4.9.09
3.9.09
A palestra de Guardiola
O vídeo fala, literalmente, por si. A palestra de Guardiola após os 90 minutos frente ao Shakhtar. O que fazer ao fim de 90 minutos sem golos? Meter mais avançados? Procurar outras soluções? Mudar de sistema? Mudar seja o que for? Não. Claro que não. Pelo contrário...
A melhor equipa do mundo não o é por acaso.
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A melhor equipa do mundo não o é por acaso.
Tem carácter. Tem identidade. E isso não depende do jogo ou das suas circunstâncias. No inicio, acreditar nos seus princípios básicos, na sua forma de jogar. Depois de 90 minutos sem resultados práticos? “Más que nunca!” Quem sabe o que faz, quem tem a certeza, é assim que pensa...
Pode isto parecer pouco relevante, mas o que espera o adepto comum do seu treinador ao fim de algum tempo sem resultados? Que mude. Que tente algo diferente. Que exija dos jogadores mudanças. Que os pressione. E os treinadores, regra geral, é precisamente isso que fazem...
Duas notas mais sobre isto. A primeira tem a ver com a frase “no preocuparnos”. Para se decidir bem, para se jogar bem, é preciso não ter pressão excessiva. Por isso quando correm contra o tempo, normalmente, as equipas têm uma lucidez decrescente. Passam a jogar na base da agressividade, do desespero, mas perdem discernimento e, sobretudo, qualidade. Guardiola percebe perfeitamente a importância de estar tranquilo para jogar bem, para manter a qualidade. Falte 1 ou 180 minutos. A segunda nota tem a ver com o estilo. Já referi várias vezes a minha simpatia pelos contornos do modelo “blaugrana”. Mas não acredito em fórmulas de sucesso generalizáveis. Cada equipa tem a sua característica, o seu perfil e não há equipas iguais. O importante é que, como acontece no Barça, se seja fiel à sua identidade, aos seus princípios. E isso tem de ser mais importante do que tudo. Sempre.
Pode isto parecer pouco relevante, mas o que espera o adepto comum do seu treinador ao fim de algum tempo sem resultados? Que mude. Que tente algo diferente. Que exija dos jogadores mudanças. Que os pressione. E os treinadores, regra geral, é precisamente isso que fazem...
Duas notas mais sobre isto. A primeira tem a ver com a frase “no preocuparnos”. Para se decidir bem, para se jogar bem, é preciso não ter pressão excessiva. Por isso quando correm contra o tempo, normalmente, as equipas têm uma lucidez decrescente. Passam a jogar na base da agressividade, do desespero, mas perdem discernimento e, sobretudo, qualidade. Guardiola percebe perfeitamente a importância de estar tranquilo para jogar bem, para manter a qualidade. Falte 1 ou 180 minutos. A segunda nota tem a ver com o estilo. Já referi várias vezes a minha simpatia pelos contornos do modelo “blaugrana”. Mas não acredito em fórmulas de sucesso generalizáveis. Cada equipa tem a sua característica, o seu perfil e não há equipas iguais. O importante é que, como acontece no Barça, se seja fiel à sua identidade, aos seus princípios. E isso tem de ser mais importante do que tudo. Sempre.
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2.9.09
Aimar e mais 4 lances em análise
Aimar – Escolher entre 8 golos pode não ser nada fácil. Neste caso, porém, parece evidente a opcção pelo trabalho individual – mais um – de Pablo Aimar. O motivo pelo qual escolhi este lance, no entanto, não tem apenas a ver com a habilidade do argentino. Uns instantes antes do chapéu que permitiu que se isolasse, Aimar teve outra acção menos brilhante mas, talvez, mais importante num contexto táctico. A pressão imediata após a perda de bola, quando eficazmente aplicada claro, inverte a transição adversária e torna-se num lance potencialmente bem mais perigoso do que o ataque original. Apesar de ser uma reacção defensiva é, mais do que tudo, uma poderosa arma ofensiva. Jogadores criativos e dotados, como é o caso de Aimar, encontram nestes momentos a ocasião perfeita para soltar o seu talento, aproveitando os momentos de desorganização momentânea dos defesas contrários e este é apenas um exemplo disso mesmo. Para terminar, sobre Aimar, dizer (ou relembrar) que o seu crescimento vai muito além das aparições ofensivas que protagoniza. A sua capacidade e utilidade defensiva é hoje muito maior, sendo protagonista muito importante no ‘pressing’ da equipa.
Varela – No golo do Porto, o segundo, importa destacar alguns pontos. Primeiro, a qualidade de Meireles, inteligentemente criando um desequilíbrio individual no meio campo. Depois, o papel de Falcao. Não apenas a assistência, mas o facto de baixar para zonas interiores, atraindo os centrais para dentro e criando condições para haver mais espaço nas costas e na zona central da defesa. O espaço que Varela aproveitou. Mas há, também, alguns pormenores negativos, do lado da Naval, a salientar. Primeiro, a saída à queima de Gomis (um jogador a rever apesar de tudo) que, perdendo completamente o lance, deixa Diego Angelo completamente só no centro e ainda com Falcao pela frente. Outro aspecto evidente é a abertura da defesa. Um erro recorrente sempre que um central sai da sua posição. Os laterais devem fechar junto da zona central e não permanecer abertos. As referências individuais falaram, de novo, mais alto e tudo ficou mais fácil para o ataque portista.
Rolando – Na análise ao jogo falei dos problemas do pressing do Porto e da excessiva facilidade que a Naval teve para jogar. Não é, nem de perto, caso único, mas o lance do golo é, também, um exemplo disso mesmo. Em organização ofensiva, a Naval aproveita os problemas portistas e facilmente consegue abrir um espaço para que a sua primeira fase de construção possa, não só pensar o primeiro passe, mas mesmo entrar com bola pelo bloco portista. A bola entra facilmente na ala e o cruzamento muito provável, acabando o lance a ser decidido no coração da área. O que não convém. Foram vários, e demasiados, os cruzamentos da Naval e isso tem de ser corrigido. Uma nota sobre um aspecto também visivel no lance: a distância de Falcao para a linha média que permanece passiva, baixando a equipa no terreno.
Yontcha – O Belenenses tem algumas características interessantes, como a preferência que dá à posse de bola, mesmo em zonas baixas. Há ainda vários problemas que distanciam esta equipa de um rendimento ideal, destacando eu a dificuldade com que a equipa tem em subir o seu bloco, jogando demasiado baixo, demasiado tempo. Mas o ponto que pretendo focar tem a ver com o canto que resultou no golo do empate parcial. Uma solução inteligente e simples para ultrapassar uma defesa que, como a maioria, defende zonalmente estes lances. Com apenas 4 homens na área, o Belenenses consegue isolar... 2! O canto curto é solução recorrente neste tipo de situações, mas, neste caso, o objectivo desta opção foi diferente do habitual...
Thiago Motta – Um espectáculo o primeiro golo do Inter! Para quem não percebe o que podem dar Milito e Eto’o em vez de Ibrahimovic, tem aqui um bom exemplo. Mobilidade, repentismo e imprevisibilidade. Tudo isto, claro, numa óptica colectiva e, por isso, a importância de ter também seguimento dado pelos jogadores que partem de posições exteriores. O desequilíbrio, neste caso, é criado do lado esquerdo da defesa do Milan, entre o central e o lateral. A causa é simples. A bola entra na direita do ataque do Inter e, por isso, o lateral vem para uma zona exterior. O problema é que muito rapidamente a bola parte para uma zona central, acabando por não haver um ajustamento posicional adequado ao caminho que a jogada levou. O erro é fácil de identificar mas, na verdade, a qualidade da jogada é enorme, sendo muito difícil que uma defesa consiga reagir tão rapidamente em termos posicionais. O melhor mesmo é desfrutar...
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Varela – No golo do Porto, o segundo, importa destacar alguns pontos. Primeiro, a qualidade de Meireles, inteligentemente criando um desequilíbrio individual no meio campo. Depois, o papel de Falcao. Não apenas a assistência, mas o facto de baixar para zonas interiores, atraindo os centrais para dentro e criando condições para haver mais espaço nas costas e na zona central da defesa. O espaço que Varela aproveitou. Mas há, também, alguns pormenores negativos, do lado da Naval, a salientar. Primeiro, a saída à queima de Gomis (um jogador a rever apesar de tudo) que, perdendo completamente o lance, deixa Diego Angelo completamente só no centro e ainda com Falcao pela frente. Outro aspecto evidente é a abertura da defesa. Um erro recorrente sempre que um central sai da sua posição. Os laterais devem fechar junto da zona central e não permanecer abertos. As referências individuais falaram, de novo, mais alto e tudo ficou mais fácil para o ataque portista.
Rolando – Na análise ao jogo falei dos problemas do pressing do Porto e da excessiva facilidade que a Naval teve para jogar. Não é, nem de perto, caso único, mas o lance do golo é, também, um exemplo disso mesmo. Em organização ofensiva, a Naval aproveita os problemas portistas e facilmente consegue abrir um espaço para que a sua primeira fase de construção possa, não só pensar o primeiro passe, mas mesmo entrar com bola pelo bloco portista. A bola entra facilmente na ala e o cruzamento muito provável, acabando o lance a ser decidido no coração da área. O que não convém. Foram vários, e demasiados, os cruzamentos da Naval e isso tem de ser corrigido. Uma nota sobre um aspecto também visivel no lance: a distância de Falcao para a linha média que permanece passiva, baixando a equipa no terreno.
Yontcha – O Belenenses tem algumas características interessantes, como a preferência que dá à posse de bola, mesmo em zonas baixas. Há ainda vários problemas que distanciam esta equipa de um rendimento ideal, destacando eu a dificuldade com que a equipa tem em subir o seu bloco, jogando demasiado baixo, demasiado tempo. Mas o ponto que pretendo focar tem a ver com o canto que resultou no golo do empate parcial. Uma solução inteligente e simples para ultrapassar uma defesa que, como a maioria, defende zonalmente estes lances. Com apenas 4 homens na área, o Belenenses consegue isolar... 2! O canto curto é solução recorrente neste tipo de situações, mas, neste caso, o objectivo desta opção foi diferente do habitual...
Thiago Motta – Um espectáculo o primeiro golo do Inter! Para quem não percebe o que podem dar Milito e Eto’o em vez de Ibrahimovic, tem aqui um bom exemplo. Mobilidade, repentismo e imprevisibilidade. Tudo isto, claro, numa óptica colectiva e, por isso, a importância de ter também seguimento dado pelos jogadores que partem de posições exteriores. O desequilíbrio, neste caso, é criado do lado esquerdo da defesa do Milan, entre o central e o lateral. A causa é simples. A bola entra na direita do ataque do Inter e, por isso, o lateral vem para uma zona exterior. O problema é que muito rapidamente a bola parte para uma zona central, acabando por não haver um ajustamento posicional adequado ao caminho que a jogada levou. O erro é fácil de identificar mas, na verdade, a qualidade da jogada é enorme, sendo muito difícil que uma defesa consiga reagir tão rapidamente em termos posicionais. O melhor mesmo é desfrutar...
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1.9.09
Benfica - Setúbal: Desnível histórico
Diz-se que foi um resultado “à moda antiga”, mas 8-1 nem no antigamente era moda.Hoje, então, um resultado deste desnível só pode ser explicado, primeiro, pela diferença qualitativa entre as equipas e, mais importante ainda, por uma reacção emocional que acentue ainda mais essas diferenças após os primeiros golos. Foi isso que aconteceu. Outra coisa que é fácil concluir é que tamanha derrocada só pode ter acontecido com um excelente Benfica e um péssimo Vitória. Óbvio. Mas deixo desde já a minha convicção que, se outras equipas desta liga poderiam ter passado pelo mesmo que o Vitória na Luz, não vejo, neste momento, mais nenhuma a ter capacidade para protagonizar tamanha goleada como fez o Benfica. Provavelmente não irá servir como tal, mas seria interessante se este “feito” fosse encarado como um desafio...Óptimo vs. Péssimo
Sobre o jogo, naturalmente, o período de análise é muito curto. Isto porque a partir do momento em que a vitória ficou garantida o desafio passou a ser muito mais psicológico do que técnico ou táctico. Ainda assim, e para explicar esse inicio de jogo, importa juntar uma série de características, quer do Benfica, quer do Vitória.
O desnível técnico era, à partida, um dado adquirido. Para contornar essa diferença, o Vitória teria de ter maior agressividade, maior organização e maior eficácia. Falhou em todos esses aspectos. Isso viu-se nas divididas que os encarnados quase sempre ganharam, na forma como o Benfica encontrou espaços de forma simples entre (ou nas costas) o bloco sadino por este não ter sido competente no posicionamento e, talvez mais decisivo ainda, nas dificuldades e ineficácia dos lances de bola parada, um aspecto que era decisivo para quem tinha de ser capaz de sofrer.
Do outro lado, muito mérito para o Benfica. Para além da qualidade individual, há que referenciar a atitude de enorme competitividade. A entrada foi fortíssima, com um ritmo elevadíssimo e a goleada só foi possível porque houve sempre a intenção de não parar. Algo que é cada vez mais raro no futebol actual. Já agora, passou, de novo, a idéia de que o Benfica só se sente bem em ritmos elevados. Se isso pode ser um problema noutros casos, neste só trouxe alegrias...
E agora?
3 pontos são 3 pontos. Este é um resultado gigantesco mas, num campeonato, isso para nada conta. Para o Benfica, fica a certeza daquilo que referi antes do inicio da época, ou seja, que as indicações dadas na pré época iriam ter continuidade quando fosse a doer. Para quem tinha dúvidas, esta é uma boa prova. Mas fica também um aviso para quem vier a seguir e isso talvez não seja muito positivo para o Benfica que, forçosamente, encontrará cada vez mais uma resistência sensibilizada. Para o Vitória, em sentido oposto, nada de muito preocupante. A época será difícil, mas não se esperava outra coisa. Foram 8 golos mas apenas 3 pontos e isso é muito pouco para uma maratona tão longa e onde há ainda tanto por evoluir.
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