6.1.09

Moutinho e o outro lado de um 10

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10 é o número mitico do futebol. Um número que imediatamente nos remete para os grandes génios da história do futebol mundial e que, talvez por isso, deposita nos ombros de quem o carrega (ou, neste caso, de quem desempenha a função que normalmente lhe está implícita) um peso enorme, normalmente mesmo desfasado da realidade. Um 10 tem de ser perfeito do ponto de vista técnico, pegar no jogo quando as jogadas se iniciam, aparecer com dribles ou assistências mágicas e ainda marcar um número considerável de golos. A utopia é a consequência do mito e por isso é que quase todos os adeptos têm um 10 no top das necessidades do seu clube.

No Sporting, curiosamente, há muito que se pede a afirmação a 10 de um jogador que, vendo bem, não tem muitas das características dos miticos que utilizaram esse número. Moutinho é tecnicamente muito evoluído mas é fundamentalmente um jogador de grande intensidade e utilidade prática. Não é um driblador ou um inventor de espaços. Não é um passador visionário, nem um temível finalizador. Moutinho é, porém, prático, objectivo, inteligente, intenso e competente e a verdade é que dentro do actual contexto táctico do Sporting, ele pode mesmo ser muito útil como 10.

Com Vukcevic, o Sporting ganha explosão, largura, improvisação e objectividade ofensiva. No funcionamento do losango, porém, o montenegrino tem algumas lacunas, particularmente em transição defensiva. O facto de ser mais arrojado ofensivamente e menos culto defensivamente (mais uma vez, tem a ver com cultura e não com velocidade, como ultimamente se vem lendo e ouvindo) leva Vuk a comprometer no momento da perda de bola. Ora é aqui que surge Moutinho, não só compensando muitas vezes no restabelecimento do equilíbrio defensivo mas também sendo um elemento muito mais perturbador em termos de pressão. Estar aqui a falar de aspectos defensivos para uma função eminentemente ofensiva pode parecer um disparate, mas, para os mais distraídos, basta ver a importância desta outra característica do 10 como fonte de desequilíbrios no recente jogo do Bonfim.

Moutinho pode ser mesmo a melhor solução para 10 do losango do Sporting. Eu arrisco, no entanto, que tal só ocorrerá, se a equipa não exigir dele uma súbita mudança genética. Moutinho não tem o perfil de Romagnoli, e para que o rendimento seja o ideal, o colectivo deve encontrar formas de colmatar os aspectos em que não é tão forte, pedindo-lhe o que de melhor ele tem para oferecer.


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Pedro Mendes e outros que valeram a pena ver

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- A bicicleta de Iraola do Atl.Bilbao, contra o Espanyol

- O slalom de Robben a valer uma importante vitória sobre o Villareal

- A expiração de David Silva na recepção do Valência ao Atl.Madrid

- Leon Osman do Everton

- Tyson do histórico Nottingham Forest, frente ao milionário Man City

- Riera do Liverpool

- Por cá, finalmente, o chapéu de Paulo Jorge e a bicicleta de Rodriguez


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5.1.09

Trofense - Benfica: "La Pesadilla" do Golias

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Pesadelo – Aquilo que Quique chamou de pesadelo até podia ter sido diferente caso o Benfica tivesse aproveitado as, poucas mas boas, oportunidades que teve. É verdade. No entanto, aquilo que se viu foi de facto fraco. O Trofense percebeu bem a importância de perturbar a construção do Benfica e isso conduziu a um jogo com muitas dificuldades de ligação entre sectores dos encarnados. O tempo e a ineficácia em 2 boas oportunidades acabaram por dar depois ao Trofense a confiança para ir crescendo no jogo, equilibrando-o primeiro, e aproveitando, depois, algumas dificuldades defensivas que se reconhecem ao Benfica. O golo, esse, chegaria através de um duplo erro individual que proporcionou à equipa da Trofa aproveitar o adiantamento do adversário na sequência de um lance de bola parada. Primeiro, uma displicência tremenda de Di Maria (será mesmo verdade o que se vai por aí escrevendo?!) e, depois, uma abordagem menos conseguida por Moreira (lembro-me bem o que disse do afastamento de Quim). A segunda parte trouxe uma alteração táctica para o losango que, no caso do Benfica, dada a operacionalização quase inexistente, me parece mais um acto de fé do que qualquer outra coisa. A expulsão complicou o que já era difícil e, mesmo reagindo bem a essa inferioridade numérica, o Benfica não foi capaz de evitar a factura dos riscos em que incorreu.

Modelo tipo “Uniforme” – Quando se projecta um jogo deste Benfica sem Reyes e Katsouranis só se pode pensar que tudo é possível. Não que o Benfica não tenha mais soluções de qualidade, mas porque estes jogadores vêm sendo 2 individualidades que conseguem corrigir ou atenuar problemas colectivos de um modelo que não evolui desde o inicio da época. É um modelo que pode ser encontrado em vários (se calhar a maioria) dos treinadores espanhóis e se calhar é essa característica generalista que faz com que não se façam ajustamentos tácticos às necessidades especificas do Benfica. Não tem a ver com esta derrota, e até há exemplos de sucesso, mas confesso que a ideia de um modelo de jogo tipo “uniforme” é coisa que não me agrada e na qual não acredito.

Desafio mental – Com a derrota na Grécia o Benfica iniciou um ciclo negativo em que conta apenas uma vitória (o 0-6 do Funchal) em 7 jogos. Foram 7 partidas onde se perderam a Taça Uefa, a Taça de Portugal e, agora, a liderança do campeonato. Não é liquido que esta seja uma consequência da reacção psicológica à goleada frente ao Olimpiacos, mas este pode ser um pronúncio preocupante para o que se avizinha. Pela frente o Benfica tem um mês de Janeiro em que terá de reagir bem mentalmente aos resultados negativos sob pena de entrar no Dragão, a 8 de Fevereiro, com uma pressão altamente indesejável.


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Nacional - Porto: Virou líder

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3 pontos....ou mais – Referi, após o empate na Luz, que o Nacional seria possivelmente um dos maiores candidatos a roubar pontos aos grandes. É uma equipa forte tecnicamente e que sabe, normalmente, muito bem o que quer dos jogos. Desta vez, contra o Porto, só por muito pouco não o fez, num jogo que estava destinado a terminar num empate a 2, não fosse um momento de infelicidade de um jogador de Nacional. Na verdade este foi um jogo de muitas faces e em que qualquer desfecho poderia ter sido possível. Para o Porto sobra uma exibição com grande mérito pela entrega e querer que acabou por ser premiada com a felicidade do tal penalti, a compensar a forma fortuita como o Nacional havia chegado à vantagem, mas sobram também alguns indicadores algo preocupantes no capítulo defensivo. É verdade que o Nacional não foi sempre ameaçador, que até nem aproveitou bem o risco assumido pelos portistas no segundo tempo, mas também se viu, à semelhança do Bonfim e, em alguns momentos, da Amadora, uma indesejável permissividade perante a posse de bola contrária, não só depois do 1-2, mas também nos primeiros 15 minutos. De resto, o futuro e os outros confrontos dos grandes com o Nacional dirão qual o valor desta vitória na corrida para o título.

O aspecto emocional – Quase invariavelmente as análises aos jogos oferecem uma visão do jogo como algo puramente racional. À luz deste tipo de visão é impossível explicar o porquê da irregularidade de várias incidências ou comportamentos colectivos. O jogo, no entanto, vive de momentos muito variados e onde há um aspecto particularmente importante e muito difícil de controlar pelos treinadores: a emotividade. Quando o Porto entrou na segunda parte, assumindo um risco grande no jogo, dir-se-ia que o Nacional tinha tudo para poder tirar partido da situação. O fundamental seria gerir o jogo e a revolta emocional (não apenas táctica) do adversário durante alguns minutos até aparecerem os primeiros erros e oportunidades para criar desequilíbrios. O que aconteceu, porém, foi uma gestão emocional errada que resultou num descuido que permitiu que fosse o Porto a aproveitar uma transição para chegar ao empate. A partir daí o lado emocional do jogo pendeu claramente para os dragões, com o Nacional a ser vitima da menor confiança e discernimento dos seus jogadores. O tempo poderia ter amenizado esta situação, mas foi o 1-2 a fazê-lo. Inverteram-se os papeis, com o Nacional, desta vez, a reagir bem emocionalmente ao golo sofrido, ao contrário do Porto. O resultado foi o 2-2 que migrou o jogo para uma fase de erros mútuos e que poderia ter resultado em qualquer desfecho. Alguém acha que aqueles minutos finais teriam sido tão abertos caso estivesse 0-0 e não 2-2? É por isso que, por exemplo, vemos Mourinho valorizar tanto a gestão emocional dos seus jogadores durante os jogos.

Evolução táctica – O jogo teve incidências que vão muito para além dos aspectos tácticos e, até, pode dizer-se que não foi o ideal para os testar realmente. No entanto, devo dizer (já o tinha dito contra o Marítimo, apesar do empate) que me agrada muito mais a colocação de Hulk sobre a direita, como se viu na primeira parte (na segunda foi diferente), do que a sua utilização mais central vista em jogos como frente ao Setúbal ou Académica. Ganha Hulk, porque fica mais reservado para duelos individuais em zonas em que é mais fácil desequilibrar e ganha o colectivo, porque solta mais espaço para as acções de Lucho e Lisandro. Ao Porto faltará resolver agora as suas dificuldades defensivas.

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Setúbal - Sporting: Afinal era fácil

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Resolvido – Não começou por prometer ser um jogo descansado para o Sporting, mas foi-o. O Vitória, ao contrário do que fazia com Carvalhal, não optou por um bloco muito baixo e tentou limitar as soluções para a saída de bola logo desde o primeiro passe. O resultado disso foi a ausência de Veloso da primeira fase de construção do jogo, recaindo sobre os centrais o papel fundamental dessa missão (foi curiosa a responsabilidade assumida por Carriço neste particular, quando Polga costuma ser a solução preferencial). Viram-se passes errados, dificuldade de sair a jogar em apoio mas, também, começou cedo a perceber-se um aspecto que iria ser particularmente importante no jogo. A falta de controlo, por parte do Vitória, da zona à frente da sua defesa. Aqui, importa a origem do problema que tem que ver, primeiro, com a vontade do Vitória em se alongar no campo para pressionar, aumentando o espaço entre sectores, e sendo vulnerável às segundas bolas das abordagens mais directas, e segundo de uma agressividade em doses demasiado moderadas. Foi de uma recuperação nesse espaço que surgiu o lance do primeiro golo que, decisivamente condicionou o jogo. A partir daí os níveis de confiança desequilibraram-se e o Sporting passou a mandar no jogo de forma segura e paciente. Mais um erro individual e o 0-2, percebendo-se aí muito claramente quem seria o dono dos 3 pontos.
Importa, finalmente, falar da segunda parte. É verdade que o Sporting teve, até, as melhores chegadas ofensivas no inicio desse período e que controlou quase sempre o Vitória, apesar da sua vontade em mudar as coisas. Mas é verdade também que houve alguma descontracção que poderia ter resultado num sofrimento desnecessário. O Sporting tem razões para confiar na sua boa organização defensiva, mas deveria ter feito um uso mais inteligente da posse de bola e, sobretudo, um melhor aproveitamento do espaço que o Setúbal ofereceu.


Moutinho e a posição 10 – Foi o melhor em campo. Há, na minha opinião, alguma precipitação em muitas análises sobre o papel de Romagnoli no Sporting. Ofensivamente, ou melhor, com bola, o argentino oferece grande mobilidade que permite o Sporting seja uma equipa forte a jogar pelas alas, mesmo actuando com um losango e, mesmo, sem utilizar laterais especialmente ofensivas. Isto, claramente, Moutinho não é capaz de dar. O que Moutinho dá, entre outras coisas, é outra intensidade em cada um dos momentos de jogo. Nomeadamente, torna a equipa muito mais forte em termos da reacção à perda de bola. Com Vukcevic, já o disse, Moutinho passa a fazer todo o sentido como 10, até pela complementaridade de pontos fortes e fracos entre ambos.

Estabilidade do Meio Campo – É uma questão que levantei após o jogo com a Académica e que me parece poder ser fundamental para que a equipa consiga ter maior consistência sobretudo em termos ofensivos. A gestão de expectativas tem levado Paulo Bento a rodar muito a equipa. Este aspecto pode, no entanto, prejudicar o entrosamento, sobretudo numa zona tão influente como é o meio campo (mesmo Moutinho que joga sempre, tem ocupado funções diferentes). Parece-me que, encontrada uma estrutura base (e a que jogou em Setúbal, parece-me poder sê-lo), seria benéfico mexer menos de jogo para jogo.


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4.1.09

Só faltava meio campo!

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2.1.09

A lucidez de Jesualdo

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(Sobre Lucho)
No ano passado o Lucho jogava por trás de uma linha de três avançados e, a dada altura da época, em Novembro, passou a ser um jogador de entrelinha, entre o meio-campo e o ataque (...) Ora, este ano, o Lucho nunca teve uma equipa estável e essa intranquilidade da equipa transmitiu-se a ele, sendo acentuada depois pela necessidade de uma reorganização táctica. E ele passou a jogar mais como médio interior, com um futebol muito vertical, mais parecido com o que tinha feito no meu primeiro ano de FC Porto
(Sobre Lisandro)
Aquilo que espero dele neste momento não é o mesmo que lhe pedi no primeiro ano, em que jogava encostado à ala. Neste momento, com tudo o que aprendeu na última época, ele conhece todas as acções ofensivas naqueles 68 metros de largura por 50 de profundidade que tem o ataque. E é útil em cada um desses metros.
(Sobre Hulk)
Era uma perfeita idiotice pedir ao Hulk para não correr com a bola, para não chutar, para não enfrentar os adversários, para não correr 30 metros com a bola. Seria uma perfeita idiotice pedir-lhe isso, mas também seria uma idiotice não o integrar nos nossos métodos.(...) Está muito longe de ser um jogador definitivo e nem sequer é muito fácil prever o que vai ser. Agora, tem todas as condições para se tornar num fenómeno, num verdadeiro fora-de-série.(...) Mas ainda não é um jogador capaz de liderar uma equipa como o FC Porto. E isto não é menosprezá-lo, é defini-lo como aquilo que é de forma clara.
(Sobre C.Rodriguez)
Acho que tem um potencial enorme, que transmite uma agressividade e uma profundidade ao jogo muito grande, não é um organizador, nem um jogador de passe. É um jogador à procura de identidade que deixa a equipa ainda um pouco na expectativa sobre qual a melhor forma de explorar as suas qualidades.
(Sobre a equipa)
Acredito que esta equipa ainda está à procura de uma identidade.(...) É uma equipa que perdeu alguma profundidade ao nível do jogo exterior, perdeu também alguma capacidade para gerir o jogo em relação ao ano anterior, mas em compensação é uma equipa com muito mais potência do que a anterior. É uma equipa que não defende tão bem como a anterior, e não me estou a referir apenas à defesa, mas a toda a equipa. Mas esta equipa não está a defender tão bem como a outra por questões que têm a ver com a adaptação de alguns jogadores e com o enquandramento dos equilíbrios defensivos, que ainda não estão perfeitamente alcançados. É uma equipa que, pela sua potência e capacidade de aceleração do jogo, quando conseguirmos que ela toda o faça em uníssono, acredito que será tão ou mais eficaz do que a equipa do ano passado.
Jesualdo, in Ojogo


Não é um treinador popular. O futebol tem destas coisas e se os adeptos já são normalmente crueis para qualquer que seja o técnico em causa, em certos casos uma má reputação pode mesmo resistir às mais evidentes provas de competência. É isso que se passa, um pouco, com Jesualdo. O seu trajecto no clube é, na minha opinião, excelente, e não só pelos títulos, mas ainda assim é quase sempre o primeiro alvo da critica quando as coisas não correm da melhor maneira. Perceber a competência do seu trabalho não é difícil para quem atente às evoluções que introduziu após a sua chegada (há quem tenha defendido a absurda tese de ter vivido do trabalho de Adriaanse, quando houve uma quebra clara com as ideologias de jogo do holandês).
A meio de uma época bem mais difícil e desafiante do que as anteriores, Jesualdo deu uma entrevista em que fala da equipa e de algumas das suas individualidades. Como qualquer líder, um treinador tem de ser capaz de ver para além do óbvio, perceber o bom e o mau do que é feito, independentemente das emoções provocadas pelos resultados. Não é surpresa, mas Jesualdo revela-se lúcido mesmo num momento crescente da equipa em termos de resultados.
Como aqui defendi, nem a “crise” era tão preocupante como foi pintada, nem, agora, o momento da equipa justifica uma expectativa de rendimento ao nível dos anos anteriores. Jesualdo sublinha bem essas lacunas em relação ao passado. Têm a ver não só com diferenças individuais mas também com os ajustamentos recentemente feitos no colectivo. Outro aspecto curioso é forma como se refere a alguns dos seus mais influentes jogadores. A confirmação de que a quebra de Lucho resulta muito de uma perda de liberdade ofensiva e da evolução táctica – não apenas goleadora – de Lisandro no último ano. Em relação aos novos, um grande pragmatismo sobre Hulk e Rodriguez, jogadores diferentes mas de quem se espera muito mais em termos potenciais do que em relação ao rendimento presente. Um aspecto ainda curioso nestes jogadores, é o facto de Jesualdo revelar incerteza em relação a qual sua evolução.
Sobre tudo isto, e para além de destacar a tal sobriedade muito importante num líder, volto a vincar o ponto que tenho defendido nos últimos jogos. Tal como reconhece Jesualdo, o rendimento de Lucho baixou também por motivos tácticos. Se é verdade que a equipa não procura ter em Hulk e Rodriguez líderes para o seu jogo, também me parece ser um facto que a forma como estão a ser enquadrados retira muito do efeito que Lisandro e Lucho conseguiam dar ao colectivo (ofensiva e defensivamente). Com esta entrevista fica no entanto claro que Jesualdo mantém grande lucidez sobre o caminho que está dar à equipa.


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Não entra!

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