6.8.09
5.8.09
Twente - Sporting: Valeu a prenda que o futebol tinha para dar...
A primeira nota tem de ir para o insólito que definiu a eliminatória. Marcar um golo no último canto do jogo é, já de si, altamente improvável. Ao fazê-lo nos 2 únicos jogos que disputou em solo holandês nos últimos 4 anos, o Sporting parece desafiar toda e qualquer lei probabilística. Poderia ser mesmo muito estranho, não fosse isto futebol...Esse lance foi também um prémio que o Sporting não mereceu. Tal como há uma semana, assistiu-se a um Sporting muito abaixo do esperado. Muito abaixo do que já fez no passado e com bem menos soluções. Novamente, houve problemas de exibições individuais catastróficas, mas, desta vez, encontro outros factores com mais relevância para a incapacidade leonina. Começando pelo golo madrugador e o seu efeito imediato. Passando por uma abordagem táctica estranha e errada de Paulo Bento no primeiro tempo. Terminando com as dificuldades que o Twente causou no segundo tempo, fechando-se bem e sendo mais do que suficiente para uma equipa sem inspiração nem capacidade para, nesta altura, derrubar muralhas defensivas como aquela que o Twente apresentou.
O golo madrugador
O Sporting voltou a entrar de forma catastrófica. A primeira jogada do jogo voltou a contar com erros leoninos e por pouco não teve efeitos vinculativos ao próprio destino da eliminatória. Teve no jogo. Na sua totalidade, mas especialmente nos minutos em que se seguiram, onde o Twente conseguiu aproximar-se da baliza com grande regularidade. Sobre o golo em si, destaco 2 aspectos. Primeiro, na origem da jogada do canto, Veloso perde uma primeira bola aérea por falhar, sozinho, o tempo de salto e ver passar a bola para trás de si. Depois, no canto, fica-me a pergunta sobre para que serve marcar individualmente se não se usa o contacto físico para impedir que o adversário ataque a bola à vontade. Perder o lance é admissível. Fazê-lo sem, sequer, perturbar o adversário é que não...
4-3-3?!
O desnorte da equipa nos últimos jogos parece ter passado para o próprio treinador. Pelo menos é isso que se retira da opção táctica no primeiro tempo. A utilização de Djaló teve um carácter estratégico, que provavelmente pretendia dar maior agressividade ao lado esquerdo do seu ataque. Para isso o jovem avançado foi colocado numa posição de extremo, com uma missão diferente de um médio interior do losango, quer a atacar, quer a defender. Um dos objectivos aparentes era subir a linha de pressão naquela zona, por onde o Twente recorrentemente tentava sair. Obviamente, não resultou. A pressão foi desorganizada, e várias vezes ineficaz. A consequência foi um trabalho redobrado para Veloso e Moutinho. Este último, aliás, foi enorme na capacidade que teve para corrigir todos os problemas provocados por esta situação.
Espanta-me que Paulo Bento tenha optado por uma opção tão especifica e que tenha abdicado daquela que foi, afinal, a identidade ele próprio soube construir no Sporting. Pena que ninguém tenha questionado o treinador sobre qual o propósito desta opção. Se de carácter específico ou algo que tenha a ver com alguma ideia para o futuro...
Matías Fernandez e a posição 10... de novo!
O chileno executou bem. Decidiu bem. Com o tempo certo. E, no entanto, não conseguiu ter uma actuação positiva. Pode parecer paradoxal, mas tem a ver com a pouquíssima influencia que o chileno teve no jogo. De novo. É um problema que já me parece evidente desde o primeiro teste de pré época e que se tem prolongado no tempo, com grande prejuízo para o Sporting. Repito, de novo. Não me parece, pelo passado, que Paulo Bento consiga mexer nas rotinas de forma a integrar melhor Matias. E não me parece que o próprio se vá adaptar facilmente, sendo para já mais um problema do que uma solução. A única solução (prática) que vejo é tentar Matias como interior. E, diga-se, o chileno tem uma qualidade individual rara, como talvez não haja no futebol português...
O presente e o futuro
Pego nas palavras de Paulo Bento no final. Referiu que, por vezes, é preciso ser capaz de “ganhar com o coração”. É verdade. Mais, é bom quando o “coração” chega para garantir resultados nos maus momentos. O que é mais fundamental ainda e deve ser a preocupação do treinador do Sporting é devolver à equipa organização e qualidade colectiva. Porque, obviamente, não haverá “coração” que chegue para o nível que o futebol do Sporting vem apresentando.
Ler tudo»
ler tudo >>
4.8.09
Porto 09/10: Para a excelência faltam os acabamentos tácticos
Partindo das palavras de Jesualdo numa entrevista recente:
“o FC Porto tem um modelo estabelecido que passa por um conjunto de princípios que regem a organização táctica da equipa (...)E, independentemente do sistema, o importante é que os jogadores actuem de acordo com aqueles que são os nossos princípios, quer a defender, quer a atacar.” “é preciso encontrar alinhamentos tácticos que aproveitem as qualidades dos jogadores que estão cá.(...) E agora, tal como aconteceu há um ano, teremos de encontrar as melhores soluções tácticas para podermos ser ainda mais fortes.”
Para a maioria dos treinadores (não necessariamente incompetentes, sublinhe-se!) o acabamento é dado pela qualidade individual. Ou seja, existe um modelo, uma ideia de jogo. Depois dá-se-lhe vida com os jogadores. A ideia pode ser boa, mesmo excelente, mas é fechada. Os jogadores encaixam nela, melhor ou pior. Jesualdo tem tido uma abordagem diferente. Não fecha em absoluto o modelo. Tem princípios fundamentais e mesmo um sistema base (ou seja a base do modelo não depende dos jogadores. Não se confunda), mas não se limita a encaixar os jogadores. Ele chama-lhe “alinhamentos tácticos” e foi isso que fez explodir Quaresma, Lucho, Lisandro, Hulk e Rodriguez. Mais importante, é claro, foi o que fez com que o potencial individual servisse da melhor maneira o colectivo. E isso catapultou qualitativamente as suas equipas. É claro que nem todos têm o privilégio de poder interferir nos “alinhamentos tácticos”. Só os melhores, os que podem, de facto, marcar a diferença.
E de novo, Jesualdo:
“o Rodríguez está lesionado, o Hulk não tem jogado exactamente na posição onde penso que poderá jogar no futuro e o terceiro jogador desse trio ainda não entende completamente o jogo da equipa, mas vai entender” “não vamos esperar que o Belluschi faça de Lucho, que faça as mesmas coisas que ele fazia; com a certeza de que fará outras que Lucho não fazia”
Jesualdo acaba por confirmar a ideia que fui deixando desde os primeiros jogos. O primeiro Porto que vimos é ainda muito provisório. O treinador confia em Hulk, mas não como elemento central do triângulo ofensivo. Mariano e Varela têm feito parte da equipa principal, mas a ideia é que seja Falcao a integrá-la, assim que “entenda completamente” o jogo da equipa. E ainda falta o principal: os “alinhamentos tácticos”.
No meio campo, a mesma ideia. Belluschi, para já, “encaixou” na função de Lucho. Mas, como diz o próprio Jesualdo, “não vamos esperar que faça de Lucho”. Ou seja, os “alinhamentos tácticos” incluem também o meio campo e muito provavelmente Belluschi. Mas meio campo e ataque estão ligados, aliás, nem podem ser separados. Tudo deve, portanto, ser feito de forma integrada.
Fica, por tudo isto, muito claro que muito caminho há ainda para percorrer até ao verdadeiro Porto 09/10 e que o próprio Jesualdo faz depender da resposta dos jogadores essa definição. É importante, no entanto, sublinhar os riscos da forma como este processo vai ser concluído. É que só a excelência pode dar um Porto à altura das expectativas actuais...
Ler tudo»
ler tudo >>
3.8.09
Benfica 09/10: O que virá depois da euforia?
Para os benfiquistas, em Agosto, entusiasmo e tempo quente são igualmente banais. Desta vez, no entanto, a pré época justifica, de facto, um optimismo diferente. Para quem vem acompanhando o futebol português de uma forma mais atenta nem seria preciso ver jogar para antecipar o crescimento colectivo que a equipa teria com a chegada de Jesus. Porque o crescimento é colectivo. Fora detalhes individuais, a pré época já mostrou tudo o que tinha para mostrar. A equipa está pronta e resta apenas testar a resposta em competição. As indicações não devem enganar e o Benfica 09/10 não vai ser parco em bons momentos e em bons jogos. Não tem qualquer motivo para o ser.
Para uma grande época em termos de títulos, porém, falta tanto quanto o tempo que nos distancia do final da próxima época. Que riscos correrá então este empolgante Benfica em 09/10?
Concorrência interna
Um dos erros típicos dos adeptos (e não só...) é olharem para o rendimento das suas equipas de uma forma absoluta e não relativa. Se é verdade que cada equipa apenas depende de si própria para vencer o campeonato, também é um facto que a competição não é propriamente um contra relógio. Ou seja, se houver 3 equipas boas nesta liga, uma delas não ficará seguramente nos 2 primeiros lugares. Será que por isso é “menos boa”? Naturalmente que não.
Ganhar o campeonato em 09/10 prevê-se uma tarefa muito difícil e decidida no pormenor. Por um lado, o nível das equipas de meio/fim da tabela é cada vez menor (apesar de muitos continuarem a não querer ver). Por outro, o registo pontual de Porto e, mais espaçadamente, Sporting, tem sido muito bom e será pouco prudente pensar que isso vai mudar este ano...
Gestão jogadores/jogos
Durante 08/09 vimos Jorge Jesus orientar um Braga brilhante em termos colectivos. Para muitos, no entanto, a equipa falhou no final. Acho discutível esse julgamento, mas é inegável que ficar em 5º não terá sido propriamente um desfecho correspondente às expectativas geradas. O Braga de 08/09 pode ser um bom “case study” para o próprio Jesus.
Já aqui falei da importância da gestão de expectativas no plantel (em particular em certos sectores mais concorridos). Porque no futebol quem ganha é o grupo e porque este é feito de individualidades, cada uma com a sua perspectiva diferente. Mas há mais. Haverá muitos jogos, muitos deles europeus, que retirarão o foco do campeonato. E haverá também o risco de lesões. Mais uma vez, basta pegar no exemplo do Braga 08/09, para perceber até que ponto isso pode ser decisivo. Mesmo quando se joga tão bem quanto este Benfica.
Já agora, fica aqui um pequeno prognóstico pessoal. Em 09/10 vamos ver uma grande campanha do Benfica na Europa.
Pressão externa
É também por isso que o futebol se torna tão interessante. A forma como tudo se passa fora do campo tem influência dentro dele. Não é, de resto, difícil encontrar exemplos que o comprovem. Em Portugal nenhum clube é tão mediático como o Benfica e se isso tantas vezes ajuda, noutras pode complicar muito. É outro risco/desafio para este excelente Benfica de Jesus.
Ler tudo»
Para uma grande época em termos de títulos, porém, falta tanto quanto o tempo que nos distancia do final da próxima época. Que riscos correrá então este empolgante Benfica em 09/10?
Concorrência interna
Um dos erros típicos dos adeptos (e não só...) é olharem para o rendimento das suas equipas de uma forma absoluta e não relativa. Se é verdade que cada equipa apenas depende de si própria para vencer o campeonato, também é um facto que a competição não é propriamente um contra relógio. Ou seja, se houver 3 equipas boas nesta liga, uma delas não ficará seguramente nos 2 primeiros lugares. Será que por isso é “menos boa”? Naturalmente que não.
Ganhar o campeonato em 09/10 prevê-se uma tarefa muito difícil e decidida no pormenor. Por um lado, o nível das equipas de meio/fim da tabela é cada vez menor (apesar de muitos continuarem a não querer ver). Por outro, o registo pontual de Porto e, mais espaçadamente, Sporting, tem sido muito bom e será pouco prudente pensar que isso vai mudar este ano...
Gestão jogadores/jogos
Durante 08/09 vimos Jorge Jesus orientar um Braga brilhante em termos colectivos. Para muitos, no entanto, a equipa falhou no final. Acho discutível esse julgamento, mas é inegável que ficar em 5º não terá sido propriamente um desfecho correspondente às expectativas geradas. O Braga de 08/09 pode ser um bom “case study” para o próprio Jesus.
Já aqui falei da importância da gestão de expectativas no plantel (em particular em certos sectores mais concorridos). Porque no futebol quem ganha é o grupo e porque este é feito de individualidades, cada uma com a sua perspectiva diferente. Mas há mais. Haverá muitos jogos, muitos deles europeus, que retirarão o foco do campeonato. E haverá também o risco de lesões. Mais uma vez, basta pegar no exemplo do Braga 08/09, para perceber até que ponto isso pode ser decisivo. Mesmo quando se joga tão bem quanto este Benfica.
Já agora, fica aqui um pequeno prognóstico pessoal. Em 09/10 vamos ver uma grande campanha do Benfica na Europa.
Pressão externa
É também por isso que o futebol se torna tão interessante. A forma como tudo se passa fora do campo tem influência dentro dele. Não é, de resto, difícil encontrar exemplos que o comprovem. Em Portugal nenhum clube é tão mediático como o Benfica e se isso tantas vezes ajuda, noutras pode complicar muito. É outro risco/desafio para este excelente Benfica de Jesus.
Ler tudo»
ler tudo >>
Guimarães 09/10: maus sintomas...
ler tudo >>
Subscrever:
Mensagens (Atom)