4.2.10
3.2.10
Porto - Sporting: Esmagador!

Porto
No rescaldo da goleada da Madeira reforcei a ideia da relatividade do problema portista, e da competência que nunca deixou de acompanhar a equipa. Pois bem, desta vez, e quando talvez isso fosse menos previsível, o Porto foi para além da competência e voltou a roçar a excelência. Porque, se o Sporting terá muito para reflectir, também é certo que, perante este Porto, poucas equipas poderiam realmente aspirar a um bom resultado.Se a expressividade do marcador apenas ficou definida na segunda parte, no jogo do pressing e posse de bola, que normalmente define quem tem mais condições para vencer, o Porto já “goleava” ao quarto de hora. De facto, o que espanta, até, é que não tenha havido mais ocasiões junto da baliza de Patrício, tal foi a superioridade portista na entrada do jogo. Em destaque, por um lado, a reactividade e agressividade dos jogadores em termos defensivos, e por outro, a confiança e qualidade da posse, capaz de sair quase sempre bem das zonas de pressão do adversário. Este padrão de excelência apenas foi atenuado entre o primeiro golo do Sporting e o segundo do Porto e, mais tarde quando o jogo já estava perfeitamente definido. Para juntar a esta superioridade, o Porto contou também com uma notável dose de eficácia que lhe permitiu fugir rapidamente no marcador. E assim, logicamente, a goleada tornou-se inevitável.
Em termos de notas individuais é quase impossível não elogiar quem quer que seja. A nota mais invulgar vai, claro, para Mariano que fez um jogo excelente a todos os níveis, provavelmente o melhor de Dragão ao peito. Também Belluschi esteve fantástico, confirmando o crescimento que já lhe vinha apontando e uma maior adaptação às exigências do modelo portista. Desta vez, até, mais influente do que Micael, embora a qualidade da movimentação do madeirense também não o tenha deixado ficar a perder. Sem querer passar por todos, não posso deixar de referenciar, outra vez, Falcao. Foi de novo soberbo e profundamente influente no jogo. Aliás, se a superioridade no jogo se deve ao colectivo, a definição da vitória, essa, deve-se em enorme dose ao colombiano. Numa fase em que o jogo equilibrara depois da “bomba” de Izmailov, foi Falcao que voltou a ser determinante. Se o seu primeiro golo é obviamente bom, o segundo talvez esteja ao alcance de ainda menos avançados. Mas, quanto ao jogo de cabeça de Falcao, já nada me surpreende.
Sporting
O jogo era importante para os dois, mas mais para o Sporting. E antes da análise ao jogo, começo aqui, pelos seus efeitos. No que resta desta época, define-se, não só o destino da equipa nas competições em que ainda tem hipóteses de vencer, mas também o arranque da próxima época. Nesse sentido, a revolução que foi encetada e, em particular, a liderança técnica de Carvalhal, sofreu um forte revés. Não tanto pela eliminação, mas pela forma como esta aconteceu. As melhorias no jogo ofensivo reveladas noutras partidas não ficam desfeitas, mas a qualidade do modelo de Carvalhal só será valorizada se, realmente, mostrar capacidade nos principais desafios que se avizinham.Relativamente ao jogo, começo por concordar com a análise de Carvalhal e a importância dada à primeira parte. Uma diferença enorme de rendimento entre as duas equipas, que fez do Sporting um adversário vulgar no Dragão. Sem bola, a equipa não conseguiu vencer duelos, ser eficaz no pressing ou ganhar segundas bolas. Com bola, não teve qualidade nem arrojo para evitar o pressing contrário, demorando a criar linhas de passe e, mais estranhamente ainda, falhando em demasia em termos técnicos.
Nesta exibição do Sporting encontro 2 “focos” essenciais para explicar as dificuldades sentidas. O primeiro tem a ver com a vertente táctica e com algo que já havia falado, apesar de ter sido apenas pontualmente exposto pelos adversários. É que há demasiados espaços entre linhas e entre os jogadores para que se garanta uma presença mais forte na zona da bola. Por isso, a equipa correu mais mas teve muito menos bola. Neste aspecto, seria importante que a defesa conseguisse jogar mais alto, mas percebe-se também o desconforto de alguns jogadores em fazê-lo (particularmente no 4º golo isso ficou claro). Ainda neste aspecto, nota, por um lado, para a exposição de Adrien em termos de exigência e, por outro, para a sua incapacidade para estar à altura. Algo que venho referindo há muito e que voltou a ser claro. Daí ter falado do “upgrade” que pode representar Pedro Mendes.
O outro “foco” tem a ver com a atitude e intensidade próprias para um jogo desta natureza. Com Paulo Bento, e embora isto fosse muitas vezes desprezado ou ignorado, o Sporting teve um rendimento estupendo em termos de atitude nos jogos grandes. Não teve sucesso em todos, obviamente, mas teve-o em mais do que seria previsível. Será importante que Carvalhal recupere essa capacidade para a sua “era”, porque é nos níveis de intensidade e agressividade que se decide muito destes jogos. Aliás, como o próprio o salientou.
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2.2.10
O Braga e a importância táctica da linha defensiva...
Ontem destaquei-o como um pormenor importantíssimo para o sucesso táctico do Braga. Em particular, claro, para esse notável registo defensivo. A linha defensiva e a forma como se movimenta verticalmente no campo. Na verdade, este destaque não se justifica pelo último jogo, mas sim por uma característica do modelo de Domingos que vem sendo marcante ao longo da época e que, diga-se, já havia sido trabalhada na “era Jesus”.
Outra nota importante nesta última jogada é o que acontece quando a linha defensiva pára. As linhas defensivas aproximam-se e encurtam o espaço no bloco. Este foi, e tem sido, um dos segredos defensivos do Braga. Nem sempre pressionando de forma eficaz em zona mais alta, mas capaz de reter o adversário em zona média, devido à grande densidade de jogadores. Nota, finalmente, para importância da linha de área, que serve de referência para os jogadores do Braga. Recuam até à área, mas nela não entram.
Já agora, não desfazendo da qualidade que apresenta neste particular, o Braga não é a equipa mais forte neste aspecto em Portugal. O Benfica de Jesus supera, pelo menos na minha opinião, os bracarenses neste particular. E no caso do Benfica, esta é também uma arma altamente importante para o sucesso táctico.
Em suma... é de facto uma tarefa complicada. Uma rotina de alta exigência mas que, sendo conseguida, tem, e repito a ideia, enormes benefícios tácticos. Já agora, entre todos, é o futebol espanhol que no momento melhor domina este aspecto e aquele que, também, mais o valoriza em termos tácticos.
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O que se ganha com este recurso?
Bem, boa parte da resposta está no vídeo. Na primeira jogada, um exemplo claro. Uma situação de transição conduzida por Izmailov, com os 2 avançados a fazer um movimento cruzado, à procura de libertar linhas de passe. Resultado: ambos ficam anulados porque a defesa, em vez de os tentar anular individualmente, avança e coloca ambos em fora de jogo, limitando, de repente, as soluções do russo. Na segunda jogada, 2 momentos distintos. O primeiro é semelhante ao caso anterior. Ou seja, Matías, também em transição, fica, tal como Izmailov, limitado pelo fora de jogo da linha defensiva e é obrigado a parar a progressão da jogada, dando mais tempo para que a defesa se equilibre. Apesar disso, o Sporting volta a encontra soluções de penetração e a bola regressa ao chileno. Aqui, e apesar de alguma desconcentração de Evaldo, a solução de passe acaba mesmo por ser “apanhada” pela armadilha.Outra nota importante nesta última jogada é o que acontece quando a linha defensiva pára. As linhas defensivas aproximam-se e encurtam o espaço no bloco. Este foi, e tem sido, um dos segredos defensivos do Braga. Nem sempre pressionando de forma eficaz em zona mais alta, mas capaz de reter o adversário em zona média, devido à grande densidade de jogadores. Nota, finalmente, para importância da linha de área, que serve de referência para os jogadores do Braga. Recuam até à área, mas nela não entram.
Herança de Jesus?
Se há coisa que não considero justo afirmar é que este Braga é uma herança de Jesus. É falso. Pelo menos na generalidade. O Braga de Domingos não é uma cópia do passado, tem características e intérpretes diferentes. Neste particular, da linha defensiva, no entanto, é inegável que o trabalho do passado tem importância. Jesus também utiliza esse recurso defensivo nas suas equipas e, mesmo se o Braga de hoje não defende tão alto como o de então, é óbvio que o tempo de rotina beneficia o rendimento.Já agora, não desfazendo da qualidade que apresenta neste particular, o Braga não é a equipa mais forte neste aspecto em Portugal. O Benfica de Jesus supera, pelo menos na minha opinião, os bracarenses neste particular. E no caso do Benfica, esta é também uma arma altamente importante para o sucesso táctico.
Porque é tão difícil aplicar?
A resposta está nas referências de marcação. Há muitas equipas por esse mundo fora a tentar tirar dividendos tácticos do adiantamento da linha defensiva, mas que acabam por sair mais fragilizadas do que beneficiadas. Muitas vezes se fala da capacidade de recuperação dos defesas mas, embora seja óbvia a vantagem de contar com defesas rápidos, não creio que tal seja o fundamental. O que é verdadeiramente importante, é que exista uma grande orientação colectiva nos jogadores que compõem essa linha defensiva. O adversário não pode ser uma obsessão na marcação, e a prioridade tem de ser, sempre, o posicionamento em relativo aos colegas. É aqui que normalmente as equipas falham, com os jogadores a perderem-se no acompanhamento individual. Finalmente, não basta que a linha defensiva “congele”. É preciso ter uma grande capacidade de decisão jogada-a-jogada, percebendo sempre qual o movimento correcto a fazer. Se ficar, se recuar, ou mesmo, se avançar. Tudo isto se torna ainda mais difícil se não houver uma pressão constante sobre o portador da bola.Em suma... é de facto uma tarefa complicada. Uma rotina de alta exigência mas que, sendo conseguida, tem, e repito a ideia, enormes benefícios tácticos. Já agora, entre todos, é o futebol espanhol que no momento melhor domina este aspecto e aquele que, também, mais o valoriza em termos tácticos.
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13 golos e 5 clássicos
-- 13 golos --
- Benzema (Real Madrid)
- Boussoufa (Anderlecht)
- Ait Fana (Montpellier)
- Okaka (Roma)
- Lafita (Saragoça)
- Nani (Man Utd)
- Dzeko (Wolfsburgo)
- Baytar (Trabzonspor)
- Fletcher (Burnley)
- Riquelme (Boca)
- Riise (Roma)
- Calvo (Xerez)
- Nijland (Willem II)
-- 5 clássicos --
- Fluminense 3-5 Flamengo
- Corinthians 1-0 Palmeiras
- Panathinaikos 1-1 AEK
- Feyenoord 1-1 Ajax
- Internacional 1-0 Gremio
- Benzema (Real Madrid)
- Boussoufa (Anderlecht)
- Ait Fana (Montpellier)
- Okaka (Roma)
- Lafita (Saragoça)
- Nani (Man Utd)
- Dzeko (Wolfsburgo)
- Baytar (Trabzonspor)
- Fletcher (Burnley)
- Riquelme (Boca)
- Riise (Roma)
- Calvo (Xerez)
- Nijland (Willem II)
-- 5 clássicos --
- Fluminense 3-5 Flamengo
- Corinthians 1-0 Palmeiras
- Panathinaikos 1-1 AEK
- Feyenoord 1-1 Ajax
- Internacional 1-0 Gremio
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1.2.10
Benfica - Guimarães: Dominar e, desta vez... vencer!
Não se pode falar de uma maré de oportunidades para o Benfica. Na verdade, para ser fiel à história do jogo, a eficácia é um dado a mencionar. O Benfica, tal como o Vitória, marcou na sua primeira ocasião. Tudo porque da parte do Vitória houve uma postura bastante semelhante àquela que apresentara na Taça. Ou seja, uma atitude defensiva agressiva e pressionante, com a preocupação de constringir espaço e tempo ao ataque encarnado, e de, por outro lado, reduzir ao máximo as situações de transição. O único problema do Vitória, por mérito do Benfica, é que nunca conseguiu ter bola. Tal como na Taça, mais uma vez. Desta feita, porém, foi o Benfica a ter os primeiros rasgos de eficácia e isso fez toda a diferença.
Sobre o Benfica, algumas notas individuais. Primeiro para a dupla Aimar-Saviola, que recuperou o seu nível mais elevado, aumentando de sobremaneira a velocidade de pensamento do jogo do Benfica. E não apenas com bola. Depois, claro, para Martins. Marcar ao Vitória não surpreende. Nem, tão pouco, o facto de ter sido expulso escusadamente. Martins é assim e o problema é que sempre o foi. Um jogador de qualidades raras, que poderiam ter feito dele um craque caso tivesse evoluído na sua compreensão do jogo e na sua maturidade emocional. Assim, hoje como sempre, vive de momentos fantásticos mas que depressa se eclipsam, não sendo capaz de desempenhar funções de maior exigência táctica nem de ser útil em todos os momentos do jogo. É pena. Outro caso, é Cardozo. Parou de marcar, confirmando que sendo um portento em alguns aspectos não é, no entanto, um jogador particularmente forte em termos mentais (e como isso é determinante num avançado!). Hoje as oportunidades não são menos, a eficácia é que já não lá mora. Talvez ainda volte a tempo de ajudar nesta época.
Nota, no Vitória, para Nuno Assis. Marcou um belo golo, construído em velocidade e aproveitando um momento de desorganização na defesa do Benfica. Marcou, mas a sua exibição não foi melhor que noutros jogos. Por isso, não tenho nada a acrescentar...
Sobre o Benfica, algumas notas individuais. Primeiro para a dupla Aimar-Saviola, que recuperou o seu nível mais elevado, aumentando de sobremaneira a velocidade de pensamento do jogo do Benfica. E não apenas com bola. Depois, claro, para Martins. Marcar ao Vitória não surpreende. Nem, tão pouco, o facto de ter sido expulso escusadamente. Martins é assim e o problema é que sempre o foi. Um jogador de qualidades raras, que poderiam ter feito dele um craque caso tivesse evoluído na sua compreensão do jogo e na sua maturidade emocional. Assim, hoje como sempre, vive de momentos fantásticos mas que depressa se eclipsam, não sendo capaz de desempenhar funções de maior exigência táctica nem de ser útil em todos os momentos do jogo. É pena. Outro caso, é Cardozo. Parou de marcar, confirmando que sendo um portento em alguns aspectos não é, no entanto, um jogador particularmente forte em termos mentais (e como isso é determinante num avançado!). Hoje as oportunidades não são menos, a eficácia é que já não lá mora. Talvez ainda volte a tempo de ajudar nesta época.
Nota, no Vitória, para Nuno Assis. Marcou um belo golo, construído em velocidade e aproveitando um momento de desorganização na defesa do Benfica. Marcou, mas a sua exibição não foi melhor que noutros jogos. Por isso, não tenho nada a acrescentar...
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Nacional - Porto: Se era para ser difícil...
Porto: um problema relativo
Não quero aqui defender que o Porto esteja num patamar de rendimento ao nível de anos anteriores. Não está, e já expliquei porque o penso. Sem prejuízo desta análise, porém, está longe de merecer algumas criticas que lhe são feitas. Tem um modelo competente e sistematizado que lhe permite ser dominador em quase todos os duelos internos, mesmo quando abundam ausências individuais. Tem, neste contexto, vindo a conseguir evoluções positivas de alguns jogadores. Álvaro Pereira é, para mim, um excelente reforço, com uma qualidade nada fácil de encontrar por aí. Mesmo se tem de evoluir em termos defensivos, na Choupana foi fantástico. Belluschi está na sua melhor fase, mais adaptado ao modelo colectivo e, sobretudo, a Varela (mesmo se, como também já referi, este modelo não serve as suas melhores potencialidades). Para o meio campo surge agora um Ruben Micael mais influente do que qualquer dos argentinos e a confirmar tudo aquilo que havia projectado. Ou seja, é um jogador que entende de forma fantástica o jogo, e que se continuar a progredir a nível técnico e físico será, seguramente, um jogador de Selecção. Na frente, Kléber é um revés importante, tal como Hulk, mas é impossível não destacar o “super-Falcao” da actualidade. Excelente e incansável como apoio à construção e estupendo nas movimentações dentro de área. A equipa parece tão confiante nas suas potencialidades que passou a fazer dele o centro de praticamente todo o seu jogo.Mas há aqui um problema, aliás, bem à vista de todos. O Porto tem mais um ponto do que no ano anterior, quando comandava a prova. A diferença principal não está, por isso, no Porto mas na concorrência. Um problema relativo e não tanto absoluto. Mas um problema que, parecendo extrínseco pode, como aliás já se viu, afectar o lado mental da equipa.
Nacional: O fim de um ciclo?
Têm sido muitas as perdas na Choupana, com vários jogadores relevantes a sair. É verdade que outros ficam que garantem à equipa um potencial acima da média da Liga. Perder Micael depois Alonso, Micael e Maicon, no entanto, pode ser demasiado para uma equipa que nunca deslumbrou em termos colectivos. Se quem fica não reagir bem em termos anímicos é bem possível que tenhamos o inicio de uma invulgar queda desde o alto da Choupana...ler tudo >>
Braga - Sporting: E se os irredutíveis "assaltassem Roma"?
O que tiveram de comum as recepções bracarenses aos 3 grandes? Na verdade, e dentro do possível, quase tudo. Jogo equilibrado, de grande intensidade, e com poucos espaços. Tudo a fazer de um momento de inspiração e de eficácia um elemento especialmente decisivo no desfecho do jogo. E, em todos eles, ele apareceu. Sempre para o Braga.
Braga
Começo por um factor que, na minha visão, tem sido essencial. A sorte. Não quero dizer com isto que o Braga ganhou “por sorte”, que não foi o caso. O que quero , antes sim, é sublinhar a improbabilidade de uma equipa ganhar tantas vezes jogos tão equilibrados como aqueles que marcaram as recepções bracarenses aos 3 “grandes”. A verdade, porém, é que dificilmente poderia ser de outra forma. Dificilmente uma equipa com menores condições, como tem o Braga, pode ser repetidamente superior a quem tem, obviamente, outros argumentos. Assinalo, de resto, que é desde logo fantástico que esta equipa consiga jogar sucessivamente ao nível destes adversários. E o Braga conseguiu-o, não só nesses 3 jogos.
Na equipa do Braga, merecem nota especial Mossoró e Paulo César, pela competência técnica, mas sobretudo pela importância das respectivas missões em termos tácticos. Merece também uma nota de reparo o facto de Domingos, com tudo a perder, ter esgotado tão cedo as substituições, pondo-se à mercê de um qualquer imprevisto. E como ele deve ter tremido com o susto de Eduardo! Mas aquilo que mais quero destacar, e bem pela positiva, é, sem surpresas, a defesa. O Braga pressiona e encurta espaços com enorme qualidade e mantem-se à margem de perigos como a maioria das equipas não consegue. Daí o estupendo registo defensivo. Pois bem, muito deste sucesso colectivo tem por base a qualidade com que actua a sua última linha. Com bons intérpretes, individualmente, e com uma óptima movimentação colectiva. Em particular, ao nível da manutenção da linha do fora de jogo, não há muitos casos na Europa que se apresentem tão bem sistematizados como o do Braga. E isto, parecendo um detalhe, é uma enorme vantagem em termos de performance táctica.
Vencido o Sporting, faltam 13 jogos. Nestes, para além das visitas ao Dragão e à Luz, não há nenhum jogo em que o Braga não seja claramente favorito. Ao contrário de Benfica e Porto, que também jogam entre si, já não há, nem Sporting, nem desgaste europeu. Aquilo que parecia, primeiro impossível e depois improvável, é agora um cenário perfeitamente realista.
Sporting
Braga era o primeiro teste para as melhorias na “era Carvalhal”. O Sporting, não se podendo dizer que tenha falhado rotundamente, também não terá, numa perspectiva mais ambiciosa, superado o desafio. É verdade que, antes do golo, conseguiu ter mais bola e estar até ligeiramente melhor. É verdade que não merecia o golo na altura que o sofreu. Mas é também verdade que a equipa não teve capacidade para se aproximar verdadeiramente do golo, quer antes, quer depois de estar em desvantagem. Faltou-lhe profundidade e isso provavelmente terá que ver, em boa parte, com alguma desinspiração de alguns dos seus elementos criativos – Izmailov e Veloso em particular. Na verdade, em termos de objectivos de temporada, este já não era um jogo relevante. Esses serão, isso sim, os próximos para competições a eliminar onde o Sporting mantém, ao contrário do campeonato, aspirações realistas. Que o Sporting de Carvalhal é capaz de jogar bem, isso já deu para perceber, resta agora saber se também é capaz de... ganhar.
Uma nota final, para um pormenor táctico do jogo. Carvalhal mudou o sistema táctico ao longo da segunda parte. Não teve resultados positivos, nem saberemos se teria caso tivesse mantido a estrutura inicial. Sou, no entanto, muito céptico em relação a estas alterações estruturais. Para mim, intuitivamente, faz mais sentido manter do que alterar, pelo simples facto de que alterar pressupõe quebra de referências naquilo que se vem fazendo e, previsivelmente, perda de qualidade pelo menos durante uns minutos. Se o objectivo é provocar alguns momentos de desorganização no adversário, então, digo eu, seria melhor alterar de 1 só vez e não em substituições espaçadas por alguns minutos.
Braga
Começo por um factor que, na minha visão, tem sido essencial. A sorte. Não quero dizer com isto que o Braga ganhou “por sorte”, que não foi o caso. O que quero , antes sim, é sublinhar a improbabilidade de uma equipa ganhar tantas vezes jogos tão equilibrados como aqueles que marcaram as recepções bracarenses aos 3 “grandes”. A verdade, porém, é que dificilmente poderia ser de outra forma. Dificilmente uma equipa com menores condições, como tem o Braga, pode ser repetidamente superior a quem tem, obviamente, outros argumentos. Assinalo, de resto, que é desde logo fantástico que esta equipa consiga jogar sucessivamente ao nível destes adversários. E o Braga conseguiu-o, não só nesses 3 jogos.
Na equipa do Braga, merecem nota especial Mossoró e Paulo César, pela competência técnica, mas sobretudo pela importância das respectivas missões em termos tácticos. Merece também uma nota de reparo o facto de Domingos, com tudo a perder, ter esgotado tão cedo as substituições, pondo-se à mercê de um qualquer imprevisto. E como ele deve ter tremido com o susto de Eduardo! Mas aquilo que mais quero destacar, e bem pela positiva, é, sem surpresas, a defesa. O Braga pressiona e encurta espaços com enorme qualidade e mantem-se à margem de perigos como a maioria das equipas não consegue. Daí o estupendo registo defensivo. Pois bem, muito deste sucesso colectivo tem por base a qualidade com que actua a sua última linha. Com bons intérpretes, individualmente, e com uma óptima movimentação colectiva. Em particular, ao nível da manutenção da linha do fora de jogo, não há muitos casos na Europa que se apresentem tão bem sistematizados como o do Braga. E isto, parecendo um detalhe, é uma enorme vantagem em termos de performance táctica.
Vencido o Sporting, faltam 13 jogos. Nestes, para além das visitas ao Dragão e à Luz, não há nenhum jogo em que o Braga não seja claramente favorito. Ao contrário de Benfica e Porto, que também jogam entre si, já não há, nem Sporting, nem desgaste europeu. Aquilo que parecia, primeiro impossível e depois improvável, é agora um cenário perfeitamente realista.
Sporting
Braga era o primeiro teste para as melhorias na “era Carvalhal”. O Sporting, não se podendo dizer que tenha falhado rotundamente, também não terá, numa perspectiva mais ambiciosa, superado o desafio. É verdade que, antes do golo, conseguiu ter mais bola e estar até ligeiramente melhor. É verdade que não merecia o golo na altura que o sofreu. Mas é também verdade que a equipa não teve capacidade para se aproximar verdadeiramente do golo, quer antes, quer depois de estar em desvantagem. Faltou-lhe profundidade e isso provavelmente terá que ver, em boa parte, com alguma desinspiração de alguns dos seus elementos criativos – Izmailov e Veloso em particular. Na verdade, em termos de objectivos de temporada, este já não era um jogo relevante. Esses serão, isso sim, os próximos para competições a eliminar onde o Sporting mantém, ao contrário do campeonato, aspirações realistas. Que o Sporting de Carvalhal é capaz de jogar bem, isso já deu para perceber, resta agora saber se também é capaz de... ganhar.
Uma nota final, para um pormenor táctico do jogo. Carvalhal mudou o sistema táctico ao longo da segunda parte. Não teve resultados positivos, nem saberemos se teria caso tivesse mantido a estrutura inicial. Sou, no entanto, muito céptico em relação a estas alterações estruturais. Para mim, intuitivamente, faz mais sentido manter do que alterar, pelo simples facto de que alterar pressupõe quebra de referências naquilo que se vem fazendo e, previsivelmente, perda de qualidade pelo menos durante uns minutos. Se o objectivo é provocar alguns momentos de desorganização no adversário, então, digo eu, seria melhor alterar de 1 só vez e não em substituições espaçadas por alguns minutos.
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