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9.9.09

As hipóteses de Portugal: 42%

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Portugal está praticamente fora do Mundial. Fora do ‘playoff’. Não é impossível, mas muito difícil. Tudo isto diz-se por aí. Mas será mesmo? E quanto é o “muito” que quantifica a dificuldade? 

O exercício é impossível de concretizar com total exactidão. É apenas teórico, sim, mas é também a forma que mais fielmente nos aproxima das possibilidades de cada uma das Selecções de chegar ao playoff. A proposta é a mesma de outros casos que já aqui trouxe. Ou seja, pegar nas probabilidades teóricas dos jogos e calcular as hipóteses para os diversos cenários. O resultado confirma que o “muito difícil” é-o, mas se calhar não tanto como isso. 42%.

Depender de si não significa favoritismo
A perda da dependência própria é um catalisador poderoso de ansiedade nos adeptos. Como se não bastassem os próprios jogos, há que esperar pelos outros. Mas depender dos outros não significa, forçosamente, que não se seja favorito. Neste caso há um exemplo mais do que evidente. Alguém se atreve a atribuir algum favoritismo à Hungria? Não. Mas os húngaros são quem depende apenas de si...

E se...
Curioso também é ver como variam as hipóteses depois desta jornada. Aqui fica clara a importância da visita à Hungria. É que se Portugal vencer na Hungria, mesmo com a mais do que previsível vitória sueca frente a Malta, mesmo com menos 1 jogo por realizar e mesmo continuando a depender de terceiros, Portugal passa, tendo em conta o grau de dificuldade teórico dos jogos, a ter um favoritismo marginal. De resto, este será, mais do que qualquer outro, um jogo de “tudo ou nada”. Basta ver o que acontece se os 3 pontos não regressarem na bagagem lusa...


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17.6.09

Marcus Berg, o primeiro vencedor do Euro sub 21

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O Euro sub 21 começou sem grandes motivos de interesse. As grandes equipas, com talentos inegáveis, têm-se apresentado a um ritmo baixo e também não têm sido muitas as surpresas em termos individuais. Há muito ainda para jogar mas, claramente, para já o jogo que mais entusiasmou foi o que colocou frente a frente a selecção da casa, a Suécia, à Bielorrússia. Nessa partida emergiu também um nome, já grande candidato a melhor goleador da prova devido ao hat-trick conseguido, mas cuja qualidade vai muito para além dos golos marcados. Marcus Berg.

Berg é um goleador de 22 anos que deu nas vistas no Groningen da Holanda, marcando muitos golos e confirmando os indícios que já revelara quando fora contratado em 2007 ao Gotemburgo. Esse, aliás, terá sido um momento aparentemente iluminado para os responsáveis do clube holandês, que gastaram perto de 3 milhões de euros na jovem promessa. Agora, e particularmente depois desta estreia no Euro, Berg deverá sair mas por valores próximos dos 20 milhões.

O perfil de Berg fica completamente descrito pelo jogo que fez nesta estreia no Euro Sub21. Responsável principal na reviravolta, Berg mostrou a sua inteligência, quer na forma como se movimenta, quer nos timings de execução. Para que seja um jogador realmente temível importa, claro, a qualidade técnica. Aí, Berg tem a característica de muitos dos mais eficazes ponta de lança da história. Ou seja, a sua técnica é excelente mas apresenta-se totalmente ao serviço da eficácia. Os dribles são objectivos e apenas pontuais e os pormenores vêem-se sobretudo na forma como executa muitas vezes de primeira, quer assistindo, quer finalizando.

Vale a pena continuar Berg, até porque é provável que depressa constitua uma temível dupla com Ibrahimovic na selecção sueca...



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31.3.09

4 lances do jogo ou como se cozinha um nulo...

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Sem pressing, um lapso estratégico
Ontem deixei aqui algumas criticas à forma como estrategicamente Portugal abordou os minutos iniciais do jogo. Em particular, foi evidente a completa ausência de preocupação em fazer um pressing mais agressivo sobre a primeira fase de construção sueca, tentando manter o jogo em permanência mais perto da área de Isaksson e, mais importante ainda, tirar partido da menor qualidade técnica dos jogadores suecos para potenciar o erro e partir para transições que permitissem apanhar a defensiva adversária em momentos de alguma desorganização.

Era importante que Portugal conseguisse marcar cedo (até pela pressão que existia e existiu) e era importante também que Portugal aumentasse a qualidade das suas finalizações. É evidente que não seria possível manter um pressing agressivo e alto com eficácia durante todo o jogo, mas seria estrategicamente importante que tal acontecesse no inicio. Portugal não o fez, a Suécia ganhou preciosos minutos para se adaptar ao jogo e Portugal ficou limitado a ataques perante uma defesa organizada, o que condicionou, como noutros jogos, a qualidade das suas finalizações. Daí se perceba facilmente que sejam precisos tantos remates para se marcar 1 golo.

O que Queiroz não deixou ver na segunda parte
Os últimos 2 lances do vídeo abordam 2 bons momentos em que a Selecção fica perto do golo, ambos em ataque organizado. Ambos acontecem na primeira parte e ambos resultam de 2 aspectos que, posteriormente, foram desfeitos pela forma como Queiroz interveio no jogo.

A primeira jogada tem dois aspectos que acho importante destacar. O primeiro é a importância dos laterais, particularmente quando aparecem a dar sequência a mudanças de flanco, pelo motivo óbvio de beneficiarem de mais espaço para as suas iniciativas. O segundo é o movimento de Tiago a atacar a zona de finalização. Quanto ao primeiro aspecto, foi um ponto forte em algumas jogadas do primeiro tempo, mas a opção de Queiroz após a lesão de Bosingwa privou Portugal de dar continuidade a esses movimentos e na segunda parte não mais se repetiram. No que respeita aos movimentos de Tiago, foi para mim claro que essa sua vocação foi propositada como complemento da mobilidade que era pretendida para o ataque. Diria apenas que essa chegada da linha média à zona de finalização pecou apenas por escassa, tendo em Tiago exemplo praticamente único. Mais uma vez, após a saída de Tiago, Portugal deixou de ter um jogador com este tipo de vocação.

A segunda jogada ocorre sobre a zona central e é, juntamente com uma outra com as mesmas características no inicio da segunda parte, um raro exemplo de uma finalização verdadeiramente perigosa em bola corrida. O meu destaque vai para a ausência de uma referência de marcação fixa, o que dificulta muito quem defende naquela zona. Não se trata de uma embirração com Hugo Almeida, antes sim de perceber o ajuste do perfil à forma de jogar. Se Portugal fizesse um recurso mais directo a um duelo mais físico na zona central, Hugo Almeida seria o jogador ideal, mas tal não é o caso. Aliás, neste aspecto, perfis como o de Nuno Gomes e Postiga poderiam enquadrar-se na perfeição, sendo um total disparate a sua não convocatória. Queiroz voltou a não ser feliz na substituição, não só por lançar um jogador como Almeida, mas sobretudo porque retirou o elo de ligação com essa zona central. Se até aí Portugal conseguira as suas 2 melhores ocasiões pela zona central, nos 25 minutos finais, ficou limitado a um recurso permanente aos flancos como solução de penetração, o que, como era previsível, facilitou a tarefa sueca. Este é também um exemplo que ajuda a dismistificar a ideia de que é preciso um ponta de lança forte e alto que tem como função dar resposta aos cruzamentos dos extremos. Felizmente, digo eu, o futebol é um pouco mais complexo do que isso...


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30.3.09

Portugal - Suécia: Mais do mesmo... tolerância, zero

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Será só azar? – A necessidade de ganhar sentiu-se claramente. Pela barba (estilo promessa) de Queiroz, pela determinação e entrega dos jogadores, pela pressão crescente que se sentiu com o avançar do relógio e, finalmente, pela demorada e solitária reflexão (estilo “e agora o que é que eu faço?”) de Gilberto Madail imediatamente após o final do jogo. Portugal voltou a desiludir, no terceiro resultado negativo em 4 jogos realmente competitivos no apuramento. Diz-se que fez um bom jogo e é verdade que terá tido bons momentos, mas não devemos confundir um domínio normal, quer pela diferença de qualidade que existe entre os 2 conjuntos, quer pelo próprio interesse sueco em defender um empate que lhe foi benéfico, com uma “exibição fantástica” que teria tido na fortuna a única justificação para o insucesso. A sorte, precisamente, não pode ser a única justificação para quem quer, de forma inteligente e séria, corrigir problemas que surgem de forma tão recorrente. Em suma, foi um jogo em que Portugal esteve realmente bem em alguns momentos, em que teve o empenho e até a inspiração individual necessária, mas em que voltou a falhar em pormenores absolutamente decisivos que, combinados com alguma falta de sorte, explicam não apenas este empate mas a impensável situação para a qual se arrastou neste apuramento.

Opções e estratégia iniciais– Na antevisão falei da compreensão pela opção Pepe como médio defensivo e da necessidade de dar mobilidade ao ataque nacional. Por isso, percebe-se facilmente que concordo com as opções de Pepe e Danny de inicio. A estas juntou-se ainda Tiago que teve uma missão particularmente importante, dado que numa estratégia sem referência fixa na frente, é importante uma boa chegada dos médios à zona de finalização. Tiago foi lançado para uma função mais ofensiva do que Pepe e Meireles (compondo uma espécie de 4-2-3-1) e devo dizer que os seus movimentos verticais só pecaram por não ter sido mais vezes repetidos pelos seus colegas de sector. Portugal teve dificuldades no inicio. A estratégia Sueca de colocar rapidamente a bola na frente impedia Portugal de manter o jogo em permanência no meio campo ofensivo, perdendo muito tempo entre as suas acções ofensivas. Aqui, justificou-se a importância da presença de Pepe, dificultando o domínio das primeiras bolas por parte dos suecos. Portugal melhorou, passou a condicionar melhor a saída de bola sueca, a reagir melhor à perda de bola e, sobretudo, a circular melhor. Aqui, nos últimos 20 minutos da primeira parte, aconteceu o melhor período português, com a grande velocidade na circulação de bola e boa ligação de corredores, destacando-se a presença dos laterais a aparecer no espaço aberto no flanco oposto.
Neste jogo destacou-se o número de remates, mas ao elevado registo estatístico há que perguntar porque é que Portugal rematou tão poucas vezes dentro da área e sem ser em lances de bola parada. A resposta a esta pergunta leva-nos ao grande problema da estratégia nacional para o jogo. É que Portugal actuou poucas vezes em transição, e em ataque organizado é muito mais difícil conseguir espaços. A estratégia deveria ter dado prioridade a um pressing mais forte desde o inicio, potenciando mais claramente o erro sueco para depois sair em transição. Isso não aconteceu e daí tantos remates terem tido tão pouca probabilidade de sucesso.

Alterar para... piorar! – Há um momento decisivo e que dá inicio à participação contra producente de Queiroz no jogo. A lesão de Bosingwa. Primeiro, para quem tem um jogo tão decisivo pela frente, o erro de optar por Brandão em vez de Nelson é pouco justificável. Queiroz não foi bafejado pela sorte neste particular, mas a sua opção por Rolando em cima do intervalo e a 15 minutos de, previsivelmente, ter de arriscar, foi totalmente prejudicial ao jogo da Selecção que, devido a ela, na segunda parte não mais contou com a tal ligação de corredores, tendo Carvalho ido apenas 1 vez à linha em 45 minutos de ataque continuado. Depois entrou Deco, mas saiu Tiago que era provavelmente a unidade de melhor rendimento na altura em que saiu e o único médio a fazer a ligação com a zona de finalização. Finalmente, Queiroz fez aquilo que os suecos mais desejariam. Com 25 minutos por jogar, colocou Hugo Almeida que foi “encostar-se” aos defensores suecos, dando-lhes uma referência fixa. Para mais, retirou uma das unidades mais móveis, Danny, e manteve um lateral direito sem capacidade para dar profundidade e 1 médio eminentemente defensivo, numa fase em que os suecos pensavam sobretudo em defender. Dizer que, naquele que seria previsivelmente o período de maior assédio luso (25 minutos), Hugo Almeida praticamente não rematou e que Portugal só ameaçou de meia distância e de bola parada é o suficiente para que se perceba o impacto negativo das alterações de Queiroz.
Quem lê o que venho escrevendo na análise aos jogos sabe que sou totalmente contrário à sobrevalorização das substituições, mas neste caso parece-me que há um efeito evidentemente nefasto para as aspirações de Portugal no jogo que é, no fundo, o reflexo de uma péssima leitura do jogo por parte de Queiroz.

Situação e responsabilidades – No lançamento do jogo referi que Portugal não estava numa situação tão difícil como se pintava mas também fiz questão de realçar a importância deste jogo. O empate não retira, ainda, Portugal em definitivo do Mundial mas simplifica muito as contas para o que resta jogar. Agora sim, não há margem de erro. Tudo o que seja não ganhar todos os jogos (restam 4, se descontarmos o “passeio” com Malta) é colocar praticamente de parte toda e qualquer hipótese de apuramento. Abordarei a Selecção e Queiroz em maior detalhe nesta semana, mas avanço já que esta vem sendo uma prestação para pior de má da Selecção, que o não apuramento é uma pequena catástrofe (numa perspectiva relativa, obviamente) para o futebol português e que as responsabilidades, até pela forma vincada como fez questão de fazer um corte com o passado, devem ser prioritariamente endereçadas ao Seleccionador nacional, caso o pior mas agora provável cenário se confirmar.


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27.3.09

Portugal-Suécia: A óbvia importância de ganhar

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Contas: Joga-se muito, mesmo faltando tanto
Começo por falar das contas do apuramento. Para mim, estes cálculos são feitos a 4 no que respeita às possibilidades de qualificação, surgindo a Albânia como o ‘joker’ que, tal como antecipou Queiroz antes do empate em Braga, não tendo hipóteses de se apurar, será importante nas contas do apuramento, pelos pontos que venha a tirar aos outros 4. Basicamente, portanto, não creio que os jogos de Malta contem para o que quer que seja em termos de contas finais. A isto há que juntar ainda a hipótese real do segundo lugar servir para um playoff de acesso à África do Sul. Pesando bem as contas, percebe-se que o caminho de Portugal é, agora, bem mais estreito do que aquilo que seria desejável, mas está longe – pelo menos para já – de estar tão fechado como vejo pintar por aí.
Olhando para a classificação e calendário (“extra-Malta”) percebe-se que a importância enorme deste jogo. Uma vitória coloca Portugal em melhor posição do que a Suécia e pode, em termos psicológicos, ser um momento muito importante para inverter o “clima” actual. A pressão ficará, claramente, sobre os suecos nesse cenário, mas a situação será completamente inversa em caso de uma não-vitória portuguesa. Uma eventual derrota, então, lançará, aí sim, Portugal para um cenário catastrófico podendo não chegar, sequer, ganhar todos os restantes jogos para chegar a um segundo lugar. Em resumo diria que, sendo os cenários ainda muito amplos nesta fase, o jogo com a Suécia tem uma importância enorme, diria mesmo próxima de uma decisão, tal a diferença entre as possíveis situações resultantes deste jogo.


Opções tácticas: Ainda à espera da mobilidade ofensiva
Há 2 formas de se olhar para as opções de Queiroz. A primeira é partir de uma compreensão das opções, a segunda é tentar elaborar cenários de opinião descontextualizados com aquilo que preconiza o seleccionador. Sobre as opções de médio-longo prazo já tenho falado mas, como antevisão para este jogo em concreto, parece-me mais útil uma análise a partir das ideias de Queiroz.
A colocação de Pepe a 6 tem a ver com 2 aspectos no meu entender. O primeiro é tipo de jogo dos suecos (que será o mesmo dos Dinamarqueses quando com eles jogarmos) e o segundo é a característica dos nossos laterais. Quer Duda, quer Bosingwa, são laterais muito ofensivos, capazes de dar profundidade ao seu flanco. Pepe pode servir de compensação a esta característica, sendo paralelamente um bom recurso para garantir um equilíbrio de forças no jogo aéreo. Sobre esta estratégia tenho, no entanto, algumas reservas.
Num 4-3-3 como o de Portugal, o “motor” deve ser a zona central do meio campo. A criatividade dos jogadores e a dinâmica dos seus movimentos devem ser elementos muito relevantes do jogo, que não pode recorrentemente entrar nos extremos quando o adversário está zonalmente preparado para bloquear essas zonas. Se pensarmos nos melhores momentos de Portugal nos últimos anos encontramos sempre a criatividade de Deco ou a dinâmica e inteligência das acções de Maniche como pilares mais importantes e nunca um recorrente apelo ao 1x1 dos extremos. Aqui surge outra preocupação. É que Deco está num momento mau em termos de intensidade de jogo (apesar de ser único actualmente na Selecção) e Maniche também não tem jogado com regularidade, não tendo a utilização de Pepe o objectivo de ajudar na dinâmica ofensiva do sector.
Depois, há o trio da frente que vem, desde há muito (antes de Queiroz), padecendo do mesmo mal. A falta de mobilidade. Várias vezes tenho referido esta como uma das características fundamentais para o sucesso de um futebol que cada vez mais é um jogo de espaços. Quando o tal “motor” do meio campo não funciona, Portugal fica limitado à previsibilidade posicional do seu trio ofensivo. O 9 dá uma referência de marcação fixa aos centrais e os extremos passam a ser o elemento previsível e não surpresa do jogo nacional, não lhes sendo criadas condições para que o 1x1 possa funcionar (esta é a razão pela qual Ronaldo ou Simão não rendem o mesmo na Selecção). Os laterais ofensivos podem ser uma boa solução ofensiva mas só se for para aparecerem no espaço criado pela mobilidade dos extremos. Se estes permanecerem fixos, o apoio dos laterais não será grande solução porque aparecerão em zonas povoadas, o que favorece sempre a acção de quem defende.
Por tudo isto, considero que, mesmo não discutindo o sistema ou mesmo as individualidades escolhidas, os problemas da Selecção em termos de dinâmica colectiva se mantêm, não passando pela inclusão de Pepe ou a utilização de Duda a sua solução. Esperemos, ainda assim, por uma exibição inspirada que possa, talvez com um golo que abra o jogo, esconder estes problemas, garantindo aquilo que afinal é o mais importante nesta altura. A vitória.


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26.3.09

Suécia: O poder do colectivismo democrático

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Aproxima-se um embate potencialmente decisivo frente a Suécia. Esta é, também, uma oportunidade para olhar com um pouco mais de atenção para este país e para a história do seu futebol.
É hábito dizer-se que os nórdicos são grandes e toscos. Para começar, desvalorizar uma cultura, ou neste caso, um estilo de jogo sem antes o tentar compreender é, sobretudo, uma manifestação de falta de inteligência. Mas não é esse o ponto que pretendo abordar. O que ressalta de um olhar pela história do futebol é uma presença altamente surpreendente dos suecos nos principais palcos do futebol mundial, desde os primeiros tempos até aos mais recentes. Aliás são poucas as selecções que se poderão gabar de um melhor historial. A maioria recordará o terceiro lugar no Mundial de 1994, ou mesmo a meia final 2 anos antes, no Euro 92 jogado em sua própria casa. A verdade, porém, é que o futebol sueco terá tido um período não menos fulgurante nos anos 30, 40 e 50, com grandes resultados nas fases finais dos mundiais e, também, nos jogos Olímpicos da altura. Entre estes períodos realça-se ainda os 2 títulos do Gotemburgo na Taça Uefa nos anos oitenta e a final do Malmo na Taça dos campeões Europeus em 1979.
Tudo isto para destacar a extraordinária competência de um país que, no futebol não foge ao registo de outras áreas, onde consegue níveis de performance verdadeiramente espantosos para uma nação de apenas 9 milhões de habitantes. Aliás, os suecos, apesar de serem um país relativamente pequeno, são analisados e distinguidos pelo seu perfil de gestão e liderança, realçando-se a forma invulgarmente democrática e aberta como se relacionam em praticamente todas as áreas (no futebol um exemplo evidente desta característica foi a co-existência de 2 treinadores à frente da selecção entre 2000 e 2004). Este é um aspecto que pode ser particularmente relevante para o futebol em particular. É que a mentalidade sueca, ao contrário da britânica ou americana que fazem escola na maior parte do mundo, é baseada no colectivismo e não no individualismo. Esta opção poderá justificar o sucesso de tantas equipas suecas sem que, paralelamente, se reconheça nos suecos individualidades de particular destaque (na Ballon d’Or, nunca nenhum sueco conseguiu, sequer, um terceiro lugar!).
Esta análise serve também de aviso e alerta para o momento actual da selecção sueca e, em particular, para o jogo de Sábado. Com uma selecção longe de ter o talento individual de outros tempos e privada da sua principal individualidade por castigo, os suecos podem parecer um adversário bem mais fácil do que realmente serão. A sua força, como facilmente se percebe, nunca teve como pilar principal as individualidades mas sim a capacidade de organização colectiva. Para Portugal deve sobrar a certeza de que no Sábado a surpresa acontecerá se a vitória for fácil e não o contrário.

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13.10.08

Suécia - Portugal - Entre o bom e o mau

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Razoável– Bom ou mau são apreciações relativas que dependem das circunstâncias. É verdade que empatar na Suécia, ou melhor em casa a um adversário directo para o apuramento, é, à partida, um bom resultado, mas, neste caso, “bom” parece-me uma classificação excessiva. Primeiro, porque o empate apenas dá boas condições a Portugal para vencer no confronto directo com a Suécia, mas não representa forçosamente a recuperação do terreno perdido para a Dinamarca. Depois porque, muito objectivamente, Portugal é superior a esta Suécia. É claro que o factor casa tem um peso relevante, sobretudo em confrontos internacionais, e que a diferença de valores não é tão grande ao ponto de se tornar “obrigatória” a vitória. A apreciação que faço, no entanto, leva-me a concluir que Portugal apenas poderia ter trazido um resultado realmente “bom” da Suécia se tivesse feito também um “bom” jogo para as suas potencialidades. O que aconteceu foi apenas “razoável” e essa é também a classificação que deve ser dada a este resultado.

As estratégias – Em relação às antevisões que havia feito, houve apenas 1 diferença nas duas equipas. A presença de Hugo Almeida. A Suécia confirmou a mudança de sistema, com o regresso ao 4-4-2, mas a manutenção dos princípios, particularmente a anunciada intenção de ter sempre os avançados como referência prioritária para o seu jogo ofensivo, recorrendo muitas vezes mesmo a uma abordagem directa. Portugal, por seu lado, apresentou-se com Meira estrategicamente utilizado à frente da defesa, mas com Hugo Almeida a fazer de 9. Se no caso de Meira, julgo tratar-se de uma leitura inteligente de Queiroz que teve efeitos positivos na partida, a presença de Hugo Almeida não me parece ter sido tão benéfica. Este era um jogo em que Portugal poderia – como se verificou – usar a transição como principal arma ofensiva. Portugal utilizou Ronaldo muitas vezes como referência para esse momento, sobretudo sobre o corredor central, e creio que um jogador como Hugo Almeida, pelas suas características, não terá sido a melhor solução para este jogo. Um elemento com a mobilidade de Danny teria sido, parece-me, mais útil e teria dado outra imprevisibilidade ao ataque. São leituras que já havia aqui deixado antes do jogo e que saem reforçadas depois deste.

O bom – Deste jogo, na sua globalidade, destacaria dois aspectos em que Portugal esteve particularmente bem. O primeiro deriva da tal leitura correctamente feita por Queiroz ao colocar Meira à frente da defesa. Portugal não “secou” o ataque sueco mas conseguiu neutralizar a tal intenção de fazer dos avançados uma referência para a construção. Apenas no final, com o remate de Ibrahimovic, os suecos tiraram partido dessa sua solução ofensiva, tendo Meira (juntamente com os centrais) tido um papel preponderante nesse aspecto. Este tipo de solução é usualmente sujeita a algum preconceito por parte de adeptos e critica (se tivesse perdido, sei bem o que se diria...), mas este é um bom exemplo de como a sua utilização em certas circunstâncias pode ser benéfica.
O outro aspecto são as bolas paradas. Depois de ter sido eliminada do Euro e punida pela Dinamarca em lances de bola parada, Portugal passou num teste dificílimo nesta matéria. Os suecos usufruíram de diversos cantos, livres e mesmo lançamentos, onde são particularmente fortes. Portugal respondeu, finalmente, ao nível da qualidade que se lhe reconhece noutros aspectos do jogo. Aqui creio que a inclusão de Meira e Almeida terá sido importante (embora me pareça excessivo optar por avançado por este motivo em particular). Um bom sinal para podermos finalmente exorcizar este fantasma que vem assombrando a Selecção.

O mau – Controlando a zona que os suecos privilegiam para as suas acções ofensivas, Portugal tinha tudo para arrancar uma grande exibição. Mas não fez, sobretudo no primeiro tempo. Aponto, essencialmente 2 aspectos para o sucedido.
O primeiro, em termos defensivos. Portugal não fez uma boa pressão durante grande parte do jogo, nomeadamente na primeira parte. Os suecos saíam invariavelmente a jogar pelos centrais que iam trocando bolas entre si, num movimento previsível e que dava todas as condições para ser mais apertado. Não o foi e muitas vezes os suecos foram conseguindo ter a bola demasiado tempo, empurrando Portugal para zonas demasiado apertadas. Com Portugal a proteger bem o corredor central, foi pelas alas que se construíram as melhores ocasiões suecas, algo que facilmente poderia ter sido evitado porque não é esse o ponto forte do jogo sueco.
O segundo aspecto diz respeito à posse de bola. No primeiro tempo chegou a ser constrangedora a lentidão com que Portugal organizava o seu jogo, demorando muito a soltar a bola e dando oportunidade a que os suecos – sem fazer um pressing muito agressivo – conseguissem reduzir progressivamente as linhas de passe. A esta lentidão acresce ainda alguma desinspiração de alguns jogadores ao nível do passe, cometendo erros que permitiam à Suécia recuperar precocemente a bola. Este foi um problema que condicionou muito a exibição da primeira parte e que melhorou substancialmente na segunda onde, também, houve uma crescente perda de qualidade e concentração da Suécia, resultando nuns segundos 45 minutos bem mais conseguidos por parte dos portugueses.

Individualidades – Faço 4 destaques para além da já referenciada importância de Meira. Quim teve uma exibição positiva num jogo muito complicado para as suas características. Pepe foi, mais uma vez, excelente (terá ganho praticamente todos os duelos com Ibrahimovic). Meireles fez, provavelmente, o pior jogo que me lembro nele, com um número de passes errados anormal em si. Ronaldo regressou com uma exibição muito boa (pareceu mais maduro), embora em termos defensivos tenha sido muitas vezes um dos responsáveis pela tal menor capacidade do pressing.

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10.10.08

Suécia - Portugal: Esperam-se novidades

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Afinal... – Queiroz chegou prometendo mudanças em vários aspectos. Mudar metodologias e mesmo capacidade de definição de estratégia táctica era para mim essencial nesta fase, sendo estes aspectos em que se poderia ganhar em relação a Scolari. Mas Queiroz foi mais longe. À chegada ousou beliscar (ou mais do que isso) aquele que é reconhecidamente o ponto forte de Scolari, a gestão do grupo. Obviamente que não entro em criticas precoces em relação ao trabalho global de Queiroz, mas há algo que não posso deixar de notar. Queiroz referiu que, a partir de agora, seriam chamados os que estivessem melhor. Ora, se assim é porque ficou de fora Postiga quando vem jogando à frente de Yannick no Sporting, ou foi convocado Hugo Almeida que tem apenas 35 minutos jogados desde o último Portugal – Dinamarca?
Não tenho nada contra a preferência por alguns jogadores e, até, me revejo muito mais numa abordagem mais próxima da de Scolari (que foi, afinal, um dos grandes alicerces para a união do grupo tantas vezes realçada). O erro de Queiroz esteve sobretudo nessa declaração de intenções pouco simpática para o passado e algo irrealista para o futuro. Como era previsível, depressa se tornou incoerente.
Ronaldo e o ataque – Queiroz prometeu Ronaldo como avançado. Até aqui a estrela do United esteve fora dos planos do seleccionador mas regressa frente à Suécia e a questão que se coloca é se Queiroz vai realmente mudar o ataque com a presença de Ronaldo. Em hipótese poderá estar, não só a simples colocação de Ronaldo a 9 na habitual estrutura, mas mesmo alguma revisão na mesma. Quanto a mim, mantenho o que venho dizendo desde a preparação para o Euro. É fundamental que Portugal tire partido daquela que será, previsivelmente, a sua principal figura nos próximos tempos. Do rendimento de Ronaldo dependerá, em meu entender, grande parte das hipóteses de sucesso desta nova etapa da Selecção.
Um elemento importante aqui pode ser Danny. Um exemplo de um excelente aproveitamento de Ronaldo surge, obviamente, no United, onde a mobilidade de Rooney, Tevez e, agora, Berbatov são o complemento ideal para o perfil de Ronaldo. Danny pode aparecer em funções semelhantes às de Rooney no United, alternando com Ronaldo entre o meio e a ala, permitindo que este tenha maior liberdade táctica para surgir em zonas centrais. Para confirmar...

Posição 6 – Outra das promessas deixadas para a era Queiroz é a preparação dos jogos e um estudo mais meticuloso dos adversários. Ora, isto pressupõe uma adaptação estratégica mais orientada para essa análise que é feita e, frente à Suécia, poderemos estar perante a primeira grande evidência dessa nova abordagem do seleccionador. Meira tem sido testado para jogar à frente da defesa e tal opção não é de estranhar. Como descrevi na análise que deixei à Suécia, há da parte deste adversário de Portugal uma intenção de jogar directamente para os ponta de lança. Esta estratégia de jogo aconselha, mais do que nunca, a utilização de um jogador mais fixo à frente dos centrais que possa criar superioridade nessa zona central, quer na abordagem a esses lançamentos mais directos, quer, depois, na disputa de segundas bolas. Para mim faz todo sentido a utilização de um jogador com as características de Meira que tem, depois, outra vantagem muito relevante que é a capacidade aérea que acrescenta aos lances de bola parada – outra das armas dos suecos.
Sobre a restante composição do meio campo, parece-me que, sem Deco, faz todo sentido apostar numa dupla mais simétrica, aproveitando a dinâmica e qualidade de Moutinho e Meireles, para mim, claramente os melhores médios disponíveis nesta altura.

Suécia – Sobre a Suécia já aqui escrevi ontem, deixando um perfil do que tem sido a sua evolução recente. Como referi, as más exibições suecas devem ser vistas com alguma desconfiança por Portugal, já que os jogos serão diferentes, particularmente ao nível da motivação e concentração.
Outra nuance a antever é a possibilidade de alteração da estrutura, sobretudo tendo em conta as dificuldades que os suecos denotaram em garantir uma boa capacidade defensiva em toda a largura do campo. Ainda assim, em 3-5-2 ou 4-4-2, os princípios não devem mudar...

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9.10.08

Suécia: Uma boa altura para visitar...

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A visita à Suécia já era um dos pontos cruciais do mapa de jogos da Selecção no caminho para o Mundial mas, após o impensável final de jogo frente à Dinamarca, esta tornou-se uma partida com contornos de ainda maior importância. Nesta deslocação Portugal vai encontrar uma selecção que também não teve um bom inicio na fase de apuramento, não só pelo empate na Albânia, mas sobretudo pela fraca qualidade exibicional que vem revelando no pós Euro 2008.
Na Suécia, a grande curiosidade ao nível táctico é, no momento, a “migração” de sistema que Lagerback vem tentando implementar no pós-Euro. Do 4-4-2 (ora clássico, ora em losango), Lagerback passou para o 3-5-2, mas a verdade é que a formação sueca não tem agradado muito nestes primeiros jogos. Para além do empate com a Albânia, a Suécia venceu a Húngria em casa mas, apesar dos 3 pontos, a exibição deixou muito a desejar.
Portugal poderá, por isso, encarar este adversário com algum optimismo, mas tendo igualmente a certeza de que a Suécia se poderá apresentar bem diferente do que foi até aqui. Primeiro, porque a motivação e entrega mental dos jogadores é muito superior e, segundo, porque é possível - até provável – que Lagerback faça algumas revisões na sua estratégia perante um adversário mais forte como é Portugal.

Sistema táctico e opções
Como foi referido, Lagerback vem utilizando um 3-5-2 ao qual aparenta querer manter-se fiél. Do onze titular frente à Húngria, há a certeza de não poder contar com o cotado Melberg (Juventus) e o veterano Henrik Larsson, que se juntam a Linderoth (Galatasaray) e Wilhelmssson (Al Hilal) como ausências de peso. Em sentido contrário está Johan Elmander (Bolton) que parece poder tornar-se cada vez mais numa das figuras de maior relevo do futebol sueco e que não jogou nos últimos encontros. Elmander poderá jogar na frente ou, então, ser opção para o meio campo, no caso de Lagerback pretender alterar o figurino táctico, regressando ao um 4-4-2 que apresentou no Euro 2008.
Nas opções mais recentes, destaque para o central Majstorovic (AEK) que jogou o ano passado frente ao Sporting pelo Basileia, para a colocação de Mikael Nilsson a ala direito, ele que é um lateral esquerdo no Panathinaikos, e para a titularidade dada ao médio Samuel Holmen (Brondby) sobre a esquerda, quando este é normalmente um médio mais central.

Como defende?
Um dos principais pontos a realçar nos últimos jogos da Suécia – particularmente frente à Húngria – são as dificuldades defensivas da equipa. Há aqui uma ligação entre essas fragilidades e a adopção do 3-5-2. É que a Suécia revela problemas em conseguir um controlo eficaz da largura da sua linha mais recuada, com evidencia para o flanco esquerdo, onde Holmen concede muito espaço nas suas costas. Neste particular, há uma manifesta diferença entre Holmen e Nilsson, com este último a ser menos participativo ofensivamente mas a revelar maior capacidade defensiva. Afinal, diferenças que surgem da própria natureza das funções exercidas por estes jogadores ao nível de clubes.
De resto, a Suécia opta por não arriscar muito no adiantamento das suas linhas, deixando um pressing mais alto para as situações identificadas pelos 2 avançados e preferindo resguardar-se num bloco mais baixo perante a organização adversária.
Nota para as bolas paradas. Esta é uma equipa muito alta e forte no jogo aéreo. Do Euro surge ainda a alteração para uma marcação zonal nos cantos, mas é uma zona aparentemente pouco reactiva e algo estática, podendo ser surpreendida. Esta é, claro, apenas uma ideia do que se viu nestes jogos, mas poderá estar aqui uma oportunidade que Queiroz poderá tentar explorar.

Como ataca?
A referência do jogo ofensivo da Suécia é a mais evidente: os avançados. Estes são solicitados de forma directa em construção, com o meio campo a trabalhar muito pouco as jogadas. Quer Larsson (que não vai jogar), quer Ibrahimovic são muito fortes nestas primeiras bolas e, apesar de não haver grande qualidade nesta forma de jogar, é verdade que quando a bola entra na zona à frente dos centrais, seja pelo ar, seja pelo chão, a Suécia torna-se uma ameaça. Pela qualidade dos seus avançados, que combinam e encontram soluções de finalização com muita facilidade, e também pela acção desequilibradora de Kallstrom que é um jogador crucial nesta estratégia e que surge muito bem na zona de finalização, tirando partido da sua boa capacidade finalizadora. O flanquemento de jogo surge quase exclusivamente numa segunda fase do ataque, com destaque para os movimentos sem bola de Holmen que aparece muito bem nas costas do lateral em situações em que a bola vem desde o flanco oposto. Quando consegue ter bola no segundo terço de campo (nomeadamente em transição ou a partir de segundas bolas), a Suécia é muito rápida e objectiva na sua troca de bolas, contando com o aparecimento de vários jogadores que desequilibram aparecendo vindos de trás.
Outro destaque evidente e muito importante são as bolas paradas. Há muitos e bons jogadores no espaço aéreo. O passado recente justifica, só por si, muito trabalho neste campo, mas a Suécia parece ser motivo de preocupação extra.

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10.5.07

O "making of" da "letra" de Vasquez...

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Ontem trouxe aqui o já famoso vídeo do jovem Andres Vasquez de "letra" fora da área. Foi opinião comum que se terá tratado de uma acaso. Pois bem, embora continue sem perceber sueco, parece-me que a versão do jogador é outra... Surgiu, entretanto, este vídeo com uma reportagem onde o jogador demonstra como fez aquele gesto (esperem até ao minuto 1,30 do vídeo).
Por mim, mantenho as dúvidas quanto à intencionalidade (não quanto à capacidade para o fazer). Ainda assim, uma coisa é certa: com 20 anos ainda por completar, Andres Vasquez pode ter conquistado aqui o seu "trampolim" para uma oportunidade que dificilmente teria sem este feito...

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