29.4.10

Domagoj Vida: analisado... do sofá!

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Depois de grandes manchetes, acabou por ser confirmado na Alemanha. Normal. O que talvez não seja tão “normal” é a badalada viagem de Costinha à Croácia. Pelo menos não parece, porque nestas coisas há sempre margem para os dados desconhecidos. Sem entrar pela linha especulativa, fica aqui uma amostra do jogador. Uma amostra de um jogo em que jogou... a central. Tudo isto em Portugal e sem sair do sofá.

A amostra é curta, mas pelo que deu para ver, o Leverkusen leva um central com boas características físicas e que se mostrou certo em muitos aspectos, ainda que com reservas noutros. Foi um dos melhores em campo, conseguiu um número assinalável de intercepções e um excelente acerto no passe. Aqui, importa referir a ausência de algumas condicionantes que ajudariam a testar o jogador com maior amplitude. Não foi testado em primeiras bolas aéreas e jogou quase sempre sem grande pressão, o que lhe permitiu decidir quase sempre correctamente. A grande dúvida, porém, é dada pela fraca prestação em dois lances em que foi confrontado com bolas na profundidade. Uma coisa me parece claro, porém: Vida era um jogador interessante, mas o nível a que joga e de onde vem não justificam 4 milhões de euros de investimento. Pelo menos na minha avaliação...
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Barcelona - Inter: Tudo isto é futebol

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O interesse do jogo do ponto de vista técnico-táctico ficou reduzido praticamente à nulidade. O mesmo que tem um treino exaustivo de organização ofensiva. Mas terá esse facto feito alguém mudar de canal? Provavelmente não. Este é o primeiro dos outros pontos de interesse deste jogo, e aquele que quero começar por destacar. Pode-se falar de muitas coisas para explicar o fenómeno do futebol, mas o principal, a meu ver, está espelhado neste jogo. Apesar do desinteresse técnico do jogo, a ansiedade e incerteza estiveram sempre presentes. Pode-se apreciar muito o futebol pela sua componente estética, mas quando se diz que o que as pessoas querem é espectáculo, está-se a cometer um grave erro. O que as pessoas querem é emoção, o espectáculo é só a sobremesa.

Em Barcelona a confirmação, em Milão a definição
Guardiola avisou, mas o Barcelona não evitou a armadilha. A dificuldade factual dos campeões europeus se repetirem terá muito a ver com a perda de intensidade destes na edição seguinte. Pois bem, se o Barça não foi capaz de virar a desvantagem no Camp Nou, não é para esse jogo que tem de olhar na hora de avaliar o porquê da eliminação. O Barça teve tudo para bater o Inter. Conseguiu o golo que lhe dava vantagem e com um nível de concentração idêntico ao do seu adversário nunca teria entrado com uma desvantagem de 2 golos na segunda mão. Não foi assim e o crédito deve ser dado ao Inter pelo feito fantástico de eliminar a melhor equipa do nosso tempo.

Filosofia extrema: da coerência à utilidade
O Barça venceu o jogo, mas se o dominou em absoluto também é verdade que mais facilmente este tinha acabado com um nulo do que com 2-0. Pelo menos a avaliar pelo número reduzidíssimo de oportunidades que os catalães tiveram no jogo e, em particular, na segunda parte. Aqui creio que se justifica a discussão. Não a discussão sobre a coerência da opção de Guardiola, de jogar sempre, de nunca forçar um jogo físico na área. Mas a discussão sobre se essa é realmente a melhor solução em situações como a que foi criada. Que outra equipa no mundo teria abdicado de um jogador como Ibrahimovic a meio de um jogo destes? Nenhuma. Qualquer outra teria utilizado o poderio do sueco no jogo aéreo para forçar o Inter a defender dentro da sua área, para criar uma sequência de segundas bolas que inevitavelmente teria resultado em muito mais finalizações do que aquelas que o Barça conseguiu. Concordo com a coerência de Guardiola, mas tenho dúvidas sobre se um filosofia tão extrema será a melhor solução, numa equipa com potencial para variar os recursos.

Futebol não é estética
Sobre o feito de Mourinho – de novo histórico – importa realçar a dimensão que lhe dá a chegada à final “via Barcelona”. É, em si mesmo, tão significativo como o feito da própria final. Haverá quem retire mérito ao Inter pelo jogo que assumiu. Pela sua falta de estética. Mas futebol não é estética. O próprio Guardiola o percebe quando afirma que a sua equipa só será a “melhor de sempre” quando superar os registos de vitórias dos melhores do passado. Futebol é um jogo e tem um objectivo: ganhar. O mérito do Barcelona é a qualidade absurda do estilo que assume e não a estética do mesmo. O mérito do Inter foi, também, a qualidade que apresentou dentro do estilo que escolheu. Com mais de 100 anos de jogo, era tempo de nos deixarmos de sofismas...



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28.4.10

Palavra para Guardiola

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Acredito no seu estilo. Acredito na irrelevância dos jogos paralelos, das aparências e preconceitos que invariavelmente invadem a opinião generalizada. Acredito na importância de uma busca lúcida e incessante pela qualidade, como factor único para o sucesso. No futebol e na vida. Porque Guardiola representa tudo isto, e antes que se saiba se ganha ou não, deixo-lhe a minha palavra...

Uma conferência de imprensa sua mais parece um “briefing” cultural. Gentilmente responde às perguntas de todos, suavemente, sem ponta de agressividade, nem no tom, nem no discurso. Primeiro em catalão, depois em castelhano, italiano, inglês... É assim Guardiola e não custa elogiar. Não custa... porque ganha. Ou alguém acha que seriam muitos a defender aquele jovem, inexperiente e sem currículo, que ainda por cima não evita um discurso mole no antes e depois dos jogos?





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27.4.10

Cardozo, Falcao e Liedson: a jornada dos goleadores

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A julgar pela necessidade de emparelhar todos os jogos da penúltima jornada num mesmo espaço temporal, dir-se-ia que este é um campeonato completamente em aberto. Puro engano. De tal forma as decisões estão por um fio, que o mais provável é nada estar por decidir na última ronda. Nada, excepto o pouco relevante duelo sobre o título de melhor marcador. Não é sobre a contabilidade de golos que quero falar, já que essa fala por si mesma, mas sobre os 3 melhores marcadores da prova, utilizando como ponto de partida os seus dados individuais da jornada.

Seguramente com algum exagero, os números da jornada dizem muito do que tem sido a prova dos próprios goleadores. Em particular, creio que mostram que o número de golos está longe de dizer tudo e que por vezes ele pode ser muito mais o produto de circunstâncias colectivas do que de um grande mérito individual. É o caso de Cardozo. O paraguaio é o mais provável vencedor do título de melhor marcador, mas, um pouco como na jornada 28 (onde actuou fisicamente limitado), o número de golos de Cardozo está longe de fazer dele o melhor 9 da liga. Pelo menos na minha leitura.

Entre os 3, claramente Falcao é aquele que mais se tem destacado e aquele que melhor avaliação merece. Ganhe ou não a competição de golos. O colombiano partilha com Liedson algumas características que os distinguem de Cardozo em termos de perfil. Em particular, a intensidade com que se apresentam constantemente ao jogo. Este aspecto, e apesar da finura técnica do paraguaio, torna-os menos dependentes dos golos para que o seu contríbuto seja, ainda assim, apreciável.



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26.4.10

Leiria - Sporting: Os últimos sinais de Carvalhal

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A proximidade do final da época dita a crescente escassez de oportunidades para ver e avaliar o Sporting de Carvalhal. Esta versão do futebol leonino amplificará a sua pouca relevância histórica com o passar do tempo. Uma consequência, não só do pouco tempo que leva o Sporting com uma marca registrada do ainda treinador e, por outro lado, da pouca importância dos desafios presentes. A avaliação concreta de Carvalhal perante a dimensão do desafio de um “grande” fica, mais do que qualquer outra coisa, adiada. Há coisas boas e menos boas no seu “produto” actual, mas o tempo e condições que lhe foram dadas não são suficientes para isolar alguns enviesamentos.

Enfim, talvez o mais interessante nesta fase seja olhar para o jogo de Leiria, até porque não resta nenhum com este interesse no que há por jogar para o Sporting...

Uma espécie de inexperiência
Fica claro para quem viu o jogo que a principal razão para a não-vitória do Sporting reside sobretudo num desperdício próprio. E “desperdício” não quer dizer apenas ineficácia ofensiva. Quer dizer também dificuldade e incapacidade para manter um controlo constante do jogo. Não foi caso único. Frequentemente vimos, na era Carvalhal, o contraste entre períodos de qualidade e domínio, com esta também identificável incapacidade para manter o jogo dentro do ritmo ideal para os interesses da equipa. São características próprias de equipas mais inexperientes, e ficaremos sempre sem saber se Carvalhal as conseguiria erradicar com outro tempo e condições. Poderia ser que não, mas basta pensar nos primeiros meses de Mourinho no Porto para perceber a diferença que pode fazer um bom planeamento.

As duas faces do jogo
É curioso analisar os dois períodos do jogo. Estranhamente, e ao contrário do que se afirma em função da evolução emocional do jogo, a segunda parte não foi mais repartida em muitos aspectos. Na primeira, o Sporting errou mais e terá tido, na maior parte do tempo, menor domínio territorial. O que acontece é que nesse período o posicionamento do Leiria, mais alto, permitiu ao Sporting dividir o jogo no “miolo”, mas ter sempre mais capacidade para aproveitar momentos de desequilíbrio para chegar com perigo às redes contrárias. E fê-lo, de facto, com frequência.

Na segunda parte, por outro lado, teve uma posse de bola mais trabalhada e aparentemente mais esclarecida, mas falhou no controlo do jogo. O Leiria passou a jogar mais baixo, mas a conseguir muito mais espaço em transição. Algo que, creio, foi intencional, até pelas características de Vitor Moreno, a novidade como falso lateral. De repente, o Sporting perdeu o controlo do jogo, permitindo que este se partisse com frequência e vendo, por exemplo, Silas ter mais espaço para aparecer com qualidade. Para que o domínio do Sporting tivesse mais consequência teria de haver maior capacidade e agressividade na reacção à perda de bola. Ganhá-la imediatamente após a perda era fundamental, mas isso muitas vezes não aconteceu.

Estatísticas individuais
Sem que tenha sido um Barcelona, o Sporting conseguiu um grande número de passes no jogo. Sobretudo, lá está, na segunda parte. A posse do bola verde e branca teve alguns traços característicos, como a dependência do jogo rendilhado dos 3 criativos ou a utilização da qualidade de João Pereira sobre a direita. A diferença entre o número de passes de João Pereira e Grimi foi avassaladora na segunda parte, com o ex-Braga a mostrar o porquê de ter sido uma excelente opção no mercado. Outra disparidade esteve entre Carriço e Tonel. O número de intercepções de Carriço foi amplamente superior ao de Tonel, numa diferença que me fez lembrar o caso entre David Luiz e Sidnei que abordei na semana passada. Também aqui, os números reflectem muito em termos qualitativos. Ainda no Sporting, nota para a elevadíssima participação de Moutinho e Pedro Mendes em termos de construção e para a inconstância de Djaló e Veloso. O avançado participou num grande número de desequilíbrios mas acabou como um dos principais responsáveis pela ineficácia ofensiva. Já Veloso foi também desequilibrante, mas esteve demasiado inconsistente na construção, errando em demasia em situações desnecessárias.

No que respeita à União, o principal destaque vai para André Santos. Foi o mais eficaz no passe e interventivo na recuperação. Silas, o criativo da equipa, começou muito mal em termos de eficácia de passe, mas evoluiu muito na segunda parte, tornando-se no jogador chave que normalmente é, e encontrando em Patrick um aliado frequente sobre a esquerda. Na frente, Cassio voltou a confirmar os seus dotes de jogador de área, mas Carlão impressionou noutros aspectos. Em especial, a qualidade de apoio e capacidade para levar a melhor nas bolas divididas. Mais atrás, o destaque negativo vai para Diego Gaucho. Um jogador fisicamente forte, mas que acumulou erros importantes e uma enorme ineficácia em termos de passe. Neste sector, Zé António esteve muito melhor, mas foi Vinicius quem, de forma discreta, mais rendimento terá conseguido, jogando sempre muito próximo da zona central.



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23.4.10

1982: Paolo Rossi e o "desastre de Sarriá"!

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O desaparecido estádio de Sarriá já não vive para contar a história. Explicar o imprevisível emparelhamento de um “super-grupo” em tão modesto palco seria já de si difícil, mas tudo isso se tornou secundário depois do que aconteceu naquele relvado catalão. Argentina, campeã do mundo. Brasil, unânime favorito. Passarella, Kempes e Maradona. Falcão, Sócrates e Zico. Quem sai por cima? A decepcionante Itália e o improvável Paolo Rossi. O “desastre de Sarriá”, como ficou conhecido um dos mais míticos jogos da História, não tem nada de desastroso. Foi apenas futebol, goste-se ou não.

Ambos haviam batido a Argentina, mas o Brasil por mais um golo, o que lhe garantia vantagem em termos de igualdade. Mas que hipótese teria uma Itália decepcionante contra uma das cativantes equipas da História? As contas pareciam feitas.

O jogo, na verdade, não andou longe das projecções. À excepção dos primeiros minutos, em que a Itália se apresentou bastante bem, foi sempre o Brasil a mandar no jogo. A magia estava alicerçada no corredor central e no tridente formado por Falcão, Sócrates e Zico. A ele se juntavam, sempre sobre o corredor central, o lateral Júnior e o outro médio, Toninho Cerezo. Tudo o resto, ou não interessava, ou interessava pouco. O "truque" do corredor central era tão bom, que o Brasil acreditou que chegaria para vencer tudo e todos. O Brasil, e o resto do mundo.

A derrota brasileira tem motivos e responsabilidades próprias. Certo. Mas tem sobretudo o carimbo de um capricho do destino. Um destino que resolveu trocar o charmoso Brasil por uma Itália eficaz, que se catapultou definitivamente para o título sobre os ombros de um goleador imortalizado pelo que fez naquela tarde. Paolo Rossi.

Rossi terá sido dos jogadores menos participativos no jogo, com a bola sempre longe do seu habitat. A verdade é que mesmo assim teve tempo para marcar 3 golos, falhar outro e ainda participar num quarto, incrivelmente invalidado. Tudo isto nos intervalos do festival ofensivo dos brasileiros. A história do jogo terá sido, no seu todo, uma crueldade para os brasileiros, mas o terceiro golo merece particular destaque. É que o Brasil, depois de longos minutos a tentar, havia finalmente empatado e nos minutos que se seguiram não se vislumbrou qualquer capacidade de reacção dos ‘azzurri’. Pareciam até conformados. A história não é sequer inédita. Canto vindo do nada e... golo.

Não se sabe o que aconteceria ao Brasil de 82 se aquele dia tivesse sido outro, mas também acredito que hoje, num contexto mais exigente, o destino seria analisado de outra forma. A superioridade dos brasileiros não foi posta em causa, mas é inadmissível que se cometam os erros que se cometeram num jogo em que se tem tudo para ganhar.



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22.4.10

Inter – Barcelona: Qualidade, estilo e identidade

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A noite não serviu para por em causa a excelência do futebol ‘blaugrana’. Um jogo pode ser suficiente para definir títulos e campeões, mas nem de perto chega para beliscar o estatuto que este Barça fez por merecer. Mas a noite trouxe-nos, sim senhor, alguns ensinamentos. Um balde de água fria na confusão entre estilo e qualidade. Porque a qualidade não se garante pela estética do estilo, por muito apelativa que ela seja. E porque é possível ter qualidade sob diferentes estilos. Talvez mais importante ainda, porém, seja a conclusão que o próprio Inter poderá retirar das duas recepções aos campeões europeus. Na primeira, desafiou o Barça no seu próprio estilo, numa altura em que o Inter tentava a sua própria mutação estética. Mas a superação e a excelência qualitativa apenas chegaram quando, em vez da estética, o Inter privilegiou a sua própria identidade na busca de um estilo. E esse é o ensinamento maior deste jogo: o melhor estilo define-se pela identidade e não pela estética.

Os números não mentem. O Barcelona foi, em San Siro, a equipa de sempre. Muito mais bola, muito mais passes, num registo de grande qualidade que normalmente chega para levar a melhor sobre os adversários. A verdade é que não chegou para ser melhor. E não chegou porque o Inter percebeu sempre que, não podendo discutir o jogo pela posse, era importante não dar ao Barça os argumentos que normalmente utiliza. Ou seja, a posse é apenas um meio para a equipa conseguir aplicar as armas que realmente ditam o fim dos adversários. A capacidade de desequilíbrio e o pressing asfixiante em zonas altas. Assim, o Inter percebeu que o importante não era discutir o indiscutível, mas sim garantir o essencial. Ou seja, privilegiar a protecção dos espaços importantes, não permitir transições e actuar, ele próprio, no erro do adversário. Na profundidade e na característica dos seus avançados.

E, de novo, os números não mentem. O sucesso do Inter não se mede na posse de bola nem nos passes que realizou. Não era essa a sua causa. Mede-se, isso sim, nas perdas e nos desequilíbrios. Foi isso que distinguiu as duas equipas e foi isso que, realmente, definiu a maior qualidade do Inter no jogo. Não estética, qualidade.

Intensidade: o segredo dos campeões
Para explicar o sucesso falta falar de um último, mas essencial, ponto. A intensidade. Em todo o jogo houve uma diferença de concentração e reactividade que se provou decisiva. Vista e provada na forma como Sneijder cobrou rapidamente o livre que iniciou a jogada do primeiro golo, e atacou a área sem acompanhamento. Na forma como Pandev aproveitou a perda de Messi para explodir em transição. Na forma como Maicon chegou primeiro à zona de finalização nesse segundo golo. Na forma como Motta antecipou o passe de Messi (outra vez ele!) e transformou uma transição contrária no desequilíbrio do terceiro golo.

Uma atitude que resulta da preparação mental, da concentração e da motivação. Dela normalmente se servem os campeões, num tempo em que mais dificilmente a qualidade, “tout court”, chega para ganhar.

Messi, de herói a vilão
Messi, o herói antecipado, foi desta vez o maior vilão. Não tanto por não ter decidido, mas pela forma como as suas perdas ficaram ligadas à decisão do jogo. Também um balde de água fria em tanta euforia. Sobre Messi, é inegável a sua qualidade e capacidade de desequilíbrio, e não questiono a justiça do estatuto de “melhor do mundo” que carrega actualmente. Mas há algo que acredito sobre Messi. Acredito que Messi é também um produto do colectivo do Barça. Sem ele, sem os apoios constantes, as suas decisões tornam-se menos óbvias e os erros bem mais comuns. Em ano de mundial, faço já a minha antevisão: Creio muito pouco no sucesso da Argentina e penso que Messi, pelas expectativas que gera, pode mais facilmente ser a maior desilusão de prova do que a sua maior estrela.



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21.4.10

A opção Paulo Sérgio

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Está longe de ser o pior que podia ter acontecido ao Sporting mas dificilmente será solução suficiente para o momento. Escolher bem, como já tantas vezes escrevi, é o segredo essencial para o sucesso de qualquer gestão desportiva. Pois bem, neste momento escolher bem não basta. É preciso escolher para lá de bem. O motivo? A competição, claro. Por muito que seja reconfortante a ideia de uma independência no caminho para o sucesso, a verdade é que ele depende quase tanto do que se faz como do que os outros fazem. E, neste momento, o cenário não favorece o Sporting. Se o sucesso do Porto se centra nas melhores escolhas que foi fazendo nas últimas décadas, o Benfica vive uma fase em que colhe os louros de uma rara aposta acertada.

Dos elogios que lhe fiz na hora da difícil escolha do sucessor de Paulo Bento, a direcção de Bettencourt confirma que percebeu para quem não se deve virar, mas também que não tem bem clara a orientação a seguir. Não entrar no caminho do “treinador de renome” é já muito bom. Não que haja algum problema em ter-se um bom currículo e reputação, mas porque raramente esse critério leva às melhores escolhas. É, antes sim, uma ilusão que se paga caro. O leque das opções parece, no entanto, ficar-se pelo critério “português, jovem e a indiciar potencial”. Daqui para a frente, para o Sporting, é um tiro no escuro.

Paulo Sérgio tem, de facto, qualidades. Qualidades que explicam o sucesso em praticamente todos os clubes por onde passou. A começar pelo Vitória onde leva um trabalho meritório e com resultados muito positivos. Mas o sucesso, sendo um indicador incontornável no longo prazo, não deve ser tudo. Se o sucesso se explica pelo que tem de melhor, a atitude, o potencial tem as mesmas limitações que as suas equipas revelam no terreno de jogo. Mas vamos por partes...

Primeiro, a atitude. As equipas de Paulo Sérgio são como o discurso do próprio. Ou seja, alicerçam-se numa atitude forte, agressiva e altamente respeitosa perante o jogo e o adversário. Sem bola, o pressing é a marca mais fiel desta mentalidade. Sobe a linha defensiva e adianta a equipa para não deixar o adversário pensar, sempre com grande agressividade sobre a zona da bola. Depois, em transição ou organização, o que mais importa é a intensidade. As armas que escolhe são sempre em função dos recursos e da situação. Um dos exemplos disto é a forma como alterna o sistema de jogo. E aqui, passamos para aquilo que menos favorece o potencial do treinador...

Então o que distancia Paulo Sérgio de um potencial superior? Bem, a forma como reage aos problemas. Sem bola, o pressing sente dificuldades enormes em reagir a uma circulação que fuja à zona inicialmente definida para pressionar. Com bola, não há indícios de uma qualidade que possa ultrapassar consistentemente os blocos mais organizados. Indícios que serão mais concretamente testados nos primeiros jogos de leão ao peito mas que, para já, devem ser considerados.

Por fim, não quero deixar de fazer algumas referências comparativas com outros nomes. Primeiro Paulo Bento, pelas semelhanças óbvias (não só o nome!) com algumas características. Depois Carvalhal, para referir que Paulo Sérgio não justifica a não continuidade do actual treinador. Quanto a Villas Boas, é o exemplo claro de que o Sporting não parece saber exactamente o que medir para as suas escolhas. É possível que se dê aqui um erro histórico. Paulo Sérgio deverá garantir uma boa atitude e, até, uma boa equipa. Mas, para o objectivo que se propõe, “ser campeão”, neste momento, será preciso que ele próprio se supere.



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