7.7.08

Bruninho: mais um prodígio revelado na Internet

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É mais um prodígio a fazer furor na Internet. Bruninho (Bruno Costa), brasileiro de 8 anos é o protagonista e, apesar da sua tenra idade, não será difícil o que vai acontecer nos próximos anos deste talentoso rapaz. Para já joga futsal no Cabofriense, deslumbrando frente a escalões bem superiores ao seu, mas o seu futuro é projectado como “craque” dos relvados. Se vai ou não ser o que alguns antevêem, cá estaremos para confirmar, para já fica, para nós, um delicioso vídeo das suas jogadas e, para os seus familiares, um enorme desafio de educação...


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5.7.08

Acordo TV do FC Porto: Afinal quanto valem 52 milhões?

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52 milhões é um belo número, sem dúvida. Tão belo que, para qualquer a adepto que o veja associado como receita do seu clube, é quase imediata a associação com uma imagem de novos craques a reforçar o emblema em causa. 52 milhões foi o número de euros anunciado pelo FC Porto para as suas receitas televisivas da Liga Portuguesa para as próximas 6 temporadas. A verdade é que estes 52 milhões são o reflexo do grande problema do futebol português, tornando-se esta ideia particularmente acentuada se tivermos em conta que é o melhor acordo que do futebol português.
52 milhões em 6 épocas representam cerca de 8,6 milhões de euros por temporada. Este é um valor totalmente desfasado com a dimensão dos principais clubes portugueses e, mais ainda, com aquilo que eles têm representado em termos desportivos na Europa. Ficam aqui alguns dados que recolhi e que facilmente deixam perceber o estado do futebol português nesta matéria e o quanto representa a diferença neste aspecto em particular:


- Receitas Direitos TV Liga Portuguesa em 07/08 – 48 milhões de Euros (cerca de 24 milhões destinados aos 3 grandes): média de 3 milhões por clube.
- Receitas Direitos TV Liga Inglesa em 07/08 – 955 milhões de Euros: média de 48 milhões por clube.
- Receitas Direitos TV Liga Alemã a partir de 2009 – 500 milhões de Euros/ano: média de 28 milhões por clube.
- Receitas Direitos TV Liga Francesa a partir de 2008 – 566 milhões de Euros/ano: média de 28 milhões por clube.
- Receitas Direitos TV Liga Escocesa a partir de 2008 – 39 milhões de Euros/ano: média de 3,3 milhões por clube.
- Receitas Direitos TV Liga Belga a partir de 2008 – 45 milhões de Euros/ano: média de 2,5 milhões por clube.
- Receitas Direitos TV Liga Belga a partir de 2008 – 34 milhões de Euros/ano: média 1,9 milhões por clube.
- Receitas Direitos TV Liga Belga a partir de 2008 – 34 milhões de Euros/ano: média 1,9 milhões por clube.
- Receitas Direitos TV (Liga) Man Utd em 07/08 – 62 milhões de Euros
- Receitas Direitos TV (Liga) Bolton 07/08 – 40 milhões de Euros
- Receitas Direitos TV (Liga) Bayern Munique 07/08 – 29,1 milhões de Euros
- Receitas Direitos TV (Liga) Real Madrid a partir de 2008 – 155 milhões de Euros/ano
- Receitas Direitos TV (Liga) Barcelona a partir de 2008 – 150 milhões de Euros/ano
- Receitas Direitos TV (Liga) Juventus a partir de 2008 – 110 milhões de Euros/ano
- Receitas Direitos TV (Liga) Atl.Madrid a partir de 2009 – 42 milhões de Euros/ano
- Receitas Direitos TV (Liga) Valencia a partir de 2009 – 30 milhões de Euros/ano


As fontes destes dados foram diversas e se houver outras informações ou correcções, agradeço que sejam feitas.
Os dados são claros quanto à disparidade e à insignificância do contrato assinado pelo FC Porto – repito, o mais rentável em Portugal até ao momentos – face a dezenas de clubes espalhados pela Europa. Este é um ponto em que tenho insistido muitas vezes e, por isso, não me vou alongar muito. Apenas chamo atenção para o facto da importância das ligas em relação à dimensão dos clubes em si. Curioso é como no meio de tantas reuniões importantíssimas que se fazem na liga, nenhuma aborde este tema...


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4.7.08

Jô: Mais um resgate brasileiro feito a leste

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Tal como acontecera com Elano há um ano atrás, o Man City confirmou a contratação de um brasileiro vindo do leste. O seu nome é Jô e, se a operação Elano custou cerca de 12 milhões de Euros, a de Jô representou um novo recorde do clube azul de Manchester, ultrapassando a verba paga pelo jogador então contratado ao Shakhtar.

Este sinal de disponibilidade financeira do City pode deixar a entender uma tentativa de assalto às primeiras posições da Liga nos próximos tempos, sendo que, claro, para lá chegar é preciso um pouco mais do que o simples investimento. Por exemplo, pode questionar-se como é que no meio de tantos investimentos (e numa altura em que se fala em Ronaldinho) em busca de mais valias, se opta por contratar Mark Hughes, um treinador que é “mais do mesmo” na Premier League...

Quanto a Jô, é mais uma das curiosidades que a liga inglesa nos reserva. Há muito nas bocas do mundo pela sua aparição precoce, Jô só espanta por ter ainda 21 anos. Trata-se de um jogador que no CSKA de Moscovo confirmou os predicados que se lhe apontavam quando despontou no Corinthians, parado apenas por algumas lesões, que apareceram com maior regularidade do que era desejável. A Premier League pode ser agora o palco certo para Jô se afirmar como um dos candidatos ao 9 da canarinha, uma camisola aparentemente sem dono após o eclipse de Ronaldo. Quanto às suas características, dir-se-ia que o 1,89m de altura não impede que o pé esquerdo e mobilidade sejam os maiores atributos de um jogador que, um pouco à imagem de Kanu ou Adebayor, se encaixa no “estilo Saci Perere”!

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3.7.08

Libertadores: E não é que deu mesmo LDU!

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Mesmo depois do vendaval LDU em Quito que valeu uma vantagem de 4-2 para a segunda mão permanecia o cepticismo da generalidade dos adeptos e observadores em relação às possibilidades da surpresa no nome do vencedor final da Libertadores. Afinal, “viradas” – como lhe chamam os brasileiros – perante o fervor do Maracanã era algo que o Fluminense já havia conseguido frente a emblemas bem mais poderosos do que esta incógnita LDU. Pois bem, mais uma vez os equatorianos conseguiram. Primeiro puseram o Maracanã em sofrimento forçando a eliminatória a ir para o prolongamento (3-1 final) e penaltis. Numa noite que era para ser de festa, o Maracanã acabou mesmo em choro, com as 3 penalidades defendidas pelo veterano Cevallos.

O jogo foi um mar de emoções. É impressionante como o factor casa tem tanto impacto na América do Sul em contraste com o que se passa no mais racional futebol europeu. Depois de uma primeira mão de papeis invertidos, desta vez foi o Fluminense a ser demolidor pela energia e incrível confiança com que abordou os lances em comparação com o seu opositor, quase encolhido perante o que acontecia. Isto mesmo depois do Quito ter dificultado ainda mais a tarefa ao Flu, com o golo madrugador de Bolaños. Como se nada fosse, no entanto, o Flu mandou-se para a frente e só parou a meio do segundo tempo quando Thiago Neves empatou a eliminatória com um livre que completava um hat-trick pessoal que, depois da frustração final, a pouco mais que nada saberá. Este – o 3-1 – foi um momento de viragem no jogo. Já se sabia que tanta correria só poderia dar numa rebentar colectivo em termos físicos. Quem correu mais foi o Flu e, por isso, foram também os brasileiros os primeiros a evidenciar os seus problemas físicos. Embora sem nunca dominar o jogo – parecia que fazia parte do protocolo ceder a iniciativa à equipa da casa – o Quito passou a estar mais próximo de marcar, enviando uma bola ao poste ainda antes do prolongamento. A verdade, porém, é que pouco ou nada se passava no campo. Manso, o tecnicista argentino do Quito, rebentou e foi substituído, os seus dois desequilibradores, Guerron e Bolaños, foram sempre impressionantes individualmente mas também perderam gás de forma notória e, do lado do Flu, o jogo directo passou a ser muitas vezes o recurso de uma equipa sem energia para mais correrias – nota para os laterais que, normalmente ofensivos, “acabaram” muito cedo. Assim, o jogo foi para prolongamento e tudo indicava que os penaltis fossem mesmo o destino. Essa não foi uma previsão errada, mas a emoção atingiu o seu clímax uns minutos mais cedo, tudo num Maracanã que era uma multidão de nervos...

Primeiro a bola foi bombeada para a área, Bieler cabeceou e bateu Fernando Henrique. O Maracanã gelou, mas o árbitro – que vinha sendo muito contestado pelos brasileiros – anulou o golo que destinaria a eliminatória a 4 minutos do final dos 120 minutos. Pelo meio ainda Tiago Neves esbanjaria aquilo que seria o seu quarto da noite (talvez lhe valesse uma estátua nas Laranjeiras!), mas o final ainda teria mais uma imagem impressionante antes dos penaltis. No minuto 120, Guerron, a estrela e revelação da prova, deixou toda a gente boquiaberta com um sprint de 60 metros só parado em falta por Luiz Alberto à entrada da área. O central e capitão do Flu foi expulso e Guerron ficou aí uns 3 minutos estendido no relvado. O livre não deu em nada, mas aí percebeu-se que talvez este Quito merecesse mesmo a vitória. E mereceu!
Os penaltis foram quase surreais! Largas dezenas de milhar em pé, quase a chorar de nervos e, no banco do Quito, Edgardo Bauza, o treinador argentino do Quito, sentado, sozinho, com um ar de total tranquilidade perante o momento mais importante da sua carreira. Na baliza, Cevallos um guarda redes de 37 anos fazia a cada penalti uma prolongada reza de joelhos agarrado às redes e de costas para o marcador que, tal como o estádio inteiro, lá tinha que esperar que o ritual terminasse. Marcou Conca para a direita. Defendeu. Thiago Neves, o homem do hat-trick,, para o meio. Defendeu. E ao quarto penalti, Washington para a esquerda... Defendeu! Dos penaltis o jogo foi para a festa que, num contraste absoluto com as últimas horas naquele mesmo cenário, mais pareceu uma organização privada, com as bancadas que, há pouco repletas, completamente vazias.

Foi um grande Quito e um grande Flu também, num futebol que, comparando com a Europa, é completamente anárquico do ponto de vista táctico, com muitas marcações individuais, pouca noção posicional e de pressing. O que não falta porém é qualidade técnica e, sobretudo, uma enorme dose de emoção. Para o adepto, eu diria, chega e bem!

Nota para algumas individualidades. No Fluminense, Thiago Neves foi o destaque óbvio pelos 3 golos. No entanto a exibição do 10 valeu mais pelo aproveitamento do que pela exuberância na fase criativa. O meu destaque é um outro Thiago. Thiago Silva. O central é craque e se lhe derem o enquadramento certo para a adaptação, facilmente se afirmará no futebol europeu a qualquer nível. Do lado do Quito, Vera fez um grande jogo – talvez o melhor em campo – mas o destaque vai, mais uma vez, para a dupla Guerron e Bolaños. O primeiro é o artista. Explosivo, potente e driblador. O segundo não é tão famoso e talvez não seja tão rápido (embora seja também muito veloz), mas é igualmente forte no 1 para 1 e decide e executa melhor de pé direito. Têm os dois 23 anos, o primeiro já está confirmado no Getafe por menos de 3 milhões (vai ser curioso ver se se afirma num futebol tão diferente). O segundo não sei, mas desconfio que ,como meia equipa, não disputará o mundial de clubes.

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Ronaldinho: a técnica mantém-se. A barriga... também!

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2.7.08

Carlos Martins: A última oportunidade

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Depois de Postiga e Rodriguez, Carlos Martins é o protagonista da terceira transferência deste defeso que envolve, ainda que de maneiras diferentes, 2 dos 3 grandes portugueses. Neste aspecto este está a ser um defeso totalmente atípico e não há certezas de que fique por aqui. Quanto à transferência de Martins diria, em poucas palavras, que é um risco para Benfica, uma desilusão para o Sporting e uma oportunidade para o jogador. Mas vamos por partes...

Benfica
Dizer que a contratação de Carlos Martins é um risco é quase uma redundância tendo em conta a história da carreira do jogador. Carlos Martins foi um jogador a quem cedo se reconheceu potencial, tendo características raras como a espontaneidade com que remata com os 2 pés ou a capacidade para protagonizar jogadas decisivas. O seu percurso carregado de lesões, primeiro, e questões de atitude ,depois, fez com que falhasse repetidamente nas oportunidades que lhe foram concedidas no Sporting, chegando aos 26 anos sem grandes evoluções no seu perfil como jogador.
A verdade é que longe de Alvalade Martins apresentou-se com uma regularidade bem maior do que aquilo que era habitual. Foi apenas suplente num jogo e falhou 6 dos restantes 37 do Recreativo na Liga (2 por suspensão e os últimos 4 por lesão). Um aspecto que é, no entanto, elucidativo de que tudo não foram rosas nesta passagem de Martins por Espanha é o facto de ter sido substituído 20 vezes (11 delas antes do quarto de hora final), o que não deixa de ser sintomático tendo em conta o peso que tem a qualidade técnica de Martins numa equipa como o Recreativo. Este é um dado que pode evidenciar algumas lacunas ao nível físico.
O Benfica aposta portanto em que aconteça aquilo que já aconteceu com outros jogadores também talentosos mas cuja a afirmação só se deu de uma forma mais regular com a maturidade de idades mais próximas dos 30 anos. De todo o modo, a aposta em Martins não deverá ser suficiente para impedir a contratação de mais um médio e avançado, previsivelmente, para entrar como primeiras figuras nas contas de Quique Flores. Se o treinador apostar, como se prevê, num meio campo com 2 homens na zona central e 2 avançados, então Martins poderá não ser uma primeira opção no lançamento da temporada, cabendo-lhe puxar pelos galões. De todo o modo, com as saídas de Rodriguez e o próprio Rui Costa, pode dizer-se que o Benfica bem que precisa de uma injecção de qualidade para o seu meio campo...

Sporting
Sai como o principal perdedor desta transferência, apesar do encaixe financeiro por um jogador que não fazia já parte do seu plantel. O Sporting vendeu Carlos Martins, resguardando-se com duas condicionantes que pareciam blindar o jogador de um eventual ingresso num rival, tantas são as más memórias com esse tipo de situações. A verdade, porém, é que Martins não desiludiu em Espanha, o Benfica não pagou muito dinheiro e, mesmo assim, o Sporting não impediu a transferência. O problema para o Sporting não é, naturalmente, a escassez dos 1,2 milhões que recebeu, mas sim o destino do jogador. Afinal, se o Benfica tivesse oferecido 3 milhões há um ano atrás, alguém acha que o Sporting venderia?

Carlos Martins
Aos 26 anos, Martins entra na fase decisiva da sua carreira. Ou se afirma no Benfica, podendo até, caso tal aconteça, passar a ser figura seleccionável. Ou então, caso volte a primar pela irregularidade, retira definitivamente as esperanças que alguém ainda possa ter nas explosão das suas qualidades, sendo a partir desse ponto altamente improvável que algum clube de topo lhe volte a conceder alguma oportunidade. Uma coisa é certa, a afirmação no Benfica será bem mais complicada do que aquela que aconteceu em Huelva.

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Quanto acham que pode valer este numero 9?

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1.7.08

Notas finais do Euro

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Aspectos Colectivos

Clubes vs. Selecções
Começo por voltar àquela previsão, feita no lançamento da prova, de que este seria, sem dúvida, um torneio de jogos não tão minuciosamente preparados como aqueles que assistimos ao nível de clubes, mas seguramente não menos interessantes. Menos treino e mais jogo é sinónimo de mais erros e menos perfeição, mas também de maior improvisação e maior imprevisibilidade. Comparativamente com o futebol de clubes ao mais alto nível, o Euro foi tudo isto e, na verdade, quem poderá falar de desinteresse?

Tendências Tácticas
Estas são competições que marcam muito os tempos, já que é elas que a história do futebol recorre para, anos mais tarde, analisar tendências. Tacticamente destaque para a abundância do 4-4-2 clássico como sistema de referência deste Europeu. Suíça, Croácia, Alemanha, Suécia, Espanha e França iniciaram o Euro com este sistema e outras selecções recorreram a esta disposição de jogadores durante os jogos (até Portugal, sem qualquer tradição nesta opção, actuou numa versão próxima deste sistema durante grande parte do jogo frente à Alemanha). Ainda assim, não se pode deixar de referir o recurso a variantes do 4-5-1 (4-1-4-1 ou 4-2-3-1) na fase decisiva da competição, o que não deixa de ser sintomático quanto à importância da zona central. Nota, finalmente, para duas opções em vias de extinção ao nível dos sistemas: os 3 defesas (ou 3 centrais), apenas utilizada pela Áustria e Grécia e o 4-4-2 em losango. Aqui 2 comentários em sentidos diferentes. Enquanto que os 3 defesas é uma opção abandonada pela Europa (recorre-se ainda muito na América do Sul), por se considerar menos sólida, o losango nunca foi devidamente absorvido pela maioria dos países europeus talvez, digo eu, por ser mais exigente ao nível das dinâmicas de jogo. Esta ideia – e é apenas uma ideia – é um elogio para o futebol português, onde vários treinadores conseguiram nos últimos anos sistematizar processos com bons resultados, tendo o 4-4-2 losango como sistema.
Dito tudo isto sobre sistemas tácticos, acrescento que se os modelos de jogo estão longe de se esgotar na geometria do esqueleto, ao nível de selecções, onde há menos tempo de treino, esta questão torna-se mais importante e, por isso, assistimos a algumas mudanças de sistema dentro da própria competição, algo que a nível de clubes raramente acontece por ser muito pouco aconselhável.

Selecções
A história do Euro é marcada, naturalmente, pela vitória da Espanha (sobre quem já escrevi ontem), mas, para quem viu, há mais equipas para destacar:

Croácia: Nota positiva para uma equipa com muitos nomes promissores e uma grande lição estratégica (Bilic foi o primeiro a desfazer o seu 4-4-2 inicial para ganhar superioridade a meio campo) que provocou um sinal de alerta na Alemanha, talvez decisivo para a caminhada para a final. Os croatas foram, no entanto, pouco emocionais e deixaram-se cair quando tinham tudo para discutir um lugar na final.

Turquia: A sensação do Euro. O que a Turquia fez foi algo próximo de um milagre. Terim foi sempre pouco inteligente estrategicamente e a equipa, apesar de competitiva, foi vivendo dos sucessivos “milagres” no final dos jogos. Na meia final frente à Alemanha foi mais determinada, até melhor, mas sempre, sempre inocente na forma como se expôs ao erro.

Alemanha: Low terá, talvez, o maior mérito entre os treinadores do Euro. Levar a Alemanha à final com as debilidades individuais da sua equipa foi um feito e isso foi reconhecido pela forma como este histórico foi recebido no seu país. Estrategicamente, e tirando a não decisiva partida contra a Croácia, esteve sempre bem. Não deu para mais e, diga-se, já foi bem bom!

Holanda: A sensação da primeira fase, dominando o grupo da morte e sendo a primeira selecção a impressionar meio mundo. Talvez o problema da Holanda terá sido não ter levado mais cedo um susto que a despertasse para as suas debilidades, nunca expostas durante uma fase de grupos em que esteve sempre a ganhar. Van Basten surpreendeu as poderosas Itália e França com aquela contenção do duplo pivot pouco ofensivo, mas quando foi preciso dar qualidade à posse de bola... a Holanda caiu.

França: A desilusão da prova. Não pela eliminação, mas pela paupérrima prestação. O 4-4-2 de Domenech foi totalmente despropositado e sem qualquer dinâmica rotinada. Ainda deu um ar de poder recuperar no jogo contra a Holanda mas, aí, também não teve a sorte do seu lado.

Itália: A obcessão pelo sistema do Milan e pelo recurso a Toni foi a perdição de Donadoni. A equipa nunca se apresentou ao nível que se esperava, sendo muito vertical mas pouco imaginativa ofensivamente e longe da eficácia histórica em termos defensivos. Ainda assim, a qualidade não esteve totalmente ausente e apenas caíram nos penaltis frente à campeã Espanha.

Rússia: Primeiro demasiado ofensiva, expondo-se defensivamente às transições adversárias. Depois, mais controlada e a apresentar uma qualidade de movimentos colectivos sem par neste Euro. Este é o grande mérito de Hiddink, porque defensivamente exigia-se bem mais. A culpa não será só do seleccionador mas também da cultura do próprio futebol russo, algo distante das exigências tácticas do centro da Europa. Depois do brilharete frente à Holanda veio o falhanço estratégico no posicionamento do pressing para fazer frente à qualidade do meio campo Espanhol.


Individualidades

Guarda Redes
Foi um Euro difícil para os guarda redes. Buffon e Cech, dois dos melhores do mundo estiveram abaixo do que deles se exige. Lehmann, o finalista, teve vários erros e, na verdade poucos terão escapado à critica. A excepção, claro, Casillas. O Espanhol foi de longe o melhor de um Euro que teve também, por exemplo, Van der Sar em bom plano.

Defesas
Laterais direitos é dificil de destacar. Ainda assim, destacaria Corluka da Croácia, Sabri da Turquia (sobretudo ofensivamente) e, quase inevitavelmente, Sérgio Ramos.

Na lateral esquerda, mais hipóteses. Zhirkov, pela capacidade ofensiva, Grosso também me agradou e Van Bronckhorst merece igualmente referência. Quem não consigo destacar é Lahm.

Como centrais, Pepe, mantenho-o, foi o melhor que vi (atenção à evolução notável de Pepe nos últimos anos, afirmando-se no Porto, fazendo parte do melhor onze da Liga no ano de afirmação em Espanha e, agora, integrando a selecção ideal da Uefa). Marchena e Pujol foram sempre bem protegidos mas têm de ser destacados por raramente terem errado. Kolodin deu nas vistas na Rússia e, na Itália, apareceu um tal de Chielini que já se conhecia dos sub 21 e que pode ter tido aqui o seu inicio como referência da Selecção transalpina. Outro central que jogou a médio foi fundamental no duplo empate da Roménia: Chivu.


Médios
São tantos que é difícil escolher. Na Espanha todo o meio campo: Senna foi um esteio, quase perfeito (ainda assim, e apesar da importância da função acho uma afronta considerar-se um jogador de funções essencialmente tácticas o melhor de uma competição, como alguns fizeram), Xavi, para mim e para a maioria, o melhor do Euro, Fabregas apenas foi ofuscado pelo pouco tempo que jogou e Iniesta e David Silva (principalmente o primeiro) dois complementos fundamentais para dar à Espanha a tal qualidade de posse de bola que fez a diferença. Mas houve mais. Gelson Fernandes da Suíça teve pouco tempo, mas mostrou qualidades, Hamit Altintop foi um dos melhores do Euro pela qualidade e dinâmica emprestadas, Modric a revelação e um adocicar de boca para o seu futuro na Premier League, Sneijder o melhor até aos quartos de final, De Rossi, para mim, o melhor da Itália, Ballack intermitente mas decisivo na caminhada da Alemanha, tal como o fulgurante Schweinsteiger, Zyrianov o mais consistente de uma Rússia que teve em Semak outra boa revelação. Mas uma das performances mais perfeitas que vi foi a de Deco. É pena...

Avançados
Vou incluir aqui Arshavin que, não sendo uma revelação para quem anda atento, teve um enorme impacto... tão grande como o seu desaparecimento na meia final. De resto, é fácil escolher... Torres e Villa na Espanha, Podolski e Klose na Alemanha, Pavlyuchenko, outra revelação, na Rússia, Van Nistelrooy na Holanda e Ibrahimovic na Suécia, apesar do pouco tempo. Nota ainda para um jogador que não esteve em foco mas que creio poder tornar-se brevemente uma das referências do futebol mundial: Benzema.


Portugal
Ao contrário do que se disse, nas habituais visões fatalistas na hora da derrota, não creio que Portugal tenha desiludido em termos de qualidade de futebol. Ou, pelo menos, nos 4 momentos do jogo “corrido”. O que se viu de Portugal nos primeiros jogos foi tão bom como qualquer outra Selecção e é por isso que a frustração desta eliminação ainda é maior, porque, de facto, poderíamos ter disputado a vitória.
A conclusão que me fica é que o próximo passo tem de ser dado no sentido de querer chegar mais próximo da vitória final. É preciso mais visão estratégica e mais preocupação com os detalhes do jogo – não podemos perder um jogo com erros colectivos tão gritantes ao nível das bolas paradas! Vencer (entenda-se, melhorar as condições para) deve ser o objectivo de curto prazo do próximo seleccionador até porque ninguém nos garante que esta qualidade dure muito tempo numa selecção de um país de apenas 10 milhões. Uma nota final para Cristiano Ronaldo. Talvez seria melhor alguém explicar ao rapaz que o que fez Torres no dia 29 de Junho de 2008 vai ter muito mais importância na história do futebol do que qualquer dos golos que Ronaldo possa marcar pelo Manchester, Real Madrid ou outro clube... É que ao afirmar “não tenho nada a provar” antes da competição mais importante da época não parece evidenciar grande consciência para esse facto!


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