- O golo de um tal de Chico a garantir a vitória do modesto Poli Ejido sobre o Espanyol
- A sensacional bomba de Ronaldo que... não entrou.
- A finalização de Carlos Martins
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10 é o número mitico do futebol. Um número que imediatamente nos remete para os grandes génios da história do futebol mundial e que, talvez por isso, deposita nos ombros de quem o carrega (ou, neste caso, de quem desempenha a função que normalmente lhe está implícita) um peso enorme, normalmente mesmo desfasado da realidade. Um 10 tem de ser perfeito do ponto de vista técnico, pegar no jogo quando as jogadas se iniciam, aparecer com dribles ou assistências mágicas e ainda marcar um número considerável de golos. A utopia é a consequência do mito e por isso é que quase todos os adeptos têm um 10 no top das necessidades do seu clube.
No Sporting, curiosamente, há muito que se pede a afirmação a 10 de um jogador que, vendo bem, não tem muitas das características dos miticos que utilizaram esse número. Moutinho é tecnicamente muito evoluído mas é fundamentalmente um jogador de grande intensidade e utilidade prática. Não é um driblador ou um inventor de espaços. Não é um passador visionário, nem um temível finalizador. Moutinho é, porém, prático, objectivo, inteligente, intenso e competente e a verdade é que dentro do actual contexto táctico do Sporting, ele pode mesmo ser muito útil como 10.
Com Vukcevic, o Sporting ganha explosão, largura, improvisação e objectividade ofensiva. No funcionamento do losango, porém, o montenegrino tem algumas lacunas, particularmente em transição defensiva. O facto de ser mais arrojado ofensivamente e menos culto defensivamente (mais uma vez, tem a ver com cultura e não com velocidade, como ultimamente se vem lendo e ouvindo) leva Vuk a comprometer no momento da perda de bola. Ora é aqui que surge Moutinho, não só compensando muitas vezes no restabelecimento do equilíbrio defensivo mas também sendo um elemento muito mais perturbador em termos de pressão. Estar aqui a falar de aspectos defensivos para uma função eminentemente ofensiva pode parecer um disparate, mas, para os mais distraídos, basta ver a importância desta outra característica do 10 como fonte de desequilíbrios no recente jogo do Bonfim.
Moutinho pode ser mesmo a melhor solução para 10 do losango do Sporting. Eu arrisco, no entanto, que tal só ocorrerá, se a equipa não exigir dele uma súbita mudança genética. Moutinho não tem o perfil de Romagnoli, e para que o rendimento seja o ideal, o colectivo deve encontrar formas de colmatar os aspectos em que não é tão forte, pedindo-lhe o que de melhor ele tem para oferecer.
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Pesadelo – Aquilo que Quique chamou de pesadelo até podia ter sido diferente caso o Benfica tivesse aproveitado as, poucas mas boas, oportunidades que teve. É verdade. No entanto, aquilo que se viu foi de facto fraco. O Trofense percebeu bem a importância de perturbar a construção do Benfica e isso conduziu a um jogo com muitas dificuldades de ligação entre sectores dos encarnados. O tempo e a ineficácia em 2 boas oportunidades acabaram por dar depois ao Trofense a confiança para ir crescendo no jogo, equilibrando-o primeiro, e aproveitando, depois, algumas dificuldades defensivas que se reconhecem ao Benfica. O golo, esse, chegaria através de um duplo erro individual que proporcionou à equipa da Trofa aproveitar o adiantamento do adversário na sequência de um lance de bola parada. Primeiro, uma displicência tremenda de Di Maria (será mesmo verdade o que se vai por aí escrevendo?!) e, depois, uma abordagem menos conseguida por Moreira (lembro-me bem o que disse do afastamento de Quim). A segunda parte trouxe uma alteração táctica para o losango que, no caso do Benfica, dada a operacionalização quase inexistente, me parece mais um acto de fé do que qualquer outra coisa. A expulsão complicou o que já era difícil e, mesmo reagindo bem a essa inferioridade numérica, o Benfica não foi capaz de evitar a factura dos riscos em que incorreu.
Modelo tipo “Uniforme” – Quando se projecta um jogo deste Benfica sem Reyes e Katsouranis só se pode pensar que tudo é possível. Não que o Benfica não tenha mais soluções de qualidade, mas porque estes jogadores vêm sendo 2 individualidades que conseguem corrigir ou atenuar problemas colectivos de um modelo que não evolui desde o inicio da época. É um modelo que pode ser encontrado em vários (se calhar a maioria) dos treinadores espanhóis e se calhar é essa característica generalista que faz com que não se façam ajustamentos tácticos às necessidades especificas do Benfica. Não tem a ver com esta derrota, e até há exemplos de sucesso, mas confesso que a ideia de um modelo de jogo tipo “uniforme” é coisa que não me agrada e na qual não acredito.
Desafio mental – Com a derrota na Grécia o Benfica iniciou um ciclo negativo em que conta apenas uma vitória (o 0-6 do Funchal) em 7 jogos. Foram 7 partidas onde se perderam a Taça Uefa, a Taça de Portugal e, agora, a liderança do campeonato. Não é liquido que esta seja uma consequência da reacção psicológica à goleada frente ao Olimpiacos, mas este pode ser um pronúncio preocupante para o que se avizinha. Pela frente o Benfica tem um mês de Janeiro em que terá de reagir bem mentalmente aos resultados negativos sob pena de entrar no Dragão, a 8 de Fevereiro, com uma pressão altamente indesejável.