24.9.10

Os melhores da liga até agora (3 "grandes") - 5ª jornada

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Deixo nova actualização das estatísticas individuais, agora acumuladas até à 5ªjornada. Já várias vezes expliquei o elevado interesse que entendo ter este complemento de análise e, de facto, essa é uma realidade que confirmo com enorme regularidade. Frequentemente ouvimos e lemos análises que colocam o ónus do rendimento colectivo, seja ele bom ou mau, no desempenho individual de um ou outro jogador. O mais curioso é que, seja durante o próprio jogo ou à posteriori, não raras são as vezes em que essas opiniões não têm qualquer sustento factual. O futebol não é uma ciência exacta, já sabemos, mas a sua subjectividade por vezes é levada ao extremo da gratuitidade de opinião. Enfim, não é nada que me surpreenda. Afinal, este exercício tem precisamente o objectivo de fundamentar, ou não, percepções - sobretudo as minhas.

Aqui ficam alguns apontamentos específicos:


Sapunaru – O seu rendimento não é fantástico, mas é talvez o jogador que melhor espelha o rigor de Villas Boas. Tem uma % de passe elevada e não acumulou nenhuma perda, apesar de não ser um jogador tecnicamente forte. Porquê? O enfoque na lucidez de decisão.

Nuno André Coelho
– É o jogador, entre todos, que mais intercepções faz por jogo - aqui vemos o seu potencial. É o defesa com mais perdas de bola por jogo - aqui vemos como precisa de ser “calibrado”.

Fernando – Confesso que me surpreende um pouco o seu número de intercepções, que esperava ser mais alto. Veremos se se torna mais influente com o tempo.


Maniche – Será, seguramente, o caso mais claro da falta de rigor nas análises que são feitas. É o jogador com mais passes completados e o médio ofensivo com mais intercepções e melhor % de passe. Não se pode pedir que seja mais influente, intenso ou regular. E, no entanto, não faltam opiniões de que “está velho” e que não "dá intensidade" ao meio campo. Não sei se terá motivação para durar toda a época, mas, para já, Maniche é o melhor jogador do Sporting e um dos “craques” do campeonato.

Aimar – Os problemas do Benfica reflectem-se no seu desempenho. Ser, entre todos, o jogador que mais perdas de bola, é uma constatação chocante para a qualidade que se lhe reconhece. Mas esse dado – as perdas de bola – é precisamente aquele que mais contribuiu para o atraso pontual do Benfica na Liga.

Saviola – Apesar de não marcar, é o melhor dos avançados. Não espanta. É aquele que se envolve mais e que mais cria. Não está a fazer uma época excepcional, mas continua a ser um elemento fundamental e preponderante.

Pontas-de-lança – Há um dado comum entre Liedson, Falcao e Cardozo. A pouca participação. Quem julgo ter mais responsabilidade própria – como já várias vezes referi – é Cardozo. No caso de Falcao, há um aumento de participação, mas o jogador continua sem conseguir vincar em campo a qualidade que obviamente tem. No caso de Liedson, há também o erro de o prender em demasia ao centro, quando sempre foi determinante como avançado móvel. Um contra senso. Ainda assim, Liedson é exageradamente criticado. Primeiro, por esse erro na sua utilização, depois porque, mesmo assim, comparativamente com os rivais (Falcao e Cardozo), não deixou a equipa a perder nestes primeiros 5 jogos.



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23.9.10

A "primeira vez" de João Moutinho

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E na Choupana ele apareceu! Tinha-lhe apontado algumas criticas ao longo das primeiras jornadas – especialmente as 3 primeiras. Foi regular e fiável, como sempre, mas não havia tido o nível de influência que dele se espera. O “trabalho invisível”, tantas vezes invocado, mesmo com análises minuciosas, permanecia mesmo muito pouco visível. Já lhe havia notado um crescimento de influência frente ao Braga – e referenciei-o – mas foi na Choupana que, se pode dizer, pela primeira vez João Moutinho “encheu o campo” de dragão ao peito.

Para além dos desequilíbrios – bem à vista de todos – Moutinho foi também, e com alguma distância, o mais influente ao nível do passe e o jogador que mais intercepções conseguiu no meio campo portista. Um sinal para continuar a acompanhar no futuro...

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22.9.10

O seleccionador e a opção Paulo Bento

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Há 2 anos, sobre a questão da escolha do seleccionador, escrevi isto.

Hoje, talvez as minhas palavras da altura em relação ao “perfil Carlos Queiroz” colhessem muito mais adeptos. Mas isso, hoje, seria apenas um “totobola de segunda feira” e eu não sou comentador profissional.

Adiante... em relação aos outros 2 perfis que identifiquei: “perfil Van Basten” e “perfil Scolari”, hoje – e mesmo há 2 meses – riscaria o “perfil Scolari”. Ou seja, a minha aposta ideal iria sempre para um nome 100% baseado nas competências, sendo que de preferência apostaria num nome que tivesse mais a ganhar do que a perder com a vinda para a Selecção. Não posso afirmar, sem dúvidas, que escolheria Paulo Bento, porque não fiz uma análise a todas as possibilidades, enquadrando perfis tácticos e psicológicos, mas, ainda assim, duvido que houvesse muitos que se ajustassem tanto ao perfil que defendo como Paulo Bento.


É por isso que digo que talvez este impasse tenha sido benéfico para a Selecção, talvez perder 5 pontos tenha valido a pena para evitar uma escolha do estilo Aragonês, que seria mais um passe para o lado na Selecção Nacional. É que, não tenho grandes duvidas, com mais tempo Madaíl apostaria nesse tipo de solução.

Algumas notas sobre a escolha:

Expectativa
Ficar 4 anos na Selecção é um objectivo muito tenrinho comparado com o desafio de ficar 4 anos no Sporting. A minha expectativa é que Paulo Bento traga um “upgrade” a vários níveis para a qualidade da Selecção, que qualifique Portugal para o Euro e que tenha uma prestação suficientemente competente para que lhe seja renovado o contrato. Não é fácil, mas, como disse, já fez coisas mais difíceis.

Currículo
Volto a repetir: o currículo, a meu ver, é a ferramenta de escolha de quem não sabe escolher. Avaliar competências não é contar troféus.

Trabalho no Sporting
Não vou entrar em detalhes sobre os motivos da sua perda de capacidade com o tempo – isso cabe noutro tema. O ponto é que hoje deve ser muito mais claro para todos que Paulo Bento fez um trabalho muito bom no Sporting. Com níveis de investimento baixíssimos, pouquíssima prospecção, e jovens nos seus primeiros anos como profissionais, o Sporting esteve à beira do título por 2 vezes e conquistou troféus durante 4 anos. Hoje, e com bem mais investimento, não é minimamente óbvio quanto tempo vai demorar o Sporting para voltar a ter outro tão "indesejado" 2º lugar. É que pode mesmo não ser para breve...

Perfil táctico
Os motivos que me levam a acreditar no seu sucesso prendem-se com o seu carácter e com a lucidez que sempre revelou em relação ao jogo. Sobre o carácter, não me vou alongar, mas no que respeita aos aspectos tácticos, espero que Paulo Bento traga outra consistência e competência à equipa. Superior a Scolari e a Queiroz. Uma das suas virtudes foi sempre a objectividade com que analisou o jogo. Hoje elogiamos isso em Mourinho, Domingos ou Villas Boas, mas Paulo Bento sempre se fez notar por uma grande ligação aos aspectos práticos do jogo. Não espero voltar a ver Portugal cometer os erros que vimos frente ao Chipre e, antes sim, assumir uma postura muito mais lúcida nos jogos. Fazer bem, mais do que fazer muito, e não assumir comportamentos tácticos que não conhece. Ainda que não pareça óbvio que optará por aí, fica, já agora, o desejo pessoal de ver finalmente a Selecção estabilizar no 4-4-2 “losango”.

Ovos, finalmente!
Sei que não terá muito tempo para treinar, e também nunca exigi muita qualidade a Queiroz antes do Mundial, mas depois de o termos visto tantas vezes a queixar-se de não ter os mesmos recursos que os adversários, creio que é hora de se lhe exigir mais. É que “ovos”, na Selecção, não faltam!



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21.9.10

Como o Benfica ganhou o derbi (Vídeo)

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O vídeo não serve para mais do que para sustentar a análise que deixei ontem. Nele estão praticamente todas as jogadas onde o Benfica se aproximou do golo, sendo facilmente perceptível o porquê da estratégia do Sporting ter facilitado a vida ao Benfica. O elemento fundamental aqui é o espaço que o Benfica sempre pode usufruir para executar os seus ataques. Embora tenha – como sempre – um intuito auto-explicativo, não quero deixar de completar as imagens com algumas notas.

Mérito do Benfica
Quase sempre – e eu não fujo à regra – as análises estão centradas no lado do erro, mas é preciso, antes de mais, notar o mérito do Benfica, que, como escrevi ontem, continua a ser uma equipa fortíssima em termos técnico-tácticos. Nota para a qualidade demonstrada em várias jogadas, querendo destacar um nome: Saviola. A sua execução e movimentos, sempre muito forte a criar apoios à construção e com uma execução repentina no último passe tornaram a vida muito difícil ao Sporting.

A linha defensiva
Não é o único problema do Sporting, que também ao nível do pressing demonstra mais coração que cabeça, mas não me canso de reforçar a importância da linha defensiva e no vídeo faço questão de apontar alguns pormenores que, mesmo não tendo influencia directa no lance em causa, dizem muito sobre a qualidade táctica da equipa. Aliás, é nestes detalhes que se vê a qualidade colectiva. Um exercício também interessante seria comparar a coordenação da linha do Benfica com a do Sporting, e facilmente veríamos as enormes diferenças qualitativas que permitem, num caso poder jogar alto com segurança, e no outro não. Já agora, mais uma vez recorro ao dado estatístico do fora de jogo para reforçar esta situação. Apesar de ter jogado mais alto e supostamente mais agressivo neste plano, o Sporting tirou apenas 1 fora de jogo, enquanto que o Benfica conseguiu 7. Obviamente que não é um acaso.

O segundo golo
Por ser decisivo, o lance do segundo golo é aquele que mais discussão levanta. Já escrevi ontem que não faz sentido crucificar-se um central por perder um lance aéreo e que a responsabilidade do lance tem sobretudo a ver com a forma primária como a equipa permite que 1 primeira bola se transforme numa situação de 2x1 sobre Carriço. Aqui não há uma fórmula, mas 2 opções. Ou os laterais têm de estar mais por dentro para 1 deles fechar nas costas do central, ou 1 médio tem de se aproximar dos centrais para manter a indispensável superioridade nessa zona. No Sporting, e dada a propensão ofensiva dos laterais, creio que faz sentido a aproximação do médio, mas nem 1 coisa nem outra aconteceram. Mais um indicador claro das deficiências colectivas da equipa.

Transição vs. Organização
Muitas vezes ouvimos ou lemos belas prosas sobre futebol, elogiando o ataque posicional e criticando as equipas que fazem da transição a sua força. É bonito e eu também gosto de ler, mas a prática é outro assunto. Só não joga em transição quem não pode, porque é no momento de transição que há mais espaço e menos organização do adversário. No fundo, e num exemplo mais radical, seria como escolher rematar com ou sem guarda redes. Pode-nos dar mais gozo bater um guarda redes, mas o melhor mesmo era rematar sem ele na baliza. O motivo pelo qual equipas mais fortes precisam de trabalhar o ataque posicional é por raramente lhes é dada oportunidade para dar profundidade imediata no momento de transição. Mas isso é outro assunto, e as coisas não devem ser confundido. O Benfica já havia provado do mesmo veneno quando defrontou o Porto na Supertaça, mas agora temos novo exemplo de como, em jogos equilibrados, a equipa que joga em transição é normalmente aquela que tira mais vantagens.

Defesa de Nuno André Coelho
Lembro-me de há 2 anos ter escrito, num derbi em que saiu altamente criticado, que apesar dos erros ocasionais, David Luiz tinha um potencial ímpar entre os defensores do Benfica. Hoje, isso é bastante claro para quase todos, e não consigo deixar de fazer um paralelismo com Nuno André Coelho. Não se trata de uma comparação, mas de analogia de características e situações. Nuno André Coelho tem qualidades fantásticas e raras num central. É forte no ar, muito rápido a recuperar e bom tecnicamente. Os seus erros são hoje muito empolados – com extremo exagero, diga-se – mas se um dia tiver a sorte de apanhar um treinador e um modelo que o beneficie (não é certo que a tenha...), aí, todos vão perceber o quão fantástico pode ser.



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20.9.10

Benfica - Sporting: análise e números

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4 minutos não chegaram para dar vantagem ao Benfica, mas foram mais do que suficientes para que se percebesse que seria muito difícil não serem os encarnados a vencer. De facto, uma boa análise desses escassos momentos seria provavelmente mais útil do que muitas que vi feitas à totalidade da partida. É que esse período de tempo, que terminou com a bola ao poste de Cardozo, foi o que bastou para perceber que o domínio a que o Sporting se propunha não passava de um mero “bluff” impossível de sustentar. Impossível pela incapacidade – que é tudo menos nova – de controlar espaços defensivos, sobretudo em transição. Que mais poderia pedir o Benfica? Finalmente poderia jogar em transição, manter equilíbrios posicionais e numéricos e não se expor tanto ao trauma das perdas de bola. Ficou-se pelos 2, mas este era daqueles jogos com condições para um saldo dilatado.

Notas Colectivas: Benfica
Qualidade táctica. Se há coisa em que o Benfica de Jesus foi, é e sempre será, é na sua qualidade táctica. Não é a primeira vez que o defino, mas vou repeti-lo porque quando se fala neste termo, raramente se percebe exactamente o que se quer dizer: qualidade táctica – para mim – é eficácia com que a equipa reage colectivamente à dinâmica do jogo. E, aqui, não muitas equipas no mundo tão fortes como o Benfica. Seguramente, não há nenhuma em Portugal.

Ora bem, se o Sporting foi o adversário ideal, quer pela estimulo motivacional, quer pela postura “naive” que assumiu, só o foi porque o Benfica tem de facto muita qualidade no seu jogo. Não fez um jogo brilhante – diria que apenas “bom” para as suas possibilidades – e demorou algum tempo a conseguir também dificultar um pouco mais o domínio territorial que o Sporting tentou exercer, mas manteve sempre uma óptima organização defensiva e conseguiu com bastante frequência aproveitar erros alheios para potenciar o espaço que era concedido. E isso foi mais do que suficiente para meter o jogo e o adversário “no bolso”.

Esta será uma vitória naturalmente importante para o Benfica. Importante para o restabelecimento dos níveis de confiança colectivos, que a grande missão que Jesus tem pela frente no futuro imediato. Mas, naturalmente, está também longe de ser suficiente para corrigir todo o mal que foi feito. O Benfica terá novamente desafios complicados, perante outro tipo de adversários, menos estimulantes e mais fechados, e onde, novamente, o erro não poderá ser banalizado. Entre tudo o que de bom houve para o Benfica no jogo podemos lembrar dois aspectos que deverão manter o alerta bem presente nas hostes encarnadas: o facto da única jogada de golo do Sporting ter vindo de um erro individual e as defesas para a frente de Roberto.

Notas colectivas: Sporting
Quem acompanha o que escrevo neste blogue deve perceber que se torna algo cansativo escrever tantas vezes a mesma coisa. De facto, desde os primeiros jogos que analisei na pré época que venho alertando para aqueles que são os reais problemas do modelo de Paulo Sérgio. Debateram-se sistemas, se deveria ou não jogar um “10”, se deveria ou não jogar um “pivot”, e fizeram-se longas dissertações sobre essas matérias. Compreendo que talvez sejam mais interessantes e intuitivos esse tipo de debates, mas raramente os problemas crónicos de uma equipa passam por aí e o Sporting não é excepção.

A definição de “qualidade táctica” que relembrei atrás serve também para este caso, mas num sentido inverso. O Sporting não tem “qualidade táctica” suficiente para assumir estratégias mais altas e dominadoras frente a equipas com a qualidade do Benfica. Isso vê-se em vários aspectos aqui já denunciados. Aspectos com e sem bola, mas nenhum se compara à forma como o seu sector recuado está (mal) operacionalizado. Foi por aí – sobretudo – que o Sporting perdeu, e reforço, para ser claro, outro ponto de opinião que também não é novo: isto nada tem a ver com a qualidade individual dos seus defensores que, assinale-se, é muito elevada. É importante não confundir o que é colectivo com o que é individual.

Dito o mais importante, quero também realçar alguns pontos. O primeiro é que, apesar de insuficiente, o Sporting hoje é bem melhor do que há 3 ou 4 semanas. O segundo é que me parece correcto que Paulo Sérgio tente estabilizar um onze base, só discordando da sua flutuação em termos de variações no modelo. Neste caso, o principal problema terá sido o lado estratégico da proposta de jogo, assumindo uma postura que, como já longamente defendi, não tinha capacidade para sustentar, mas há também em algumas opções tácticas alguma discordância da minha parte. A fixação de Liedson numa zona central parece-me um lapso e não é por acaso que o seu melhor jogo foi na Figueira, onde esteve mais móvel. O mesmo vale para Yannick, que claramente não é um ala para ser fixado à direita. Com este “aprisionamento” dos avançados, o Sporting perde mobilidade e soluções de passe no último terço e isso foi relevante, não só neste jogo, mas também frente ao Olhanense. Com tudo isto, ficou fácil para Jesus realçar a sua mestria táctica para “parar” João Pereira. Na realidade, não vejo grande genialidade na opção, já que Valdés foi uma surpresa sobre a esquerda e o flanco do Benfica também foi suficiente para tapar as investidas do Sporting.

Notas individuais: Benfica
Indo directo ao assunto, o nome do jogo é Cardozo. O mesmo Cardozo que havia sido uma nulidade em 3 dos 4 jogos anteriores e que ainda a meio da semana tinha problemas fisicos que o impediam de ser mais participativo. Ora, parece estranho que o desgaste de uma semana de 3 jogos termine com a melhor exibição até agora registada na Liga, entre todos os jogos dos 3 “grandes”. Um feito que não se justifica apenas pelos golos, mas também por uma muito relevante participação colectiva – algo que tinha sido assumido como um problema crónico. Para mim, esta exibição só vem confirmar uma coisa: o problema de Cardozo não tem nada a ver com debilidades fisicas. Tem, isso sim, a ver com um problema de atitude e motivação em jogos mais e menos importantes. E está bom de ver a diferença que isso pode fazer!

Ainda no Benfica, mais uma prova de capacidade da sua dupla mais recuada, que tem uma enorme qualidade. Sempre reforcei que esse nunca foi um problema, mas é nestes jogos que isso talvez fique mais claro. Outro nome a ter em conta é Coentrão. Acredito que só poderá ser um jogador para outros patamares se for lateral, mas mesmo mais à frente voltou a mostrar a sua capacidade participativa. É uma característica importante e que lhe está no ADN.

Notas individuais: Sporting
Posso começar pelo melhor: Maniche. Foi o jogador que conseguiu mais passes, mais % de passe e mais intercepções. Foi e não é surpresa. Maniche tem um rendimento extraordinário no Sporting e é, a par de Belluschi, o melhor médio da competição até ao momento. Aliás, o que Maniche faz é raro mesmo em termos internacionais e, na minha opinião, merece regressar rapidamente à Selecção. A questão sobre Maniche é se a frustração de ter uma equipa que não acompanha a sua qualidade e intensidade, não acabará por fazer regressar o pior da sua personalidade, mas isso é algo que só o tempo irá responder.

De resto, gostaria também de falar de Nuno André Coelho, que cometeu alguns erros e acaba como o “vilão” no lance do segundo golo. Importa sublinhar, à imagem do que escrevi atrás, que Nuno André Coelho ganhou muitos lances como aquele que perdeu nessa jogada e que o seu erro não explica o golo sofrido nem o espaço criado. Mal está uma equipa se a distância entre um pontapé longo e uma ocasião de golo está dependente do central ganhar a primeira bola.

Finalmente, nota para a pouca intensidade de Valdés e Matias. São jogadores tecnicamente evoluídos, mas a quem falta muito em termos de presença sem bola. Particularmente, Matias, a jogar numa posição nuclear, precisa de estar muito mais próximo dos lances em todos os momentos. Algo que o separa e separará sempre de um rendimento superior e que tem de lhe ser passado por quem lidera o processo de treino.



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19.9.10

Derbi vermelho e outros jogos (Breves)

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- Ainda irei rever o jogo antes de uma análise mais aprofundada, mas para já fica a certeza de um 'derbi' completamente vermelho. Uma diferença ao nível da qualidade táctica do modelo - como sempre venho referindo, não ao nível técnico-táctico que reside o problema do Benfica - e, muito importante também, da inteligência na estratégia adoptada. No futebol, como em quase tudo, a qualidade sobrepõe-se sempre à quantidade. A partir daqui podemos começar a perceber o paradoxo de o Sporting ter sido a primeira equipa a ter mais posse de bola do que o Benfica esta época e, ao mesmo tempo, ter sido provavelmente aquela que menos problemas causou ao jogo encarnado. Paulo Sérgio - na minha opinião - fez bem em dar continuidade ao onze e ao modelo, o que tem é de ter alguma noção da qualidade que a equipa não tem para assumir um jogo de posse e circulação no meio campo adversário. Por fim, fica a pergunta: porque é que Cardozo, tão limitado fisicamente, faz o seu melhor jogo ao terceiro jogo semanal?

- Em Paços, o Braga quase ganhava. Seria um feito fantástico, dada a sua pouca produtividade e, diga-se, é já fantástico não ter perdido. Enquanto a sua organização e discernimento vão sofrendo com as "dores" deste súbito crescimento, vai valendo mais um episódio de grande eficácia ofensiva. E, mais uma vez digo, não é por acaso.

- Tivemos cá derbi, mas muitos outros clássicos houve pelo mundo. Em Inglaterra, Berbatov foi o protagonista, mas ficou também uma grande exibição de Nani, talvez o mais desequilibrador jogador do campeonato inglês (mais uma vez pergunto-me como é possível alguém subestimar o potencial de uma Selecção que conta com este tipo de talento?!). Em França, Gourcuff voltou a Bordéus e... perdeu! Na Alemanha, o sempre quente duelo entre Dortmund e Schalke foi resolvido por um jovem... japonês: Kagawa. Em Espanha, o Barcelona conseguiu ganhar onde o ano passado perdera. Na Turquia, o primeiro clássico de Quaresma terminou com um empate a 1, em casa do Fenerbahce. Na Holanda e em Roterdão, ganhou o Ajax. Não está muito difícil de ver quem vai ser campeão, quando se juntam Suarez e El Hamdaoui numa mesma equipa. Finalmente, no Brasil joga-se ainda o 'Fla-Flu', mas já dá para dizer que um adolescente tramou Scolari no derbi paulista frente ao São Paulo: Lucas Silva(ex-Marcelinho).

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18.9.10

Benfica e a psicologia da derrota

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“Quantas tomadas de posição contra arbitragens tiveram um efeito prático útil no rendimento da equipa?”  Lancei esta pergunta há alguns dias e, para reforçar o exercício que agora inicio, acrescento uma outra:  “Qual foi o último campeão que não foi acusado pelos seus adversários de um favorecimento em matéria de arbitragens?”

As respostas em ambos os casos, parece-me, são bastante óbvias. Ora, se partirmos delas e seguirmos um raciocínio mais linear, é fácil perceber também em que posição se coloca a equipa do Benfica após a recente tomada de posição da sua direcção. Podemo-nos lembrar do já longínquo luto do Sporting, culminando num quarto lugar final, da “playstation” de Jorge Jesus, que iniciou a descida à 5º posição do seu brilhante Braga, ou, o caso mais recente, do “somos Porto” que teve 5 pontos perdidos nos 3 jogos seguintes à tomada de posição. O passado não faz o futuro, é certo, mas é seguramente o melhor indicador que temos para ele. Neste caso - e é esse o ponto que pretendo vincar – há uma lógica por detrás destas relações causa-efeito.


Desde a primeira jornada que venho alertando para as evidências de um problema psicológico no futebol do Benfica. Algo que se reflecte numa displicência individual, muito própria de quem ultrapassou os limites de uma confiança saudável para níveis excessivos e prejudiciais. A consequência são uma série de erros perfeitamente evitáveis e que têm arrastado a equipa para uma série de resultados verdadeiramente impensáveis num passado ainda muito recente.

E assim chegamos ao primeiro facto essencial a ter em conta: o Benfica tem, objectivamente, um problema intrínseco que precisa de ser resolvido.

Independentemente das arbitragens – que obviamente não vou discutir – o Benfica tem menos passes do que Porto e Sporting, menos % de passe, mais perdas de bola e menos desequilíbrios ofensivos. São demasiados indicadores para serem ignorados, e, sem a sua correcção, o Benfica nunca poderá retomar o caminho do sucesso.

Eis o que entendo dever ser feito neste tipo de situações: 
1- Identificação dos problemas intrínsecos. Neste caso, os erros que a equipa vem cometendo.
2- Identificação de soluções práticas para corrigir os problemas.
3- Passagem das soluções para os jogadores, aumentando a exigência sobre estes, mas, ao mesmo tempo, dotando-lhes do poder e da confiança para contornar os problemas.
4-  Rever constantemente as soluções, mas manter sempre uma consistência com um plano colectivo. É fundamental que os jogadores ganhem uma confiança progressiva no que estão a fazer e para isso a consistência é fundamental.

Ora, não sabemos o que é transmitido internamente, e é possível que a mensagem seja outra. De todo o modo, porém, este tipo de reacção externa não é um bom indicador e é certo que muito do que é dito para fora passa também para dentro e para os jogadores em concreto. Do meu ponto de vista, e sempre dentro desta orientação metodológica, isto prejudica uma resolução eficaz dos problemas intrínsecos identificados. Eis alguns pontos negativos de algumas reacções recentemente observadas:

1- A centralização nas arbitragens não só retira o peso da responsabilidade dos jogadores em relação ao passado, como retira também enfoque no seu poder para mudar as coisas. Se o problema são as arbitragens, como podem os jogadores contribuir para a alteração do estado de coisas?!
2- Ao ponto anterior, acresce o problema de que nenhum clube se afirma como beneficiado pelas arbitragens. Ora, assim sendo e sendo as arbitragens vistas como algo tão determinante, este é um problema potencialmente crónico e sem inversão possível. Esta é a mensagem que é passada.
3- Centrar os problemas numa questão individual e nas ausências de Di Maria e Ramires representa outro "encolher de ombros". Não há nada que os jogadores presentes possam fazer para alterar a situação e os novos acabam com um peso exagerado e prejudicial sobre si. Isto para além de, na minha opinião, esse ser um diagnóstico completamente errado.
4- O "caso Cardozo" é outro exemplo de desresponsabilização e falta de exigência. Cardozo é, estatisticamente e com alguma distância, o jogador com menor rendimento dos 3 grandes nas primeiras 4 jornadas. Nesta semana, o jogador ficou a saber que não lhe é exigido mais e que a sua falta de entrega é compreensível. Baixar as expectativas é um enorme erro.
5- Outra posição intuitivamente contra producente para o rendimento da equipa é o apelo para a não comparência de adeptos nos jogos fora de casa. No fundo, está-se a abdicar de uma motivação importante e de algo que, afinal, também marca a diferença nos jogos fora de casa.

É evidente que este raciocínio não é exclusivo para esta situação e muito menos para o Benfica. Muitos clubes no passado cometeram o que creio ser um erro metodológico para a resolução dos seus problemas. Fica, pelo menos, o interesse para seguir uma equipa que continua a ter um enorme potencial técnico e táctico, mas que se tornou também num verdadeiro “case study” psicológico.



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16.9.10

Vitórias de Sporting, Porto e... Mourinho "piloto semi-automático" (Breves)

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- Confesso que este me parecia um jogo de grande risco para o Sporting, mas a atitude dos franceses terá sido determinante para a inversão das dificuldades. O Sporting, por seu lado, foi bem mais sério e aproveitou bem os erros do Lille para cavar um fosso só muito dificilmente ultrapassável. E, apesar dos esforços dos franceses para rectificar na segunda parte, assim foi. No Sporting, destaque para a capacidade dos defensores. De Carriço nem é preciso falar muito, mas creio que Polga merece novo elogio, sobretudo pela forma como os seus defeitos são sempre muito empolados. É bom dizer-se que talvez não haja um central em Portugal com melhor leitura e sentido posicional. Por isso, quando não tem de sair muito da sua zona, torna-se um jogador tão dominador. Mais pela capacidade de resistência, também Torsiglieri merece uma palavra. Afinal, a jogar a lateral esquerdo, perante Gervinho e Hazard e com um cartão amarelo nos primeiros minutos, o facto de ter sobrevivido os 90 minutos é, só por si, um feito.

- Ainda no Sporting, e com esta vitória, será que Paulo Sérgio não poderia aproveitar para resgatar a ideia de Van Gaal e Mourinho ainda no Barcelona: uma equipa para o campeonato, outra para a Europa?

- No Dragão, de novo a hipnose portista. Os tempos do jogo são geridos de uma forma minuciosa. Fazer bem, mais do que fazer muito, continua a ser a fórmula das vitórias. E elas já vão longas. Surpreende-me a importância dada por Villas Boas ao lado emocional do jogo. Creio que não há nenhum treinador em Portugal a gerir de forma tão deliberada esse aspecto como o actual treinador portista e isso torna especialmente interessante seguir o seu trajecto imediato. Por esse lado - e repito esta ideia - muito mais do que por outros aspectos frequentemente sublinhados.

- E Villas Boas, porque recusa quase por completo a rotatividade? Já não havia abdicado de muitos jogadores nos 2 jogos frente ao Genk, e agora voltou a mexer muito pouco no onze base. Para a resposta, podemos pensar na parte táctica e na necessidade de continuar a rotinar os principais intérpretes no modelo, mas não posso deixar de parte - e de novo - também a parte mental. Todas as oportunidades não são de mais para reforçar índices de confiança entre os jogadores e entre estes e a proposta de jogo que está idealizada. O desgaste? Com esta gestão do ritmo, será que o desgaste é assim tão grande?

- Por fim, o episódio Mourinho. Não quero comentar muito, mais este estranho episódio. Parece-me, sobretudo, que Madaíl está mais preocupado com a sua própria imagem do que com o futebol em si mesmo. Nada de novo, portanto. De "piloto automático", passamos para a solução "piloto semi-automático".

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