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21.5.09

A qualidade individual do Shakhtar, no último capítulo da Taça Uefa...

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Confirmando as suspeitas de um feito ucraniano na despedida da Taça Uefa, o Shakhar levou a melhor na final de Istambul. Acabou por ser um triunfo normal, da melhor equipa na partida, perante um Bremen notoriamente carente da influencia de Diego no processo ofensivo.

Para mim, para além da maior qualidade individual do Shakhtar, o ponto decisivo nesta final esteve na forma como os ucranianos não caíram no erro de pressionar cegamente, como acontecia no inicio de temporada. Em vez disso, a equipa procurou sempre reorganizar-se posicionalmente antes de pressionar e isso acabou por retirar mais espaço ao Bremen que não teve grandes hipóteses de se lançar em ataques rápidos. Sem Diego, a capacidade criativa dos alemães fica francamente limitada e por isso, sentiram tantas dificuldades. A hipótese seria tentar solicitar Pizarro e Rosenberg mais directamente na zona central, onde claramente ganhavam vantagem sobre uma defesa ucraniana que tem muitas dificuldades em se impor. Isso não foi feito e, por isso, as ocasiões de golo ficaram muito limitadas às situações de bola parada.

Na verdade, o jogo até nem correu mal aos alemães. O Shakhtar é uma equipa que, apesar da qualidade dos seus jogadores, exagera no principio do alargamento do campo ofensivo, mantendo muitas vezes os jogadores demasiado distantes uns dos outros e não promovendo zonas onde tenta criar combinações em apoio. Por isso, o Shakhtar torna-se particularmente forte a actuar em transição, onde coloca muita gente a aparecer rapidamente no ataque e, claro, encontra mais espaço. Para que pudesse jogar assim, era fundamental estar a ganhar, e não é por acaso que as suas melhores ocasiões aconteceram após os golos que marcou. Estou convencido de que se Naldo não tivesse restabelecido tão rapidamente o empate, o jogo se teria aberto muito mais, com benefício para o lado ucraniano.

Os golos

1-0 (Luiz Adriano): O passe não intencional e a zona central da defesa é surpreendida. Há um grande mérito de Luiz Adriano na rapidez com que reage e roda em direcção à baliza (para além da classe com que finaliza, claro) e não se pode falar em lentidão de Naldo, que é um central rápido. O problema esteve no desleixo dos centrais em relação à presença do avançado entre os 2. Para mim, é também um exemplo claro como as referências individuais são fundamentais para quem joga mais perto da baliza.

2-1 (Jadson): Um dos principios que se viu muito no jogo foi a preocupação de variar o flanco por parte do Shakhtar. Várias vezes isso aconteceu, mas raramente as situções ofensivas tiveram sequência porque quem recebia estava sempre desapoiado. Esta situação resulta de mais uma variação de flanco e a diferença está na inteligência de Srna (um dos melhores laterais direitos do futebol europeu, na minha opinião). O croata levanta a cabeça e percebe que Jadson surge numa linha atrás dos defesas, cruzando para esse espaço. O Bremen tem 4 jogadores em linha para 3 do Shakhtar. O problema, mais uma vez, foi a perda da referência individual, com Jadson a ficar livre.




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20.5.09

Lembrar o melhor, antes da última final...

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Joga-se hoje a última final da Taça Uefa. Entre todas as mutações que esta prova teve na sua história, pode dizer-se que esta não será a mais significativa, mas a mudança de nome é, apesar de tudo, um marco importante. Antes da derradeira final, sugiro que se recorde aquela que terá sido a mais empolgante final Europeia da história. Aconteceu em 2001 e acabou com um golo de ouro, que foi o 5-4.
Não espero tanto da final de hoje, mas arrisco que o mais provável é que venhamos mesmo a ter vários golos...

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8.5.09

Taça Uefa: Definidos os finalistas e... a ausência de Diego!

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A coisa não foi fácil, mas acabou por confirmar-se o meu palpite inicial. Shakhtar e Bremen vão disputar a final de Istambul.

Num caso, o do Shakhtar, creio que o factor casa terá sido fundamental. Conseguido o empate fora, o Shakhtar fez valer a sua força em casa numa eliminatória que não surpreendeu em relação ao conhecimento que tinha das 2 equipas. O Shakhtar tem uma qualidade individual enorme e que passa despercebida à maioria dos adeptos europeus, mas não tem uma grande organização. Pelo contrário, o Dinamo, não tendo tão bons recursos individuais, ganha vantagem em termos de organização colectiva.

No que respeita à outra meia final, creio que acabou por falar mais alto o desgaste que a sobrecarga de jogos decisivos teve nesta equipa do Hamburgo. Este era, aliás, o motivo pelo qual me pareceu que o Bremen fosse mais capaz de estar na final. Nota óbvia para a ausência da grande figura da Taça Uefa 08/09, Diego. É um condicionalismo grande para o Bremen numa final que não contará também com Hugo Almeida depois de uma infantilidade incrível quando a equipa tinha o apuramento praticamente garantido...


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17.4.09

Taça Uefa - O fantástico 3-3 e as meias finais

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No inicio desta eliminatória tinha falado da supresa pelas presenças de Marselha, PSG e Man City, antecipando uma provável sensação ucraniana na prova. Confirmou-se a eliminação destas 3 equipas, uma consequência, em muito boa parte, da concentração que todas depositam nas suas competições internas. Confirma-se também um finalista ucraniano que, aliás, até poderiam facilmente ser 2 caso Kiev e Shakhtar não se cruzassem já.

Já tinha confessado também algum desapontamento pela performance da Udinese na primeira mão da eliminatória, sobretudo no que respeita à eficácia. Os italianos acabaram por pagar cara essa factura e nem o bom esforço protagonizado no segundo jogo valeu para compensar a desvantagem trazida da Alemanha. Este foi, de resto, um jogo altamente emocionante com menos golos mas com bem oportunidades do que o tão elogiado 4-4 de Terça Feira. Na Udinese, na ausência de Di Natale, destacou-se o espectacular Quagliarella, num jogo que teve apenas o esboço de um promissor e talentoso Alexis Sanchez. No Bremen, fantástico Diego que, exagerando, pode dizer-se que qualificou sozinho a sua equipa. De resto, os alemães confirmaram a sua assumida vocação ofensiva, bem expressa no contraste entre a incapacidade para controlar minimamente o adversário e o notório poderio no último terço, responsável por 6 golos em 2 jogos. Terá sido seguramente um dos jogos do ano nas competições europeias.

Meias finais
Os duelos podem favorecer Bremen e Dinamo. A razão para isto é a menor preocupação com as competições domésticas, já que ambas as equipas têm a sua classificação praticamente definida. Ao contrário, Hamburgo está envolvido na acesa luta pelo título e acesso directo à Champions, ao passo que o Shakhtar, fruto de uma péssima campanha interna, ainda terá de garantir o segundo lugar. Ainda assim, se pedirem um prognóstico, arriscaria Bremen e Shakhtar na final, com uma meia final com muitos golos entre os alemães.
Uma coisa é certa, a Taça Uefa pode não ser a competição mais mediática pelo afastamento dos grandes emblemas europeus, mas é uma competição extremamente interessante, com o equilíbrio e imprevisibilidade a serem muito mais vincados do que na Champions
.

Dinamo Kiev 3-0 PSG
Marselha 1-2 Shakhtar
Man City 2-1 Hamburgo

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Não era nada fácil, convenhamos...

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10.4.09

Taça Uefa: Notas da 1ª mão dos quartos

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Shakhtar 2-0 Marselha - Tinha feito a previsão de uma surpresa ucraniana e a hipótese vai ganhando forma. Em Donetsk, o Shakhtar foi feliz mas creio que acabou por vir ao de cima 3 factores importantes. A qualidade individual já realçada nos embates com o Sporting, o relevante factor casa e, finalmente, a tal importância dada à prova por parte dos ucranianos, em relação a um Marselha envolvido numa luta pelo título que lhe diz, pelo menos para já, muito mais.

PSG - Dínamo Kiev – No outro jogo entre ucranianos e franceses, também um bom resultado para o Dínamo em Paris embora o nulo possa, como já se provou, ser um presente envenenado para a segunda mão. Este novo nulo caseiro do PSG traz à memória a caminhada do Rangers no ano anterior, tirando partido da ansiedade do adversário com o passar do tempo na segunda mão. Qualquer semelhança entre esse Rangers e este PSG é, no entanto, pouco mais do que coincidência. Ainda assim, novo favoritismo Ucraniano para esta eliminatória, pelos mesmos motivos que enunciei para o Shakhtar – Marselha.

Werder Bremen 3-1 Udinese – Dois resultados idênticos para os alemães ainda em prova. Mais surpreendente para mim o do Bremen, devido à boa qualidade da Udinese que tinha tudo para marcar mais golos nesta primeira mão. A Udinese é a última esperança do futebol Italiano para ter 1 equipa nos últimos 8 das provas europeias e é também uma desilusão da Serie A, apesar da qualidade que se lhe reconhece. A eliminatória não está terminada e vai haver uma reacção forte em Udine seguramente, mas aqueles 2 golos consecutivos (o de Diego vale a pena ver) e as oportunidades desperdiçadas por Quagliarella poderão ter sido decisivos.

Hamburgo 3-1 Man City – Em Hamburgo, o jogo começou com uma fantástica combinação entre Ireland e Robinho (notável controlo e definição da jogada), mas seria muito dificil o City escapar de uma derrota neste jogo. O Hamburgo será provavelmente o mais sério candidato à bundesliga e terá tido no Galatasaray um opositor bem mais difícil do que o City. A equipa inglesa não tem no colectivo a mesma qualidade individual e, sobretudo, está muito mais concentrada na sua prestação interna. A sua falta de consistência foi “denunciada” na segunda mão frente ao Alborg. Em casa tudo é ainda possível, mas prevejo que Olic (grande jogo!) e Guerrero possam ser suficientes para marcar golos decisivos na segunda mão.


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20.3.09

Taça Uefa e o último capítulo da aventura bracarense

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O fim do sonho
Não teria forçosamente que acabar, mas era uma franca probabilidade e o sonho europeu do Braga acabou por não chegar à meta histórica dos quartos de final. A Taça Uefa pode parecer uma segunda divisão da Europa quando olhamos para o nível dos ‘tubarões’ da Champions e a verdade é que o nível é mesmo absolutamente incomparável, hoje mais do que nunca, mas para o Braga este é já um nível demasiado elevado para uma candidatura real à vitória na competição.
O Braga não foi inferior ao PSG e arrisco até dizer que dificilmente seria inferior na discussão da eliminatória com qualquer uma das 8 equipas nos quartos de final. Ou pelo menos em 80% do campo. Este último ponto leva-me à primeira fragilidade do Braga, a diferença de qualidade individual, particularmente na diferença que se consegue fazer no último terço do campo. Em Braga, mais do que em Paris sentiu-se isso, que faltava uma capacidade de definição que desse outra objectividade aos momentos de domínio que a equipa consegue. A outra fragilidade tem a ver com o desgaste físico. Apesar de Jesus ter feito uma gestão de esforço que deu prioridade a esta prova (ao contrário do PSG), a verdade é que se percebeu que o passar do tempo prejudicaria o futebol do Braga, cada vez com mais dificuldade em impor um ritmo de jogo que é também a sua principal arma colectiva. Aqui, destaco aquillo que já anteriormente referi sobre esta equipa e este modelo. Ou seja, que este tipo de jogo alto e pressionante é muito desgastante e sobretudo do ponto de vista mental, exigindo um elevado nível de concentração de todos os jogadores. Diria, por isso, que o Braga levou o KO numa altura em que se sentia a sua incapacidade de vencer aos pontos o seu adversário.


E agora...
A Taça Uefa confirma o seu equilíbrio e a sua enorme imprevisibilidade. Ao contrário da Champions League, onde 5 ou 6 das 8 equipas finais seriam mais do que esperadas nesta fase, na Taça Uefa tanto não surpreendem estes 8 nomes finais como facilmente se encontram entre os eliminados 8 equipas que facilmente poderiam estar nesta fase.
Ainda assim, confesso alguma surpresa pela presença de várias equipas que não dando tanta importância à competição conseguiram chegar até aqui. Será o caso dos 2 representantes franceses e do Man City. Aliás, para o futuro, e à medida que o equilíbrio vai sendo ainda maior, creio que esta componente da prioridade que se dá à Taça Uefa, ganhará mais importância. Por isso, parece-me bem provável que uma das equipas ucranianas possa tornar-se na sensação da prova, já que todas as outras equipas estão envolvidas em ligas bem mais competitivas e desgastantes. Já agora, a este propósito, destaco a eliminação do Galatasaray que acalentava uma enorme esperança de jogar a final em casa, bem como do CSKA, uma das equipas que via com probabilidades crescentes de sucesso, caso se tivesse mantido em prova.

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A noite em que Guerrero tirou Istambul aos turcos...

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13.3.09

PSG - Braga - Tudo adiado

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Gestão diferente – Para as equipas, especialmente aquelas que estão na Taça Uefa, esta é uma altura difícil. O número de jogos é muito elevado e, ao contrário do que muitas vezes se quer fazer crer, não é possível manter o mesmo nível de rendimento a jogar 2 vezes por semana. Isto não acontece por motivos físicos (apesar da onda lesões do Braga), mas por motivos mentais. Aqui, há 2 abordagens diferentes. Jesus assume o risco na Liga, como tantas vezes já o referiu, Le Guen parece dar prioridade aos jogos da Ligue1 onde está numa posição inédita nos últimos anos.

Justo – As poupança do PSG estarão na base das diferenças de atitude entre a primeira e segundas partes dos parisienses. Em ambos os períodos o Braga deu boa conta de si, sendo fiel aos seus princípios e conseguindo sempre dividir o domínio do jogo, através da sua estratégia de pressing o mais alto possível e de uma grande reactividade nos diversos momentos do jogo. A diferença esteve na entrega que o PSG revelou no segundo tempo, sendo mais agressivo e incisivo, acabando por definir melhor alguns lances de detalhe que lhe poderiam ter dado a vantagem. Aqui, diga-se, convém referir que essas hipóteses de desfazer o empate surgiram apenas de bola parada. O Braga também teve as suas oportunidades, mas tem de se destacar alguma falta de capacidade no último terço de campo. É uma lacuna que não é nova e que não tem a ver com o modelo de jogo, mas sim com a característica dos médios bracarenses, mais fortes a construir do que a definir em zonas mais próximas da baliza. Este aspecto parece particularmente potenciado pela ausência de Meyong da equipa base. Ainda assim, o empate foi, sem dúvida, o resultado mais correcto e esta foi mais uma demonstração de qualidade colectiva do Braga que, nesta altura, só deve surpreender quem anda muito distraído.


Sessegnon – Não tive a oportunidade de fazer uma análise mais rigorosa ao PSG na antevisão desta eliminatória. É uma equipa bem organizada e que vai ser difícil de superar pelos desequilíbrios tácticos. Tem depois várias unidades de destaque. Makelele continua fantástico e parece ler os lances uns bons segundos antes dos outros, na frente há vários elementos talentos mas destaco o extremo do Benin, Sessegnon. Tem uma qualidade técnica invulgar e, aos 24 anos, tem ainda potencial para poder aparecer num grande da Europa, saiba evoluir bem. Fica um vídeo para dar alguns exemplos da excepcional relação que tem com a bola.


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Wright-Phillips e Niang, os destaques da jornada de Taça Uefa

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27.2.09

O thriller de Istambul e... Viva a "2ª divisão europeia"!

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- Pois é, diz-se que a Taça Uefa não tem o mesmo interesse e que é hoje a segunda divisão do futebol europeu. Pois bem, se a Champions League tem os grandes nomes e os grandes duelos, a Taça Uefa ganha claramente em emotividade e espectáculo. Impressionante jornada, repleta de grandes golos!
- O Milan foi sensacionalmente eliminado (2-2) em casa depois de ter estado em vantagem por 2-0. Pizarro foi o herói do Bremen com 2 golos de cabeça, mas a bomba de Pato é o que vale a pena ver.
- O Tottenham caiu em casa ao empatar com o Shakhtar. Fica, no entanto, o grande golo de Giovani dos Santos.
- Twente e Marselha tiveram de decidir nos penaltis, após um livre sensacional de Ben Arfa ter empatado a eliminatória.
- O PSG impressionou frente ao Wolfsburgo. Para ver os golos de Rothen e Hasebe.
- Impressionante a qualidade dos golos neste jogo! 2-1 entre St.Etienne e Olimpiacos. Payet, Ilan e Oscar.
- Golo da promessa Gebhart, mas insuficiente para evitar a queda do Estugarda aos pés do Zenit.
- Finalmente, a finalização explosiva de Luis Aguiar.

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19.2.09

Braga - Standard: Colectivamente desnivelado

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3-0!! – Em mais um embate de elevado grau de dificuldade, o Braga deu novas mostras da sua valia. 3-0 é um resultado pesado nos dias que correm e só pode ser explicado por 2 motivos. Ou existe, de facto, uma enorme diferença entre as equipas, ou a um jogo mais bem conseguido tem de se juntar também alguma inspiração que possa marcar tanta diferença. Para o caso é, claramente, a segunda hipótese que explica o sucedido na ‘Pedreira’, já que em termos individuais não se pode falar, sequer, de uma superioridade bracarense. Mesmo estando melhor servido em certas posições, a verdade é que o Braga não tem nenhum jogador da valia de Jovanovic, Witsel ou Defour. O elogio vai, por isso e mais uma vez, para a forma como esta equipa se exibiu do ponto de vista colectivo, impondo sempre um ritmo alto e um domínio territorial do jogo. Algo que, para quem vem seguindo este Braga, parece acontecer contra todo e qualquer adversário.

A diferença começou no pressing – Boloni falou de um “banho de bola”, da forma como a equipa foi insuficiente na qualidade do passe e como foi superada na agressividade e velocidade. Tudo verdade, mas tal não aconteceu apenas porque os seus jogadores tiveram um mau dia. As coisas aconteceram assim porque houve diferenças enormes no comportamento táctico e colectivo das equipas. Para começar, no pressing. Enquanto que o Braga foi sempre rápido, intenso e agressivo a importunar o primeiro passe, condicionando sempre a sua realização e impedindo que a bola chegasse aos médios organizadores, o Standard adoptou uma postura expectante que permitia que a bola entrasse sempre nos médios do Braga, podendo estes virar-se e pensar o jogo. Esta diferença de intensidade foi particularmente importante no momento da transição ofensiva belga que ficou quase sempre condenada ao fracasso e incapaz de explorar as qualidades de jogadores como Jovanovic, Mbokani ou De Camarco. Aqui, tal como fez Jesus, importa reconhecer o condicionalismo provocado pela lesão de Defour, claramente o jogador com maior capacidade para não vacilar perante o pressing.

O modelo e os níveis de intensidade – A proposta de jogo que o Braga apresenta recorrentemente é muito exigente. Só é possível jogar com linhas altas e pressionantes e com espaço nas costas se houver uma grande intensidade colectiva. Isto porque estando alta a equipa precisa de, primeiro, ser capaz de impedir que o adversário suba e, depois, estar preparada para se reposicionar muito rapidamente, caso a bola passe a primeira fase de pressão. Isto requer uma enorme intensidade, quer física quer mental dos jogadores ao longo dos jogos, algo que é muito difícil de conseguir durante todos os 90 minutos. Um dos aspectos positivos nesta partida foi precisamente a capacidade demonstrada depois do 2-0, mantendo o controlo do jogo, mesmo que a um ritmo mais baixo, tirando partido da sua situação no jogo e esperando por uma nova oportunidade para desequilibrar. Esta gestão da intensidade e do ritmo ao longo dos jogos é, diria, o único crescimento táctico que vejo faltar a esta equipa tão entusiasmante.


Para além da classificação – Desde o inicio da época que tenho abordado muito aqui o Braga e tem também havido quem questione o porquê de se destacar tanto esta equipa quando há outras até melhor posicionadas na liga. A diferença para mim é óbvia e tem a ver com qualidade colectiva. Não se pode comparar este Braga e este modelo de jogo com, por exemplo, um Leixões ou Nacional. Não se pode também comparar este Braga com aquele que, com Jorge Costa, chegou aos oitavos de final da Taça Uefa. A diferença, como digo, está na qualidade que é ditada por um modelo de jogo invulgar e arrojado e, claro, muito bem interpretado. É evidente que esta não é, nem pode ser, uma equipa imbatível ou perfeita, mas pense-se, por exemplo, quantas equipas do futebol português seriam realisticamente capazes de protagonizar esta carreira européia...

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14.2.09

Standard Liége: Talento emergente

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Quando o sorteio ditou o Standard Liége como opositor do Sporting de Braga, muitos devem ter pensado que se tratou de uma benesse, pela falta de campanhas relevantes deste clube nos últimos anos do futebol europeu e pela própria mediocridade em que mergulhou o futebol belga após o Mundial de 94. Esta ideia não só é enganosa, como é perigosa.

É enganosa, porque a equipa de Lazlo Boloni tem uma enorme qualidade e, se mais dúvidas houvesse, bastaria recordar o actual trajecto europeu. Prolongamento e um grande susto provocado ao Liverpool na pré eliminatória da Champions. Eliminação do Everton na primeira eliminatória da Taça Uefa e primeiro lugar num grupo com Sevilha, Sampdoria, Estugarda e Partizan. É perigosa, porque subvalorizar a qualidade desta equipa e dos seus jogadores será seguramente o primeiro passo para se ser surpreendido. Essa é, aliás, a primeira tarefa da equipa técnica do Braga. Passar a ideia de um confronto mais difícil do que, por exemplo, aquele que tiveram com o Portsmouth, estimulando a concentração e empenho totais durante a eliminatória. Este é um risco que correm também os belgas, já que depois dos adversários que tiveram pela frente, o Braga não será propriamente um nome assustador para os jogadores. Neste aspecto, claramente, é uma desvantagem a ligação da equipa técnica do Standard ao futebol português, já que serão muito mais capazes de se aperceberem da qualidade que tem esta equipa bracarense.


Sobre a equipa de Liége, deixo a nota para a juventude da equipa (média a rondar os 24 anos e nenhum jogador, sequer, às portas dos 30) e para a qualidade individual de alguns destes jogadores. Tenho, aliás, a convicção de que alguns nomes que hoje são uma incógnita para a generalidade dos adeptos, serão, em breve, figuras dos principais campeonatos europeus. O motor da equipa é, claramente, o duplo pivot formado pelos talentos Witsel e Defour (ambos de 20 anos!!). São 2 jogadores diferentes mas com um cultura táctica enorme e que garantem tanto o equilíbrio defensivo como a organização ofensiva. Depois há Milan Jovanovic. Um sérvio de enorme qualidade que serve normalmente de referência ofensiva às transições da equipa. O seu perfil é diferente do ala oposto – normalmente Dalmat – e isso dita também alguma assimetria comportamental. O brasileiro Camozzato é muito ofensivo (aliás desposiciona-se algumas vezes), ao contrário do lateral esquerdo que é mais fixo e defensivo. Na frente, o naturalizado De Camargo joga atrás do jovem ponta de lança congolês Mbokani. São 2 jogadores fisicamente interessantes, esguios e altos, capazes de ser uma ameaça, quer pela velocidade, quer pelo jogo aéreo. Neste aspecto, nota para o papel importante de De Camargo, baixando sempre em acções defensivas mas surgindo depois como elemento desequillibrador nas chegadas ofensivas, numa movimentação que dificulta muito as marcações pela mobilidade. Em termos comportamentais, esta é uma equipa que se refugia muito num bloco baixo, o que dá vantagem à robustez física dos seus defensores, e é particularmente perigosa em transições ou ataques rápidos. Aqui a opção pode ser através de uma circulação rápida ou recorrendo a um jogo mais directo, tendo Mbokani como referência. Um dos pontos fracos da equipa poderá ser a fraca qualidade técnica dos centrais. Se houver uma pressão alta que impeça Defour de receber facilmente, o Standard poderá ter algumas dificuldades. Nota final para o ambiente caseiro em Liége. É muito intenso e chega a ser impressionante.


Notas individuais:
Oguchi Onyewu – Central norte americano, é o patrão da defesa. A sua principal característica é a capacidade física. Alto e forte é um jogador muito eficaz nas marcação e perigoso quando se adianta nas bolas paradas. Beneficia claramente quando o Standard baixa o bloco.

Steven Defour – É o capitão e já foi considerado o melhor jogador da liga belga. Tudo isto, com 20 anos. Defour é o comandante em campo, com um excelente sentido posicional e uma grande qualidade e certeza no passe em organização ofensiva. O que custa a perceber é como se consegue ser tão adulto com apenas 20 anos.

Axel Witsel – Forma um duplo pivot com Defour, jogando normalmente sobre a meia esquerda. Witsel não é menos talentoso, mas é diferente. Podia ser um médio ofensivo ou mesmo um ala. Jogador leve e ágil, está talhado para criar desequilíbrios a partir de trás, destacando-se, por exemplo, pela sua capacidade no 1x1.

Milan Jovanovic – Já se falou deste jogador como hipótese para o Porto e só posso dizer que desportivamente seria hoje uma enorme valia. É um jogador elegante e irreverente, tanto na personalidade como no futebol que apresenta. Defende-lo é muito difícil porque Jovanovic é forte tanto no 1x1, como nas assistências, ou mesmo nas diagonais com que ataca as zonas de finalização. Aliás, Jovanovic é por natureza um goleador. Ao vê-lo pergunto-me o que faz na Bélgica aos 27 anos?!

Dieumerci Mbokani – A veia goleadora que apresenta desde a sua chegada à Bélgica faz deste avançado de 23 anos um caso interessante de seguir. Mbokani é rápido, tecnicamente forte e bom no jogo aéreo. Tem, no entanto, algumas lacunas sobretudo ao nível da decisão, revelando-se por vezes demasiado egocêntrico.

Alguns jogos:
Standard 2-1 Anderlecht
Everton 2-2 Standard
Standard 2-1 Everton
Standard 1-0 Sevilha
Standard 3-0 Sampdoria


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19.12.08

Dá para sonhar...

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Terá sido um sorteio que, dentro das possibilidades, não coloca o mais complicado dos cenários a nenhuma das equipas portuguesas. Todas as elas têm possibilidades reais de apuramento – ainda que não sejam, em nenhum caso, favoritas – e essa é a nota mais importante. No que respeita ao invulgar emparelhamento da Champions, o resultado não desapontou as expectativas de termos, já nos oitavos, grandes confrontos. Inter – Man Utd e Real Madrid – Liverpool são confrontos que poderiam perfeitamente ter lugar em Maio e que irão, aqui, merecer um acompanhamento especial, um “degrau” antes do que era previsto.

Porto – Para os que gostam de ver as coisas pela já longa história dos clubes, o Porto será favoritismo por ter “mais experiência”. Para mim esta é claramente uma análise errada. O Atlético é uma equipa com nomes fantásticos e em termos individuais tem seguramente um elenco muito superior a qualquer emblema nacional. Reservo mais detalhes colectivos sobre os “colchoneros” para a análise que farei nos próximos tempos, mas sabe-se que, à semelhança do que é regra actualmente em Espanha, esta é uma equipa essencialmente forte na sua fase ofensiva. Apesar de tudo isto, claro, o Porto tem a seu favor o conhecimento de quem o dirige sobre as exigências destas andanças e ainda a qualidade colectiva que recorrentemente o torna numa equipa bem superior do que a soma das suas individualidades.

Sporting – Será das equipas com menor pressão nesta fase. O Bayern pode ter sido, aliás, bastante positivo por isso mesmo. É um grande nome do futebol europeu, tem excelentes individualidades e, por isso, acarreta toda a responsabilidade na eliminatória. Por outro lado, o seu colectivo está longe de ser inultrapassável e, por isso, o Sporting, com mais experiência do que há 2 anos, poderá perfeitamente pensar em melhorar esse registo da fase de grupos de 06/07 onde perdeu 0-1 em Alvalade e empatou 0-0 em Munique. Os alemães têm reconhecidas dificuldades defensivas e nem sempre se dão bem perante uma posse de bola mais elaborada. Esse será o ponto a explorar pelo Sporting que, por outro lado, tem um sério problema para resolver sempre que a bola entrar na sua área. Particularmente o jogo aéreo não é o ponto forte da defesa do Sporting que, neste aspecto, não poderia ter oposição mais complicada do que a dupla Klose-Toni.

Braga – Está longe de ser um confronto inacessível mas este Standard está muito distante da modéstia que o caracterizou nos últimos anos. Depois de ter quebrado um jejum interno em 25 anos, vencendo o título belga, tornou-se naquela que considero ser a maior revelação das competições europeias em 2008. Primeiro colocou o Liverpool à beira de um ataque de nervos, forçando um prolongamento no acesso à Champions, depois o destino ironicamente ditou novo confronto com um “gigante” da cidade dos Beatles e o Everton ficou de fora da fase de grupos da Uefa. Agora qualificou-se em primeiro lugar num grupo que tinha, só, Sevilha, Sampdoria, Estugarda e Partizan, vencendo 3 jogos e perdendo apenas o último contra o Estugarda quando tinha a qualificação garantida. Era uma equipa que já tinha planeado observar com maior detalhe e agora está encontrado o pretexto que faltava para ver ao pormenor os jovens Defour e Witsel ou a estrela do campeonato belga, Milan Jovanovic. O Braga, claro, não será adversário nada fácil.

Probabilidades de qualificação nas casas de apostas:
Arsenal – Roma: 60% - 40%
Atlético Madrid – FC Porto: 62% - 38%
Chelsea – Juventus: 62% - 38%
Inter – Man Utd: 47% - 53%
Lyon – Barcelona: 23% - 77%
Real Madrid – Liverpool: 49% - 51%
Sporting – Bayern: 26% -74%
Villareal – Panathinaikos: 69% - 31%
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Braga – Standard: 29% - 71%
3 craques:

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28.11.08

Olimpiacos - Benfica: Pesadelo!

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Pesadelo! – Primeiro ponto: uma derrocada deste género entre equipas tão semelhantes só pode acontecer num dia em que os astros estejam anormalmente alinhados. Foi isso que aconteceu no primeiro tempo ao Benfica, que errou mais, foi pior, mas só pode sair com um 4-1 para o intervalo porque houve, também, uma enorme diferença no aproveitamento das oportunidades criadas.
Benfica e Olimpiacos são equipas quase gémeas. Ambas têm treinadores espanhóis, ambas utilizam um 4-4-2 clássico algo rígido, ambas têm na qualidade individual dos seus jogadores da frente a sua grande virtude e ambas têm dificuldades colectivas para controlar os espaços defensivos. Neste último aspecto, eu diria, o Olimpiacos ainda terá uma dificuldade mais gritante pois desequilibra-se mais em posse de bola e tem laterais que comprometem muito pelo seu fraco posicionamento defensivo. A pergunta evidente é, então, para além do tal (relevante) aspecto da eficácia, onde esteve a diferença entre as equipas?
A resposta pode ser encontrada, na minha opinião, nos lances decisivos do jogo, em particular, nos golos que o Benfica sofreu. Aí vamos encontrar, por um lado, a excelente exibição dos jogadores da frente do Olimpiacos, Galletti, Diogo e Belluschi, e, por outro, a incapacidade que os jogadores do Benfica tiveram para, individualmente, contornar os problemas colectivos que há muito são identificáveis no modelo de Quique. Aqui volto a falar da tal dificuldade que a última linha defensiva tem em posicionar-se perante a subida do meio campo para pressionar. Ou sobem para encurtar o espaço entre linhas e ficam vulneráveis nas costas, como aconteceu no primeiro golo, ou permanecem mais baixos e expõem o espaço entre linhas, como aconteceu nos lances do segundo e terceiro golos.
Juntando a referida eficácia para punir estes problemas colectivos que foram sendo cometidos, construiu-se rapidamente a derrota. Com a quebra emocional, a goleada veio por acréscimo.

Um problema individual!? – Depois de uma derrota destas vêm imensos dedos a apontar em diversas direcções, acusando os jogadores do Benfica de responsabilidades individuais em cada um dos golos. É evidente que essa análise individual pode ser feita, assim como é para mim claro que Katsouranis teria dado outra inteligência à cobertura do espaço à frente dos centrais, completamente ignorado por Binya e Yebda (já referi anteriormente que é o único jogador que ajuda a colmatar essa lacuna do modelo). O problema, no entanto, é que ao falar-se de insuficiências individuais está-se a desvirtuar aquela que é, realmente, a génese da questão. O problema é colectivo e vem-se arrastando com o tempo. Os bons jogadores são apenas a forma mais fácil de o esconder.
Uma nota final para os centrais. Sei que vão ser os réus principais da opinião pública. A minha opinião é que eles são mais vitimas que réus, tal é o espaço que lhes é pedido para cobrir.

Taça Uefa – Só por milagre o Benfica vai continuar na Europa este ano – o que é mais incrível é como é que é possível ter ainda hipóteses, tal tem sido o descalabro nesta prova. Tive oportunidade de ver os adversários do Benfica, na maioria dos casos, mais do que 1 vez. Olimpiacos e Galatasaray são equipas com excelentes individualidades (ao nível do Benfica) mas algo (no caso do Galatasaray, muito) vulneráveis colectivamente, o Metalist é claramente a mais modesta das equipas e o Hertha aquela que mais gostei de ver colectivamente, não tendo os mesmos argumentos individuais das 2 primeiras. Era um grupo perfeitamente ao alcance do Benfica...
Golos: (1-0; 2-0; 3-0; 3-1; 4-1; 5-1)

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7.11.08

Frustrações Uefeiras...

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Braga – Começo por aquele que deveria ser o destaque de toda a jornada da Taça Uefa. Para ser sincero estava à espera que o Braga pudesse surpreender em San Siro, trazendo até de lá um resultado positivo – que não aconteceu. O que eu não esperava, no entanto, era uma exibição tão dominadora como aquela que se assistiu, sobretudo, na segunda parte. Para se perceber e contextualizar o que o Braga conseguiu fazer em Milão é preciso perceber 2 coisas. A primeira é que o Braga é uma equipa com bons jogadores e muito bem orientada, capaz de fazer isto a qualquer equipa que não esteja preparada para a sua qualidade. É aqui que entra o segundo ponto. Obviamente que, dado o desequilíbrio de forças entre as duas partes, a superioridade do Braga no jogo só foi possível pela postura menos competitiva e concentrada do Milan que, por azar bracarense, não terminou com um resultado-choque.
Fundamental para o insucesso do Braga foi um aspecto que vem penalizando a equipa em alguns jogos: a finalização. Académica, Guimarães e, agora, Milan foram jogos em que se esbanjaram demasiadas oportunidades e onde 1 nome sobressai: Renteria. É impressionante o que falha o Colombiano!

Benfica – Mais uma vez vitima da guerra entre Zon e Meo (sabiam que como forma de retaliação a Zon vai emitir em exclusivo o Olimpiacos-Benfica, significando que os clientes Meo não vão poder ver o próximo jogo europeu Benfica? Ou seja, quem quiser ver em sua casa todos os jogos do Benfica na Taça Uefa terá agora de ter Zon e Meo ao mesmo tempo. Fantástico!) fui, como grande parte das pessoas, privado de ver mais um jogo europeu do Benfica nas melhores condições. Lamento esta situação e reforço o que já referi noutra altura. É uma situação ridícula (cada vez mais!) que prejudica o adepto de futebol em geral e o do Benfica em particular...
Sobre o jogo não vou fazer, obviamente, grandes considerações (se conseguir ver a partida, deixarei mais tarde algumas notas), mas há alguns aspectos de que posso falar. O primeiro tem a ver com alguma surpresa por esta derrota. Este Galatasaray não é, como referi ontem, uma equipa particularmente forte e estava perfeitamente ao alcance do Benfica. Ou pelo menos devia estar. O problema é que, tal como venho referindo, o Benfica tem a sua mais valia nas individualidades, mantendo alguns problemas de fundo no seu modelo de jogo. Aqui tenho de direccionar algumas criticas ao discurso de Quique. É que o treinador espanhol persiste na repetição da ideia de uma equipa longe do seu melhor, apontando o dedo aos erros individuais (decisões) dos jogadores. O que é problemático neste discurso é que nele não encontramos qualquer referência aos problemas colectivos que a equipa tem, percebendo-se assim que existe da parte do treinador uma maior focalização na correcção de comportamentos individuais e não nos problemas colectivos que vêm sendo manifestados desde a pré temporada. O que posso esperar de uma equipa com este perfil é uma grande dependência da inspiração individual dos seus principais jogadores, ou seja, uma grande incerteza e oscilação na qualidade de exibições e resultados.

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24.10.08

Hertha - Benfica: Foi bom, o ponto

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Bom resultado – Neste modelo de grupos, um empate fora é, quase sempre, um bom resultado. Isto porque 5 a 6 pontos costumam ser suficientes para garantir o apuramento, ficando assim por garantir 4 a 5 pontos, com 2 jogos em casa. Não desfazendo este raciocínio mais calculista, há que dizer que este foi um jogo em que se esperaria outra capacidade do Benfica, sobretudo depois de se ter conseguido adiantar no marcador. Esse é, portanto, o lado negativo deste “bom resultado”. Frente a um adversário com um futebol interessante mas sem grande poderio, esperava-se que o Benfica soubesse gerir melhor um jogo que até lhe correu bem. Isso não aconteceu e a verdade é que o empate acaba por ser mesmo um bom resultado para as incidências do jogo.

Estratégia – O Hertha, como a maioria das equipas alemãs, é uma formação que se sente bem melhor a atacar do que a defender, criando muitas dificuldades no último terço de terreno onde faz chegar muitas unidades, mas sendo vulnerável defensivamente, particularmente pelos desequilíbrios provocados por essa “sede” ofensiva. Quique, sempre dentro do seu 4-4-2 clássico, terá entendido que a transição ofensiva seria a melhor forma de trazer um bom resultado da Alemanha e, para tal, colocou 2 extremos velozes capazes de dar largura e profundidade ao ataque, ao mesmo tempo que definiu uma zona de pressão alta, na expectativa de explorar algumas lacunas germânicas na saída de bola.
Se é verdade que o Benfica conseguiu o seu golo em transição, explorando a profundidade, tal como era estrategicamente pretendido por Quique, é também bom dizer-se que foram raros os momentos em que o Benfica o conseguiu fazer. Encontro 2 motivos para esta escassez. O primeiro tem a ver com a pouca capacidade do pressing encarnado para criar problemas ao primeiro momento de construção germânico. O segundo com alguma deficiência na saída em transição, com o primeiro passe a não lateralizar de imediato o jogo, um comportamento sistematizado pelo seu treinador.
Sem controlo – Há um dado estatístico que me parece sintomático neste inicio de época. Em 5 jogos oficiais, fora da Luz, o Benfica nunca ficou sem sofrer golos (9 golos sofridos). Este é um dado que encontra reflexo no que se tem visto no campo, e Berlim não foi excepção. É que o Benfica vem revelando uma grande incapacidade para controlar os seus jogos, particularmente nos momentos em que é fundamental fazê-lo por estar com resultado favorável (nos 5 jogos, tem 1 vitória, mas só num não esteve a ganhar). Um motivo que tem sido apontado por quase todos é a incapacidade para a equipa gerir melhor a posse de bola. É um facto que o Benfica revela essa incapacidade, mas parece-me redutor falar em individualidades quando é o próprio modelo que não privilegia a capacidade de ser forte em posse. Em construcção o Benfica não consegue criar apoios e linhas de passe que consigam envolver o adversário e isso resulta nas perdas de bola que se assistiram no final da primeira parte, numa incapacidade que já venho identificando desde a pré temporada.
Se o Benfica não consegue controlar pela posse, teria de fazê-lo pela eficácia da sua organização defensiva. Mas isso também não vem sucedendo (ontem, tal como em Matosinhos). A equipa parece demasiado dependente da eficácia da primeira fase do seu pressing e quando esta não funciona o meio campo revela francas dificuldades em impedir que o jogo chegue até à sua zona mais recuada. Aqui, tem de ser dito, o facto de se jogar com uma estrutura que tem apenas 1 linha de meio campo não ajuda, mas parece-me que pode e deve ser feito mais para contornar esta dificuldade evidente.
Substituições – Como é hábito, no final do jogo, conhecido o resultado, são feitas as criticas às decisões que foram tomadas durante a partida. Volto a bater na mesma tecla, é profundamente limitativo avaliar-se um treinador pelas substituições e os jogos não se ganham ou perdem apenas pelas substituições. Mas vamos a elas...
A entrada de Suazo fez todo o sentido, pelas razões estratégicas que apontei. É um jogador que, ao contrário de Cardozo, dá profundidade ofensiva e era isso que Quique pretendia. Fica por saber porque é que não jogou de inicio (provavelmente limitações físicas). Apesar de estar a ganhar, Quique pareceu mais disposto a dar outra força à sua transição, num momento em que se sabia que o Hertha iria correr mais riscos. A entrada de Martins tem esse propósito, dar mais qualidade à saída em transição. Entre Katsouranis e Binya (partindo do princípio que não havia problemas físicos), Quique terá optado por manter a combatividade do segundo. Pessoalmente acho questionável a decisão (sobretudo optar-se por Binya em vez de Katsouranis) mas também tenho dúvidas se terá sido por isso que o Benfica deixou fugir 2 pontos. É que, tal como escrevi antes, a incapacidade de controlar o jogo pela posse é um mal estrutural e não fruto da incapacidade de um outro jogador.
De uma coisa estou certo. Se o Benfica tivesse feito o segundo todos elogiariam a sagacidade do treinador e, se tivesse tirado um extremo para colocar Martins e tivesse empatado, no final, seria criticado por ter sido defensivo. Era certinho...

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Taça Uefa

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- O livre de Luis Aguiar (Braga)
- Outro, do talento Alan Dzagoev (CSKA Moscovo)
- Kuranyi e Altintop (Schalke), 2 bons golos - 2º e 3º do resumo
- A argolada de Gomes (Tottenham)
- Bomba de Balaban (Dinamo Zagreb) - 4º golo do resumo
- A inspiração de Lamine Diarra (Partizan) - 2º golo do resumo

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8.10.08

1 para cada do sorteio

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Benfica:
- Voronin (Hertha)
- Belluschi (Olimpiacos)
- Jájá (Metalist)
- Arda Turan (Galatasaray)

Braga:
- Krzynowek (Wolfsburgo)
- Daniel Pranjic (Herenveen)
- Alex Pato (Milan)
- Niko Kranjcar (Portsmouth)

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19.9.08

Napoles - Benfica: Menos mau mas... nunca bom.

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bom ou mau? - É inevitável que o sentimento de um jogo de uma primeira mão fique obrigatoriamente ligado ao resultado. Muito mais do que qualquer jogo de campeonato, aqui, a objectividade do resultado ganha vantagem sobre a própria exibição. 3-2 também não é um resultado consensual, mas para mim uma derrota nunca pode ser boa e, neste caso, muito menos, atestando-se do valor deste Nápoles que, acrescente-se, não se confina ao San Paolo.
Mas, para quem viu o jogo, realmente, 3-2 foi o menor dos prejuízos para uma equipa que criou muito pouco mais do que os lances dos próprios golos (que surgiram de bola parada) e, pelo contrário, viu o adversário dominar claramente a grande maioria do jogo (terá como atenuantes para a exibição o ambiente e o terreno – eu tinha avisado – e, claro, o próprio valor do Nápoles). Fica-me, portanto, a conclusão que este foi um resultado menos mau para o jogo mas nunca bom para a eliminatória.

Inocência – É curioso ver como, terminado o jogo, ambas as partes se queixam do mesmo. Primeiro o Benfica, que foi vitima da tal característica que tinha elogiado nos napolitanos, a frieza e organização com que reagem aos vários momentos do jogo. Em 3 jogos o Nápoles começou a perder e em 3 jogos inverteu essa situação. Não é por acaso. De todo o modo, é inegável que sofrer 2 golos de forma tão célere só pode indiciar um défice de concentração momentâneo. No primeiro golo por manifesta falta de fortuna (mas com Hamsik a aparecer solto para o remate) e, no segundo, com 2 erros, primeiro deixando Lavezzi sem oposição entre linhas e depois permitindo o tal movimento que já havia identificado em Hamsik, cruzando com Denis na chegada à área.
Mas o Nápoles também se lamenta da sua própria inocência. E não é caso para menos. Bem visto o jogo, os italianos dominaram, tiveram oportunidades e realizaram golos em quantidade suficiente para ganhar maior vantagem na eliminatória. No final, vão para a segunda mão com 2 golos encaixados em 2 lances de bola parada e sem que o Benfica tivesse feito muito mais do que esses mesmos lances. As bolas paradas têm sido bem trabalhadas pelos encarnados mas, no papel do adversário, é natural que se sinta que se podia ter feito mais.

Opções e estratégia de Quique – Di Maria na frente, Suazo, Reyes e Urreta. Alguma surpresa, sim, mas qual terá sido o motivo? Para mim, parece-me claro que nestes jogadores existe uma característica comum que é a velocidade e, particularmente, a forma como a aplicam no ataque à profundidade. A este aspecto deve-se juntar um outro comportamento algo atípico do Benfica. O pressing mais baixo e menos agressivo numa primeira fase em relação ao que é costume, jogando com o bloco mais baixo. Juntas, estas duas indicações deixam entender uma intenção de jogar em transição, tirando partido de alguma lentidão do trio defensivo napolitano. A verdade é que o Benfica nunca conseguiu impor este jogo muito porque, já se sabia, o Nápoles prefere, ele próprio, actuar em transição, não gostando de um jogo assente na posse na subida das linhas. Por aqui, penso eu, se explica grande parte do falhanço encarnado no jogo.
Mas não posso deixar de falar noutro aspecto do jogo que, mais uma vez, me merece referência negativa. A construção de jogo do Benfica permanece parca de ideias e extremamente vulnerável à pressão (mesmo a do Nápoles que não é feita com muitos elementos). Várias foram as perdas de bola que resultaram desta deficiência, com a agravante de acontecerem bem perto da área de Quim. A rever, mais uma vez.

Tréguas no final – Foram curiosos os últimos 15 minutos. Com um resultado que deixa em aberto a eliminatória, notou-se um receio no final do jogo. Destaque para o Nápoles que, já desgastado e sem o fundamental Hamsik, optou não tentar explorar a inferioridade provocada pela lesão de Suazo. O Benfica, também sem arriscar, aproveitou para respirar e chegar mesmo ao seu único ameaço real, na jogada que terminou com Balboa a chegar um pouco mais tarde do que o guarda redes contrário.

Suazo – Será, seguramente, a melhor novidade do jogo para os benfiquistas. Não cheguei a comentar a sua aquisição por ter surgido já num timing em que abundam outros motivos de interesse, mas parece-me que poderá estar aqui a grande mais valia do defeso. Ao contrário de nomes sonantes como Reyes ou Aimar, Suazo não chega à Luz a precisar de reabilitação na carreira, antes sim vitima da forte concorrência no plantel do Inter, e depois de ter feito uma época muito positiva nos nerazzurri. Tem tudo para ser uma mais valia e, claro, um problema para a concorrência.

Golos:
0-1; 1-1; 2-1; 3-1; 3-2


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