12.6.10

Diário de 'Soccer City' (#4)

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Argentina e Nigéria têm origens distintas, mas é fácil prever que em qualquer dos casos será sempre a emoção a prevalecer sobre a razão. No caso ‘albiceleste’, a presença de Maradona só podia agudizar a tendência, mas havia a incerteza de qual seria, realmente, o produto do choque de mentalidades que se dava do lado nigeriano. Ora, se Lagerback foi “importado” com a missão de suavizar o efeito emotivo no futebol das “águias”, então bem se pode dizer que esteve longe de produzir os efeitos desejados. Tudo somado, tivemos um todo bem menor do que a soma das partes. Isto é, um golo foi pouco para tanto desequilíbrio.

Maradona pensou como era previsível: como um adepto. Quatro defesas e um médio defensivo não foram mais do que um requisito mínimo, porque os olhos estão colocados na ilusão de uma chuva de talentos criativos. De preferência com liberdade máxima, mesmo que isso implique uma irresponsável perda de equilíbrios tácticos.

O “ex-pibe” vestiu-se para a comunhão e a verdade é que a sua estratégia foi a que mais frutos colheu. Primeiro, claro, pelos efeitos do talento que tinha ao seu dispor. Depois, porque do outro lado o “efeito-Lagerback” pouco ou nada beneficiou os nigerianos.

Defender bem. A via do sucesso nigeriano teria de passar sobretudo por aí. Óbvio. Mas defender bem não é defender muito, nem se resume àquilo que as equipas fazem sem bola. Defender bem começa, precisamente, quando se tem a bola nos pés, na qualidade com que se decide cada passe e, sobretudo, na importância que é dada à segurança no processo de decisão. Mais do que erros tácticos, a Nigéria falhou porque não soube ser segura com a bola nos próprios pés. Decidiu irresponsavelmente e permitiu que os argentinos tivessem inúmeras transições. Proibitivo para qualquer estratégia.

Mas há mais. Lagerback resolveu adoptar o 4-4-2 clássico, com apenas 3 linhas defensivas. Ora, será difícil pensar em pior opção quando se quer parar alguém que tem como estratégia principal fazer aparecer Messi e Tevez entre linhas. Um desastre anunciado e que apenas foi disfarçado pelo festival de golos perdidos.

A Argentina, por seu lado, certamente sorrirá com a estreia. Messi esteve fantástico, e se o 1-0 é curto, tantas oportunidades perdidas servirão de consolo suficiente, quer para a critica, quer para a própria equipa técnica. A verdade é que vejo com muita improbabilidade o sucesso deste modelo argentino. Será difícil que encontre tantas facilidades para atacar e, por consequência, que não acabe por pagar, também, o preço dos riscos que assume. Coreia do Sul e Grécia serão já testes interessantes.



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Diário de 'Soccer City' (#3)

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Desilusão anunciada. No caso da França nem é preciso explicar porquê. Aliás, tão baixo desceram as expectativas em relação aos gauleses que quase se chegou ao exagero de desvalorizar o seu favoritismo. Um exagero, de facto. Não porque Domenech não o merecesse, mas porque do outro lado mora também outra desilusão anunciada. Não apenas o Uruguai, mas a generalidade dos conjuntos Sul Americanos, que julgo terem boas condições para deixar muito boa gente desiludida.

O Atlântico separa os dois Continentes, mas há bem mais do que um Oceano entre o nível táctico dos Sul Americanos e aquele que se pratica na Europa. Tabarez deu o mote com o disparate dos 3 centrais. Perdeu presença numérica no centro e nem sequer se deu ao trabalho de juntar linhas para aproximar a equipa. Não só tornou impossível criar problemas no pressing como ainda contraiu, ela própria, uma incapacidade gritante para fazer sair o primeiro passe. De repente, o trapalhão Domenech parecia um sábio da táctica.

E era tão fácil à França ter feito melhor! Sem apoios para a saída de bola, e com 3 jogadores na mesma linha recuada, o destino da posse uruguaia tinha de ser pela ala, pelo lateral. Era posicionar, pressionar e recuperar. Depois, com bola e sempre mais um apoio na zona central, bastava abrir no extremo, puxar o médio uruguaio para a ala e de novo procurar o interior, abandonado por uma presença excessiva de defensores na zona mais recuada. A França nunca o percebeu e foi aqui que começou a perder as suas hipóteses de vencer. Jogada após jogada, forçou a entrada pelas alas, onde facilmente os uruguaios garantiam boa presença com a ajuda do central mais próximo. Nunca quis, nem soube ver onde estava o “ouro” do jogo e por isso acabou com o justo prejuizo do nulo.

No meio disto tudo, há que realçar uma exibição: Forlan. Se o Uruguai sentiu dificuldades em jogar, só não mais as sentiu por causa do seu Diego. Veio atrás, buscou jogo e criou soluções de passe onde elas nunca existiriam por si só. Forlan foi a excepção de um jogo onde abundava potencial para muito mais.

E assim será, entre o talento individual e a mediocridade táctica se definirá o destino da generalidade dos sul americanos no Mundial 2010.



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10.6.10

Diário de 'Soccer City' (#2)

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Expectativas. A sensação de êxtase ou frustração que os adeptos sentem no final das competições são consequência dos resultados. Óbvio. No entanto, este é também um jogo a dois, e o sentimento final só fica definido pela natureza do outro elemento, a expectativa inicial, e do que resulta do choque entre esta e o desfecho final. Tudo isto se joga neste momento um pouco por todas as nações presentes na África do Sul, mas em nenhuma o fenómeno “expectativa” parece ter tanto interesse como em Espanha.

Enquanto estava a ver a ‘Seleccion’ a passar a ferro a Polónia e a aniquilar a úlitma réstia de dúvida sobre a sua superioridade qualitativa às portas do Mundial, questionava-me também sobre a utilidade do que se gera por trás de tanto e tão bom futebol. Não do optimismo, e muito menos da importantíssima confiança. Refiro-me antes a alguma sobranceria que inevitavelmente cairá em cima disso tudo. E digo “inevitavelmente”, porque é sempre assim. Porque o exagero toma sempre o seu lugar nesta equação. Um exagero que começa nos adeptos mas que quase sempre se transmite também para os jogadores, ainda que nuns casos mais e noutros menos.

Um bom exemplo, talvez mesmo o melhor de todos, seja o do Brasil em 1982. A reputação de um futebol divino não se construiu na própria competição. Aliás, nem haveria tempo para tal. O que aconteceu foi que em Maio de 1981 o Brasil fez uma digressão europeia e no espaço de 1 semana venceu Inglaterra, França e Alemanha, sempre em território alheio. Em Espanha, o mundo apenas confirmou a ideia que já tinha e rejubilou com uma equipa que acabou vitima de um misto de má fortuna e desleixo. Ser-se o “melhor” é naturalmente um bom sinal, mas ceder ao conforto desse estatuto pode também ser o mais perigoso dos pecados.

Uma coisa é certa, porém: o que se joga no Mundial é um título de “Campeão”, porque para distinguir o “Melhor” nem era preciso jogar.
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9.6.10

Diário de 'Soccer City' (#1)

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Com o Mundial prestes a começar, é tempo de definir como será o funcionamento do blogue nas próximas semanas. Motivos profissionais deverão condicionar a minha capacidade de oferecer o mesmo tipo de conteúdos que normalmente acompanham as análises e, por isso, apenas partilharei opiniões regulares – praticamente diárias – sobre a competição, que obviamente acompanharei com grande atenção. Assim deverá ser até às meias finais. Mas vamos às primeiras opiniões...

Nani não: 4-4-2... nem assim!
As capas que fez depois do jogo com os Camarões explicam, embora com exagero, a importância que poderia ter para os desequilíbrios. Portugal, o país dos extremos, vê-se agora reduzido a um único jogador que parece preferir o 4-3-3: Simão. Ainda por cima, Simão!

Não que pense que o sistema seja, em si mesmo, um factor que possa condicionar em absoluto a qualidade, mas porque a Selecção já mais do que provou a sua incapacidade para criar dinâmicas que a façam realmente forte dentro do sistema.

Ronaldo explodiu em Manchester e manteve-se espectacular em Madrid. Entretanto, na Selecção, continua incapaz de repetir o mesmo rendimento. Juntando todos estes dados, eu diria que algo deveria ser feito. Algo para mais do que invocar sucessivas justificações de circunstância ou, pior ainda, culpar o jogador.

Podia também falar de Liedson e da forma como este agradeceria jogar com mais alguém na frente, mas o outro motivo que me faz acreditar que a simples mudança de sistema implicaria, por si só, um salto qualitativo no jogo luso tem a ver com a proximidade entre os jogadores no meio. Com laterais como Coentrão, Duda, Miguel ou, agora, Amorim, o meio campo não precisa de se alargar para ter qualidade no apoio lateral. A forma de Deco, os movimentos de Meireles ou a classe de Tiago seriam altamente beneficiadas pela presença de um maior número de apoios. Portugal seria mais forte com bola e poderia estar igualmente bem preparada para a reacção à perda.

Foi assim que tivemos os melhores 45 minutos da “era Queiroz”, na Dinamarca, e é por tudo isto que lamento o esquecimento do 4-4-2, meses depois do seleccionador ter repetidamente anunciado a sua descoberta.
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4.6.10

2006: A última sinfonia de 'Zizou'

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Todos o davam como acabado. E, afinal, o próprio já havia avisado que iria dar os últimos passos nos relvados do Alemanha-2006. Zidane, porém, era um "vintage", daqueles que se tornam melhores com a idade. A força do seu futebol nunca foi a velocidade ou a explosão e, por isso, foi-se tornando cada vez melhor a decidir, cada vez melhor a executar. Zidane será sempre lembrado por aquela final de 1998 e pelos golos com que vergou o Brasil. A importância histórica não está em causa, mas escolher 2 cabeçadas como ponto alto da carreira de Zidane parece-me um claro contra senso. É por isso que, entre todas as suas exibições em mundiais, não teria dúvidas em destacar uma outra, 8 anos mais tarde contra o mesmo opositor.

Para enquadrar o cenário, importa lembrar que não foi só Zidane a aparecer desvalorizado nesta competição. Toda a equipa francesa foi rotulada de "velha", com nomes como Barthez, Thuram, Makelele ou Vieira a juntarem-se aos 34 anos de "Zizou" para compor um onze base com uma média de idades acima dos 30 anos. "Os Dinossauros", apelidaram os mais críticos.

A suposta incapacidade da equipa francesa pareceu confirmada na fase de grupos, quando num grupo com a Suiça, Togo e Coreia do Sul, os franceses não fizeram melhor do que o 2º lugar. Aqui terá entrado um dos mais comuns erros de apreciação nestas competições - e que provavelmente se repetirá em todos os mundiais. Avaliar uma equipa por jogos de características diferentes daquelas que terão na fase decisiva. E assim foi. A França podia não ter grandes rasgos para bater defesas muito fechadas, mas era uma equipa consistente e com qualidade para se bater com as melhores, em jogos mais divididos. Provou-o, primeiro, afastando uma entusiasmante Espanha. Depois o favorito Brasil e, finalmente, Portugal. Tudo, sempre, em velocidade moderada e com grande classe. O estilo Zidane.

A França esbarrou na final e acabou por não proporcionar o grande final ao seu capitão. Zidane voltou a marcar uma final de um mundial à cabeçada, mas desta vez não na bola, mas sim no peito de Materazzi. Um pecado final cujo preço nunca saberemos qual foi exactamente. O que sabemos, contudo, é que a caminhada para a final justificava outro desfecho em Berlim. Como a bola é redonda, ganhou a Itália que teve a sorte que lhe faltou em 94. Para quem viu aquele mundial com olhos de ver, não hesitará em destacar a França e Zidane como os melhores da prova.

Sobre o 10 francês, não há muito para dizer. Nunca houve. Aliás, o que distinguiu Zidane nunca foram os feitos ou os números. Nem mesmo a eficácia das suas acções. O que o distinguiu foi sempre a sua arte e o seu estilo. E é precisamente por isso que para perceber o impacto de Zidane não chega qualquer descrição, é preciso ver. Um artista na forma de jogador, como poucos o foram. E é por essa especificidade que Zidane merece, a meu ver, um lugar de enorme destaque entre os mais importantes da História do Jogo.



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3.6.10

Villas Boas, a oportunidade do prodígio

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Quando perdeu 4-0 na Luz, fiz questão de concluir a apreciação ao jogo com 2 projecções. A primeira, não se confirmou, e apontava para a probabilidade da Académica terminar o campeonato na metade de cima da tabela. A segunda acaba agora de se verificar. A ascensão meteórica de Villas Boas até ao comando de um “grande”. O “timing” que escolhi não foi inocente. É que a qualidade que Villas Boas revelou neste curto percurso como treinador vai muito para além dos resultados obtidos. Tem muito mais a ver com a qualidade que conseguiu implementar numa das mais modestas formações do nosso país. É tudo isto, mas apenas isto, que torna a escolha portista mais do que justificada. Agora, não nos equivoquemos, o sucesso imediato está longe de estar garantido.

“novo Mourinho”? Obviamente que não.
Se o futebol português não tivesse tido o “caso Mourinho”, seguramente que seriam muito menos a aceitar esta escolha. Como ele existiu, Villas Boas cabe numa “caixinha” que faz sentido. A “caixinha Novo Mourinho”. Mas Villas Boas não é uma boa escolha por ter trabalhado com Mourinho, e muito menos porque Mourinho é um caso raro de sucesso. Vilas Boas é uma boa escolha porque tem qualidade própria. O facto de ter trabalhado com Mourinho, aliás, garante-lhe muito pouco.

Tal como Mourinho não foi 2 “novo Robson” ou o “novo Van Gaal”, Villas Boas não será nunca o “novo Mourinho”. Não tem o mesmo perfil psicológico, nem terá o mesmo estilo de liderança. Terá, sim senhor, influências de uma pessoa com quem trabalhou durante muito tempo, importará métodos e abordagens pontuais, mas nunca será um “papel quimico” do novo técnico do Real. Aliás, ele próprio deu um sinal de inteligência quando, desde o inicio, afirmou ter uma personalidade e ideias diferentes de Mourinho.

É precisamente por não ser um “novo Mourinho” que Villas Boas tem um grande futuro à sua frente. Por ter reflexões e ideias próprias e por defender a abordagem em que acredita e não aquela que lhe foi apresentada como boa. Esse é segredo do sucesso em qualquer área. Iniciativa, dedicação e uma postura permanentemente critica em relação ao que deve ser feito.

O que não é garantido? O Sucesso imediato.
Os elogios ao seu trabalho vêm sendo aqui expressos desde o primeiro jogo e, entretanto, já tiveram vários episódios. Numa abordagem simplista poder-se-ia concluir que projecto também um sucesso imediato de Villas Boas. Não é assim.

Ao contrário do que é geralmente entendido, o futebol não é um contra-relógio individual. Várias equipas medíocres já foram campeãs. Várias outras, de grande qualidade, falharam esse objectivo. Não tenho dificuldade em projectar um bom trabalho de Villas Boas no Porto e em lhe projectar também uma carreira de sucesso no médio-longo prazo. O que não faço com tanta facilidade é uma projecção do seu sucesso imediato. A razão é simples: a concorrência. Villas Boas dificilmente encontrará um cenário fácil na liga portuguesa, onde o Benfica deverá ser novamente um adversário muito forte.

Já aqui referi que o trabalho de Jesualdo não será nada fácil de repetir. Poucos seriam os nomes que estariam ao nível dessa tarefa. Mas Villas Boas é um deles.

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2.6.10

Portugal - Camarões: números e opiniões

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Não dá para entrar em euforias e há várias coisas que julgo que têm de ser afinadas antes do inicio da competição, mas dá para ver que também há notícias positivas na preparação para o Mundial. Dá para ver - não que fosse preciso - também, que o cepticismo em torno da Selecção atingiu níveis disparatados. Mas isso é outro assunto. O jogo frente aos Camarões acabou por confirmar aquilo que me parece ser um dos grandes mitos das fases de preparação: que os denominados "testes" antes da competição nada têm a ver com aquilo que se vai jogar quando começar a doer. Pode ser confortável acreditar que jogar com os Camarões serve para enquadrar o jogo de abertura. De facto, porém, os jogos serão completamente diferentes, sendo perigoso fiar-se num jogo de tão baixo nível de intensidade como aquele que se jogou na Covilhã. É isso que diz, também, a estatística.

Deco, a boa notícia
Um dos motivos pelo qual Portugal tem de ser sempre olhado como um dos favoritos é o seu potencial individual. Num bom dia, pode ganhar a qualquer equipa. Ora, é no plano individual que as boas notícias chegam para Portugal. Deco, mais concretamente. O criativo é sempre uma das grandes incertezas da Selecção e é fácil perceber que dele depende boa parte do potencial da equipa. Deco, frente aos Camarões, teve uma influência tremenda no jogo, algo que indicia uma boa condição para o arranque da prova. E isso é uma grande notícia. Ainda no meio campo, também Meireles me parece ser um dado positivo. Se Deco é influente pela presença permanente que consegue ter em jogo, Meireles serve de contra-peso pela sua capacidade de se mover sem bola. Foi o mais rematador da equipa e as suas chegadas à zona de finalização não podem deixar de lembrar outro elemento que tanto sucesso teve ao lado de Deco: Maniche.

As reticências: laterais e bolas paradas
A Selecção mostrou bons indicadores em algumas situações de pressão, saída em transição e posse de bola. Indicadores de uma qualidade que existe e tem de existir. Mas também deixou algumas reticências. Os Camarões dividiram a posse de bola e, embora isso não fosse particularmente mau dado o risco que assumiram, a verdade é que por vezes pareceu demasiado consentido o espaço a alguns jogadores. Particularmente Song, que era quem coordenava o jogo. Uma falta de intensidade que, talvez, surja pela própria natureza do jogo.

Mas o que mais me preocupa são 2 aspectos. O primeiro são as bolas paradas, onde se voltaram a ver falhas. O segundo foi a dificuldade de controlo em alguns momentos de transição. Particularmente, tenho muitas reticências em relação ao poder de explosão de Kalou e Gervinho. Controla-los, a eles e às primeiras bolas de Drogba, será mais de meio caminho andado para bater a Costa do Marfim. Mas não será fácil.

A importância das transições
Um dos motivos pelo qual é mais fácil a Portugal agradar perante adversários mais fortes, é porque estes lhe permitem jogar em transição e não sistematicamente em organização, onde o espaço é bem menor. Não é grave. É um problema comum à generalidade das Selecções, mesmo as mais fortes. Ora, é por isso que se torna importante ter uma boa capacidade de recuperação. Deco não é apenas importante pela criatividade. É muito mais do que isso. É importante porque está presente em todos os momentos do jogo e porque se revela também um fantástico recuperador (foi o jogador que mais intercepções conseguiu na Selecção). O mesmo se pode dizer de Liedson, que vale bem mais do que os golos que regularmente consegue. Neste jogo, por exemplo, não teve qualquer ocasião mas não deixou de ser fundamental no pressing da equipa.

Camarões
Já agora uma palavra sobre os Camarões. Neste registo não terá grandes hipóteses. Com ou sem Eto'o. Não terá porque demonstrou ser uma equipa macia, tecnicamente dotada, sim, mas irresponsável em posse e com grandes dificuldades em manter equilíbrios posicionais ao longo das jogadas. Há, no entanto, vários jogadores de enormíssima qualidade. Entre todos, destaco Mbia, um médio que este ano se revelou como central no Marselha. Tem de evoluir em alguns parâmetros, mas é um jogador de enormíssimo potencial, com capacidade para entrar na elite mundial a breve prazo, assim queira algum "tubarão" apostar nele.

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1.6.10

Mourinho: Como ser especial em Madrid?

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Quando há 2 anos foi para o Inter, e mais concretamente para Itália, escrevi que seria um “passo errado”. Não o foi pela forma como acabou e pelo “objectivo Champions”, mas o retrocesso que representa, nos dias de hoje, ir de Inglaterra para Itália foi provado nas declarações do próprio. Segue-se Madrid e, de novo, a opção me parece questionável. Percebe-se dentro das ambições e metas pessoais do próprio, mas também se levantam novos riscos nesta etapa. É difícil dizer que serão maiores do que na etapa anterior, mas este será, seguramente, um enorme desafio para Mourinho.

Como pode ser “especial”?
“Special One” foi o rótulo com que ficou e, pode dizer-se, não poderia ser mais ajustado. Especial no Porto por motivos óbvios. Especial no Chelsea por devolver o domínio interno 50 anos depois. Especial no Inter por devolver o título europeu 45 anos depois. Gerações e gerações de adeptos em todos estes clubes nunca haviam presenciado tamanhos feitos e, por isso, para todos eles, Mourinho é realmente “especial”.

E no Real? Como poderá ser “especial”? 9 Taças Europeias, a última das quais há 10 anos e um número infindável de títulos internos. Vários treinadores foram bem sucedidos em Madrid e nenhum deles ficou como “especial”. Não vejo como Mourinho poderá evocar feitos que o tornem “especial” em Madrid. A sua motivação é agora outra. Mourinho quer ser “especial” para o mundo. O primeiro a vencer as 3 ligas e o primeiro a ser campeão europeu em 3 casas diferentes.

Pressão, pressão, pressão
Pressão é algo a que parece estar imune, mas será capaz de passar no barómetro do Barnabéu? Por motivos conjunturais e estruturais não há lugar mais difícil.

Conjunturais porque no mesmo campeonato mora a melhor equipa do mundo e que dificilmente deixará de ser de um dia para o outro. Para Mourinho vencer internamente será por si só um feito enorme dentro desta conjuntura. O problema é que, em Madrid, isso poderá até nem ser suficiente.

E aqui chegamos aos motivos estruturais. Madrid é, por tradição, um local de pouca paciência para treinadores. Mesmo os que ganham, mesmo os mais consagrados. Ao obstáculo Barcelona, Mourinho terá de acrescentar um cronómetro. Os seus 4 anos de contrato são tudo menos uma garantia. Aliás, ganhando ou não, o prognóstico mais fácil de fazer é que Mourinho não os cumprirá na totalidade.



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