24.5.10

Mourinho: Ficção em carne e osso

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Não gera simpatia, nem se pode dizer que faça muitos amigos por onde passa. Serve-se simplesmente da sua competência para, caso após caso, conquistar o respeito e admiração de todos. Poderia estar a falar de Sherlock Holmes ou Dr.House, mas este é um caso bem real. A carreira de Mourinho volta a confundir-se com uma obra de ficção, numa sucessão de exemplos suficientes para espantar o acaso e tornar o treinador numa espécie de herói de carne e osso. E esse é o seu maior feito... pelo menos para já.

Os seus rasgos de heroísmo deixaram marcas em todos os países por onde passou e, por via disso, Mourinho será já um caso sem paralelo de misticismo e popularidade na História dos treinadores do jogo. Resta-lhe agora olhar para os factos e provar que é também capaz de se tornar o mais vencedor de todos. Afinal, já não falta tanto quanto isso...

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21.5.10

1998: Um fenómeno até Paris

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Para quem não viveu o tempo será sempre estranho combinar os factos. Afinal, ele foi a decepção da final e, ao mesmo tempo, o melhor jogador do torneio. Para quem viu e tem memória, porém, nada disto surpreende. Ronaldo era, na altura, o verdadeiro “fenómeno”. Algo que o futebol nunca vira, mesmo depois de conhecer Pelé ou Maradona. Ronaldo, o “fenómeno”, só jogou um mundial e foi em 1998. Depois, foi o outro Ronaldo, mais eficaz e até mais feliz. Um grande jogador, sem dúvida, mas não o “extraterrestre” que emergiu na segunda metade da última década do milénio. Se o Brasil desiludiu na final com o eclipse da sua estrela, pode dizer-se também que lá chegou sobretudo devido a ele. Se provas faltassem, temos a final frente à Holanda.

De 1994 para 1998, o Brasil pode ter perdido um título mundial, mas ganhou um património infindável de talento. Romário não esteve presente devido a lesão, mas mesmo sem esse relevante “R”, deu-se inicio à geração “R” do futebol canarinho. Ronaldo, Roberto Carlos e Rivaldo. Três fantásticos jogadores que entrarão no “Hall of Fame” do jogo juntaram-se aos campeões, tornando o Brasil numa formação de potencial inesgotável. Do ponto de vista mediático, havia ainda que juntar Denilson, o extremo das “bicicletas”, que havia protagonizado a mais milionária transferência da história, rumo ao Bétis de Sevilha. Um “flop” como se sabe...

Sobre Ronaldo, tinha 21 anos e levava 81 golos nas últimas 2 épocas, ambas como estreante, primeiro em Espanha depois em Itália. No seu currículo tinha já 2 prémios de melhor do mundo da FIFA, precisamente em 1996 e 1997. Ronaldo era um enorme jogador por tudo isto, mas o que o tornava especial era a especificidade do que fazia no campo. Ronaldo fez jogadas e dribles que nunca ninguém tinha visto fazer com tanta facilidade. Ronaldo era um jogador à frente do seu tempo, alguém que inovou o jogo do ponto de vista técnico. As suas lesões não foram suficientes para acabar com uma carreira cheia de feitos e êxitos, mas foram suficientes para não lhe permitir manter-se nesse patamar mais elevado em relação aos demais.

Sobre o Brasil, pode dizer-se que em 1998 assistiu-se a um grande desperdício. Zagallo confrontou-se com um problema que passaria a ser denominador comum de todos os seleccionadores: como fazer uma equipa de tantas estrelas. Em 98 até era fácil, mas Zagallo não foi capaz de tornar o Brasil numa equipa colectivamente consistente e sólida defensivamente. Sofria demasiados golos e vivia dos rasgos das suas individualidades. Por isso foi batida tão facilmente na final. Aliás, já o poderia ter sido frente à Holanda, não fosse o “one man show” de Ronaldo, que protagonizou praticamente todas as ocasiões dos brasileiros nos 120 minutos de jogo.



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20.5.10

Radosav Petrovic: o perfil do alvo do Sporting

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Radoslav Petrovic é o jogador do momento na imprensa portuguesa. Um médio de 21 anos que explodiu este ano na liga Sérvia. Para conhecer melhor de que jogador estamos a falar, proponho uma detalhada observação a 2 jogos. Precisamente os fervorosos “derbis” frente ao Estrela Vermelha. Partidas em que Petrovic saiu como herói, marcando e desequilibrando, mas que, também deixaram bem patente o tipo de jogador que é. Aqui fica o meu balanço...

O crescimento do mediatismo de Petrovic, não tenho dúvidas, tem a ver com o considerável número de golos que marcou. Petrovic tem um bom pontapé – que raramente utiliza – e uma estatura (mais de 1,90m) que lhe permite ser uma ameaça nas bolas paradas. A verdade, porém, é que Petrovic não é um provável marcador de golos. É, isso sim, um jogador posicional, inteligente e seguro nas suas abordagens (aliás como o provam os números de % de passe). Mas é também um jogador de pouca vocação criativa e com pouca velocidade de deslocamento, o que o torna pouco confortável numa função de “box-to-box”, como tem sido definido nas recentes descrições feitas na imprensa.


Em suma, as indicações de Petrovic deixam pouca margem para responsabilidades mais ofensivas. Pela sua idade, simplicidade e cultura posicional poderá evoluir positivamente como médio defensivo, mas, na hipótese do seu futuro passar pelo Sporting, terá de concorrer com Pedro Mendes e André Santos, o que não se adivinha fácil.

É por tudo isto que não se percebe totalmente qual o alcance desta aquisição. Ou seja, qual o seu enquadramento nas necessidades do plantel. Algo que teremos de aguardar para perceber. Isso e o preço, claro...



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18.5.10

O fantasma no caminho de Mourinho

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Um milionário que procura o líder que lhe possa dar, finalmente, o retorno desportivo que o seu investimento ambicionava. A escolha recai sobre um treinador conhecido pelo seu carácter desafiante e métodos revolucionários. Tanto um como outro são protagonistas possíveis desta história, mas a verdade é que este pode ser apenas o inicio dos vários paralelismos entre Herrera e Mourinho. Helénio Herrera, um treinador mítico para o futebol mundial e um autêntico “fantasma” para todos os seus sucessores nos “nerazzurri”. É por isso que para muitos, mais do que Van Gaal e o Bayern, Inter e Mourinho terão pela frente o “fantasma” de Herrera.

Geralmente é retratado simplesmente como o percursor do “Catenaccio”. Na verdade, porém, esse será o crédito menos merecido pelo misterioso argentino. Herrera não inventou o “Catenaccio”, nem sequer terá sido o seu mais fiél intérprete. Terá, isso sim, adoptado algumas filosofias dessa escola que nasceu em Itália uns bons anos, sequer, da chegada do técnico ao Inter.

Mas, se o “Catenaccio” não é uma criação sua, Herrera tem uma número espantoso de especificidades que são, de facto, a justificação de todo o misticismo em relação à sua figura. Conjuntamente com os títulos, claro. Aqui fica uma lista de curiosidades que ajudam a distinguir Herrera como um dos maiores treinadores de sempre.

O aspecto mental: “pensa rápido, age rápido, joga rápido”. A frase é do próprio, e se nos podemos focar na repetida palavra “rápido”, também devemos ter em conta que tudo começa no “pensa”. De facto, muito à frente do tempo, Herrera deu uma importância elevada à componente mental como factor essencial no desempenho das suas equipas e jogadores.

Os espaços: “criar espaços. No futebol como na vida, na pintura ou na música. Espaços livres e silêncios são tão importantes como aqueles que estão preenchidos.” Sinteticamente, a evolução táctica do jogo pode ser resumida a uma compreensão evolutiva da forma de lidar com os espaços. É neste contexto que Herrera é, também ele, uma parte desse trajecto. Antes do ‘Futebol total’ ou da ‘Zona pressionante’, Herrera já antecipava, também ele, a importância de uma nova maneira de pensar os espaços.

Atitude: “Ataca a bola” ou “Lutar ou jogar? Lutar e jogar!”. A atitude sempre foi e sempre será um condimento fundamental para o sucesso. A necessidade de incentivar e motivar constantemente os seus jogadores para uma atitude de grande intensidade nos jogos, foi também uma das traves mestras da filosofia de Herrera.

Treino: Estávamos ainda longe dos tempos da periodização táctica, mas, espantosamente, os relatos da filosofia de treino de Herrera, em plena década de 60, apontam já para a importância de ter a bola sempre presente.

Preparação: Viagens loucas para ver adversários e informadores espalhados por toda a Europa. A obsessão do conhecimento dos adversários num tempo em que as distâncias eram, na prática, muito maiores do que as de hoje, necessitava de métodos arrojados. Muitas vezes eles implicavam sacrifícios, mas nada que parecesse tirar o entusiasmo a Herrera. Também no campo da preparação física e dieta dos jogadores, o argentino era implacável. Bem à frente do seu tempo.

Carácter: “O que seria do futebol sem mim?” Podem ser muitos os pontos onde Herrera se distinguiu do ponto de vista técnico, mas dificilmente algo superará a especificidade do seu carácter. As suas intervenções públicas sempre provocaram reacções e muitos foram os conflitos que manteve com outros protagonistas. Entre todas as características, poucas superarão a arrogância que tantas vezes evidenciou. Para além de se auto afirmar como um “guru” do futebol moderno, Herrera acreditava mesmo ter uma falange de adeptos que lhe eram exclusivamente fieis. Essa foi uma teoria que defendeu aquando da sua passagem pela Roma, onde afirmou que muitos dos que outrora eram adeptos do Inter, torciam agora, e por sua causa, pela equipa da capital.

As restantes partes do documentário:
- Parte 2
- Parte 3
- Parte 4
- Parte 5
- Parte 6



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17.5.10

A jogada perdida de Pinto da Costa

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“Perguntaram-me qual o meu segredo. Em cada momento tenho sabido escolher os melhores jogadores, os melhores treinadores, os melhores dirigentes e às vezes lá vai uma sobra lá para baixo” (Pinto da Costa, 15-05-2009)

Não poderia ter ficado mais surpreendido quando, há um ano, me confrontei com esta declaração. Surpreendido pela lucidez que entendi nas palavras do Presidente portista. O segredo de “saber escolher” como arma fundamental para o sucesso é algo que há muito venho defendendo. Quanto a esta parte, porém, não há nada de invulgar na clarividência de Pinto da Costa. O que realmente me espantou foi a referência à “sobra lá para baixo”. É que se é raro ver alguém assumir os erros das suas opções, muito mais é assistir-se a uma antecipação dos mesmos. E é isso que entendi – e entendo – nestas palavras: a antecipação, lúcida, de uma “jogada perdida”.


Talvez a circunstância e o público alvo justificassem o termo, mas ninguém escolhe falar de “sobras” num discurso. Se lá estava a “sobra” era porque era bem mais do que isso. A outra coisa evidente é que estamos a falar de Jorge Jesus, entretanto a caminho do Benfica. Contratar Jesus pareceu-me sempre ser a “jogada” óbvia para alguém com tanta experiência como Pinto da Costa. Por isso o antecipei ainda com a época 08/09 em curso e por isso me surpreendi tanto pela sua não concretização.

Não contratar Jesus foi uma “jogada perdida”. Porquê? Talvez venha a falar de Jesualdo com mais detalhe em breve, mas nada tem a ver com o ainda treinador portista. Realmente, não dou sequer por adquirido que Jesus conseguisse fazer melhor do que Jesualdo. O erro esteve, isso sim, na oportunidade concedida a um concorrente. Não contratar Jesus foi permitir que este fosse para o Benfica e, como se provou, permitir que na Luz renascesse um concorrente muito mais forte à hegemonia portista.

Agora, será um pouco como nas cartas. Estamos na jogada seguinte e é de novo Pinto da Costa a ter a voz. Uma coisa é certa, porém: a “jogada perdida” já não pode ser alterada e se isso não estiver bem claro na hora da decisão, então estaremos mais próximos de um segundo erro.



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14.5.10

1994: Romário espreme a laranja

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Em 94 o mundo era dele. Romário, pois claro. Depois de conquistar o futebol europeu com as suas exibições na época de estreia pelo Barcelona, tornou-se na principal figura do campeonato do mundo desse ano. Um troféu que teve, para o Brasil, o condão especial de terminar com um jejum de 5 edições sem títulos, nem sequer finais. Esse é o primeiro facto que explica a enorme popularidade de Romário no Brasil. O outro tem a ver com aquilo que se passou logo a seguir à conquista de 94.

E assim foi, Romário venceu a Copa, regressou ao Brasil e gostou tanto do que lá encontrou que decidiu não sair. Um passo atrás, dir-se-ia, na carreira do jogador que no contexto europeu simplesmente se eclipsou depois do ponto mais alto da sua carreira. Um passo atrás na Europa, mas um enorme passo para a sua popularidade no Brasil. Os golos, aparentemente, custavam-lhe muito pouco e Romário partilhou essa facilidade com 3 dos 4 grandes clubes do Rio de Janeiro. Simplesmente, virou um fenómeno de popularidade como muito poucos jogadores conseguiram no Brasil. Por isso a sua presença na Selecção foi sempre tão discutida, mesmo em anos de avançada veterania.

Quanto ao Mundial, é verdade que a História consagrou Romário, mas bem vistas as coisas, poderiam ter sido outros. Desde logo, Baggio, protagonista de um verdadeiro “one man show” que carregou a Itália até à final. Baggio e Romário eram, aliás, os mais reputados jogadores naquele Verão e se Romário saiu por cima, muito se deverá à famosa série de grandes penalidades que definiu a final. Mas, para além destes dois, havia ainda Stoichkov, a super-estrela da previsível revelação búlgara e, já agora, companheiro de Romário no "dream team" de Cruyff.

Recordar que a fama de Romário na Selecção começou, em jeito de presságio, um pouco antes desta fase final. O Brasil jogava o jogo decisivo no Maracanã frente ao Uruguai. A relação do “baixinho” com Parreira não era a melhor mas o treinador decidiu confiar no indisciplinado genial. Romário terá feito a sua melhor exibição pelo Brasil, marcou os 2 golos da vitória e deixou Parreira “obrigado” a leva-lo para o Estados Unidos. O resto toda a gente sabe.

Falta, finalmente, falar do jogo. Quartos de final entre Brasil e Holanda, um jogo fechado na primeira parte e que explodiu na segunda. Foi aí, quando os holandeses se alongaram que apareceu Romário. Marcou o primeiro golo e foi também o protagonista invisível do segundo. É que foi graças a ele que a defesa holandesa "bloqueou" na expectativa do fora de jogo. Hoje, ainda muita gente credita a Romário a principal responsabilidade desse golo. Depois do 2-0 deu-se uma improvável recuperação holandesa que seria inutilizada pelo livre de Branco a 9 minutos do fim.

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13.5.10

As lições da Liga Europa, de Quique e do Atlético

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Quer o clube, quer o treinador são perfeitamente indiferentes a este efeito, com epicentro especifico em terras portuguesas. O treinador saiu de Portugal sob um enorme descrédito, agudizado pelos feitos do seu sucessor. A equipa, também por cá, se mergulhou numa exageradissima desvalorização, especialmente depois dos mal sucedidos duelos com o Porto. À luz de tudo isto, juntar Quique e Atlético só poderia rotundar em catástrofe. É por isso que o culminar triunfante do trajecto que Atlético e Quique partilharam, deve deixar muita gente confundida com a sua própria ignorância. Ou pelo menos devia.


Responsável, sim, incompetente, jamais
Foi Quique incompreendido em Portugal? A resposta é não. Teve todas as condições para ter sucesso, e se não o teve, deve sobretudo a si mesmo essa responsabilidade. Será então Quique um treinador incompetente? O raciocínio fácil, e generalizado, apontaria para um “sim” como resposta. Mas as coisas, no futebol como na vida, não são preto ou branco. O que se passou com Quique foi que entrou numa das ligas onde é mais difícil ter sucesso no mundo. Não é a primeira vez que digo isto – já o digo há muitos anos – mas talvez agora faça mais sentido. Em Portugal há um nível táctico muito elevado, especialmente nas equipas de topo, e é essa a razão que torna muito difícil o sucesso de qualquer treinador estrangeiro no nosso campeonato. Sobretudo no primeiro ano. Mas Quique não é um treinador inferior à generalidade dos treinadores espanhóis. Será mesmo dos melhores da actualidade.


O absurdo da “final antecipada”
Um dos maiores absurdos que ouvi esta época aconteceu nos quartos de final da Liga Europa. Repetidamente se opinou que entre Liverpool e Benfica se jogaria uma “final antecipada” e que quem passasse tinha abertas as portas da final. Ignorância. Perdoem-me a rudeza, mas não há outra palavra. Primeiro pela própria natureza da prova e da fase da época em que se disputa. Isso bastaria para o disparate, mas não é disso que quero falar. Valência e Atlético de Madrid – o duelo de que resultaria o adversário de Liverpool ou Benfica na meia final – têm potencial individual superior a qualquer equipa portuguesa da actualidade. Talvez não tacticamente, talvez não colectivamente, mas em termos individuais... seguramente. Liverpool ou Benfica seriam favoritos marginais, pode admitir-se, mas qualquer coisa para além disso é simplesmente absurdo.


A lição mais comum
É curioso como esta prova tem dado algumas lições aos portugueses. No ano passado, por exemplo, foi preciso ver o Shakhtar triunfar para se perceber que aquela equipa que havia jogado 4 vezes perante portugueses em tempos recentes possuía uma enorme qualidade individual. Talvez a maior de todas as lições, porém, seja aquela que se verifica quase todos os anos. Ou seja, a importância de se dar privilégio a esta prova na sua recta final. Sem isso, o sucesso é altamente improvável.
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12.5.10

Liga 09/10: Ranking de treinadores

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A análise é puramente factual, pelo que me merece poucos comentários. Apenas a acompanho com a explicação da mesma. Ou seja, esclareço que tem em conta uma expectativa pontual em função do favoritismo estabelecido pelas casas de apostas em cada a jogo e, claro, os pontos conquistados por cada treinador. Estão contabilizados os jogos de todos os treinadores (não interinos) durante a liga 09/10 em todos os clubes onde estiveram. A única questão mais subjectiva terá a ver com Manuel Machado e com o seu período de ausência. Surpresas?

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