ler tudo >>
27.11.08
26.11.08
Fenerbahce - Porto: Missão cumprida!
A ideia de Jesualdo passou pela preocupação em retirar espaços ofensivos a uma equipa que se desequilibra muito em posse por adiantar muitas unidades em cada acção ofensiva. Aqui destaque para a missão de Rodriguez que tinha a responsabilidade anormal neste Porto de fazer um acompanhamento individual às subidas do lateral contrário. Foi por esta preocupação defensiva que vimos sempre um Porto não tão alto como é hábito. A segunda parte do plano era aproveitar os erros que os turcos cometessem em posse para lançar as transições. O Fenerbahce, neste aspecto, ajudou e, por isso, a estratégia funcionou.
No final fica uma vitória muito importante que, honestamente, poderia ter sido bem mais expressiva e que acabou, até, por se complicar com o acidente de Kazim Kazim. É verdade... Lucho não jogou!
A diferença – Reforço o que havia dito na primeira jornada. A diferença destas equipas está na organização e trabalho colectivo. É por isso que esta vitória (e qualificação) são sobretudo um feito de Jesualdo. O Porto jogou contra equipas que individualmente não lhe são inferiores e só se conseguiu superiorizar pela diferença que tem a nível de organização colectiva. Repito o que venho dizendo desde o inicio: se o Porto se mantiver fiel às suas ideias e ao seu modelo acabará por confirmar a sua competência ao longo da época.
Sobre o Fenerbahce, verifica-se que o tempo em nada tem feito evoluir a equipa de Aragonês. Muitas vezes fala-se da importância do tempo para se fazer crescer as equipas. É correcto, com o tempo as coisas só tendem a melhorar. O problema é que o tempo só serve para levar as equipas até ao nível de qualidade das suas ideias e quando estas, por principio, têm falhas, não é o tempo que as vai corrigir.
4-4-2?! – Nem de propósito. Tinha falado há dias da dificuldade generalizada que existe em perceber as diversas variantes do modelo de Jesualdo. Pois bem, neste jogo passamos grande parte do jogo a ouvir falar do 4-4-2 e de 4 médios. Com excepção dos tais ajustamentos estratégicos (postura mais baixa e posicional e acompanhamento individual de Rodriguez ao lateral), o Porto apresentou-se na primeira parte naquela que identifiquei como sendo a “variante 1” do 4-3-3 e, na segunda, (até aos 80 minutos) na “variante 3”, com Lisandro a jogar no espaço entre linhas. Faria, na minha perspectiva, até mais sentido falar-se em 5 médios (se entendermos que os extremos são médios) do que que em 4, isto porque Rodriguez jogou sempre na mesma linha de Lisandro.
Já agora, aproveito para comentar outra coisa que se ouviu, não pela primeira vez. A ideia de que uma equipa precisa de jogar com 4 médios para ter sucesso na Europa. É daquelas afirmações absolutistas que são em si mesmo um contra senso num jogo que é, como todos reconhecem, tão relativo. E, para o caso, é tão fácil arranjar contra exemplos...
Cenário repetido – Lembro-me do que aconteceu há 2 anos. O Arsenal veio ao Dragão na última jornada, com as duas equipas já apuradas e com um empate a ser suficiente para que os ingleses garantissem o primeiro lugar. Na altura os “Gunners” tudo fizeram para que se cumprisse um pacto de não agressão e a verdade é que o Porto permitiu que o jogo decorresse num ritmo baixo durante grande parte dos 90 minutos. O resultado foi um nulo e um Chelsea-Porto nos oitavos, previsivelmente condicionando maiores aspirações do Porto em chegar mais longe na prova. Não creio que o Porto de hoje tenha a mesma qualidade e capacidade daquele de 06/07, mas é bom que a memória sirva de exemplo para que não se desvalorize a importância do primeiro lugar e, sobretudo, para que não se permita que os ingleses voltem a levar a melhor com uma eventual tentativa de conduzir o jogo a um ritmo mais baixo e conveniente.
ler tudo >>
25.11.08
O bom aproveitamento da passividade
O filme da primeira parte
De Coimbra não sobraram grandes jogadas que tivessem a baliza como destino final. Sobraram, no entanto, vários exemplos de como a posse de bola deve ser conduzida, com grande mobilidade dos jogadores e utilizando toda a largura do campo. Ao Benfica terá faltado, como retrata a primeira jogada do vídeo (14 passes em 1 minuto de posse de bola), uma melhor definição na abordagem ao derradeiro quarto de campo, mas isso acabou por não ser, afinal, um grande problema.
Para que se perceba a superioridade e conforto encarnado em grande parte do jogo é preciso, no entanto, salientar um aspecto essencial. A atitude demasiado expectante da Académica. Repetidamente o bloco ‘estudante’ foi demasiado posicional, pouco agressivo e, sobretudo, pouco pressionante. Um pormenor que, em particular, condenou em grande medida as possibilidades de sucesso defensivo da Académica foi o tempo e espaço que concedeu à primeira fase de construção do Benfica. Repetidamente Luisão e Sidnei escolheram sem qualquer problema quando e por onde cada jogada deveria começar. Felizmente, consegui encontrar no jogo uma excepção a esta regra comportamental, que confirma também a utilidade que poderia ter uma atitude mais perturbadora para a primeira fase de construção encarnada.
O golo
O Benfica conseguiu reforçar-se com elementos que têm o condão de desequilibrar qualquer partida. Entre todos esses nomes que já tantas capas de jornais fizeram não consta Ruben Amorim, mas, para mim, o ex-Belenenses tem uma importância bem superior a muitos das mais sonantes aquisições encarnadas. A sua regularidade e inteligência fazem dele um jogador muito útil e, frente à Académica, provou-o mais uma vez.
No golo que abriu caminho à vitória, Amorim começou por decidir bem e rápido, abrindo em Nuno Gomes, antes de completar o movimento com a diagonal que lhe permitiu finalizar. Muito destacada foi a acção de Nuno Gomes. Sem lhe retirar qualquer mérito numa abordagem que o define como jogador, não posso deixar de considerar que na jogada há, em primeiro lugar, uma atitude muito comprometedora de uma defesa que, tal como em todo o jogo, foi pouco pressionante e pouco agressiva.
ler tudo >>
O fim de semana...
ler tudo >>
24.11.08
Académica - Benfica: Resolvido, facilmente
Mesmo sem conseguir oportunidades de golo que justificassem a vantagem, não consigo dizer que o Benfica não a merecesse. Isto porque o contraste entre a interpretação das estratégias foi sempre evidente, com o Benfica a ter sempre o domínio do jogo, conseguindo muito boas fases de circulação de bola em que tirou partido da largura oferecida pelo 4-4-2. Outro aspecto positivo no jogo encarnado foi a mobilidade (e qualidade) dos seus jogadores da frente. Mas, se o Benfica teve fases positivas, muito há que dizer daquilo que não foi feito pela Académica. A forma passiva e demasiado expectante do seu bloco defensivo permitiu sempre que o primeiro passe fosse feito sem qualquer pressão o que condicionou quase por completo as hipóteses de conseguir potenciar o erro no jogo encarnado. Essa passividade ficou, depois, bem mais notória no lance do golo onde foi dado demasiado tempo e espaço para que Nuno Gomes fizesse a assistência.
Académica – Dificilmente a Briosa poderia esperar por uma melhor oportunidade para vencer o Benfica. Aquilo que aconteceu, no entanto, foi a repetição de um cenário de outros jogos recentes em que a Académica acabou por perder o jogo de uma forma demasiado fácil. A Académica, parece-me, percebeu mal a forma como deveria parar o futebol encarnado, dando todo o tempo para que o primeiro passe fosse feito. A Académica acumula 6 jogos sem ganhar para o campeonato e 3 derrotas consecutivas, incluindo a eliminação para a Taça. Tendo em conta que com este jogo se inicia um ciclo complicado, não é de excluir a hipótese de vermos os estudantes em zonas mais complicadas do que actual. Há, claramente, várias coisas a rever para os lados de Coimbra.
Situação – O global da época não tem sido brilhante mas no campeonato – a prova mais importante – o Benfica conseguiu atingir uma situação confortável. Quique e o Benfica têm agora um importante desafio para inverter uma situação negativa na Taça Uefa. Esse será o objectivo imediato de uma equipa que ainda não provou ser capaz de se exibir de forma continuamente consistente sob um modelo de jogo, apesar de toda a qualidade individual que se reconhece ao plantel.
ler tudo >>
Naval - Sporting: Resistir
Estranho – Se frente ao Leixões o Sporting havia perdido, mais do que 3 pontos, muito do seu fulgor anímico, 1 semana volvida e conseguiu arrancar da Figueira da Foz uma vitória que, pelas incidências do jogo, pareceu valer mais do que os simples 3 pontos conquistados.
De facto, o Sporting teve de sofrer muito num jogo atípico, onde começou por chegar à vantagem sem que o tivesse propriamente merecido, mas onde a segurança do seu futebol, a partir desse momento, em nada justificava tanto sofrimento para garantir uma vantagem que, até, podia ter sido ampliada logo no primeiro tempo. Podem-se queixar os sportinguistas, mais uma vez, de um momento de descontrolo emocional de um jogador que, pela idade e experiência que tem, deveria ser o último a protagonizá-lo.
Na exibição do Sporting, destaque para alguma dificuldade ofensiva no primeiro tempo que resulta, fundamentalmente, de 2 factores. Primeiro, a postura da Naval, bem organizada e concentrada em reduzir os espaços no seu meio terreno. Segundo pela própria equipa apresentada por Paulo Bento, com dificuldade em contar com o apoio dos laterais e perdendo mobilidade com a presença de Postiga na posição 10. De resto, defensivamente o Sporting controlou sempre as transições da Naval, sempre canalizadas para as alas, mas terminando invariavelmente em cruzamentos condenados ao insucesso. A excepção foi aquele que deu origem à grande penalidade. Afinal, a única real oportunidade de empate nos 90 minutos.
Naval – Curioso o que sucedeu à Naval. A estratégia de Ulisses passava por fazer do relógio um aliado, colocando um bloco denso e agressivo sobre o seu próprio meio campo, retirando espaço de ataque ao Sporting. Em transição a bola era conduzida invariavelmente para as alas, colocando também em sentido os laterais contrários. Esta estratégia deveria ter como efeito um retardamento do golo leonino, potenciando a ansiedade nos jogadores contrários que, com o tempo, teriam tendência a errar mais. Acontece que o futebol é mesmo imprevisível e a Naval, depois de ter concedido um golo inaceitável na sequência de um canto a seu favor, acabou por ter de inverter totalmente a postura conservadora que trouxe para o jogo. Pode dizer-se que, no final, a Naval provou do próprio veneno, com o tempo a servir de catalizador para a ansiedade e pouco esclarecimento dos seus jogadores.
0-1! – Em 8 deslocações esta temporada o Sporting teve 5 resultados idênticos. Não é por acaso. Abordar os motivos desta repetição de resultados faz-me recuar até ao que havia dito após o jogo de Vila do Conde. O que de lá para cá se passou acabou por colocar o Sporting numa situação francamente menos favorável, fora da Taça e sob pressão no campeonato onde se sente que o fardo da diferença pontual se poderá tornar demasiado pesado em caso de mais perdas. A conclusão é simples. Se o Sporting poderá alicerçar a sua época na segurança defensiva, também é claro que, para o fazer, terá de deixar, rapidamente, de passar por momentos de alguma esquizofrenia defensiva, intervalando a segurança defensiva com erros totalmente evitáveis em certos jogos.
Patrício – Se há uma semana referi a sua responsabilidade no golo que ditou a derrota caseira com o Leixões, agora devo fazer justiça e salientar a importância da sua exibição. Claramente tem vindo a crescer este ano, mas não me desvio da ideia inicial. Para um candidato ao título todos os pormenores são “pormaiores”.
ler tudo >>
21.11.08
O(s) sistema(s) de Jesualdo
Pois bem, na minha interpretação, o Porto de Jesualdo, jogo com o Leixões à parte, tem um modelo que está implementado sobre uma estrutura (sempre) em 4-3-3 e que, desde a chegada do treinador ao clube, teve apenas 3 variantes que resultam de pequenos ajustes no comportamento de alguns jogadores da frente.
Esta época esta variante foi apresentada, por exemplo, na primeira parte do jogo para a Taça em Alvalade com Hulk a servir de 9.
O objectivo desta variante é, claramente, dar maior consistência ao meio campo ao mesmo tempo que se criam condições para explorar eventuais adiantamentos dos laterais adversários, pela colocação do tal extremo livre de tarefas defensivas.
ler tudo >>