13.6.08

Croácia: Afinal sempre temos candidato!

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Era daquelas equipas que, por diversas razões, se pode dizer que a surpresa seria não ser uma surpresa. A qualidade individual dos jogadores, a capacidade revelada na fase de qualificação e o próprio sorteio explicavam esta antevisão positiva em relação à equipa croata. A grande desilusão surgiu no primeiro jogo perante uma apática exibição frente à Austria. Na altura valeu a vitória e os 3 pontos mas muitos torceram o nariz a esta formação de tanto potencial. Agora, frente à Alemanha surgiu a Croácia na melhor das suas versões, não só ganhando o jogo, mas revelando uma grande consistência e superioridade colectiva sobre um dos favoritos. Para justificar esta alteração tão radical dos croatas, encontro 2 explicações, uma, mais clara, de nível táctico, outra, menos tangível e que fica para confirmar no futuro, de nível anímico.

Vamos à primeira. Da jornada inaugural, Bilic deverá ter aprendido que para derrotar a Alemanha era, basicamente, aconselhável não repetir nenhuma das estratégias da Polónia. Ou seja, não iniciar as jogadas com pontapés longos do guarda redes, não tentar fazer uma pressão cega e demasiado alta e não desvalorizar a qualidade dos avançados alemães, adiantando a linha defensiva para zonas despropositadas. Mais, em relação à sua própria equipa, Bilic desfez o 4-4-2 clássico com que havia jogado frente à Austria, retirando um avançado, Petric, e colocando Rakitic sobre a esquerda, enquanto que Kranjkar jogava nas costas de Olic. Esta alteração foi responsável pela neutralização do jogo alemão no meio campo. Com apenas 2 médios na zona central, Frings e Ballack, e sem médios ala que ajudassem nas tarefas interiores, o meio campo alemão foi sempre anulado por uma equipa croata que, com Kovac a recuar para o espaço entre linhas, Modric numa linha mais intermédia, Kranjcar a actuar na zona de Frings e, ainda, a maior propensão de Rakitic para jogar por dentro, tinha sempre vantagem na zona intermédia. Assim, em construção, os alemães raramente conseguiam encontrar soluções e, em transição –o ponto forte alemão – também não havia muitas hipóteses de sucesso porque os croatas estavam sempre equilibrados no momento da perda de bola. A tudo isto a Croácia juntou uma boa exploração das deficiências germânicas na sua zona mais recuada para, não só se adiantar no marcador, como ainda justificar maior vantagem ao intervalo. O segundo tempo seria diferente, com mais felicidade no golo conseguido e menor qualidade até ao golo alemão (após esse momento, curiosamente, a Croácia voltou a tomar as rédeas da partida), mas a vitória, essa, nunca esteve em causa.

Por muito importante que seja a alteração táctica – e foi – a diferença das exibições croata tem de ser explicada por algo mais... Aqui, nunca me pareceu que a questão física fosse o argumento suficiente que explicasse aquilo que se passou frente à Austria, uma exibição demasiado apática, desde demasiado cedo. A mim parece-me que alguma instabilidade do aspecto motivacional pode ser bem mais plaúsivel de estar por trás desta oscilação de intensidades de jogo. Algo que fica por confirmar e que poderá constituir-se numa condicionante para as aspirações croatas.

De resto, referir a enorme qualidade da equipa croata – uma candidata séria a um lugar na final. Destaque para as combinações conseguidas sobre as alas, para onde a equipa direcciona a sua posse de bola, e onde aparece sempre o apoio dos laterais, e para a certeza na posse de bola, onde surge um jogador que, numa equipa jovem e cheia de talentos, merece uma evidência especial: Luka Modric. Não me parecem ficar dúvidas de que está aqui um craque do futebol europeu, pela dinâmica que imprime ao jogo e pela qualidade com que trata a bola. Aos 22 anos, os mais de 20 milhões de euros pagos, podem ter sido um grande negócio para o Tottenham!

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12.6.08

Portugal - Rep.Checa: O rescaldo da qualificação

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Recuando até às primeiras conferências de imprensa de Scolari, poder-se-á concluir que Portugal garantiu após a segunda jornada do Euro estar livre do embaraço. O tempo é para saborear a vitória e depressa regressar ao planeamento competitivo, não podendo os responsáveis cair no erro de euforias precoces. O que Portugal conseguiu foi uma oportunidade rara de poder “saltar” um jogo numa prova tão curta. Deve aproveitá-la, direccionando o seu planeamento de preparação para os quartos de final e encarando o jogo de Domingo com a importância que realmente tem: uma mera exigência de calendário.

O jogo
Bruckner confirmou o 4-2-3-1 de alta densidade numérica no meio campo e assumiu aquilo que os turcos não haviam feito: a superioridade lusa. Por pensar actuar pouco em posse e mais em transição, Bruckner preferiu a profundidade de Baros relativamente à acção de Koller como pivot, e a agressividade de Matejosky em detrimento da melhor qualidade que Jarolim oferece à posse de bola. Por tudo isto, Portugal encontrou, no primeiro tempo, muito pouco espaço para jogar. Esta dificuldade até podia ter sido contornada com o golo madrugador de Deco, mas o empate surgiu rapidamente, impedindo uma alteração da estratégia checa. Até ao intervalo, a partida manteve-se numa toada de equilíbrio, entre as dificuldades de Portugal em furar o denso bloco checo (muitas meias distâncias foram tentadas, indiciando instruções para essa opção) e incapacidade que os checos confirmaram ter para serem perigosos em transição.

No segundo tempo tudo foi diferente, particularmente entre os 50 minutos e o golo de Ronaldo. Nesse período Portugal conseguiu encostar os checos às cordas, criando sucessivas ocasiões de golo. A explicação desta inversão no jogo está num misto de mérito luso e grande demérito checo. Primeiro, a acção de Deco. A bola entrava sempre nele (daí o eclipse de Moutinho em posse de bola) e o 20 juntou a inspiração a uma incompreensível incapacidade adversária para perceber a importância que estava a assumir. A partir de Deco saíram depois alguns passes verticais que solicitaram Nuno Gomes, Ronaldo e Simão que, ou por erros posicionais, ou por alguma falta de determinação na resolução defensiva dos lances (a tal falta de agressividade que havia falado), resultaram em boas ocasiões de golo, fazendo a balança emotiva do jogo pender claramente para o lado de Portugal. Sem surpresas, e mesmo depois dos checos terem assustado novamente de canto, chegou o 2-1 e, aí, o jogo mudou de novo. O assalto checo à baliza de Ricardo passou a ser a estratégia de Bruckner e, nesse período, lamenta-se alguma incapacidade de Portugal para fazer mais circulação de bola, aproveitando mais cedo os espaços que eram criados. Ainda assim, Portugal resistiu sem excessivas dificuldades e acabou por tirar ainda mais um coelho da cartola que serviu de antecipação ao apito final como tranquilizador final das hostes lusas.

Pontos a melhorar
Foi, enfim, mais uma boa exibição portuguesa que se confirma de forma legítima, e a par da Alemanha, como a mais forte candidata ao lugar reservado na final para uma das equipas dos grupos A e B. Ainda assim, creio que mais importante do que salientar os aspectos positivos nestas vitórias – e são muitos – é identificar os pontos em que se poderá melhorar, e o jogo com a Rep.Checa traz ou recupera aspectos que merecem reflexão:

- Bolas paradas. É certo que Portugal encontrou nos checos uma grande oposição neste capítulo, mas tem de haver mais concentração e agressividade na resolução destes lances. Não pondo em causa o método (marcação ao homem, com 2 jogadores à zona), questiono se vale mesmo a pena deixar 3 homens na frente. É certo que retira presença adversária da área, mas também permite mais espaço para serem aproveitados os desequilíbrios individuais, tal como se viu no golo.

- Transição defensiva. Já me referi a isto antes do próprio Euro. Portugal desequilibra-se muito em posse. Até agora não houve uma equipa que se mostra-se realmente forte no aproveitamento deste momento, mas reside aqui uma ameaça para as fases mais adiantadas.

- Espaço entre linhas. Petit é apanhado muitas vezes a pressionar fora da sua zona, não havendo compensação dos outros médios. Esta situação pode provocar a saída dos centrais da sua zona em mais ocasiões do que seria desejável.

Golos
3 golos com 2 protagonistas comuns: Deco e Ronaldo. No primeiro juntou-se Nuno Gomes, com mais uma das suas já celebres “tabelinhas”, no segundo grande visão de Moutinho no passe fundamental para Deco e, no terceiro, o prémio para Quaresma num golo... “à Raul Meireles”!

De resto, 3 grandes jogadas. No primeiro, pena que Ronaldo não conseguiu concluir uma jogada que entraria nos melhores golos do Euro. No segundo, grande visão de Moutinho e Deco, antes de uma finalização fulgurante, à Ronaldo. Finalmente, no terceiro, a visão de Deco tem de ser posta no mesmo patamar da antecipação de Ronaldo, num entendimento telepático que foi o KO checo.

Nota para o golo da Rep.Checa. O problema não esteve em Petit (ou pelo menos é compreensível que tenha perdido o lance), mas no fosso que se criou entre o grupo de jogadores ao primeiro poste e o segundo grupo de jogadores. Foi aí que Sionko apareceu a cabecear.

Individualidades
Primeiro, Deco. Não está tão forte defensivamente como há uns anos, mas afirmou-se (porque a Rep.Checa também o permitiu) como o patrão do jogo português. Ganhou confiança e arrancou para uma grande exibição. Sentiu de tal forma o seu momento positivo que quis marcar aquele livre. E merecia que o tivessem deixado bater!

De resto, Ronaldo denotou grande vontade, reflectida em alguma imprudência na gestão de alguns lances. Ainda assim, foi incansável, acabando por ser altamente decisivo. Pode ser que arranque para um Europeu em crescendo! Pepe foi, de novo, enorme. Arrisco mesmo dizer que é o melhor central do Euro até ao momento. Finalmente, nota para as prestações discretas mas muito importantes de Simão e Moutinho, assim como para a acção de Nuno Gomes cuja performance positiva no Europeu começa a ficar marcada, em paralelo, por alguma incapacidade na finalização (infelicidade no que respeita ao jogo com a Turquia). Um golo tinha-lhe feito bem e talvez fosse importante para a sua confiança na fase em que falhar é proibido.
Na Rep.Checa, saliencia para Sionko. Já o tinha referido como o mais perigoso dos médios checos pela forma como aparece nas zonas decisivas, e confirmou estar a fazer um grande Euro. A questão é: como é que nunca revelou estas capacidades ao longo da sua já longa carreira?

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11.6.08

Portugal - Rep.Checa: Mais do mesmo, se faz favor!

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Depois da Turquia, chega a vez da República Checa, num embate que colocará Portugal entre 2 cenários já vividos em 2000 e 2002. No primeiro caso, poder descansar algumas unidades no derradeiro jogo, no segundo, ter a ingrata missão de ter de conseguir um resultado no último jogo do grupo e perante uma equipa anfitriã.

No rescaldo do jogo com a Turquia, referi que a boa exibição nacional deve ser contextualizada com uma ausência de estratégia específica dos turcos para jogar com Portugal, algo que estou em crer acontecerá sobretudo se Portugal chegar a fases mais adiantadas da prova. Frente aos checos não estou certo que Bruckner possa apresentar algo específico para contrariar o maior potencial português, mas por aquilo que a selecção checa deu a conhecer poderemos ter a certeza de uma oposição diferente da turca.

Rep.Checa: 4-2-3-1, meio campo muito preenchido, mas pouco rotinado
Como antecipei após a experiência de Bruckner frente à Escócia, a Rep.Checa poderia apresentar um sistema diferente do 4-1-3-2 que havia sido responsável por um futebol atractivo em termos ofensivos no passado. A verdade é que as saídas de Nedved, Poborsky e a lesão de Rosicky enfraqueceram de sobremaneira o meio campo que, não só não era capaz de oferecer a mesma vivacidade ofensiva, como passou a tornar-se permeável a transições dos adversários. A solução de Bruckner foi acrescentar um pivot defensivo ao meio campo, retirando o elemento de apoio a Koller. É por aqui que se explica o 4-2-3-1 actual da Rep.Checa, num modelo que deve ser reproduzido frente a Portugal, ainda que possa existir uma ou outra nuance de Bruckner, sobretudo se o treinador assumir que Portugal vai ser o dono do jogo e que será mais aconselhável adoptar uma estratégia que aproveite sobretudo os momentos de transição.

A verdade é que, tanto no último embate de preparação, frente à Escócia, como no jogo com a Suíça, a mecânica do jogo checo revelou-se muito abaixo do exigível, em termos de organização e entrosamento colectivo. Em termos ofensivos a equipa não tira proveito dos imensos apoios que tem no meio campo para a posse de bola, revelando problemas na sua primeira fase de construção e sendo vulnerável a pressão. Outra característica que inibe o jogo ofensivo checo, quando em organização, é a sua pouca apetência para usar os flancos, com Plasil e Sionko (parece-me ser este o mais perigoso dos médios checos) a terem mais tendência para aparecer por dentro. Assim, em termos ofensivos (em bola corrida, entenda-se) o movimento que mais pode preocupar a Selecção nacional é a utilização de Koller como pivot, solicitando depois o aparecimento dos médios no espaço entre linhas. Este movimento pode ser mais perigoso se Moutinho e Deco forem atraídos para zonas muito distantes de Pepe e Carvalho e merece algumas atenções de Scolari, recomendando-se uma atenção aos laterais para não ficarem demasiado abertos.
Em termos defensivos, espera-se que a Rep.Checa possa ser mais forte do que a Turquia quando Portugal atacar em organização. Primeiro pela qualidade individual dos seus jogadores (guarda redes incluído), depois pela maior presença numérica de jogadores checos no meio campo defensivo. Há, no entanto, potencial para aproveitar as tais dificuldades checas em posse de bola, podendo iniciar aí transições perigosas. Para além deste aspecto, os checos revelaram-se pouco agressivos nos duelos individuais, o que explicou alguns desequilíbrios consentidos frente à Suíça. Mais um ponto a explorar...

Portugal: Mesma fórmula: concentração máxima
Depois da exibição frente à Turquia e numa fase precoce (espera-se!) da competição, aconselha-se que o modelo de jogo idealizado se possa consolidar dentro de um onze. Num jogo como aquele frente à Rep.Checa não há qualquer motivo para contrariar essa intenção, não querendo isto dizer, obviamente, que se ignorem ou deixem de estudar pequenas nuances específicas do adversário. De resto, e para além desses tais ajustes, volto a reforçar a ideia da importância decisiva de fazer um jogo de máxima intensidade, tanto em termos de concentração como de ritmo (leia-se gestão de ritmos). Portugal esteve muito bem neste plano frente à Turquia, errando muito pouco e gerindo de forma exemplar os ritmos do jogo. Nova faceta neste plano deverá garantir a qualificação.

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Espanha: Espectáculo garantido!

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Se ontem falei aqui de algum preconceito criado em torno da superioridade da equipa italiana, hoje tenho de chamar à atenção um outro, e em sentido contrário, em relação aos espanhóis. É verdade que a Espanha tem falhado sucessivamente e também sou da opinião de que há aspectos colectivos que não são explorados da melhor forma, mas não é pelo passado que uma equipa de jogadores jovens e muito talentosos deve ver a sua qualidade subvalorizada. O que se assistiu frente à Rússia foi, precisamente, uma prova da qualidade dos jogadores espanhóis, que fazem parte dos principais candidatos à vitória, ainda que discorde de algumas opções tácticas...

Primeiro os elogios à mais volumosa vitória até ao momento. A Espanha tem uma qualidade de posse de bola na sua primeira fase ofensiva sem rival ao nível de selecções. Adiantar as linhas para pressionar uma equipa que tem Xavi, Iniesta, David Silva e Senna no meio campo e que conta ainda com os apoios de Torres e Villa é uma espécie de kamikaze estratégico e foi isso que fez a Rússia no segundo tempo, originando assim aquela que terá sido a melhor série de jogadas do Euro até agora. Para além desta capacidade, os espanhóis contam com uma série de soluções para a frente de ataque que pode render vitórias em qualquer jogo. Particularmente, Villa e Torres são jogadores temíveis e de grande qualidade. Que o diga a Rússia!

Agora, o outro lado da equipa espanhola. Querendo confiar num pivot defensivo como Marcos Senna, com a qualidade de médios interiores que tem ao seu dispor e com a “obrigatoriedade” de jogar com 2 avançados, por que é que Aragones não opta por um meio campo em losango em vez do 4-4-2 clássico? A verdade é que ao optar por esta disposição a equipa espanhola parece incapaz de pressionar mais alto, o que seria aconselhável para uma equipa que gosta tanto de ter a bola. Ao invés, a sua linha de 4 homens permanece quase sem alterações quer a bola esteja do lado direito ou esquerdo, sendo obrigada a juntar-se à linha mais recuada, compondo um bloco demasiado baixo e pouco fiável (aqui a responsabilidade vai para alguma falta de capacidade defensiva da equipa espanhola). Mas também em posse a equipa espanhola pode ter algumas dificuldades com este dispositivo. É que mesmo com uma linha de quatro homens no meio campo, a equipa não encontra muitas referências de passe sobre os flancos (sobretudo sobre o lado direito, com Ramos como lateral e Iniesta permanentemente a surgir na zona de Xavi) e a sua progressão faz-se invariavelmente pelas soluções que os 2 avançados consigam oferecer à construção. Estes problemas foram evidentes na fase inicial da partida e, não fora a desastrosa prestação russa em termos defensivos e a qualidade dos seus avançados, bem poderia esta ter sido uma estreia mais complicada.

Por tudo o que referi, parece-me haver um misto de enorme potencial individual e melhorias a introduzir no plano colectivo. A Espanha tem margem de erro para evoluir mas, francamente, desconfio da visão de Aragones que, com a expressão desta vitória, ainda deve ter menos olho para os defeitos tácticos da sua equipa. Uma coisa é certa, da Espanha poderemos sempre esperar bons espectáculos.

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Para quem não sabe cantar o hino!

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10.6.08

Holanda: A ironia da primeira "lição táctica" do Euro!

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Ao terceiro dia, e depois de vários aperitivos, chegou o primeiro dos pratos principais do Euro. O destaque é claramente a formação holandesa, mas o meu primeiro comentário vai para a ironia do futebol depois de tudo o que se leu e ouviu sobre a selecção italiana. Que está na primeira linha de candidatas ao título, sendo forte táctica e tecnicamente, parece-me óbvio. Agora que seja uma super potência do futebol europeu, que exista uma desigualdade no conhecimento táctico entre os italianos e o resto da Europa, quase como se tratasse de um segredo que mais ninguém tem, aí, parece-me simples preconceito. A ironia surgiu ao primeiro jogo e vestida de laranja. É que a selecção holandesa começou por se superiorizar no jogo pela estratégia táctica e pela forma como induziu o meio campo italiano a cometer os erros que, normalmente, é a “azzurra” a explorar nos adversários.

A surpresa de Van Basten esteve, em termos posicionais, na opção por 2 pivots no meio campo defensivo, Engelaar e De Jong. Mas, como tantas vezes defendo, o segredo estratégico nunca está apenas no confronto de sistemas, sendo o aspecto mais fundamental as orientações dos jogadores para os seus comportamentos, com e sem bola. Foi aqui, precisamente, que a astúcia “laranja” foi mais brilhante.

Sabe-se que a Itália é fortíssima nos momentos de transição, esperando muitas vezes pelos erros da posse de bola adversária para lançar contra golpes onde a qualidade técnica e táctica (capacidade de leitura dos espaços, entenda-se) dos seus avançados faz a diferença. O que fez Van Basten foi introduzir 2 apoios recuados para a posse de bola e dois garantes de equilíbrio em caso de perda, prevenindo deste modo os tais momentos que os italianos tanto gostam de explorar. Assim, a posse de bola holandesa teve como principal mérito a paciência, não tentando furar o bloco italiano mas antes convidá-lo a abrir espaços que depois pudessem ser aproveitados. Foi isso que aconteceu na primeira parte, com o trio de meio campo italiano a cair no engodo de uma posse de bola baixa e sem grande progressão dos holandeses. Ao tentar pressionar essa circulação recuada, o meio campo italiano abriu um buraco nas suas costas que foi aproveitado pelas diagonais de Kuyt e Sneijder, para além do próprio Van der Vaart. Foi pelo aproveitamento desses espaços entre linhas que surgiram os principais lances de perigo dos holandeses num primeiro tempo de grande superioridade táctica.

Mas também sem bola há que elogiar a performance dos holandeses. Mais uma vez a presença do tal “duplo-pivot” foi fundamental. A pressão feita à posse de bola era feita não de uma forma cega mas escolhendo os momentos aconselháveis para o fazer. Aqui, destaque para a presença de Van der Vaart na zona de Pirlo e para a disponibilidade dos laterais (particularmente Van Bronckhorst) para pressionar mais alto quando a bola saia pelos flancos, havendo sempre a tal protecção do tal duplo pivot que garantia o equilíbrio colectivo.

Independentemente da superioridade holandesa no jogo – particularmente em termos estratégicos – fica uma nota para o resultado e outra para as implicações do jogo no futuro da competição. (1) O 3-0 foi apenas um dos resultados possíveis de um jogo com várias ocasiões de parte a parte e onde os italianos até poderiam ter marcado em diversos momentos do jogo. (2) Para o futuro da competição fica a importância do desfecho em termos do apuramento para os quartos de final, mas nem a Holanda vai conseguir encaixar esta estratégia de forma tão certeira em todos os seus adversários, nem a Itália está fora do Euro. Aliás, depois do que se viu entre França (para mim, bem mais desapontante do que a Itália) e Roménia, os italianos podem manter uma dose considerável de optimismo.

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"The trivela"!

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Pode não ter ainda um minuto no Euro, reconhecendo-se a sua parca evolução táctica. No entanto, é um inquestionável talento do futebol mundial, tendo uma característica que mesmo muitos dos melhores jogadores de sempre não têm: o domínio de uma técnica específica e rara no futebol mundial.
Aparece agora no site da Uefa a dar uma lição de como executar "the trivela".

http://www.uefa.com/trainingground/index.html#34004/2048/705443

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9.6.08

Alemanha: A primeira ideia de um candidato à final

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No segundo dia do Euro dois jogos com características e desenlaces a papel químico do primeiro. A abrir uma derrota por 1-0 da equipa organizadora em jogo pobre de parte a parte e, a terminar a jornada, uma afirmação de superioridade da equipa favorita do grupo. A Portugal, e num estilo evidentemente diferente, sucedeu-se a Alemanha como destaque diário, numa exibição que é uma espécie de afirmação clara da equipa germânica como candidata à final.

A evoluir num 4-4-2 clássico, a Alemanha apresentou-se com um modelo bastante fiel aquilo que são hoje as características do futebol alemão e, mais importante ainda, dos jogadores que compõem esta equipa. O objectivo ofensivo é fazer o jogo passar por uma posse de bola que se revelou sempre muito vertical e segura, percorrendo rapidamente o campo em busca de zonas menos preenchidas (um dos segredos para o sucesso frente à Polónia foi, precisamente, a forma como a bola saiu das zonas de pressão que os polacos tentam criar) e nunca teve um destino previsível, podendo encaminhar-se ora para as alas, onde os laterais têm ordem para aparecer nas costas dos extremos, ora para os movimentos interiores dos avançados, altamente adaptados a esta forma de jogar. Embora o ataque rápido em posse seja a forma preferida de jogar, tirando partido da excelência das movimentações dos seus jogadores, o recurso a um jogo mais directo é também possível, dada a capacidade germânica para este tipo de jogo, tanto no que diz respeito às primeiras como segundas bolas (também defensivamente, os alemães se revelaram fortes neste particular, sobretudo no inicio do jogo contra a Polónia que apostou muito em iniciar as suas jogadas com pontapés longos do guarda redes).

Defensivamente, o 4-4-2 clássico tem o problema dos espaços entre linhas. A resposta da Alemanha a esta dificuldade provocada pela disposição dos seus jogadores passa normalmente por diminuir esses espaços, aproximando os sectores. Isto implica um bloco mais baixo e menos pressionante numa primeira fase do jogo adversário. Claramente, parece-me que existe alguma possibilidade de explorar a transição defensiva dos alemães, quer nos momentos em que a dupla do meio campo demore a encontrar a segurança da proximidade com a sua linha mais recuada, quer nas perdas de bola que ocorram com os laterais bem abertos, como ocorre diversas vezes. Claramente, a Alemanha é uma equipa mais forte em termos ofensivos.

Individualmente, nota para a importância de Ballack, sendo o elemento de maior qualidade em posse de bola e tendo, paralelamente, uma notável percepção dos espaços, aparecendo com muito apropósito em zonas de finalização. Outro nome em destaque é Podolski. A sua adaptação a extremo é uma mais valia em termos ofensivos, destacando-se um movimento de recepção em posse para depois combinar com um dos avançados, atacando o espaço em profundidade.

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