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18.4.08

História do Europeu - Bélgica 1972

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Enquadramento Futebol Português
Em Portugal, o Benfica mantinha o domínio interno, estando em 1972 a meio do terceiro de quatro tri campeonatos conquistados nas décadas de 60 e 70. Na Europa, no entanto o Benfica já estava longe da preponderância dos anos 60 e, em 1972 conseguiu o feito isolado de chegar às meias finais de uma prova onde, embora continuasse a ser presença quase constante, passou a ter uma importância bem mais modesta. Em 1972, o Benfica de Jimmy Hagan contava com um Eusébio já com 30 anos e uma equipa completamente renovada em relação aquela que entrara em Wembley quatro anos antes. Nas suas fileiras incluíam-se nomes importantes do futebol dos anos 70 e 80 como Nené, Jordão, Humberto Coelho, Artur Jorge, Vitor Baptista ou Toni. Os encarnados venceriam também a Taça de Portugal chegando à final depois de derrotar o FC Porto por 6-0 na meia final. No Jamor o adversário foi o Sporting de Fernando Vaz, derrotado por 3-2 no prolongamento. Os leões contavam, para além do mítico Vitor Damas (na altura com 24 anos), com Yazalde, no entanto ainda longe da veia goleadora de 74.
Mas falar desta época do futebol português é falar do “Senhor” Vitória de Setúbal que foi o principal destaque nacional a nível Europeu. Sob o comando de Pedroto o Vitória espantou a Europa conseguindo entre 69 e 74 estar sempre entre os 4 primeiros do campeonato e chegando, ou aos oitavos de final, ou aos quartos de final da Taça Uefa (antes de 72, Taça das Cidades com Feira). Gigantes como o Inter, Fiorentina ou Leeds United caíram aos pés dos Sadinos que contaram nesse período com individualidades como Jacinto João, Carlos Cardoso ou o experiente José Torres.

Enquadramento do Futebol Europeu
Em termos tácticos a evolução do futebol é marcada por uma crescente percepção da importância dos espaços e na viragem para a década de 70 o futebol de topo experimentou mais um importante passo rumo ao que é hoje, com a filosofia do Totaalvoetbal, ou Futebol Total, a atingir um sucesso esplendoroso com os feitos do Ajax. A ideia era promover a liberdade de movimentos individuais, mantendo sempre uma rigorosa disciplina colectiva que garantia a manutenção dos equilíbrios.
Na realidade o futebol Holandês conseguiu entre 69 e 73 estar presente em 5 finais da Taça dos Campeões Europeus, tendo o Ajax perdido a primeira e ganho as 3 últimas. Pelo meio fica o triunfo do Feyenoord sobre o Celtic em 1970. A final de 1972 fica marcada de forma impar na história do futebol Europeu por marcar também o confronto entre duas filosofias marcantes da história. Nesse dia 31 de Maio de 1972 a banheira de Roterdão assistiu ao grande triunfo do Futebol Total sobre o Catenaccio com a vitória do Ajax por 2-0 (2 de Cruijff) sobre o Inter. Curiosamente, nem o Ajax, nem o Inter eram já orientados por aqueles que ficariam conhecidos como os “mestres” das respectivas filosofias. No Ajax Kovacs sucedera um ano antes a Rinus Michels que partira para Barcelona e, no Inter, Herrera, agora na Roma, havia dado lugar a Giovanni Invernizzi. Nota para o facto de tanto Michels como Herrera terem sido responsáveis pelos primeiros grandes sucessos das respectivas filosofias, mas terem tido, em ambos os casos, inspirações de trabalhos prévios. No caso de Michels, o seu ex-treinador no Ajax, o Inglês Jack Reynolds (treinou antes e depois da II Guerra Mundial) e, no caso de Herrera, Gipo Viani que implementou pela primeira vez em Itália (no Salernitana) um conceito mais defensivo do jogo que, na realidade, foi pela primeira vez aplicado na Suiça.

Qualificação
A primeira pergunta que deve ser colocada, face ao que se passava ao nível de clubes, é: o que se passou com a Holanda? A Selecção Laranja dava no inicio dos anos 70, com o surgimento do domínio do “Futebol Total” os primeiros passos daquela que é uma história bem aquém do potencial que se reconhece. Depois de terem igualmente falhado a qualificação para o México 70, os Holandeses ficaram em segundo na fase de grupos, atrás da Jugoslávia, finalista da edição de 68 e que a “Laranja” foi incapaz de bater.
Outra baixa de peso foi a Itália, campeã Europeia e finalista no Mundial de 70. Os Italianos dominaram o seu grupo, mas caíram nos quartos de final frente a uma surpreendente Bélgica que conseguiu um notável nulo em San Siro antes de vencer “i azzurri” por 2-1 num jogo dramárico em Bruxelas.
Na qualificação para o Euro 72 viveu-se mais um episódio da rivalidade Anglo-Germânica, que começava a tornar-se traumática para os Ingleses depois da final do Mundial de 66. Depois de terem caído aos pés dos Germânicos nos quartos de final do México 70, os Ingleses eram agora eliminados da fase final do Euro 72, algo particularmente mais embaraçoso após a derrota 1-3 em Wembley, com 2 golos sofridos nos últimos 5 minutos desse jogo.
De resto, os quartos de final ditaram 2 confrontos a leste. A Hungria bateu a Roménia (2-1) no último minuto do tira teimas disputado em Belgrado, os após 2 empates verificados nas 2 mãos da eliminatória. Mais fácil a qualificação da União Soviética, que bateu a Jugoslávia por 3-0 em Moscovo após o nulo obtido em Belgrado.
Quanto a Portugal, 72 foi mais um episódio da frustrante carreira da Selecção no pós 66. Não foi tão mau como havia acontecido na qualificação para o México 70, mas ainda assim foi insuficiente. Os Portugueses foram segundos num grupo com a Bélgica, Escócia e Dinamarca. A Selecção foi apenas eliminada no último jogo, em casa frente à Bélgica. O resultado foi um empate a 1, num jogo em que Portugal teria de vencer por mais do que 2 golos para se qualificar.

Fase Final
A fase final foi disputada na Bélgica mas dominada por uma potência vizinha: A Alemanha Ocidental. Os Alemães começaram por se impor frente à equipa da casa (1-2), com Muller a marcar 2 golos antes de Polleunis reduzir já na etapa final da partida. Na outra meia final, os Húngaros foram incapazes de impedir a terceira final Soviética em 4 edições da prova, perdendo por 1-0 em Bruxelas, num jogo em que desperdiçaram um penalti. Os Belgas conseguiriam o terceiro lugar e, na final de Heysel, a Alemanha afirmava-se definitivamente como uma potência do futebol europeu, batendo os Soviéticos com um concludente 3-0. Muller foi, mais uma vez, o destaque da partida com 2 golos intervalados por outro de Wimmer.

Meias finais
Bélgica 1-2 Alemanha Ocidental
Hungria 0-1 União Soviética

3º/4º Lugar
Hungria 1-2 Bélgica

Final
Alemanha Ocidental 3-0 União Soviética

Equipas
Alemanha Ocidental (Campeã)
Primeira nota para Helmut Schoen, o treinador Germânico que ficaria na história como o primeiro e, até agora, único Seleccionador a ser Campeão Europeu e Mundial. Schoen levou para a Bélgica uma equipa que tinha como base jogadores do Bayern de Munique (campeão esse ano – apenas o seu 3º título!) e da outra potência alemã, o Monchengladbach (haviam sido campeões em 70 e 71). Era uma equipa fantástica com diversos nomes que ficariam para sempre na história do futebol mundial. Fica o onze da final:
Gr - Sepp Maier (Bayern Munique)
Dd – Horst-Dieter Hottges (Werder Bremen)
De – Paul Breitner (Bayern Munique)
Lib – Franz Beckenbauer (Bayern Munique)
Dc - Georg Schwarzenbeck (Bayern Munique)
Mc –Herbert Wimmer (Monchengladbach)
Mc –Uli Hoeness (Bayern Munich)
Mc – Günter Netzer (Monchengladbach)
Ee –Erwin Kremers (Schalke 04)
Ed – Jupp Heynckes (Monchengladbach)
Pl - Gerd Müller (Bayern Munich)

O estilo da equipa era uma versão germânica do “Futebol Total” muito em voga na altura. A liberdade de movimentos dos jogadores – onde se destaca, claramente, a função livre do libero Beckembauer – era um dos princípios elementares da forma de jogar, mantendo ainda assim a equipa a sua ordem colectiva.

União Soviética
Os Soviéticos voltaram a dar cartas numa fase final de um Europeu repetindo nova final. Evidentemente que a equipa Soviética era agora bem diferente daquelas que foram fazendo história ao longo desta prova. O futebol Soviético preparava-se para o domínio do Dinamo Kiev, que marcaria os anos 70 e 80 e a equipa Soviética contava já com 3 titulares do gigante Ucraniano (o guarda redes Rudakov e os médios Troshkin e Kolotov). De resto a equipa era formada por jogadores de diversos clubes, destacando-se o Dinamo Tiblisi e o finalista da Taça das Taças desse ano, o Dinamo de Moscovo.

Bélgica
O nome mais conhecido da Selecção Belga, anfitriã da fase final, será mesmo o seu treinador: Raymond Goethals, que nos anos 90 levaria o Marselha a 2 finais Europeias, a última das quais vencendo o troféu com uma vitória sobre o Milan em 93. De resto, o futebol Belga estava, numa escala um pouco mais modesta que a vizinha Holanda, a protanigozar uma fase de ascendente. Ao nível de clubes, os 3 mais importantes clubes, Anderlecht, Standard e Brugge dominavam internamente e preparavam-se para ser parte importante da história das Taças Europeias nos anos 70. O Anderlecht conseguiria 3 finais consecutivas da Taça das Taças (entre 76 e 78), vencendo 2. Aliás, em 1976 o futebol Belga levaria 2 das 3 Taças, com o Brugge a vencer também a Taça Uefa. Para o Euro 72, Goethals convocou, no entanto, maioritariamente jogadores da geração anterior a estes feitos (jogadores que haviam estado na modesta presença Belga no México 70), explicando-se talvez assim alguma modéstia exibicional, apesar do factor casa. Os Belgas terão, particularmente, sentido a falta do avançado Van Moer que partira a perna no empolgante play off que qualificou surpreendentemente os Belgas frente à Itália.

Hungria
Esta seria a última participação Húngara com algum relevo numa fase final de uma grande competição, ficando claro que a magia Magiar era estava a tornar-se cada vez mais uma realidade distante do futebol dos tempos modernos. Ainda assim, não se pode dizer que esta fosse uma formação envelhecida, antes pelo contrário. Comandada, é verdade, pelo veterano Florian Albert (Jogador Europeu do ano em 1967 que fez toda a carreira no Ferencvaros), esta era uma formação maioritariamente composta por jovens que, mais tarde atingiriam a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Munique, no mesmo ano. No que respeita a clubes, Ferencvaros e Upjest dominavam a convocatória.

Estrelas
Franz Beckenbauer
(Alemanha O.) – Em 1972 Beckenbauer ainda não tinha conquistado nenhuma das suas 3 Taças dos Campeões Europeus, nem sequer atingido esse pico de carreira que foi levantar pela primeira vez a então nova Taça de Campeão do Mundo em 1974. Pode espantar um pouco, por isso, que o “ Der Kaiser”, prestes a completar 27 anos, fosse já o capitão daquela que foi por ventura a melhor geração Germânica de sempre. Sobre as suas características é até escusado falar, dada a projecção que atingiu a sua célebre função de “libero”, em que personificava a versão do Futebol Total Germânico, pela liberdade ofensiva que o caracterizava. Foi o futebolista Europeu nesse ano (1972), feito que repetiria 4 anos mais tarde.

Paul Breitner (Alemanha O.) – Na altura tinha apenas 20 anos, prestes a completar 21. Mas Breitner era já um titular da Selecção de Schoen como lateral esquerdo. Breitner ficou conhecido como um dos melhores laterais do seu tempo, que tinha como particularidade características também reconhecidas no seu carácter: imprevisibilidade e irreverência. Era um jogador dotado tecnicamente e que marcava muitos golos, terminando a carreira como médio do Bayern de Munique – onde jogou a maior parte da sua carreira.

Gunter Netzer (Alemanha O.) – Não figura entre os craques que marcaram uma geração gloriosa no Bayern de Munique mas Gunter Netzer era naquela altura uma das figuras do futebol Germânico e Europeu, actuando pelo Monchengladbach, grande rival interno do Bayern nos anos 70. Netzer era um médio vistoso e possante que marcou um penalti decisivo em Wembley no playoff de acesso a esta fase final. O camisola 10 da Selecção jogaria ainda no Real Madrid ao lado de Breitner.
Gerd Muller (Alemanha O.)– A grande estrela da prova, marcando por 4 vezes em 2 jogos. Falar de Muller é falar de um dos mais temíveis goleadores da história do futebol. O “Bombardeiro da Nação” era sinónimo quase certo de golos, tendo batido nesse mesmo ano o recorde de golos na Bundesliga ao serviço do Bayern – 40 golos.

Murtaz Khurtsilava (U.Soviética) – Recentemente considerado o melhor jogador Georgio de todos os tempos, era o capitão da União Soviética. Khurtsilava actuou pelo poderoso Dinamo Tiblisi dos anos 70 e era uma espécie de Beckenbauer soviético. Forte defensivamente mas também capaz de dar inicio às acções ofensivas. Fica a curiosidade de ter sido este o jogador que cometeu o penalti contra Portugal em 66 no jogo de atribuição de terceiro e quarto lugares. Na altura uma mão na área, quando tentava ganhar o lance a Torres.

Evgeny Rudakov (U.Soviética) – Guarda redes Russo – nascido em Moscovo – ficou conhecido por fazer carreira no poderoso e Ucraniano Dinamo Kiev. Rudakov era o sucessor de Yashin e, se é certo que seria difícil atingir a grandeza do seu antecessor, não se pode dizer que Rudakov tivesse desiludido. Na realidade era uma das estrelas do futebol Soviético da altura, tendo sido considerado melhor jogador do campeonato em 1971.

Paul Van Himst (Bélgica) – Na ausência do lesionado Van Moer – estrela do Standard Liége – Van Himst era claramente a figura da equipa. Camisola 10 e capitão, Van Himst foi com 28 anos a principal esperança dos adeptos locais que tinham neste médio criativo do Anderlecht a sua fonte de desequilíbrios ofensivos. Foi 4 vezes votado como jogador do ano na Bélgica e manteve uma média superior a 0,5 golos por jogo nos mais de 450 jogos que realizou pelo seu clube do coração. Van Himst foi o nome escolhido pela Federação Belga como melhor jogador dos últimos 50 anos.

Florian Albert (Hungria) – Os seus melhores dias estavam já ultrapassados em 1972, mas Albert era ainda a principal estrela da Hungria (e do Ferencvaros) e, certamente, a sua figura mais influente. Albert – jogador europeu do ano em 1967 – era um avançado que se distinguia pela elegância do seu futebol. Um herdeiro de Puskas. Com 30 anos foi suplente utilizado na meia final e recuperou a titularidade na final, tendo como missão inspirar uma equipa bastante jovem.

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24.3.08

História do Europeu - Itália 1968

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Enquadramento Futebol Português
Em Portugal, como se sabe, os anos 60 foram marcados por um domínio claro do Benfica que conseguia em 68 o segundo título do seu terceiro tricampeonato (o Benfica conseguiria uma série de 4 tricampeonatos intervalados por vitórias do Sporting). No Benfica, Mário Coluna contava já 33 anos e na equipa Eusébio marcava a diferença aparecia agora um jovem de 18 anos, Humberto Coelho. O Sporting foi segundo em 68, perdendo sobretudo pela prestação caseira e na sua, sobretudo por uma derrota caseira frente ao Setúbal e outro empate a zero frente ao modesto Tirsense. Nos leões despontava um talentoso guarda redes de 21 anos, Vítor Damas. Também para o FC Porto, 68 foi um ano importante. Os Dragões atravessavam o maior jejum da sua História e, 9 anos depois, voltavam a conquistar um título, vencendo a Taça de Portugal depois de derrotar o Benfica nas meias finais e o Setúbal na final, por 2-1. Nota ainda para os gloriosos tempos da Briosa de um jovem Artur Jorge que em 68 foi quarto classificado, depois de na época transacta ter conseguido um notável 2º lugar no campeonato.
A nível de performance Europeia, 68 marca o fim de uma época de protagonismo do futebol português a nível de clubes na Europa. Entre 61 e 68, Portugal conseguiu estar presente em 6 finais Europeias mas só repetiria nova presença nos anos 80.

Enquadramento Futebol Europeu
A nível de clubes, o final da década de 60 foi marcado pela confirmação da perda do poderio Espanhol que marcou o inicio das competições Europeias. De facto, depois de terem conquistado 13 Taças Europeias até 1966, os Espanhóis só voltariam às conquistas Europeias em 1979, com a Vitória do Barcelona na Taça das Taças. O futebol passava a contar com um domínio menos concentrado, mas onde se destacava o aparecimento britânico e germânico, bem como a ascendencia do futebol Holandês. No que respeita à Taça dos Campeões Europeus em particular assistia-se ao primeiro período de domínio do futebol Italiano, marcado por uma geração de grandes talentos. Os Italianos conquistaram 4 Taças dos Campeões em 7 anos, estando presentes em 5 finais.
Mas é sobre duas equipas muito particulares que vale mesmo a pena falar. O Celtic de 67 e o Manchester United de 68.
Em 67, na única final disputada em Portugal, o Celtic comandado por Jock Stein surpreendeu a Europa do futebol ao derrotar o poderoso Inter de Milão de Herrera. A estrela, Sandro Mazzola, abriu o marcador mas a equipa que ficaria conhecida como “Lisbon Lions” daria a volta, vencendo por 2-1. 12.000 adeptos deslocaram-se para assistir a uma vitória única pelo facto de ter sido conseguida com uma equipa em que apenas 1 jogador não era nascido em Glasgow. Algo impensável até naquele tempo.
Um ano mais tarde outra mítica equipa britânica haveria de fazer história. Desta vez, era o Mancheter United de Matt Busby que se tornava campeão europeu à custa de um desafortunado Benfica – que pela segunda vez jogava uma final em solo adversário, no caso em Wembley. O United conseguia um triunfo isolado precisamente 10 anos depois da tragédia de Munique que desfez o sonho de uma equipa de quem se dizia ser capaz de ombrear com o poderoso Real Madrid da altura. Na final, o United marcou primeiro pelo experiente Bobby Charlton, antes de Jaime Graça empatar e levar o jogo para prolongamento. Aí os ingleses mostraram-se mais fortes, concluindo com uma vitória por 4-1, num jogo em que se destacou um jovem talento de 22 anos chamado George Best e que lhe valeria o título de melhor futebolista Europeu nesse mesmo ano.

Qualificação
Pela primeira vez a qualificação para o Euro foi disputada com uma fase de grupos que antecedeu os quartos de final. Nos grupos o destaque vai para o afastamento da Checoslováquia (consequência de uma surpreendente derrota caseira frente à Irlanda, que qualificou a Espanha) e da Alemanha (que entregou a passagem à Jugoslávia após um escandaloso empate frente à Albania). Nos quartos de final, 4 embates muito interessantes disputados a duas mãos. A Inglaterra (campeã mundial) eliminou a detentora do título, Espanha, depois de ter vencido em casa, deu a volta ao marcador no Barnabéu, vencendo os Espanhóis por 1-2. A União Soviética virou a desvantagem que trouxera da Hungria (0-2), qualificando-se com um 3-0 em Moscovo. A Jugoslávia teve o apuramento mais fácil, ao golear a França por 5-1 em casa, após um empate em solo gaulês. Finalmente, a Itália bateu a Bulgária, invertendo em Nápoles o 2-3 que trazia da primeira mão, com um 2-0 final.
Quanto a Portugal – na altura terceiro classificado no Campeonato do Mundo – ficou-se pela fase de grupos, com uma prestação abaixo das expectativas, sendo 2º num grupo com a Bulgária, Noruega e Suécia. Os Portugueses não ganharam qualquer jogo com a Suécia e Bulgária, destacando-se a derrota em casa frente aos Suecos e o empate a 1, concedido no último minuto em Estocolmo.
Fase Final
À fase final chegaram quatro fortes Selecções do futebol Europeu, tendo os derradeiros jogos sido disputados em solo transalpino e com o factor casa, de novo, a ter efeito. Os Italianos venceram a muito custo, batendo a URSS apenas por sorteio, após 0-0, e qualificando-se para a final. A Jugoslávia, que vencera a Inglaterra com um golo muito perto do fim, foi o adversário, tendo estado a vencer desde o minuto 39, com um golo de Dzajic. Os Italianos empataram a 10 minutos do final, forçando a uma repetição da final, no mesmo Olímpico de Roma, dois dias depois. Aí, a história foi diferente e os Italianos resolveram cedo, com golos de Riva e Anastasi, garantindo uma vitória por 2-0.

Meias finais
Jugoslávia 1-0 Inglaterra
Itália *0-0 URSS
3º/4º Lugar
Inglaterra 2-0 URSS
Final
Itália 1-1 Jugoslávia
Itália 2-0 Jugoslávia (Repetição)
Equipas
Itália (Campeã)
Convém contextualizar. Olhando para a performance de Inter e Milan nos anos 60, podia perguntar-se: que é feito da Itália no Mundial de 66? A resposta tem um nome surpreendente mas que a nós até nos soa bastante bem: Coreia do Norte. Os Coreanos provocado o “choque” do Mundial ao bater os Italianos por 1-0 num jogo em que os “azzurri” só precisavam de um empate e a Nação regressou a casa num momento de profunda depressão. Feruccio Valcareggio é o nome que importa reter para explicar a reviravolta de acontecimentos. Como Seleccionador, Valcareggi manteve-se de 66 até 74, perdendo apenas... 6 jogos (onde se inclui a final do México 70). Valcareggi comandou uma equipa dominada por jogadores das duas potencias de Milão até à vitória em 68. Duas notas importantes para a Itália de Valcareggi: a adopção do libero (após essa opção praticada no Inter ter sido abandonada em 1966) e o dilema que gerou muita polémica em 1970 entre utilizar um dos “fantasisti”, partindo do princípio que as duas estrelas não podiam alinhar ao mesmo tempo. A escolha era entre Sandro Mazzola do Inter e Gianni Rivera do Milan.

Jugoslávia
Fazer uma ligação entre a Selecção quarta classificada no Mundial de 1962 e esta é um puro engano. Rajko Mitic comandou em 68 uma Selecção de jogadores muito jovens, onde o jogador mais velho tinha 27 anos. De resto esta era uma Selecção dominada por jogadores das equipas de Bélgrado – o Partizan (finalista da Taça dos Campeões em 66) e o Estrela Vermelha. Apesar da boa prestação desta Selecção, no Itália 68, a verdade é que nas décadas seguintes a Jugoslávia não repetiria os feitos dos anos 50 e 60.

Inglaterra
Campeão do mundo em título, Alf Ramsey, qualificou-se em grande estilo para o Euro 68 ao bater por duas vezes a Espanha. O treinador escolheu um elenco baseado naquele que dera a grande alegria à Nação 2 anos antes. Ramsey ficou conhecido na sua carreira por dar mais utilidade defensiva aos extremos, optando por um estilo menos lateralizado de jogar. A formação em 4-3-3 com que venceu o Mundial de 66 aproximava-se já muito do 4-4-2 que iria marcar o futebol inglês até aos dias que correm.

União Soviética
A primeira nota a salientar é a ausência de Lev Yashin. Este facto marca por si uma diferença em relação ao passado, mas não foi por isso que o perfil Soviético se alterou. A solidez defensiva voltou a ser a imagem de uma equipa que não conseguiu marcar 1 só golo nesta fase final, mas que, ainda assim, fica com a infelicidade de não ter passado à final, apenas, por sorteio. A má prestação da Selecção Soviética, no entanto, não significou a perda de preponderância de uma nação que, 4 anos mais tarde repetiria uma presença entre finalistas.

Estrelas
Dino Zoff
– Se 68 foi o ano da ausência de Yashin, foi também a estreia de Dino Zoff. Ainda no Nápoles, aos 26 anos Zoff foi o titular da primeira e única conquista Europeia dos Italianos.

Giacinto Facchetti
– Símbolo do Inter (onde foi Presidente) foi um jogador à frente do seu tempo. Adaptado por Herrera de central a lateral esquerdo, Facchetti ficou conhecido por um estilo ofensivo que apenas se repete com frequencia nos laterais do futebol moderno.

Sandro Mazzola – Filho de Valentino Mazzola, outro craque do futebol Italiano que morreu na catástrofe de Superga (desastre de avião que vitimou grande parte de uma famosa equipa do Torino), Sandro não ficou atrás do seu pai, sendo a grande referência ofensiva do Grande Inter e da Selecção. Mazzola era um veloz e talentoso jogador que podia jogar em várias posições do ataque.
Gianni Rivera – Não foi uma figura da competição por ter falhado a final por lesão, mas merece uma referência pela genialidade do seu futebol. Era um daqueles jogadores criativos que viviam apenas do talento, o que proporcionava algumas criticas em relação às atitudes defensivas. Estrela do Milan, o “Golden Boy” foi melhor jogador Europeu do ano em 1969.

Gigi Riva – Estranha a carreira, fiel ao Cagliari, de um dos maiores goleadores de sempre do Calcio. Riva era conhecido pelas suas capacidades físicas, bem como a mentalidade que fazia dele um goleador temível.

Gordon Banks – Outro grande guarda redes a desfilar entre os 4 finalistas. Na altura, com 30 anos, actuava no Stoke City e 2 anos mais tarde protagonizaria no México a famosa defesa que evitou o golo de Pelé.

Bobby Charlton – Jogador Europeu do ano em 66, Charlton entrava já na sua fase de veterania. Aos 30 anos comandou a Selecção após a conquista Europeia do Manchester United. Apontou o primeiro golo frente à URSS.

Alan Ball – Médio do Everton, era o mais jovem em 66 e o MVP da final. Em 68 era uma figura influente que, com 23 anos, permanecia como um dos mais jovens entre os eleitos de Ramsey.

Dragan Dzajic – Um dos melhores jogadores da história do futebol Sérvio, era um extremo driblador e rápido mas também um goleador ao ponto de ter sido quem mais marcou nesta fase final do Europeu (2 golos).

Vahidin Musemic – Tinha apenas 21 anos em 68 e viria a ser um dos melhores avançados da Selecção Jugoslava e do seu clube – o Sarajevo. Tinha no jogo de cabeça uma imagem de marca.

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15.3.08

História do Europeu - Espanha 1964

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Enquadramento Futebol Europeu
A nível de clubes o futebol europeu era dominado pelas equipas da Europa de Sul, particularmente pelas Espanholas. A contraria-las estavam, mais do que nunca, as Portuguesas, com o Benfica de Eusébio em plano de maior evidência. Os encarnados conseguiram 4 finais Europeias em 5 anos, tendo falhado precisamente a presença na final de 64 após uma surpreendente derrota perante o Dortmund – os alemães golearam 5-0 em sua casa – na primeira ronda da prova.

Mas o futebol Português manteve a sua presença ao mais alto nível Europeu, com o Sporting a conquistar a Taça das Taças nesse ano de 64. De resto, a Taça Uefa foi vencida pelo Saragoça que derrotou na final o bicampeão Valência, na quinta vitória Espanhola em 6 anos de competição.

Mas 64 marcou a primeira de 2 conquistas consecutivas na Taça dos Campeões Europeus da equipa que ficou conhecida como “La Grande Inter”. Orientada pelo argentino Helenio Herrera – identificado muitas vezes como o pai do “Cattenacio”, embora não tivesse sido verdadeiramente o seu inventor – a formação do Inter utilizava um estilo inovador de jogo, suportado por um libero, Armando Picchi, que era também o capitão e líder dentro do campo. Depois havia Giacinto Faccheti, o galopante lateral esquerdo com ordem para atacar, e o criativo médio espanhol Luiz Suarez, melhor jogador europeu do ano em 1960. Mas a estrela desse Inter era Sandro Mazzola, o fantasista de apenas 22 anos que iniciava uma carreira de grande prestigio no futebol Italiano e mundial.

O Inter bateu o Real Madrid dos geniais mas já veteranissimos Di Steffano e Puskas em 1964, por 3-1 numa final disputada no Prater e em que Mazzola apontou 2 golos. Um ano mais tarde, “La Grande Inter” repetiria a proeza, batendo desta vez o Benfica por 1-0 num jogo disputado em... San Siro.

Enquadramento Futebol Português
Em Portugal os tempos eram dominados pelo poderoso Benfica que em 64 conquistou o segundo de uma série de 3 campeonatos seguidos, todos com o FC Porto como vice-campeão. Eusébio era a estrela de uma equipa capitaneada por Coluna e que tinha outras referências sobejamente conhecidas como Torres, Germano, Simões ou José Augusto. No Sporting, Morais ficou eternamente ligado a esse ano de 64 com o seu “cantinho”, mas havia outros nomes como Hilário ou guarda redes Carvalho. Já no FC Porto, o destaque vai para a despedida do histórico Hernâni.
Na Taça de Portugal, o Benfica fez a dobradinha em 64, sucedendo ao Sporting como vencedor da competição e batendo o FC Porto por 6-2 na final.

Qualificação
A fase de qualificação ficou marcada pela surpresa chamada Luxemburgo, que esteve a muito pouco de integrar os 4 finalistas. A proeza dos Luxemburgueses destaca-se sobretudo pela eliminação tangencial da Holanda. Quem beneficiou com o sucedido foi a Dinamarca que, após recurso a um jogo de desempate, lá eliminou os Luxemburgueses, qualificando-se para a fase final. Os dinamarqueses chegaram ao Espanha 64 apenas por eliminar Malta, Albania e o Luxemburgo.
Nota para dois embates de gigantes. Primeiro a eliminação da Itália aos pés do Campeão, a URSS. Depois pelo brilharete da virtuosa Hungria que venceu os dois jogos frente a uma França em fase de renovação.
Quanto a Portugal, não se pode deixar de estranhar a modéstia da sua participação num tempo de tantos sucessos ao nível de clubes (compostos por Portugueses). A Selecção caiu “à primeira” perante a Bulgária. Depois do 3-1 de Sofia, Portugal conseguiu virar a eliminatória, chegando ao 3-0 (2 golos de Hernani e um Coluna) no jogo do Restelo. Um golo Bulgaro na etapa final do jogo forçou um jogo de desempate. Nessa partida disputada em Roma, os Bulgaros derrotaram-nos por 1-0, outra vez com um golo tardio.

Fase Final
À fase final chegaram a candidata Espanha, a campeã URSS, a talentosa Hungria e a ocasional Dinamarca. Espanha ganhou ainda mais favoritismo após lhe ter sido concedida a vantagem de receber os 4 jogos finais.
Meias finais:
Espanha 2-1 Hungria (a.p.)
Dinamarca 0-3 URSS
3º/4º
Hungria 3-1 Dinamarca (a.p.)
Final
Espanha 2-1 URSS

Equipas
Hungria
Já não contava com Puskas ou a magia do futebol Magiar que encantou o Mundo nos anos 50, mas a qualidade era ainda uma marca bem notória no futebol da Húngria. A equipa era orientada pelo bem sucedido Lajos Baroti e era formada por jogadores dos 3 principais clubes Hungaros da altura: o Ferencvaros(vencedor da Taça Uefa em 1965 e finalista em 68), o Vasas (semi finalista derrotado pelo Benfica da Taça dos Campeões Europeus em 65) e o MTK (que perdeu com o Sporting na final da Taça das Taças em 64). De resto, a Selecção Hungara haveria de se tornar campeã Olimpica nesse mesmo ano, tendo chegado aos quartos de final nos Mundiais de 62 e 66.

URSS
Campeã em título, a URSS era uma potencia do futebol Europeu desta época, talvez algo marginalizada por questões políticas. A equipa soviética manteve a sua espinha dorsal de 1960, sendo reconhecida pela sua força defensiva. Depois de alguma frustração em 62 com a eliminação aos pés do Chile nos quartos de final do mundial esta Selecção conseguiria o quarto lugar em 66. Nota para o facto de nesta altura não haver clubes soviéticos nas competições europeias.
Espanha
Foi a única Selecção Espanhola a conseguir um grande título. Não era difícil escolher um elenco perante tanta qualidade presente nas equipas Espanholas. Como se tal não bastasse, José Villalonga foi o único Seleccionador a ter o privilegio de convocar emigrantes para o seu elenco. Os médios Luis del Sol (Juventus) e Luiz Suarez (Inter) foram os eleitos.

Estrelas
Florian Albert – Avançado de grande elegância era uma das grandes estrelas da altura. Foi melhor marcador (entre outros) no Chile 62 e foi nomeado jogador Europeu do Ano em 67. Jogou apenas no Ferencvaros, onde conseguiu erguer o unico trofeu Europeu do clube, a Taça Uefa (na altura Taça das Cidades com Feira)

Ferenc Bene – Goleador do Ujpest durante toda a carreira, foi a grande revelação da prova ao apontar 2 golos, apenas com 19 anos. Na altura era já uma figura importante da Selecção e meses mais tarde tornar-se-ia numa das principais referências da conquista Olimpica Húngara no Torneio de Tóquio.

Lev Yashin – Incontornável figura do futebol Mundial da época, era novamente a principal estrela Soviética, mas desta vez não trouxe o troféu.

Albert Shesternyov – Libero do CSKA de Moscovo, é o recordista de internacionalizações pela URSS. Já havia marcado presença no Mundial de 62, apenas com 21 anos, e tornara-se numa peça essencial da Selecção. Era conhecido como “Ivan o Terrível”...

Valery Voronin – Médio ou defesa central de notável capacidade técnica marcou o golo que abriu a vitória frente à Dinamarca, tendo igualmente apontado o último golo do apuramento.
Jesus Pereda – Avançado do Barcelona foi um dos heróis da conquista Espanhola ao marcar 2 golos na fase final.

Amancio – Galego que era nesta altura uma das referências do ataque do poderoso Real Madrid e também da Selecção Espanhola. Amancio marcou o golo que derrotou a Húngria no prolongamento da meia final.

Luis Suarez – Antigo jogador do Barcelona e nesta altura no Inter. Foi o primeiro jogador a juntar os títulos de campeão da Europa ao nível de clubes e Selecções no mesmo ano. Era indiscutivelmente um dos craques daquele tempo.

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8.3.08

História do Europeu - França 1960

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A primeira edição do campeonato da Europa de Selecções disputou-se sob um formato que duraria até aos anos 80 e que consistia numa sequência de eliminatórias cuja fase final – a partir das meias finais – era disputada num País designado.
A edição de 1960 foi marcada pela ausência de Selecções importantes. A Alemanha Ocidental, Inglaterra, Itália ou a Suécia (Vice campeã mundial na altura) não participaram na competição e a Espanha foi excluída nos quartos de final, mas por se recusar a viajar até à União Soviética para jogar. Não espanta por isso que a competição tivesse sido dominada pelas formações de Leste. À fase final chegaram a União Soviética, Checoslováquia, Jugoslávia e a França – onde se disputou a competição.

Campeão - União Soviética
Comandada pelo mítico Yashin, a Selecção Soviética conseguiria o seu mais importante triunfo, baseada no seu estilo muito forte defensivamente. Depois de bater a Checoslováquia por 3-0, os Soviéticos superiorizaram-se aos Jugoslavos no prolongamento de uma final que havia terminado os 90’ com uma igualdade a 1. Ponedelnik marcou o golo decisivo. Curiosamente, repetia-se em 1960 a final dos jogos Olimipicos de 1956, onde os Soviéticos haviam batido a formação Jugoslava por 3-0.

França
Jogando em casa e depois do 3º lugar no Campeonato do mundo de 58, a França seria a mais natural favorita. A verdade porém é que no elenco Francês não se encontraram as estrelas Kopa e Fontaine que haviam ajudado à qualificação. A Selecção gaulesa era, ainda assim, completamente dominada por jogadores do então poderoso Stade Reims (aliás o Seleccionador, Albert Batteux, era também o treinador desse clube 2 vezes finalista de Taças do Campeões Europeus). Os Franceses bateram-se bem no primeiro jogo, mas a frustração de uma derrota por 5-4 contra a Jugoslávia(os Franceses estiveram a vencer por 2 golos, por 2 vezes) haveria de estar na origem da derrota no jogo de atribuição do terceiro e quarto lugares, frente à Checoslováquia.

Jugoslávia e Checoslováquia
As Selecções da Jugoslávia e Checoslováquia iniciariam nesta prova um ciclo positivo na sua história. Os Jugoslavos haveriam de se sagrar campeões olimpicos nesse mesmo ano, em Roma e chegariam com uma base destes jogadores ao quarto lugar no Chile 62. Se os Jugoslavos não fizeram melhor em 62 foi precisamente pela acção de uma equipa Checoslovaca que seria a sensação do Campeonato Europeu de 1960 e chegaria à final do Campeonato do mundo, 2 anos depois.

Estrelas
Yashin – O mítico Guarda Redes Soviético é visto como a grande figura desta prova, sendo também esta a maior das suas conquistas a nível colectivo. Os números da sua carreira são impressionantes, nomeadamente no que respeita a jogos sem sofrer golos e penaltis defendidos (diz-se, 150!). O segredo? Segundo o próprio, um cigarro para acalmar os nervos e uma bebida forte para tonificar os músculos!
Valentin Ivanov (Não confundir com o árbitro do Holanda – Portugal!) – Um dos maiores goleadores da história do futebol Soviético, alinhando sobretudo no Torpedo de Moscovo. Foi um dos melhores marcadores desta competição, algo que repetiria no Chile 62. Podia jogar como extremo, sendo a velocidade e drible as suas principais características.
Viktor Ponedelnik – Marcou 20 golos em 29 jogos internacionais e tornou-se um símbolo do futebol do seu país ao marcar o golo decisivo na final, frente à Jugoslávia.
Josef Masopust – Um dos melhores jogadores de sempre da Checoslováquia, tendo sido considerado o Jogador Europeu do Ano em 1962. Médio canhoto, foi o timoneiro desta geração do futebol Checoslóvaco, não só no Europeu de 1960 mas sobretudo no Mundial de 1962.
Drazan Jerkovic – Foi co-melhor marcador da competição, algo que repetiria 2 anos depois, no brilhante quarto lugar dos Jugoslavos no Chile 62. Destacou-se principalmente pelos 2 golos que determinaram a reviravolta frente à França, nas meias finais.

Portugal
6 anos antes do brilharete no Mundial 66, Portugal ficou às portas da fase final do Europeu. Depois de eliminar a Alemanha de Leste (5-2 no total, com uma brilhante vitória fora por 2-0), a Selecção caiu nos Quartos de Final aos pés da Jugoslávia. Depois de ter vencido o primeiro jogo por 2-1 no Estádio Nacional, e conseguir repor a igualdade a 1 no jogo de Belgrado, uma segunda parte desastrada terminou numa goleada por 5-1 que colocou os Jugoslavos nas meias finais.

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