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6.11.08
5.11.08
Sporting - Shakhtar - Maturidade
Controlo imperfeito – Foi evidente para todos que o controlo que o Sporting pretendia ter no jogo não foi sempre bem conseguido. O Sporting teve períodos em que conseguiu jogar menos do que seria desejável, sendo empurrado para zonas demasiado próximas da baliza de Patrício. Vejo, para explicar esta constatação, uma parte de mérito do Shakhtar e outra de demérito leonino. O mérito do Shakhtar pela tal dificuldade que cria sempre que chega com a bola à sua zona ofensiva. Não é um jogo colectivamente brilhante mas conta com bons jogadores e, sobretudo, coloca muita gente no último terço de campo, tornando-se difícil de controlar. Outro aspecto tem a ver com a pressão. O Shakhtar faz uma pressão alta e agressiva que tem referências sobretudo individuais mas que cria dificuldades à construção adversária. Esta pressão tem outro efeito, o desgaste. Não é por acaso que o Sporting se apresentou melhor nos últimos 20 minutos do jogo, onde foi notória a incapacidade de alguns jogadores laranja em readaptar tão rapidamente o seu posicionamento no jogo. Do lado do Sporting, a principal critica vai para as perdas de bola que, embora potenciadas pela pressão do Shakhtar, contaram também com uma boa dose de precipitação. Este foi um aspecto que já havia sido decisivo na última derrota frente ao Porto e que, tal como nessa partida, se foi dissipando com o tempo.
Ponto de situação – Tinha falado aqui da evidência do crescimento defensivo do jogo do Sporting e da importância deste aspecto no sucesso do modelo de Paulo Bento. Essa ideia, apesar das dificuldades acima referidas, voltou a sentir-se, destacando na defesa do Sporting o excelente jogo posicional (apesar de alguns erros e limitações noutros aspectos) de Caneira, Polga e Grimi. Em 13 jogos oficiais nesta época, o Sporting conseguiu manter as suas redes invioláveis por 9 vezes, o que é notável. Se a equipa conseguir crescer no tal segundo momento ofensivo – tal como referi após o jogo do Rio Ave – tornar-se-á muito difícil de parar, sobretudo, obviamente, a nível interno.
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4.11.08
3 lances da jornada...
O efeito Lucho
O Porto recuperou o seu modelo na Figueira. Não venceu, é verdade, mas pelo menos voltou a mostrar alguns dos seus pontos fortes, sobretudo na primeira parte. Lucho, em particular, voltou ao centro e, se é verdade que a sua prestação foi bem menos constante do que o desejável, também é um facto que esteve ao seu nível em algumas jogadas que poderiam ter dado outro destino ao jogo.
Muitas vezes é elogiada a sua inteligência com bola, mas os méritos e inteligencia de Lucho começam na forma como pressiona. Na melhor ocasião portista, Lucho foi protagonista. Tocou apenas 2 vezes na bola, mas foi o principal responsável por transformar uma posse de bola adversária numa ocasião soberana de golo.
Luisão inocente
Poucos foram os lances em que a defesa do Benfica foi ultrapassada. Da vitória em Guimarães não resulta, no entanto, uma performance defensiva imaculada. O golo do Vitória, construído pelo centro do terreno, teve em Luisão o réu na generalidade das crónicas. Permitam-me discordar.
O golo resulta de um bom aproveitamento que o Vitória faz do espaço entre linhas no bloco encarnado. Roberto baixa para receber o passe e o ponto essencial é a liberdade concedida ao avançado para se virar e fazer o passe. Atribuo 2 responsabilidades no lance. Primeiro, Sidnei que hesita em pressionar Roberto devido à diagonal de Desmarrets que ataca a sua zona. O central fica em “terra de ninguém”, nem pressionando Roberto, nem controlando Desmarrets. Depois, Maxi. O uruguaio permanece por fora em relação a Douglas, o que impede que Luisão pudesse dobrar Sidnei. O resultado é um 2 contra 1 sobre Luisão que fica com demasiado espaço e 2 adversários para controlar. O único pecado do brasileiro terá sido a tentativa de desarme que não conseguiu realizar, mas dificilmente poderia parar Douglas mesmo que não o tentasse.
“Caçada” ao erro
Da jogada decisiva de Vila do Conde resultaram dois tipos de análise, dependendo das perspectivas. Uns destacam o mérito individual de Liedson, outros o demérito de Bruno Mendes. Que as contribuições individuais – um pela positiva, outro pela negativa – dos dois são decisivas, não há dúvidas, mas a verdade é que o sucedido não é apenas o resultado de um duelo individual. Pelo contrário, o erro de Bruno Mendes é o produto de uma pressão colectiva muito bem protagonizada pelo Sporting.
A bola é recuada – por efeitos de pressão leonina – para Gaspar e este, pressionado por Liedson, atrasa ainda mais para Bruno Mendes. Nesse momento acontece um pormenor decisivo. Derlei abandona a sua postura posicional e protagoniza um “sprint” que o coloca, de repente, no campo de acção de Bruno Mendes. Normalmente o domínio de Bruno Mendes seria em direcção à esquerda, mas a subita aparição de Derlei retira-lhe essa possibilidade. O jogador, evidentemente, não reage bem e decide mal, acabando por sucumbir aos efeitos de uma “caçada” leonina pelo erro.
A pressão é como as caçadas dos felinos na Savana. Para ter sucesso é preciso um momento de vulnerabilidade da presa mas nada surge sem a cooperação e sagácia dos caçadores.
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Destaques do fim de semana...
- Evando (Avai)
- Esmerado (Huracan)
- Diego (Werder Bremen)
- Schultz (Hannover)
- Del Piero (Juventus)
- Koevermans (PSV)
- Navas (Sevilha)
- Xavi (Barcelona)
- Hadji (Nancy)
- Nivet (Caen)
- Benzema (Lyon)
- Serginho (Feirense)
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3.11.08
Guimarães - Benfica: Superioridade estratégica
Quando se junta uma equipa disposta a assumir o jogo, mas sem segurança na construção e com desequilíbrio defensivo, a uma outra, concentrada em transformar as recuperações do seu pressing em perigosas transições, o resultado torna-se previsível e, nesse aspecto, este jogo não surpreendeu.
Segurar a vitória – Era um problema apontado ao Benfica nos últimos jogos e em Guimarães a equipa deu uma boa resposta a essa critica, jogando mais de meia parte em inferioridade numérica, mas sem que o resultado se alterasse. Na verdade fico na dúvida se a expulsão não poderá mesmo ter sido benéfica em termos de solidez defensiva (ofensivamente a equipa perdeu claramente). É que com menos uma unidade o Benfica não teve problema em assumir um bloco baixo e denso, contornando o tal problema do espaço entre linhas (na origem do golo do Vitória). Já contra o Porto a equipa havia tido o mesmo problema e apresentado o mesmo resultado. Dá que pensar...
Ainda assim e independentemente deste aspecto, há que realçar a entrega e concentração defensiva dos jogadores assim como, mais uma vez, alguma incapacidade para gerir melhor os tempos de posse de bola – ainda que desta vez a inferioridade numérica seja uma atenuante naturalmente importante.
Guimarães – Francamente não consigo deixar de dar uma grande responsabilidade na derrota ao próprio Vitória. Cajuda apresenta agora um modelo diferente do da época anterior, em 4-4-2, mas que está cheio de lapsos tácticos, bem aproveitados pelo Benfica. Diz-se que o losango retira capacidade de jogar pelas alas. Normalmente é uma afirmação errada, mas, no caso do Vitória, ela aplica-se mesmo. Com 2 avançados pouco móveis (um erro) a equipa fica demasiado dependente dos laterais sobre as alas, e quando a bola entra nestes não há possibilidade de progressão a não ser através de acções individuais, muitas vezes suicidas, ou cruzamentos largos e fáceis de resolver. A equipa torna-se assim muito dependente do corredor central (tal como aconteceu no golo) para atacar. Finalmente, há o problema da transição defensiva. Os 2 laterais abrem em simultâneo e a posse de bola tem poucas referências de saída, estando vulnerável ao erro. Em caso de perda os 2 centrais ficam muito expostos com a agravante de serem limitados a recuperar (como Suazo explorou isso!).
O Vitória vai ter mais tempo para treinar e evoluir sem a Europa (parece que Cajuda, afinal, até reconhece que é benéfico não ter tantos jogos), mas se o fizer dentro destas ideias seguramente sentirá muitas dificuldades e só muito dificilmente terá hipóteses de entrar na luta pela Europa.
Individualidades – Honestamente há alguns aspectos no modelo de jogo do Benfica que me fazem torcer o nariz e que este jogo não foi suficiente para mudar essas ideias. A grande força deste Benfica de Quique, parece-me, está na mais valia que as suas individualides conseguem dar em termos ofensivos. Depois de Reyes noutros jogos, tivemos agora os detalhes decisivos de Suazo e Aimar. O primeiro, perante as dificuldades dos centrais adversários) parecia o Ronaldo (o brasileiro) dos velhos tempos – apesar de no lance do golo ter de se contar com algum azar de Danilo. O segundo foi menos constante, mas teve aquele delicioso passe e ainda algumas jogadas individuais de grande qualidade – foi dele também a jogada que resultou no livre do segundo golo.
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Naval - Porto: Mais crise...
Primeira parte – O primeiro e importante ponto (positivo, neste caso) está na recuperação do modelo em que o Porto se sente melhor. No "seu" 4-3-3 o Porto dominou, voltou a ter em Lucho uma referência e a fazer da pressão uma arma (foi em transição e numa jogada que teve Lucho como protagonista que Lisandro desperdiçou a melhor ocasião desse período). Em boa verdade, penso que, com a tal confiança, o rendimento portista dos primeiros 45 minutos, não sendo brilhante, teria sido suficiente para valer a vantagem ao intervalo. Houve, no entanto, alguns aspectos que ficaram aquém do pretendido. A saber: Lucho foi menos interventivo e decisivo do que era desejável (e habitual), os extremos jogaram demasiado presos à linha, não dando a mobilidade desejável, e, finalmente, houve alguns erros de abordagem individual, particularmente dos laterais, que justificaram os únicos (muito escassos) problemas defensivos sentidos pelo Porto nesse período.
Incapacidade para virar – O segundo tempo não começou por correr bem, com a Naval a chegar ao golo num lance feliz mas que conta, mais uma vez, com erros individuais evitáveis. A verdade é que o Porto não teve depois o melhor desempenho na busca do empate e esta incapacidade de reagir às desvantagens é já um hábito do Porto de Jesualdo. Aqui recupero uma ideia já destacada em anos anteriores. Ao mexer na sua estrutura habitual o Porto tenta ganhar mais presença ofensiva mas, notoriamente, a qualidade colectiva ressente-se. Na Figueira, Jesualdo experimentou durante 20 minutos uma estrutura de 3 defesas e um quadrado no meio campo (3-4-3). Ora, se nunca fora utilizada porque é que se havia de esperar que os jogadores dessem uma boa resposta colectiva numa estrutura com que não estão familiarizados?
Problemas e soluções – Começando pelos problemas. Para além da tal confiança, recuperável com vitórias, o Porto tem um claro problema de qualidade individual na interpretação do seu modelo. Guarda redes, laterais, médio defensivo e extremos têm sido um problema evidente que resulta sobretudo de uma incapacidade de comprar ao mercado uma qualidade próxima dos jogadores que foram vendidos. A isto junta-se uma quebra de forma do principal desequilibrador da equipa, Lucho, e um anormal desacerto de Lisandro na finalização. Para além das individualidades há um problema de dinâmica colectiva que tem a ver com a pouca mobilidade dos extremos que precisam de oferecer mais mobilidade à equipa e não permanecerem tão fixos nas linhas – gera previsibilidade.
A única solução que vejo para o Porto é tentar superar estes problemas dentro do modelo em que os jogadores se sentem mais familiarizados. Se o problema é a adaptação de alguns jogadores a certas funções, mudar de modelo seria aumentar o número de jogadores em adaptação, tornando as coisas mais difíceis no curto prazo e incertas no médio prazo. Dentro desta ideia, creio que será importante, numa primeira fase, tentar recuperar o maior número de jogadores possíveis da estrutura do ano passado como forma a aproximar o mais possível o rendimento da equipa com o excelente nível do ano passado. Assim, parece-me que Hélton, Fucile, Tarik, Mariano e até Farias deverão fazer parte da solução imediata de Jesualdo, partindo só depois para uma integração progressiva dos novos – aliás penso que esse devia ter sido o rumo inicialmente escolhido pelo professor.
Ainda assim, e apesar do pessimismo geral, creio que o Porto mantém uma ideia de jogo muito boa e sobretudo adequada ao consumo interno. Se não se desviar dela, estou seguro, permanecerá como um sério candidato ao título, apesar do que pensará nesta altura muita gente...
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Rio Ave - Sporting: Consistência
Na história de Paulo Bento no Sporting, os melhores momentos foram sempre caracterizados por uma grande solidez defensiva. Se ofensivamente ainda há aspectos por melhorar, 4 jogos sem sofrer são, sem dúvida, um excelente indicio.
Ofensivamente – Se defensivamente o Sporting esteve muito bem, ofensivamente sentiu mais dificuldades. Aqui destaco alguma incapacidade para criar as jogadas de envolvimento no segundo momento ofensivo que, no passado, foram característica do jogo leonino e que tinham Romagnoli como referência principal. Alguns explicam esta carência com um hipotético mau momento do argentino que se eclipsa no jogo. Eu penso o contrário. Ou seja, Romagnoli eclipsa-se porque a equipa não procura esses movimentos e não o oposto. Curiosamente o Sporting, no primeiro tempo, acabou por fazer do seu pressing e capacidade de recuperação a sua principal arma, que teve no lance do golo um efeito decisivo, com trabalho conjunto de Derlei (é também por isto porque joga em vez de Postiga) e Liedson a provocar o erro e a resultar no isolamento do 31.
Meio campo – É impossível não falar do que aconteceu após a entrada de Veloso. O Sporting partiu para um período de grande qualidade onde não só geriu o resultado como passou a estar muito próximo de o dilatar. Aqui destaco o papel de Rochemback que, a partir daí, fez uma grande exibição, na posição onde estou convicto que rende mais. Está por provar o rendimento de Veloso e Rochemback em simultâneo perante adversários mais fechados mas, para já, no meio campo do Sporting só há uma condição que me parece obrigatória: numa das alas tem de jogar um jogador que dê profundidade (Izmailov, Pereirinha ou... Vukcevic). De resto, o problema da melhoria do capítulo ofensivo (em organização ofensiva) deve ser resolvido em paralelo com estas questões sobre a composição do meio campo. Este é um aspecto essencial (e o que falta) para que o nível de jogo do Sporting atinja o seu potencial e tenho algumas dúvidas se a rotatividade do meio campo (inevitável nesta fase) não pode ser prejudicial à consolidação de processos.
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