4.5.08

Notas do Porto 0-3 Nacional

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(resumo)

- Se fosse o falecido Fernando Pessa a fazer uma crónica deste jogo, certamente não encontraria dificuldades em enquadrar o seu característico “e esta, hein?”. De facto, este resultado – e nem era preciso chegar à expressão dos números – é uma das maiores surpresas de que me lembro. Não pelos 0-5 de Guimarães, mas pelo facto do Porto utilizar as suas estrelas num jogo que poderia resultar num recorde de muitos anos e, sobretudo, por enfrentar uma equipa que não só não tinha nada pelo que jogar, como se vinha revelando como a formação em pior momento da liga.

- Cedo se percebeu que havia algo de errado nos jogadores portistas. Talvez um excesso de confiança terá conduzido a um défice de concentração, resultando numa série de erros individuais que impossibilitaram o futebol portista de se soltar como habitualmente. Aqui destaque para Bosingwa. Não foi o único, mas nomeio-o porque terá sido o pior jogo que lhe vi fazer. Não sei quais serão os efeitos deste descalabro exibicional numa eventual transferência que se diz poder estar eminente...

- No jogo do Porto, e em termos colectivos, destaque para uma menor capacidade do pressing – sobretudo na reacção à perda de bola – o que impossibilitou que a equipa pudesse fazer uso de uma das suas armas mais fortes: a transição ofensiva. Outra opção errada e que marcou os primeiros 45 minutos foi a vinda constante de Quaresma para receber a bola na primeira fase de construção, em contrapondo com Lucho, ausente desse momento durante largos minutos. Quaresma é um jogador de desequilíbrios, de risco, sendo que solicitado numa zona central e numa primeira fase de construção se torna um jogador menos perigoso e numa fonte de perdas de bola. Esta opção insere-se numa mudança de princípios de jogo do Porto em relação ao ano passado e que fez com que a equipa se tornasse mais imprevisível e móvel na frente, mas que teve como ponto negativo um menor aproveitamento das qualidades de Quaresma. Possivelmente regressarei ao “tema Quaresma” num futuro próximo...

- No Nacional, destaque para a opção dos 3 centrais. Não é, de forma nenhuma, explicação única para o sucesso de Jokanovic, mas não deixa de ser verdade que a opção facilitou dois aspectos. Primeiro ficar menos imune às variações de flanco, já que Patacas e Alonzo ficavam isentos da necessidade de fechar no interior. Depois, por defeito, estava mais povoada a zona mais essencial da sua defesa– a zona central – lugar onde o Porto costuma encontrar espaços com os movimentos verticais de Lucho. O problema é que a equipa ficava com menor capacidade na zona central do meio campo, ficando quase que condenada a ser empurrada para as imediações da sua área, o que aconteceu, não havendo intenção nem capacidade de criar problemas ao primeiro passe do Porto. Entre vantagens e defeitos, a opção resultou na plenamente, com o Porto a dominar territorialmente mas a não ter esclarecimento para desequilibrar na tal zona mais povoada pelos madeirenses. Outro aspecto curioso do Nacional foi a pouca apetência para as transições em velocidade, transformando-as quase sempre num exercício de posse de bola que a equipa, diga-se, cumpre como poucas nesta liga.

- A verdade é que se o Nacional conseguiu controlar sempre o ataque portista no primeiro tempo, limitando invulgarmente o número de ocasiões portistas, também não foi perigoso por outras vias que não fossem bolas paradas. A excepção foram... os golos. No primeiro, o tal aspecto de Quaresma, com um passe impróprio para aquela zona do campo. No seguimento a reacção de Bosingwa também não fica bem na fotografia. O segundo foi uma excepção à tal regra das transições madeirenses. O Porto optou por não pressionar a bola após a sua perda, mas a verdade é que a equipa estava equilibrada numericamente. Todo o mérito vai para a sublime execução de Coentrão num dos melhores golos do ano, mas não evitei lembrar-me de Pepe, perante a lentidão que Pedro Emanuel revelou na aproximação ao jovem extremo...

- No segundo tempo, Jesualdo tentou arriscar, jogando com uma frente mais numerosa e larga. O Porto conseguiu algumas oportunidades mas sempre em número francamente escasso para o que se poderia esperar. O Nacional baixou ainda mais claramente as suas linhas mas foi sobrevivendo e, progressivamente, beneficiando do risco com que o Porto jogava. O terceiro golo surge na sequência disso mesmo, fixando um resultado sem sentido em relação às expectativas do jogo.

- Para Jesualdo fica a oportunidade e necessidade de alertar os seus jogadores a tempo de evitar uma decepção final na época. É que, tal como aconteceu neste jogo, os estados anímicos não se ligam e desligam quando se quer. Se o Porto desligar o seu “momento” poderá não conseguir liga-lo quando mais precisar.


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Jogos do fim de semana

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3.5.08

História do Europeu - Jugoslávia 1976

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Enquadramento Futebol Português
Em 1976, o Benfica conquistava o segundo título do último tri campeonato da sua história. Pela mão do carismático Mario Wilson, que abandonaria o comando técnico dos encarnados no final dessa época para dar lugar à primeira passagem de John Mortimore pela Luz. Na equipa do Benfica estavam nomes como José Henrique, Vitor Baptista, Shéu, Toni ou Nené. Mas o destaque vai para dois homens. Chalana que com apenas 17 anos chegava ao Benfica, vindo do Barreirense, e Jordão, melhor marcador com 30 golos, o que justificou o interesse e a contratação por parte do Saragoça no avançado.
Ao triunfo do Benfica, juntou-se uma época desastrada de Sporting e FC Porto. No caso do Sporting, o pior resultado de sempre no campeonato, 5º lugar, o que lhe valeu a primeira ausência da Europa em 76/77. Na equipa de Juca, a nota positiva vai para os 26 golos do estreante Manuel Fernandes, chegado da CUF. No Porto, o 4º lugar foi particularmente amargo, por ter sido ficado, inclusive, atrás do seu rival da cidade, o Boavista. Nos dragões, no entanto, este seria o último 4º lugar até aos dias que correm, e a época de viragem estava prestes a começar. António Oliveira já era o artista nas Antas, que serviu de apoio à melhor época do goleador Peruano Cubillas no clube (28 golos). Cubillas não voltaria a repetir tamanho exito em Portugal e a época seguinte abriria o ciclo de um novo goleador azul e branco: Fernando Gomes (tinha 20 anos em 1976).
Tal como acontecera em 1972, é obrigatório falar de um clube de menor dimensão, neste caso, o Boavista. A coincidência entre o Boavista de 76 e o Setúbal de 72 está num nome: José Maria Pedroto. Pedroto, com João Alves entre os seus jogadores, foi o timoneiro da equipa que ficaria conhecida como “Boavistão”, pelo 2ºlugar conseguido 2 finais da Taça seguidas, culminando com a vitória na prova precisamente em 1976, batendo o Guimarães por 2-1. No final dessa época, Pedroto daria mais um passo para marcar o futebol português, transferindo-se para o FC Porto e criando as bases, não só para interromper o longo jejum de campeonatos em 1979, como para iniciar um novo ciclo no futebol português, que Pinto da Costa e FC Porto se encarregariam de prolongar até aos dias de hoje.
Nota final para a representação fraca dos clubes portugueses nas provas europeias, sem grandes brilharetes para registo. Aliás, a década de 70 seria uma das piores em termos de representação nacional na Europa.

Enquadramento do Futebol Europeu
No futebol europeu, 1976 marcou o último dos 3 títulos conseguidos pelo Bayern Munique na Taça dos Campeões. A Europa do futebol, aliás, entrava num período de domínio Anglo-Germânico em termos de competições europeias. Em Inglaterra, o principal destaque vai, claramente, para ascenção do Liverpool. Os “Reds” entraram nos anos 60 no segundo escalão do futebol, mas a contratação do “Boss” Bill Shankly revelou-se determinante. Shankly, não só devolveu o clube ao primeiro escalão, como o colocou rapidamente como principal emblema do país vencendo o título em 64 e repetindo-o em 73, quando juntaria uma Taça Uefa. Shankly abandonaria em 74, tendo criado as bases para aquele que foi o mais bem sucedido dos treinadores que Anfield alguma vez viu: Bob Paisley. Paisley conseguiu ultrapassar o fantasma de Shankly e ganharia 6 campeonatos, 1 Taça Uefa e 3 Taças dos campeões Europeus. Paisley foi regenerando a equipa que herdou de Shankly e, sempre no seu 4-4-2, encontrou figuras emblemáticas do clube como os Hansen, Thompson, Souness e Dalglish.
Na Alemanha, nota para o Monchengladbach, finalista em 77 da Taça dos Campeões Europeus e vencedor da Uefa em 75 e 79. O Borussia foi o grande rival interno do poderoso Bayern de Beckenbauer e conseguiu mesmo mais títulos do que os bávaros nos anos 70 (5 contra 3). Nesta rivalidade, destaca-se o nome de um treinador: Udo Lattek. Lattek começou por estar ligado à Selecção Alemã, como treinador adjunto de Schoen em 66. Em 1970 foi aconselhado por Beckenbauer para treinador do Bayern, causando alguma controvérsia a sua falta de experiência. Mas a qualidade, como sempre, é o principal factor de sucesso de um treinador, e Lattek levou o clube a 3 campeonatos e uma Taça dos Campeões Europeus. Em 1975, no entanto, o Bayern precipitar-se-ia ao dispensar o treinador no seguimento de uma crise interna. O clube seria campeão europeu mais 2 anos sob o comando Dettmar Cramer, mas não voltaria a ser campeão até 1980. Lattek, por seu lado, serviu fria a vingança, transferindo-se para o Monchengladbach, onde conquistaria 2 campeonatos (76 e 77), chegaria a uma final da Taça dos Campeões Europeus (77) e conquistaria uma Taça Uefa (79). Lattek voltaria mais tarde ao Bayern para ser o protagonista de mais uma época de sucesso dos bávaros, agora nos anos 80. 3 Bundesliga e 2 Taças em 4 anos marcaram o sucesso desta passagem, apenas amargurada pela final perdida em 1987 para o FC Porto. Lattek é, a par de Trapattoni, o único treinador que, até hoje, venceu os 3 troféus Europeus, tendo-o conseguido por 3 clubes distintos (Bayern Munique, Monchengladbach e Barcelona). Feito que, dada a extinção da Taça das Taças, se torna muito difícil de igualar.

Qualificação
A fase de qualificação para o Euro 76 não foi das mais surpreendentes. Afinal, Checoslováquia, Alemanha Ocidental, Jugoslávia e Holanda eram das mais fortes Selecções do contexto europeu da altura.
Ainda assim, na fase de grupos, destaque para a eliminação da Inglaterra que foi segunda no grupo ganho pela Checoslováquia e onde constava ainda Portugal. Os ingleses, dominadores do panorama europeu de clubes passavam por uma década negra no que respeita a grandes competições, falhando igualmente as presenças nos mundiais de 74 e 78. Os ingleses lamentar-se-ão dos dois empates concedidos frente a Portugal (particularmente o 0-0 de Wembley), bem como da derrota em Bratislava por 2-1, depois de terem começado a vencer por 0-1 num jogo que durou 2 dias devido ao nevoeiro.
Outro grupo que importa destacar é da Holanda, Polónia e Itália, com os holandeses a levar a melhor. Em segundo ficou uma forte formação polaca (que havia sido terceira classificada em 74), enquanto que a Itália ficou-se pelo terceiro lugar, apesar de ter derrotado os holandeses em Roma com um golo solitário de Capello.
Nos quartos de final que definiram os 4 finalistas da prova, a Checoslováquia derrotou a formação com mais tradição até aqui em fases finais de Europeus, a União Soviética. Uma vitória em Bratislava (2-0) e um difícil empate em Kiev (2-2), carimbaram o passaporte para aquela que seria a mais gloriosa página do futebol Checoslovaco. A Jugoslávia, que seria anfitriã da prova, eliminou o País de Gales com um concludente 3-1 no total dos dois jogos. Mas as eliminatórias mais interessantes foram as outras duas... Num duelo de campeões europeus, a Alemanha Ocidental confirmou o seu momento de superioridade em relação à Espanha. Santillana deu vantagem aos Espanhóis em Madrid, mas o golo de Beer no segundo tempo determinou um muito positivo empate a uma bola (Vídeo) com que os germânicos encararam o jogo decisivo no estádio Olímpico de Munique. Aí, os alemães foram superiores, vencendo por 2-0. Nos países baixos disputou-se mais um acesso aos 4 finalistas. Numa espécie de maldição que impediu uma muito interessante formação belga de estar presente nas grandes competições do final dos anos 70, a Holanda foi mais uma vez o carrásco dos seus vizinhos e rivais. Algo que já acontecera na qualificação para o Mundial de 74 e que se repetiria no acesso ao Argentina 78. Nesta eliminatória a superioridade holandesa foi inequívoca. 5-0 na banheira de Roterdão e 1-2 em Heysel. Destaque para o hat-trick de Rensenbrink, um holandês que fez a sua carreira por clubes belgas, particularmente no Anderlecht onde foi ídolo (aliás foi o melhor jogador do campeonato belga nesse ano).
Nota, finalmente, para a prestação portuguesa. Uma selecção onde pontificavam Damas, Humberto Coelho, Nené, Toni, Octávio, Vitor Baptista ou João Alves, confirmava aquilo que também se passava ao nível de clubes na década de 70: uma grande incapacidade de afirmação internacional. Os portugueses até começaram de forma prometedora com um empate a zero em Wembley. Mas a ilusão começou a desfazer-se no jogo seguinte com a derrocada (5-0) em Praga. Os portugueses apenas conseguiriam vencer a mais fraca formação do grupo, o Chipre, ficando pelo terceiro lugar, atrás de Checoslováquia e Inglaterra.

Fase Final
Tendo palco as cidades de Zagreb e Belgrado, esta prova ficou marcada pelo enorme equilíbrio entre as formações, sendo que nos 4 jogos disputados houve lugar a prolongamento. Na primeira meia final, em Zagreb, houve um protagonista especial: Anton Ondrus. O capitão da Checoslováquia começou por ser decisivo ao dar a vantagem à sua formação ainda no primeiro tempo, mas já perto final foi o próprio Ondrus a marcar na própria baliza, originando o empate holandês que forçou o prolongamento. Nos 30 minutos suplementares, os checoslovacos garantiriam um lugar na final. A equipa da casa actuou em Belgrado frente à detentora do título e poderosa Alemanha Ocidental. O inicio de jogo prometia uma noite gloriosa para os anfitriões. Ao intervalo venciam por 2-0 com golos de Popivoda e Dzajic. Flohe reduziu à entrada da última meia hora, mas o minuto mais importante na história deste jogo é o 79’. Um tal de Muller, que não o famoso Gerd, entrou para o lugar de Wimmer e 3 minutos depois empatou, levando o jogo para prolongamento. Aí Dieter Muller tornou-se numa das estrelas da competição, marcando 2 golos que colocaram a Alemanha Ocidental na final da prova.
Um dia depois da Jugoslávia ter desperdiçado no prolongamento o esforço da recuperação que anulou os dois golos que os holandeses conseguiram de vantagem no inicio do jogo, disputou-se em Belgrado a final da competição. Pela terceira vez em quatro jogos, registou-se um empate a 2 no final dos 90 minutos, com Muller a marcar mais um golo e os alemães a conseguirem evitar a derrota no minuto 89. Só que desta vez o prolongamento não teve golos e, pela primeira vez na história da competição, a decisão teve de ser feita por penaltis. Todos converteram, até que Hoeness falhou oitava cobrança, colocando nos pés de Panenka a possibilidade de garantir a conquista da competição. Perante o categorizado Sepp Maier, Antonín Panenka protagonizou um dos momentos mais memoráveis da história do futebol, iludindo o guardião germânico e dando a vitória à Checoslováquia com uma execução que se encarregaria de imortalizar o seu nome: o penalti “à Panenka”.

Meias finais
Checoslováquia 3-1 Holanda (1-1 no final dos 90 minutos) (Vídeo Parte1 e Parte2)
Jugoslávia 2-4 Alemanha Ocidental (2-2 no final dos 90 minutos)
3º/4º Lugar
Holanda 3-2 Jugoslávia (2-2 no final dos 90 minutos)
Final
Checoslováquia *2-2 Alemanha Ocidental ((2-2 no final dos 90 minutos e 5-3 nas grandes penalidades)

Equipas

Checoslováquia (Campeã)
Orientada por Vavlav Jezek, a Selecção Checoslovaca tinha credenciais de respeito no futebol europeu, nem que fosse pelo comportamento na qualificação, onde deixou para trás a Inglaterra e União Soviética. No entanto, esta Selecção que falhou os mundiais de 74 e 78 às custas da Escócia estava longe de se constituir como um candidato à vitória final. A nível de clubes, o Slovan Bratislava vivia os seus tempos aureos depois de ter conquistado uma Taça das Taças em 69 e alguns campeonatos durante o inicio da década de 70. Precisamente o Slovan era o principal fornecedor de jogadores para esta Selecção. Na formação que iniciou a final 6 jogadores eram do Slovan, sendo estes sobretudo representantes do sector defensivo.

Alemanha Ocidental
Helmut Schoen comandou a única selecção a entrar numa fase final de um Europeu como campeã Europeia e Mundial em título. Uma boa parte da equipa fazia parte do elenco que triunfara em 72, mas também houve várias ausências. Da Selecção que entrou na final, Maier, Schwarzenbeck, Beckenbauer, Wimmer e Hoeness repetiram a titularidade de 4 anos antes. No conjunto de jogadores escolhidos por Schoen, havia agora muito mais diversidade de clubes de origem, com o Bayern de Munique e Monchengladbach a serem, sem surpresa, os maiores representantes com 4 jogadores. Esta final representa a última em grandes competições para uma geração de jogadores como Beckenbauer, Hoeness ou Maier. Nomes como Gerd Muller ou Paul Breitner não figuraram neste Europeu por terem decidido deixar de representar a Selecção, apesar de continuarem bem activos nos seus clubes. No caso de Muller, foi uma decisão sem retorno, mas Breitner (que em 76 tinha apenas 25 anos) regressaria mais tarde à Selecção para jogar o Mundial de 82.

Holanda
George Knobel
foi o sucessor de Rinus Michels após o Mundial de 74. O seu primeiro teste foi comandar esta equipa de estrelas no Euro 76 e, se se pode dizer que não desiludiu na qualificação, o mesmo não se pode dizer da fase final. Esperava-se a qualificação da Holanda para a final, numa hipotética repetição da final do Mundial 2 anos antes. A Checoslováquia, no entanto, foi um adversário que se mostrou à altura desta potencia mundial da altura, e na vitória no playoff para o terceiro lugar já não jogaram figuras como Cruijff, Neeskens e Rep. Esta foi a primeira Selecção de um Europeu a ter um conjunto de estrelas a actuar fora do seu país: No Barcelona, Johan Neeskens e Johan Cruijff, no Valencia, Johnny Rep e no Anderlecht Rensenbrink. Nota para a realidade da altura no futebol Holandês. Os tradicionais gigantes, Feyenoord e Ajax viviam períodos baixos depois de gloriosas equipas, com destaque para a saída das estrelas do Ajax que conquistaram o tri campeonato europeu. Na Holanda vivia-se uma experiência nova mas que se repetiria diversas vezes após os anos oitenta: uma fase de domínio do PSV. Nos de Eindhoven, destaque para uma dupla de gémeos que fez história também nos Mundiais de 74 e 78: os médios René e Willy Van de Kerkhof.

Jugoslávia
Uma das decisões que talvez pudesse ter ajudado a equipa Jugoslava seria escolher Split como cidade anfitriã. É que, apesar do campeão em 76 ter sido o Partizan, o Hajduk Split vivera tempos de domínio no futebol Jugoslavo do inicio da década e Ante Mladinic escolhera para o seu elenco sobretudo jogadores do Split, 6 deles com honras de titularidade. Aqui, importa lembrar que Mladinic era, ele próprio, croata e ex-jogador do Hajduk, não se sabendo até que ponto a rivalidade com os Sérvios e os clubes de Belgrado condicionaria as suas opções. Na Selecção Jugoslava, destacam-se ainda alguns jogadores que actuavam em clubes estrangeiros. Katalinski (Nice), Popivoda (Eintracht Braunschweig), Oblak (Schalke 04) e Dragan Dzajic (Bastia).

Estrelas
Ivo Viktor (Checoslováquia) – Fica ligado à história desta competição por uma memorável exibição frente à Holanda nas meias finais. Era já veterano, com 34 anos, e havia passado a carreira “escondido” no Brno e Dukla Praga, mas em 1976 a Europa ficou convencida com as suas exibições, ao ponto de ter sido terceiro na eleição para Bola de Ouro da France Football nesse ano.

Anton Ondrus (Checoslováquia) – Central do Slovan de Bratislava e capitão da selecção vencedora, ainda que não fosse o mais experiente dos seus elementos. Ondrus fica marcado pela peculiaridade de ter marcado os dois golos do tempo regulamentar frente à Holanda na meia final, só que um em cada baliza. De resto teve uma actuação que revelou as suas potencialidades, nomeadamente no jogo aéreo.

Antonin Panenka (Checoslováquia) – Naturalmente a figura da prova, por aquele gesto mitico que fica gravado na história do futebol como qualquer grande momento de Maradona ou Pelé. Sobre o penalti, Panenka confessou tratar-se de uma invenção sua para ganhar apostas nos treinos com o guarda redes da sua equipa. A técnica foi desenvolvida depois em treinos e jogos de menor importância até surpreender Maier com a execução vitoriosa. Panenka era um médio ofensivo, dotado tecnicamente que jogou até aos 45 anos de idade. O seu clube era o Bohemians de Praga (onde hoje é Presidente), mas mais tarde jogou também no Rapid Viena. Participaria ainda no Europeu 80 e Mundial 82 (já com 33 anos).

Zdenek Nehoda (Checoslováquia) – Um dos maiores avançados da história do futebol Checo, jogou 90 vezes pela Selecção, marcando 31 golos. Em 1976 foi figura importante na conquista do título, destacando-se o golo que marcou no prolongamento da meia final frente à Holanda. Ponta de lança forte no jogo aéreo mas também dotado tecnicamente.

Berti Vogts (Alemanha O.) – Para os mais jovens este nome é sobretudo conhecido pelos feitos como treinador, nomeadamente pela conquista do Euro 96. A verdade é que Vogts foi um dos melhores (talvez o melhor) lateral direito da história do futebol germânico. “Der Terrier” era assim conhecido pela sua entrega ao jogo. Faria quase 100 jogos pela Selecção, o mais famoso dos quais, a final do Mundial 74, onde marcou Cruijff. Fez toda a carreira no Monchengladbach.

Franz Beckenbauer (Alemanha O.) – Pode não ter ganho o título colectivo, mas isso não impediu que fosse, mais uma vez, nomeado Bola de Ouro pela France Football. Uma distinção que diz tudo sobre as qualidades de “Der Kaiser”, também neste Europeu. Um episódio curioso aconteceu na final – na sua centésima internacionalização – quando ninguém parecia querer marcar os penaltis. A demora foi tanta por parte dos alemães que o público reagiu, assobiando. Foi aí que apareceu a liderança de “der Kaiser”, nomeando ele próprio os eleitos.

Dieter Muller (Alemanha O.) – Independentemente da sua importância como goleador no futebol alemão, esta competição está para a carreira internacional de Muller como os mundiais de 90 ou 82 estão para Schilacci ou Rossi. É que Muller marcou apenas 9 golos na sua carreira pela Selecção, em 12 aparições... 4 deles foram neste jogo, destacando-se o facto de nem ter sido titular no primeiro jogo, entrando aos 79’, a tempo de fazer um hat-trick na sua estreia com a camisola da Selecção. Goleador de várias equipas, mas sobretudo do Colónia e, mais tarde, do Bordéus, Muller tem o maior registo de golos num jogo da Bundesliga, 6 frente ao Werder Bremen em 77. Em mais um episódio curioso da sua carreira, o registo não ficou gravado porque... os “camaramen” estavam de greve!

Ruud Krol (Holanda) – Um defesa que é um dos marcos do ‘Futebol Total’ dos anos 70. Defesa polivalente e de grande classe, Krol usava a sua versatilidade para desempenhar várias funções ao longo dos jogos. Jogador do Ajax durante grande parte da carreira, onde foi capitão, já depois da saída de Cruijff. Seria o terceiro melhor jogador europeu em 79.

Johan Crujff (Holanda) – Falar de Cruijff é, obviamente, falar de um dos maiores génios de sempre. A verdade, no entanto, é que Crujff estava já na fase descendente da sua carreira quando, com 29 anos, disputou esta competição. Depois de 3 títulos europeus pelo Ajax, Crujff juntou-se a Rinus Michels no Barcelona. A verdade é que a armada holandesa apenas conseguiu uma liga em 74 (apesar da importância por ter sido a única entre 60 e 85), em 5 anos de Barça. Também na Selecção, Cruijff invocaria problemas com ameaças à sua familia para abdicar da Selecção em 77, não participando no Mundial 78.

Johan Neeskens (Holanda) - Médio criativo foi a “sombra” de Crujff em grande parte da carreira. Isto partilhou com o génio holandês as experiências no Ajax e no Barcelona – onde se juntou um ano após o ingresso de Cruijff – bem como o Mundial de 74 e o Euro 76. Neeskens jogaria, no entanto, o Argentina 78. Tal como Cruijff apenas jogou a meia final.

Rob Rensenbrink (Holanda) – Fez grande parte da carreira na Bélgica, tornando-se uma glória do Anderlecht após ter entrado no país para jogar no rival Club Brugge. Em 76 foi jogador do ano na Bélgica e segundo mais votado na eleição de Melhor Europeu do Ano para a France Football. Dois anos mais tarde, após um brilhante Mundial 78, voltou a constar entre os 3 mais votados numa eleição ganha por Kevin Keegan. Rensenbrink era um canhoto dinâmico e goleador. As suas funções na Selecção holandesa não foram facilmente incorporadas, primeiro pela sobreposição de funções com Cruijff e, depois, pelo facto de não ser originário do Ajax ou Feyenoord, bem mais rotinados com a novidade do ‘Futebol Total’. Com o abandono de Cruijff, Rensenbrink tornar-se-ia numa das principais estrelas da “Laranja”.

Dragan Dzajic (Jugoslávia) – Figura já destacada no Euro 68, Dzajic voltou a brilhar em 76, agora com 30 anos. Nesta altura havia já abandonado o seu clube de origem, o Estrela Vermelha, para ingressar num Bastia que se preparava para atingir o topo da sua história. Dzajic marcou 2 golos na prova, distinguindo-se, mais uma vez, pela qualidade sublime do seu pé esquerdo que o notabilizou como um dos melhores extremos esquerdos da história do futebol e o nome escolhido pela Federação Sérvia como jogador do século, no Jubileu da Uefa.

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2.5.08

Taça Uefa: A final improvável

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Zenit 4-0 Bayern Munique
(resumo)
- Como se explica um resultado destes? A bom da verdade, e por muito fatalistas que possam parecer as incidências do jogo após o resultado, o primeiro motivo a apontar deve ser a eficácia. O Zenit marcou no seu primeiro remate, aos 4 minutos, mas antes já havia visto o Bayern falhar uma ocasião clara por Klose, algo que se repetiria com 0-1 e 0-2.
- Mas não é só de eficácia que se deve falar. No Bayern, para além dos erros individuais nos dois primeiros golos (barreira no primeiro e Demichelis, no segundo), houve algumas debilidades tácticas que o prejudicaram. Quando atacavam, os bávaros optavam, ora por solicitar directamente uma das suas 2 “torres”, ora por entregar em Ribery que, invariavelmente vinha receber em posse, deixando a profundidade do flanco para o lateral Jansen. O problema é que, primeiro, a opção pelo jogo directo tem, como se sabe, limitações, sobretudo perante uma equipa com pouco espaço entre linhas que permitisse jogar a partir de segundas bolas. Segundo, os ataques “via Ribery” eram protagonizados com acções individuais do francês, não havendo entrosamento, nem com os médios centro, nem com o lateral Jansen – que, aliás foi outro equívoco, dadas limitações reveladas. As ocasiões criadas justificam-se pela qualidade das individualidades e não por mérito de rotinas colectivas. Uma pergunta: para que serviam, ofensivamente, os médios Zé Roberto e Van Bommel? E a ala direita, se não era para atacar por ali, porque é que Lahm – melhor ofensivamente – não actuou à esquerda?
- Aos problemas ofensivos no flanco esquerdo, juntaram-se as limitações defensivas sobre o mesmo flanco. Ribery não empresta a ajuda defensiva que se exige para um ala de 4-4-2 clássico e Jansen estava muitas vezes fora de posição, já que, como referi, eram os laterais quem davam profundidade ao flanco, perante os movimentos interiores dos alas. Quem aproveitou foi Anyukov – um lateral interessantissimo – que, quando se suporia poder ser desgastado defensivamente pela orientação “canhota” dos alemães, acabou por ser uma fonte de desequilíbrios ofensivos, subindo com muito apropósito. Foi sobre a esquerda do Bayern que se construíram o segundo e terceiros golos.
- E o Zenit? Primeiro referir a forma, claramente positiva, dos seus jogadores. Vê-se, não só nos duelos físicos, mas também na lucidez das decisões. Uma equipa bem organizada, com alguns jogadores interessantes e que se sabe organizar bem defensivamente. Ofensivamente, não é uma equipa de posse de bola muito trabalhada, preferindo 2 soluções: (1) ataques rápidos e apoiados, preferencialmente em transição, num estilo próprio das equopas da ex-União Soviética. (2) Solicitação directa a Pogrebnyak, que é forte tanto nas primeiras bolas como a servir de referência no espaço entre linhas.
Individualidades em destaque
- Algumas exibições fizeram-me antever o que se poderá passar no Euro. No Zenit, Ashavin não esteve, mas é um nome a ter em conta. Anyukov teve um jogo notável, podendo ser um lateral direito a ter em conta no Euro. Pogrbnyak poderá ser o 9 da Rússia em Junho. É um jogador, que não sendo um fora de série, tem um perfil muito interessante, aliás, como confirma a sua utilidade no Zenit e os golos que tem nesta Taça Uefa. Fayzulin é um jovem também interessante e que poderá ser uma das surpresas da Selecção, assim como Denisov, outro que vale a pena não perder de vista. Tymoschuk, o capitão, já era conhecido desde o Mundial, na Selecção Ucraniana, sendo um jogador importantissimo nos equilíbrios da equipa.
- No Bayern, Ribery – apesar do individualismo – tem vindo a ganhar um protagonismo que lhe poderá valer o estatuto de principal estrela da Selecção Francesa, sucedendo a Zidane. Por seu lado, Klose e Toni são a imagem do poderio aéreo que terão Alemanha e Itália, duas das candidatas à vitória no Euro 2008.

Fiorentina 0-0* Rangers
(resumo)
- Falar de jogo é falar das segundas mãos das outras eliminatórias do Rangers, exceptuando as diferenças no perfil de jogo da Fiorentina. De resto, um Rangers sempre defensivo, sempre esperando pelo erro de um adversário que estava prevenido para esse perigo, mantendo-se sempre cauteloso. Por isso, oportunidades foram muito poucas – à excepção dos últimos minutos do prolongamento – e o nulo um resultado altamente provável.
- O Rangers chega a uma final, naquilo que considero ser um exemplo hiperbolico dos princípios elementares para se atingir o sucesso em provas a eliminar. Exemplo, porque a concentração competitiva e organização colectiva devem sempre sobrepor-se à tentação de arriscar, numa competição em que um erro pode pôr em causa a prestação na prova. Hipérbole, porque falta a este Rangers – manifestamente – qualidade. Por isso disse que este é, com as devidas diferenças, o “Liverpool escocês”.
- Ainda sobre o Rangers, uma nota sobre a posse de bola. É fundamental na estratégia da equipa, tendo melhorado em relação ao primeiro jogo, com os regressos de alguns jogadores fundamentais. Quando a equipa consegue colocar em prática a sua posse de bola especulativa, controla e desestabiliza o adversário que pressiona para evitar uma progressão que, no fundo, não é o objectivo daquela troca de bola. Quando é forçada a jogar directo, sofre. Foi mais uma vez assim em Florença, como em Alvalade.
- Nota para uma curiosidade nas grandes penalidades. Prandelli lançou dois jovens, Montelivo e Kuzmanovic (atenção a este médio sérvio!), para marcar os dois primeiros penaltis, guardando os experientes Liverani (um dos pontos fracos da equipa. Se Assunção for mesmo reforço, a Fiorentina fica muito a ganhar) e Vieri para a fase decisiva. Numa prova da imprevisibilidade deste tipo de desempate, foram os mais velhos quem comprometeu.

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Showboat!

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1.5.08

Champions: Duelo interno prolongado para Moscovo

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Chelsea 3-2 Liverpool
(resumo)
A única surpresa nas opções dos treinadores foi a presença de Benayoun sobre a esquerda do meio campo, no lugar que vinha sendo ocupado por Babel. De resto, o 4-4-1-1 do Liverpool, frente ao 4-3-3 dos “Blues”, esperando-se uma atitude semelhante e cautelosa de ambas as formações, apesar do Liverpool entrar em desvantagem na eliminatória.
O jogo confirmou essas mesmas intenções cautelosas de ambas as formações, arriscando pouco em posse e definindo zonas de pressão apenas à entrada do meio campo respectivo. Ainda assim, os primeiros minutos mostraram uma diferença importante na forma como as equipas encaravam as suas jogadas ofensivas. Enquanto que o Liverpool garantia que o Chelsea não pudesse actuar em transição, recorrendo ao jogo directo que buscava, ora Gerrard, ora Kuyt, o Chelsea variava a sua abordagem, entre o recurso directo a Drogba e um jogo que tentava a troca de bola dinâmica entre os seus jogadores. Esta última opção, acabou por revelar dois aspectos que determinaram uma melhor primeira parte do Chelsea. Primeiro, a clarividência com que trocava a bola, virando muitas vezes o flanco e fazendo uso de Essien para criar alguma superioridade no “miolo”. Estas viragens de flanco revelaram o outro aspecto a realçar, a menor capacidade de ajustamento posicional do bloco do Liverpool. Este foi um pormenor particularmente em evidência numa ocasião que Drogba conseguiu, após vir ao espaço entre linhas, aproveitando o espaço libertado, precisamente, por uma viragem de flanco. Resta, finalmente, referir que apesar desta ousadia do Chelsea para tentar penetrar no bloco do Liverpool em posse de bola, foram raros os momentos de transição dos “Reds” no primeiro tempo. A excepção foi o primeiro lance de perigo do jogo, numa finalização de Torres após uma jogada em que Gerrard foi sempre a referência na zona central.
O golo chegou aos 32’, para o Chelsea e em transição. Não se pense no entanto que havia algum desequilíbrio posicional do Liverpool na jogada. Pelo contrário, quando Lampard recebe a bola após a recuperação de Carvalho, há 6 jogadores do Liverpool atrás da linha da bola. O problema é que, tal como referi, esta não foi uma grande noite em termos posicionais para a formação de Benitez. Não só Lampard não teve a pressão de um dos médios centro do Liverpool (Mascherano e Alonso), como ainda Arbeloa permitiu que se criasse uma linha de passe na zona interior que é sempre o lado que os defensores devem esconder. Não marcou Kalou, mas fê-lo Drogba na recarga e o Chelsea chegava à vantagem, não havendo grandes alterações no jogo até ao intervalo.
No segundo tempo, mudou a abordagem do Liverpool e o posicionamento do Chelsea, que baixou as suas linhas. O Liverpool passou a apostar mais num jogo apoiado que tinha em Xabi Alonso a grande referência para a construção. A qualidade de passe do espanhol fez estragos e a primeira ameaça surgiu logo aos 48’, quando Kuyt falhou a conclusão após uma jogada aérea que teve em Alonso e Gerrard os outros protagonistas. O grande problema do Chelsea neste período foi a incapacidade para sair em transição, com o pressing a provocar poucos erros ao Liverpool. Ainda assim as coisas pareciam estar a melhorar para os “blues” que passaram a impedir Alonso de jogar tão livremente. Foi nesse período que surgiu o golo do Liverpool, numa rara troca de flancos entre Kuyt e Benayoun, aproveitada pelo Israelita para “inventar” um golo que Torres concluiu.
O jogo voltou rapidamente às coordenadas iniciais, destacando-se a subida das linhas do Chelsea que forçaram e, mais uma vez, a um recurso exagerado a um jogo mais directo por parte do Liverpool. Essien foi o protagonista do lance mais perigoso deste ascendente do Chelsea que, depressa, de esfumou perante as cautelas que se apoderaram do jogo com o aproximar do prolongamento.
Os últimos 30 minutos do jogo foram de uma intensidade louca. Primeiro ameaçou o Liverpool, depois o Chelsea, que marcou mesmo, levando meio mundo a pensar que Essien tinha dado nova vantagem aos “Blues”. Não passou de um engano, mas se o lance não teve efeitos no marcador, teve-o no balanceamento do jogo que caiu totalmente para o lado de Chelsea. Hyypia cometeu logo a seguir um duplo erro imperdoável. Primeiro dominando mal a bola numa zona proibida e, depois, arriscando um corte numa jogada que não o justificava. De penalti o Chelsea chegou-se à dianteira, sabendo pouco depois aproveitar o momento de desorientação do Liverpool para dobrar a vantagem. Para que não se perdesse a emoção, Babel ainda tirou partido da desconcentração de Cech, mas havia pouco tempo para que o Liverpool voltasse a garantir uma final da Champions.

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Devo confessar que esperava uma exibição mais capaz do ponto de vista colectivo do Liverpool, particularmente nos momentos em que o jogo esteve empatado. Neste sentido, provou-se a importância da energia de Anfield para os momentos decisivos, funcionando Stamford Bridge, desta vez, em sentido contrário. No Liverpool fica a incógnita de qual poderá ser o futuro e, nesse aspecto, não posso deixar de notar a dificuldade que teve Benitez para trazer outra capacidade desde o banco (à excepção de Babel que é normalmente titular), apesar dos largos milhões despendidos.
Uma pergunta que muitos se puseram foi sobre qual seria o adversário mais desejado por Ferguson. Se a resposta Liverpool é aquela que mais sentido faz, tendo em conta o passado recente dos confrontos entre Ferguson e Benitez, creio que o contexto da temporada dará a Ferguson e ao Manchester a sensação de uma maior igualdade de circunstancias, dividindo as duas equipas energias entre o plano interno e a Champions. De qualquer forma, este Chelsea que se viu nos últimos 2 jogos é uma equipa temível, aparecendo com vários jogadores em grande momento de forma (Essien, Ballack, Drogba...).
Uma questão que muitos se colocam é como poderá Avram Grant conseguir o que Mourinho não conseguiu em 06/07. Sem retirar mérito ao Israelita, recordo que nessa comparação deverá constar o importante facto de Grant não ter tido uma época tão fustigada por lesões como havia tido Mourinho (para não falar da decisiva “prenda” de Riise) e que o Chelsea teve mais jogos em 06/07, fruto da melhor prestação nas competições a eliminar no plano interno.

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Tomas Costa, possível dragão

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Tomas Costa é o nome que tem animado o mercado no que ao FC Porto diz respeito.
Trata-se de um médio de 23 anos, oriundo das escolas do Rosario Central, tal como Di Maria. “Tomy” tem sido um dos jogadores em melhor plano nesta equipa que, diga-se, não é das mais fortes na Argentina, mas que tem muita tradição. As suas exibições justificaram o aparecimento de alguns rumores em torno do futuro do jogador, sendo que Tomas Costa ter-se-á mostrado disponível para mudar para Buenos Aires e para o Boca, algo que não foi muito bem recebido pelos “hinchas” do seu clube.
No que respeita às suas características, tem-se falado na polivalência e na possibilidade de actuar na posição de Assunção. A verdade é que, apesar de ter já desempenhado várias posições na sua ainda curta carreira, Costa tem-se afirmado como médio direito num esquema que, normalmente, utiliza uma linha de 4 homens. Assim, será complicado que as observações tenham detectado essa apetência para ser pivot defensivo, já que a sua equipa não lhe proporciona o desempenho dessa função. Em matéria de polivalência fica a nota para a sua utilização (ainda que muito pontualmente) como lateral direito.
Tomas Costa distingue-se pela qualidade do seu pé direito. Não faz da velocidade uma arma principal, nem tem uma grande capacidade para aparecer em zonas de finalização (aliás, os números de golos da sua carreira dizem bem disto mesmo), mas para além da capacidade de luta é um jogador de invulgar capacidade de passe. Naturalmente, a sua contratação – a confirmar-se – enquadrar-se-á numa estratégia de integração e adaptação progressiva às rotinas e exigências do modelo de jogo.

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