7.9.10

Ainda o jogo com o Chipre - números individuais

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Antes que um novo "capítulo" se inicie, encerro o assunto cipriota. Já muito escrevi sobre o jogo e sobre a minha visão dos problemas evidenciados, mas faltavam ainda os números individuais.

É óbvio que um jogo com um adversário mais fraco, é sempre uma oportunidade para se fazerem melhores exibições. Há um menor grau de dificuldade nas acções e, mais ainda, uma maior incidência das mesmas. Este jogo, e apesar do resultado, não foi excepção. Muitos passes, boa percentagem de sucesso e vários desequilíbrios ofensivos. A única coisa anormal, claro, foram os lapsos defensivos.

Se do ponto de vista colectivo há imensos reparos a fazer, do ponto de vista individual creio que é justo destacar a boa atitude da generalidade dos jogadores. Houve erros individuais graves, é certo, mas mesmo os jogadores que os cometeram fizeram-no por razões que não têm que ver com a atitude. Os jogadores "vestem a camisola" e julgo que isso lhes deve ser creditado, até porque não sei se será sempre assim.

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6.9.10

Porque Queiroz já não é admissível (análise e vídeo)

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Pior do que a incompetência, só mesmo a inconsciência da mesma. A frase serve, de certa forma, para retratar o que entendo ser o “upgrade” de incompetência táctica que Queiroz acabou por trazer para a Selecção. O tempo de Scolari não conheceu nenhum brilhantismo neste aspecto – sempre fui dessa opinião – mas tinha, em relação ao presente, a vantagem de ser bem mais modesto nas suas "aventuras tácticas".

O Mundial serviu, para mim, como o fim de todas as dúvidas em relação à capacidade táctica de Queiroz. Não tive a oportunidade de o explicar em detalhe na altura, e não vou voltar agora aos lances da África do Sul. Não vou, nem preciso, porque se há coisa que o jogo do Chipre serviu, foi para exacerbar todas as debilidades existentes num trabalho que, acredito, teve condições para hoje apresentar resultados práticos completamente diferentes.

O vídeo tem 7 lances com pormenores que considero, nesta altura e a este nível, crónicos e não pontuais. Inaceitáveis e não toleráveis. Antes dos lances, porém, deixo 3 pontos de síntese sobre esta temática:


1) Linha defensiva: As 3 semanas de trabalho antes do Mundial deveriam servir para adquirir comportamentos colectivos sólidos e coerentes. A estranha verdade? Portugal ficou pior. Escondeu-o no Mundial, porque baixou muito as linhas, e criou uma ilusão que confundiu "muito" com "bem" na arte de defender. Mesmo aí, porém, houve detalhes inaceitáveis ao nível do comportamento colectivo da linha defensiva. Detalhes com impacto decisivo e que limitaram drasticamente a qualidade de jogo da Selecção na África do Sul.

Frente ao Chipre, e com a equipa a tentar jogar mais alto, essas lacunas vieram ao de cima, até de uma forma exagerada, porque foi mau de mais para se acreditar que o que se viu possa ser “normal”.

A questão aqui não é filosófica. Ou seja, não passa por discutir entre a opção de se assumir um posicionamento alto ou baixo da linha mais recuada. Passa, isso sim, por uma exigência qualitativa. Porque, seja qual for a filosofia assumida, o mais importante é a qualidade do que se faz. Hoje – e vem do Mundial – vemos uma equipa com comportamentos tácticos de qualidade inaceitável nesta matéria e a este nível. Os custos, como se percebe, têm um potencial catastrófico.

2) Incoerência táctica: No Mundial vimos um modelo com princípios nunca antes trabalhados e testados. O sistema sim, mas os princípios, de bloco muito baixo e verticalizar constantemente para um Ronaldo isolado na frente, não. Incrível como isto aconteceu no planeamento de uma competição a este nível!

Contra o Chipre, tal como na questão do comportamento da linha defensiva, as coisas desceram ainda mais baixo. Qual a última vez que Portugal jogou com um “duplo pivot”? Quanto tempo de treino teve para trabalhar esse modelo? Pior é impossível? Por incrível que possa parecer, não! Tivemos ainda uma espécie de autismo ao longo do próprio jogo. As dificuldades da equipa neste aspecto repetiram-se ao longo dos 90 minutos, com golo atrás de golo e aviso atrás de aviso. Mas nada foi corrigido ou alterado em termos tácticos. Mesmo com o resultado a favor e tudo para assumir uma estrutura que garantisse mais estabilidade no “miolo”.

3) Critério de escolhas: Custa-me um pouco entrar por aqui, porque acredito que é a questão individual é sempre o ponto menos relevante. Ainda assim, há situações incontornáveis. Começou-se pela definição de uma inversão de política, um corte com os critérios do passado. Agora, só jogavam os melhores e não havia “lugares marcados”. Já houve outras incongruências com isto, mas com isso posso eu bem. Até porque acredito que menos capazes são aqueles que não mudam. Mas o que quero falar, hoje, é da utilização de Meireles neste jogo.

Começo por esclarecer que, por mim, Meireles teria “lugar marcado”. É um excelente jogador e, tenha os níveis mínimos de competição, creio que deve ser convocado. Daí até ser titular com "competição zero" em 3 meses, vai alguma distância. Mais difícil ainda se torna perceber como é que um jogador que normalmente não faz 90 minutos, no primeiro jogo competitivo da época e a jogar numa posição de maior exposição em termos de desgaste, de repente, joga 90 minutos. Meireles fez um jogo com erros pontuais e que lhe são incomuns, mas mesmo que não tivesse feito, as decisões em torno da sua utilização estão longe de ser compreensíveis e revelam um grande desnorte de quem lidera o processo.

Os lances
1 – Os problemas duraram até ao fim, mas os sintomas do descalabro começaram cedo. No primeiro golo, ficam patentes os 2 problemas crónicos da defensiva nacional ao longo do jogo. O primeiro, a dificuldade do “duplo pivot” em controlar a zona central. O segundo, a incompetência do comportamento colectivo da linha defensiva.

É certo que o espaço que se abre entre as linhas defensiva e média começa por condicionar a pressão sobre o portador da bola, mas não isso não suficiente para que deixe de ser incrível como é que uma jogada em que só há 1 solução de passe, acaba desta forma. O problema da linha defensiva é que não assume nenhuma opção clara. Nem sobe para encurtar o espaço de ataque e usar o fora de jogo, nem desce para controlar a profundidade. Fica à espera do que o adversário possa decidir fazer.

Uma nota mais. Este é o único lance em que, na minha opinião, há uma responsabilidade significativa de Eduardo. Com a bola a saltar e numa posição lateral, a sua saída não podia ser daquela forma.

2 – Novamente, o mesmo problema. O primeiro passe de transição apanha logo uma zona central com desvantagem numérica portuguesa. Também se volta a notar a distância entre o médio e a linha defensiva. Valeu, no caso, a lentidão de decisão do jogador cipriota.

3 – Uma jogada um pouco diferente, mas igualmente elucidativa das dificuldades da linha defensiva portuguesa em adoptar um posicionamento eficaz.

A posse cipriota é forçada a recuar, a jogada baixa para trás da linha de meio campo e é totalmente previsível. Um canto podia parecer inimaginável neste cenário, mas a verdade é que acabou por ser apenas um mal menor. E bastou 1 passe vertical.

4 – Estas duas jogadas não têm consequência prática, mas talvez sejam aquelas que mais evidenciam o pouco trabalho que existe. São os tais detalhes que dizem muito sobre o trabalho existente. Subir rapidamente, quer numa situação, quer noutra, é um comportamento básico, que deve ser exigido a qualquer equipa de escalões de formação. Na Selecção, porém, os jogadores não estão alertados para essa necessidade. Mais tarde isto vai custar o empate, mas, repare-se como no primeiro lance há já 1 jogador sozinho na frente de Eduardo e que é colocado em jogo pela lentidão irresponsável da saída de Hugo Almeida. Se a bola tivesse saído para ali...

5 – A primeira coisa a dizer sobre o terceiro golo cipriota é que não se passa em ataque rápido. Não há transição. A raiz está numa falta que devia ser suficiente para prevenir desequilíbrios posicionais. Isto talvez seja o pior que se pode dizer da qualidade defensiva do jogo português.

De resto, o mesmo de sempre, exposição do “duplo pivot”, espaço entre linhas e uma linha defensiva que não faz a menor ideia do que quer fazer em campo. A jogada é, de novo, muito previsível. Miguel e Coentrão percebem rapidamente a facilidade que têm em isolar os avançados cipriotas em fora de jogo. Carvalho percebe tarde, mas a tempo. Bruno Alves nunca percebe. Estão todos a pensar isoladamente, num comportamento que tem de ser colectivo.

6 – Parece mentira, mas não é. Acontece outra vez! Em construção, de novo a mesma “lenga-lenga”, com a exposição na zona central do “duplo pivot”, com a criação de espaço entre linhas e com um passe vertical no fim disto tudo. A diferença é que aqui a linha defensiva estava mais baixa e, por isso, houve mais dificuldade em encontrar uma diagonal livre nas costas da defesa.

Uma nota importante é que isto se passa já com 4-3. Ou seja, havia já uma "bíblia" de exemplos que alertavam para os problemas tácticos deste comportamento defensivo e, ainda por cima, a equipa ganhava, pelo que não precisava de assumir riscos. Nada foi feito, porém.

7 – Vendo as coisas nesta sequência, nada pode parecer mais óbvio. No momento em que a primeira imagem pára, dá para ver o desenho do 4-2-3-1 que, mesmo numa situação baixa, expõe posicionalmente o “duplo pivot”. Isto acontece, primeiro, porque a estrutura nunca se alterou e, depois, porque não há da parte dos extremos uma consciência das necessidades tácticas do modelo em que estão a jogar. Em particular, era fundamental haver uma proximidade de Nani a Coentrão para evitar situações de 1x1.

Aqui, a exposição do “duplo pivot” acontece, mas não pelos mesmos motivos de todos os outros exemplos. Desta vez a dificuldade não é no controlo vertical dos espaços, mas sim lateral. Sem a ajuda dos extremos, os 2 médios têm de vir à direita e abrem espaço do outro lado, onde, depois, se cria a situação de remate frontal. Ao contrário do que chega a ser sugerido no comentário, não há qualquer responsabilidade de Coentrão.

Sobre a parte final do lance, fica evidente o ponto que considero fundamental (e gritante!), aliás, já antecipado em exemplos anteriores. É importante notar que a acção de Eduardo não é tão fácil como pode parecer. O remate é frontal, executado de primeira e numa jogada em movimento. É perfeitamente admissível que tenha dificuldade em controlar a trajectória da bola. O que não é admissível é haver 2 jogadores em condições de abordar a recarga a 2 metros da baliza. O que não é admissível é que Miguel não esteja precavido para a necessidade de subir assim que a opção do extremo foi no sentido de vir para dentro e não para a linha de fundo.



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5.9.10

alguns vídeos do fim de semana...

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- Poucas Selecções têm tantos motivos para acreditar na sua juventude como a Bélgica. Enquanto me questiono se algum dia verei uma grande equipa nos ombros de Hazard, Lukaku e companhia, peço que se olhe para uma jogada no meio do resumo da recepção à Alemanha. O movimento de Muller, do inicio ao fim. Estaremos outra vez na África do Sul?

- Estava a ver o resumo da derrota francesa e estranhei o nome, Kislyak, o "carrasco" gaulês. Depois de confirmar, de facto, era aquele médio que me havia impressionado no Euro sub 21. Pelos golos, mas mais do que isso. Parece que continua em Minsk, mas não deve ser por falta de talento para bater na bola. Só lhe vi um jogo, não posso jurar que valha a pena, mas não deixo de estranhar que, 1 ano depois, ainda não tenha saído do seu modesto campeonato.

- Marcelo Toscano? O Paraná está a tentar encontrar substituto para o nome que entusiasma Guimarães. Anderson Aquino, um dos candidatos, apareceu e fez isto.

- Finalmente, e sem mais comentários, o susto de Mehmet Scholl!.

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4.9.10

"Guimarazo" ou... o verdadeiro "caso Queiroz"

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- 0,2% O que é isto? Podia ser a estimativa do PIB nacional para a próxima década, mas não. Era a probabilidade teórica do Chipre marcar 4 frente a Portugal. Afinal, trata-se só de uma coincidência estatística, dirão os mais académicos. Se pusermos os pés na terra, porém, temos de convir que há mais do que um capricho dos deuses no "Guimarazo" cipriota. E não estou a falar de nenhuma mesquinhez de bastidores...

- Tudo começou 2 horas antes do apito inicial em Guimarães. Em Barcelos, era preciso ganhar. Foi quase. Tivesse Portugal tido oportunidades de golo e até podia ter sido possível. Sem oportunidades, claro, ficou um bocadinho mais difícil. A boa parte é que também já ninguém acreditava...

- Agora, e de novo, o "Guimarazo". A análise mais detalhada fica para depois, mas, se quiserem, ficam já os 2 aspectos que resumem a incompetência e que explicam também a "possibilidade estatística" lograda pelos cipriotas:
1) o funcionamento amador da linha defensiva (lembram-se do Mundial?)
2) o critério absurdo por trás de algumas opções individuais

- Há 2 anos dizia-se que Queiroz era preciso por causa do futebol de base. Sobre isso não posso opinar muito, porque desconheço com pormenor o que se passa nas Selecções de base. O que sei - e isto, eu sei! - é que a evolução táctica ao nível das 2 principais Selecções foi nulo nestes 2 anos. E "nulo" é simpatia.

- A coisa potencialmente mais preocupante é que, com uma direcção em fim de ciclo e um seleccionador mais preocupado com a exposição mediática do seu ego, não haverá ninguém cujos interesses pessoais estejam directamente ligados ao sucesso desportivo da Selecção. Ou seja, a não ser que Madaíl tenha a ilusão de continuar, o melhor é que esperar que ninguém faça nada durante um bom tempo...

E este é, para mim, o verdadeiro "caso Queiroz"

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2.9.10

Os melhores da Liga até agora (3 "grandes")

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A tabela é - ou pretende ser - auto explicativa. No fundo, trata-se apenas de uma média dos números que aqui tenho apresentado como complemento às análises dos jogos. Nesta lista incluí apenas 10 jogadores de campo de cada 1 dos 3 clubes analisados, como que sugerindo um 11 base para cada equipa. Os dados são obtidos pela média em 90 minutos de jogo de cada jogador.

O número de minutos é ainda curto e pode ter o forte efeito de uma boa ou má exibição no peso global da estatística. É seguro que com o passar do tempo algumas das tendências apresentadas se alterarão, mas, ainda assim, há já tempo suficiente para algumas conclusões interessantes sobre o rendimento de vários jogadores. Deixo alguns comentários pessoais sobre alguns casos:


Álvaro Pereira: A sua exibição frente ao Beira Mar tem um peso grande nesta estatística. É, entre todos, o jogador mais participativo, mas é no capítulo da eficácia que provavelmente mais virá a quebrar com o tempo. Isto porque o tal jogo com Beira Mar representou um nível de exigência muito baixo em termos de posse, permitindo-lhe acumular imensos passes completados, sem que essa seja uma tendência que se confirme noutros jogos.

Carriço: É o mais bem cotado dos centrais, mas os seus números têm de ser vistos com cuidado. Não porque não sejam fieis ao seu potencial, mas porque jogou muito tempo noutras posições.

Fernando: Tem potencial para ser ainda mais interventivo. É um jogador nuclear no Porto muitas vezes a sua exibição serve de barómetro para a própria equipa. Por exemplo, no jogo com a Naval teve a sua pior prestação e frente ao Rio Ave foi, no melhor período da equipa, o jogador mais influente.

Belluschi: Um dos casos em que os números revelam uma aptidão escondida. Belluschi é um dos jogadores mais úteis nos momentos defensivos e, embora isso nunca lhe tenha sido reconhecido, repete-o praticamente todos os jogos. O critério do passe em determinadas situações é a única coisa que o separa de um nível ainda mais elevado.

Maniche: Já o elogiei e, assim a equipa o permita, pode tornar-se ainda mais importante. A sua capacidade de passe não tem paralelo na Liga, pela rapidez, amplitude e eficácia com que o faz. Por isso é o jogador com maior número de passes completados por jogo, sendo que muitos deles são tudo menos triviais. Conhecendo-se a sua capacidade para ser também decisivo - ainda não o foi na Liga - é provável que se torne um jogador ainda mais determinante.

Gaitan: Os seus números estão muito influenciados por 1 jogo particularmente feliz. Mesmo reconhecendo-lhe potencial para evoluir, não é provável que mantenha tanta influencia decisiva.

Saviola: Tem potencial para ser muito mais determinante. É um avançado muito desestabilizador e que conseguiu já um jogo bastante bom na Madeira. Dele, porém, espera-se mais e não tenho dúvidas que acabará por vincar maior importância com o passar do tempo.

Falcao: É o caso mais enganador de todos. Não que os números mintam, obviamente, mas porque é fácil reconhecer-lhe capacidade para ser muito mais influente. Conseguiu a exibição mais marcante dos 9 jogos analisados (frente ao Beira Mar), mas acabou esquecido pela equipa nos outros jogos, com um nível de participação reduzidíssimo. Um desperdício, na minha opinião, mas disso também já tenho falado.



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O epílogo do mercado e... afinal o que é um "pinheiro"?

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- Quem diria, o mercado tem um epílogo! Os desempregados, pois claro. O Sporting dá o mote com Hildebrand e, diz-se agora, poderá dar continuidade com Franco. Num tempo de vacas tão magras, quem sabe não pega moda?

- Guillermo Franco. É, de facto, um jogador forte no jogo aéreo. Mas para quem quer jogar com uma referência para um jogo de construção mais directa. É que Franco não é mais alto do que Saleiro, por exemplo, e Saleiro não é um "pinheiro". Mas... o que é então exactamente um "pinheiro"?

- Entretanto, no Brasil, Deco defrontou Scolari. Ao ver o risonho abraço dos dois antes do jogo, e de repente, parecia que estava a ver o final apoteótico de um filme. E bem que o trajecto dos dois dava um filme...

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1.9.10

Naval - Sporting: Análise e números

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A confirmar-se a sua volatilidade recente, não é provável que Paulo Sérgio se agarre muito àquilo que aconteceu na Figueira. A verdade é que provavelmente devia. É utópico pensar que alguns dos problemas da equipa se terão evaporado subitamente e muito do seu eclipse episódico se explica naquilo que a Naval não foi capaz de fazer. Ainda assim, o losango trouxe a exibição mais consistente da temporada, alicerçada num crescimento significativo do rendimento individual de muitos jogadores.

Notas colectivas
Há dias confessei acreditar que esta era uma equipa individualmente superior àquela que o Sporting tinha há 1 ano e que se Paulo Bento a tivesse tido nessa altura dificilmente teria deixado Alvalade da forma que deixou. Ora, na Figueira tivemos um bom teste prático para essa hipótese teórica, com muito do que a equipa fez a aproximar-se da filosofia implementada por Bento. E a verdade é que se deu muito bem.

O domínio leonino foi alicerçado numa boa intensidade de todos os jogadores, valendo uma rápida presença nas zonas da bola e também representando uma mais valia na disputa de lances divididos. As dimensões do campo não são, aliás, um pormenor a menosprezar na análise do jogo. Nestas condições é sempre importante ser mais forte nas bolas divididas e na resposta a iniciativas mais directas, que acabam sempre por acontecer. Depois – e também tem a ver com a dimensão – é importante saber distinguir bem os momentos em que dá para circular e aqueles em que o risco não deve ser assumido. Em todos estes patamares o Sporting esteve bem e, sobretudo, sempre muito melhor do que a Naval. Aliás, uma das dúvidas que me fica é que resposta dará a equipa neste modelo, mas num campo maior. Sobretudo em termos defensivos, creio que há problemas que poderão ser mais vezes expostos. Mas isso só poderemos confirmar, se a fórmula for repetida noutras condições.

Importa também falar de outro aspecto que tem a ver com a dinâmica das alas. O Sporting tem tido alguns problemas na protecção dos flancos. Jogando em 4-4-2 ou 4-2-3-1, como vem sendo hábito, a equipa tem sempre 2 alas muito ofensivos e o meio campo, com apenas 2 jogadores, tem dificuldade para auxiliar a tempo a cobertura dos flancos. Este problema foi muito visível na Mata Real, mas tem sido um denominador comum na temporada e um dos problemas da equipa. Ora, este losango apresentou maior consistência nesse âmbito porque, apesar dos laterais serem muito ofensivos, havia 3 médios com responsabilidades mais posicionais, o que facilitava a compensação nos flancos. Mais uma vez, um jogo não chega para tirar conclusões, mas esta dinâmica foi bastante interessante, e mais interessante poderá ser com João Pereira, por exemplo.

Se tudo isto funcionou em termos colectivos, muita da explicação da subida de rendimento tem de vir da componente individual...

Notas individuais
De facto, num só jogo houve vários jogadores a conseguir os níveis exibicionais mais elevados da temporada, e isso não pode ser dissociado da estrutura e do modelo adoptados.

Primeiro, Liedson. De facto, foi outro jogador com alguém ao lado. Tem andado distante do seu nível de rendimento noutras temporadas, mas com o losango voltou o melhor Liedson. Muito participativo, conseguindo estar presente em todos os momentos da equipa e sendo uma mais valia para o colectivo pela abrangência das suas acções. Foi decisivo, e isso é obviamente importante, mas não é esse dado que deve ser mais relevado na sua exibição. Fica claro, nesta estrutura Paulo Sérgio ganha outro jogador na frente.

Depois Maniche. Passou mais ou menos em claro aquilo que fez no jogo, mas Maniche fez um jogo enorme na Figueira. É impressionante a sua capacidade de presença, a leitura rápida que faz do jogo e a capacidade de execução que tem ao nível do passe. Ter este Maniche é ter um jogador ao mais alto nível mundial. E ainda faltam os desequilíbrios que sabemos que é capaz de criar! Não sei se o critério da sua não convocação foi técnico, mas se foi, alguém anda a fazer mal o seu trabalho...

De resto, quase toda a equipa, do meio campo para a frente, esteve em níveis máximos de temporada. Um destaque particular para os efeitos que a estrutura teve em Yannick e Valdes. Yannick, porque, um pouco como Liedson, é neste figurino que se sente melhor e que as suas qualidades são melhor potenciadas. Quanto a Valdes fez o jogo mais completo desde que chegou. Finalmente foi um jogador total, para todos os momentos e não apenas um ala à espera que a bola lhe chegasse ao pé. Assim sim, pode ser uma mais valia.

Como nota negativa, e um dia após ter atingido o ponto máximo da sua carreira, Nuno André Coelho. Talvez a convocatória o tenha afectado, mas esteve algo displicente no passe, acumulando 3 perdas evitáveis. Ao seu lado, Carriço esteve bem melhor.



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Tales, Robinho e a conotação do "polvo"

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- Fim de mercado que resume bem a tendência de recessão actual. Por cá, a surpresa vem carregada de ironia. Em vez de um pinheiro, Paulo Sérgio ganha Tales, um criativo de menos de 1,70m. A questão é se alguém no Sporting foi informado desta contratação?

- Lá fora, claramente, o destaque está em Milão. Acrescentar Robinho e Ibrahimovic ao plantel em meia dúzia de dias não é para todos. É uma grande notícia para o sucesso do clube... no youtube.

- Entretanto, não posso garantir, mas pelo que percebi o "caso Queiroz" entrou numa nova e importante fase. Discute-se agora a conotação que deve ou não ser dada à utilização da palavra "polvo".

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