25.11.09

O "quase" do dia

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24.11.09

Contas 08/09: Os números dos 3 grandes

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Porto
Há anos que é assim, e há anos que vem tendo sucesso. O grande pilar do modelo portista continua a ser a venda de jogadores. Só assim, e com os astronómicos valores conseguidos se cobrem, quer os elevados custos com o pessoal, quer as elevadas amortizações resultantes dos sucessivos investimentos no mercado. Todos os anos o balanço é o mesmo, ou seja, está a resultar, mas é muito arriscado. Se o Porto tiver alguns anos consecutivos de dificuldades desportivas e incapacidade para fazer mais valias, poderá acumular rapidamente grandes prejuízos, porque, quer as amortizações, quer os custos com o pessoal apenas poderão baixar ligeiramente no curto prazo. A verdade é que o passado recente tem demonstrado um Porto perfeitamente imune a esses perigos, em particular pela sua capacidade negocial, sendo que já tem, inclusive, mais valias garantidas para o próximo exercício.


Nota para o facto dos proveitos operacionais serem muito elevados, muito devido à rubrica “outros proveitos operacionais”, ficando por perceber a que se refere e ficando também a ideia de que será variável. Do mesmo modo, os elevados custos com o pessoal estão também influenciados pelos prémios de performance desportiva.

Sporting
A primeira nota vai para o facto do Sporting não apresentar contas consolidadas, o que influencia os totais de custos e proveitos operacionais, devendo este facto ser tido em conta quando se comparam os valores totais (mas não as rubricas individuais apresentadas).

As contas do Sporting são bastante sintomáticas em relação a vários aspectos. Em primeiro, em relação à realidade do futebol português e à sua dependência das transferências. Um clube com óptima campanha europeia a nível financeiro, com custos controlados e baixo investimento, se não tiver mais valias no mercado, acumula prejuízos consideráveis. Ou seja, o Sporting, apesar de ser de longe o mais controlado dos 3 grandes, permanece fortemente dependente das transferências.

Depois, fica claro que o Sporting não tem hoje nas rubricas operacionais mais importantes grande diferença em termos de receitas quando comparado com os seus concorrentes. O que tem é um risco muito menor...
Uma conclusão curiosa se pode retirar destes números. Apesar de investir metade dos rivais (veja-se amortizações) e apesar de gastar também metade em salários, não se recomenda, à luz dos números, maior investimento ao Sporting. Pelo contrário.

Benfica
Fosse o futebol e a sua gestão apenas números, e poder-se-ia dizer que numa Benfica se viveriam tempos de verdadeira loucura. Na prática, o que acontece é que se está a assumir um enorme risco, altamente dependente dos resultados desportivos e das mais valias em vendas. À luz destes números, com este nível de salários, com este nível de investimento e sem Champions League, o Benfica precisaria de fazer 37 Milhões de Euros anuais em mais valias com vendas de passes para equilibrar as contas. Não é fácil.

Na realidade esta é uma tentativa de aproximação ao modelo portista e, se é verdade que no Dragão a aposta tem correspondido, também parece difícil pensar que mais do que 1 clube em Portugal possa sobreviver dessa maneira. É que só ganha 1. Em breve poderemos ter a resposta, mas é provável que algum dos 2 se venha a dar mal no médio prazo.

Uma nota final sobre o Benfica e para referir a aposta que não está reflectida nestas contas e que tem a ver com os audiovisuais e com a Benfica TV. Há uma forte crença nessa via para conseguir fazer crescer os níveis de receita nos próximos anos, mas eu, particularmente, tenho muitas dúvidas sobre potencial de um futebol tão periférico como o português nos moldes actuais, seja para que clube for. O futuro o dirá...
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23.11.09

Benfica - Guimarães: culpa própria de uns, felicidade de outros

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Mau Benfica, grande Vitória? O resultadismo aconselha um balanço deste tipo, mas o jogo, realmente, não mostrou bem isso. A verdade, verdadinha, é que para explicar o jogo da Luz tem de se incluir o factor felicidade como um dos mais decisivos no seu desfecho final. Isto não invalida que o Benfica tenha estado anormalmente desinspirado ou, por outro lado, que o Vitória tenha demonstrado grande entrega e carácter ao longo dos 90 minutos. Muito menos deixa de ser mais um contributo para a sustentação de uma ideia que defendi aqui há dias, e que aponta para uma equipa brilhante, mas estranhamente mais orientada para o culto do golo do que da vitória propriamente dita. O Benfica cai cedo na Taça, e sem grande justificação para tal.

Antecipei aqui o crescimento do Vitória de Paulo Sérgio quando os resultados ainda não o apontavam, mas, desta vez, confesso que até me desiludiu. Primeiro, aceitando a aposta em Targino ao centro, pela profundidade que poderia dar, parece-me que a inclusão de João Alves tornou “coxa” a equipa. Porque não Rui Miguel? Depois, tendo uma intensidade e atitude forte no jogo, a equipa nunca conseguiu estar por cima no jogo. Teve alguns bons momentos, é certo, mas estes foram muito isolados e justificados mais por aspectos individuais, seja pela velocidade de Targino, ou pelo virtuosismo técnico da dupla Assis-Desmarets, do que por mérito colectivo. Na verdade houve sempre grandes dificuldades para sair a jogar e evitar o pressing encarnado, e, pior ainda, o próprio pressing nunca foi agressivo sobre as zonas base da primeira fase de construção encarnada, tornando-se progressivamente mais baixo. Na segunda parte, então, praticamente convidou o Benfica a cair em cima da sua área, tão atrás que jogou. Valeu a entrega e o sacrifício.

Mas, se o Vitória foi feliz na forma como conseguiu o triunfo, o Benfica deve muito a si próprio. O grande destaque, para uma equipa que dominou quase sempre o jogo, vai claramente para a desinspiração criativa. Aimar, Saviola e Di Maria são recorrentemente os jogadores que mais desequilíbrios conseguem criar neste Benfica e, destes três, apenas o 10 esteve relativamente próximo do que produz habitualmente. Retirá-lo do campo também não terá ajudado muito para quem precisava tão desesperadamente de um resgate criativo. A consequência foi um jogo de muita quantidade mas pouca qualidade e isso, com alguma infelicidade à mistura, ditou o afastamento.
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Rio, 40 graus, e tudo em aberto no Brasileirão!

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20.11.09

As 3 semanas de Queiroz: eu acredito!

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Não tinha o perfil que entendia ser mais adequado, tal como referi na altura, mas não me impede de sentir alguma desilusão com o primeiro ano da “era Queiroz”. Não pelas dificuldades que sentiu no apuramento, mas porque esperava que Queiroz conseguisse o que Scolari nunca conseguiu, ou seja, fazer evoluir o modelo de jogo nacional. E a verdade é que isso, em qualidade, não aconteceu. Queiroz invocou-o e por ter alguma legitimidade no argumento, julgo ser-lhe devida uma última oportunidade. Um benefício, que conquistou com o triunfo da “operação Bósnia”. Não, não tem a ver com os resultados. Tem, isso sim, a ver com o tempo de treino que Queiroz não teve de forma contínua, mas que agora terá, às portas do Inverno africano. 3 semanas.

O futebol é um jogo colectivo e, como tal, precisa sobretudo de um enfoque colectivo. As individualidades são sempre uma questão secundária em relação ao colectivo. Foi assim que, por exemplo, Scolari, conseguiu a superação de um todo, mesmo sem levar, em absoluto, aqueles que eram individualmente melhores. O problema, repito a ideia, é que o brasileiro se ficou sempre pela vertente psicológica do trabalho colectivo e nunca conseguiu nada em termos tácticos.

A focalização de Queiroz foi, desde o inicio, outra. Por isso criticou tantas vezes o facto de haver poucos jogadores com experiência na Selecção, e por isso também, se concentrou sobretudo em encontrar novas soluções individuais. Individuais. Não espanta que as coisas colectivamente tenham sido difíceis...

Mas algumas coisas foram mudando. Talvez tenha sido do choque dos resultados, agravado pelo traumatismo provocado pela goleada no Brasil, talvez tenha sido apenas pela natural estabilização das suas próprias ideias. A verdade é que a famosa frase de Queiroz sobre quem iria com ele para a selva, teve efeitos práticos. Escolheu os seus homens de confiança, colocou-os sempre em campo e, tal como Scolari, tirou proveitos a prazo. Pelo meio tivemos uma proveitosa experiência pelo 4-4-2, protagonizando a melhor exibição portuguesa da sua era, em terras dinamarquesas. Um momento curto e que espero possa ser apenas o aperitivo para Junho.

Fico, pois, à espera do produto das tais 3 semanas que Queiroz tanto reclama, na ilusão de que delas resulte um candidato ao título mundial. E eu acredito que é possível.
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Um título perdido... ao soco!

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19.11.09

Bósnia - Portugal: O saber, a arte maior

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Houve um tempo em que os confrontos decisivos eram, para Portugal, sinal de lição adversária. Tantos e tantos foram os jogos que ditaram essa regra que ainda hoje se recordam as excepções como momentos épicos do nosso futebol. Esse tempo é, agora, apenas passado. Portugal fez na Bósnia uma demonstração de maturidade e deu aos bósnios o mesmo veneno que provara durante décadas a fio. De nada lhes valeu a determinação, a agressividade e algum talento. O saber foi a arte maior.

Não se pode falar de “bom jogo” de alguém, numa partida com estas características. Foi, aliás, um péssimo jogo do ponto de vista técnico, sendo apenas salvo pela intensidade a que se disputou. Mas pode-se falar, da parte de Portugal, de um jogo sério e de grande lucidez. Esse foi o grande mérito de Portugal, a lucidez. Nunca arriscou a perda em zonas recuadas, nunca permitiu que a Bósnia jogasse em transição e, por outro lado, nunca facilitou o jogo directo adversário, que raramente protagonizou jogadas com alguma probabilidade de sucesso. E, assim, tudo ficou mais fácil.

Foi o final justo para uma qualificação sofrida. Justo, porque apesar das insuficiências verificadas em vários momentos, Portugal provou ser uma Selecção bem mais forte do que qualquer outra que defrontou. Sofrida, não só porque se alongou até tão tarde, mas pelos problemas que o seu futebol foi revelando em atingir o potencial que dele se espera. Algo que terá de ser melhorado até Junho, mas que agora passa para segundo plano. Para já, é tempo de respirar fundo...
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18.11.09

Que não nos falhem!

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Entre os inúmeros e variados cânticos das claques argentinas, há uma frase que sintetiza, afinal, aquilo que se pede desde as bancadas para o relvado. “No le falles a tu hinchada”. E esse é precisamente o pedido que se ajusta a este momento decisivo da Selecção. Que possamos estar também representados no mais importante evento futebolístico mundial, que façam também parte dessa História, que não nos cortem raso o sonho de ouvir repetidamente o hino pelos estádios da África do Sul. Que não nos falhem!

Se havia dúvidas sobre o que se vai passar na Bósnia, elas estão dissipadas. E, se calhar, foi melhor assim. Evita a surpresa no dia do jogo. Se nos tivessem passado a mão pelo pêlo e depois nos confrontassem com um inferno na hora da verdade, aí, talvez se pudesse falar em surpresa. Assim, todos têm de estar preparados.

Mas, para além da determinação, da agressividade ao limite, que estratégia podemos esperar por parte destes bósnios enraivecidos? Na minha opinião, será um engano pensar que se atirarão para cima de Portugal desde apito inicial. Tacticamente, isto é. Não faz sentido para a tipologia de jogo da Bósnia, adiantar linhas e tentar empurrar Portugal para o seu meio terreno. Não têm qualidade global para isso e, por outro lado, qualquer erro poderá ser-lhes fatal. Talvez tenhamos uma agressividade orientada para um zona pressing média-baixa e densa, para onde tentam atrair Portugal para, depois, recuperar e lançar rapidamente as suas transições, tirando partido do espaço e das características dos seus dianteiros. Quando tal não for possível, quando tiverem de organizar, não tenham dúvidas, virá “chuveiro”, directamente para o jogo aéreo dos 2 atacantes. Esta deverá ser a estratégia inicial de Blazevic, que terá nas dimensões reduzidas do campo e no estado do relvado, aliados de relevo.

Aqui ficam alguns pontos estrategicamente importantes para o jogo:
- A intensidade terá de ser outra, bem maior do que aconteceu na Luz. Isso é ponto assente.
- Evitar a todo custo que a Bósnia tenha condições para jogar em transição. Segurança em posse e equilíbrio táctico com bola serão as receitas para que este propósito seja bem sucedido.
- Em organização defensiva, contrariar o jogo directo adversário. Manter linhas compactas (particularmente o espaço entre centrais e médios) será fundamental para a controlar as segundas bolas e o pressing deve funcionar de forma a que o jogador que fizer o lançamento o faça sempre nas piores condições possíveis e o mais atrás possível.
- Se os pontos anteriores forem cumpridos, dificilmente algo correrá mal (há ainda o pesadelo das bolas paradas). Faltará a estocada final e aqui o “pressing” pode ser fundamental. O relvado será mau para os 2, mas pior para quem, mesmo quando ele é bom, tem dificuldades. Identificar momentos de pressão na construção bósnia poderá resultar em recuperações altamente perigosas e possivelmente fatais. Se tudo correr bem, o tempo transformará o entusiasmo em ansiedade e se Portugal não baixar a sua intensidade no jogo (com e sem bola, entenda-se), dificilmente não tirará proveito dessa situação.
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