6.10.09

Paços - Benfica: Sem pressing, vale a inspiração

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Ponto a ponto se vai desvendando a Liga 09/10. Ou melhor, vitória a vitória, porque ponto a ponto ninguém lá chega. Se a Mata Real já é, à partida, um dos palcos mais complicados da liga, as condicionantes faziam desta uma deslocação particularmente arriscada para o Benfica. Pode não parecer pela facilidade com que ficou resolvido, mas a verdade é que o jogo confirmou todas estas dificuldades que se previam para o Benfica. Só em Guimarães sentiu tantas dificuldades e, tal como nessa altura, valeu-lhe mais a eficácia do que o brilhantismo exibicional. No fim, tudo somado, pouco importa. A vitória era o essencial, até porque um campeão não se faz só de exibições floreadas. 

Há um jogador que define bem o que foi o Benfica na Mata Real. Carlos Martins. Tinha o espinhoso papel de substituir Aimar e todos o apontam como o herói da partida. Foi-o, de facto, se pegarmos apenas nos momentos em que o Benfica tinha a bola nos seus pés. Acontece que a importância de “El Mago”, e apesar do talento que se lhe reconhece, não se esgota na sua capacidade criativa. Sem bola, Aimar é também essencial, pela forma como pressiona e liga os sectores, tornando o Benfica numa equipa mais forte em todos os momentos do jogo e não apenas quando tem a bola. Carlos Martins não é assim. Aliás, ninguém é no plantel do Benfica que sentirá mais dificuldades sempre que não tiver Aimar.

Outras vezes temos assistido a exibições absolutamente dominadoras da parte do Benfica, juntando à mais valia individual, um comportamento colectivo também amplamente superior aos adversários. Desta vez não foi assim. Resolveu o jogo bem cedo, mas também desde bem cedo se perceberam as dificuldades que teve para impor a autoridade habitual. Menos reactiva a posicionar-se no campo, menos agressiva na disputa dos lances, teve sempre dificuldades em fazer do pressing alto uma arma. O Paços dividiu o jogo, criou ocasiões mas isso não era suficiente. Era preciso ser também eficaz junto das balizas, onde o jogo se define. Como isso não aconteceu, aquilo que podia ter sido uma grande exibição terminou numa luta inglória contra um prejuízo praticamente impossível de recuperar. Não aconteceu, mas ficou pelo menos claro que não será fácil alguém voltar a ganhar na capital do móvel...
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Volta ao mundo: Riquelme e outros golos do fim de semana...

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5.10.09

Sporting - Belenenses: Definitivamente, em crise!

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Afinal, o Hertha era apenas o aperitivo. A intranquilidade agudizou a reconhecida incapacidade e, 3 dias volvidos, eis que Alvalade entra num verdadeiro clima de crise. O jogo deixou sinais claros sobre vários aspectos do futebol verde e branco mas a sua mais importante consequência é outra. Para o Sporting e à 7ªjornada, o campeonato não é mais do que uma miragem. E se isso é, em parte, explicado por uma concorrência forte, é também um motivo mais do que suficiente para uma reflexão séria ao nível técnico. Porque a culpa própria é muita.

Se olharmos para exibição leonina de forma separada, entre o comportamento com e sem bola, encontramos um impressionante contraste qualitativo. Sem bola, diria, o Sporting criou todas as condições para conseguir uma vitória mais do que fácil. Aproveitando o facilitismo do Belenenses (que neste registo não ganhará mais pontos em qualquer jogo frente a um “grande”), pressionou e garantiu um domínio absoluto do jogo. Com bola, por contraponto, uma gritante incapacidade para aproveitar todas as facilidades que o jogo lhe oferecia.
Este contraste revela, aliás, muito dos méritos e defeitos de Paulo Bento e da sua liderança técnica. Por um lado, o Sporting é uma equipa bem organizada, capaz de ser forte e organizado nos seus momentos defensivos. Quer em transição, quer em organização (apesar dos erros individuais que têm penalizado este aspecto nesta temporada). Por outro, ofensivamente o Sporting parece perpetuar os seus problemas que se arrastam desde há muito. As rotinas colectivas, particularmente em organização, não revelam grandes melhorias qualitativas e se isso poderia ser atenuado com uma tentativa de tirar o melhor das peças existentes, tal também não sucede. Pegando no exemplo do Belenenses, a insistência na colocação de Vukcevic à esquerda, a re-utilização de Angulo de inicio depois do sub rendimento revelado frente à Olhanense e, finalmente, voltar a relegar Caicedo para o banco quando tinha feito uma exibição positiva (dentro do que a equipa lhe ofereceu) frente ao Hertha. São opções que não abonam a favor da leitura que Paulo Bento faz da situação e que, na minha opinião, condicionaram muito as hipóteses de vitória da equipa.
É fácil pedir atitude e entrega e é verdade que quando a inspiração aparece tudo parece mais fácil, mas os problemas vão bem para além desses aspectos. Para Paulo Bento só há uma solução realmente útil. Parar, analisar e fazer uma reflexão profunda sobre os problemas da equipa, particularmente no capítulo ofensivo, partindo depois para a sua correcção no terreno. Se isso não for feito em aspectos que até agora permaneceram imutáveis com o passar do tempo, o Sporting pode melhor circunstancialmente – e certamente o fará – mas nunca dará o salto qualitativo que a situação exige.
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Volta ao mundo - 13 jogos do fim de semana

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2.10.09

AEK - Benfica: Uma queda que não tem que ser um trambolhão

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Eis que aconteceu! Não é a primeira derrota, mas é a primeira que surge num jogo em que, claramente, o resultado não era indiferente. É um momento confuso para quem vê as coisas de uma perspectiva mais resultadista, sendo susceptível de levantar questões sobre se estará aqui um ponto de inflexão no futebol encarnado. Não está. Euforias e estádios cheios à parte, o futebol do Benfica tem uma qualidade adquirida, que não é apenas individual mas também colectiva. Em Atenas – logo em Atenas! – houve um Benfica abaixo do que pode fazer, mas isso não implica que não possa rapidamente recuperar o seu nível. Euforias à parte, importa repetir.

O AEK estava obviamente motivado, provavelmente bem alertado para o momento do Benfica. Isso não impediu, porém, que o Benfica fosse mais forte. E foi-o, não só no inicio, mas de uma forma geral. O problema é que essa superioridade não foi suficiente para se manter à margem de um deslize. Não teve a autoridade habitual e, em certos momentos, isso implicou mesmo a perda do tal domínio que o modelo encarnado tanto procura.

A problemática que resultou na exibição abaixo do par, terá tido origem num misto de pouca atitude e falta de inspiração. Em termos práticos há 2 momentos do jogo em que a quebra se sentiu. Primeiro, e mais importante, na transição defensiva. Aquele que será, provavelmente, o mais importante pilar do jogo encarnado não esteve como devia. A reacção à perda de bola não foi tão rápida e agressiva e isso permitiu que o AEK fosse progressivamente alongando o campo e, por consequência, alongando a equipa encarnada, que passou a jogar de forma menos compacta. O outro momento é, obviamente, o da organização ofensiva. Jesus queixou-se do estado do terreno e esse terá sido, de facto, um problema para quem precisa de jogar com tanta certeza como o Benfica. Mas não foi só por aí. Para além dos erros técnicos eventualmente catalisados pelo tal problema ao nível do solo, houve também uma menor capacidade para protagonizar jogadas de envolvimento dentro do bloco grego. Aqui, e contrastando com o também influente Saviola, importa referir Aimar como elemento mais inspirado e desequilibrador.
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Sporting - Hertha: Vitória e assobios

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Vitória com assobios. Algo que aparentemente não faz sentido, mas que no caso do Sporting e, em particular na Europa, é tudo menos original. De facto foi um jogo pouco inspirado da parte do Sporting, sem rasgo nem nervo, aparentando pouca motivação para fazer mais. Os motivos que encontro são vários, mas o que julgo ser mais importante dizer é que, ao contrário de outros jogos, este não me pareceu particularmente preocupante em relação ao Sporting.

Sintetizando, houve, a meu ver, 4 motivos para o frouxo futebol leonino. Erros individuais, incapacidade do pressing, o efeito de uma vantagem conseguida cedo e, finalmente, pouca capacidade no último terço.

Começando pelo primeiro, os erros individuais. Importa sublinhar o efeito do arrastamento de Miguel Veloso para a esquerda, com Adrien bastante inseguro ao nível da posse a trazer uma perda evidente de qualidade da mesma. Depois há que reforçar casos como Moutinho, Liedson, Vukcevic e Abel, bastante erráticos para aquilo que é costume. A este problema de ordem individual e que se agigantou com o aproximar dos minutos finais, há que acrescentar a saída de Matias Fernandez, um dos mais assertivos jogadores do Sporting neste aspecto.

O segundo motivo, a incapacidade do pressing. Foi isto que fez com que o Hertha tivesse mais tempo de posse de bola do que seria desejável e que impediu o Sporting de ter o domínio do jogo. Há em parte demérito do Sporting por alguma falta de agressividade em certos lances, mas há também mérito do Hertha e em especial de Raphael (o melhor em campo, a milhas dos outros) que saiu várias vezes de zonas de pressão bem criadas pelo Sporting. Apesar disto, e é bom que se diga, a posse do Hertha foi sempre relativamente bem controlada pelo Sporting que apenas permitiu meias distâncias. Pode não parecer, mas é um dado importante tendo em conta a insegurança que a equipa vem sentindo neste plano.

O terceiro motivo, o efeito de um golo cedo. Na verdade há um conjunto de factores que poderá ter contribuído para a pouca intensidade que os jogadores colocaram na partida. Primeiro essa ausência de pressão com o golo de Adrien, depois o facto do ambiente também não ser propriamente intenso e, finalmente, a própria motivação que o jogo e o adversário nunca trouxeram.

Finalmente, o mais importante de todos os motivos, porque é o mais crónico. A falta de capacidade no último terço. Na verdade este problema pode extender-se a todo o processo ofensivo. O Sporting precisa objectivamente de ter soluções mais sistematizadas para fazer a bola entrar no bloco contrário e, muito importante, fazê-lo em concordância com o potencial dos seus jogadores. Matías Fernandez já foi um caso bastante abordado, mas julgo que, embora ainda longe do óptimo, a sua integração tem sido crescente. O caso mais flagrante, porém, é Vukcevic. É um jogador que não traz nada em termos de organização ofensiva neste momento, agarrando-se demasiado à linha, não criando jogadas de envolvência e terminando repetidamente em situações de aperto junto da bandeirola de canto. Paulo Bento tem de encontrar outra solução para este jogador que é forte sobretudo em situações onde possa “ter baliza”. Ou na frente, ou, talvez, na direita. Finalmente, e porque nem tudo é mau, Caicedo este bem melhor do que nas outras aparições, dando indícios de que, afinal, pode ser uma solução útil.
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1.10.09

Porto - Atl.Madrid: Tacticamente superior

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Deve ser enigmático para quem de fora acompanha os constantes feitos portistas frente a equipas que, ano após ano, têm mais recursos. De facto, seria algo para ser explicado nos domínios do sobrenatural não tivesse o futebol uma pequena componente denominada “táctica”. Não porque a “táctica” seja um segredo nacional, mas porque entre Atlético e Porto há um grande diferencial entre a qualidade dos comportamentos colectivos. Por isso o Porto dominou e por isso desde cedo se aproximou de uma vitória que lhe acabou por sorrir. Sem discussão, diga-se.

Não era preciso ver mais de 10 minutos do jogo para perceber naquilo em que se iria tornar. Quando uma equipa pressiona e a outra espera, quando uma equipa se move em conjunto e outra se desmembra com facilidade, só há um cenário provável. O domínio da primeira sobre a segunda, ou, neste caso concreto, do Porto sobre o Atlético. E assim foi.

Face a este contexto, pode dizer-se, demorou muito que o Porto conseguisse materializar a sua superioridade. Jesualdo falou dos 4 centrais do Atlético e das dificuldades que os “colchoneros” criaram na zona mais recuada. Não é por ter 4 jogadores com essas características, mas sim pelo aglomerado de jogadores que o Atlético reservava para a frente da sua área. O Porto dominava mas tinha dificuldade em ultrapassar essa barreira.

E aqui entram os pontos que impediram o Porto de ter ainda uma partida mais confortável. Os mesmo, no fundo, que o impedem de ser neste momento mais forte. Primeiro, a dependência das acções de Hulk para criar desequilíbrios, com a equipa a ter dificuldade para encontrar outras soluções no último terço, sejam elas colectivas ou individuais. Tudo isto, claro, se tornava mais problemático quando Hulk saía da direita, tornando-se num jogador de rendimento absolutamente contrastante do outro lado do campo. Depois, a incapacidade do pressing em ser mais forte e autoritário durante mais tempo. Aqui, há que descontar a relevante atenuante da qualidade individual dos jogadores do Atlético que, mesmo sem grande ordem, lá conseguiram por vezes soltar-se.

Estes aspectos não puseram em causa o controlo do jogo, mas determinaram um adiamento da sua decisão que podia, com alguma facilidade, e apesar de tudo, ter-se arrastado para um ingrato 0-0.

Abençoado falhanço
Excelente passe de Meireles e fantástico improviso de Falcao. Mais curiosa, no entanto, é a acção de Hulk. Da bicicleta puxa um remate que sai bem. Com o pior pé. E quando a bola lhe ressalta para o esquerdo, mais habilitado, ele... falha. Faria sentido se fosse visto ao espelho. Assim não faz, mas o falhanço foi de facto abençoado.

Atlético: Uma pena...
Faz confusão como é que tanto potencial individual é tão banalmente aplicado. Esta equipa do Atlético tem potencial para discutir qualquer jogo com qualquer equipa e para ser um perigoso “outsider” na Champions. Mas não é. Não é porque não sabe pressionar, porque se limita a esperar pelo adversário e porque quando tem de atacar, seja em transição, seja em organização, esbarra sempre numa imediata dependência do improviso individual. Não é no último terço, é logo no primeiro passe. Outra coisa que espanta é a evolução desta equipa desde a pré época. Fez uma primeira parte bastante boa na Luz, mas de lá para cá parece ter regredido.
Diria, para ser ousado, que em vez de vir gastar milhões para levar jogadores, e por muito menos, o Atlético levaria de cá um treinador e teria, realmente, uma equipa.

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Dzagoev e outros golos...

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Se calhar já era tempo de alguém o levar para o campeonato ao seu nível...



Falcao e Tihinen, em circunstâncias diferentes, finalizações semelhantes...




Hugo, o que era para vir para o Sporting, decidiu a virada do São Paulo... à bomba! O jogo só teve... 5 expulsões!


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