1.7.09

Lucho no Marselha: Fuga de cérebros...

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Quem acompanhou com alguma assiduidade as análises que aqui fui fazendo ao longo dos últimos 3 anos sabe o que penso de Lucho Gonzalez. Qualquer um é capaz de perceber que se trata de um grande jogador, mas para se perceber, realmente, o alcance do futebol de Lucho é preciso um olhar um pouco mais atento. A forma como se move, como antecipa as jogadas, como lê e joga com os espaços é altamente invulgar, mesmo rara a um nível planetário. Pode, por tudo isto, perceber-se que mais do que qualquer outro aspecto, o futebol português perde, com a saída de “El Comandante”, inteligência.



Grande negócio!
A cedência de Lucho é um golpe evidente na qualidade do futebol portista que, arrisco eu, se poderá sentir mais nos grandes jogos. Mas esse é um problema que faz parte do modelo portista. Os jogadores, mesmo os melhores, têm, se tudo correr bem, um ciclo dentro do clube, onde chegam, valorizam-se e partem deixando uma mais valia financeira para o clube. É este ciclo de valor que, como já várias vezes aqui expliquei, compensa o desajuste dos custos em relação às receitas operacionais.
Aqui, mais uma vez, o Porto voltou a surpreender. 18 milhões (para já) por um jogador a caminho dos 29 anos é algo muito difícil de conseguir, seja com que jogador for. Aliás, Lucho arriscava-se a ser um caso diferente de outros que saíram também a troco de vários milhões, dada a sua idade. O Porto conseguiu o encaixe que procurava e agora há menor pressão para vender. Com a excepção de Cissokho, que creio ser de todo o interesse ser vendido, todos os outros jogadores poderão ser mantidos sem que isso represente um problema para as contas da SAD.

E agora?
Naturalmente que a saída de Lucho abrirá um novo capítulo no mercado portista. É preciso contratar um novo valor para ser, primeiro, uma mais valia desportiva e, depois, financeira. Não será fácil substituir Lucho, mas o perfil está identificado. Jogador jovem e talentoso para jogar numa posição do meio campo. O preço poderá ir até cerca dos 10 milhões de euros (100% do passe). Aceitam-se apostas...


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Sugestão de mercado: Bill

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Talvez este não seja o nome que mais entusiasma os adeptos. A verdade é que em jogadores como Bill que podem estar escondidos os mais fantásticos negócios do mundo do futebol. Trata-se de um avançado que está a ser destaque da Serie B do campeonato brasileiro, onde é melhor marcador, ainda que não de forma isolada. Bill tem qualidades raras e que não enganam num avançado. Poderia ser um jogador com potencial de revelação do nosso campeonato caso um dos clubes de média dimensão tivesse o arrojo para o desviar da rota de um dos grandes do futebol brasileiro, para onde irá seguramente nas próximas semanas.


Prestes a completar 25 anos, Bill tem uma qualidade técnica muito boa, destacando-se em várias vertentes. É forte fisicamente, forte no 1x1 e muito inteligente na forma como assiste na zona de finalização (embora nos últimos tempos apareça algo deslumbrado pelo efeito que tem provocado). Como se isto não bastasse, tem uma capacidade absolutamente invulgar de finalização de meia distância, sendo capaz de bater com os dois pés. Aliás, também conduz a bola com os 2 pés, o que é uma arma excelente.

Bill não é uma certeza, tem de ser testado em clubes de maior exigencia, mas a sua qualidade é de tal forma inegável e o negócio pode ser tão bom, que resolvi destaca-lo, apesar da aparente vulgaridade. Diz-se que o Bragantino, clube actual, pede alguma coisa como 300 mil euros por metade do passe e Botafogo e Corinthians estão na calha...

Os 7 Golos de Bill:
- 2 vs São Caetano
- 1 vs Atl.Goianiense
- 1 vs Duque Caxias
- 1 vs Guarani
- 2 vs Campinense


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Falcão e Buonanotte: Bola, para quê?!

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30.6.09

Será o inicio da "era germânica" no futebol europeu?

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Sendo a maior potência europeia em termos de títulos a nível sénior, sempre foi de estranhar o pobre registo germânico em termos de camadas jovens. Sem um título internacional em termos de camadas jovens desde 1992, de repente, a Alemanha é, em simultâneo, campeã europeia de sub 17, sub 19 e, agora, sub 21. Uma evolução espantosa e que indica que pode estar a emergir uma capacidade individual muito forte, podendo ser esta uma combinação explosiva com a força competitiva que se reconhece às selecções germânicas e que nos últimos tempos tem sido responsável por importantes resultados colectivos, por ventura bem acima do potencial individual.


Um outro aspecto que creio ser importante referir tem a ver com o campeonato interno. A Bundesliga é um campeonato fantástico mas demasiado virado para dentro. A dimensão do país permite que isso seja suficiente para, por exemplo, ser a Liga com melhor média de assistências, apesar de ter vários jogos jogados ao mesmo tempo. Um dos problemas dos clubes alemães em termos de competitividade externa tem sido, na minha opinião, a menor qualidade da sua formação. Se estes resultados ao nível de formação indicarem também uma melhoria generalizada das futuras gerações, então podemos vir a assistir ao ressurgimento dos alemães, também ao nível de clubes.

Aqui ficam alguns 10 nomes entre as 3 selecções campeãs europeias:
Manuel Neuer (Guarda Redes, Shalke, 23 anos, Sub 21)
Jerome Boateng (Defesa Central, Hamburgo, 20 anos, Sub 21)
Gonzalo Castro (ala esquerdo, Leverkusen, 22 anos, Sub 21)
Mezut Ozil (Médio ofensivo, Werder Bremen, 20 anos, Sub 21)
Timo Gebhart (Médio ofensivo, Estugarda, 20 anos, Sub 19)
Richard Sukuta-Pasu (Avançado, Leverkusen, 18 anos, Sub 19)
Savio Nsereko (Extremo, West Ham, 19 anos, Sub 19)
Christopher Butchmann (Extremo, Liverpool, 17 anos, Sub 17)
Mario Gotze (Médio ofensivo, Dortmund, 16 anos, Sub 17)
Lennart Thy (Avançado, Bremen, 17 anos, Sub 17)



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E Portugal?

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Enquanto os alemães ameaçam conquistar a Europa, Portugal vai dando sinais de poder regressar definitivamente ao passado. Aqui ficam alguns pequenos aspectos por estes dias em destaque no futebol português.


- O mais relevante dos aspectos tem a ver com a revolução que Queiroz protagonizou nos quadros da formação nacional. Rui Bento, Paulo Alves, Hélio e Oceano. Não conheço muito bem quem vão substituir, mas este perfil parece-me completamente desajustado. Para as Selecções jovens fazia sentido nomear sobretudo pessoas com mais conhecimento teórico sobre o treino e o desenvolvimento de jovens e não tanto experiência ao nível sénior. Seria a oportunidade para Queiroz injectar novas ideias na formação, vindas de pessoas que têm vindo a pensar na formação. Ao invés, foram “resgatados” ex-jogadores que, com todo o respeito pelas figuras, ainda por cima não deixaram nada de especialmente recomendável no seu curto trajecto como treinadores.
A “era Queiroz” estava já a ser o flop que se conhece. Parece que faltava esta componente para que todos os recordes fossem batidos...

- Não é hábito falar de arbitragem, mas não posso deixar de assinalar a promoção de Bruno Paixão à 1ª categoria da Uefa...

- Portugal não foi ao Euro sub 21. Muito menos à final. Já bastava isso, não era preciso ter a figura do Presidente da Federação a mascar pastilha elástica enquanto distribuía medalhas ao lado de Platini.




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29.6.09

As contratações de Saviola & Matias Fernandez

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O inicio do fim de semana futebolístico português foi marcado pela confirmação de duas contratações importantes para a época que se aproxima. Primeiro o menos esperado Saviola foi anunciado pelo Benfica, depois os rumores que davam conta do ingresso de Matias Fernandez no Sporting foram também confirmados. São 2 contratações importantes para os dois clubes e para o defeso português e que partilham ainda a garantia de um acréscimo de qualidade para os planteis dos respectivos clubes. Ainda assim, há muito que as distingue...

Saviola – Investimento financeiro, para rendimento desportivo
Há 2 vertentes a ter em conta nesta operação encarnada. O primeiro e para agora mais relevante é o aspecto desportivo. Aí a qualidade de Saviola está para além da suspeita. As suas características são por demais conhecidas e encaixam perfeitamente naquilo que se conhece do modelo de Jesus. A ameaça para o Benfica e para Saviola é a mesma de outros tantos casos idênticos ao seu. A falta de motivação pelo momento da carreira e a própria característica do futebol português, nem sempre tão fácil como de fora parece, serão os pontos que Saviola deverá ser capaz de ultrapassar para poder, do ponto de vista individual, corresponder com o rendimento que muitos dele esperam...
O outro lado da contratação de Saviola tem a ver com uma perspectiva de investimento. Aí, o Benfica reproduziu, um ano mais tarde, aquilo que julgo ter sido uma aposta errada quando pagou caro para ter Aimar. É que Saviola, para além dos 5 milhões que custou será um “peso pesado” na ficha salarial encarnada. O total dos custos com o argentino, ao fim de 3 anos, deverá superar os 10 milhões e isto apenas pode ser um problema se considerarmos que no fim deste ciclo, o valor de mercado do jogador deverá ser praticamente nulo. Tudo o que se pode esperar por isso, é que o rendimento desportivo possa compensar um investimento que, mais do que provavelmente, não terá outro tipo de retorno.
Outras 2 notas sobre a contratação de Saviola. A primeira tem a ver com a contínua capacidade de investimento do Benfica, não batendo esta conduta com o enorme desequilíbrio das suas contas anuais. Confesso a curiosidade por saber durante quanto tempo durará esta capacidade de investimento encarnada. O outro tem a ver com a composição do plantel. A Saviola deverá juntar-se outra contratação de peso para o ataque. Há ainda Nuno Gomes e Cardozo. A tudo isto junta-se uma ideia que de há muito tenho e que tem a ver com o facto de Cardozo, não desfazendo a sua inegável qualidade, voltar a ter um perfil que não se enquadra com o modelo do treinador. A venda do paraguaio poderá, como se percebe, fazer o puzzle encaixar muito mais logicamente.

Matias Fernandez – Uma injecção de entusiasmo
Quando chegou em 2006 à Europa, havia quem projectasse para ele um futuro entre os melhores dos melhores. A adaptação não foi fácil e Matias Fernandez não se impôs no Villareal. O Sporting aparece agora como uma nova oportunidade para um jogador de grande talento e que vai ainda muito a tempo de se afirmar na Europa.
Por tudo isto, digo que Matias Fernandez, pelos valores que se dizem estar envolvidos, podia bem ter entrado numa das “sugestões de mercado” que aqui fui deixando. O Sporting consegue um jogador que tem muito do que lhe falta no seu plantel. Capacidade de explosão, irreverência e, também, uma assinalável eficácia de bola parada. Matias Fernandez é também uma fonte de entusiasmo para os adeptos leoninos que há muito não tinham uma contratação que gerasse tanta expectativa.
O Sporting, para Matias Fernandez, será uma etapa decisiva. Talvez a concorrência de peso, o 4-4-2 clássico desajustado às suas características e a própria dimensão interna do Villareal fossem um choque demasiado grande para um jogador que se afirmou num contexto e num clube de outras características. O Sporting será, nesse aspecto, um clube muito mais de acordo com o perfil de Fernandez, mas isso não é, só por si, garante de sucesso...

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They almost could!

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Não se pode dizer que o Brasil tenha evitado a surpresa. Simplesmente conseguiu evitar que esta passasse para os registos da história. Ainda assim, e apesar da reviravolta, ficou claro como é diferente para este Brasil ter de jogar perante um adversário mais fechado. Quer do ponto de vista ofensivo, quer defensivo.

Para a história do jogo fica também o notável contra ataque que deu origem ao segundo golo americano. Algumas notas sobre o lance...
Primeiro, é inadmissível que uma equipa como o Brasil esteja tão desequilibrada em termos numéricos. Depois, destaque para o enorme mérito norte americano na jogada. Do momento em que recupera a bola ao remate final contam-se apenas 5 toques na bola. Todos indispensáveis. O primeiro é vital porque lança de primeira a transição e obriga o Brasil ao 2x2. O segundo porque dá seguimento à velocidade da jogada e abre o campo de ataque, o terceiro porque não só serve Donovan na zona central mas igualmente impede que Ramires estabilize a sua posição. O quarto porque é uma recepção orientada que tira proveito de tudo o que foi conseguido na jogada para ficar na cara do guarda redes. O quinto é óbvio.

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26.6.09

O enquadramento táctico de Ramires

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A Taça das Confederações pode não ser o torneio mais interessante do calendário futebolístico anual, mas para os adeptos do Benfica em particular tem o condão de servir como uma espécie de introdução áquele que é, até ao momento, o mais sonante reforço para a temporada que se aproxima. Apesar da repetida titularidade do ex-Cruzeiro estar a motivar grande entusiasmo, a verdade é que as suas exibições vêm apenas confirmando aquilo que havia escrito sobre o jogador pouco depois do anúncio da sua contratação. Ou seja, a qualidade é inegável, mas dificilmente Ramires terá no Benfica a possibilidade de jogar na mesma função que vem desempenhando quer no Cruzeiro quer, agora, na Selecção.

Enquadramento táctico actual
O Brasil de Dunga vem alinhando com uma estrutura bastante popular no Brasil e que também é usada por Adilson Batista no Cruzeiro. Ou seja, uma espécie de 4-2-2-2, com uma dupla de médios defensivos e outra mais ofensiva que aparecem em zonas mais centrais e deixam os corredores para os laterais. Ramires, como já aqui havia dito, há muito deixou de ser um médio defensivo e tem-se destacado numa função muito particular. Permanece sempre próximo dos avançados, joga simples, mas tem muitas dificuldades em ser solução para a construção, oferecendo muito poucas linhas de passe e podendo passar longos períodos sem participar no jogo. O seu papel ganha especial realce em transição, onde aí sim se destaca pela forma rápida como conduz a bola e aparece a desequilibrar perto das zonas de finalização. No Cruzeiro esta função não levanta qualquer problema, primeiro porque há Wagner que assume imenso o jogo em construção, depois e mais importante, porque em quase todos as partidas o jogo acaba por dar a Ramires os tais momentos de transição em que sobressai. No Benfica, no entanto, não será assim...


No Benfica, uns metros atrás?
A grande vantagem de Ramires reside nas suas características. Tem grande capacidade de luta e uma resistência invulgar, tem humildade e tem também a particularidade de jogar quase sempre simples, embora não seja particularmente criativo. Pode até adaptar-se a qualquer posição do meio campo, mas creio que a sua falta de criatividade em construção dificilmente fará dele um 10, e também não me parece provável que possa ser a melhor solução para actuar como ala no losango de Jesus. Parece-me, portanto, que o mais provável é que Ramires recue uns bons metros no campo em relação ao que acontece hoje e que, com Jesus, venha a ser o médio mais recuado do losango. A confirmar...

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