15.3.08

História do Europeu - Espanha 1964

ver comentários...
Enquadramento Futebol Europeu
A nível de clubes o futebol europeu era dominado pelas equipas da Europa de Sul, particularmente pelas Espanholas. A contraria-las estavam, mais do que nunca, as Portuguesas, com o Benfica de Eusébio em plano de maior evidência. Os encarnados conseguiram 4 finais Europeias em 5 anos, tendo falhado precisamente a presença na final de 64 após uma surpreendente derrota perante o Dortmund – os alemães golearam 5-0 em sua casa – na primeira ronda da prova.

Mas o futebol Português manteve a sua presença ao mais alto nível Europeu, com o Sporting a conquistar a Taça das Taças nesse ano de 64. De resto, a Taça Uefa foi vencida pelo Saragoça que derrotou na final o bicampeão Valência, na quinta vitória Espanhola em 6 anos de competição.

Mas 64 marcou a primeira de 2 conquistas consecutivas na Taça dos Campeões Europeus da equipa que ficou conhecida como “La Grande Inter”. Orientada pelo argentino Helenio Herrera – identificado muitas vezes como o pai do “Cattenacio”, embora não tivesse sido verdadeiramente o seu inventor – a formação do Inter utilizava um estilo inovador de jogo, suportado por um libero, Armando Picchi, que era também o capitão e líder dentro do campo. Depois havia Giacinto Faccheti, o galopante lateral esquerdo com ordem para atacar, e o criativo médio espanhol Luiz Suarez, melhor jogador europeu do ano em 1960. Mas a estrela desse Inter era Sandro Mazzola, o fantasista de apenas 22 anos que iniciava uma carreira de grande prestigio no futebol Italiano e mundial.

O Inter bateu o Real Madrid dos geniais mas já veteranissimos Di Steffano e Puskas em 1964, por 3-1 numa final disputada no Prater e em que Mazzola apontou 2 golos. Um ano mais tarde, “La Grande Inter” repetiria a proeza, batendo desta vez o Benfica por 1-0 num jogo disputado em... San Siro.

Enquadramento Futebol Português
Em Portugal os tempos eram dominados pelo poderoso Benfica que em 64 conquistou o segundo de uma série de 3 campeonatos seguidos, todos com o FC Porto como vice-campeão. Eusébio era a estrela de uma equipa capitaneada por Coluna e que tinha outras referências sobejamente conhecidas como Torres, Germano, Simões ou José Augusto. No Sporting, Morais ficou eternamente ligado a esse ano de 64 com o seu “cantinho”, mas havia outros nomes como Hilário ou guarda redes Carvalho. Já no FC Porto, o destaque vai para a despedida do histórico Hernâni.
Na Taça de Portugal, o Benfica fez a dobradinha em 64, sucedendo ao Sporting como vencedor da competição e batendo o FC Porto por 6-2 na final.

Qualificação
A fase de qualificação ficou marcada pela surpresa chamada Luxemburgo, que esteve a muito pouco de integrar os 4 finalistas. A proeza dos Luxemburgueses destaca-se sobretudo pela eliminação tangencial da Holanda. Quem beneficiou com o sucedido foi a Dinamarca que, após recurso a um jogo de desempate, lá eliminou os Luxemburgueses, qualificando-se para a fase final. Os dinamarqueses chegaram ao Espanha 64 apenas por eliminar Malta, Albania e o Luxemburgo.
Nota para dois embates de gigantes. Primeiro a eliminação da Itália aos pés do Campeão, a URSS. Depois pelo brilharete da virtuosa Hungria que venceu os dois jogos frente a uma França em fase de renovação.
Quanto a Portugal, não se pode deixar de estranhar a modéstia da sua participação num tempo de tantos sucessos ao nível de clubes (compostos por Portugueses). A Selecção caiu “à primeira” perante a Bulgária. Depois do 3-1 de Sofia, Portugal conseguiu virar a eliminatória, chegando ao 3-0 (2 golos de Hernani e um Coluna) no jogo do Restelo. Um golo Bulgaro na etapa final do jogo forçou um jogo de desempate. Nessa partida disputada em Roma, os Bulgaros derrotaram-nos por 1-0, outra vez com um golo tardio.

Fase Final
À fase final chegaram a candidata Espanha, a campeã URSS, a talentosa Hungria e a ocasional Dinamarca. Espanha ganhou ainda mais favoritismo após lhe ter sido concedida a vantagem de receber os 4 jogos finais.
Meias finais:
Espanha 2-1 Hungria (a.p.)
Dinamarca 0-3 URSS
3º/4º
Hungria 3-1 Dinamarca (a.p.)
Final
Espanha 2-1 URSS

Equipas
Hungria
Já não contava com Puskas ou a magia do futebol Magiar que encantou o Mundo nos anos 50, mas a qualidade era ainda uma marca bem notória no futebol da Húngria. A equipa era orientada pelo bem sucedido Lajos Baroti e era formada por jogadores dos 3 principais clubes Hungaros da altura: o Ferencvaros(vencedor da Taça Uefa em 1965 e finalista em 68), o Vasas (semi finalista derrotado pelo Benfica da Taça dos Campeões Europeus em 65) e o MTK (que perdeu com o Sporting na final da Taça das Taças em 64). De resto, a Selecção Hungara haveria de se tornar campeã Olimpica nesse mesmo ano, tendo chegado aos quartos de final nos Mundiais de 62 e 66.

URSS
Campeã em título, a URSS era uma potencia do futebol Europeu desta época, talvez algo marginalizada por questões políticas. A equipa soviética manteve a sua espinha dorsal de 1960, sendo reconhecida pela sua força defensiva. Depois de alguma frustração em 62 com a eliminação aos pés do Chile nos quartos de final do mundial esta Selecção conseguiria o quarto lugar em 66. Nota para o facto de nesta altura não haver clubes soviéticos nas competições europeias.
Espanha
Foi a única Selecção Espanhola a conseguir um grande título. Não era difícil escolher um elenco perante tanta qualidade presente nas equipas Espanholas. Como se tal não bastasse, José Villalonga foi o único Seleccionador a ter o privilegio de convocar emigrantes para o seu elenco. Os médios Luis del Sol (Juventus) e Luiz Suarez (Inter) foram os eleitos.

Estrelas
Florian Albert – Avançado de grande elegância era uma das grandes estrelas da altura. Foi melhor marcador (entre outros) no Chile 62 e foi nomeado jogador Europeu do Ano em 67. Jogou apenas no Ferencvaros, onde conseguiu erguer o unico trofeu Europeu do clube, a Taça Uefa (na altura Taça das Cidades com Feira)

Ferenc Bene – Goleador do Ujpest durante toda a carreira, foi a grande revelação da prova ao apontar 2 golos, apenas com 19 anos. Na altura era já uma figura importante da Selecção e meses mais tarde tornar-se-ia numa das principais referências da conquista Olimpica Húngara no Torneio de Tóquio.

Lev Yashin – Incontornável figura do futebol Mundial da época, era novamente a principal estrela Soviética, mas desta vez não trouxe o troféu.

Albert Shesternyov – Libero do CSKA de Moscovo, é o recordista de internacionalizações pela URSS. Já havia marcado presença no Mundial de 62, apenas com 21 anos, e tornara-se numa peça essencial da Selecção. Era conhecido como “Ivan o Terrível”...

Valery Voronin – Médio ou defesa central de notável capacidade técnica marcou o golo que abriu a vitória frente à Dinamarca, tendo igualmente apontado o último golo do apuramento.
Jesus Pereda – Avançado do Barcelona foi um dos heróis da conquista Espanhola ao marcar 2 golos na fase final.

Amancio – Galego que era nesta altura uma das referências do ataque do poderoso Real Madrid e também da Selecção Espanhola. Amancio marcou o golo que derrotou a Húngria no prolongamento da meia final.

Luis Suarez – Antigo jogador do Barcelona e nesta altura no Inter. Foi o primeiro jogador a juntar os títulos de campeão da Europa ao nível de clubes e Selecções no mesmo ano. Era indiscutivelmente um dos craques daquele tempo.

ler tudo >>

14.3.08

Sporting - Bolton - Análise Cronológica

ver comentários...
6’ Primeiro lance de perigo no jogo, com Vaz Té a aparecer em diagonal sobre a esquerda da área do Sporting, a dominar um passe longo antes de rematar ao lado, perante alguma passividade da defesa do Sporting que tinha superioridade no lance. No Sporting não há surpresas, a confirmar-se a posição de Moutinho como elemento mais recuado do losango. Do lado dos Ingleses, um 4-3-1-2 com Giannakopoulos a surgir no apoio à dupla formada por Vaz Té (mais móvel) e Helguson (o pivot). Os ingleses nem são, permitam-me a expressão, carne nem são peixe. Isto é, nem optam por jogar declaradamente no erro, nem surgem com intenção de perturbar o Sporting com um jogo agressivo ofensivamente. O que é claro no seu jogo é a tendência para aberturas e cruzamentos largos.
13’ Primeiro lance de perigo do Sporting, com Liedson a deixar a sua marca ao recuperar uma bola na defensiva contrária. No seguimento, Vukcevic remata ao lado. Um lance de excepção numa entrada muito errática do Sporting no jogo. Uma série de passes errados (Polga é o caso mais evidente) na primeira fase de construção e algumas combinações falhadas revelam uma desconcentração atípica. Por outro lado, o Bolton aproveita alguma indefinição da zona de pressão do Sporting na fase inicial do jogo para conseguir estender-se até à área leonina com regularidade.
30’ Bola recuperada por Vukcevic dá origem a uma transição que liberta Pereirinha sobre a direita. O cruzamento encontra Vukcevic e por pouco não dá golo. O Sporting continua a cometer erros em posse de bola mas começa agora a perturbar bem mais a posse do adversário, passando a dominar o jogo. O Bolton tem agora muitas dificuldades em surpreender o Sporting que aparece mais equilibrado e preparado para responder às bolas longas dos ingleses.
43’ Uma bola recuperada por Polga após mau domínio adversário é aproveitada por Romagnoli para criar um desequilíbrio sobre a esquerda. No seu jeito serpenteador, o argentino combina com Liedson para se libertar antes de um remate à figura. O Sporting termina o primeiro tempo num ritmo lento, mas suficiente para dominar completamente o jogo, chegando agora com muito mais frequência às imediações da área adversária. O Bolton revela não ter capacidade para discutir o jogo no campo todo, abrindo vários espaços (não tendo uma pressão verdadeiramente incomodativa) e perdendo demasiadas bolas.
45’ O nulo ao intervalo penaliza um Bolton (que é quem tem a responsabilidade de virar o resultado) pouco esclarecido em termos estratégicos e com pouca qualidade para perturbar verdadeiramente o Sporting. Por seu lado, a primeira parte do Sporting (apesar de ter sido em crescendo) foi marcada por um número preocupante de erros em posse de bola, não tendo conseguido aproveitar na fase terminal dos primeiros 45 minutos o espaço concedido pelos erros do adversário.
65’ Paulo Bento retira um apagado Vukcevic para introduzir Tiuí, numa alteração que não traz novidades organizacionais e que se poderá prender com alguma gestão de esforço do Montenegrino. O segundo tempo revela um Sporting amplamente dominador (utilizando sobretudo a dinâmica de Pereirinha na direita) a jogar permanentemente no meio campo de um adversário que não é capaz de ligar uma transição ou, sequer, de ter um pressing incomodativo. Do ponto de vista da gestão do jogo não há qualquer sinal de preocupação, mas o decorrer do tempo com o nulo implica dois aspectos: em breve o Bolton terá de arriscar, podendo o Sporting esperar por esse momento para matar a eliminatória e, por outro lado, a escassez de tempo torna-se um factor de pressão, estando o Bolton a um golo do apuramento. A gestão desta dicotomia é o que vai decidir a eliminatória.
69’ Perda de bola do Bolton quando tentava sair em transição (incrível incapacidade) leva a bola até Pereirinha que, com um remate de fora da área, está perto de marcar.
75’ Paulo Bento troca Adrien por Romagnoli, gerindo também o esforço do argentino e colocando um meio campo de maior capacidade defensiva antevendo-se uma fase em que o Bolton se deve expor territorialmente, não sendo necessária muita mobilidade ofensiva do Sporting para ser perigoso.
79’ Melhor ocasião do Sporting no jogo. Bola longa de Patrício e um trabalho fantástico de Liedson antes de servir o aparecimento de Pereirinha sobre a direita. Em velocidade, o jovem chega à linha e faz o passe atrasado novamente para Liedson. O remate do “levezinho” sai, no entanto, na direcção do guarda redes.
Nesta fase é evidente o risco assumido pelo Bolton, dando mais espaço na sua retaguarda. O problema está no número de jogadores ingleses que aparecem em zona de finalização, mas o Sporting soube sempre evitar essa ameaça. Estão criadas as condições para haver golos, com o Sporting a ser quem mais condições tem para atingir esse objectivo.
85’ Finalmente o golo do Sporting. Em transição, como se aconselhava, o Sporting tira partido do risco do Bolton. O lance é conduzido pela esquerda e tem o mérito de evoluir em largura, tirando do espaço existente. Notável a finalização de Pereirinha, o melhor em campo.
87’ Gladstone por Izmailov. Pode não ser bonito mas é realista. O Bolton faz da presença numérica na área do Sporting a sua única esperança no jogo. Com Gladstone, o Sporting está mais precavido e não perde possibilidades ofensivas, tal o espaço de que usufrui. Aliás foram apenas do Sporting as ocasiões até ao final dos 90 minutos.
---
Vitória mais do que justa do Sporting que nunca foi (nem teve de ser, diga-se) brilhante no jogo. Começou por ter uma entrada preocupante pela falta de concentração e um elevado número de erros – algo que já tinha sucedido em Guimarães – mas foi crescendo no jogo, impondo-se claramente a um Bolton muito fraco nos vários momentos do seu jogo. Os ingleses vieram com uma equipa de recurso a Alvalade e isso foi determinante na sua exibição.
Dois aspectos negativos no jogo do Sporting. O primeiro, que vem de Guimarães, é o número elevado e anormal de erros em posse de bola (Polga, não sendo o único, teve um jogo incompreensível neste aspecto). O segundo tem a ver com alguma falta de maturidade de lucidez estratégica durante o jogo. Uma equipa que tem tantos jogos como o Sporting, havendo pouco tempo para preparar uma adaptação minuciosa ao adversário, tem de perceber melhor a sua situação no jogo e em que momentos deve ou não chamar o adversário ou assumir o risco maior na sua posse de bola. No inicio do jogo frente ao Bolton e, sobretudo, em Guimarães isso não aconteceu e a equipa fica assim muito vulnerável às “armadilhas” estratégicas dos adversários (algo que o Bolton não soube explorar).
Do lado positivo, surge claramente Pereirinha, finalmente a ganhar a confiança que durante tanto tempo lhe pareceu faltar. É actualmente um candidato sério a entrar no onze mais forte do Sporting e uma aposta importante que foi ganha por Paulo Bento.
O Sporting tem tido um campeonato horrível, particularmente fora de casa, mas tem de se referir que é notável a ter chegado a esta fase em todas as competições, tendo em conta as limitações do plantel e, sobretudo, os contratempos que permanentemente existiram.
Nota final para Vaz Té. Parece-me um jogador com características muito valorosas, inclusive, para ser um potencial candidato à Selecção. É pena que permaneça numa equipa que, não só não aposta nele, como, pior ainda, não tem um modelo de jogo adequado ao seu perfil.

ler tudo >>

Futebol "Kung Fu"!

ver comentários...

ler tudo >>

13.3.08

Getafe - Benfica - Análise Cronológica

ver comentários...
0’ Onzes iniciais marcados pelas ausências e os “remendos”. No Benfica, sem haver novidades em termos de nomes na estreia de Chalana, há a curiosidade para verificar as diferenças em relação à disposição e dinâmica da equipa...
6’ Makukula ao poste. A primeira grande ocasião de golo no jogo resulta de uma variação de flanco de Nelson para Rui Costa que aparece no flanco esquerdo. Sucedem-se dois cruzamentos interceptados de forma incompleta, com o segundo, de Rodriguez, a ressaltar em Makukula antes de bater no poste. Uma oportunidade importante para o decurso do jogo e da eliminatória.
O jogo começou com um futebol muito disputado no meio campo mas com algum ascendente (ainda pouco significativo) do Benfica. A curiosidade em torno do esquema apresentado por Chalana começa a ficar desfeita. O losango volta a surgir no Benfica, com Petit como vértice mais recuado, Maxi e Rodriguez nas posições de ala interior e Rui Costa na função mais adiantada. Na frente, lado a lado, Makukula e Nuno Gomes. A dinâmica de jogo tenta recorrer sempre a um jogo apoiado, com Rui Costa como epicentro das operações ofensivas, recuando para ter procurar a bola. Nas alas, ordem para a subida declarada dos laterais, sendo eles a ser os responsáveis pela largura ofensiva da equipa já que, quer Rodriguez, quer sobretudo Maxi Pereira aparecem pouco junto à linha. Nota para o facto do Benfica se expor muito em posse de bola, algo que resulta muito desse tal adiantamento dos laterais. Do lado do Getafe, o 4-4-2 de 2 linhas paralelas não foi desfeito pelas ausências e mantém-se a característica da paciência, quer em posse de bola, quer sem ela. O Getafe parece muitas vezes adormecido, baixando o ritmo do jogo, mas é exímio em provocar acelerações na partida. Uma oscilação de ritmos que é uma grande virtude do conjunto de Laudrup.
14’ Primeira situação do Getafe, com Kepa a finalizar na cara de Quim após ter conseguido de forma quase incompreensível ter encontrado espaço na área do Benfica após uma bola parada a meio do meio campo encarnado. É já notória a intenção do Getafe de aproveitar a exposição do Benfica para surpreender em transição. O domínio do Benfica mantém-se mas começa cada vez mais a ser patente o conforto do Getafe perante essa situação.
18’ Boa diagonal de Rui Costa sobre a esquerda do ataque a criar uma linha de passe e uma solução quando a zona pressionante do Getafe ameçava recuperar mais uma vez a bola. A jogada termina com um remate perigoso de Rodriguez.
27’ Ocasião de golo para o Getafe. Após um pontapé longo de Quim, a bola é ganha no ar pelo Getafe e Léo é depois batido numa zona demasiado adiantada do campo. O Getafe faz um ataque com 4 homens e isso vai ser suficiente para desequilibrar completamente a defensiva do Benfica, com os médios a auxiliar muito deficientemente a zona mais recuada da defesa após a perda de bola de Léo. O cruzamento largo de Cotelo sobre a esquerda apanha o aparecimento de Gavilan que sozinho encontra apenas a oposição de Quim.
40’ Grande ocasião para o Getafe. Impressionante o espaço que o Benfica concede na sua zona mais recuada. O tal ritmo lento ilusório do Getafe é rapidamente interrompido por uma diagonal vertiginosa de Gavilan a aproveitar o tal espaço concedido. A bola é colocada de forma directa em Kepa que, de cabeça isola o seu companheiro que, perante Quim, volta a desperdiçar desta vez ao lado.
45’ O nulo ao intervalo. Num jogo amplamente controlado pelo Getafe, o Benfica teve a oportunidade de “abanar” a eliminatória com a ocasião de Makukula. Com o decorrer do tempo, o Getafe foi impondo um jogo de maior inteligência perante uma situação de vantagem na eliminatória. Mais organizado, muito compacto e sempre equilibrado, ao contrário do Benfica que demonstra incapacidade para responder às exigências de ter de virar a eliminatória perante este Getafe. Apesar do empate ficava a sensação de que a forma exposta como o Benfica se apresentava dificilmente conseguiria resistir a mais 45 minutos de jogo.
58’ Chalana troca Maxi por Di Maria. O segundo tempo começou com uma dificuldade crescente da posse de bola encarnada, cada vez a cometer mais erros perante a zona do Getafe que aparece progressivamente a conseguir ter mais a bola no meio campo do Benfica. Chalana tenta dar mais “nervo” à ala direita onde Maxi raramente apareceu a dar largura. Trata-se, no entanto, de uma mera alteração individual que perante a superioridade colectiva do Getafe e a forma como pressiona em largura, só muito dificilmente poderia ter verdadeiro impacto.
64’ Grande ocasião para Albin, a aproveitar o espaço nas costas da defesa do Benfica na sequência de uma transição que se inicia junto à área Espanhola. É um lance que surge na sequência de alguns outros que indiciam um aproximar mais frequente do Getafe à área encarnada. À incapacidade do Benfica começa a juntar-se um previsível desgaste mental de quem começa a ver o seu objectivo cada vez mais longe.
65’ Troca de Mantorras por Nuno Gomes.
67’ Primeira lance de perigo do Benfica no segundo tempo. Cruzamento de largo de Nelson a encontrar Makukula que serve Rui Costa para um remate de primeira à entrada da área, que é defendido por Abbondanzieri. Um lance que levanta a questão sobre se não seria preferível optar por uma abordagem mais directa ao jogo, já que a zona pressionante do Getafe foi sempre um antídoto mais do que suficiente para as ofensivas encarnadas...
74’ Entrada de Sepsi para a saída de Edcarlos. Chalana assume o risco total e passa a jogar com 3 defesas (Nelson, Katsouranis e Leo). 3-1-4-2 é o esquema improvisado nesta fase com Sepsi e Di Maria nas alas e com Rui Costa e Rodriguez na zona central. Petit tem a missão de fechar na zona central e tentar auxiliar um Katsouranis demasiado isolado.
77’ Golo de Getafe. Demorou 3 minutos a sucumbir a opção kamikaze de Chalana. A jogada é simples o primeiro passe da fase de construção do Benfica é interceptado por De la Red na zona central e de imediato Albin é isolado perante o meio campo desamparado do Benfica.
81’ Nova transição do Getafe resulta num desperdicio clamoroso de Cortés, já sem Quim na baliza. Se a densidade numérica do Benfica na frente não trouxe grande acréscimo de dificuldade à missão defensiva do Getafe, o avolumar do marcador parece agora dependente da disponibilidade do Getafe para o fazer, tal a exposição que o Benfica assume na sua zona mais recuada. O Getafe, no entanto, também lança pouca gente na frente.

---

Uma vitória mais do que justa da melhor equipa nos 90 minutos. O Getafe jogou com a estratégia que mais se aconselhava e o Benfica mostrou sempre uma incapacidade gritante para inverter a situação. Uma nota sobre a equipa espanhola. Trata-se de uma formação muito bem organizada e forte nos mais diversos capítulos do jogo. O que se viu não foi só demérito do Benfica mas muito mérito de uma equipa que sabe como posicionar-se defensivamente efectuando uma zona pressionante muito inteligente e que conseguia quase sempre criar superioridade na zona da bola.
No que respeita ao Benfica, fica a primeira indicação de que poderemos ter um regresso ao losango com Chalana. Mas há mais. Fica por saber se se tratou de um risco por causa da desvantagem que o Benfica levava para o jogo ou se será algo para repetir, mas o que se viu foi uma equipa demasiado exposta no momento da perda de bola e com pouca equilíbrio defensivo. Este é um aspecto que rompe com o perfil mais cauteloso de Camacho e que, a confimar-se, poderá significar um aumento do número de golos sofridos. Ofensivamente há ainda muito pouco tempo para que seja apresentado trabalho, mas a intenção parece ser integrar mais gente nas acções ofensivas, fazendo da subida dos laterais um recurso obrigatório (é aqui que surge também o aumento do risco no momento da perda de bola).
Uma última nota para o facto de este desfecho estar longe de se constituir como uma surpresa (aliás o Getafe era favorito nas casas de apostas antes da eliminatória). O Getafe, de apenas 13 mil sócios, tem um orçamento superior ao do Benfica e esse é um factor bem mais determinante do que as diferenças de curriculo na hora de constituir o plantel. Estar deste ou do outro lado da fronteira tem uma importância cada vez maior e este é apenas um exemplo que comprova o que há muito venho dizendo.

ler tudo >>

Showboat! Adivinhem como acaba?

ver comentários...

ler tudo >>

12.3.08

Sotaque Inglês na Champions

ver comentários...

Com uma semana de atraso em relação aos restantes jogos, o Inter-Liverpool definiu o oitavo clube a qualificar-se para os quartos de final da Champions, confirmando-se o que já se previa: o apuramento do Liverpool.

De facto, e apesar da qualidade indesmentível do Inter, o Liverpool tem uma capacidade defensiva quase impar na Europa que faz com que o 2-0 da primeira eliminatória parecesse uma barreira demasiado elevada para ser superada em 90 minutos de futebol, perante aquele bloco de 2 linhas vermelhas. O que se viu em San Siro foi precisamente mais uma imagem desse Liverpool de betão que Benitez moldou e que se torna sistematicamente um legítimo candidato à vitória de qualquer prova a eliminar. Ao Liverpool falta apenas uma capacidade ofensiva mais demolidora, sendo uma equipa que depende em demasiada das boas individualidades que possui e daquele movimento de solicitação ao “pivot” para libertar Gerrard no espaço entre linhas. A fórmula vencedora do Liverpool na Champions passará sempre pelo impulso emocional da “Kop” para obter a força necessária para chegar à vantagem nas eliminatórias. Do lado do Inter, a aposta passou pela mobilidade de Stankovic, pelos movimentos interiores de Cruz e Zlatan (um dos melhores do mundo da actualidade, sem dúvida) e por algumas roturas do bravo Zaneti e de Maicon sobre a direita. O golo não apareceu nas poucas oportunidades criadas e a crença foi-se afastando, agravada pela inferioridade numérica. O Inter junta mais uma frustração ao seu passado recente Europeu, mas devo dizer que não acredito em julgar “dimensões Europeias” pela análise simples do resultado de 1 ou 2 jogos. As provas a eliminar não distinguem forçosamente os melhores e é bom que isso não seja esquecido.

Três notas adicionais que resultam deste jogo:
- A curiosidade de, no mesmo ano, 2 equipas inglesas terem vencido Inter e Milan em San Siro. Não sei se é a primeira vez, mas dada a forma como foram conseguidas, parece-me que não deve ser considerado um simples acaso.
- 4 equipas inglesas nos quartos de final da Champions é algo inédito mas completamente sintomático. É uma discussão sobre a qual me tenho pronunciado com grande convicção. O futebol Inglês, pela capacidade de investimento que tem conseguido, tem melhorado enormemente a sua qualidade e, ou o modelo competitivo europeu dá uma grande volta, ou estamos apenas no inicio de um domínio avassalador de uma liga que de inglesa já só tem a origem, porque a sua dimensão é planetária.
- Mancini vai sair do Inter no final da temporada, abrindo-se o lugar para Mourinho. Face ao que escrevi antes, percebe-se facilmente que sair de Inglaterra me parece um passo no sentido errado (apesar do desafio inequívoco que representa o Calcio). Mas isso também se inverte sem problemas. Basta querer!


ler tudo >>

Afinal ele marca... só não festeja!

ver comentários...

ler tudo >>

11.3.08

Jorge Ribeiro... dá que pensar!

ver comentários...

ler tudo >>

AddThis