5.1.10
4.1.10
Sporting - Braga: De onde vens, para onde vais?
Sporting
Carvalhal parece ter-se decidido e voltou a apostar num sistema de 2 avançados, mesmo com tantas ausências nessa posição. O Sporting não esteve mal no jogo, mas revela ainda incapacidades relevantes e que o afastam de uma consistência e qualidade capazes de oferecer um domínio mais claro e continuado do jogo. Em termos de comportamento colectivo, o espaço entre sectores é ainda muito grande e isso impede que a equipa tenha mais presença nas sucessivas zonas onde o jogo se vai definindo. Aqui, parece-me, o caminho deverá passar por uma subida da última linha defensiva, que tem ainda muitas dificuldades em fazer um uso mais eficaz do fora de jogo. Algo que, como já expliquei, é normal pelas características do modelo anterior.Mas, se os detalhes do comportamento colectivo são ainda essenciais para que se atinja outro nível, há também muito que dizer sobre os aspectos individuais. Primeiro, percebem-se ainda, e de forma muito clara, os efeitos pós traumáticos de um inicio de época desastroso. Não é normal que uma equipa viva períodos tão díspares ao longo de um jogo e só essa instabilidade emocional pode explicar este fenómeno.
Não desligado deste último aspecto está o encolhimento excessivo no arranque e final da segunda parte, bem como uma tendência excessivamente errática de alguns jogadores em determinados períodos do jogo, condicionando muito a capacidade de se dar um bom seguimento qualitativo ao jogo da equipa. Finalmente, há ainda que perceber que as diferenças individuais entre o Braga e o Sporting, neste jogo, não foram muito grandes. O mesmo é dizer que para valer mais o Sporting tem de apresentar também outras soluções, nomeadamente no ataque e nas laterais. Já agora, e a este nível, fica a questão: será que Matias Fernandez terá de arrancar do banco neste novo ciclo?
Braga
Domingos referiu no final que o Braga não tinha sido inferior e tem razão. Não que tivesse sido superior, mas acabou por dividir as fases de ascendente de um jogo nada monocórdico nesse plano. É difícil dizer, por exemplo, que o Braga tenha estado globalmente pior do que na vitória que conseguiu no mesmo palco em Agosto. Falhou, no entanto, num detalhe importante para a definição dos jogos e que será vital se o Braga quiser, realmente, levar os seus sonhos até ao fim: a eficácia. Sobre o golo de Veloso não há, obviamente, nada a fazer. O mesmo, porém, não se pode dizer do lance que desbloqueou o marcador e que, em grande parte, foi responsável pelo crescimento de confiança do Sporting. O erro de Leone não é acidental, mas, antes sim, um lance que não pode nunca acontecer numa equipa que quer aspirar aos mais altos patamares. O Braga tem na sua linha defensiva, e na qualidade do seu comportamento colectivo, uma das suas mais importantes forças. Manter a posição, privilegiar as referências colectivas de posicionamento tem de ser algo “sagrado” para qualquer elemento. Um mau passe ou um mau alivio são erros individuais. O que fez Leone, não é um erro individual mas sim um erro colectivo por má interpretação individual. E isso não pode nunca acontecer.
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Benfica - Nacional - Entre dominar e conquistar
Quem viu o jogo pode constatar 2 coisas pouco concorrentes. Que a vitória só cairia bem de encarnado, e, que com um pouquinho de felicidade, o Nacional até poderia ter vencido na Luz.
Quanto à primeira, ela explica-se facilmente. Avassalador domínio do Benfica, fruto de uma enorme diferença de qualidade nos processos colectivos. Enquanto que o Benfica protagonizou – ainda que nunca dentro de patamares já vistos – um jogo esclarecido e bem preparado em todos os seus momentos, do outro lado, o Nacional, raramente conseguiu atacar, compondo um jogo muitas vezes de um só sentido. O Benfica e a qualidade da sua transição ataque-defesa, explicam boa parte do sucedido, mas uma outra, bem relevante, esteve nas limitações colectivas do próprio Nacional. O facto do seu bloco ser constantemente “afundado” no campo pela circulação de bola do Benfica, fez com que as recuperações fossem muito baixas e, por isso, também muito menos capazes de ter seguimento.
No entanto, e apesar deste domínio, o Benfica tardou em estar verdadeiramente perto do golo, acabando por estar demasiado dependente de um capricho do jogo. Os motivos desta distância do objectivo têm a ver com a qualidade de interpretação dos processos, que passa muito pela capacidade individual de quem tem essa responsabilidade – os jogadores. Um problema que não tem só a ver com as ausências dos desequilíbrios de jogadores como Aimar e Di Maria mas que se estende a outros capítulos do jogo. É que se era importante ser mais forte no último terço em organização, era também fundamental potenciar mais momentos de transição. E eles, sem outros intérpretes, aconteceram em número muito escasso.
É um pouco isto que se pode esperar do Benfica. Uma enorme capacidade colectiva que lhe permite ser dominador, mas, também, uma dependência de algumas figuras para que esse domínio se traduza, realmente, numa capacidade conquistadora. Um problema que, afinal, é comum qualquer grande equipa.
Quanto à primeira, ela explica-se facilmente. Avassalador domínio do Benfica, fruto de uma enorme diferença de qualidade nos processos colectivos. Enquanto que o Benfica protagonizou – ainda que nunca dentro de patamares já vistos – um jogo esclarecido e bem preparado em todos os seus momentos, do outro lado, o Nacional, raramente conseguiu atacar, compondo um jogo muitas vezes de um só sentido. O Benfica e a qualidade da sua transição ataque-defesa, explicam boa parte do sucedido, mas uma outra, bem relevante, esteve nas limitações colectivas do próprio Nacional. O facto do seu bloco ser constantemente “afundado” no campo pela circulação de bola do Benfica, fez com que as recuperações fossem muito baixas e, por isso, também muito menos capazes de ter seguimento.
No entanto, e apesar deste domínio, o Benfica tardou em estar verdadeiramente perto do golo, acabando por estar demasiado dependente de um capricho do jogo. Os motivos desta distância do objectivo têm a ver com a qualidade de interpretação dos processos, que passa muito pela capacidade individual de quem tem essa responsabilidade – os jogadores. Um problema que não tem só a ver com as ausências dos desequilíbrios de jogadores como Aimar e Di Maria mas que se estende a outros capítulos do jogo. É que se era importante ser mais forte no último terço em organização, era também fundamental potenciar mais momentos de transição. E eles, sem outros intérpretes, aconteceram em número muito escasso.
É um pouco isto que se pode esperar do Benfica. Uma enorme capacidade colectiva que lhe permite ser dominador, mas, também, uma dependência de algumas figuras para que esse domínio se traduza, realmente, numa capacidade conquistadora. Um problema que, afinal, é comum qualquer grande equipa.
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31.12.09
30.12.09
2010: ano "Gunner"?

É sempre demasiado cedo em Dezembro. Ainda assim, o Chelsea de Ancelotti está longe de ter um rendimento óptimo, parecendo apenas alicerçado na inegável qualidade do seu plantel. Normalmente isto significaria título garantido lá mais para norte, mas o United está também em tempo de reestruturação e tem pago algumas facturas que lhe são atípicas. Juntando isto ao fracasso (mais um) de Benitez e do Liverpool e às dores de crescimento do outro vizinho de Manchester, pode estar aberta uma via de acesso para Wenger juntar o entretenimento ao sucesso.
Por tudo isto, mais do que nunca, fazem sentido as apostas (que, já agora, mantêm os “Blues” como grande favorito). Se me perguntarem, digo que sem laterais ofensivos a vida de Ancelotti vai ser muito complicada. Que a “velha raposa” escocesa dificilmente não aparecerá mais forte na segunda metade. Mas, também, que estão criadas as condições para que 2010 seja um ano “Gunner”.
Por tudo isto, mais do que nunca, fazem sentido as apostas (que, já agora, mantêm os “Blues” como grande favorito). Se me perguntarem, digo que sem laterais ofensivos a vida de Ancelotti vai ser muito complicada. Que a “velha raposa” escocesa dificilmente não aparecerá mais forte na segunda metade. Mas, também, que estão criadas as condições para que 2010 seja um ano “Gunner”.
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29.12.09
Jesualdo e o dogma dos jogos “grandes”

A parte difícil aqui é o ajuste de expectativas à realidade e a classificação objectiva do grau de dificuldade dos jogos. Para isso nada melhor do que recorrer às considerações das casas de apostas. Usando este elemento como referência para seleccionar os jogos mais difíceis e medir expectativas pontuais para os mesmos, conclui-se que, em 46 jogos deste tipo, o Porto de Jesualdo superou as expectativas pontuais em +10,6%. Surpresa?

O balanço é globalmente positivo e parece haver apenas uma “besta negra” no percurso do “professor”. O Sporting de Paulo Bento. Foi o adversário mais comum nos 4 anos, com 9 jogos e onde o Porto de Jesualdo ficou globalmente aquém das expectativas, com -29% dos pontos esperados pelos especialistas. Numa análise comparativa, o Benfica, em apenas 5 jogos foi um adversário muito mais simpático, com +35,8% de pontos conquistados em relação ao esperado.
Ainda assim, e apesar da tal influência negativa do Sporting, Jesualdo consegue ter crédito nas principais competições. +9,1% nos 15 embates complicados realizados na Liga e uns impressionantes +23,5% nos 27 jogos teoricamente mais complicados que disputou na Champions League. Em termos de épocas, 08/09 foi a melhor, com +26,1% e a única negativa foi mesmo a primeira, 06/07, com um tangencial saldo de -1,3%. Já agora, e apesar da recente derrota na Luz, nesta temporada o aproveitamento azul em jogos de elevado grau de dificuldade supera as expectativas em +6,3%.
Outro dado curioso, e provavelmente inesperado para muitos, é o facto do Porto de Jesualdo conseguir surpreender mais nos jogos em que tem um favoritismo inferior ao adversário. +11,8% contra +9,9% para o mesmo número de jogos em ambos os casos.
O problema da irracionalidade das expectativas
A conclusão clara deste exercício é que a emoção retira lucidez às expectativas criadas. Apesar de ser, claramente, o clube com maior reputação a nível interno e ter também uma excelente consideração no plano europeu, o que lhe vale expectativas já de si elevadas, o Porto de Jesualdo tem conseguido superar o que dele é realisticamente esperado. Ainda assim, e ao fim de tantos jogos, o mito prevalece...
- Ver lista de jogos considerados
- Ver tabela de resultados acumulados

Ainda assim, e apesar da tal influência negativa do Sporting, Jesualdo consegue ter crédito nas principais competições. +9,1% nos 15 embates complicados realizados na Liga e uns impressionantes +23,5% nos 27 jogos teoricamente mais complicados que disputou na Champions League. Em termos de épocas, 08/09 foi a melhor, com +26,1% e a única negativa foi mesmo a primeira, 06/07, com um tangencial saldo de -1,3%. Já agora, e apesar da recente derrota na Luz, nesta temporada o aproveitamento azul em jogos de elevado grau de dificuldade supera as expectativas em +6,3%.
Outro dado curioso, e provavelmente inesperado para muitos, é o facto do Porto de Jesualdo conseguir surpreender mais nos jogos em que tem um favoritismo inferior ao adversário. +11,8% contra +9,9% para o mesmo número de jogos em ambos os casos.
O problema da irracionalidade das expectativas
A conclusão clara deste exercício é que a emoção retira lucidez às expectativas criadas. Apesar de ser, claramente, o clube com maior reputação a nível interno e ter também uma excelente consideração no plano europeu, o que lhe vale expectativas já de si elevadas, o Porto de Jesualdo tem conseguido superar o que dele é realisticamente esperado. Ainda assim, e ao fim de tantos jogos, o mito prevalece...
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28.12.09
Mercado: As aquisições de Benfica e Sporting

Benfica – Airton, Kardec, Eder Luis
Sobre Airton já aqui deixei uma opinião mais detalhada. Trata-se de um jogador com todas as características para substituir Javi Garcia e que poderá ser também alternativa para a posição de central. Mas o Benfica foi também à procura de uma outra solução para a frente de ataque. Alan Kardec foi o escolhido e estou em crer que há da parte do Benfica uma crença de que este jogador possa render mais do que a sua trajectória indica. Isto porque, depois de um inicio promissor em 2007, Kardec ofuscou-se dentro do panorama futebolístico brasileiro, aparecendo apenas no Mundial de sub 20 onde beneficiou das inúmeras ausências no ‘escrete’ para ser titular. Não é um jogador de estatura invulgar, mas tem no jogo aéreo a sua imagem de marca, conseguindo ser muito dominador nesse plano. Será a sombra de Cardozo e é provável que substitua um infeliz Keirrison. A troca percebe-se à luz das dificuldades que o ex-Coritiba vinha revelando, mas há também que dizer que será muito difícil alguém perceber uma troca deste tipo, olhando apenas o rendimento de cada um dos jogadores dentro do futebol brasileiro.
Entretanto, nas últimas horas, vem ganhando força a hipótese de Éder Luis. É um jogador que, tal como Tardelli, teve um crescimento considerável no último ano ao serviço do Atlético Mineiro. Éder Luis é um bom executante, mas é sobretudo pela velocidade que se destaca, ganhando especial protagonismo em situações de transição. Embora esteja a ser encarado como reforço para a linha da frente, estou certo que a sua aquisição, a confirmar-se, terá muito a ver com a sua polivalência. É que se Éder Luis vinha jogando como avançado no Atlético, no São Paulo experimentou muitas outras posições, especialmente junto das laterais.
Sporting – João Pereira e Pongolle
Terá sido a primeira surpresa do mercado. João Pereira foi aposta forte para a direita. Quanto à necessidade de reforçar a posição, há muito que ela é clara. Mesmo urgente, tendo em conta a falta de rendimento das soluções que aí vêm actuando. João Pereira tem tudo para triunfar. Apesar da sua postura por vezes demasiado temperamental, combina todas as qualidades que são necessárias a um bom lateral e muito dificilmente deixará de ser o dono da posição nos próximos anos em Alvalade. É, por isso, uma aposta segura. Há 2 pontos que quero ainda focar neste aspecto. Primeiro o custo. Tem sido algo comentado, mas creio que, atendendo ao contexto da transferência e ao que se pode esperar do jogador, o preço é apenas o justo. Não foi seguramente uma opção visionária do Sporting, mas também não me parece um negócio extraordinário para o Braga. Finalmente, referir que ficou por testar mais declaradamente Pereirinha na posição. É uma pena para o jogador, até porque, muito provavelmente a defesa será, mais tarde ou mais cedo, o seu destino no campo de jogo.O outro nome, Sinama Pongolle, também representa uma aposta importante. O perfil percebe-se perfeitamente. Pongolle oferece a Carvalhal a possibilidade de utilização, quer como extremo num 4-3-3, quer como avançado em 4-4-2, numa polivalência apenas apresentada por Vukcevic no plantel. Aliás, o montenegrino é quem tem o lugar mais ameaçado com este reforço. Pongolle terá seguramente qualidade suficiente para actuar de leão ao peito, a questão, no entanto, por saber até que ponto será mesmo uma mais valia. Algo que dependerá muito da atitude do francês. O que é certo, por agora, é que o Sporting precisa de mais capacidade no último terço para dar seguimento ao crescimento observado na fase de construção do seu jogo.
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24.12.09
Mercado: 5 oportunidades no futebol argentino
Recorrendo aos relatórios do “talented football”, deixo 5 nomes do futebol argentino merecedores de uma séria análise. São jogadores de reputação bem menor do que o seu real potencial e que não resisto a destacar. Aqui ficam:
Diego Rivero – Um “burrito”, de aparência idêntica a Ortega mas de perfil diverso. Foi quase sempre utilizado como médio ala mas é no meio que se agiganta. Forte em espaços curtos, agressivo sem bola e com muito boa capacidade de explosão (daí ter sido “confundido” com um ala)
Nicolas Gaitan – 21 anos e para o descrever sucintamente recorreria a um nome: Di Maria. Tem um perfil e potencial muitissimo parecido. É canhoto, explosivo mas precisa de melhorar as suas decisões. A única certeza quanto a diferenças? O preço!
Jonathan Gomez – 20 anos e também um nome para o descrever: Sá Pinto. Incrivelmente parecido na forma de jogar e correr com o agora dirigente do Sporting. Grande entrega, talento, mas também ainda um bom caminho por percorrer. A vantagem é que é ainda incógnito.
Gabriel Hauche – Talvez o mais “underrated” dos avançados do futebol argentino. 23 anos, pequeno, mas com uma qualidade que creio ser muito rara. Estou convicto de que explodirá assim que encontre um clube de maior dimensão. Já agora, também uma comparação: Michael Owen.
Darío Gandin – A sua explosão nos últimos 6 meses confirma que pode ser um caso sério como falso extremo. Não tem intensidade e agressividade tipica dos argentinos, mas tem enorme talento. Aos 26 anos é um risco, mas pode também valer a pena.
PS: Um bom Natal para todos!
Diego Rivero – Um “burrito”, de aparência idêntica a Ortega mas de perfil diverso. Foi quase sempre utilizado como médio ala mas é no meio que se agiganta. Forte em espaços curtos, agressivo sem bola e com muito boa capacidade de explosão (daí ter sido “confundido” com um ala)
Nicolas Gaitan – 21 anos e para o descrever sucintamente recorreria a um nome: Di Maria. Tem um perfil e potencial muitissimo parecido. É canhoto, explosivo mas precisa de melhorar as suas decisões. A única certeza quanto a diferenças? O preço!
Jonathan Gomez – 20 anos e também um nome para o descrever: Sá Pinto. Incrivelmente parecido na forma de jogar e correr com o agora dirigente do Sporting. Grande entrega, talento, mas também ainda um bom caminho por percorrer. A vantagem é que é ainda incógnito.
Gabriel Hauche – Talvez o mais “underrated” dos avançados do futebol argentino. 23 anos, pequeno, mas com uma qualidade que creio ser muito rara. Estou convicto de que explodirá assim que encontre um clube de maior dimensão. Já agora, também uma comparação: Michael Owen.
Darío Gandin – A sua explosão nos últimos 6 meses confirma que pode ser um caso sério como falso extremo. Não tem intensidade e agressividade tipica dos argentinos, mas tem enorme talento. Aos 26 anos é um risco, mas pode também valer a pena.
PS: Um bom Natal para todos!
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