4.11.09

Apoel - Porto: Oitavos garantidos...mas falta o resto

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Fácil, talvez seja excessivo. Afinal estamos a falar da Champions. Mas se era importante ganhar, o Apoel não deveria ser seguramente o impedimento. Apesar do ambiente, apesar da vontade. E não foi. Não foi mas esteve perto de ser, porque o Porto, sendo sempre superior, voltou a revelar incapacidade no último terço. Incapacidade criativa e conclusiva. Um mal que, a par de alguns momentos individuais deve preocupar numa época de grandes exigências. Enfim, para já vale a vitória, que era mesmo o mais importante.

A vontade do Apoel não dava para tudo. Sobretudo ao nível da segurança em posse revelou, tal como no Dragão, enormes problemas. Problemas que deveriam ter, bem mais cedo, garantido a vitória. Mas isso não aconteceu e não aconteceu porque, primeiro, não há na equipa portista um entrosamento no último terço que permita a fluidez que se espera, e, depois, não houve também nervo para concluir da melhor maneira jogadas de golo eminente que foram acontecendo. O resultado foi o passar do tempo e o aumentar do risco.

A organização mantém-se muito boa. Sem bola, o pressing não tem a excelência de outros tempos, mas mantém-se com agressividade e competência suficiente. Isto quando tem Falcao a 9. Com bola, os problemas são maiores. O entrosamento do trio ofensivo não é ainda o melhor e terá de evoluir tal como aconteceu na época anterior. Mas o problema não se esgota aí. Na linha média, Jesualdo não encontrou ainda um jogador que ofereça rendimento global (com e sem bola) para a meia direita e, do outro lado, Meireles está irreconhecível, perdendo-se assim grande parte da qualidade criativa. Outra qualidade da equipa está normalmente nos laterais. Mas, como se não bastasse, a ausência de Fucile também vem retirar arrojo ofensivo.

O Porto não é nem nunca será uma má equipa. Será sempre uma boa equipa, bem organizada e que sabe o que quer de todos os momentos do jogo.O problema, tal como já referi noutras ocasiões, é que ao Porto exige-se sempre mais. Exige-se a excelência. Jesualdo tem conseguido evoluções fantásticas em vários jogadores, atenuando perdas individuais sucessivas. Este ano, porém, vejo tudo mais difícil. A excelência, isto é...
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Da Champions vem o aviso...

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3.11.09

As duas faces de Ramires

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O vídeo mostra a melhor face de Ramires. Aquela que lhe vale destaque, golos e utilidade táctica. É o seu fantástico comportamento em transição, a crença que põe em todos os seus movimentos sem bola, aproximando-se da zona de finalização como se fosse certo que a bola irá ter com ele. Mas, ao contrário do que algumas análises precoces, incentivadas pela frequência goleadora do jogador, fizeram crer, Ramires não é um jogador totalmente adaptado à sua posição. Para ser realmente um jogador de elite precisa de percorrer ainda uma etapa, algo que era previsível para quem já o conhecia e que, por exemplo, em Braga ficou bem claro...

Minuto 7, livre de Viana. Todos sabemos o desfecho, mas se recuarmos uns segundos chegamos à origem do lance. Perda de bola de Ramires no flanco direito, não conseguindo desequilibrar na ala e dando origem à transição de que resultaria o fatídico livre. Para ser honesto, a decisão nem é um ponto fraco do ex-Cruzeiro, mas, pela importância, esta será provavelmente a jogada que mais simboliza a pouca utilidade de Ramires na primeira parte, quando a equipa precisava de encontrar soluções em organização ofensiva. Esse sim é o problema de Ramires, a organização ofensiva.

Começou como médio utilitário, de combate. “Volante”. O destino (e Adilson Batista), no entanto, ditou que se destacasse mais à frente, pelos golos e desequilíbrios que provocava em transição. “Meia”. A transformação, no entanto, não foi completa. Ramires passou de “Volante” para “Meia”, mas não ganhou a característica que mais define os criativos. O gosto em ter a bola. Por isso, quando o espaço e a transição não aparecem, Ramires não se sente desconfortável em permanecer escondido do jogo. Por isso tem tantas dificuldades em criar e desequilibrar quando os espaços são escassos. Por isso, em organização, Ramires não é ainda um verdadeiro “Meia”, mas sim um “Volante” disfarçado.
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Académica - Guimarães: Pode ser mesmo um caso sério...

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Não resisto a comentar este jogo. A qualidade da sua primeira parte no Dragão abriu o apetite e levantou a dúvida. Em Coimbra a sequência foi... notável. Absolutamente notável. Num outro registo, com outras referências para um pressing que se queria mais alto e com uma posse valorizada. Tudo diferente, mas com a mesma qualidade de organização colectiva e mantendo sempre grande capacidade de reacção aos momentos do jogo. O primeiro golo foi fundamental, é certo, e não se saberá o que sucederia se ele não tivesse acontecido, mas isso não apaga a qualidade do que se viu.
Já agora, sobre o Vitória, convém dizer que não foi uma exibição preocupante, nem sequer negativa, apenas condicionada. Fortemente condicionada. Para o Braga não se prevêem facilidades em Guimarães...

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Volta ao mundo - 13 golos que valem a pena

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2.11.09

O erro de Paulo Bento

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A crise transbordou. Do relvado para as bancadas e, agora, destas para fora. A pressão externa é agora uma espécie de catástrofe natural para o futebol do Sporting. Incontrolável e devastadora. Recuando alguns meses no tempo, há uma decisão que se prova agora errada e que definiu a continuidade de Paulo Bento à frente do Sporting. Não, não estou a falar do convite de Bettencourt, estou a falar do “sim” do treinador...

Discutir o título em 3 dos 4 últimos anos, aumentou a exigência para zonas perto da tolerância zero. Talvez Paulo Bento, ele próprio, se tenha deslumbrado com a freqüência com que disputou o objectivo, mesmo com menores condições, e resolveu aceitar novo desafio. Um erro, prova-se. A liga tornou-se mais difícil e, mesmo se o futebol do Sporting se apresenta num nível abaixo do exigível, a verdade é que também não demonstra potencial para atingir o patamar necessário. Ao desgaste juntava-se, portanto, o insucesso improvável na liga, combinando para uma fórmula que terminaria sempre em altos níveis de contestação. Talvez não tão cedo, é certo, mas altamente provável.

Se Bettencourt tomou a óbvia decisão de apostar em quem tinha conseguido mais com menos, Paulo Bento poderia ter evitado o seu próprio prejuízo, tornando-se no mais prejudicado com a situação. Sim, porque por muito que custe aos adeptos do Sporting, Paulo Bento, tendo responsabilidades óbvias na actual situação, está longe de ser a caixa de pandora do futebol leonino. Muito longe, aliás.

Se sair, com ele irá a pressão do momento, mas não os problemas crónicos do futebol do Sporting. Isso dependerá sempre de quem venha a seguir e, desde já antecipo, que não será fácil encontrar uma solução que melhore os resultados dos últimos anos. Tanto mais que o ‘timing’ para escolher sucessor é também um problema...
Talvez seja interessante pensar quem saiu mais prejudicado com a continuidade do treinador em Alvalade. Paulo Bento ou o Sporting? Eu tenho poucas dúvidas...
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Braga - Benfica: direito a sonhar

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Se os jogos grandes fossem uma receita de culinária, o jogo de Braga seria uma confecção perfeita. Teve tudo, todos os condimentos que habitualmente caracterizam um jogo entre adversários rivais e de valia semelhante. Este é, desde logo, o maior elogio que se pode fazer ao Braga e um que o cola definitivamente ao tão discutido rótulo de candidato. Como jogo grande que foi, não teve um desfecho indiscutível ou inevitável, mas teve um Braga que, mais do que em qualquer outro jogo, terá conquistado, pelo menos, o direito ao sonho...

Todas as fases num jogo desta intensidade são fundamentais, mas os primeiros minutos foram-no especialmente. Ser mais intenso, entrar melhor foi importante e capitalizar isso com um golo tornou-se decisivo. Deu confiança ao Braga e, mais importante ainda, fez do relógio um aliado estratégico, um catalisador de ansiedade para o futebol do Benfica.

A primeira parte do Braga foi fantástica. Muito concentrado, muito reactivo, muito compacto, muito pressionante. O Benfica sentiu tudo isto na sua organização ofensiva, incapaz de definir bem o primeiro passe, de encontrar Saviola e soltar Aimar. A consequência foi uma dependência grande dos momentos de transição para definir desequilíbrios no jogo. E, aí, se é verdade que as oportunidades foram poucas e que o Benfica poderia ter empatado, também é um facto que o Braga poderia ter duplicado a vantagem até ao intervalo.

Depois do intervalo, um jogo diferente. As expulsões ajudaram à mudança e, sobre o seu efeito, gostaria de perguntar... Se o futebol é um jogo de espaços, como é que retirar 2 jogadores da equação beneficia quem defende?! É que se eu quisesse defender gostaria era que houvesse mais jogadores, nunca menos... Sofismas à parte, o efeito real das expulsões viu-se na dificuldade que o Braga sentiu após o intervalo. A sua ocupação de espaços tornou-se mais deficitária e o futebol benfiquista passou a chegar com facilidade ao último terço. O empate esteve eminente e o domínio foi avassalador até ao minuto 67. Aí sucedeu a primeira transição perigosa do Braga, protagonizada por Evaldo. É curioso como alguns momentos, mesmo não mexendo com o marcador, afectam o jogo. Sentiu-se, finalmente, que havia também uma exposição espacial que poderia favorecer o Braga. O Benfica tornou-se mais ansioso e o Braga menos encolhido. 10 minutos volvidos, Paulo César marcou.

Nota final sobre o Benfica. A bola é redonda, mesmo para os melhores. O Benfica é, até ao momento, a melhor equipa do futebol nacional, com uma qualidade fantástica. Uma vitória em Braga poderia ter tido um efeito mental enorme, quer na própria equipa, quer na concorrência. É uma oportunidade perdida, mas deste jogo não resulta nenhum indicio especialmente preocupante. Mais elogio à performance do Braga, portanto...
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Porto - Belenenses: Surpresa e... culpa própria

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Foi, de facto, surpreendente. Já o seria tendo em conta aquilo que se projectava deste jogo, mais ainda o foi depois de a ele se ter assistido. É que o Porto não encontrou no Belenenses um adversário diferente daquilo que se esperava. Particularmente difícil, isto é. A organização ofensiva foi tema de conversa de Jesualdo no pós jogo. O assunto merece reflexão, mas eu orientá-lo-ia para conclusões algo diversas do que tem sido sugerido. Para começar, parece-me errado confundir ou meter no mesmo saco o que se passou neste aspecto frente a Académica e Belenenses. Semelhantes? Pura ilusão...

Qual é, então, a diferença entre as primeiras partes frente a Académica e Belenenses? Ambas revelaram dificuldades do Porto para desequilibrar em organização ofensiva, é certo, mas em fases diferentes. Frente aos estudantes houve mais mérito do adversário, que condicionou a primeira fase desse momento, o primeiro passe. Desta vez, não foi isso que aconteceu. Porque o Belenenses não teve, nem de perto, a qualidade posicional da Académica e porque, ao contrário do que se possa oportunisticamente vender, o Porto é forte nessa primeira fase de organização. Apresenta boa circulação na linha mais recuada e boas combinações que fazem a bola entrar com frequência no bloco contrário.

E é este o primeiro motivo que faz deste um jogo particularmente surpreendente. É que normalmente os problemas das equipas em organização ofensiva estão resolvidos quando a bola consegue chegar com frequência e jogável às imediações da área contrária. E isso aconteceu frente ao Belenenses. O problema esteve depois, na criatividade, na inspiração e na capacidade de desequilíbrio no último terço.

O segundo motivo tem a ver com uma característica marcante deste Beleneneses e que o tornava especialmente vulnerável neste tipo de jogos. É que o Belém abusa da posse em zona recuada. Como nenhuma outra equipa na liga. Tem qualidade na forma como sai a jogar, mas fá-lo a partir de zonas demasiado recuadas e raramente consegue dar profundidade a essas iniciativas. Isto é, obviamente, um isco para o ‘pressing’. Se ele tivesse funcionado, o Porto teria tido recuperações em zona mais alta e, consequentemente, transições muitíssimo perigosas. Na prática, no entanto, isso aconteceu apenas 1 vez e o resultado foi que essa característica do jogo do Belém se tornou, afinal, numa arma para fazer o tempo passar e retirar ritmo ao jogo portista. E como isso lhe foi útil no primeiro tempo.

O empate, face a estas características, não era preocupante ao intervalo. Acelerando, facilmente o Porto chegaria ao golo. O problema foi, claro, a primeira jogada do reatamento. Tudo se complicou, e esse revelou-se um contratempo que, combinado com a falta de eficácia, se tornou fatal.

Uma nota final para Lima. Ia fazê-lo mesmo que não tivesse marcado, porque o destaque não vem deste jogo. É uma mais valia para o ataque do Belenenses e tem-lhe valido o resgate de alguns dissabores prováveis. Já conhecia este jogador e é, para mim, a evidência de como na segunda linha do futebol brasileiro moram inúmeras mais valias para a maioria das equipas da nossa liga principal.
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