15.9.10

O momento do Benfica, Van der Gaag e Tino Costa (Breves)

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- O Benfica ganhou, mas não fica claro se o impacto emocional do jogo foi positivo ou negativo para a recuperação emocional que a equipa precisa. Não pela exibição, que foi suficiente (apenas isso, no entanto), mas pelo episódio de Óscar Cardozo. Pessoalmente, custa-me perceber a tolerância de Jesus com este inicio de época de Cardozo. Para além de jogar sempre os 90 minutos e quase sempre com um rendimento ridículo, temos agora a justificação da sua limitação física. Para mim, simplesmente não se justifica, mas também é só a minha opinião.

- Ainda no Benfica, questiono-me sobre a utilidade prática - para equipa - desta rábula do protesto. Não é uma iniciativa nova no futebol português, mas parece-me servir mais para entreter os adeptos do que para corrigir o que quer que seja. Talvez venha a falar um pouco mais disso brevemente, mas para já fica a pergunta: quantas tomadas de posição contra arbitragens tiveram um efeito prático útil no rendimento da equipa?

- Van der Gaag já foi despedido. A "chicotada" deve ser um objectivo de temporada no Marítimo e esta até deve ter sido das que mais custou ao orgulho do Presidente. Talvez seja o clube português com menor aproveitamento relativo nos últimos 10 anos. O meu palpite para o seguimento vai para a Naval. Uma equipa que comete tantos erros não pode durar muito tempo...

- Na Champions, nota para o golo de 'Tino' Costa, uma revelação que acompanhei no ano passado no Montpellier. Há 2 anos jogava na segunda divisão francesa e ninguém o resgatou. A outra nota vai para o Barcelona, mas apenas pelo regresso da normalidade...

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14.9.10

Porto - Braga: Análise e números

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Há algo de paradoxal no espectáculo do Dragão. Como é que um jogo entre as duas equipas mais calculistas do campeonato acaba com 5 golos? Um acidente. Esta seria, intuitivamente, a minha resposta, mas, para ser sincero, não estou muito certo dela. De um lado, já vi demasiadas vezes inspirações excepcionais deste Braga e, do outro... havia Hulk. Mesmo assim, não posso deixar de considerar que vimos algo improvável. Porquê? Porque tivemos 1 golo no primeiro remate à baliza, porque ambas as equipas conseguiram errar sempre pouco e porque nenhuma delas assumiu alguma vez grandes riscos no jogo. Esse é, afinal, o seu código genético. Fica também a nota para que se repare como um jogo fechado e de risco mínimo pode acabar tão elogiado pelo adepto mais comum. A razão é simples: emoção!

Notas colectivas
Foi, de facto, um jogo abordado com grandes cautelas e há um indicador colectivo que é particularmente sintomático da preocupação de ambas equipas em não assumir muitos riscos: as perdas de bola. Foram reduzidas em ambos os conjuntos.

Num jogo destas características, manda a lógica que o primeiro golo tenha um impacto especialmente grande, maior do que a evidência do marcador. E tinha tudo para ser assim, depois de Luis Aguiar se ter inspirado na sequência de um raro erro do meio campo portista. Na verdade, o Braga beneficiou com o momento e é, a meu ver, uma hipocrisia desfazermo-nos em elogios à reacção portista nesse primeiro momento de desvantagem. O Braga ficou mais confiante e o Porto errou mais do que nunca em todo o jogo. Aí, valeu um nome: Hulk.

É impossível analisar o jogo sem passar pela influência de Hulk e julgo mesmo não ser um exagero dizer que, sem ele, muito dificilmente o Porto teria tido a capacidade para recuperar perante o Braga que vimos. É uma suposição que obviamente nunca poderei testar, mas é a sensação que me fica. É que nem sequer houve muitas condições para desequilibrar. Momentos de transição e 1x1 foram muito reduzidos e condicionados e há da parte do camisola 12 um mérito fantástico, só possível num jogador verdadeiramente excepcional.

Na segunda parte o jogo foi um pouco mais “azul”. Com o 1-1, as coordenadas eram as mesmas, mas a maior proximidade do final do jogo forçou o Porto a uma atitude mais agressiva na zona intermédia, valendo-lhe a imposição de uma postura mais dominadora em termos territoriais. De novo, e agora ainda com mais injustiça, foi o Braga a inspirar-se e a chegar à vantagem. O que se deu a seguir estava longe de ser imaginável por Domingos. Em vantagem e a 30 minutos do fim, o Braga perdeu tudo em menos de 10 minutos. O treinador queixou-se de erros individuais, e fez bem por uma questão de exigência, mas há que dizer que o que aconteceu teve, por um lado, muito mérito portista e, por outro, também uma boa dose de capricho do destino. O mesmo que, sem nada que o fizesse prever, havia dado vantagem ao Braga uns minutos antes.

Em relação ao Porto de Villas Boas, fica de novo a sensação a mesma sensação de uma dependência das individualidades para a produtividade ofensiva. Talvez seja tempo, porém, de riscar a o termo “dependência” e começar a falar em “consciência”. É que com talento deste calibre, porque é que se haveria de correr mais riscos? Este foi um óptimo teste à capacidade mental da equipa e o Porto passou-o. Continua a ser engraçado ver a empatia das bancadas com um futebol colectivamente mais cauteloso e menos entusiasmante do que aquele que tanto criticou. Mas isso é um defeito dos adeptos e não da equipa.

Quanto ao Braga, também confirmou de novo aquilo que é. Forte em termos de organização, lúcida do quer do jogo, e um caso raro de capacidade mental. Aliás, mesmo se é improvável a repetição da pontuação, parece-me que esta é uma equipa ainda mais forte mentalmente do aquela que vimos no ano anterior. Tenho, no entanto, uma critica a fazer a Domingos. É normalmente um treinador que mexe bem na equipa, mas desta vez não creio que o tenha feito. Trocou Elderson por Miguel Garcia, provavelmente pela exposição do primeiro. A verdade é que não considero que estivesse a ser demérito seu, e duvido que houvesse muitos a fazer melhor. Miguel Garcia não era seguramente, e isso viu-se. Depois, Lima por Matheus também não me pareceu acertado. Primeiro porque o golo que acabara de marcar poderia ser um mote mental importante para os minutos finais de Lima e, depois, porque havia um Luis Aguiar demasiado errático no jogo. Obviamente que é bem mais fácil dizer isto depois de analisar cautelosamente o jogo...

Notas individuais
Em primeiro lugar, chamo a atenção para a diferença entre os níveis de participação de laterais e centrais do Braga. Diz isto muito do ‘forcing’ que o Porto fez nas alas e, por outro lado, da capacidade que o Braga teve em evitar uma exposição da sua zona central.

No lado do Braga, destaco a boa prova de competência dada por Silvio, mostrando-se consistente e competente, apesar de não ser um entusiasmo em termos ofensivos. Tivesse o Braga outro como ele e provavelmente não teria perdido. No centro da defesa, Rodriguez foi excelente na leitura e antecipação dos lances. Mais à frente, a referência negativa vai para a pouca eficácia de Luis Aguiar no jogo corrido, sendo incapaz de dar sequência à maior parte dos lances que passaram pelos seu pés.

No Porto, e à margem de Hulk, Varela esteve de novo nos momentos certos, encerrando um inicio de liga pouco inspirado. Atrás, Rolando foi o melhor, e, no meio campo, Moutinho terá feito o seu melhor jogo no campeonato, mesmo continuando a não ser deslumbrante. Quem continua a mostrar-se influente em todos os aspectos, é Belluschi. O melhor médio da liga até agora não foi, desta vez, decisivo ou desequilibrador, mas teve o seu jogo mais “sério” na prova ao nível do critério de passe. E este pode ser mais um óptimo indicador para o que se segue.



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13.9.10

Guimarães - Benfica: Análise, números e vídeo

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É o costume. O brilharete no placar força sempre um mar de elogios ao mais pequeno. Não digo que os desmereça todos, mas é seguramente um abuso creditar grande mérito ao Vitória numa derrota que é sobretudo do Benfica. Na verdade, os encarnados tinham tudo para ganhar, porque, apesar de algumas boas individualidades, este Vitória não é – nem foi – especialmente forte. Foi, sem surpresas, uma equipa dentro daquilo que é a filosofia de Manuel Machado. Muito fechada mas sem grande organização, e sempre à espera do momento de transição – o seu grande ponto forte. Ora, o que fez o Benfica? Para além de produzir pouco - e bem menos do que podia - em termos ofensivos, cometeu uma série de erros perfeitamente evitáveis e não provocados pelo adversário, acabando por oferecer ao Vitória as condições para chegar, sem grande esforço, às situações onde poderia marcar a diferença.

Tudo somado, o Benfica jogou mais, produziu menos e ofereceu... tudo!



Notas colectivas
“Erros não forçados”. Não é a primeira vez que recorro ao ténis para abordar a problemática em torno deste catastrófico inicio de época encarnado. Se, noutra altura, comparei o momento do Benfica ao de um jogador de ténis que perde os índices psicológicos após um momento triunfante, agora recorro a um termo técnico que normalmente denuncia essa quebra mental, na mesma modalidade.

De facto, praticamente tudo que o Vitória construiu foi “oferecido” por abordagens evitáveis dos jogadores do Benfica. Os 2 golos, as melhores ocasiões e, ainda, alguns erros técnicos decisivos para condicionar lances potencialmente perigosos em termos ofensivos. É que, se defensivamente fica fácil de ver a consequência deste problema, há também ofensivamente um efeito importante a considerar. Para além da diferença de confiança que representa sentir-se, ou não, o controlo do jogo e do adversário, há ainda uma série de falhas técnicas no último terço que acabaram por determinar tão poucas oportunidades, apesar do domínio territorial.

Como contornar este problema? A questão passa muito pelo paradigma por trás do modelo. O Benfica continua a ser tacticamente a equipa mais forte em Portugal, mas tem um problema de gestão entre o critério e a velocidade. Quando a confiança é alta, o critério nunca é problema e a velocidade pode ser máxima. Quando, como é o caso, isso não acontece, é preciso reforçar-se a importância do critério, exigindo-se menos velocidade. É preciso, primeiro, garantir que o que se faz tem eficácia e segurança e, só depois, crescer em termos de exigência ao nível da velocidade de jogo e execução. Calibrar essa “dosagem” sempre aparentou ser uma lacuna de Jesus, e este período aparenta confirmar em absoluto essa ideia. Mas há ainda, e antes de tudo isto, outra coisa que ainda é mais fundamental neste processo de recuperação: perceber e reconhecer o problema.


Notas individuais
Primeiro ponto vai para os centrais do Benfica. Já houve jogos em que também eles – sobretudo David Luiz – se deixaram também levar na displicência generalizada. Mas não foi o caso. A reacção da linha defensiva do Benfica em transição defensiva é um dos pontos fortes da equipa e uma das coisas que o Benfica faz como muito poucas equipas no mundo. É, por isso, absurdo centrar-se as criticas sobre a parte final dos lances dos golos. Defender em recuperação, e perante um adversário especialmente forte nesse aspecto, é muito difícil. O problema, para mim, está a 100% no que aconteceu na origem dos lances.

Entre todos os jogadores, há 2 de que quero falar. O primeiro é Aimar. Tem oscilado entre o bom e menos bom esta época e a equipa, logicamente, flutua com ele. Mesmo neste jogo houve oscilações na sua exibição – mais presente e inspirado no inicio da segunda parte – e isso voltou a reflectir-se também na própria equipa. Se é a galinha ou o ovo a nascer primeiro? É uma discussão que me parece pouco importante. O que me parece mesmo vital é estabilizar o rendimento de Pablo Aimar.

O outro jogador é Gaitan. Como o repeti diversas vezes, conhecia bem este jogador na Argentina e muitos dos comentários que sobre ele foram feitos eram, a meu ver, errados. Parece-me que hoje é mais claro que Gaitan é um jogador evoluído tacticamente e que não é um avançado ou médio criativo. O caminho de Gaitan passa pela confiança e pela compreensão das zonas de decisão. E este último ponto foi aquele que mais se sentiu no jogo. Fez um bom jogo em vários prismas, nota-se que se sente mais confiante e adaptado, mas decidiu mal e onde não devia. É que na Argentina, jogando solto na frente (mas sempre a partir das alas, repito!), ele podia decidir como queria. Por motivos tácticos e culturais.




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12.9.10

Dragão, Alvalade e... um espanto! (breves)

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- Grande jogo, entre 2 equipas altamente sérias e competentes. Os golos e a emoção farão deste um embate difícil de suplantar em todo o campeonato. Isto, apesar de ter tido muita eficácia de parte a parte, porque não houve tantas oportunidades para 5 golos. Porque ganhou o Porto? Respondo com uma pergunta: como é possível um jogador com o potencial de Hulk estar ainda em Portugal?

- Pode ter perdido, mas de novo mostrou que não é um acaso este Braga. Cada vez estou mais convencido que, para além da organização, Domingos pode ser um caso muito raro em termos de capacidade psicológica. Há 2 anos perguntei-me o que faria o modelo de Jesus com a qualidade individual de um "grande". Hoje, intriga-me o que fará um "grande" com a capacidade mental das equipas de Domingos?

- Entretanto, em Alvalade, de novo os pés assentes na terra. Não foi a equipa instável de outros jogos, e este não deve, na minha opinião, ser visto como um mau jogo na análise de Paulo Sérgio. Apenas como um jogo insuficiente. Talvez, se trabalhar o modelo - 1 modelo! - a equipa possa atingir o patamar seguinte. Quanto ao jogo, digamos que uma equipa que passa tanto tempo longe do golo, precisa de ser bem mais eficaz com a oportunidade lhe surge. Um alerta final: O Lille ganhou 4-1, com 2 golos de Gervinho. Adivinha-se uma jornada europeia bem mais difícil do que muitos estarão a supor.

- Não vi nada sobre isto, mas o meu queixo ainda está no chão: O Hércules ganhou em Camp Nou?!

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11.9.10

Falsa partida... outra vez!

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- Polémicas à parte - relembro que aqui não falo de arbitragens - o impensável inicio de temporada do Benfica continua. Se no final desta jornada forem 9 pontos para o Porto, fico dividido entre a teoria e a realidade. É que se é obviamente possível recuperar essa desvantagem no plano teórico, eu pergunto: e na prática, será mesmo?

- Tenho sempre batido no aspecto emocional quando procuro encontrar explicações para este "fenomenal" arranque de uma equipa obviamente muito forte tanto em termos técnicos como tácticos. Mais tarde explicarei melhor, mas parece-me que, de novo, esse foi um ponto essencial para desenhar este desfecho. Parece que a aparente fraqueza mental das equipas de Jesus - aspecto para que venho alertando há quase 1 ano - pode mesmo ser uma grande barreira para o Benfica 10/11...

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10.9.10

Uma última nota sobre Queiroz.

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Nos últimos dias fui bastante critico para com o trabalho de Queiroz. Confirmou-se o cenário mais previsível e a sua “era” terminou. Não quero, porém, dar por encerrado este capítulo antes de uma clarificação sobre as criticas que fiz, que é também um ponto de ordem sobre o que me proponho fazer aqui.

Para que não haja confusões, não entro no filme de “prós” e “contras”, que radicalizaram posições para níveis bem além do que é racional e razoável, numa espécie de combate mediático que nasceu ainda durante a “era” Scolari.

Não antevi o fracasso de Queiroz na sua chegada. Não sou bruxo ou adivinho, e é para mim estranho que alguém tenha tantas certezas, seja em que sentido for, sobre alguém que apenas trabalhou 1 época como treinador principal no futebol europeu desde que saiu de Portugal, em 1996. Também não fui daqueles que “viu logo” fosse o que fosse. Acreditei sempre na qualificação, num bom Mundial e mesmo que não iriamos ser goleados pelo Brasil na fase de grupos, como muitos anteviram. Também, já agora, não sou daqueles que acha que Queiroz teve apenas a sorte de apanhar 2 “gerações de ouro” enquanto orientava os sub 20. Não acho que seja normal ganhar 2 Mundiais da categoria em edições seguidas.Da mesma maneira, não sou daqueles que acha que o trajecto de Scolari tenha tido um sucesso apenas “normal” ou “dentro das expectativas”. Muito menos, acho que Scolari tenha destruído seja o que for nas Selecções, ou que a “herança” de Queiroz fosse tanta que perdurasse até 13 anos depois da sua saída da Selecção para, de repente, se evaporar, precisamente antes do regresso de Queiroz. Para mim, todas estas ideias, que ouço e vejo repetidas à exaustão, são apenas produto de um pensamento enviesado, desprovido de razão e pleno de ridículo.

As minhas criticas são, isso sim, uma constatação qualitativa que pessoalmente faço a um trabalho que entendo já ter tido mais do que condições para ter outros resultados. Queiroz foi uma ideia que alguém inventou e que Madaíl resolveu abraçar. Para mim, e concluo-o agora e apenas agora, não passou de um espectacular fiasco.

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9.9.10

Sub 21: do fiasco à vigarice...

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Quando, em Novembro de 2008, esta geração se estreava no escalão sub 21 goleando a Espanha, ficou a dúvida: seria uma nova regra ou apenas a velha excepção? O valor individual, já sabia, não era o mesmo de anos anteriores, mas havia a promessa de uma “nova era”, com uma nova filosofia colectiva, e o 4-4-2 testado parecia ser um indicio disso mesmo. Não se podia esperar milagres, mas havia a ilusão de uma outra espinha dorsal para a toda a formação. Ilusão!

Quase dois anos depois, a campanha é terminada com uma dupla jornada sombria e que espelha bem o que entretanto se passou depois dessa vitória frente aos espanhóis. De todas as perspectivas desse primeiro jogo, só a ideia de um menor talento se confirmou nos 2 anos seguintes. Tudo o resto, todas as esperanças de uma “nova era”, foram reduzidas a um redondo zero. Zero! Portugal está, 2 anos depois, na mesma. Com outras caras, com menos talento, mas com a mesma mediocridade filosófica ao nível do seu conceito de jogo.

Aqui, na evidência dada ao nível dos sub-21 – abaixo disto já confessei que desconheço – completa-se o absoluto fiasco que foi o “novo projecto Queiroz”. Talvez o problema tenha sido meu, talvez tenha percebido mal no que consistia a “transversalidade” da sua influência. Aos que ainda vejo arredondar o tema só posso pedir tolerância para a minha simplicidade: talvez por perder muito tempo com isso, para mim o que conta mesmo é o que vejo no campo e, aí, o balanço é – repito, só para o caso de ainda haver dúvidas – Zero!. Nas 2 horas desse jogo com a Espanha vi mais “revolução” do que nos 2 anos seguintes, e isso faz com que hoje me sinta enganado com tudo isto. Enganado e, pior do que isso, vigarizado!


Notas individuais
De facto, estes dois jogos foram de uma pobreza enorme ao nível da qualidade colectiva. A maior curiosidade, em termos individuais, seria a de ver Bebé, mas Oceano não facilitou muito as coisas quando o utilizou como 9 durante 1 hora de jogo. Mesmo assim, deu para reforçar a ideia que já tinha. Trata-se de um jogador acima da média em termos técnicos e físicos. Acima da média, mas não excepcional. Isso faz com que só uma grande evolução ao nível da decisão o possa catapultar para níveis próximos daquilo que se exige para jogar no clube onde está. Há um longo caminho a percorrer.

O outro destaque que gostaria de fazer é João Silva. Jogou na partida mais fácil e não dá para tirar grandes conclusões ao fim de tão pouco tempo. No entanto, deixou muito boas indicações ao nível da sua capacidade de participação no jogo. Bom nos duelos físicos e com boa capacidade de antecipação e decisão. Merece revisão.

De resto, não há grandes novidades. Na leitura dos números, e para além dos aspectos com grande impacto pontual (o caso mais evidente é o golo de Bura), é importante notar que quem jogou contra a Macedónia tem a vantagem de ter jogado num jogo com menor grau de dificuldade. Isto para dizer que é perigoso fazer comparações muito lineares dos números.

No que respeita aos laterais, ambos estiveram regulares, mas nenhum me parece ter aquilo que é necessário para um grande carreira. No centro, Carriço mostrou, pela regularidade e influência, ser o elemento mais adiantado em termos de maturidade e qualidade. E não estou a falar só em relação aos centrais. De resto, gostei bem mais de André Pinto do que de Bura. No meio, André Santos cometeu erros inesperados e importantes, tornando-o numa decepção deste duplo teste. Castro foi o melhor dos médios ofensivos, embora tivesse estado longe de impressionar. Tive pena de não ver mais tempo de David Simão, que não estava a ser pior do que Castro quando saiu. Mais à frente, resta falar de Ukra. É um jogador forte tecnicamente, mas quem joga na sua posição precisa, ou de maior intensidade, ou de maior capacidade de desequilíbrio. Ukra dificilmente terá o que é preciso para ter sucesso num clube como o Porto.

Para finalizar, um comentário que mais uma vez não abona nada a favor do trabalho que vem sendo desempenhado. Há inúmeros casos de jogadores que passam a merecer maior ou menor destaque em função da importância que lhes é dada pelos clubes. O caso de Bebé é o exemplo crónico desta situação. Jogou a época toda nos campeonatos nacionais e nunca foi convocado. Foi contratado pelo United e passou a ser um indiscutível. Das duas, uma: ou o jogador era desconhecido, o que diz muito mal da prospecção que é feita. Ou, se era conhecido, o grau de confiança nas avaliações que são feitas é, no mínimo, pouco consistente.



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8.9.10

Depois da incompetência... a negligência!

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Os melhores 45 minutos que vi na “era Queiroz” tiveram lugar na Escandinávia, faz precisamente 1 ano. Frente à Dinamarca, Portugal experimentou o losango na primeira parte, jogou bem, parecia ter encontrado finalmente um novo rumo para o seu futebol, mas... chegou ao intervalo a perder. Porque estou a falar disto agora? Porque na altura houve do banco uma atitude que contrasta radicalmente com a que se viu desta vez, na Noruega. Há 1 ano, e apesar de estar a jogar bem, Queiroz mexeu ao intervalo. Agora, e num jogo cujas circunstâncias se alteraram aos 20 minutos, Queiroz – ou seja quem for que estava a decidir em seu nome – demorou 70 minutos a alterar alguma coisa. Isto, perante um adversário em vantagem e com o controlo total sobre as incidências do jogo.

Onde quero chegar? Bom, ou a incompetência tem uma dimensão que transcende todos os limites – o que eu não acredito! – ou houve neste jogo, para além da mediocridade observada, desinteresse e negligência profissional de quem dirige e toma decisões. Queiroz afirmou que o que lhe interessa não é o dinheiro, mas sim a integridade da sua reputação. Pois, por mim, bem se pode começar a agarrar ao dinheiro, porque, depois do que tenho visto, a reputação já ninguém lha salva.


Notas colectivas
A complexidade do futebol enquanto jogo impede-me de conseguir explicar exactamente o porquê de certos fenómenos. Por exemplo: porque é que a estabilidade emocional dos jogadores é contagiada pela fragilidade de outros aspectos, como o técnico ou táctico? Não sei porquê, mas a verdade é que as coisas se parecem interrelacionar com uma velocidade vertiginosa, e o caso do erro de Eduardo não é mais do que um dos muitos contributos para esta estranha constatação.

Bom, esse momento foi obviamente decisivo no jogo que vimos. Foi-o porque, apesar de estar longe de impressionar, Portugal parecia tudo menos destinado à derrota até então. Tinha tido mais bola, criado uma óptima oportunidade e nem o jogo directo do adversário havia criado problemas. Depois do golo, porém, as circunstâncias do jogo mudaram. Mais do que na discussão do domínio, tudo se jogaria, agora, na capacidade que Portugal tivesse para pôr em causa o controlo norueguês. Ora, como todos vimos, nunca isso nunca aconteceu. Teve um domínio consentido, mais bola, mais passes e até mais remates, mas tudo a pelo menos 30 metros da baliza. Oportunidades construídas depois do 1-0? Zero.

Tacticamente, Queiroz (ou Agostinho Oliveira, ou alguém...), desfez o problemático “duplo pivot”, introduziu Tiago e formou um triângulo com Manuel Fernandes como unidade mais recuada e Meireles como elemento que se aproximava de Hugo Almeida sempre que a equipa ganhava a bola. Terá, com isto, corrigido alguns problemas de equilíbrio posicional na zona central e, sobretudo, devolvido à equipa um modelo em que esta efectivamente sabe jogar. Menos mau, mas profundamente insuficiente após o erro de Eduardo. Infelizmente, e como referi no inicio negligentemente, nada foi feito durante muito tempo e a derrota ficou traçada a 90% com o tal lance aos 20 minutos de jogo.

Uma palavra para a equipa da Noruega que demonstrou uma vulgaridade que me surpreendeu. Não fez absolutamente nada para ganhar. Não teve capacidade para criar, para contra atacar, nem sequer para usar o jogo directo, onde Manuel Fernandes era uma lacuna óbvia a explorar. Quando os recebermos, e se tivermos assentado a poeira nessa altura, vamos dar-lhes um belo troco. Palpita-me!

Notas individuais
Custa-me discordar da sua inclusão porque foi, para mim, o caso mais evidente de determinação e entrega. Ainda assim, que sentido faz incluir Hugo Almeida num jogo como este? Se os nórdicos são fortes no ar e se o ponta de lança está lá essencialmente para atacar, que sentido tem colocar uma unidade que vai de encontro ao perfil de quem defende? Será que era para defender? Colocamos um ponta de lança para defender nas bolas paradas?

Um pouco em sentido contrário, está Manuel Fernandes. Andamos uma enormidade de tempo a tentar encontrar “pivots” fortes no ar. Era uma crença de Queiroz que, podendo ou não concordar-se, tinha uma razão lógica de ser. A utilização de Manuel Fernandes nessa posição, contra este adversário, é uma enorme incoerência com o passado e, para mim, mais uma evidência do desinteresse total de quem dirige a equipa.

A verdade é que a capacidade aérea de Manuel Fernandes nunca fez falta e ele acaba, para mim, como a melhor notícia desta dupla tragédia da Selecção. O seu talento nunca foi dúvida, mas muitas vezes o vimos como um jogador inconsistente nas suas decisões. A verdade é que em 2 jogos, Manuel Fernandes foi o jogador que mais passes completou, conseguindo um nível de sucesso na ordem dos 90%, juntando os 2 jogos. Não sei se foi circunstancial, mas é seguramente relevante.

De resto, o jogo foi pautado por uma posse de bola fácil numa primeira fase e uma grande incapacidade colectiva no último terço, que condicionou, também, o destaque de jogadores mais ofensivos. Tudo de acordo com os interesses noruegueses. Na fase de criação nunca houve um jogo lúcido, fluído e apoiado que permitisse envolver e testar o bloco norueguês. Viveu-se – ou tentou viver-se – da inspiração dos extremos ou de um milagre de Hugo Almeida. Mas, nem Nani, nem Quaresma estiveram invulgarmente inspirados, nem Hugo Almeida é milagreiro ao ponto de transformar um dos vários e absurdos passes longos em ocasião de golo. Dentro disto, tudo normal portanto...



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