Black Swan” (cisne preto), no seu livro com o mesmo nome. A pergunta que fica é se se tratou apenas de uma estranha coincidência ou se, como identifica o próprio Taleb na sua teoria, mais uma vez o factor humano deitou por terra os padrões expectáveis da “normalidade”. Adivinhem para qual das hipóteses eu me inclino mais...

Notas colectivas
De facto, e como referi no comentário “breve” que deixei depois do jogo, o curso da partida surpreendeu-me. Esperava um Vitória muito melhor e capaz de potenciar muito mais problemas. Esperava um bloco defensivo mais fechado e difícil de ultrapassar e uma transição defesa-ataque pronta a soltar muita gente em ataque rápido. O jogo típico das equipas de Machado neste tipo de embates.

Mas não aconteceu. O Sporting esteve bem, embora não começando de forma esplêndida. Teve Vukcevic e Valdés muito inspirados e um João Pereira eléctrico, acabando por conseguir um golo que começou a inclinar muito a balança do jogo. O Vitória sentiu o golpe, começou a decidir mal com bola e, sem ela, tornou-se estranhamente permeável às cavalgadas dos jogadores do Sporting que iam furando o bloco defensivo contrário. Com o 2-0 a coisa ainda se agravou mais e entendo que o pior momento do Vitória terá sido mesmo no quarto de hora final da primeira parte. A equipa ficou à deriva perante um Sporting muito confiante, mas que acabou por, também ele, ser benévolo. Isto é, não é que o Sporting tenha criado muitas oportunidades claras nesse período, mas teve um volume de jogo enorme, encontrando permanentes facilidades em chegar ao último terço. Justificava-se um pouco mais de acutilância para chegar a um golo que não aconteceu.

Depois, a segunda parte. Não era preciso muito para o Sporting confirmar os 3 pontos. Obviamente. Mas foi também nesse momento que se viu a pouca lucidez e capacidade da equipa para reagir de acordo com as diferentes situações com o jogo lhe oferece. Não que tivesse havido uma grande reacção do Vitória. A equipa de Machado apenas se recompôs emocionalmente ao intervalo, corrigindo o desnorte com que havia finalizado a primeira parte. O golo nunca esteve especialmente eminente por parte do Vitória, mas o Sporting permitiu sempre um jogo esticado e a um ritmo que só interessaria a quem precisava de ver mais golos no jogo. Isto, até ao tal quarto de hora final.

A expulsão de Maniche é apenas um dado a acrescentar àquele que considero ter sido verdadeiramente o catalisador do deslize leonino: o primeiro golo. Foi realmente a partir daí que o Sporting se perdeu por completo como equipa, permitindo logo de seguida o empate e ainda o impensável terceiro golo, numa transição, essa sim característica das equipas de Machado.

Sobre o Sporting, há 2 coisas a concluir da segunda parte. A primeira, em termos tácticos, é que esta equipa parece apenas preparada para jogar quando precisa de golos. Quando está numa situação favorável, não sabe gerir o jogo, não sabe utilizar o espaço em transição ou uma posse mais especulativa, baixando ritmos e tempos de jogo. A segunda conclusão é mais grave. Qualquer equipa precisa de ser forte psicologicamente, de ter confiança na sua proposta e nas suas potencialidades. É isso – não canso de repetir – que distingue as equipas de grande sucesso, das outras. O que aconteceu nos últimos 15 minutos foi a evidência de que a confiança desta equipa é tão sólida como qualquer castelo de cartas.

Sobre o Vitória, importa dizer que, embora continue sem deslumbrar ninguém, Machado está a fazer um excelente campeonato em termos pontuais e prepara-se realmente para discutir um lugar com o Sporting, possivelmente mesmo até ao fim da prova. O jogo com o Braga será mais uma etapa importante na afirmação do estatuto da equipa na tabela. Importa dizer que, se o Vitória não teve um grande desempenho na primeira parte e contou também com grande eficácia na parte final, também não lhe pode ser retirado qualquer mérito na reviravolta. É que, ao contrário do Sporting, o Vitória – por mérito de Machado – sabe bem interpretar as diferentes fases do jogo e reagir de acordo com aquilo que elas pedem à equipa. E isso é meio caminho andado.

Notas individuais
Centrais – A nota que quero deixar não tanto a ver com o rendimento dos 2 jogadores neste jogo, mas com a gestão que entendo dever ser feita. Ou seja, nesta altura já devia estar claro que os problemas do Sporting não passam por questões individuais. Mais importante do que descobrir quem é melhor do que quem, é potenciar o rendimento colectivo dos jogadores e para isso é preciso dar-lhes confiança. Paulo Sérgio, em minha opinião, ganharia em eleger 1 dupla de centrais e dar-lhe tempo. Tem um bom exemplo no Porto, onde a qualidade individual nesta posição não é, em meu entender, superior à do Sporting.

André Santos – Também não vou comentar especificamente este jogo, que não foi um dos seus melhores – embora tenha sido vitima do jogo pouco pensado da equipa, sendo que o Sporting fez muito menos passes do que normalmente faz. O ponto serve apenas para referir que André Santos, embora com alguns pontos onde pode e deve melhorar, é já uma aposta ganha do Sporting. Um jogador que garante melhor rendimento do que Zapater, por exemplo.

Maniche – Para além da expulsão estava a fazer um jogo abaixo do que lhe é habitual – com as mesmas atenuantes que André Santos. Ainda assim estava tudo menos a jogar mal. Maniche é agora o novo responsável pelos problemas do Sporting. O seu excesso de agressividade não é de hoje e não será no Sporting que ele se vai corrigir. Queira o Sporting que esse seja o seu único mal e que o seu rendimento se mantenha como até aqui. Queira, já agora, também que não se cometa o erro de agravar ainda mais o mal que está feito. Ou seja, se o Sporting decidir penalizar desportivamente Maniche poderá pagar caro por isso. Repito que Maniche é o melhor jogador do Sporting nesta época e com alguma distância e não tenho a certeza até que ponto a sua ausência pode mesmo ser decisiva. Vamos ver já em Coimbra.

João Pereira – Fez um jogo pleno de intensidade, correu quilómetros a uma intensidade tremenda, criou lances de golo, recuperou e deu quase sempre boa sequência às jogadas que passaram por ele. O problema é o “quase”. É que as (poucas) bolas que perdeu tiveram consequências...

Valdés – Paulo Sérgio pode ter aberto uma nova era na carreira de Valdés. E não me refiro apenas à sua passagem no Sporting. A sua capacidade técnica é invulgar, como é fácil de ver. O que aconteceu tantas vezes foi que o chileno, jogando na ala, pouca ou nenhuma consequência dava ao seu futebol. Jogando mais perto da baliza parece tornar-se muito mais perigoso. Primeiro, porque sendo difícil de lhe tirar a bola, quando a tem perto da baliza, o problema torna-se muito maior para quem defende. Depois, porque ao contrário do que acontece com a maioria dos extremos, Valdés revela uma notável capacidade para se mover ao longo de toda a largura do campo.



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10.11.10

Porto - Benfica: lances decisivos (Vídeo)

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O vídeo pretende ser auto explicativo, pelo que não me vou alongar em muitos detalhes. Apenas reforçar alguns pontos:

- No primeiro golo, para além do isolamento de David Luiz, há uma lentidão enorme na reacção de Sidnei. Veja-se o espaço que Hulk percorre, desde o arranque até à altura do cruzamento.

- No segundo golo, para além de nova descompensação defensiva, destaco a descoordenação absolutamente atípica na linha defensiva do Benfica, com Sidnei a tentar, sozinho e sem qualquer acompanhamento dos restantes defensores, o fora de jogo de Belluschi.

- No terceiro golo, a demora de Coentrão a chegar a Sapunaru. Em 4-4-2 clássico, a primeira linha do pressing do Benfica é menos agressiva (algo que não escrevi ontem). Depois o movimento de Belluschi - de novo sobre a direita - a atacar a profundidade perante o Benfica, normalmente muito forte no fora de jogo. Não sei se foi intencional ou se saiu da inspiração dos jogadores, mas resultou muito bem a complementaridade de movimentos entre Belluschi e Falcao/Hulk.

- Em tudo, e em todo o jogo, um diferença enorme de confiança na execução, quer técnica, quer táctica dos jogadores. A eficácia do Porto contrasta com o desacerto do Benfica, bem espelhada nos pontapés de canto.

- Pegando no último ponto: porque não poupou Villas Boas a maioria dos titulares no jogo com o Besiktas?

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9.11.10

Porto - Benfica: Análise e números

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(carregar na imagem para ver separadamente)
A emotividade que o próprio jogo acarreta conduz sempre a uma exacerbação da análise que é feita à posteriori. Tudo em função daquilo que, afinal, é o que mais importa para todos: o resultado. Neste caso, “baile”, “banho”, “vergonha” ou “incompetência”, são palavras que, ora pela positiva, ora pela negativa, surgem com frequência no léxico do pós-jogo, mas que são muito mais o reflexo de um sentimento final do que da síntese objectiva do jogo em si. Quero eu com isto dizer que a goleada portista surge como consequência de um jogo excepecionalmente perfeito de uma das equipas, perante a impotência da outra. “Perfeito”, não por um eventual massacre, mas, “perfeito”, pela ausência quase total de erros e pela eficácia plena no aproveitamento ofensivo. “Impotência”, não por um demérito extremo, mas, “impotência”, por uma incapacidade, até certo ponto normal, de contrariar a força do adversário. Porque, se foi seguramente o pior resultado da equipa, este está longe de ter sido jogo menos conseguido que o Benfica fez.


Notas colectivas: Porto
A palavra “perfeição” ajusta-se na plenitude à exibição. O plano de jogo foi cumprido à risca, como muito raramente acontece. O objectivo, claro, nunca é golear, mas ganhar de forma controlada. O Porto goleou porque foi excepcionalmente eficaz, mas nunca perdeu o controlo do jogo e do adversário. Nem no inicio, quando as coisas ainda estavam iguais. Nem no meio, quando o Benfica ainda pensava reagir. Nem, tão pouco, no segundo tempo, quando, com o jogo “no bolso”, poderia haver alguma tendência para o facilitismo. Por tudo isto, digo que foi perfeito.

Podemos falar dos aspectos tácticos, e eu já várias vezes o fiz. Na forma como a
equipa procurou neutralizar o adversário com uma zona de pressão concentrada, agressiva e densa, que partia da linha média, mas que crescia no campo. Com uma primeira fase do pressing que tentava orientar e facilitar o trabalho dos recuperadores. Com uma transição preparada a partir dessa zona de recuperação e que potenciava os desequilibradores da equipa. Com Sapunaru mais prudente, mantendo equilíbrios no corredor quando em posse. Com Belluschi a colmatar a prudência do lateral e a ser o elemento de desequilíbrio junto de Hulk. Com uma posse paciente e confiante, capaz de decidir bem e envolver com segurança a primeira linha de pressão do Benfica.

Podemos falar de tudo isto, mas o aspecto que mais quero destacar é o aspecto emocional. A equipa vem sendo consecutivamente trabalhada neste aspecto por Villas Boas, desde o inicio de época. Mais do que aspectos físicos ou delírios tácticos, Villas Boas tem gerido meticulosamente os índices mentais dos jogadores e da equipa. O reforço consecutivo da equipa e dos protagonistas na sua proposta de jogo conduziu a um crescendo de confiança que, em combinação com a qualidade e o talento, fazem desta uma equipa altamente lúcida e capaz de interpretar com grande segurança todos os momentos de jogo. Uma equipa, também, e por consequência, anormalmente eficaz no aproveitamento das situações que cria no jogo.

O Porto goleou e transformou-se rapidamente na melhor equipa do país, muito pela confiança que soube adquirir e cultivar. Hoje tira partido disso e, se a souber continuar a trabalhar e valorizar, não é de excluir a hipótese de uma “limpeza” de títulos esta temporada.

Notas colectivas: Benfica
Tal como havia antevisto, Jesus mexeu, como gosta de mexer nestes jogos. Manteve o 4-4-2 clássico com que vencera o Lyon e, também algo previsivelmente, recompôs a ala esquerda e escolheu 1, entre Saviola e Aimar. Seria uma “vitória táctica”, se tivesse corrido bem, ninguém duvide. Assim, como aconteceu tudo ao contrário, Jesus é, por estes dias, uma das pessoas que menos percebe de futebol em Portugal.

Vamos por partes. Começando pelo flanco esquerdo, creio que se justificava uma óbvia preocupação com Hulk e, noutras circunstâncias, não seria descabido utilizar David Luiz à esquerda. O ponto é que, por um lado, era preciso ter cautelas na exposição em transição e, por outro, era óbvio que a capacidade individual de Hulk mereceria cautelas especiais, mesmo em ataque organizado. O erro está muito mais na forma como se tentou parar Hulk do que na escolha dos protagonistas. Ou seja, Hulk teria de ser parado zonalmente e não individualmente. Com situações de cobertura defensiva e não pela crença numa performance heróica no duelo individual.

O grande problema da utilização de David Luiz não está em alguma perda de capacidade de resposta defensiva em relação a Coentrão. Está, isso sim, naquilo que implicaria por arrasto. Ou seja, mexer de mais, noutra zona da defesa, e mexer num jogador que tem um peso relevante na forma de jogar da equipa, em todos os seus momentos. Porque, de resto, percebe-se a preocupação de Jesus em termos individuais. Ou seja, “prender” Coentrão seria perder uma mais valia ofensiva. O facto – e isto é muito mais fácil de ver depois – é que perdeu David Luiz e acabou por perder também o próprio Coentrão, que fez um jogo péssimo.

Quanto ao resto, ao 4-4-2 clássico e à opção de deixar Saviola de fora, sou critico sobretudo em relação à opção individual. Saviola é o jogador que mais problemas cria em termos de movimentação e, mesmo se vem caindo em termos de confiança e rendimento técnico, está longe de ser um elemento discutível no onze. Manter um elemento com as características de Kardec/Cardozo e retirar um elemento mais criativo é uma opção que acho discutível mas que há muito faz parte da filosofia de Jesus. O Benfica já se deu muito bem com isso e não acho intelectualmente honesto que seja agora crucificado por isso.

Importa dizer, com tudo isto, que o Benfica fez um jogo bem menos errático do que na Supertaça, em Guimarães ou em Lyon. Foi goleado porque, simplesmente, encontrou do outro lado uma equipa inabalável mentalmente e que puniu todos os erros que provocou. Como disse no inicio, este esteve longe de ser o jogo menos conseguido da equipa.

Por fim, discordar de uma ideia que agora vem sendo muito passada, com o habitual exagero destas alturas. Diz-se que o Benfica jogou em função do Porto, mas essa critica tem de definir melhor os seus limites. Todas as equipas se adaptam perante adversários mais fortes e o próprio Porto o fez, estrategicamente. Uma coisa, porém, é alterar a estratégia e ajustar comportamentos, outra é mexer estruturalmente, passando por cima da própria identidade da equipa. Concordo que Jesus terá roçado esse limite, mas nunca que o tenha ultrapassado de forma clara.

Notas individuais: Porto
Sapunaru – Se alguém tem dúvidas sobre o que pode fazer a confiança, repare-se no rendimento de Sapunaru. Ganhou mais bolas do que qualquer outro jogador na partida e não teve 1 erro que se identifique.

Moutinho – Ser o “relógio” em alguns jogos de menor grau de dificuldade é uma coisa, nestes é outra. Não esteve nos desequilíbrios, mas foi, de longe, o jogador mais influente no meio campo. Isto é um grande elogio, por ser frente ao Benfica, mas também porque, ao contrário do que muitas vezes se diz, nem sempre é assim.

Belluschi – Um pouco em contra-ciclo com Moutinho. Ou seja, foi um jogador importantíssimo na definição do jogo e nos desequilíbrios, mas no resto esteve um pouco abaixo do que lhe é possível e habitual. Mas aqui, e também em contra-ciclo com Moutinho, o crédito que lhe é normalmente dado também é bastante inferior àquele que merece.

Hulk – Foi o herói do jogo e será seguramente o herói deste campeonato. Mais palavras para quê? Está à vista de todos...

Notas individuais: Benfica
David Luiz – Foi o vilão do jogo, mas injustamente. Não que tivesse estado bem, mas porque esteve longe de ter sido por sua causa que o jogo se decidiu. Ou seja, parar Hulk com 15 metros nas costas é algo que não se pode pedir a ninguém. Seria ele ou outro qualquer. No segundo golo tem responsabilidade na origem do lance, mas a sequência, mais uma vez, transforma-o mais em vitima do que réu, pela forma pouco solidária como a equipa respondeu.

Sidnei – A contabilidade estatística não lhe faz justiça. Esteve envolvido nos 3 primeiros golos com comportamentos colectivos errados – se é responsabilidade individual ou colectiva, já não posso afirmar – e não justificou minimamente a confiança. É muito jovem e tem evidente potencial, mas desfazer a dupla Luisão-David Luiz custou caro.

Luisão – Prejudicou gravemente a equipa com a sua expulsão, tendo, provavelmente desencadeado a goleada. Foi notório, pela linguagem gestual ao longo do jogo, que a frustração o estava a afectar. É pena, porque sabe mais, e porque estava a ser o melhor da equipa até à expulsão.

Carlos Martins – A sua presença foi importante. A equipa criou mais opções na saída de jogo e o Porto não provocou tantas perdas de bola nessa situação como na Supertaça, por exemplo. Depois, esteve também combativo e útil no trabalho de meio campo – o que nem sempre acontece. Só o medo de uma expulsão justifica a sua substituição.

Salvio – Para mim – e apesar de não ter feito um grande jogo – é mais um bom sinal que dá. Esteve bem tecnicamente num jogo muito difícil e, para além disso, demonstrou também óptima atitude e intensidade sem bola. Justifica uma continuidade na aposta.

Coentrão – Em absoluto, um jogo para esquecer. Primeiro como médio, forçou demasiado e perdeu sempre perante a maior solidariedade portista. Depois, como lateral, teve um erro decisivo ao entregar a bola a Hulk, possibilitando 1x1 que resultou no penalti. Acontece, e não é por isso que tem de deixar de ser um dos melhores laterais esquerdos do futebol mundial.



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8.11.10

Reviravolta do Vitória em Alvalade (Breves)

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- Há 1 semana tinha referido que o Sporting poderia ser o adversário ideal para a estratégia de Machado. A verdade é que, ao contrário do que diz o resultado, esse prognóstico não se confirmou. Alvalade viu os melhores 45 minutos da sua equipa neste campeonato e o Vitória ficou também muito a dever a si próprio, num período que deveria ter sentenciado o jogo e o vencedor. Não aconteceu porque o futebol guardaria para mais tarde mais um episódio que demonstra bem a sua natureza imprevisível, como jogo humano que é. Maniche será o réu à posteriori e a sua atitude é, obviamente, tanto censurável como indesculpável num jogador da sua experiência. Um vermelho, porém, não é minimamente suficiente para justificar uma tamanha derrocada em apenas 15 minutos. O vermelho - e para usar uma expressão da moda - foi uma espécie de "clique" para um descontrolo emocional inaceitável e impróprio de uma equipa que se propõe ganhar títulos. Resta agora saber que tipo de "clique" poderá representar este resultado na caminhada da equipa. Isto, num jogo que, como referi no princípio, tinha tudo para ter o efeito oposto.

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A goleada no Porto-Benfica e a derrota de Domingos(Breves)

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- A análise detalhada ficará para mais tarde, mas, face ao que escrevi na antevisão, não custa perceber como as "bases" do jogo em nada me surpreenderam. Confirmou-se a manutenção da estrutura por parte de Villas Boas e a repetição da estratégia da Supertaça. Do lado do Benfica também se confirmou a previsão do 4-4-2 clássico e uma mexida na lateral esquerda com uma opção mais defensiva. A principal critica que tenho a fazer a Jesus é por ter voltado a esbarrar num adversário que adoptou a mesma estratégia da Supertaça. Isso, e a agravante de ter escolhido uma forma individualizada para parar Hulk. Quanto à estrutura e aos deslizes individuais, serão criticas tão esperadas no pós-jogo, como infundadas. Primeiro, porque o "espalhanço" estratégico (mais um!) pouco ou nada tem a ver com a estrutura. Depois, porque não há neste planeta soluções individuais (1x1) que resolvessem o "problema Hulk". Pelo menos, eu não conheço...

- Será curioso ver o que resta destas equipas, numa situação em que todos sentem o campeonato resolvido. É um desafio fantástico para ambos os treinadores. Num caso, manter níveis de concentração e motivação altos, sem a pressão positiva para ajudar. No outro, recuperar uma equipa e motivá-la para um objectivo em que ninguém objectivamente acredita.

- Com o clássico, já ninguém se lembra, mas Domingos perdeu em casa para o campeonato. Pela primeira vez no Braga e pela sexta vez na carreira. Um evento raro, portanto. A verdade - e isto não é "totobola de segunda feira" - é que ao ver o 11 inicial pensei que poderia ser hoje. Muitas mexidas e muitas novidades frente a uma equipa que convinha não subvalorizar. Mesmo tendo também ausências relevantes, o Beira Mar vinha num bom momento psicológico e tinha a mentalidade necessária para criar problemas. O Braga errou porque ignorou o perigo e facilitou, talvez como nunca na "era-Domingos". Valeu a reacção final, que deu uma imagem mais fiel do que é a mentalidade desta equipa. Sobre o Beira Mar, e apesar das várias criticas que já lhe vi feitas, importa perceber o mérito de Leonardo Jardim...

- Por fim, e enquanto não há tempo para mais análise, recordo 2 vídeos doutro jogo,
não muito diferente deste:

Vídeo 1
Vídeo 2

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6.11.10

Porto - Benfica: Antevisão táctica (Breves)

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- Ainda que sem exageros, creio que se justifica o favoritismo portista. O factor casa é relevante, mas o que mais contribui para esta opinião é a sagacidade estratégica que ambos os treinadores revelam em jogos deste calibre. Ou seja, enquanto que Jesus se concentra por completo nos detalhes de posicionamento base, Villas Boas atribui maior relevância aos comportamentos e prioridades que a equipa deve assumir em cada um dos momentos de jogo. Apesar desta constatação não ir de encontro ao discurso do próprio – tantas vezes auto elogioso quando as coisas correm bem – o facto é que as equipas de Jesus têm pago sucessivamente o preço desta lacuna. Se corrigir alguns riscos que a equipa corre com bola, este raciocínio perderá toda validade, mas os indícios não apontam nesse sentido...

- No Porto, e salvo contrariedades de ordem física, não espero nenhuma surpresa. Porque não há razão para tal e porque não houve, também, tempo de treino para preparar algo que altere muito aquilo a que normalmente assistimos. Apesar de jogar em casa, não creio que Villas Boas tenha algum problema em adoptar uma estratégia semelhante àquela que apresentou na Supertaça. O Benfica tem repetido sucessivos erros na sua primeira fase de construção e poderá, de novo, assumir o mesmo tipo de riscos, mesmo jogando no Dragão. Se tal acontecer, será o Porto quem terá mais probabilidades de tirar partido.

- Jesus gosta de mexer estruturalmente nestes jogos. Ultimamente, e para a Liga dos Campeões, tivemos uma versão mais clássica do 4-4-2, com Martins a jogar perto de Javi Garcia. É provável que tal se repita no Dragão, até porque a equipa vem de um resultado positivo nessa estrutura. Mas há mais a equacionar, nomeadamente na protecção das laterais. O dilema de Jesus prender-se-á com a utilização, ou não, de Coentrão como lateral. É certo que Coentrão tem uma agressividade potencialmente útil para o confronto com Hulk, mas também é um facto que o ex-Rio Ave tem por estes dias uma capacidade de desequilíbrio demasiado valiosa para ser reprimida. Se Coentrão jogar com a liberdade habitual, Villas Boas poderá manter Hulk solto para a transição, dispensando-o de tarefas de acompanhamento ao longo do corredor, e colocando, por exemplo, Moutinho a fechar sobre a direita. E, se há coisa que Jesus quererá evitar, é ver Hulk em transição. Honestamente, não tenho nenhuma convicção sobre aquilo que Jesus poderá fazer...

- Termino, referindo-me ao Benfica e recuperando a ideia do primeiro ponto. Se Jesus colocar como foco primordial a segurança na zona de construção – mesmo que isso implique alguma perda de fluidez no ataque posicional – então estará mais próximo de colocar dificuldades ao Porto, não lhe permitindo jogar em transição. A zona de recuperação portista será, ao que tudo indica, um dado fundamental, na definição do jogo.

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