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19.6.10

Diário de 'Soccer City' (#10)

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E o Mundial que não pára de surpreender! Depois da Espanha, depois da França, e no mesmo dia, Alemanha e Inglaterra dão passos atrás numa qualificação que à partida parecia adquirida. Dois casos distintos, é certo, mas em qualquer dos cenários estamos perante candidatos reais a disputar a fase terminal da competição. De qualquer forma, não deixa de ser interessante equacionar o que poderá ser desta competição se todos estes "pesos pesados" fossem já eliminados...

Difícil dizer quem está em piores condições, mas no que respeita ao futebol propriamente dito, parece-me evidente ser menos preocupante o caso alemão. A derrota foi altamente condicionada por uma série de factores e dá até para dizer que a Alemanha teve uma boa reacção a todas as adversidades. Apesar disso de nada lhe ter valido. De novo em destaque a boa movimentação com bola e a segurança da posse. De novo, também, a importância de 2 elementos centrais no jogo da equipa. Schweinsteiger e Ozil. O primeiro claramente como “pivot” de todo o jogo da equipa, oferecendo permanentes apoios à posse e jogando sempre seguro. Importante – muito importante! – também o seu papel na transição ataque-defesa. O segundo, Ozil, é de facto a fonte de criatividade e imprevisibilidade do jogo alemão. Não apenas pelo que faz com bola, mas pela movimentação que assume ao longo dos espaços. Não espanta que sem ele em campo a Alemanha não tenha marcado um único golo nos 2 jogos e, aliás, parece-me que as suas substituições coincidem com uma quebra na produtividade ofensiva da equipa.

Mas se a Alemanha perdeu, perdeu também porque jogou frente a uma das mais homogéneas selecções do torneio. Em termos individuais, isto é. Não consigo dar grande mérito colectivo à Sérvia. Pressionou alto, mas normalmente mal e com bola pouco mais fez do que recorrer a Zigic como plano concreto para chegar à frente. O que acontece é que a densidade da equipa na linha média e sua qualidade individual fazem da Sérvia uma equipa, primeiro difícil de bater pela capacidade de sofrimento que tem no último terço e, depois, capaz de criar desequilíbrios através das boas individualidades que tem em todos os sectores.

Finalmente, a Inglaterra. Uma desilusão a sua qualidade. Demasiados erros individuais, exibições desinspiradas e colectivamente um futebol pouco ligado, com muito espaço entre jogadores e sectores, que impede uma fluidez mais constante. Há ainda, para além de tudo isto, alguns aspectos tácticos que julgo merecer revisão. A ideia de Gerrard partir da esquerda não é má. É, aliás, na movimentação interior do 4 inglês que reside a maior fonte de desequilíbrios da equipa. Aí e no pressing que Capello fez questão em implementar à sua equipa. Mas, depois, há alguma distância entre sectores, com a equipa a preferir baixar a sua linha recuada a mantê-la alta para aproximar o conjunto. Não se vê a razão de ter de actuar com 2 avançados quando, claramente, Heskey não tem andamento para os objectivos que estão propostos ao colectivo. Mais, parece muito mais útil um modelo com um avançado e que potencie os movimentos de Lampard e Gerrard na zona de finalização do que este, que distancia sectores e não tira qualquer partido das duas unidades da frente.

Dizia-me alguém que com Capello eles vão fazer um mundial “the italian way”. Não convencer no inicio, sofrer, e depois embalar para uma prestação em crescendo. Bom, as duas primeiras partes deste “plano” estão confirmadas...



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20.5.10

Radosav Petrovic: o perfil do alvo do Sporting

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Radoslav Petrovic é o jogador do momento na imprensa portuguesa. Um médio de 21 anos que explodiu este ano na liga Sérvia. Para conhecer melhor de que jogador estamos a falar, proponho uma detalhada observação a 2 jogos. Precisamente os fervorosos “derbis” frente ao Estrela Vermelha. Partidas em que Petrovic saiu como herói, marcando e desequilibrando, mas que, também deixaram bem patente o tipo de jogador que é. Aqui fica o meu balanço...

O crescimento do mediatismo de Petrovic, não tenho dúvidas, tem a ver com o considerável número de golos que marcou. Petrovic tem um bom pontapé – que raramente utiliza – e uma estatura (mais de 1,90m) que lhe permite ser uma ameaça nas bolas paradas. A verdade, porém, é que Petrovic não é um provável marcador de golos. É, isso sim, um jogador posicional, inteligente e seguro nas suas abordagens (aliás como o provam os números de % de passe). Mas é também um jogador de pouca vocação criativa e com pouca velocidade de deslocamento, o que o torna pouco confortável numa função de “box-to-box”, como tem sido definido nas recentes descrições feitas na imprensa.


Em suma, as indicações de Petrovic deixam pouca margem para responsabilidades mais ofensivas. Pela sua idade, simplicidade e cultura posicional poderá evoluir positivamente como médio defensivo, mas, na hipótese do seu futuro passar pelo Sporting, terá de concorrer com Pedro Mendes e André Santos, o que não se adivinha fácil.

É por tudo isto que não se percebe totalmente qual o alcance desta aquisição. Ou seja, qual o seu enquadramento nas necessidades do plantel. Algo que teremos de aguardar para perceber. Isso e o preço, claro...



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3.5.08

História do Europeu - Jugoslávia 1976

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Enquadramento Futebol Português
Em 1976, o Benfica conquistava o segundo título do último tri campeonato da sua história. Pela mão do carismático Mario Wilson, que abandonaria o comando técnico dos encarnados no final dessa época para dar lugar à primeira passagem de John Mortimore pela Luz. Na equipa do Benfica estavam nomes como José Henrique, Vitor Baptista, Shéu, Toni ou Nené. Mas o destaque vai para dois homens. Chalana que com apenas 17 anos chegava ao Benfica, vindo do Barreirense, e Jordão, melhor marcador com 30 golos, o que justificou o interesse e a contratação por parte do Saragoça no avançado.
Ao triunfo do Benfica, juntou-se uma época desastrada de Sporting e FC Porto. No caso do Sporting, o pior resultado de sempre no campeonato, 5º lugar, o que lhe valeu a primeira ausência da Europa em 76/77. Na equipa de Juca, a nota positiva vai para os 26 golos do estreante Manuel Fernandes, chegado da CUF. No Porto, o 4º lugar foi particularmente amargo, por ter sido ficado, inclusive, atrás do seu rival da cidade, o Boavista. Nos dragões, no entanto, este seria o último 4º lugar até aos dias que correm, e a época de viragem estava prestes a começar. António Oliveira já era o artista nas Antas, que serviu de apoio à melhor época do goleador Peruano Cubillas no clube (28 golos). Cubillas não voltaria a repetir tamanho exito em Portugal e a época seguinte abriria o ciclo de um novo goleador azul e branco: Fernando Gomes (tinha 20 anos em 1976).
Tal como acontecera em 1972, é obrigatório falar de um clube de menor dimensão, neste caso, o Boavista. A coincidência entre o Boavista de 76 e o Setúbal de 72 está num nome: José Maria Pedroto. Pedroto, com João Alves entre os seus jogadores, foi o timoneiro da equipa que ficaria conhecida como “Boavistão”, pelo 2ºlugar conseguido 2 finais da Taça seguidas, culminando com a vitória na prova precisamente em 1976, batendo o Guimarães por 2-1. No final dessa época, Pedroto daria mais um passo para marcar o futebol português, transferindo-se para o FC Porto e criando as bases, não só para interromper o longo jejum de campeonatos em 1979, como para iniciar um novo ciclo no futebol português, que Pinto da Costa e FC Porto se encarregariam de prolongar até aos dias de hoje.
Nota final para a representação fraca dos clubes portugueses nas provas europeias, sem grandes brilharetes para registo. Aliás, a década de 70 seria uma das piores em termos de representação nacional na Europa.

Enquadramento do Futebol Europeu
No futebol europeu, 1976 marcou o último dos 3 títulos conseguidos pelo Bayern Munique na Taça dos Campeões. A Europa do futebol, aliás, entrava num período de domínio Anglo-Germânico em termos de competições europeias. Em Inglaterra, o principal destaque vai, claramente, para ascenção do Liverpool. Os “Reds” entraram nos anos 60 no segundo escalão do futebol, mas a contratação do “Boss” Bill Shankly revelou-se determinante. Shankly, não só devolveu o clube ao primeiro escalão, como o colocou rapidamente como principal emblema do país vencendo o título em 64 e repetindo-o em 73, quando juntaria uma Taça Uefa. Shankly abandonaria em 74, tendo criado as bases para aquele que foi o mais bem sucedido dos treinadores que Anfield alguma vez viu: Bob Paisley. Paisley conseguiu ultrapassar o fantasma de Shankly e ganharia 6 campeonatos, 1 Taça Uefa e 3 Taças dos campeões Europeus. Paisley foi regenerando a equipa que herdou de Shankly e, sempre no seu 4-4-2, encontrou figuras emblemáticas do clube como os Hansen, Thompson, Souness e Dalglish.
Na Alemanha, nota para o Monchengladbach, finalista em 77 da Taça dos Campeões Europeus e vencedor da Uefa em 75 e 79. O Borussia foi o grande rival interno do poderoso Bayern de Beckenbauer e conseguiu mesmo mais títulos do que os bávaros nos anos 70 (5 contra 3). Nesta rivalidade, destaca-se o nome de um treinador: Udo Lattek. Lattek começou por estar ligado à Selecção Alemã, como treinador adjunto de Schoen em 66. Em 1970 foi aconselhado por Beckenbauer para treinador do Bayern, causando alguma controvérsia a sua falta de experiência. Mas a qualidade, como sempre, é o principal factor de sucesso de um treinador, e Lattek levou o clube a 3 campeonatos e uma Taça dos Campeões Europeus. Em 1975, no entanto, o Bayern precipitar-se-ia ao dispensar o treinador no seguimento de uma crise interna. O clube seria campeão europeu mais 2 anos sob o comando Dettmar Cramer, mas não voltaria a ser campeão até 1980. Lattek, por seu lado, serviu fria a vingança, transferindo-se para o Monchengladbach, onde conquistaria 2 campeonatos (76 e 77), chegaria a uma final da Taça dos Campeões Europeus (77) e conquistaria uma Taça Uefa (79). Lattek voltaria mais tarde ao Bayern para ser o protagonista de mais uma época de sucesso dos bávaros, agora nos anos 80. 3 Bundesliga e 2 Taças em 4 anos marcaram o sucesso desta passagem, apenas amargurada pela final perdida em 1987 para o FC Porto. Lattek é, a par de Trapattoni, o único treinador que, até hoje, venceu os 3 troféus Europeus, tendo-o conseguido por 3 clubes distintos (Bayern Munique, Monchengladbach e Barcelona). Feito que, dada a extinção da Taça das Taças, se torna muito difícil de igualar.

Qualificação
A fase de qualificação para o Euro 76 não foi das mais surpreendentes. Afinal, Checoslováquia, Alemanha Ocidental, Jugoslávia e Holanda eram das mais fortes Selecções do contexto europeu da altura.
Ainda assim, na fase de grupos, destaque para a eliminação da Inglaterra que foi segunda no grupo ganho pela Checoslováquia e onde constava ainda Portugal. Os ingleses, dominadores do panorama europeu de clubes passavam por uma década negra no que respeita a grandes competições, falhando igualmente as presenças nos mundiais de 74 e 78. Os ingleses lamentar-se-ão dos dois empates concedidos frente a Portugal (particularmente o 0-0 de Wembley), bem como da derrota em Bratislava por 2-1, depois de terem começado a vencer por 0-1 num jogo que durou 2 dias devido ao nevoeiro.
Outro grupo que importa destacar é da Holanda, Polónia e Itália, com os holandeses a levar a melhor. Em segundo ficou uma forte formação polaca (que havia sido terceira classificada em 74), enquanto que a Itália ficou-se pelo terceiro lugar, apesar de ter derrotado os holandeses em Roma com um golo solitário de Capello.
Nos quartos de final que definiram os 4 finalistas da prova, a Checoslováquia derrotou a formação com mais tradição até aqui em fases finais de Europeus, a União Soviética. Uma vitória em Bratislava (2-0) e um difícil empate em Kiev (2-2), carimbaram o passaporte para aquela que seria a mais gloriosa página do futebol Checoslovaco. A Jugoslávia, que seria anfitriã da prova, eliminou o País de Gales com um concludente 3-1 no total dos dois jogos. Mas as eliminatórias mais interessantes foram as outras duas... Num duelo de campeões europeus, a Alemanha Ocidental confirmou o seu momento de superioridade em relação à Espanha. Santillana deu vantagem aos Espanhóis em Madrid, mas o golo de Beer no segundo tempo determinou um muito positivo empate a uma bola (Vídeo) com que os germânicos encararam o jogo decisivo no estádio Olímpico de Munique. Aí, os alemães foram superiores, vencendo por 2-0. Nos países baixos disputou-se mais um acesso aos 4 finalistas. Numa espécie de maldição que impediu uma muito interessante formação belga de estar presente nas grandes competições do final dos anos 70, a Holanda foi mais uma vez o carrásco dos seus vizinhos e rivais. Algo que já acontecera na qualificação para o Mundial de 74 e que se repetiria no acesso ao Argentina 78. Nesta eliminatória a superioridade holandesa foi inequívoca. 5-0 na banheira de Roterdão e 1-2 em Heysel. Destaque para o hat-trick de Rensenbrink, um holandês que fez a sua carreira por clubes belgas, particularmente no Anderlecht onde foi ídolo (aliás foi o melhor jogador do campeonato belga nesse ano).
Nota, finalmente, para a prestação portuguesa. Uma selecção onde pontificavam Damas, Humberto Coelho, Nené, Toni, Octávio, Vitor Baptista ou João Alves, confirmava aquilo que também se passava ao nível de clubes na década de 70: uma grande incapacidade de afirmação internacional. Os portugueses até começaram de forma prometedora com um empate a zero em Wembley. Mas a ilusão começou a desfazer-se no jogo seguinte com a derrocada (5-0) em Praga. Os portugueses apenas conseguiriam vencer a mais fraca formação do grupo, o Chipre, ficando pelo terceiro lugar, atrás de Checoslováquia e Inglaterra.

Fase Final
Tendo palco as cidades de Zagreb e Belgrado, esta prova ficou marcada pelo enorme equilíbrio entre as formações, sendo que nos 4 jogos disputados houve lugar a prolongamento. Na primeira meia final, em Zagreb, houve um protagonista especial: Anton Ondrus. O capitão da Checoslováquia começou por ser decisivo ao dar a vantagem à sua formação ainda no primeiro tempo, mas já perto final foi o próprio Ondrus a marcar na própria baliza, originando o empate holandês que forçou o prolongamento. Nos 30 minutos suplementares, os checoslovacos garantiriam um lugar na final. A equipa da casa actuou em Belgrado frente à detentora do título e poderosa Alemanha Ocidental. O inicio de jogo prometia uma noite gloriosa para os anfitriões. Ao intervalo venciam por 2-0 com golos de Popivoda e Dzajic. Flohe reduziu à entrada da última meia hora, mas o minuto mais importante na história deste jogo é o 79’. Um tal de Muller, que não o famoso Gerd, entrou para o lugar de Wimmer e 3 minutos depois empatou, levando o jogo para prolongamento. Aí Dieter Muller tornou-se numa das estrelas da competição, marcando 2 golos que colocaram a Alemanha Ocidental na final da prova.
Um dia depois da Jugoslávia ter desperdiçado no prolongamento o esforço da recuperação que anulou os dois golos que os holandeses conseguiram de vantagem no inicio do jogo, disputou-se em Belgrado a final da competição. Pela terceira vez em quatro jogos, registou-se um empate a 2 no final dos 90 minutos, com Muller a marcar mais um golo e os alemães a conseguirem evitar a derrota no minuto 89. Só que desta vez o prolongamento não teve golos e, pela primeira vez na história da competição, a decisão teve de ser feita por penaltis. Todos converteram, até que Hoeness falhou oitava cobrança, colocando nos pés de Panenka a possibilidade de garantir a conquista da competição. Perante o categorizado Sepp Maier, Antonín Panenka protagonizou um dos momentos mais memoráveis da história do futebol, iludindo o guardião germânico e dando a vitória à Checoslováquia com uma execução que se encarregaria de imortalizar o seu nome: o penalti “à Panenka”.

Meias finais
Checoslováquia 3-1 Holanda (1-1 no final dos 90 minutos) (Vídeo Parte1 e Parte2)
Jugoslávia 2-4 Alemanha Ocidental (2-2 no final dos 90 minutos)
3º/4º Lugar
Holanda 3-2 Jugoslávia (2-2 no final dos 90 minutos)
Final
Checoslováquia *2-2 Alemanha Ocidental ((2-2 no final dos 90 minutos e 5-3 nas grandes penalidades)

Equipas

Checoslováquia (Campeã)
Orientada por Vavlav Jezek, a Selecção Checoslovaca tinha credenciais de respeito no futebol europeu, nem que fosse pelo comportamento na qualificação, onde deixou para trás a Inglaterra e União Soviética. No entanto, esta Selecção que falhou os mundiais de 74 e 78 às custas da Escócia estava longe de se constituir como um candidato à vitória final. A nível de clubes, o Slovan Bratislava vivia os seus tempos aureos depois de ter conquistado uma Taça das Taças em 69 e alguns campeonatos durante o inicio da década de 70. Precisamente o Slovan era o principal fornecedor de jogadores para esta Selecção. Na formação que iniciou a final 6 jogadores eram do Slovan, sendo estes sobretudo representantes do sector defensivo.

Alemanha Ocidental
Helmut Schoen comandou a única selecção a entrar numa fase final de um Europeu como campeã Europeia e Mundial em título. Uma boa parte da equipa fazia parte do elenco que triunfara em 72, mas também houve várias ausências. Da Selecção que entrou na final, Maier, Schwarzenbeck, Beckenbauer, Wimmer e Hoeness repetiram a titularidade de 4 anos antes. No conjunto de jogadores escolhidos por Schoen, havia agora muito mais diversidade de clubes de origem, com o Bayern de Munique e Monchengladbach a serem, sem surpresa, os maiores representantes com 4 jogadores. Esta final representa a última em grandes competições para uma geração de jogadores como Beckenbauer, Hoeness ou Maier. Nomes como Gerd Muller ou Paul Breitner não figuraram neste Europeu por terem decidido deixar de representar a Selecção, apesar de continuarem bem activos nos seus clubes. No caso de Muller, foi uma decisão sem retorno, mas Breitner (que em 76 tinha apenas 25 anos) regressaria mais tarde à Selecção para jogar o Mundial de 82.

Holanda
George Knobel
foi o sucessor de Rinus Michels após o Mundial de 74. O seu primeiro teste foi comandar esta equipa de estrelas no Euro 76 e, se se pode dizer que não desiludiu na qualificação, o mesmo não se pode dizer da fase final. Esperava-se a qualificação da Holanda para a final, numa hipotética repetição da final do Mundial 2 anos antes. A Checoslováquia, no entanto, foi um adversário que se mostrou à altura desta potencia mundial da altura, e na vitória no playoff para o terceiro lugar já não jogaram figuras como Cruijff, Neeskens e Rep. Esta foi a primeira Selecção de um Europeu a ter um conjunto de estrelas a actuar fora do seu país: No Barcelona, Johan Neeskens e Johan Cruijff, no Valencia, Johnny Rep e no Anderlecht Rensenbrink. Nota para a realidade da altura no futebol Holandês. Os tradicionais gigantes, Feyenoord e Ajax viviam períodos baixos depois de gloriosas equipas, com destaque para a saída das estrelas do Ajax que conquistaram o tri campeonato europeu. Na Holanda vivia-se uma experiência nova mas que se repetiria diversas vezes após os anos oitenta: uma fase de domínio do PSV. Nos de Eindhoven, destaque para uma dupla de gémeos que fez história também nos Mundiais de 74 e 78: os médios René e Willy Van de Kerkhof.

Jugoslávia
Uma das decisões que talvez pudesse ter ajudado a equipa Jugoslava seria escolher Split como cidade anfitriã. É que, apesar do campeão em 76 ter sido o Partizan, o Hajduk Split vivera tempos de domínio no futebol Jugoslavo do inicio da década e Ante Mladinic escolhera para o seu elenco sobretudo jogadores do Split, 6 deles com honras de titularidade. Aqui, importa lembrar que Mladinic era, ele próprio, croata e ex-jogador do Hajduk, não se sabendo até que ponto a rivalidade com os Sérvios e os clubes de Belgrado condicionaria as suas opções. Na Selecção Jugoslava, destacam-se ainda alguns jogadores que actuavam em clubes estrangeiros. Katalinski (Nice), Popivoda (Eintracht Braunschweig), Oblak (Schalke 04) e Dragan Dzajic (Bastia).

Estrelas
Ivo Viktor (Checoslováquia) – Fica ligado à história desta competição por uma memorável exibição frente à Holanda nas meias finais. Era já veterano, com 34 anos, e havia passado a carreira “escondido” no Brno e Dukla Praga, mas em 1976 a Europa ficou convencida com as suas exibições, ao ponto de ter sido terceiro na eleição para Bola de Ouro da France Football nesse ano.

Anton Ondrus (Checoslováquia) – Central do Slovan de Bratislava e capitão da selecção vencedora, ainda que não fosse o mais experiente dos seus elementos. Ondrus fica marcado pela peculiaridade de ter marcado os dois golos do tempo regulamentar frente à Holanda na meia final, só que um em cada baliza. De resto teve uma actuação que revelou as suas potencialidades, nomeadamente no jogo aéreo.

Antonin Panenka (Checoslováquia) – Naturalmente a figura da prova, por aquele gesto mitico que fica gravado na história do futebol como qualquer grande momento de Maradona ou Pelé. Sobre o penalti, Panenka confessou tratar-se de uma invenção sua para ganhar apostas nos treinos com o guarda redes da sua equipa. A técnica foi desenvolvida depois em treinos e jogos de menor importância até surpreender Maier com a execução vitoriosa. Panenka era um médio ofensivo, dotado tecnicamente que jogou até aos 45 anos de idade. O seu clube era o Bohemians de Praga (onde hoje é Presidente), mas mais tarde jogou também no Rapid Viena. Participaria ainda no Europeu 80 e Mundial 82 (já com 33 anos).

Zdenek Nehoda (Checoslováquia) – Um dos maiores avançados da história do futebol Checo, jogou 90 vezes pela Selecção, marcando 31 golos. Em 1976 foi figura importante na conquista do título, destacando-se o golo que marcou no prolongamento da meia final frente à Holanda. Ponta de lança forte no jogo aéreo mas também dotado tecnicamente.

Berti Vogts (Alemanha O.) – Para os mais jovens este nome é sobretudo conhecido pelos feitos como treinador, nomeadamente pela conquista do Euro 96. A verdade é que Vogts foi um dos melhores (talvez o melhor) lateral direito da história do futebol germânico. “Der Terrier” era assim conhecido pela sua entrega ao jogo. Faria quase 100 jogos pela Selecção, o mais famoso dos quais, a final do Mundial 74, onde marcou Cruijff. Fez toda a carreira no Monchengladbach.

Franz Beckenbauer (Alemanha O.) – Pode não ter ganho o título colectivo, mas isso não impediu que fosse, mais uma vez, nomeado Bola de Ouro pela France Football. Uma distinção que diz tudo sobre as qualidades de “Der Kaiser”, também neste Europeu. Um episódio curioso aconteceu na final – na sua centésima internacionalização – quando ninguém parecia querer marcar os penaltis. A demora foi tanta por parte dos alemães que o público reagiu, assobiando. Foi aí que apareceu a liderança de “der Kaiser”, nomeando ele próprio os eleitos.

Dieter Muller (Alemanha O.) – Independentemente da sua importância como goleador no futebol alemão, esta competição está para a carreira internacional de Muller como os mundiais de 90 ou 82 estão para Schilacci ou Rossi. É que Muller marcou apenas 9 golos na sua carreira pela Selecção, em 12 aparições... 4 deles foram neste jogo, destacando-se o facto de nem ter sido titular no primeiro jogo, entrando aos 79’, a tempo de fazer um hat-trick na sua estreia com a camisola da Selecção. Goleador de várias equipas, mas sobretudo do Colónia e, mais tarde, do Bordéus, Muller tem o maior registo de golos num jogo da Bundesliga, 6 frente ao Werder Bremen em 77. Em mais um episódio curioso da sua carreira, o registo não ficou gravado porque... os “camaramen” estavam de greve!

Ruud Krol (Holanda) – Um defesa que é um dos marcos do ‘Futebol Total’ dos anos 70. Defesa polivalente e de grande classe, Krol usava a sua versatilidade para desempenhar várias funções ao longo dos jogos. Jogador do Ajax durante grande parte da carreira, onde foi capitão, já depois da saída de Cruijff. Seria o terceiro melhor jogador europeu em 79.

Johan Crujff (Holanda) – Falar de Cruijff é, obviamente, falar de um dos maiores génios de sempre. A verdade, no entanto, é que Crujff estava já na fase descendente da sua carreira quando, com 29 anos, disputou esta competição. Depois de 3 títulos europeus pelo Ajax, Crujff juntou-se a Rinus Michels no Barcelona. A verdade é que a armada holandesa apenas conseguiu uma liga em 74 (apesar da importância por ter sido a única entre 60 e 85), em 5 anos de Barça. Também na Selecção, Cruijff invocaria problemas com ameaças à sua familia para abdicar da Selecção em 77, não participando no Mundial 78.

Johan Neeskens (Holanda) - Médio criativo foi a “sombra” de Crujff em grande parte da carreira. Isto partilhou com o génio holandês as experiências no Ajax e no Barcelona – onde se juntou um ano após o ingresso de Cruijff – bem como o Mundial de 74 e o Euro 76. Neeskens jogaria, no entanto, o Argentina 78. Tal como Cruijff apenas jogou a meia final.

Rob Rensenbrink (Holanda) – Fez grande parte da carreira na Bélgica, tornando-se uma glória do Anderlecht após ter entrado no país para jogar no rival Club Brugge. Em 76 foi jogador do ano na Bélgica e segundo mais votado na eleição de Melhor Europeu do Ano para a France Football. Dois anos mais tarde, após um brilhante Mundial 78, voltou a constar entre os 3 mais votados numa eleição ganha por Kevin Keegan. Rensenbrink era um canhoto dinâmico e goleador. As suas funções na Selecção holandesa não foram facilmente incorporadas, primeiro pela sobreposição de funções com Cruijff e, depois, pelo facto de não ser originário do Ajax ou Feyenoord, bem mais rotinados com a novidade do ‘Futebol Total’. Com o abandono de Cruijff, Rensenbrink tornar-se-ia numa das principais estrelas da “Laranja”.

Dragan Dzajic (Jugoslávia) – Figura já destacada no Euro 68, Dzajic voltou a brilhar em 76, agora com 30 anos. Nesta altura havia já abandonado o seu clube de origem, o Estrela Vermelha, para ingressar num Bastia que se preparava para atingir o topo da sua história. Dzajic marcou 2 golos na prova, distinguindo-se, mais uma vez, pela qualidade sublime do seu pé esquerdo que o notabilizou como um dos melhores extremos esquerdos da história do futebol e o nome escolhido pela Federação Sérvia como jogador do século, no Jubileu da Uefa.

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11.6.07

Antevisão Euro Sub 21 - Grupo B

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Sérvia
É a única representante da ex-Jugoslávia nesta fase final, tendo, por isso, a responsabilidade de dar seguimento a uma série de gerações que se pautaram pela qualidade, quer ao nível técnico, quer no que respeita à vertente física. A selecção da Sérvia teve uma primeira fase tranquila na qualificação para os Play-off – Lituania e Georgia foram presas fáceis. Já na fase seguinte, o confronto com a Suécia foi o mais sensacional dos Play-off, tendo vencido fora por 5-0, após uma contundente derrota por 3-0 no seu próprio reduto. Trata-se de uma selecção que reúne vários jogadores ainda por revelar com outros nomes já em plena fase de afirmação.

Destaques individuais:
Slobodan Rajkovic – defesa/médio centro, camisola 20, 18 anos do OFK Belgrado – Estreou-se nos seniores com apenas 15 anos e nos sub-21 aos 16. É um prodígio amplamente reconhecido, tendo o Chelsea garantido o seu concurso, em 2005, por mais de 5 milhões de Euros. A sua mudança para Stamford Bridge deverá dar-se este ano.

Bosko Jankovic – médio ofensivo, camisola 8, 23 anos do Maiorca – é, provavelmente, a estrela da equipa. Jankovic transferiu-se esta temporada para Espanha, sendo uma das revelações do campeonato do país vizinho e tendo atraído as atenções dos maiores clubes da Europa. Dele podem esperar grandes golos (marcou 9, este ano) e uma notável sentido dos espaços no campo. É, também, um indiscutível da selecção principal, tendo marcado o golo do empate contra Portugal.

Milos Krasic – médio ala, camisola 17, 22 anos do CSKA Moscovo – tem-se cruzado por diversas vezes com equipas portuguesas, e, provavelmente, poucos dos que viram com atenção esses encontros não se lembraram das suas actuações. É, de facto, um talento emergente, revelando-se rápido e explosivo nas suas incursões pelo flanco onde actua. É, também, uma das presenças nas mais recentes convocatórias para a selecção principal.

Republica Checa
Se olharmos às individualidades, esta equipa Checa será, à partida, um dos pontos mais fracos do torneio. De facto, são poucos os nomes consagrados entre o elenco Checo, onde se apresenta apenas 1 internacional pela selecção principal. Ainda assim, o anonimato deve ser encarado, quer por jogadores, quer por observadores, como uma oportunidade real para se revelarem talentos ainda pouco valorizados. O caminho para a fase final foi cumprido à custa de três selecções modestas: Bielorrussia e Chipre na fase de grupos e a Bosnia nos Play-off.

Destaques individuais:
Michal Kadlec – defesa esquerdo, camisola 5, 22 anos do Sparta de Praga – é tido como um dos talentos do futebol Checo. Rápido e forte na marcação, tem bom tempo de subida nas incursões ofensivas. Foi apontado como potencial reforço do Celtic.

Daniel Pudil – médio centro, camisola 11, 21 anos do Slovan Liberec – é o único internacional A no elenco e esse é o motivo do destaque. Joga com os dois pés e é daqueles médios com cultura de área, fazendo uso da boa leitura dos espaços para aparecer com propósito nas zonas de finalização.

Jan Blazek – avançado, camisola 22, 19 anos do Slovan Liberec – é o mais jovem dos eleitos e um dos mais promissores herdeiros da vasta legião de ponta-de-lança de qualidade que o futebol checo tem sabido gerar. Esta foi a sua época de afirmação e, quem sabe, não espreita uma oportunidade que lhe seja dada para dar nas vista...


Itália
É, sem dúvida, uma das selecções candidatas à vitória final. A tradição e cultura do futebol italiano a isso obrigam e, neste caso, não há excepção. A selecção italiana chega a esta fase após eliminar a poderosa Espanha nos Play-off, representando este facto o principal cartão de visita dos azzurri. Grande curiosidade em torno de vários jogadores que ainda não fazem parte dos quadros dos “colossos” italianos, sendo, por isso, possíveis alvos de outros emblemas europeus.

Destaques individuais:
Giorgio Chiellini – defesa esquerdo, camisola 3, 22 anos da Juventus – lateral ofensivo que é internacional A desde 2004. Há muito visto como um potencial herdeiro da ala esquerda da selecção principal, Chiellini deverá querer impor-se definitivamente no futebol italiano em 2007/2008.

Alberto Aquilani – médio centro, camisola 8, 22 anos da Roma – há muito visto como um dos mais prodigiosos produtos das escolas de formação romanas, Aquilani afirmou-se este ano no Calcio, tendo merecido uma chamada à selecção principal. Com um completo leque de atributos que fazem dele um médio de eleição, Aquilani deverá ser presença segura no meio campo.

Alessandro Rosina – extremo, camisola 10, 23 anos do Torino – produto das escolas de formação do Parma, tem feito furor em Turim. Primeiro ajudando o Torino à promoção em 05/06 e, esta temporada, tornando-se numa das revelações da Serie A, apontado 9 golos. É um jogador baixo, rápido e muito habilidoso, sendo a sua técnica comparada ao que tipicamente vemos nos criativos brasileiros.

Giuseppe Rossi – avançado, camisola 11, 20 anos do Man Utd – se há nome a que os portugueses vão estar atentos na selecção italiana é Giuseppe Rossi. A sua ligação a uma eventual mudança para o Porto tem entusiasmado o defeso e a verdade é que o talento não é desmerecedor. Rossi é um dos mais novos no elenco e, sem dúvida, um dos mais mediáticos e promissores. Habilidoso e veloz, pode deixar a sua marca no torneio.

Inglaterra
Depois de alguns anos em que a formação inglesa não foi capaz de gerar equipas de qualidade condizente com a tradição futebolística do país, a aposta foi repensada e, hoje, a realidade é de novo risonha. A selecção inglesa chega à Holanda com aspirações legítimas ao título e com um leque de jogadores com vasta experiência na Premier League. Ainda assim, os ingleses não contarão com nomes como Theo Walcott, Aaron Lennon, Micah Richards, Darren Bent ou David Bentley.

Destaques individuais:
Anton Ferdinand – defesa central, camisola 5, 22 anos do West Ham – Irmão do bem sucedido Rio e originário da mais famosa escola de formação do país, Anton Ferdinand tem tudo para ser bem sucedido. Chega a esta prova como um valor seguro do futebol inglês e esperando por “um salto” na sua carreira.

James Milner – médio ala, camisola 15, 21 anos do Newcastle – o que mais espanta em Milner não é o seu futuro mas, incrivelmente, a experiência que já tem aos 21 anos. É que Milner foi revelado aos 16 anos no Leeds, tendo, de lá para cá, sido presença regular nos clubes onde actua. Não é um talento invulgar mas um jogador muito valioso e competitivo, sendo uma das principais figuras desta selecção.

James Vaughan – avançado, camisola 21, 18 anos do Everton – pode até vir a ser pouco utilizado, mas merece o destaque. É um avançado combativo e veloz, à imagem do seu antecessor em Goodison Park, Wayne Rooney. Após a sua estreia com 16 anos na Premier League, contraiu uma grave lesão. Vaughan conseguiu regressar e, este ano, conquistou um lugar no 11 do Everton.

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30.3.07

O empate da Sérvia na falha de Moutinho

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Já aqui deixei as minhas notas do jogo. Antes da concentração definitiva no “jogo do título”, lanço ainda um último olhar sobre a partida de Belgrado e para fazer a análise do golo Sérvio que devolveu o empate ao placard e a euforia aos adeptos locais...
O golo surge na pior fase portuguesa no jogo. Os Sérvios conseguiam chegar com uma frequência pouco aconselhável à área de Ricardo e sucediam-se os cantos – uma ameaça bastante evidente perante o poderio aéreo Sérvio e a perícia de Stankovic a colocar a bola na área. Portugal faz uma marcação ao homem, deixando apenas 2 jogadores posicionais na zona do primeiro poste: Miguel e Petit.



- No primeiro momento é evidente o posicionamento dos jogadores das duas equipas na área, com um emparelhamento de homens promovido pelas marcações portuguesas aos seus adversários. À entrada da área está Jankovic que é acompanhado por Moutinho. Nesta altura vislumbra-se já a eminente “fuga” do jogador Sérvio que parte de fora da área. Note-se ainda que aos 6 jogadores Sérvios que atacam a bola, acresce 1 que fica, sem marcação, fora da área.

- Stankovic bate a bola que descreve um arco a “fugir” de Ricardo. A bola apanha precisamente o movimento de desmarcação de Jankovic que, entretanto, já havia deixado Moutinho a grande distância. O médio do Maiorca vai finalizar em zona proibitiva e fazer o golo, de nada valendo os últimos esforços de outros defesas lusos. Jankovic terá surpreendido Moutinho que talvez esperasse uma postura menos pro-activa de um jogador que, não sendo alto, se colocava tão atrás. Uma desatenção com grandes custos!


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28.3.07

Da Bélgica para a Sérvia: em Transição!

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Aproveitando uma expressão muito usada no futebol actual, deixo aqui um post que é uma espécie de “transição” entre o rescaldo da partida de Alvalade e o lançamento do importante desafio frente à Sérvia.

Em relação ao já longínquo triunfo frente à Bélgica deixo os vídeos dos homens da noite: Ronaldo e Quaresma.

Portugal joga frente à Sérvia o seu posicionamento na “grelha de partida” para a recta final da qualificação. Uma vitória dá-lhe a “pole-position” mas outro resultado trará uma grande responsabilidade para os jogos que faltam, particularmente para as potencialmente decisivas recepções à Polónia, Finlândia e Sérvia.

Em relação à partida, espero um jogo intenso e com um ritmo inicial elevadíssimo por parte dos Sérvios. Com a partida frente à Polónia na memória, antevejo dois perigos principais: o poderio físico dos Sérvios que poderá ser decisivo nas bolas paradas e a “matreirisse” das transições.
Portugal é uma formação que aceita com naturalidade ter o domínio posicional dos jogos e este facto pode ser aproveitado pelos adversários. Foi o que fez a Polónia (com a estratégia da raposa, Leo Beenhakker), chamando Portugal para o seu meio-campo defensivo para depois e através de um pressing baixo muito bem delineado lançar transições alucinantes que aproveitavam o espaço nas costas da defesa lusa.
Por outro lado, se formos inteligentes e conseguirmos ser nós a lançar Ronaldo, Quaresma ou Simão no espaço, então provavelmente traremos os 3 pontos na bagagem...
Sobre os Sérvios, são uma formação em renovação com muitas das estrelas a serem afastadas pelo seleccionador Clemente. Falta Zigic mas volta o experiente Stankovic. Na defesa o pilar é o reputado colega de Ronaldo no Manchester United, Vidic. Nota ainda para Bosko Jankovic (médio de 23 anos), uma das revelações no futebol espanhol e no Maiorca e para o jovem guarda-redes Stojkovic que esteve no ano passado no Euro sub21 em Portugal.


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Nicola "O Gigante" Zigic

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Portugal tem hoje aquela que era, à partida e em termos teóricos, a sua mais difícil deslocação na caminhada para o Euro. A Sérvia é tida como uma formação forte como um todo, mas há uma peça muito particular e que estará ausente da partida representando este facto, para Scolari, certamente um alívio.
Nicola Zigic foi expulso na “derrota-choque” da sua selecção frente ao Cazaquistão. Trata-se, talvez, do avançado mais poderoso em termos fisicos do futebol de topo actual – Zigic mede 2,02 m e não propriamente franzino! Estes atributos tornam-no num jogador naturalmente muito complicado de marcar, servindo de referência para todo o ataque das equipas onde actua. Depois da presença na decepcionante formação Sérvia do Mundial da Alemanha, Zigic deu o salto para o campeonato espanhol. A sua saída do Estrela Vermelha era já há muito antevista e foi o Racing de Santander que acabou por ganhar a corrida pelo seu concurso (por cerca de 7 milhões de euros). Em Espanha tem sido uma das revelações do campeonato, marcando golos, assistindo e cravando muitas faltas aos defesas, sempre aflitos na marcação...
A influencia de Zigic é uma evidência também na selecção onde apontou 4 dos 7 golos na fase de apuramento. Aos 26 anos, um jogador a acompanhar...


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10.2.07

Dragan Stojkovic - Não se esquece um talento assim!

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Na passada Segunda-Feira o jornal 'ABola' publicou uma extensa entrevista com Carlos Queiroz. Entre os vários temas abordados, emerge a selecção do "onze da minha carreira" numa escolha feita pelo próprio treinador. Entre craques como Figo, Ronaldo, Donadoni, Futre, Raúl ou Zidane aparece um nome a quem é dado todo o destaque por parte do "professor": Dragan Stojkovic!
Lembro-me dele, era o craque e número 10 da selecção Jugoslava que tão boa conta de si deu no Itália 90. Nessa Selecção constavam ainda alguns talentos que haveriam de fazer carreira no futebol Mundial - Suker, Savicevic, Pancev, Prosinecki, Jarni e Boksic... lembram-se deles?
Stojkovic brilhou nesse Mundial (vejam um célebre livre seu frente à Selecção Espanhola) mas a verdade é que nunca deu continuidade a um talento que desde muito cedo se mostrou ao mundo (foi titular no Euro 84 com apenas 18 anos!). Depois de fazer história no Estrela Vermelha, não teve sorte num Marselha de tempos gloriosos (com Pappin ou Waddle). As lesões impossibilitaram-no de ter um rendimento constante no futebol de alto nível e por isso partiu para o Japão com apenas 29 anos. O Nagoya Grampus foi o destino e foi lá que fez história - os Japoneses construiram-lhe até monumentos! No Oriente foi treinado não só por Queiroz mas também por Arsene Wenger e a distância não o impediu de participar no Mundial de 1998 ou no Euro2000 (já com 35 anos) - digamos que um pé direito como aquele não se esquece facilmente!
Actualmente, Dragan encontra-se já bem lançado no dirigismo - depois de ter sido Presidente da Federação Jugoslava é agora o homem forte do clube que o mostrou ao mundo, o Estrela Vermelha de Belgrado!

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