4.8.10

Benfica: o balanço da pré época

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Foi uma boa pré época para o Benfica. Permitiu analisar novas soluções e ganhar confiança, com bons resultados e boas exibições. Se calhar, em certos casos demasiado bons, daí que perder o último jogo talvez tenha sido um bom “timing” para descer à terra. É que, apesar da qualidade que se lhe reconhece, este Benfica não é ainda tão forte como o da época anterior. Perdeu algumas unidades, ainda não recuperou outras e conta, ainda, com alguns elementos fundamentais que não estão ainda no seu máximo rendimento. A grande novidade, porém, é o 4-3-3 testado por Jesus. Algo que merece uma análise mais dedicada e que deixarei para os próximos dias. Para já, as notas da pré época.

Notas colectivas
Começando então pelo 4-3-3. Mudar para este sistema representa um elevar de patamar em termos de risco. O Benfica passa a jogar tudo no pressing e assume uma exposição na sua zona mais recuada como não conheço igual. Será que Jesus vai mesmo apostar nesta versão? Eu aposto que não, que a deixará para adversários mais fracos ou momentos de necessidade ofensiva nos jogos. Se o fizer, no entanto, Jesus arrisca-se a ser o treinador mais ousado do mundo em termos tácticos. Nos próximos dias tentarei explicar melhor o porquê.

De resto, o Benfica tem o seu modelo táctico definido e assimilado pela maioria, faltando-lhe perceber como e com quem poderá tirar melhor rendimento. É uma preocupação colectiva, sim, mas que depende muito dos intérpretes, e por isso passarei para a componente individual.

Notas individuais
Em primeiro lugar, referir que, entre os quadros que apresentei para os 3 grandes, o caso do Benfica é o mais interessante porque é aquele que tem mais tempo de análise. Ainda assim, importa também dizer que houve momentos muito diferentes dentro de cada um dos jogos e que, obviamente, há jogadores mais beneficiados do que outros em relação ao momento em que estiveram em campo. Vamos por partes.

Laterais: à esquerda, Coentrão confirmou, sem surpresa, o seu momento e que representa uma enorme mais valia para o modelo (então se for em 4-3-3, é indispensável). Em vários períodos, houve a troca com Peixoto, abrindo-se também aqui a dúvida sobre se poderá haver permuta entre os 2 em determinados momentos. Coentrão é seguramente o jogador mais explosivo do Benfica neste momento, mas sou da opinião que retirar-lhe metros no corredor é um desperdício.

À direita, Amorim tem uma fiabilidade que lhe é reconhecida e que os números não reflectem. Não reflectem simplesmente porque, em 5 jogos, Amorim cometeu 2 erros decisivos, com influência directa no marcador. Algo que não se perspectiva poder repetir-se. Ainda assim, continua-se à espera de Maxi.

Centrais: O espectáculo David Luiz continuou, desta vez com Sidnei ao lado. Mais uma vez reforço a qualidade individual e colectiva deste sector, destacando aquilo que o Benfica faz com a sua linha de fora de jogo, uma das mais perfeitas que conheço. É por isso que mexer na defesa com a saída de David Luiz seria um enorme risco. No tal 4-3-3 agora testado, então, a importância do recentemente convocado para a canarinha é ainda mais importante. Ao seu lado, Luisão deverá ter o lugar assegurado. Sidnei fez uma boa pré época, mas sem um nível e consistência que permita colocar em causa o estatuto de Luisão.

Pivot: Garcia perdeu o lugar. Quando perspectivei a contratação de Airton referi que inevitavelmente estaria à altura do espanhol dentro de algum tempo. Esse momento chegou e, nesta altura, é difícil encontrar algum parâmetro de avaliação onde o brasileiro fique a perder. Mais uma vez, se for em 4-3-3, a sua presença torna-se ainda mais importante. De qualquer modo, a diferença não é enorme e Jesus terá sempre 2 óptimas soluções para o lugar.

10: Aqui começam os problemas de Jesus. Aimar não vem demonstrando ainda o nível que o consagrou, para mim, como o jogador mais importante do modelo anterior. O seu rendimento é bom, mas não ao nível que nos habitou, tendo essa atenuante de ter jogado muito tempo num modelo diferente daquele em que estava habituado (no 4-3-3, a sua função altera-se quase radicalmente). Outro problema poderá ser a disponibilidade física do 10 ao longo da temporada. Sempre que estiver ausente, e jogar em 4-4-2, o Benfica perderá rendimento.

Alas: Outro problema. Saiu Di Maria e agora parece que também Ramires. São jogadores diferentes e a sua saída em comum marca um forte abalo no ADN do desempenho.

Di Maria, disse-o, tem em Gaitan um substituto natural (ao contrário do que se diz). O problema é que a pré época não correu bem ao novo 20, que ao contrário de outras estreias perdeu confiança neste arranque de temporada, em vez de a ganhar. Gaitan não esteve nos melhores momentos da equipa e perdeu a oportunidade que, por exemplo, Jara aproveitou de crescer com a confiança colectiva. Desistir dele será um grande erro, até porque ele poderá ser uma boa parte da solução.

Enquanto se espera um substituto para Ramires, a alternativa é Carlos Martins. Está a fazer um grande inicio de época – como é hábito – e tem em relação a Ramires a vantagem de ser bem mais participativo e criativo do que o brasileiro. Aliás, é como ala interior que Martins mais se destaca. Outra solução, ainda que não testada, é Ruben Amorim, que garantirá um rendimento ao nível de Ramires, excepto em transição. Aliás, Amorim, é mais forte em construção do que Ramires.

Ainda dentro das soluções, está Peixoto que fez um excelente inicio de época e que, como expliquei atrás, poderá funcionar em combinação com Coentrão sobre a esquerda.

Avançados: Não sou um grande fã do futebol de Cardozo. Acho que tem um pé esquerdo raro e uma boa qualidade técnica, mas não aprecio a sua intensidade no jogo, que é invariavelmente baixa. Ainda assim, perante o seu rendimento, não há discussões. Impressionante a qualidade das suas participações. Quase sempre que tocou na bola foi para fazer golo ou criar perigo.

De resto, outro problema em termos de rendimento é Saviola, a milhas do que fez no ano anterior. Pouco certo, pouco interventivo e, mesmo, pouco desequilibrador. De Saviola, no entanto, espera-se que melhore.

O grande destaque, e grande beneficiado com o 4-3-3 foi Jara. Avisei, ainda antes de o ver jogar no Benfica, para a sua intensidade e... ela aí está. Em 4-3-3 é fundamental uma enorme intensidade de todos e aí Jara não fica a perder para ninguém. Mostrou-se participativo e em crescendo de confiança. Não é, nem será a curto prazo, uma enorme mais valia, mas é uma solução útil e está na “pole position” para o 11, se a opção for o 4-3-3.



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3.8.10

Benfica: uma explicação redutora

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A pergunta que acompanha a sazonalidade, desta vez, não levanta grandes discussões. Se normalmente se debate quem parte melhor para a temporada, desta vez o consenso é uma regra quase geral: o Benfica. Sobre a pré época dos encarnados escreverei em breve e com mais detalhe, mas, para já, gostaria de me debruçar sobre outra pergunta: o que marca a diferença no futebol do Benfica?

A resposta, como sempre, não é simples. Vou, no entanto, ceder à natureza humana e, permitam-me, ser redutor. Mesmo com a noção deste erro de análise, vou centrar-me apenas num ponto: o pressing.

Sempre que alguém escreve ou analisa uma equipa com um futebol dominador, a regra geral é invadir-nos de poesia. Poesia futebolística. A técnica e a inteligência dos jogadores, tudo com bola, sempre com bola. Obviamente é importante, mas – lá está a natureza humana – profundamente redutor. Bem mais, no meu entender, do que a redução que eu próprio estou a fazer.

Se não vejamos, o Sporting, por exemplo, conseguiu na pré época uma posse de bola com índices muito superiores aos do Benfica. Mais tempo, muito mais passes e muito mais % de certeza na entrega. Reforço o “muito”. Isso implica que o seu futebol seja melhor? Obviamente que não.

Mais do que ter a bola, é preciso tê-la nas zonas certas e nos momentos certos. Para se explicar um futebol dominador, para mim, deve-se começar por explicar o que a equipa faz sem bola e o que faz para a ganhar. Se a recuperação é feita no meio campo adversário e com o adversário em desequilíbrio, não é preciso muita inteligência, nem sequer técnica para criar sucessivas oportunidades de golo.
Digam-me onde e como recuperam a bola, e eu digo-vos o quão dominadora é a vossa equipa.

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2.8.10

Porto: O balanço de Paris

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Confesso que tinha alguma expectativa para ver estas partidas – lamentavelmente as únicas que tive a oportunidade de ver do Porto de Villas Boas na pré época. O resultado, porém, não satisfaz os melhores prognósticos. Os resultados, todos o sabem, não foram os melhores, mas o Porto de Villas Boas, na sua estreia, falhou em mostrar um “upgrade” em relação ao passado. Já se sabia, e ao contrário do que muitas vezes injustamente foi repetido, que a herança de Jesualdo era pesada e que melhorar não seria fácil. E não será. Para já, o Porto tem algumas diferenças e também algumas atenuantes para alguns aspectos, mas melhorar... ainda não melhorou.

Notas colectivas: dificuldades e diferenças
A “olho nú” não se vislumbram diferenças entre o passado e o presente. Isto é, o sistema é o mesmo e o posicionamento relativo dos jogadores também, sendo que mesmo as opções aparecem nos mesmo locais. Mas há diferenças. Os dois pontos, esperava-se, em que Villas Boas podia trazer novidades eram (1) no pressing e (2) na posse de bola. Na verdade, muito destas expectativas partiam de uma ideia errada e algo preconcebida de que o Porto de Jesualdo (1) não pressionava alto e (2) não trabalhava bem o seu momento de posse. Estas ideias não são justas e é por isso que a missão de melhorar o passado será mais difícil do que por vezes se fez crer.

Mas esperavam-se diferenças, de facto. Acima de tudo, diferenças no posicionamento da linha mais recuada e, depois, na vontade de manter mais vezes a bola no último terço. O que se viu, porém, foi um pressing menos capaz do que no passado, com o papel do 9 a ser mais orientador e menos agressivo, como que a preparar a recuperação em zona intermédia em vez de dar o mote para o fazer, já ali, junto dos centrais. Isso não aconteceu, e o Porto não foi autoritário em 3/4 dos 2 jogos que realizou, salvando-se o seu melhor período, após a entrada de Ruben Micael no primeiro jogo.

Ao problema do pressing, juntou-se outro. A qualidade em posse. Mais uma vez com a excepção do mencionado período frente ao PSG, a qualidade da posse foi sempre uma decepção, com muitos passes perdidos e muitas dificuldades para envolver as defensivas contrárias em organização.

A estes 2 problemas – pressing e posse – junta-se as bolas paradas. É que não foi só nos golos que se sentiram dificuldades.

Tudo somado, importa terminar com 2 notas. A primeira para falar da atenuante da qualidade dos adversários. O futebol francês – e eu conheço bem a liga – tem uma qualidade muito elevada, quer em termos individuais (técnica e fisicamente o nível é fantástico), quer em termos tácticos (não é uma regra geral, porém). A segunda nota, para dizer que o que se viu não é mau. Apenas falhou, para já, em mostrar uma evolução em relação ao passado. Melhorar o passado será a primeira barreira de Villas Boas. A outra, é melhorar ao ponto de ser mais forte do que o Benfica.

Notas individuais: Bons e maus
Houve algumas notas bem distintas entre todas as exibições, mas importa também lembrar que os dados apresentados não têm a solidez mais vasta. Observações de 1 ou 2 jogos não têm grande solidez e aquelas com menos de 90’ podem ser mesmo enganosas. Ainda assim, várias notas importantes.

Nas laterais, Alvaro Pereira deixou a sua marca. Muito interventivo, mas nem sempre certo. Foi assim e será sempre assim, porque é o seu estilo. Na direita menos consistência dos 3, embora Fucile e Miguel Lopes consigam dar boas garantias.
Na zona central, um problema. Maicon foi o melhor e isso diz bem do que Villas Boas poderá ter pela frente. Perder Bruno Alves poderá ser uma dor de cabeça e ter trocado Nuno André Coelho provar-se um erro. Nenhum dos 3 é excepcional, mas é Maicon que me parece o mais consistente.

No “pivot”, Fernando mostrou-se um varredor, participando enormemente no jogo, embora peque por alguma inconsistência e qualidade quando o comparamos com outros exemplos de outros clubes. A alternativa, porém, é tudo menos uma segurança. Não pelo erro de Souza, mas porque o jogador que actua ali tem de ter um peso muito maior no jogo do que aquele que Souza demonstrou.

No meio campo, e esquecendo Meireles, a melhor versão foi com Micael mais solto no espaço entre linhas e Moutinho como médio de transição, capaz de se juntar rapidamente a Fernando ou aparecer no apoio aos da frente. O ex-capitão do Sporting, aliás, tem uma fiabilidade que justifica a utilização de um jogador mais solto em termos tácticos como complemento a ele e a Fernando. Esse jogador poderá ser Micael ou Belluschi, que teve o “azar” de ser utilizado com a pior das companhias.

Nas alas, Hulk é o mesmo de há 1 ano. Resta saber se fará melhor quando for a sério, porque a sua pré época volta a ser fantástica. De resto, para além do brasileiro, o melhor pareceu ser Varela – nada de novo, portanto. As alternativas são boas, porque se Cristian Rodriguez tem tudo para discutir a titularidade, James mostrou que com uma boa evolução (e mais tempo) também poderá lá chegar.

Na frente, marcou Walter, mas para o nível de Falcao falta-lhe muito. É impressionante a consistência do colombiano. O número de bolas que ganha e a fiabilidade que oferece ao jogo. Se não o conhecêssemos poderíamos duvidar da sua capacidade de desequilíbrio, mas, como se sabe, situações de golo sabe ele arranjar. Como ele, não há muitos por aí.



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30.7.10

Reforços 10/11: Walter

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Foi uma novela que durou algum tempo e que, a acreditar nas palavras do presidente do Internacional, terá envolvido algumas peripécias pelo meio, mas, finalmente, Walter, é mesmo reforço portista. A primeira vez que vi o jogador foi no 'Sudamericano' sub 20, em Janeiro de 2009 e de lá para cá tenho acompanhado com algum rigor a carreira do jogador. É um caso especialmente interessante de seguir...


Pontos fortes: remate
Para ser muito concreto, Walter é o jogador mais forte que conheço na sua idade em capacidade de remate. Tenta-o frequentemente e com os 2 pés, embora seja o direito aquele que justifica tanta tinta sobre o “bigorna”. Walter é tecnicamente dotado, que sabe movimentar-se na frente e jogar como apoio à criação, mas não é um jogador especialmente forte em termos de explosão ou velocidade, nem mesmo um temível jogador de área. Pelo menos para já. A sua virtude, e que o poderá catapultar para altos voos, é mesmo o remate. Assim que se vira para a baliza, e mesmo fora da área, é um perigo.


Pontos fracos: Intensidade
É típico nos jogadores brasileiros. A intensidade nem sempre é a mais adequada ao patamar do futebol europeu. No Porto, Walter vai ter de aprender a jogar no resto do tempo, em que a bola não está nos seus pés. As movimentações colectivas e a intensidade no pressing serão requisitos para triunfar no Dragão. Walter é jovem e se quiser aprender, seguramente que não lhe faltarão oportunidades para evoluir.

Antevisão: 8 ou 80
Não há 2 oportunidades para um primeira impressão. Diz-se e é verdade. Muitos jogadores, especialmente aqueles que precisam de evoluir, dependem muito da forma como são recebidos e da tolerância que lhes é transmitida no seu processo de afirmação. No caso de Walter, creio, será especialmente importante essa primeira impressão. Porque tem potencial, mas precisa de evoluir em vários capítulos, mas também porque Walter pode também cair na situação comum de ser mal visto pelos adeptos, muito devido à sua fisionomia “arredondada”, o que leva sempre ao aparecimento de preconceitos. Lembro-me de um caso diferente, de Pena. Marcou 2 golos na estreia e esse momento foi tão importante que o catapultou para uma época bem acima das suas modestas potencialidades. Com Walter, se o primeiro “míssil” sair bem, terá tudo para poder evoluir, caso contrário a pressão do Dragão poderá ser um obstáculo.

Por fim, convém dizer que Walter é um dos mais promissores avançados da sua geração e que provavelmente só não saiu mais cedo do Brasil porque uma lesão o afastou do último mundial sub20. Se a sua evolução for positiva e se souber moldar o seu jogo às exigências que se lhe deparam, Walter pode bem sair a curto prazo e pela porta grande do Dragão, porque, como já disse, tem alguns recursos raríssimos. O caminho é ainda longo, porém.



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29.7.10

O calor do futebol

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Diz a definição que Calor é a energia transferida entre 2 sistemas. Não sei exactamente o que se passa quando estas transferências se dão em pleno relvado, mas há indícios claros de que a temperatura mexe, e bem, com o calor do jogo. Pelo menos, deve ser por isso que os nórdicos jogam aquele futebol frenético e os sul americanos se parecem arrastar nos “gramados”. Mas não é só no ritmo que o calor influi. Porquê isto agora? O Celtic, primeiro, e, mais tarde (bem mais tarde!), a final da Copa do Brasil.

Não me entendam mal, o Celtic não é nenhuma potência, mas espera-se sempre dos escoceses outra intensidade num jogo de futebol. Lembro-me sempre daquele mundial de clubes no Brasil: e se os pusessem a jogar num clima tórrido, será que mantinham a atitude? Pois parece que não. Parece que as transferências de energia não são mais as mesmas. Dá que pensar.

Noutro país, outras transferências de energia, que é como quem diz: outro calor! A final da Copa do Brasil. Na apertada Vila Belmiro, casa do Santos, jogou-se a primeira mão e o Vitória teve o pesadelo de tentar sobreviver ao “caldeirão” do adversário (não sei porquê, é sempre um pesadelo para quem joga fora). É um mistério para mim, como o futebol pode ser tão diferente na América do Sul em relação à Europa. Deste lado do Atlântico, a pressão torna os embates decisivos numa espécie de “jogo do sério”, em que quem ri, perde. Grande concentração, poucos erros e poucas oportunidades. Do lado de lá, é o contrário. Explosões emocionais, capazes de extrair o melhor e o pior dos protagonistas, e uma chuva de desequilíbrios tácticos. Já aqui falei várias vezes das lacunas tácticas do futebol sul americano, mas a verdade é que isso não explica tudo. Aliás, explica mesmo muito pouco.

Não sei bem o que concluir sobre esta coisa do “calor do futebol”, mas uma coisa tenho como certa. Do ponto de vista do entretenimento e da emoção, não há futebol como o brasileiro.

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27.7.10

Reforços 10/11: James Rodriguez

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Não é propriamente uma novidade, tal o tempo que já lá vai desde o seu anuncio como reforço portista. Numa sequência que estranho e lamento, porém, ainda poucos puderam ver este “puto” de dragão ao peito. James Rodriguez já fora aqui referenciado, quer na sequência da revisão que fiz do campeonato argentino, quer no destaque feito ao Banfield. O destaque colectivo da sua equipa, aliás, tornou impossível que não se olhasse para ele. Dizer que James era o melhor do Banfield é no mínimo discutível, mas era, seguramente, o único jovem a brilhar naquela equipa que dominou o futebol argentino na última metade de 2009. Aqui ficam algumas notas sobre o jogador.

Pontos fortes: pé esquerdo e capacidade de trabalho
Se procurarem por James Rodriguez no youtube seguramente que vão encontrar a essência do seu ponto forte. O pé esquerdo. James é um jogador ainda em fase de crescimento e se foi projectado como um prodígio, muito se deve a alguns momentos que o seu pé esquerdo proporcionou. Em particular, a sua finalização é notável, quer dentro, quer fora da área, e isso faz dele um provável marcador de golos, mesmo não sendo dos mais jogava perto do golo.

Outro atributo do jovem é a sua capacidade de trabalho. Normalmente espera-se de um jovem talentoso, que seja também algo displicente na forma como encara o resto do jogo. Ou seja, o tempo em que não tem a bola. No Banfield, porém, James jogava como ala esquerda num 4-4-2 clássico e muito trabalho lhe era exigido no seu flanco. Não tem uma capacidade fisíca que lhe permita ganhar muitos duelos, mas tem uma atitude perante o jogo muito positiva para a sua idade.

Pontos fracos: Craque? Ainda não...
James pode ter um perfil promissor e até ter boas condições para vir, de facto, a ser um nome forte do futebol mundial, mas, para já, ainda está longe de o ser. Para além do capítulo decisional – normal na sua idade – James não é também um jogador invulgarmente criativo. O tempo e a sua evolução ditarão o patamar que poderá atingir, mas, para já, James é apenas um miúdo que o Banfield revelou como parte de uma equipa. Um jogador capaz de momentos de inspiração que valem jogos, mas sem verdadeiro o peso de um grande craque.

Antevisão: É importante saber esperar
O risco de James está na forma como foi contratado. Investimento elevado, equipa principal e grandes expectativas. James, no entanto, dificilmente conseguirá ganhar o lugar numa equipa que tem Hulk, Rodriguez, Varela, Mariano ou mesmo Ukra. Não é isso que se lhe deve pedir, e se for isso que dele se espera, então o mais provável é que acabe mal a sua experiência no Dragão.

James tem de ter um plano de evolução, uma estratégia para o fazer compreender melhor as alterações tácticas que irá experimentar e, ao mesmo tempo, evoluir nos outros capítulos do jogo. Para isso o melhor era jogar. Ou, pelo menos, também jogar. Mas não é liquido que aconteça.

Enfim, quando olho para o perfil de James, não é difícil classifica-lo como “interessante”. O que o torna invulgar, porém, é o bilhete de identidade: apenas 19 anos! E o melhor mesmo é que não se confundam as coisas...



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26.7.10

Sporting: A "Alemanha" de Paulo Sérgio

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Terminada a pré época do Sporting, trago aqui algumas notas do balanço, num exercício que repetirei para Benfica e Porto nos próximos dias. No caso do Sporting, apenas considerei os jogos da ‘tour’ americana, até porque foram os únicos que tive a oportunidade de observar. Feitas as contas,o balanço é relativamente positivo. “Positivo”, porque se perspectiva uma época mais sólida do que a anterior – o que não era difícil – havendo uma ideia de jogo a implementar, e com algumas boas novidades em termos individuais. “Relativamente”, porque há particularidades do modelo que deverão dificultar muito a vida a Paulo Sérgio, na obtenção de um modelo realmente forte em todos os pontos.

Colectivo: o modelo e o que de bom se viu
A ideia de Paulo Sérgio – embora acredite que venha a apresentar outros figurinos – é apresentar um 4-2-3-1, alicerçado na consistência do duplo-pivot, na boa circulação de bola, numa equipa alta. Uma equipa que gosta de ter a bola, portanto. Em traços gerais, é um modelo que não foge muito àquilo que o Braga de Domingos, por exemplo, tentava fazer. Ou – e se calhar há aqui influências – num caso mais recente e mediático, recupera muito do que a Alemanha fez no Mundial, com a diferença de apresentar um pressing e linhas defensivas mais altos.

A boa notícia é a circulação em construção. Contra o Man City, por exemplo, o Sporting conseguiu um registo anormalmente elevado de passes (quase 600!). Aliás, em todo o torneio a % de passe superou os 80%, com uma enorme certeza, quer nos centrais, laterais e – especialmente estes – duplo pivot do meio campo. Aqui, há uma boa movimentação da dupla de meio campo que consegue criar muitas soluções à construção e fazer a bola circular à largura do campo. A ideia é precisamente essa, manter a bola e fazê-la viajar rapidamente à procura do espaço de penetração. Quanto a este ponto – a primeira fase de construção – Paulo Sérgio tem grandes motivos para sorrir.


Colectivo: o pressing, a linha defensiva e o espaço entre linhas
Já havia falado aqui da importância de 2 aspectos na eficácia do modelo. O pressing e a linha defensiva. No primeiro caso, do pressing, o jogo com o Tottenham revelou grandes melhorias. É praticamente impossível uma equipa pensar em ganhar de forma consistente se não tiver uma recuperação alta que funcione e lhe permita explorar os momentos de desorganização adversário. Neste particular, o Sporting não esteve bem nos 2 primeiros jogos, mas frente aos Spurs, conseguiu boa parte dos seus desequilíbrios ofensivos a partir daquilo que o pressing produziu. Aqui, claro, não é coincidência a presença de Liedson.

Se o último jogo evidenciou o melhor do pressing, também expôs em grande escala as dificuldades da linha defensiva. Algo que para que já havia alertado frente ao Celtic, porque, embora não tivesse grandes problemas com esse plano, houve indicadores que claramente já denunciavam a carência. Aqui, trata-se sobretudo de um trabalho colectivo, que passa por uma grande coordenação e concentração dos 4 de trás, mas também de uma ligação com o que o meio campo faz. E aqui abro outro ponto.

Ora, entre o pressing e a linha defensiva – os dois “alicerces” que não estão devidamente limados – está o meio campo e a opção pelo duplo pivot. A escolha de Paulo Sérgio não o impede de ter um modelo “óptimo”, mas seguramente torna a coisa mais difícil. O comportamento defensivo do Sporting é bastante semelhante a um 4-4-2 clássico, com uma grande exposição espacial da dupla de meio campo. Os espaços entre linhas ficam mais difíceis de controlar e, quer os médios têm dificuldade em juntar-se aos da frente para pressionar, quer, depois, têm dificuldade em estar próximo do portador da bola, na hora do passe para as costas da defesa. Ou seja, o papel dos médios e o controlo que têm do corredor central é decisivo, também, quer para o pressing, quer para o conforto dos defesas em jogar alto.

Individual: à procura de um elo de ligação
Em primeiro lugar, quero deixar uma pequena nota explicativa sobre os dados do quadro. Os elementos apresentados foram “normalizados” para uma escala de 90 minutos, para permitir uma comparação jogador a jogador. Isto, porém, não deve ser descontextualizado do número de minutos de cada jogador. Ou seja, quanto mais tempo de utilização tiver o jogador, mais sólidas são as conclusões.

No modelo de Paulo Sérgio há, em termos individuais, uma grande satisfação com as soluções. Na defesa, a aquisição de João Pereira e Evaldo representa um grande “upgrade” para o colectivo. Um investimento seguro em qualquer dos casos, até porque os laterais têm bastante influência em quase todos os modelos do futebol moderno. Quanto a centrais, as soluções também são boas e o difícil será escolher. Na dupla de pivots, Pedro Mendes e Maniche são do que melhor se poderia pedir. Impressionantes, mesmo. E André Santos é também um reforço que garante muito mais qualidade do que Adrien. Nas alas e na frente também há opções de sobra para o treinador.

O grande problema de Paulo Sérgio é encontrar um elemento que faça a ligação entre a construção e a finalização. Pegando nos mesmos exemplos de outros modelos semelhantes – Braga e Alemanha – um Mossoró ou Ozil. Matias seria o nome mais óbvio, mas a sua qualidade com a bola nos pés, não é complementada com uma movimentação que lhe permita uma presença mais constante no jogo. E isso é um problema. Pongolle, embora em pouco tempo, também não deu boas indicações, e enquanto esperará para testar Izmailov, Paulo Sérgio parece ter em Postiga a solução de maior rendimento nesta altura. Pelo menos a julgar pelo que se viu, foi com Postiga nessa posição que a ligação foi mais fluída. Apenas uma primeira indicação, mas já uma bastante relevante.

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23.7.10

Notas do Sporting - Celtic

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Foi o primeiro jogo que tive a oportunidade de ver do Sporting em 10/11. Outros se seguirão, e conto complementar algumas ideias – para já ainda pouco vinculativas – com os próximos e derradeiros particulares dos “leões” antes do arranque competitivo. Na mesma linha do que já anunciei, ficam os comentários pessoais, complementados pela estatística e avaliação individual de cada jogador.

Notas colectivas
O jogo foi condicionado pelas dimensões reduzidas do terreno. Aliás, terá sido uma excelente oportunidade para treinar decisões rápidas em ambiente competitivo. O balanço final, no entanto, não é muito bom em termos colectivos. O Sporting apresentou um jogo que se distinguiu do Celtic pela maior quantidade e qualidade de circulação, mas nunca conseguiu transformar a maior qualidade em posse numa superioridade real no jogo. Não se pode dizer que tenha havido uma equipa superior no jogo, mas foi o Celtic quem conseguiu estar constantemente mais perto do golo.

Aqui, duas notas em relação ao jogo do Sporting. Quer na primeira, quer na segunda parte, a posse do Sporting foi rápida em zonas baixas, mas falhou no desdobramento para o último terço. E falhou porque não houve qualidade nas movimentações nessa zona. Ou pelo menos qualidade suficiente para criar mais soluções de passe. Na primeira parte, então, Saleiro raramente se envolveu no jogo. A segunda nota será até mais importante do que a primeira: o pressing. Se o Sporting conseguiu poucas situações de desequilíbrio, muito se deveu à sua incapacidade para actuar em transição. Já várias vezes expliquei a importância do momento em que se ganha a bola, muitas vezes muito mais do que a qualidade que se tem com esta nos pés. Ora, apesar de esse ser um pilar das equipas de Paulo Sérgio, a verdade é que o pressing produziu zero em termos de oportunidades de transição. E assim fica mais difícil.

Resta falar da vertente defensiva. Para além da tal incapacidade para roubar alto e colocar a construção do Celtic sobre “stress”, claro. Não foi um jogo muito problemático para o Sporting, que sofreu um golo de penalti, inocentemente cedido por Polga. Para além disso, algumas perdas em zona intermédia resultaram em transições que levaram algum perigo. Mas, mais importante do que isso é falar da linha defensiva. Tentou ser alta, mas não mostrou grandes resultados práticos. Não foi uma vantagem para o pressing, nem grande auxilio em jogadas mais próximas da área. Aliás, o Sporting sentiu grandes problemas em 2 ou 3 lançamentos para as costas, onde os britânicos são normalmente fortes. Outro alicerce das equipas de Paulo Sérgio que precisa de ser melhorado.

Notas individuais
Individualmente, há mais boas notícias do que más. O Sporting conseguiu uma percentagem de passe muito elevada, na ordem dos 78%, o que é sempre revelador de qualidade no desempenho individual. Curiosamente, mais eficácia e mais passes na primeira parte, mas menos recuperações, redundando num jogo mais inconsequente nos primeiros 45 minutos. Não era obrigatório, mas foi assim.

Na zona defensiva, ambos os laterais direitos estiveram bem, com Abel mais participativo, mas João Pereira com mais qualidade. Na esquerda, Evaldo não deslumbrou, mas esteve bem melhor do que Grimi em todos os parâmetros. No centro, e tendo em conta que ainda falta Carriço, são excelentes notícias para Paulo Sérgio. Os centrais do Sporting, no total tiveram uma percentagem de passe de 90%. Reflexo, primeiro, da pouca pressão do Celtic, mas também de uma saída em posse e que dava aos médios a primazia da condução. Mais certos e mais discretos Torsiglieri e Nuno André Coelho. Tonel foi o mais errático em todas as vertentes e Polga o mais interventivo. Aliás, só não foi o melhor dos 4 porque borrou a pintura no lance do golo.

No meio campo, 2 nomes prometem maravilhas na construção: Maniche e Pedro Mendes. Jogaram em fases distintas, mas a sua participação foi fantástica. Ambos muito interventivos e eficazes, com Pedro Mendes mais posicional e Maniche a dar uma enorme qualidade à circulação. Aliás, este Maniche tinha tudo para ter sido uma mais valia no Mundial, mas veremos como dá continuidade à sua temporada.

Na zona mais criativa, não há grandes motivos para euforias. Não houve exibições muito más, mas também ninguém teve o impacto que se pede nos desequilíbrios. A boa nova é Vukcevic. Jogou sobre a direita, esteve participativo e certo nas suas abordagem. Poderá ser um reforço se mantiver a atitude. Outra nota para Salomão, que jogou na segunda parte sobre a direita. Esteve bem, participando decisivamente no lance do golo e mostrando-se certo nas suas abordagens. Parece-me porém que deveria ser utilizado à esquerda. Paulo Sérgio parece gostar da ideia de alas “de pés trocados”, e pessoalmente concordo com a ideia. No caso de Salomão, no entanto, a sua maior virtude, parece-me ser o cruzamento e parece-me também que é à esquerda que os tira com mais facilidade e propósito.

Na frente, um nome mudou o jogo. Postiga. Não digo que mudasse o jogo tacticamente, mas a sua entrada em campo pareceu abençoada, quando ao primeiro toque encostou para o empate. Depois disso, e em apenas 10 minutos, criou mais um lance para Liedson e moveu-se muito bem nas costas do ponta de lança, culminando no período de maior dificuldade para o Celtic. Sobre Postiga, há um aspecto que não pode ser entregue ao acaso: o facto de marcar mais na pré época do que na longa época oficial. É um caso crónico de má reacção mental à pressão e isso retira-lhe a possibilidade de ser um excelente avançado, como tem tudo para poder ser. Uma solução poderá passar por tentar fazer dele um jogador menos dependente do golo, jogando mais longe da área.



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