30.7.10

Reforços 10/11: Walter

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Foi uma novela que durou algum tempo e que, a acreditar nas palavras do presidente do Internacional, terá envolvido algumas peripécias pelo meio, mas, finalmente, Walter, é mesmo reforço portista. A primeira vez que vi o jogador foi no 'Sudamericano' sub 20, em Janeiro de 2009 e de lá para cá tenho acompanhado com algum rigor a carreira do jogador. É um caso especialmente interessante de seguir...


Pontos fortes: remate
Para ser muito concreto, Walter é o jogador mais forte que conheço na sua idade em capacidade de remate. Tenta-o frequentemente e com os 2 pés, embora seja o direito aquele que justifica tanta tinta sobre o “bigorna”. Walter é tecnicamente dotado, que sabe movimentar-se na frente e jogar como apoio à criação, mas não é um jogador especialmente forte em termos de explosão ou velocidade, nem mesmo um temível jogador de área. Pelo menos para já. A sua virtude, e que o poderá catapultar para altos voos, é mesmo o remate. Assim que se vira para a baliza, e mesmo fora da área, é um perigo.


Pontos fracos: Intensidade
É típico nos jogadores brasileiros. A intensidade nem sempre é a mais adequada ao patamar do futebol europeu. No Porto, Walter vai ter de aprender a jogar no resto do tempo, em que a bola não está nos seus pés. As movimentações colectivas e a intensidade no pressing serão requisitos para triunfar no Dragão. Walter é jovem e se quiser aprender, seguramente que não lhe faltarão oportunidades para evoluir.

Antevisão: 8 ou 80
Não há 2 oportunidades para um primeira impressão. Diz-se e é verdade. Muitos jogadores, especialmente aqueles que precisam de evoluir, dependem muito da forma como são recebidos e da tolerância que lhes é transmitida no seu processo de afirmação. No caso de Walter, creio, será especialmente importante essa primeira impressão. Porque tem potencial, mas precisa de evoluir em vários capítulos, mas também porque Walter pode também cair na situação comum de ser mal visto pelos adeptos, muito devido à sua fisionomia “arredondada”, o que leva sempre ao aparecimento de preconceitos. Lembro-me de um caso diferente, de Pena. Marcou 2 golos na estreia e esse momento foi tão importante que o catapultou para uma época bem acima das suas modestas potencialidades. Com Walter, se o primeiro “míssil” sair bem, terá tudo para poder evoluir, caso contrário a pressão do Dragão poderá ser um obstáculo.

Por fim, convém dizer que Walter é um dos mais promissores avançados da sua geração e que provavelmente só não saiu mais cedo do Brasil porque uma lesão o afastou do último mundial sub20. Se a sua evolução for positiva e se souber moldar o seu jogo às exigências que se lhe deparam, Walter pode bem sair a curto prazo e pela porta grande do Dragão, porque, como já disse, tem alguns recursos raríssimos. O caminho é ainda longo, porém.



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29.7.10

O calor do futebol

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Diz a definição que Calor é a energia transferida entre 2 sistemas. Não sei exactamente o que se passa quando estas transferências se dão em pleno relvado, mas há indícios claros de que a temperatura mexe, e bem, com o calor do jogo. Pelo menos, deve ser por isso que os nórdicos jogam aquele futebol frenético e os sul americanos se parecem arrastar nos “gramados”. Mas não é só no ritmo que o calor influi. Porquê isto agora? O Celtic, primeiro, e, mais tarde (bem mais tarde!), a final da Copa do Brasil.

Não me entendam mal, o Celtic não é nenhuma potência, mas espera-se sempre dos escoceses outra intensidade num jogo de futebol. Lembro-me sempre daquele mundial de clubes no Brasil: e se os pusessem a jogar num clima tórrido, será que mantinham a atitude? Pois parece que não. Parece que as transferências de energia não são mais as mesmas. Dá que pensar.

Noutro país, outras transferências de energia, que é como quem diz: outro calor! A final da Copa do Brasil. Na apertada Vila Belmiro, casa do Santos, jogou-se a primeira mão e o Vitória teve o pesadelo de tentar sobreviver ao “caldeirão” do adversário (não sei porquê, é sempre um pesadelo para quem joga fora). É um mistério para mim, como o futebol pode ser tão diferente na América do Sul em relação à Europa. Deste lado do Atlântico, a pressão torna os embates decisivos numa espécie de “jogo do sério”, em que quem ri, perde. Grande concentração, poucos erros e poucas oportunidades. Do lado de lá, é o contrário. Explosões emocionais, capazes de extrair o melhor e o pior dos protagonistas, e uma chuva de desequilíbrios tácticos. Já aqui falei várias vezes das lacunas tácticas do futebol sul americano, mas a verdade é que isso não explica tudo. Aliás, explica mesmo muito pouco.

Não sei bem o que concluir sobre esta coisa do “calor do futebol”, mas uma coisa tenho como certa. Do ponto de vista do entretenimento e da emoção, não há futebol como o brasileiro.

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27.7.10

Reforços 10/11: James Rodriguez

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Não é propriamente uma novidade, tal o tempo que já lá vai desde o seu anuncio como reforço portista. Numa sequência que estranho e lamento, porém, ainda poucos puderam ver este “puto” de dragão ao peito. James Rodriguez já fora aqui referenciado, quer na sequência da revisão que fiz do campeonato argentino, quer no destaque feito ao Banfield. O destaque colectivo da sua equipa, aliás, tornou impossível que não se olhasse para ele. Dizer que James era o melhor do Banfield é no mínimo discutível, mas era, seguramente, o único jovem a brilhar naquela equipa que dominou o futebol argentino na última metade de 2009. Aqui ficam algumas notas sobre o jogador.

Pontos fortes: pé esquerdo e capacidade de trabalho
Se procurarem por James Rodriguez no youtube seguramente que vão encontrar a essência do seu ponto forte. O pé esquerdo. James é um jogador ainda em fase de crescimento e se foi projectado como um prodígio, muito se deve a alguns momentos que o seu pé esquerdo proporcionou. Em particular, a sua finalização é notável, quer dentro, quer fora da área, e isso faz dele um provável marcador de golos, mesmo não sendo dos mais jogava perto do golo.

Outro atributo do jovem é a sua capacidade de trabalho. Normalmente espera-se de um jovem talentoso, que seja também algo displicente na forma como encara o resto do jogo. Ou seja, o tempo em que não tem a bola. No Banfield, porém, James jogava como ala esquerda num 4-4-2 clássico e muito trabalho lhe era exigido no seu flanco. Não tem uma capacidade fisíca que lhe permita ganhar muitos duelos, mas tem uma atitude perante o jogo muito positiva para a sua idade.

Pontos fracos: Craque? Ainda não...
James pode ter um perfil promissor e até ter boas condições para vir, de facto, a ser um nome forte do futebol mundial, mas, para já, ainda está longe de o ser. Para além do capítulo decisional – normal na sua idade – James não é também um jogador invulgarmente criativo. O tempo e a sua evolução ditarão o patamar que poderá atingir, mas, para já, James é apenas um miúdo que o Banfield revelou como parte de uma equipa. Um jogador capaz de momentos de inspiração que valem jogos, mas sem verdadeiro o peso de um grande craque.

Antevisão: É importante saber esperar
O risco de James está na forma como foi contratado. Investimento elevado, equipa principal e grandes expectativas. James, no entanto, dificilmente conseguirá ganhar o lugar numa equipa que tem Hulk, Rodriguez, Varela, Mariano ou mesmo Ukra. Não é isso que se lhe deve pedir, e se for isso que dele se espera, então o mais provável é que acabe mal a sua experiência no Dragão.

James tem de ter um plano de evolução, uma estratégia para o fazer compreender melhor as alterações tácticas que irá experimentar e, ao mesmo tempo, evoluir nos outros capítulos do jogo. Para isso o melhor era jogar. Ou, pelo menos, também jogar. Mas não é liquido que aconteça.

Enfim, quando olho para o perfil de James, não é difícil classifica-lo como “interessante”. O que o torna invulgar, porém, é o bilhete de identidade: apenas 19 anos! E o melhor mesmo é que não se confundam as coisas...



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26.7.10

Sporting: A "Alemanha" de Paulo Sérgio

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Terminada a pré época do Sporting, trago aqui algumas notas do balanço, num exercício que repetirei para Benfica e Porto nos próximos dias. No caso do Sporting, apenas considerei os jogos da ‘tour’ americana, até porque foram os únicos que tive a oportunidade de observar. Feitas as contas,o balanço é relativamente positivo. “Positivo”, porque se perspectiva uma época mais sólida do que a anterior – o que não era difícil – havendo uma ideia de jogo a implementar, e com algumas boas novidades em termos individuais. “Relativamente”, porque há particularidades do modelo que deverão dificultar muito a vida a Paulo Sérgio, na obtenção de um modelo realmente forte em todos os pontos.

Colectivo: o modelo e o que de bom se viu
A ideia de Paulo Sérgio – embora acredite que venha a apresentar outros figurinos – é apresentar um 4-2-3-1, alicerçado na consistência do duplo-pivot, na boa circulação de bola, numa equipa alta. Uma equipa que gosta de ter a bola, portanto. Em traços gerais, é um modelo que não foge muito àquilo que o Braga de Domingos, por exemplo, tentava fazer. Ou – e se calhar há aqui influências – num caso mais recente e mediático, recupera muito do que a Alemanha fez no Mundial, com a diferença de apresentar um pressing e linhas defensivas mais altos.

A boa notícia é a circulação em construção. Contra o Man City, por exemplo, o Sporting conseguiu um registo anormalmente elevado de passes (quase 600!). Aliás, em todo o torneio a % de passe superou os 80%, com uma enorme certeza, quer nos centrais, laterais e – especialmente estes – duplo pivot do meio campo. Aqui, há uma boa movimentação da dupla de meio campo que consegue criar muitas soluções à construção e fazer a bola circular à largura do campo. A ideia é precisamente essa, manter a bola e fazê-la viajar rapidamente à procura do espaço de penetração. Quanto a este ponto – a primeira fase de construção – Paulo Sérgio tem grandes motivos para sorrir.


Colectivo: o pressing, a linha defensiva e o espaço entre linhas
Já havia falado aqui da importância de 2 aspectos na eficácia do modelo. O pressing e a linha defensiva. No primeiro caso, do pressing, o jogo com o Tottenham revelou grandes melhorias. É praticamente impossível uma equipa pensar em ganhar de forma consistente se não tiver uma recuperação alta que funcione e lhe permita explorar os momentos de desorganização adversário. Neste particular, o Sporting não esteve bem nos 2 primeiros jogos, mas frente aos Spurs, conseguiu boa parte dos seus desequilíbrios ofensivos a partir daquilo que o pressing produziu. Aqui, claro, não é coincidência a presença de Liedson.

Se o último jogo evidenciou o melhor do pressing, também expôs em grande escala as dificuldades da linha defensiva. Algo que para que já havia alertado frente ao Celtic, porque, embora não tivesse grandes problemas com esse plano, houve indicadores que claramente já denunciavam a carência. Aqui, trata-se sobretudo de um trabalho colectivo, que passa por uma grande coordenação e concentração dos 4 de trás, mas também de uma ligação com o que o meio campo faz. E aqui abro outro ponto.

Ora, entre o pressing e a linha defensiva – os dois “alicerces” que não estão devidamente limados – está o meio campo e a opção pelo duplo pivot. A escolha de Paulo Sérgio não o impede de ter um modelo “óptimo”, mas seguramente torna a coisa mais difícil. O comportamento defensivo do Sporting é bastante semelhante a um 4-4-2 clássico, com uma grande exposição espacial da dupla de meio campo. Os espaços entre linhas ficam mais difíceis de controlar e, quer os médios têm dificuldade em juntar-se aos da frente para pressionar, quer, depois, têm dificuldade em estar próximo do portador da bola, na hora do passe para as costas da defesa. Ou seja, o papel dos médios e o controlo que têm do corredor central é decisivo, também, quer para o pressing, quer para o conforto dos defesas em jogar alto.

Individual: à procura de um elo de ligação
Em primeiro lugar, quero deixar uma pequena nota explicativa sobre os dados do quadro. Os elementos apresentados foram “normalizados” para uma escala de 90 minutos, para permitir uma comparação jogador a jogador. Isto, porém, não deve ser descontextualizado do número de minutos de cada jogador. Ou seja, quanto mais tempo de utilização tiver o jogador, mais sólidas são as conclusões.

No modelo de Paulo Sérgio há, em termos individuais, uma grande satisfação com as soluções. Na defesa, a aquisição de João Pereira e Evaldo representa um grande “upgrade” para o colectivo. Um investimento seguro em qualquer dos casos, até porque os laterais têm bastante influência em quase todos os modelos do futebol moderno. Quanto a centrais, as soluções também são boas e o difícil será escolher. Na dupla de pivots, Pedro Mendes e Maniche são do que melhor se poderia pedir. Impressionantes, mesmo. E André Santos é também um reforço que garante muito mais qualidade do que Adrien. Nas alas e na frente também há opções de sobra para o treinador.

O grande problema de Paulo Sérgio é encontrar um elemento que faça a ligação entre a construção e a finalização. Pegando nos mesmos exemplos de outros modelos semelhantes – Braga e Alemanha – um Mossoró ou Ozil. Matias seria o nome mais óbvio, mas a sua qualidade com a bola nos pés, não é complementada com uma movimentação que lhe permita uma presença mais constante no jogo. E isso é um problema. Pongolle, embora em pouco tempo, também não deu boas indicações, e enquanto esperará para testar Izmailov, Paulo Sérgio parece ter em Postiga a solução de maior rendimento nesta altura. Pelo menos a julgar pelo que se viu, foi com Postiga nessa posição que a ligação foi mais fluída. Apenas uma primeira indicação, mas já uma bastante relevante.

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23.7.10

Notas do Sporting - Celtic

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Foi o primeiro jogo que tive a oportunidade de ver do Sporting em 10/11. Outros se seguirão, e conto complementar algumas ideias – para já ainda pouco vinculativas – com os próximos e derradeiros particulares dos “leões” antes do arranque competitivo. Na mesma linha do que já anunciei, ficam os comentários pessoais, complementados pela estatística e avaliação individual de cada jogador.

Notas colectivas
O jogo foi condicionado pelas dimensões reduzidas do terreno. Aliás, terá sido uma excelente oportunidade para treinar decisões rápidas em ambiente competitivo. O balanço final, no entanto, não é muito bom em termos colectivos. O Sporting apresentou um jogo que se distinguiu do Celtic pela maior quantidade e qualidade de circulação, mas nunca conseguiu transformar a maior qualidade em posse numa superioridade real no jogo. Não se pode dizer que tenha havido uma equipa superior no jogo, mas foi o Celtic quem conseguiu estar constantemente mais perto do golo.

Aqui, duas notas em relação ao jogo do Sporting. Quer na primeira, quer na segunda parte, a posse do Sporting foi rápida em zonas baixas, mas falhou no desdobramento para o último terço. E falhou porque não houve qualidade nas movimentações nessa zona. Ou pelo menos qualidade suficiente para criar mais soluções de passe. Na primeira parte, então, Saleiro raramente se envolveu no jogo. A segunda nota será até mais importante do que a primeira: o pressing. Se o Sporting conseguiu poucas situações de desequilíbrio, muito se deveu à sua incapacidade para actuar em transição. Já várias vezes expliquei a importância do momento em que se ganha a bola, muitas vezes muito mais do que a qualidade que se tem com esta nos pés. Ora, apesar de esse ser um pilar das equipas de Paulo Sérgio, a verdade é que o pressing produziu zero em termos de oportunidades de transição. E assim fica mais difícil.

Resta falar da vertente defensiva. Para além da tal incapacidade para roubar alto e colocar a construção do Celtic sobre “stress”, claro. Não foi um jogo muito problemático para o Sporting, que sofreu um golo de penalti, inocentemente cedido por Polga. Para além disso, algumas perdas em zona intermédia resultaram em transições que levaram algum perigo. Mas, mais importante do que isso é falar da linha defensiva. Tentou ser alta, mas não mostrou grandes resultados práticos. Não foi uma vantagem para o pressing, nem grande auxilio em jogadas mais próximas da área. Aliás, o Sporting sentiu grandes problemas em 2 ou 3 lançamentos para as costas, onde os britânicos são normalmente fortes. Outro alicerce das equipas de Paulo Sérgio que precisa de ser melhorado.

Notas individuais
Individualmente, há mais boas notícias do que más. O Sporting conseguiu uma percentagem de passe muito elevada, na ordem dos 78%, o que é sempre revelador de qualidade no desempenho individual. Curiosamente, mais eficácia e mais passes na primeira parte, mas menos recuperações, redundando num jogo mais inconsequente nos primeiros 45 minutos. Não era obrigatório, mas foi assim.

Na zona defensiva, ambos os laterais direitos estiveram bem, com Abel mais participativo, mas João Pereira com mais qualidade. Na esquerda, Evaldo não deslumbrou, mas esteve bem melhor do que Grimi em todos os parâmetros. No centro, e tendo em conta que ainda falta Carriço, são excelentes notícias para Paulo Sérgio. Os centrais do Sporting, no total tiveram uma percentagem de passe de 90%. Reflexo, primeiro, da pouca pressão do Celtic, mas também de uma saída em posse e que dava aos médios a primazia da condução. Mais certos e mais discretos Torsiglieri e Nuno André Coelho. Tonel foi o mais errático em todas as vertentes e Polga o mais interventivo. Aliás, só não foi o melhor dos 4 porque borrou a pintura no lance do golo.

No meio campo, 2 nomes prometem maravilhas na construção: Maniche e Pedro Mendes. Jogaram em fases distintas, mas a sua participação foi fantástica. Ambos muito interventivos e eficazes, com Pedro Mendes mais posicional e Maniche a dar uma enorme qualidade à circulação. Aliás, este Maniche tinha tudo para ter sido uma mais valia no Mundial, mas veremos como dá continuidade à sua temporada.

Na zona mais criativa, não há grandes motivos para euforias. Não houve exibições muito más, mas também ninguém teve o impacto que se pede nos desequilíbrios. A boa nova é Vukcevic. Jogou sobre a direita, esteve participativo e certo nas suas abordagem. Poderá ser um reforço se mantiver a atitude. Outra nota para Salomão, que jogou na segunda parte sobre a direita. Esteve bem, participando decisivamente no lance do golo e mostrando-se certo nas suas abordagens. Parece-me porém que deveria ser utilizado à esquerda. Paulo Sérgio parece gostar da ideia de alas “de pés trocados”, e pessoalmente concordo com a ideia. No caso de Salomão, no entanto, a sua maior virtude, parece-me ser o cruzamento e parece-me também que é à esquerda que os tira com mais facilidade e propósito.

Na frente, um nome mudou o jogo. Postiga. Não digo que mudasse o jogo tacticamente, mas a sua entrada em campo pareceu abençoada, quando ao primeiro toque encostou para o empate. Depois disso, e em apenas 10 minutos, criou mais um lance para Liedson e moveu-se muito bem nas costas do ponta de lança, culminando no período de maior dificuldade para o Celtic. Sobre Postiga, há um aspecto que não pode ser entregue ao acaso: o facto de marcar mais na pré época do que na longa época oficial. É um caso crónico de má reacção mental à pressão e isso retira-lhe a possibilidade de ser um excelente avançado, como tem tudo para poder ser. Uma solução poderá passar por tentar fazer dele um jogador menos dependente do golo, jogando mais longe da área.



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21.7.10

Guimarães - Benfica: notas colectivas e individuais

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Os últimos anos fizeram deste um clássico de pré época. A versão 2010 terá sido provavelmente a menos interessante de todas. Culpa do Vitória, claro, que só não evitou um enorme embaraço graças à gentileza de Roberto. Antes dos detalhes, porém, quero deixar uma nota introdutória sobre os dados estatísticos que apresento. Há algum tempo que venho acompanhando as minhas análises e observações com a recolha destes números. Não se trata de um mero capricho meu, mas antes de uma tentativa de obter, através de um tratamento coerente desta informação, uma importante ferramenta de análise qualitativa de equipas e jogadores. Para tal, criei uma pontuação ponderada e que apresento pela primeira vez. A ideia será fazer deste um indicador com presença constante, já durante a próxima época...

Benfica (colectivo)
Como se esperava, as férias não serão mais do que uma pausa no Benfica de Jesus. Retomados os trabalhos, e mantida a qualidade do plantel, voltou a qualidade. Para o Benfica, este Vitória foi pouco mais do que manteiga. O seu futebol está, nesta altura, noutra galáxia e nem sequer precisa de despir o pijama. Basta-lhe manter a organização e forçar alguns momentos de intensidade e logo aparecem as transições demolidoras, frutos de um pressing colectivo que é um dos principais alicerces do modelo. E já está. Mesmo com Roberto a complicar.

No Benfica, apenas uma reserva. Não é Roberto, porque mesmo que se confirme um fiasco, há sempre Julio César para garantir que não será na baliza que a equipa vai perder qualidade em relação ao passado. É sobre Aimar. No ano passado falei repetidamente do tema. Aimar ocupa a posição mais importante do modelo e ninguém garante a sua qualidade em todos os momentos do jogo. Se o argentino fosse fiável fisicamente, não haveria motivos para urgências, mas no meio de tantos milhões continua a fazer-me confusão como não se procura mais afincadamente uma alternativa para um jogador tão importante e que promete progressivamente perder minutos de utilização.

Benfica (individual)
O primeiro destaque individual vai para Kardec. Não pelos golos, embora eles sejam de importância óbvia. O detalhe é que o nível de participação e de qualidade no jogo foi bastante elevado e, sobretudo, bem melhor do que aquilo que Cardozo costuma apresentar. O paraguaio que se cuide.

Sobre Gaitan, nenhuma surpresa. Escrevi-o ainda antes de sequer se sonhar que seria reforço do Benfica. Tem semelhanças com Di Maria, sem lhe ficar em nada a dever na maioria dos aspectos. Pode ainda não ter revelado a mesma explosão, mas decide melhor, joga melhor em espaços interiores, é melhor na zona de finalização e nada inferior tecnicamente. Dificilmente Di Maria será um fantasma na Luz.

Também um jogador que não surpreende é Airton. Não fez uma exibição isenta de erros, mas voltou a confirmar a sua fiabilidade. Já agora, fica a informação porque não está no quadro: Javi Garcia foi o pior do Benfica, pontuando 4,8, consequência de 4 perdas de bola em apenas 45 minutos. Outro titular a precisar de se cuidar...

Menos fulgurantes estiveram Jara e Menezes. O primeiro marcou um grande golo, mas não conseguiu a presença que dele se pode exigir. O segundo jogou simples, mas nem acrescentou nada em termos criativos, nem ficou isento de erros. Assim será difícil...

Guimarães (colectivo)
Que mau! Primeiro fiquei com a sensação de que o Vitória teria recuado para os tempos de Vingada. Isto, pelas semelhanças em termos de elasticidade táctica e ausência de um modelo mais rotinado. Mas não. Com Vingada, nunca foi tão mau. Pela sua filosofia, nunca poderia esperar um crescimento com a chegada de Manuel Machado, e seguramente que só pode melhorar, mas, para já, os indícios não são nada bons para o futuro próximo do “professor”. Há que contar com a qualidade do adversário e considerar ainda que o trabalho está apenas no inicio, é certo, mas parece-me que o melhor é mesmo que o Vitória comece a arrepiar caminho na construção de um verdadeira equipa. Manuel Machado está como a sua filosofia: preso às referências individuais. Parece preocupado em encontrar a qualidade ideal para cada lugar, mas enquanto não o consegue a equipa demonstra um nível raramente baixo de qualidade organizacional, que combinou igualmente com uma boa dose de imprudência decisional. Como disse atrás, valeu Roberto.

Guimarães (individual)
O “caso” chama-se Faouzi. Impressionante qualidade técnica e impressionante eficácia de passe para quem joga na sua posição. O problema, porém, é que Faouzi não parece perceber a importância das zonas para a posse. As poucas bolas que não endossou correctamente resultaram em transições e uma delas esteve na origem de um golo. Alguém queira explicar-lhe melhor estes detalhes e podemos estar perante uma estrela emergente.

À margem de Faouzi – um caso especial – os reforços do Vitória não parecem ser o problema de tantos problemas colectivos. Pereirinha promete afirmar-se finalmente na posição onde tem mais probabilidades de sucesso. Ainda na defesa, mas do outro lado, Anderson Santana esteve bem melhor do que Bruno Teles. Na frente, e já conhecido, Edgar foi presença útil, embora não se perceba que possa ser uma grande mais valia em relação ao que foi Roberto, por exemplo. Nota, finalmente, para Bebe e Maranhão entre os reforços analisados. A confusão em relação a comum e onde devem ser utilizados diz muito sobre o estado de coisas no momento. Bebé parece ter caído nas graças dos adeptos, mas é Maranhão quem merece esperanças mais legítimas de qualidade.



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16.7.10

Reforços 10/11: Jaime Valdés

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Confesso que não o conhecia muito bem antes da chegada a Alvalade mas, como quase sempre, tive a curiosidade de o observar nas suas passagens anteriores. Jaime Valdés surpreendeu-me em alguns aspectos, onde creio ter uma qualidade inequívoca. Noutros, porém, não sou tão optimista, mas vamos a eles...

Pontos fortes: driblador nato
Paulo Sérgio retratou-o como um desequilibrador e, realmente, o chileno é exactamente isso. Normalmente joga a partir da esquerda e sempre que a bola lhe cola no pé direito, é o cabo dos trabalhos. Valdés é um driblador nato. Não é um artista, ou um velocista, é um driblador. Porque o digo desta forma? Porque a arte do drible, mais do que no espectáculo da gesto ou na velocidade do executante, está na capacidade de acelerar e mudar de ritmo no tempo certo. Messi é, nos tempos que correm, o grande exemplo disto mesmo, e Valdés, à sua escala evidentemente, é também um bom exemplo desta ideia. Não espanta, portanto, que não seja difícil encontrar montagens vistosas do jogador.

Pontos fracos: a intensidade
Fosse a bola um dado adquirido no futebol, e Valdés tinha sucesso garantido. Mas não é. Digo sempre que se contarmos o tempo que a maioria dos jogadores têm a bola num jogo inteiro, não encontrar muitos com mais do que 5 minutos em 90 jogados. Por isso é que insisto tanto naquilo que os jogadores fazem nos outros 85 minutos do seu tempo em jogo. Ora, é precisamente sobre o seu rendimentos nesse período que surgem as reticências sobre Valdés.

Na Atalanta, percebia-se, Valdés estava para fazer a diferença. Toda a equipa defendia e batalhava pela bola, mas ele podia confortavelmente aldrabar no pressing. No Sporting não será assim. Valdés necessitar de outra intensidade nos tais 85 minutos. Vai ter de pressionar a sério, porque o Sporting fará desse um dos seus mais importantes alicerces com Paulo Sérgio, e, também, vai ter de correr mais para encontrar espaço e tempo para receber a bola. Não lhe bastará esperar por ela no seu flanco, como até aqui. Resta saber, enfim, se perto da casa dos 30 este driblador nato está também pronto para essa mudança de exigência.

Antevisão: entre o drible e a intensidade
A explicação do que penso se poder esperar vem decalcada do que escrevi atrás. Entre o drible e a intensidade. Resta acrescentar que, se tudo irá passar muito pelo próprio Valdés, passará igualmente pelo modelo que o vai acolher e por quem o vai tentar passar para os jogadores. De novo o colectivo, portanto...



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Reforços 10/11: Marco Torsiglieri

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É, para mim pessoalmente, a grande surpresa do mercado. Há alguns meses deparei-me com Torsiglieri, nas utilizações que teve nas equipas alternativas apresentadas pelo Velez no Apertura 2009, enquanto poupava titulares para a Libertadores. A verdade é que Torsiglieri me impressionou na altura e, por isso, o mencionei aqui, mesmo não sendo primeira opção no seu clube. Entretanto, o papel do jovem central ganhou maior importância (e o seu preço também), e o Sporting resolveu apostar nele. Pelo preço a que foi adquirido, não será uma pechincha, até porque tem um caminho a percorrer, mas é, pelo menos, um bom sinal de mercado para o Sporting.

Pontos fortes: Presença
Torsiglieri não é um central que passe indiferente no jogo. É alto, forte e quando aborda um desarme que envolva contacto físico, dificilmente o perde. Ora, isto acontece com bastante frequência no jogo, porque embora um jogador posicional por natureza, Torsiglieri sente-se igualmente confiante para abordar alguns lances fora do seu habitat natural. Para isso, contribui também a boa leitura que normalmente faz dos lances, escolhendo normalmente bem os tempos para sair do seu espaço e interceptar as jogadas. Afinal, é precisamente isso que é mais difícil num central.

A estas características, juntamos o sempre relevante dado da estatura, e temos a razão do destaque merecido por Torsiglieri.

Pontos fracos: A agilidade e a questão da adaptação táctica
Aqui entramos nos pontos que podem colocar em causa o sucesso de Torsiglieri. Comecemos pelo mais importante: a adaptação à nova realidade.

No Velez a linha defensiva é baixa, não arrisca subir para fazer fora de jogo, e isso, mesmo que não seja um benefício para o colectivo, é sempre um conforto para os centrais, porque diminui a sua exposição ao erro. No Sporting de Paulo Sérgio, e mesmo não tendo visto ainda qualquer minuto da pré época, uma das mudanças mais claras será o comportamento da linha defensiva, que passará a jogar muito mais alto do que até aqui – particularmente na era Paulo Bento. Torsiglieri terá de passar por essa adaptação. O problema muitas vezes é reduzido a uma questão de velocidade, mas não faltam exemplos de que esse é só um pormenor. A adaptação depende da cultura posicional do próprio central e, claro, do trabalho da equipa técnica em termos colectivos.

Já que falamos em velocidade, podemos passar para o segundo ponto. Torsiglieri não é um central que tenha demonstrado muitos problemas com a velocidade propriamente dita, há que dizer. Como escrevi antes, raramente as iniciativas dos contrários saem do seu raio de acção, mas, sendo um jogador robusto, tem problemas em termos de agilidade e de velocidade de resposta a acelerações e mudanças de velocidade. Mais uma vez, este não é um problema raro em alguns dos melhores do mundo, e o colectivo determinará uma boa dose da sua capacidade para ultrapassar este risco.

Finalmente, o capítulo técnico. Canhoto, não é propriamente um jogador conhecido pela sua capacidade em posse. Gosta pouco de arriscar e isso já é uma virtude para quem joga na sua posição. Não será necessariamente um ponto fraco, mas não se espere de Torsiglieri grandes aventuras com a bola nos pés.

Antevisão: A dependência do colectivo
No Sporting, o sector defensivo foi amplamente reforçado nos últimos 6 meses. E muito bem reforçado, diga-se. No que toca a defender, no entanto, é ainda mais decisivo o trabalho colectivo, e com Torsiglieri não será excepção. Antes da aquisição de Nuno André Coelho, facilmente diria que o argentino tinha todas as condições para ser forte candidato a um lugar no onze, mas vejo no ex-Porto, e como já referi noutros textos, um jogador de potencial raro. Tal como Carriço, aliás. Com isto, se Paulo Sérgio tiver o mesmo entendimento do que eu, a vida de Torsiglieri não fica fácil. Fico, porém, com a certeza de que o Sporting tem uma boa alternativa a esta potencial dupla de portugueses. Ou, pelo menos, tem tudo para o ser, desde que o tal trabalho colectivo também corresponda. Para finalizar... não é lateral esquerdo, como se chegou a dizer.



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